Quebrada escrita por MarcosFLuder


Capítulo 15
Uma garantia imprescindível


Notas iniciais do capítulo

A jornada se aproxima do fim. Este é o penúltimo capítulo da fanfic. O último eu pretendo postar no próximo domingo. Os mais atentos notarão algumas referências ao episódio 2 da primeira temporada e ao episódio 19 da terceira. Fora isso, mais uma vez externo a minha gratidão pelos que me honraram em acompanhar essa história. Vamos à leitura.



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A porta fez um barulho desagradável aos ouvidos quando foi aberta. Daisy não se preocupou em virar-se, pois sabia bem quem era. O barulho de rodas contra o plástico fez-se notar. A jovem inumana, por sua vez, permanecia focada no que fazia, todo o seu poder concentrado nas pontas dos dedos de suas mãos. Pequenos tremores agitavam seu corpo, mas ela mantinha-se firme em não demonstrar, para além disso, os efeitos dos choques elétricos que sofria. Em sua visão periférica, ela viu quando o homem que ela conhecia como Senhor H tratou de acordar Radcliffe, soltando-o de suas amarras.

 

— Todo o material necessário está aqui, meu caro – Daisy o ouviu dizer – faça o que tem de fazer.

 

— Tirar todo o meu sangue não vai te ajudar em nada – Daisy se dirige a ele, embora não olhe em sua direção – logo todos saberão quem você é. Não haverá lugar no mundo onde possa se esconder.

 

— Eu vou me preocupar com isso depois de ter o que eu quero de você, minha cara Tremor – Hank respondeu.

 

— É isso então? O Senhor H que planejava cada passo, agora se tornou um improvisador? – Daisy evitava olhar para ele, mantendo-se focada em ganhar tempo.

 

— É fora da minha zona de conforto, eu admito, mas estou cansado de seguir regras, de planejar tudo nos mínimos detalhes – a resposta dele indicava uma ansiedade evidente – foram anos de espera inútil, para mim chega. É tudo ou nada agora.

 

— De que espera você está... falando – ela solta um gemido, o efeito dos choques ficando mais difíceis de aguentar.

 

Hank olhou para a jovem inumana sobre a mesa e sentiu algo estranho. Foi uma breve hesitação, mas deixou essa impressão de lado, pois se voltou para o Dr. Radcliffe, forçando-o a preparar os materiais que trouxera. Podia perceber a resistência do controvertido cientista em fazer o que lhe era pedido. A arma na mão de Hank não era mais uma ICER, como a que disparou contra Daisy. Ele fez questão de mostrar isso para o homem diante dele.

 

— Sua única utilidade é pelo fato de já ter feito isso antes, meu caro – Hank aponta a arma para Radcliffe – eu não quero perder tempo procurando outra pessoa para fazer isso, mas farei se você resistir.

 

— Isso não é correto – Radcliffe tem um tom de voz bem fraco ao falar, como se não acreditasse totalmente no que dizia.

 

— Acha mesmo que pode dizer isso meu caro? – Hank olha dele para Daisy – logo você que quase a matou tirando o sangue dela para o tal Hive.

 

— Era uma muito situação diferente – ele se defende, ainda que fracamente – ela fez aquilo por vontade própria.

 

— Eu li o relatório Dr. Radcliffe – Hank aponta a arma para a testa do cientista – ela até podia achar na época que fez tudo por vontade própria, mas para mim ficou muito claro que a nossa pobre inumana ali estava vivendo uma mistura de relação abusiva com vício em drogas. E se eu fui capaz de perceber isso só lendo um relatório, duvido muito que estando tão próximo dos dois, você também não tenha visto isso.

 

— Eu não... eu – Radcliffe gagueja, abaixando a cabeça.

 

— Já chega – Hank solta um quase grito – faça o que tem de fazer ou eu vou buscar outro para isso, mas antes eu mato você, ouviu bem?

 

Daisy ouviu o diálogo dos dois homens e não conseguiu evitar que uma lágrima solitária deslizasse pelo seu rosto. Hive era apenas uma lembrança ruim agora. Perdido bem fundo em seus pensamentos, mas nunca realmente esquecido. Jamais será, ela sabe disso. Ouvir o que Hank acabara de dizer é o tipo de coisa que sempre fará com que a lembrança enterrada retorne. A diferença, desta vez, é que essa lembrança não mais será um motivo para enfraquecer a sua determinação. Ao contrário, Daisy se concentra mais do que nunca no que deve fazer, sua determinação mais forte ainda. Um gemido mais intenso da parte dela se confunde com um som estalado, como algo a ponto de quebrar. Hank logo percebeu que alguma coisa estava acontecendo.

Um novo estalar pode ser ouvido. Daisy sente que está cada vez mais perto. O problema é que está cada vez mais difícil suportar os choques elétricos sem emitir algum som mais forte. Os estalos se tornam mais estridentes e isso faz com que Hank se volte para a jovem na mesa. Um medo forte toma conta dela, o medo de não ter tempo. O seu olhar cruza com o do homem que conhecia como Senhor H. Ela vê que ele percebeu tudo e força ainda mais o seu poder, soltando um grito, não se preocupando mais em ocultar os efeitos do choque que percorre o seu corpo. Daisy vê quando Hank aponta a arma para sua direção. Nesse momento, Radcliffe tenta segurá-lo. A jovem inumana vê os dois homens lutado de maneira desajeitada, até que um estalo mais forte indica que está atingindo o seu objetivo. O lugar onde ela está presa acaba se despedaçando, com Daisy finalmente se soltando. É nesse exato momento que Hank consegue se livrar de Radcliffe, apontando a arma para a jovem inumana.

 

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Hank sentiu o impacto da parede em suas costas, sua arma indo parar longe. O poder da jovem inumana atingiu-o, sem a mesma força que impactara o soldado aprimorado antes, o que foi a sua sorte. Ele a ouve gritar, consequência do choque elétrico que tomou, pois ainda estava com a coleira em seu pescoço. Rapidamente ela trata de tirar. A vê tentando se levantar, o olhar expressando uma mistura de dor física com todo o ódio que devia estar sentindo. Após ter tirado a coleira, ela volta a atacá-lo, mas dessa vez ele consegue evitar ser atingido. É uma sorte para Hank ter a agilidade, força e resistência que o soro lhe deu. No entanto, sem qualquer treinamento de luta, sabe que suas chances contra a inumana são ínfimas, num combate direto.

Não se trata apenas de treinamento, ele sabe. A dificuldade dela em se pôr de pé indica que tivera de passar por um imenso sofrimento para conseguir se soltar. Impossível deixar de lembrar dela no vídeo, suportando uma tortura que Hank jamais imaginaria alguém resistindo, sem falar na maneira como escapou da mesma. O homem que muitos conheciam como Senhor H sabe que tem diante de si alguém com uma determinação de ferro, uma pessoa capaz de suportar algo a que pouquíssimos resistiriam. Alguém que qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, evitaria confrontar.

Hank sempre se considerou um homem de bom senso. Ele foge, é claro. Todo o orgulho masculino esquecido. Não há a mínima condição, ou tempo para contemplar o seu ego. Seus pensamentos inundados mesmo pela percepção de que fizera tudo errado, calculara mal, ou simplesmente não calculara, tudo de errado que poderia acontecer. Ele nunca fora assim. Agora que tudo desabava diante de seus olhos, era possível ver o desatino que cometera. O vilão de nome ridículo que criou sempre planejava suas ações em detalhes. Não havia espaço para improvisos. Mais que qualquer coisa, ele nunca se envolvia diretamente em nada. Tudo o que estava fazendo naquele galpão deveria ser trabalho de terceiros. Terceiros esses que ele contrataria usando a identidade de Desmond.

Da fortuna que Hank acumulara, quase tudo o que sobrou da operação fracassada na Rússia foi usado nesta sua operação de agora. Tudo foi improvisado, fruto de um impulso desesperado, o qual não foi capaz de evitar. Nada foi realmente planejado como deveria ser. Hank sentia seu coração acelerado, respirava com dificuldade e não conseguia pensar direito. Ele estava com medo, um medo que nunca tivera antes, pois essa era a primeira vez que se via numa situação de real perigo. Era a primeira vez que tinha sobre si a pressão de se encontrar encurralado numa situação sobre a qual não tinha controle, para qual não havia qualquer plano de contingência. Normalmente o Senhor H ficaria fora de tudo isso, mantendo um controle distante da situação. Pelo menos é o que todos pensariam. Tudo isso passava por sua cabeça enquanto fugia, sua mente buscando uma saída para o que enfrentava. Hank não tinha preparado nada para a possibilidade em que a inumana se soltasse, vindo atrás dele. A sua única garantia tinha tido seu pescoço quebrado e seu crânio esmagado, por aquela que devia estar perseguindo-o agora.

Diante do desastre, Hank comparava suas escolhas. Ele poderia ter se mantido nas sombras onde sempre circulou tão bem, que sempre foram uma grande proteção. Foi assim que vivera toda a sua vida. Hank apenas tornou o que era um sinal de sua irrelevância, numa vantagem. Mas ele estava cansado disso. Não queria esperar anos, sabe-se lá quantos, para emergir de novo de sua medíocre existência, das sombras onde nunca era notado. Nem mesmo havia qualquer garantia que teria tempo para isso. Ele já havia experimentado anos, décadas em verdade, de uma espera que se mostrou inútil. Não estava disposto a correr o risco de passar por isso outra vez.

Em meio a fuga, Hank sabia que não podia mais se dar ao luxo da precaução. Ele correu até o lugar onde guardara a maleta com o restante do soro. Era seu único patrimônio, sua única vantagem. Lutaria por aquilo até o último suspiro. Era necessário desaparecer. Dessa vez, no entanto, não poderia ser na base do improviso. É claro que tudo dependia dele escapar da jovem inumana. A situação em que se encontrava exigia um pouco de sorte, contar que o esforço de sua perseguidora, para sair da situação onde se encontrava, tenha lhe custado muito. Era a sua melhor chance. Com a maleta em mãos, ele segue em direção à saída, mas suas esperanças se perdem ao vê-la de pé, entre ele e a sua escapatória; o mesmo olhar de ódio, agora voltado para a maleta que Hank tem em mãos.

 

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Daisy sentiu um prazer quase sádico ao jogá-lo de encontro à parede. Esse prazer, no entanto, teve um custo, quando sentiu o choque elétrico, lembrando-a que ainda estava com a coleira em seu pescoço. Ela tirou-a rapidamente, e logo a seguir, tentou atingi-lo de novo. A dor fazendo-a dobrar-se, enquanto emitia um gemido agoniado. A jovem inumana ainda sentia seu corpo trêmulo, dificultando-a de pôr-se em pé. Isso permitiu que aquele que conhecia como Senhor H escapasse. Daisy respira fundo, buscando acalmar seu coração acelerado, sua respiração entrecortada. Ela foi conseguindo aos poucos, sentindo seu corpo respondendo, ganhando um novo fôlego. Embora soubesse que precisava descansar mais, tinha plena consciência de que esse era um luxo não permitido naquele momento.

Custou um certo tempo e esforço, mas a jovem inumana se reergueu. Radcliffe olhava para ela admirado, mas Daisy não lhe deu atenção. Ela ficou de pé, uma firme determinação dando-lhe toda a força que precisava. Ainda que não totalmente recuperada, foi atrás do Senhor H, pois tinha certeza que ele não fugira às cegas. A jovem inumana sabia exatamente o que ele iria procurar antes de escapar. Isso lhe deu uma certa vantagem, tratando de aproveitá-la. Quando o viu diante de si, foi possível vislumbrar o olhar de animal encurralado dele voltado para ela. O olhar dela, por sua vez, estava voltado apenas para o que ele tinha numa das mãos. A maleta com os kits de soro. Mais até que o vilão de nome ridículo que tinha diante de si, era o conteúdo daquele maleta que ela queria em suas mãos.

 

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Hank olhou para a jovem mulher, obstruindo a sua rota de fuga. Impossível não pensar no legado que queria deixar, que poderia ter se tornado realidade, graças ao sangue dela. Ao mesmo tempo, foi essa mesma mulher, a principal responsável por destruir tudo. A obsessão por ela levou-o a abrir mão das sombras que sempre foram sua segurança, do muro intransponível que construíra, o muro que o deixaria seguro. Ele não teria nada, estava tudo muito claro agora. Nem o seu legado, nem mesmo a medíocre segurança nas sombras do anonimato. Tudo perdido graças a ela. Hank podia ver os tremores em seu corpo, o ar de fadiga em seu rosto, o cansaço por tudo o que teve de enfrentar. Por trás de tudo isso, entretanto, estava a determinação de ferro que a mantinha ali de pé. Ela foi o começo e o fim de tudo, e ele a odiou como nunca odiara ninguém em sua vida. Correu em sua direção, a maleta em sua mão transformada numa arma de ataque, o grito saindo forte de sua boca. Ela permanecia parada, como se o avanço dele em sua direção nada representasse.

 

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Daisy o viu correndo em sua direção, a maleta agora suspensa no ar como se fosse um aríete contra uma fortaleza inimiga. Ele pretendia se mostrar intimidador, mas lhe parecia apenas patético, desajeitado e nada ameaçador. Ainda assim, a voz de May em sua cabeça se fez ouvir: “nunca subestime um inimigo, ainda que você saiba que é muito melhor que ele. Nunca prolongue uma luta além do necessário”. As palavras de sua antiga OS ainda soavam em sua mente, ao mesmo tempo em que reunia suas forças, concentrando toda ela em seu braço direito. Daisy o espera vir, seus gritos cada vez mais próximos. Seu braço direito treme quando o ergue, no exato momento em que a figura se encontra a pouco menos de um metro dela. O seu poder o atinge direto no peito, o impacto jogando-o longe, curiosamente fazendo-o bater contra a parede, bem ao lado da mancha de sangue, agora seca, do soldado aprimorado que Daisy matara neste mesmo galpão. A maleta com os kits de soro caindo sobre a cabeça do cadáver, este já em avançado estado de transformação, numa figura totalmente monstruosa.

 

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As dores em seu corpo eram fortes, mas Hank tratou de se levantar. Ele a vê caminhando em sua direção, uma firme determinação em seu olhar. O homem conhecido como Senhor H dá dois passos à frente. Ele ergue os braços em posição de luta, mas percebe o ridículo da situação, pois sabe que não tem qualquer chance lutando contra ela. Ainda assim, nota a mudança em sua expressão. O olhar determinado ganha um ar de surpresa, isso dá a ele um fio de esperança. Um novo passo é dado na direção dela e é possível ver melhor o seu olhar. Não há medo nele, um pouco de surpresa sim, mas é principalmente um olhar de aviso. Hank só se dá conta disso tarde demais, quando sente um braço em volta de seu pescoço, o aperto de uma mão em sua cabeça, procurando virá-la. Ele sente o ar faltando, sente que sua traqueia está sendo esmagada, sente sua cabeça sendo virada até o ponto de quebrar seu pescoço. Tudo dura apenas uns poucos segundos. A última visão de Hank é o olhar dela, um misto de surpresa e pena, até que o estalo acontece. Seu corpo mole caindo no chão, tudo terminando finalmente para ele.

 

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Daisy o vê se levantando e caminha em sua direção. Embora o soro o tenha deixado forte, ela sabe que não há da parte dele qualquer tipo de treinamento em lutas. É força sem direção, agilidade sem coordenação, resistência sem método. Ela segue firme em sua direção, querendo acabar com a luta logo, pois precisa resolver tudo antes que Nick Fury e seus homens cheguem. A jovem inumana sabe que a qualquer momento o aparelho que deixou no lado de fora irá ligar o sinal, permitindo ao ex-diretor da S.H.I.E.L.D. localizar este lugar. Uma parte dela está furiosa por ter cedido a esse cuidado. Tudo o que Daisy quer é pegar a maleta, apenas para destruir todo o seu conteúdo. Ela o vê dando passos na sua direção, se colocando em prontidão de luta, mas de um jeito que quase a faz rir, embora tenha resistido em fazê-lo. É então que vê a criatura levantar-se.

A visão ainda é capaz de deixá-la sem ação, saber que tudo isso é resultado do seu sangue, de uma época que é motivo de tristeza, embaraço e horror para ela. Hank está tão concentrado nela que nada percebe às suas costas. Daisy deveria gritar para ele, alertá-lo, mostrar-lhe o perigo que vem por trás, mas ela nada diz. Apesar disso, o seu olhar certamente mostra algo, mas ele o interpreta errado, tendo uma absurda expectativa de que a tinha intimidado, que poderia ter alguma chance. Foi apenas no último segundo que ele se deu conta da verdade, embora já fosse tarde demais. Daisy viu a criatura agarrar o pescoço daquele que ela conhecia como Senhor H, com este se mostrando incapaz de qualquer tipo de reação. De nada adiantou injetar o soro. Ao menos foi rápido. A jovem inumana ouviu o estalo, vendo o corpo cair todo mole no chão, não sem antes seu olhar voltar-se para ela, que viu o desespero impotente refletido neles, antes do triste fim.

 

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A criatura monstruosa veio com tudo para cima de Daisy. O grunhido animalesco, o olhar que parecia ejetar sangue, indicando que ele a reconhecia como responsável por sua morte. Seria uma luta difícil, pois ela passou por um grande esforço para se livrar de onde estava presa, estando no limite do esgotamento. A jovem inumana tinha consciência de que não poderia usar seus poderes da maneira como gostaria. Ao mesmo tempo, sabe que sem eles, suas chances são diminutas. A criatura é muito mais forte, além de tomado por uma selvageria sem limites. Como se não bastasse, ao contrário de Hank, havia também o seu treinamento militar, no mínimo a memória muscular deste treinamento. Como enfrentar algo assim? As lições de May ainda presentes em seus pensamentos, sobre como usar a força de alguém superior fisicamente a seu favor, guiam as ações dela, ao se desviar do avanço da criatura. Um giro de corpo a coloca às costas dela, atingindo-a com um violento chute numa das costelas. O que ela não contava é que a criatura seria ágil o suficiente para girar o próprio corpo e atingi-la com a parte de trás de sua mão direita.

Daisy é jogada longe com aquele golpe, sentindo-se tonta por uns breves segundos, mas tratando de levantar-se logo, pois não podia permitir que a criatura a envolvesse num abraço mortal. Aquele que já fora um soldado aprimorado veio de novo para cima dela, com a jovem inumana se esquivando sempre, buscando encaixar golpes precisos, sempre nos pontos que causem mais danos, dificultem a movimentação. Ela sabe que não vencerá numa luta puramente física, mas entende que não pode usar seus poderes aleatoriamente, que é necessário o máximo de precisão. A lembrança da sua luta contra o caçador Kree, na época em que estava sob a influência de Hive, lhe indica como vencer esse combate, só está insegura da sua capacidade de concentrar seu poder para isso. Daisy sente o seu corpo cansado, e teme não ter energia suficiente. A criatura tenta acertá-la novamente e chega bem perto de conseguir. A jovem inumana precisa arriscar e é o que faz, atingindo-a com o seu poder, destruindo o seu fêmur direito.

Daisy ouve o som estalado, sabendo que o osso quebrara em mais de duas partes. A criatura solta um grito agoniado e desaba. Ela sabe que não terá chance melhor e se coloca atrás dela. Tal como aconteceu com o caçador Kree, a jovem inumana quebra a coluna de seu adversário. Ainda não é o fim, pois à diferença do Kree, é preciso matar de vez, aquele que outrora havia sido um soldado aprimorado. Daisy reúne todas as suas forças e concentra todo o seu poder para vibrar a cabeça de seu adversário, os gritos dele se somam aos gemidos dela, que sente o esforço. Menos de um minuto se passa e é possível ouvir o som da cabeça deformada se despedaçando, até que uma poça de sangue se forma aos pés da jovem inumana. A luta finalmente acabara. Para ela foi um esforço imenso. Daisy recua alguns passos, sentindo o dobrar de suas pernas, caindo de joelhos, sua visão embaçada, até desabar no chão, inconsciente.

 

20 MINUTOS DEPOIS

 

Seus olhos abriram-se lentamente. Ela ainda sentia os efeitos de tudo pelo que passou, estes se refletindo numa enorme dificuldade de se levantar. Seu rosto mostrava os sinais da luta; sangue e um grande hematoma bem evidentes. Ainda assim, a jovem inumana está feliz. A visão da maleta faz com que se esforce para levantar-se, dirigindo-se até ela. Volta a tê-la em suas mãos de novo, pronta para ser destruí-la com todo o seu conteúdo. Daisy sente-se cansada, esgotada. Seu corpo ainda sofrendo os efeitos dos choques elétricos que teve de suportar, até se livrar do que a prendia. As lutas que se seguiram apenas complementando o desgaste que já sofrera. Ela está feliz assim mesmo. Por mais cansada que se sinta, a jovem inumana sabe que não pode perder tempo. É preciso destruir a maleta e todo o seu conteúdo de uma vez por todas. Daisy respira fundo, se preparando para fazer o que precisa.

 

— Não faça isso, agente Johnson – a voz de Nick Fury se faz ouvir às suas costas. Daisy se vira, amaldiçoando-se internamente por ter cedido à precaução de ter deixado a pista que o trouxe – eu não posso permitir que destrua essa maleta.

 

— Desgraçado mentiroso – ela grita, enquanto aperta a maleta junto dela – eu sabia que você estava atrás do soro.

 

— Na verdade eu só preciso de um exemplar dele – é a resposta de Nick Fury – o restante você pode destruir, como é o seu desejo.

 

— Por que você quer um exemplar?

 

— Pelo mesmo motivo que idealizei o “Projeto Vingadores” com o Coulson – ele dá um passo cauteloso em direção a ela – nunca se sabe quando precisaremos de alguém para colocar no lugar de uma figura imprescindível. Uma garantia.

 

— Sempre querendo ter uma vantagem, não é mesmo senhor?

 

— Esse sou eu, agente Johnson – ele sorri para Daisy – aliás, deveria ser grata por eu ser o que sou. Você nunca teria conhecido o Coulson, além da agente May também, se não fosse por isso. Tente pensar o que seria a sua vida hoje, se nenhum dos dois estivesse presente nela.

 

— Eu não devo nada a você, Fury – Daisy estica um dos braços, fazendo com que os homens atrás de Nick Fury, além de Maria Hill, saquem suas armas. O ex-diretor da S.H.I.E.L.D. faz um sinal e todos tratam de abaixá-las.

 

— Não estou dizendo que me deve alguma coisa, agente Johnson – ele responde – só estou deixando claro que minhas ações podem ser controversas, mas também resultam em coisas boas para muita gente.

 

— Você viu o que esse soro faz com as pessoas – ela retruca – não tem coisa boa sobre ele no final.

 

— São problemas que podem ser resolvidos, agente Johnson – a resposta de Fury faz com que Daisy fique ainda mais furiosa.

 

— Você está falando igual a ele, igual ao Senhor H – ela grita.

 

— Eu não sou ele, agente Johnson – Fury faz um gesto de quem tenta iacalmá-la – eu nunca distribuiria esse soro para qualquer um, sem levar em conta as considerações éticas envolvidas.

 

— Papo furado – ela continua gritando.

 

— Não é papo furado, agente Johnson – Fury modula sua voz para um tom o mais calmante possível – tanto não é que eu quero apenas um kit de soro. Apenas para guardar, apenas para usar em caso da perda de alguém imprescindível. Uma garantia, agente Johnson, apenas isso.

 

— Eu não acredito em você – ela diz – não importa o que o Coulson pense a seu respeito, eu não confio em você – ela ouve quando Nick Fury dá um profundo suspiro.

 

— Por favor, agente Johnson, não me obrigue a fazer algo que eu detestaria ter de fazer.

 

— Vai fazer o que? Vai mandar o seu pessoal atirar em mim? – ela tem um ar desafiador ao perguntar, mas sua respiração é ofegante, seu coração bate acelerado e a terra começa a tremer debaixo dos pés de todos ali – manda seus homens tentarem a sorte, Fury. O que estão esperando rapazes, atirem, atirem – ela grita, ao mesmo tempo que os tremores de terra ficam mais fortes.

 

— Senhor – agora é Maria Hill quem gritou, mas na direção de Fury.

 

— Todo mundo para fora, agora. Exceto você, Hill, você fica – tanto Daisy quanto os outros ali ficam confusos com a ordem – eu estou falando numa língua estranha que ninguém entende por acaso? – ele dá um forte grito agora – todo mundo para fora.

 

Os soldados de Fury se retiram, todos com expressões tensas em suas faces. Eles se retiram com suas armas ainda apontadas na direção da jovem inumana, sem tirarem os olhos dela. Agora no galpão só estão Daisy, Nick Fury e Maria Hill. Ela ainda se mantém tensa, como um animal encurralado. Seu olhar é de pura fúria, mas sua respiração vai aos poucos se acalmando, as batidas de seu coração voltando ao normal, os tremores de terra cessando. O olhar de Fury para Maria Hill é silencioso, mas é o suficiente para que ela entenda que deve guardar a sua arma. Os três ficam em silêncio pelo que parece uma eternidade, mas que durou menos de um minuto.

 

— Mostre para ela, Hill – Fury se dirige à sua segunda em comando.

 

— Tem certeza senhor? Ainda podemos...

 

— Mostre logo – ele não grita, mas seu olhar é bem enfático. Maria Hill dá um suspiro. Ela olha para Daisy e faz um sinal de que irá tirar algo da mochila que tinha em suas costas. É um laptop.

 

— Sinto muito por isso, Daisy – ela se aproxima e abre o laptop diante da jovem inumana, já exibindo as imagens.

 

Daisy sente as batidas de seu coração acelerando. Suas pernas tremem e ela nada consegue dizer diante das imagens que vê no laptop que Maria Hill segura diante dela. A jovem inumana vê May e Coulson com Radcliffe, este encostado na parede, sendo sufocado por sua antiga OS, com Coulson observando tudo com o máximo de tranquilidade. Não há som, o que é desnecessário. Daisy sabia muito bem o que estava acontecendo ali, não havia necessidade de palavras para que ficasse claro a coação que Radcliffe estava sofrendo. A jovem inumana vê Nick Fury se aproximando, um ar bem tranquilo em seu rosto.

 

— Não houve qualquer segunda intenção da minha parte, quando eu contei ao Coulson sobre o que Radcliffe fez na comissão do Congresso, e do perigo que isso poderia representar para você – ele afirmou – é claro que conhecendo o Coulson, e também a agente May, eu sabia que ambos iam atrás do Radcliffe. Então eu mandei vigiarem a casa do sujeito, para o caso de ter de fazer algum tipo de... serviço de limpeza.

 

— Você... você os gravou, você...

 

— Nada disso, agente Johnson – Nick Fury retruca – essas imagens são das câmeras de segurança da casa de Radcliffe. Tudo o que eu fiz foi confiscar. Sem nenhuma segunda intenção.

 

— Jura que desde aquela época você não estava querendo me recrutar? – ela olha para ele cheia de ódio – seu eu tivesse recusado a missão na Rússia, você não teria me mostrado isso?

 

— Meu deus! Você realmente não confia em mim, não é mesmo?

 

— Acho que a recíproca também é verdadeira, senhor – Maria Hill intervém – a primeira coisa que fez com o celular que ela lhe deu foi verificar se não havia nenhuma surpresinha nele.

 

— Eu por acaso estava errado, agente Hill?

 

— Não senhor, não estava – ela responde.

 

— Como vê, agente Johnson, você nos vigiava e nós fazíamos o mesmo contigo – Nick Fury dá um ligeiro sorriso para Daisy – nós estaríamos aqui mesmo que você não tivesse o bom senso de ativar aquele aparelho localizador. Mas chega de conversa. Com segundas intenções ou não, as imagens estão ai. Você sabe o que isso significa, não é?

 

— Você não teria... Coulson confia em você! – seus olhos lacrimejam, mas ela se esforça para não passar disso.

 

— Eu vou me odiar por fazer isso, agente Johnson – ele estende o braço na direção dela – mas eu vou fazer com que essas imagens cheguem à comissão do Congresso sim, se você não me entregar essa maleta agora mesmo.

 

Daisy tem a maleta apertada contra si, como se um filho a ser protegido fosse. Ela olha fixamente para o homem diante dela, para o único olho bom dele. O braço permanece estendido, a face mantém uma aparência de implacável resolução. A jovem inumana fecha os seus olhos por uns breves segundos, mas ao abri-los já sabe o que tem de ser feito. Ela tem tremores por todo o seu corpo, mas se rende ao inevitável, entregando a maleta para Nick Fury. Ele não perde tempo em abri-la, tirando um kit de soro, guardando-o num dos bolsos. Com a mesma rapidez, fecha a maleta e a entrega de volta para uma cabisbaixa Daisy.

 

— Coulson tinha razão sobre você – Nick Fury tem um tom de voz suave ao falar – me lembro, bem lá no começo, de tê-lo alertado sobre o risco que você poderia representar, mas ele se manteve firme. Agora veja só onde chegamos. A missão na Rússia foi um sucesso. Toda a equipe foi ótima, mas você.. você foi brilhante, agente Johnson.

 

— Corta esse papo furado, diretor – ela volta a olhá-lo firmemente – diga logo o que realmente tem para dizer.

 

— Os Guerreiros Secretos, agente Johnson – Fury responde – o mundo certamente ainda precisará dos Guerreiros Secretos. Esteja pronta para isso – Fury e Maria Hill vão embora, deixando Daisy para trás, esta nutrindo uma mistura de raiva e sentimento de impotência.


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Notas finais do capítulo

Capítulo 15 postado como prometido. No próximo domingo teremos a postagem do último capitulo da fanfic. Aguardem.



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