Wildflowers escrita por Nonni


Capítulo 8
Aquele do cuidado.


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!



Uma das coisas que talvez Robin jamais fosse se acostumar a respeito de Crowley Cornes era o tempo chuvoso. Embora o outono tivesse chegado e finalmente a temperatura mais baixa predominasse na região, aquela estava sendo uma semana de temperaturas um pouco mais elevadas, o que acarretou a abundância de chuva naquele momento. Apesar do dia ter amanhecido bonito, as nuvens foram tomando conta do céu e no final da tarde uma forte tempestade caiu sobre a cidade e região. 

No rádio do carro tocava Achy Breaky Heart e Robin tamborilava alegremente os dedos sobre o volante. Sua atenção estava redobrava a estrada, entretanto, porque a intensidade da chuva tornava tudo um pouco mais complicado. O pen drive ligado ao aparelho do carro pertencia a Regina, já que agora ele passava mais tempo na fazenda do que no hotel, e eles passaram a usar bastante o carro do loiro. 

Robin riu, sentindo falta da sua caipira, que vinha o caminho inteiro sempre cantando as músicas baixinho, a olhar pela janela. 

Agora, depois de tanto tempo, ele reconhecia a maioria das propriedades vizinhas à fazenda de Regina. Embora naquele momento a chuva estivesse bastante forte, o loiro saberia explicar direitinho a quem pertencia as terras e algumas características dos donos.

Tudo, claro, obra de Regina Mills. 

Quando enfim chegara a propriedade que sua namorada vivia com o pai, o homem estacionou o carro o mais próximo possível da casa. Como a chuva não havia dado trégua, ele se esticou até o banco de trás e pegou um casaco para por sobre a cabeça, seguindo rapidamente até a casa. 

Depois de tantas semanas, ele perdera o hábito de bater, encorajado claro pela arquiteta e seu pai, que deixavam claro que o empresário já era de casa e por isso bastava apenas entrar. Embora nos primeiros dias Robin se sentisse bastante receoso, com o tempo ele fora se acostumando a fazer o que fora pedido. 

Estranhou por não ter nenhuma movimentação na sala espaçosa e que a TV estivesse desligada. Hoje era dia de jogo. Seu sogro nunca perdia um jogo. Lola veio feliz ao seu encontro, pedindo carinho, pulando em Robin. O homem acariciou delicadamente a cabeça e pescoço da cachorra, olhando em volta, procurando algum sinal de Regina.

"Regina!" chamou, indo até o primeiro degrau da escada. 

"Na cozinha!" pode ouvir a voz do sogro, e fez meia volta, seguindo até o cômodo. Esperava encontrar a arquiteta que seu coração tanto amava ajudando o pai a preparar o jantar, entretanto, apenas o senhor se encontrava na cozinha, lutando com o aparelho celular em mãos. Robin sabia que aquilo fora um presente de Regina para o pai, dado com o intuito de ele lhe chamar rapidamente se algo ruim acontecesse. Entretanto, Henry nunca se adequara ao mesmo, e deixava claro que o único meio de ligação que usaria seria sempre o telefone fixo. Ver o senhor lidando com o aparelho naquele momento fez Robin estranhar. "Ainda bem que você chegou, estava tentando te ligar, mas não entendo esse negócio…" falou, largando o celular sobre a mesa e encarando os olhos azuis. 

"Tudo bem, um dia o senhor pega o jeito." sorriu, não obtendo resposta. Ainda estranhando a situação, sabendo que algo não estava certo, Robin virou-se em direção a saída da cozinha, para ver se não havia algum sinal de Regina. 

"Ela está lá fora." Henry falou, as mãos calejadas passando sobre os olhos, num sinal de cansaço. 

"Lá fora? Como assim lá fora?" questionou o loiro, o desentendimento tomando seus olhos azuis. 

"Regina saiu mais cedo para montar. Mesmo eu falando mil vezes que iria cair uma tempestade." explicou, vendo Robin ir até a janela, os olhos azuis repletos de preocupação. 

"Meu Deus! Mas quantos anos essa mulher tem? Ela não percebeu que o tempo ia ficar feio?" resmungou nervoso. "Só não me diga que ela foi com Stone…" virou-se para o sogro, que abaixou o olhar, também preocupado, compartilhando do pensamento do genro. Stone não era um cavalo calmo normalmente, e Robin lembrava muito bem de todas as vezes que Regina havia comentado sobre o pavor que o animal sentia de tempestades. 

O pânico que acometeu Robin depois disso fora tamanho, que ele sentiu suas mãos tremerem, levemente. Regina estava lá fora, em algum lugar daquela enorme propriedade, com um cavalo que poderia se assustar facilmente com a tempestade. O empresário não conseguia nem pensar… 

"Estou indo atrás dela…" disse, caminhando rumo a saída do cômodo. Henry o impediu rapidamente, entretanto. 

"Não vai adiantar você sair a pé, filho." falou, e embora tentasse se manter calmo, Robin percebia o tom de preocupação e o pesar nos olhos do sogro. 

"Não posso ficar aqui, Henry, sabendo que ela está lá fora! Quantas coisas podem ter acontecido?" perguntou o loiro, exasperado. 

"Robin, eu entendo você… mas a minha menina nasceu nessas terras, não é a primeira vez que acontece. Regina conhece cada cantinho, e deve ter parado em algum lugar para se abrigar…" falou Henry. "Além disso, não faz uma hora que a chuva começou, Regina só deve ter ido longe demais… Será pior se você sair a pé, a noite e sozinho pela propriedade. É capaz de ela voltar e vocês acabarem se desencontrando." 

"Vamos apenas esperar?" Robin perguntou depois de algum tempo, pensando em tudo que o sogro disse, sabendo que o mesmo tinha razão. 

"Sugiro esperarmos mais algum tempo, talvez uns 30 minutos. Se ela não chegar até aí, ligo para o garoto que cuida dos cavalos e vocês dois vão atrás dela." Robin assentiu, trincando o maxilar, o pânico crescendo a cada minuto. 

Os minutos que se seguiram foram de extremo nervosismo para os dois homens naquele cômodo. Robin se encontrava caminhando de um lado pro outro, o coração doendo de preocupação. E se Stone tivesse se assustado e fugido? Ele sabia que Regina não viria para casa sem o cavalo. O empresário não conseguia nem pensar na possibilidade de algo pior que isso ter acontecido… só de imaginar Regina machucada em algum lugar, pegando chuva, precisando de ajuda. Precisando dele. 

Fora quando esse pensamento passou por sua mente que o homem cansou de ficar ali parado. Sem nem mesmo falar nada, ele fez seu caminho para fora da cozinha, em direção a saída. Henry foi atrás, mas não com a intenção de impedir o genro. Tinha medo de que seu próprio coração não aguentasse mais um minuto sem notícias. 

Ele deu instruções para Robin, o máximo de dicas que conseguiu. O senhor ligaria para que o rapaz que trabalhava ali encontrasse com Robin para que juntos os dois varressem a propriedade em busca da arquiteta. Antes que saísse da casa, entretanto, o barulho de botas contra os degraus da varanda pode ser ouvido, e ambos os homens correram até a porta. 

Henry quase desmaiou de alívio. Já Robin a tomou em seus braços rapidamente, não se importando se sua roupa ficasse ensopada também. Regina tremia em seus braços, as mãos delicadas se agarrando ao namorado delicadamente, buscando calor. A boca da arquiteta estava com uma coloração roxa, e ela podia jurar que não aguentava o frio que sentia. 

"Nunca mais faça isso, Regina" ele sussurrou, não obtendo resposta, a morena só se aconchegou mais no abraço, sendo acolhida pelo empresário. 

Quando se separaram, Henry esperava a filha com uma toalha, enrolando a sua menina e seguindo com ela para dentro. Robin ficara mais alguns segundos ali, parado no mesmo lugar, agradecendo ao universo por sua caipira teimosa estar sã e salva. 

*** 

Enquanto a morena subira para tirar as roupas molhadas e tomar um banho quente, Robin ascendera a lareira e Henry fora para a cozinha com a intenção de fazer uma sopa para que a filha esquentasse. Logo o calor do fogo se espalhava pela casa e o cheiro do que Henry preparava também. O loiro também trocara de blusa, visto que a sua havia molhado na hora que abraçara a namorada.  

Depois que assegurou-se que o fogo não iria apagar, Robin fora até a cozinha ajudar o mais velho com o jantar. Ambos estavam aliviados demais por saber que a mulher estava bem, no andar de cima, tomando um banho. Lola por fim entrou na cozinha, o rabo balançando de lá pra cá, procurando um lugar para que pudesse sentar e descansar os olhos. 

Quando Regina entrou no cômodo, trajando uma calça de moletom e uma blusa grossa xadrez, tanto Robin como Henry sorriram pra ela. O cheirinho da sopa fez o estômago da morena roncar, além de agradar bastante. Deveria estar uma delícia. Robin abriu os braços quando a mulher se aproximou dele, plantando um beijo no cabelo castanho agora já seco, resultado de alguns minutos parada na frente do espelho com o secador ligado. Se aninhou no peito do namorado de forma que conseguisse enxergar seu pai, que espremia algumas laranjas para um suco. 

"Qual dos dois ficou mais preocupado?" fez graça, sentindo Robin puxá-la mais para si. Henry soltou um sorriso amarelo encarando a filha e negando com a cabeça. 

"Nós dois morremos de preocupação, minha menina." tomou a fala o senhor, voltando a fazer o suco. 

"Não era minha intenção preocupá-los. Sinto muito." afastou-se de Robin, buscando as íris azuis. O homem sorriu pra ela, roçando a ponta do nariz no dela. 

"Você está bem? Não se machucou?" perguntou, arrumando o cabelo dela atrás da orelha. Regina anuiu com a cabeça, depositando um leve beijo nos lábios do homem. Apenas um roçar de lábios para tentar convencê-lo de que tudo estava bem. "Stone está bem?" 

"É mesmo, querida, como ele está? Não se machucou?" Henry perguntou, levando a jarra de suco até a mesa. Robin já havia arrumado os pratos e talheres, só faltava a sopa ficar pronta. 

"Stone está bem, mas me pareceu bastante cansado. Eu o forcei bastante na volta, e com o banho de chuva que tomamos… acho que nós dois só queremos uma cama quentinha." brincou, saindo dos braços de Robin e sentando-se na mesa. 

"Ele não se assustou?" o senhor perguntou. 

"Não. Primeira vez que o vejo tão calmo em uma tempestade dessas." Comentou, servindo-se de suco. "Eu estava distraída antes de chover, acabei indo longe demais. Demorou pra voltar na chuva." Explicou.

Depois que jantaram, Robin cuidou da louça. Os três conversavam alegremente. As duas figuras masculinas se sentiam aliviados por Regina estar bem. Qualquer sorriso ou gesto que a morena fazia era motivo para o coração de Robin aquecer. 

Naquela noite, o homem custou a dormir, enquanto Regina se entregara ao sono assim que se aconchegou ao corpo do namorado. O empresário ficou por muito tempo a fazer cafuné nos fios castanhos, até que a chuva, agora fraca, e a respiração regulada de Regina o induziram ao mundo dos sonhos. 

***

As paredes do hall de entrada do Wildflowers começavam a ganhar cores e acabamentos. O segundo andar, que contava com 10 quartos, já estava completamente pronto, faltando apenas os toques finais, como alguns móveis e decoração. Robin adentrou o lugar já passando os olhos pelo local, buscando a arquiteta que fazia seu coração saltar dentro do peito. 

A morena se encontrava conversando com uma colaboradora, especializada em decoração de ambientes. Embora tivesse bastante experiência, Mills insistiu a Locksley para que eles partissem para uma segunda opinião a respeito da decoração. 

Após alguns segundos a observar a morena, Robin notou que ela não estava bem. Os olhos pareciam cansados, e mesmo de longe Robin pode notar que ela fazia um esforço enorme para prestar atenção na colega de trabalho. As mãos delicadas massageavam discretamente as têmporas, e a loirinha ao lado da mulher parecia não notar. 

O homem demorou para conseguir chegar até a mulher, entretanto. Alguns operários o pararam no caminho por diversas vezes. Quando enfim fez seu caminho até as duas mulheres, Robin comprimentou as duas educadamente, recebendo um sorriso cansado de Regina. 

Ele sabia que toda aquela chuva no dia anterior não iria fazer bem para a sua caipira. 

Depois de alguns minutos, Regina e a outra mulher entraram em concordância, a loira se afastando do casal para que pudesse botar a decisão tomada pelas duas em prática. A mão de Robin não demorou a alcançar a base das costas de Regina e ele levou a outra mão rapidamente até o lugar que os dedos delicados circulavam, passando a fazer o trabalho. 

Na maioria do tempo, Robin e Regina eram bastante profissionais. Respeitavam a si mesmos e aos colegas, não querendo expor a relação. Mas Crowley Cornes era pequena, e o relacionamento não ficou em anonimato por muito tempo… Ainda mais após a noite que ficaram trancados no hotel. Então o casal cuidava bastante para trocar afetos somente quando estavam a dois, sozinhos, embora pequenos gestos de carinho sempre escapavam. 

Robin adorava surpreender Regina com um copo de café durante algum momento do dia. Às vezes a bebida era acompanhada por um brownie ou sanduíche. Em alguns dias ele a chamava no escritório apenas para roubar alguns beijos, ouvir ela lhe contando o que estava fazendo, ou apenas passavam alguns minutos nos braços um do outro, aproveitando o momento de descanso. 

E mesmo que não gostassem de chamar as atenções para eles no meio da obra, a morena se deixou ser acariciada por Robin, um suspiro saindo de sua boca quando os dedos do homem passaram a circular suas têmporas. 

"Você está quente." encarou os olhos preocupados de Robin, que buscavam no rosto da mulher qualquer indício de dor. Regina forçou um sorriso, tentando fazer aquela preocupação desnecessário passar. 

"Deve ser impressão sua." desconversou, sabendo que sua fala não enganaria o homem parado à sua frente. 

A morena já havia levantado se sentindo mal naquela manhã. O corpo estava pesado, as pernas doendo. Seu nariz dava indícios de congestionamento, e ela sabia que tinha pegado um resfriado. Apesar disso, tomara bastante suco de laranja no café e fora trabalhar, achando que tinha driblado bem seu pai e Robin quando dissera que estava bem. 

Agora, com o homem parado à sua frente, tudo o que ela queria era se jogar em seus braços, porque estava bastante difícil continuar aquele dia cansativo. Sua cabeça doía, a garganta estava seca e dolorida e o nariz não funcionava muito bem. Além disso, ela sabia que Robin tinha razão quanto a sua temperatura. 

"Acho melhor você terminar o dia de trabalho por aqui, amor meu. Eu levo você pra casa, você toma um banho morno e deita pra descansar e mandar embora esse resfriado." sugeriu Robin, o dedo agora deixando as têmporas da mulher e circulando o rosto delicado. 

Regina até tentou resistir mas estava realmente se sentindo mal. E visto que estava tudo encaminhado ali naquele dia, ela não via porque não ir embora. 

O caminho até a fazenda naquele dia fora silencioso, exceto pelo rádio que tocava uma música baixinho, sem ser acompanhado por Regina. Robin deitara o banco do passageiro para que a arquiteta pudesse ficar mais confortável, visto que os olhos pesavam. Demorou menos de 5 minutos para ela cair no sono, o terno preto do homem sobre o corpo pequeno e febril. 

Quando adentraram a casa, perceberam que estava vazia. Regina tinha as mãos enroladas na cintura do namorado, que a levou ao andar de cima, em direção ao quarto. Ela deitou-se na cama, aninhando-se no travesseiro de Robin. Se a arquiteta já era meio preguiçosa normalmente, Robin sabia que com um resfriado a situação iria se intensificar. 

"Regina, vou descer e preparar um chá de laranja com limão e mel, tá bom?" se aproximou dela, sentando-se ao seu lado. Os olhos castanhos abriram com dificuldade, mirando os azuis preocupados. "Você tem que levantar e tomar um banho, meu amor… Consegue fazer isso?" questionou, recebendo um aceno de cabeça. Entretanto, Regina não deu nenhum sinal de que iria levantar. "Regina?" chamou, a mão traçando a lateral do rosto da mulher delicadamente. A pele queimava. 

"Estou indo." ela respondeu, sentando-se na cama, desajeitada, forçando um sorriso pro loiro. 

"Eu vou descer e assim que terminar subo pra te ajudar, tá?" beijou a testa dela, que anuiu com um aceno. 

Robin se retirou do quarto e desceu as escadas em direção a cozinha. No mesmo momento Henry adentrava a casa com Lola atrás. Se surpreendeu com o genro em casa naquela hora, não tinha percebido o carro estacionado. 

"Hey, Robin!" cumprimentou. 

"Boa tarde, Henry." sorriu. 

"O que faz em casa a essa hora?" o senhor seguiu o empresário até a cozinha. 

"Regina pegou um resfriado com toda aquela chuva." explicou, pegando duas laranjas e um limão da fruteira. 

"Está com febre?" Henry perguntou, seguindo até o armário e pegando um bule para colocar ferver as frutas juntamente com o mel. "Vejo que tive a mesma ideia que você, então." sorriu para o genro. 

"Nada melhor para derrubar um resfriado do que chá de laranja com mel e limão." sorriu de volta. 

"Ela já tomou um banho?" Robin assentiu, colocando as frutas já cortadas no bule. 

"Ela disse que ia tomar a hora que desci." A risada de Henry chamou sua atenção. "Que foi?" 

"Conhecendo minha filha, tenho certeza que ela se deitou para dormir de novo." explicou, mexendo no armário atrás do vidro de mel. "Suba para verificar se ela está mesmo no banho, eu termino o chá. Regina é teimosa quando fica doente." 

"Depois ela diz que eu sou o turrão." Ambos riram. “O senhor leva um comprimido pra febre quando o chá ficar pronto?” Robin perguntou, agradecendo ao sogro quando o mesmo concordou com a cabeça, já concentrado em fazer o chá para que sua menina sarasse. 

Como Henry dissera, Regina estava aninhada na cama, a respiração pesada. Mesmo que estivesse entregue ao sono, Robin percebia que ela estava agita. Ele se sentou ao lado dela, depositando um beijo em sua testa, sentindo-a ainda mais quente que antes. Regina acordou sobre o toque de Robin, as mãos delicadas indo de encontro ao rosto dele. 

"A senhorita não tomou banho…" sussurrou, buscando os olhos castanhos. 

"Estou com tanto frio, Robin." resmungou em resposta. Robin não duvidava dela, sabia que era um efeito da febre. Ele acariciou delicadamente o rosto dela, depositando um beijo em seu lábios rapidamente. 

"Sei que está, meu amor. Mas precisamos que essa febre abaixe. O banho vai ajudar." explicou, se afastando. "Vem, eu ajudo você." 

As mãos fortes ajudaram Regina a ficar de pé, puxando-a mais para si quando ela estremeceu com um calafrio. Seguiram até o banheiro, o loiro a colocou sentada no vaso, para que a despisse. 

"Não era assim que eu imaginava." A morena comentou, quando Robin se ajoelhou a frente dela. O loiro arrumou os cabelos da mulher atrás da orelha, delicadamente. Sorrindo para ela, perguntou: 

"Não era assim que você imaginava o que?" Regina desviou os olhos dos azuis, mordendo o lábio inferior. 

"Ser despida por você." riu sem graça, Robin tomando as mãos delicadamente nas suas, levando uma delas até os lábios. 

"Você quer que eu espere lá fora?" o loiro perguntou, a mão tocando delicadamente o queixo da morena, fazendo com que ela o encarasse. Os olhos marejaram e Robin sentiu o coração apertar. "Eu espero lá fora, amor meu. Não quero te fazer se sentir mal." se apressou em dizer, mas antes que se levantasse, a morena apertou a mão dele, sinal para que o homem ficasse onde estava. 

"Eu não estou me sentindo bem para tomar banho sozinha, Robin." falou baixinho, Robin quase não ouviu. Ele sentia que ela estava com dificuldade para respirar, e o loiro sentiu o coração afundar no peito ao ver ela daquele jeito. 

Se pudesse, Robin pegaria o resfriado para ele. Não aguentava ver sua morena ruim daquela forma: os olhos cansados, o peito subindo e descendo desregulado. Embora soubesse que fosse apenas um resfriado e após aquele banho e um analgésico ela se sentiria melhor, Robin também sabia que os sintomas haviam pegado a mulher de jeito, visto que Regina era sempre tão determinada.

Robin depositou uma série de delicados beijos pelo rosto dela, fazendo a morena suspirar. 

"Eu vou ter muitas outras chances de despir você, Regina. Não se preocupe com isso, tá bem?" a morena assentiu, fungando. "Nesse momento, já me sinto o cara mais sortudo do mundo por poder te ajudar, huh? Cuidar de você, meu amor, é tudo que mais quero no mundo. Você confia em mim?" Regina assentiu mais uma vez, emocionada com as palavras do homem. Robin bicou os lábios no dela, não querendo esperar mais para que ela entrasse no banho, visto que a morena estremeceu com outro calafrio. "Vamos tirar esse suéter." falou, Regina erguendo os braços e Robin pegando a ponta da peça, passando pelos braços e cabeça da mulher. "Agora essa camisa xadrez." vociferou, desabotoando os botões delicadamente, sendo observado por Regina. A morena naquele momento, enquanto os dedos ágeis desabotoavam a camisa, o cenho do empresário franzido em concentração, soube que o amava. O que sentia por Robin era amor, talvez um dos mais puros que já havia se permitido sentir. Depois de se livrar da camisa xadrez, Robin teve que tomar uma forte respiração. O sutiã de renda vermelho se adequava perfeitamente ao corpo da morena, fazendo o loiro se sentir levemente ofegante. Robin buscou os olhos de Regina, o coração pulando dentro do peito. Um tom rosado tomara as bochechas da mulher. "Embora eu fosse adorar tirar essa peça, vamos ter que deixar pra outro dia, huh?" ele brincou, batendo com o dedo na ponta do nariz dela. Regina sorriu, concordando com a cabeça. Robin agora a colocou de pé, ajudando-a a se livrar da calça e meias. Quando se permitiu observar a mulher a sua frente somente com as roupas íntimas, Robin soube que era realmente o cara mais sortudo. 

E não por tudo que Regina era fisicamente, e sim o conjunto total. Ele a amava tanto, perdidamente, descontroladamente. 

Sorrindo pra ela, Robin tomou a frente, entrando no box e ligando o chuveiro. Se aproximou da mulher, levando a mão até a testa, para checar a temperatura novamente. 

"Você tira o resto, tá bem?" perguntou e Regina concordou com a cabeça. Ajudou-a a entrar no box, ouvindo um resmungo da morena assim que ela entrou embaixo da água. 

"Está muito fria!" exclamou chorosa. 

"É para a febre baixar, meu anjo." ele disse, ouvindo os suspiros delas que doíam em seu coração. 

"Robin, está fria!" choramingou, saindo de baixo da água, indo até a porta do box e colocando a cabeça pra fora, os olhos cansados fazendo um pedido silêncioso. Robin suspirou, desfazendo-se da camisa e da calça, entrando no box junto com ela. A morena resmungou novamente quando Robin a colocou delicadamente embaixo da água. Abraçando-a, Robin fazia um leve carinho com as mãos nas costas da mulher, enquanto a água gelada caia sobre os dois. Após alguns minutos assim, o empresário regulou a temperatura do chuveiro, pegando o shampoo e passando sobre o cabelo de Regina, cuidando para que a espuma não descesse para os olhos castanhos, que se encontravam fechados. Depois enxaguou delicadamente a cabeça da mulher. Repetiu o mesmo processo com o condicionador. 

"Agora eu vou sair para você se ensaboar, tá bem? Vou deixar a toalha separada para você e já lhe trago uma roupa." depositou um leve beijo na testa dela, saindo do box e secando-se rapidamente. Felizmente, por ter dormido diversas vezes junto a mulher, Robin tinha algumas roupas extras. Depois de se vestir, ele pegou um pijama leve para que Regina vestisse e também uma calcinha. Ela ainda se ensaboava quando ele depositou as peças de roupa em cima do vaso sanitário. 

"Amor meu, vou ficar ali fora, qualquer coisa é só me chamar, tá bem?" 

****

Enquanto Regina e Robin estavam no banheiro, Lola resolveu se aconchegar na cama de casal, ajeitando-se entre as cobertas. Quando Regina saiu, encontrou Robin brincando com a cachorra, que estava de barriga pra cima, aproveitando o carinho que recebia. A morena sorriu com a cena, chamando atenção do loiro. 

Robin chamou-a para seus braços, e não demorou para que Regina sentasse em seu colo, os cabelos molhados. Robin ficou alguns segundos com ela ali, a mulher entregue a exaustão. 

"Vamos secar esse cabelo? Não dá pra você deitar com ele molhado assim." se afastou dela, Regina buscando os olhos azuis do namorado, assentindo com a cabeça. O homem a beijou nos lábios delicadamente, para depois colocá-la sentada na cama, indo buscar o secador de cabelos. 

Minutos depois, a única coisa que podia ser ouvida era o barulho do aparelho, que havia espantado com Lola, já que a cachorra não gostava do som. Regina se encontrava sentada na cama, enquanto Robin estava ajoelhado atrás dela, secando delicadamente os fios castanhos. 

Quando enfim terminou, o loiro penteou os fios delicadamente e ajudou a mulher a se acomodar na cama. Nesse momento Henry bateu na porta, adentrando o quarto. Tinha uma xícara em uma das mãos e um comprimido em outra.

"É aqui que tem uma moça teimosa adoecida?" fez graça, sentando-se ao lado da filha. Regina sorriu. Henry depositou um beijo na testa dela, sentindo a temperatura, que ainda estava elevada. "Trouxe um chá quentinho e um antitérmico. Tomar tudo, ouviu filha?" 

"Sim, papai. Pode deixar." garantiu, escorando-se na cabeceira e pegando a xícara em mãos, tomando o comprimido e um gole da bebida. "Mais tarde você faz a sopa da mamãe?" pediu, os olhinhos brilhando. 

"Como se eu fosse conseguir fazer aquela sopa como sua mãe fazia." Sorriram, nostálgicos. Robin observava a cena, em silêncio. "Mas posso tentar chegar pertinho… mas você tem que descansar, viu?" Tocou a ponta do nariz dela. 

"Vou terminar de tomar meu chá e deitar, papai. Não me sinto disposta para fazer outra coisa." assegurou, tomando mais um gole de chá. 

Henry se despediu, confirmando que a hora que Regina acordasse a sopa estaria pronta, a espera dela. 

Regina bateu com as mãos no espaço vazio ao seu lado e Robin não demorou em ir até ela, se aconchegando ao seu lado. Regina deitou no peito dele, suspirando quando as mãos do homem encontraram seus fios castanhos, fazendo um cafuné gostoso. 

"Pode descansar agora, amor meu." Robin depositou um beijo na cabeça da mulher e Regina finalmente permitiu-se fechar os olhos. 

Não demorou para que o sono tivesse dominado a mulher, Robin velando seu descanso pelo resto da tarde. 

***

Robin não tinha nem desligado o carro quando Rose saltou pra fora, encantada com a propriedade do hotel Wildflowers. O homem balançou a cabeça, mas conhecia sua irmã. Sabia o quanto ela estava animada. Assim como ele. 

Finalmente Anna e Rose tiraram alguns dias para viajarem até Crowley Cornes. E a primeira parada da viagem fora o Wildflowers, a pedido de Rose. A garota estava morta de ansiedade para conhecer o lugar e também sua cunhada. 

Seria mentira se dissesse que não estava louca para conhecer Regina. Rose ficara decepcionada pela arquiteta não ter ido junto com Robin ao aeroporto, mas entendia que por ser reta final da obra, tudo estava bastante corrido. 

Anna desceu do carro ao mesmo tempo que Robin, os dois seguindo até a mais nova. A movimentação no lugar era grande, homens e mulheres davam cara ao grande jardim principal do hotel. Robin comprimentava todos por quem passava, seguido por uma sorridente Rose e uma simpática Anna. A mais velha até parara algumas vezes, elogiando o trabalho que via. 

"Quero muito ver lá dentro! Por que vocês dois são tão lerdos?" Rose parou, as mãos na cintura, olhando de cara feia para a mãe e o irmão. Robin sorriu, seguindo até a menina e a abraçando pelos ombros. 

"Mamãe gosta de observar detalhes, Rose. Até parece que não conhece." Robin sussurrou a última parte para que só a irmã ouvisse. 

"Mas eu quero ver lá dentro logo! Você passou os últimos meses me falando desse lugar. Espero que seja tudo que imaginei." Exasperou, fazendo Robin sorrir, depositando um beijo nos fios loiros. Logo Anna alcançara os dois, e juntos subiram os degraus de entrada do lugar. 

O hall se encontrava praticamente pronto, faltando apenas os acabamentos finais. Suspiros de aprovação saíram das duas pessoas ao lado de Robin. Rose tinha os olhos brilhando ao imaginar o quão lindo e aconchegante o lugar ficaria quando a mobília e decoração entrassem em cena. Anna olhava para todos os lados, os olhos orgulhosos por mais um projeto da Locksley Construções ter tido um resultado estonteante. A mais velha se aproximou do filho, abraçando-o de lado. 

"Está incrível, querido. Lindíssimo!" depositou a cabeça no ombro do filho, Robin beijando os cabelos da mãe carinhosamente. 

"Está mesmo, não é? E nem está pronto ainda." sorriu, orgulhoso. De sua equipe, de si mesmo, da arquiteta que projetou aquilo tudo com tanta dedicação e amor. Sua arquiteta. 

Rose já perambulava pelo lugar, não esperando Robin e a mãe, que iam devagar atrás dela. Tanto Rose, quanto Anna, cumprimentavam todos que viam. Ficaram por longos minutos no primeiro andar, passando primeiro pelo hall de entrada, logo depois uma grande sala, onde ficariam dispostos sofás e poltronas, além de contar com uma TV para que os hóspedes pudessem relaxar. Depois seguiram até onde seria o restaurante, que não seria muito grande, o bastante para comportar todos os hóspedes que o Wildflowers poderia ter. Visitaram a cozinha, a sala de recreação para as crianças e por fim voltaram para o hall, Rose subindo os degraus da bonita escada aos pulinhos. 

Distraída, ao subir o último degrau, não percebeu a pessoa que vinha em sua direção, que também estava distraída tentando retirar a tinta da roupa. 

Regina sabia que ia ter que terminar a pintura de um dos últimos quartos que restavam para finalizar, mesmo assim insistiu em pôr uma roupa boa naquele dia. Tinha um pano na mão, esfregando a grande mancha de tinta da camisa, e não percebeu quando bateu no corpo de Rose. 

Apesar de se assustar, a morena fora rápida ao equilibrar Rose para que a menina não levasse um tombo. Levou menos de um segundo para Regina reconhecer a cunhada, se sentindo ainda mais culpada por ter trombado com a irmã de seu namorado. 

Quase havia derrubado sua cunhada da escada. 

O rosto da morena demonstrava o total constrangimento que estava sentindo, mas em poucos segundos a mais nova se recuperou do susto, percebendo que era Regina bem na sua frente. Surpreendendo a arquiteta, a loirinha a puxou para um abraço caloroso, pegando Regina de surpresa. 

"Meu Deus! Finalmente eu estou conhecendo você!" exclamou Rose, contente. Regina sorriu, um pouco mais aliviada. A morena por fim percebeu a figura de Robin e da sogra encarando as duas com sorrisos no rosto. 

"Rose, que coisa boa conhecer você." respondeu, se afastando da menina e apertando suas mãos. Apesar do susto, ambas tinham grandes sorrisos nos rostos. Regina sabia o quanto aquelas duas eram importantes para Robin, e assim, consequentemente, importantes para ela também. 

"Você é ainda mais linda pessoalmente, uau!" elogiou, sorrindo. Regina sentiu as bochechas corarem. 

"Obrigada, Rose. Você também, uma graça. Ainda mais parecida com o turrão." piscou, fazendo as duas Locksley sorrirem. Robin fez uma careta, logo jogando um beijo no ar para Regina. "Você se machucou? Desculpe, eu estava tão distraída." encarou a ruivinha, que negou com a cabeça. Regina sorriu envergonhada, soltando as mãos da menina e seguindo até Anna, que estava ao lado de Robin. "Sra. Locksley, é um prazer conhecer você." Anna abraçou Regina, a morena sentindo uma sensação boa ao receber aquele abraço. Anna tinha o toque de mãe, algo que Regina sentia muita falta. 

"O prazer é todo meu, Regina. E não me chame de senhora de novo, somente Anna está bom." sorriu para a arquiteta, que concordou com a cabeça. "E Rose tem razão, você é ainda mais encantadora pessoalmente." 

"Vocês duas estão me deixando sem graça." riu. "Estou feliz que finalmente resolveram visitar Crowley Cornes." 

"A cidade é um encanto!" Rose exclamou, fazendo todos sorrirem. Robin se aproximou de Regina, lhe depositando um leve selinho nos lábios. A morena sorriu genuinamente. 

Rose e Anna trocaram um olhar, sorrindo uma para outra. 

"Robin já mostrou lá embaixo para vocês?" recebeu dois acenos como resposta. "E aí? Gostaram?" Perguntou, mordendo os lábios em apreensão, afinal, sua sogra era uma das melhores arquitetas do país e sua cunhada seria uma também. 

"Um encanto, Regina. Parabéns! Fez um trabalho incrível." Anna elogiou, se aproximando da morena e tomando as mãos dela nas suas. 

"Obrigada." Agradeceu. "Essa obra só foi possível porque tivemos uma equipe ótima, todos deixaram um pouquinho de sua história aqui." sorriu. "Bem, me permitem apresentar o resto da obra então?" perguntou, recebendo uma resposta animada de Rose. A loirinha enganchou o braço no de Regina, puxando a morena para que as duas começassem o tour. Robin e Anna sorriram, seguindo logo atrás das duas. 

Por um momento, Regina buscou os olhos azuis que tanto amava, recebendo uma sutil picadinha. Ela quase perdeu o ar com todo o brilho que faziam casa nas íris azuis. 

Robin sentia-se imensamente feliz, rodeado das três mulheres de sua vida. Ele e Anna seguiram Regina e Rose, o loiro realizado pela forma como sua namorada e irmã entrosaram-se bem. 

Alguns longos minutos depois, quando encontrou os olhos de sua mãe, sentiu uma emoção muito forte ao ouvir as palavras dela:

"Ela é incrível. Não a deixe escapar." apertou o braço dele, sorrindo. Robin beijou a testa dela, e Anna andou até a filha e a nora para participar da conversa que as duas mantinham. 

"Esse hotel vai ficar tão incrível, tudo está muito bonito!" elogiou a mais nova, Anna concordando com a cabeça. Regina sorriu, orgulhosa. 

"Esse lugar já tinha uma energia muito boa." contou Regina, enquanto faziam o caminho de volta para o hall de entrada. "Além disso, a propriedade é linda, podemos dar uma olhada, se vocês não estiverem cansadas." sugeriu. "Ou podemos deixar pra outro dia." 

"Podemos ver? Eu estou curiosa." pediu Anna. Robin e Regina concordaram, e os quatros fizeram o caminho para fora do hotel. 

Passaram longos minutos caminhando pelos bonitos jardins, Anna completamente encantada com as flores selvagens do local. Enquanto as duas Locksley se deslumbravam com as flores, Robin e Regina as observavam sorridentes. 

"Elas são incríveis, Robin." o abraçou, deixando um beijo no pescoço dele. Robin sorriu ainda mais, passando os braços pela cintura dela. 

"Ainda estão tímidas… Rose, então, no auge da timidez." brincou, se afastando para que pudesse encarar os olhos castanhos. 

"Se tímida Rose é assim, imagina quando a timidez passar." entrou na brincadeira. "Você acha que elas vão querer jantar lá em casa hoje a noite?" 

"Claro que sim, amor meu. Minha mãe está ansiosa para conhecer a fazenda, eu falo bastante da propriedade, dos cavalos, do seu pai. Estou ansioso para que nossos pais se conheçam." colocou uma mecha de cabelo da mulher atrás da orelha, depois fazendo um carinho com a mão na bochecha de Regina. Depois esfregou delicadamente o dedão sobre um pingo de tinta que havia ali. 

"Eu estou toda suja, não é?" Regina perguntou, fazendo um biquinho que Robin não resistiu em beijar. "Que vergonha!" o loiro negou com a cabeça rapidamente, desviando os olhos para a mãe e a irmã que batiam algumas fotos, distraídas e aproveitando a luz do sol. Depois voltou os olhos para Regina novamente, os azuis brilhando, fazendo a arquiteta se apaixonar ainda mais. 

"Você é a mulher mais incrível desse mundo, não consigo parar de admirar você." declarou, os olhos castanhos marejando. 

"Eu sempre me pergunto se você é real, sabia?" respondeu contra os lábios dele, as mãos apertando delicadamente os braços do homem, enquanto eles iniciavam um beijo delicado, que foi finalizado quando o ar se tornara escasso, Regina distribuindo diversos selinhos sobre os lábios finos do homem. 

"Acho que isso serve para responder você, não é?" perguntou Robin, acariciando o rosto dela. 

"Acho que vou precisar de mais alguns beijos, apenas para ter a certeza absoluta." riram, enquanto trocavam um último beijo antes de Anna e Rose se aproximarem, encantadas com a felicidade que transparecia do casal. 

***

A luz do luar, refletida sobre o pequeno lago fazia com que Rose desejasse que Alice estivesse ali, junto com ela, aproveitando o momento. Robin jogava um graveto longe, para que Lola corresse atrás e Regina se encontrava ao lado da garota, virada para Robin, observando a forma como ele parecia estar se divertindo. 

O jantar na fazenda havia sido reconfortante para Regina. Anna e Rose se entrosaram facilmente com Henry. Durante o jantar a família conversou sobre diversos assuntos e logo parecia que se conheciam há anos. Anna e Henry conversaram bastante sobre os negócios, enquanto Rose queria saber todos os detalhes sobra e a fazenda. Regina convidou ela para que passassem o dia juntas, e Rose aceitou prontamente, desde que não precisasse andar a cavalo. 

Agora, depois do casal ter terminado a louça, os três mais novos decidiram dar uma volta, vindo parar no gazebo. 

"Vocês dois nem disfarçam que são completamente loucos um pelo outro." Rose quebrou o silêncio, fazendo Regina tirar os olhos do loiro para encarar os azuis calmos da menina. Regina sorriu, enquanto pensava no que falar. Virou-se para o lago, se concentrando no reflexo da lua na água. 

"Seu irmão é um homem incrível, Rose. Tanto pra mim, quanto para você e sua mãe. Não é difícil ficar louca por ele, não foi pra mim." sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. Rose observou a aliança na mão da cunhada, tendo a confirmação que Robin e ela haviam feito uma boa escolha… a aliança combinava com Regina. Era para ser dela. 

"Ele ficou bastante perdido no início, Regina. Mas algo nesse lugar, talvez você, fez com que ele enxergasse a vida de outra forma." começou e Regina negou com a cabeça rapidamente, olhando nos olhos azuis da cunhada. 

"Não fui eu, Rose." apertou os lábios após falar. "Robin chegou aqui todo teimoso, ranzinza. Ele sentia falta de vocês. Ele sente falta, todos os dias. Acho que a nossa relação só amorteceu um pouquinho essa saudade, fez ele enxergar que o tempo na cidade não iria ser tão ruim assim." 

"Eu acho que foi você." Rose insistiu, pegando a mão de Regina nas suas. "Veja, não estou dizendo que Robin teve uma mudança tão grande simplesmente por causa da relação de vocês. Mas acho que você, como pessoa, inspirou ele a buscar o melhor. Acho que desde a primeira semana dele aqui, Regina." 

"Tudo aconteceu muito rápido…" 

"Foi rápido,  de uma forma muito bonita. Olha, sei que a situação de vocês é complicada, e a possibilidade do meu irmão voltar pra Nova Iorque existe, mas espero que vocês dois lutem por isso que sentem um pelo outro. Não sei se vocês já disseram isso com as palavras certas, mas eu enxergo amor." falou Rose, sentindo o coração apertar com a lágrima que escorreu delicadamente pelos olhos de Regina, a menina apertou a mão da arquiteta. "Ver Robin assim novamente me enche de alegria, Regina. Antes de vir pra cá, Robin parecia ter perdido uma parte dele. Crowley Cornes devolveu um brilho que foi tirado muito drasticamente da vida do meu irmão." os olhos azuis marejaram, lembrando de toda a dor que Robin sentiu com a perda da noiva. "Eu sinto falta dele todos os dias, e caso ele acabe ficando por aqui, nem imagino o quanto vai doer em mim. Mas Robin precisa viver a vida dele, sem se preocupar tanto comigo e com a mamãe. Quero que ele viaja, se divirta, ame, viva. Em Nova Iorque só o que ele sabia fazer, nos momentos que não estávamos juntos, era trabalhar. Ele merece mais que isso, e acho que ele já achou." sorriu, deixando também algumas lágrimas escorrerem por seu rosto. 

Agora as duas mulheres choravam, um pranto não de tristeza, mas de pura emoção. Porque Regina sabia o quanto a relação do namorado com a irmã era pura, cheia de carinho e cuidado, e saber que Rose confiava nela a ponto de dividir suas inseguranças fazia com que seu coração se aquecesse. 

Já Rose sabia que o irmão havia encontrado a mulher de sua vida, e assim como Robin, a loirinha se encantara com a arquiteta, porque sentira que Regina tinha um coração bom, repleto de amor e carinho para trocar com Robin. Sabia que mesmo se estivesse longe de Robin, ele jamais estaria sozinho ou perdido, porque tinha Regina. 

"Quero fazer dele o homem mais feliz desse mundo, Rose. Nunca achei que pudesse amar alguém em tão pouco tempo." Regina falou, secando delicadamente as lágrimas no rosto da mais nova. Rose riu, abraçando Regina sem cerimônia. A morena a abraçou fortemente de volta. 

"Só por ter você na vida dele, Robin já vai ser imensamente feliz." as duas sorriram, o riso abafado naquele abraço. Quando se afastaram, Rose encarou os olhos castanhos, analisando Regina atentamente. "Como irmã, devo lhe avisar, você pode ser caipira e durona, mas se Robin sofrer por sua causa você deve ter na cabeça que eu fiz algumas aulas de arte marciais e vou atrás de você." 

"E-eu não pretendo fazê-lo sofrer, Rose." gaguejou Regina, tamanha intensidade que vira naqueles olhos azuis. A menina abriu um sorriso.

"Ótimo… porque não sou boa de luta." riram, voltando-se para Robin que seguia até elas. Assim que se aproximou, o loiro estranhou os olhos das duas meio vermelhos. A loirinha se aproximou do irmão, abraçando-o de lado, sentindo um beijo ser depositado em sua cabeça. 

"Vocês estavam tendo aquela conversa?" perguntou o empresário, recebendo um aceno de Regina, que sorriu para tranquilizá-lo. "Rose, acho que você pegou muito pesado…" brincou, encarando Regina novamente para ver se estava realmente tudo bem. 

"Nada que Regina não possa aguentar, maninho." se defendeu a garota, piscando pra Regina. "Além disso, eu quero saber mais detalhes sobre o pedido de namoro." 

"Mas eu já lhe contei sobre o pedido por telefone, lembra?" Robin bateu na testa dela, delicadamente, com a ponta do dedo. Rose se afastou, fazendo cara feia pra ele.

"Eu quero saber a versão da Regina… tenho certeza que ele se atrapalhou todo, não foi?" riu, indo pro lado da cunhada. Robin revirou os olhos, e Regina que observava a interação dos dois sorriu. 

"Na verdade, Rose, ele demorou tanto que eu pedi ele em namoro primeiro…" falou, as duas trocando sorrisos. 

"Eu sabia! Ele me disse isso, mas eu quase não acreditei. Robin é muito lento, Regina… Por favor, não desiste dele, tá bom?" fez graça, recebendo uma mostrada de língua de Robin. Regina riu, concordando com a cabeça. 

"Toda essa lentidão dele vale a pena, Rose." sorriu, caminhando lentamente para os braços de Robin, que a recebeu de braços abertos, aconchegando o corpo da namorada no seu. "Aí ele, todo nervoso, perguntou se eu queria namorar com ele. Foi o pedido mais sincero que já recebi." a morena falou, mais pra Robin que pra Rose. O homem depositou um selinho nos lábios da arquiteta, que sorriu. 

"Vocês são tão lindos… mas ninguém merece ficar de vela." reclamou a mais nova, arrancando risadas dos dois.

"É uma pena que Alice não pode vir. Robin me falou tanto de vocês duas, além de que parecem tão apaixonadas nas fotos." Regina comentou, arrancando um sorriso tímido de Rose. 

"Eu já estou com saudade da Ali… queria muito que ela tivesse vindo. Ela estava louca pra montar com você." disse Rose. 

"É mesmo, já tínhamos até arquitetado como iria ser. Você e Alice montavam, eu e Rose ficávamos observando." o homem disse, sentindo Regina sorrir contra seu peito.

"Mas um puxou pelo outro mesmo." Rose encolheu os ombros, piscando pra Robin. 

"Tal irmão, tal irmã." adaptou o ditado, os três caindo na gargalhada. Uma brisa fria passou por eles, fazendo as duas mulheres se encolherem. Robin convidou-as para que entrassem, e passando o braço pelos ombros delas, os três fizeram o caminho de volta para casa, Lola seguindo os rastros deles, com o graveto na boca. 

***

Anna e Henry tomavam um chá, conversando animadamente quando os três entraram pela porta, Rose e Robin como sempre trocando provocações. Anna sorriu para eles, encontrando os olhos castanhos da nora e dando uma piscadinha. Lola passou entre as pernas de Regina, indo até os pés de Henry e se aconchegando lá. 

"Vocês já foram pro chá? Nem comemos a sobremesa ainda." Regina comentou, seguindo até o pai e lhe depositando um beijo terno no topo da cabeça. O senhor sorriu com o gesto. 

"Eu comi tanto no jantar que não sei se tenho espaço pra sobremesa." Rose resmungou, passando as mãos sobre a barriga. 

"Você sempre tem lugar pra sobremesa, Rose." Anna falou, recebendo uma careta da filha, enquanto os outros sorriam com a fala. 

"Robin, você me ajuda a pegar a torta e os talheres?" se afastou do pai, recebendo um aceno do namorado. Robin entrelaçou sua mão a dela, os dois seguindo até a cozinha. Regina tirou a torta de maçã que havia preparado mais cedo da geladeira, colocando em cima da bancada enquanto Robin pegava os pratos no armário. A morena parou o que estava fazendo para observá-lo por alguns instantes. 

"Somos em cinco?" riu com a pergunta dele. 

"Você que é das exatas." brincou, Robin negando com a cabeça. 

"Regina, você também é das exatas." ele afirmou, Regina tombando levemente a cabeça ao constatar que ele estava certo. O loiro tirou cinco pratos do armário, se aproximando da mulher. Depois de depositar os pratos ao lado da torta, Robin a tomou em seus braços, enlaçando a cintura dela delicadamente. Descansou a testa contra a dela alguns segundos, as respirações se tornando desreguladas com a proximidade. 

"O que você e Rose estavam conversando?" Robin perguntou, enquanto se afastava dela sem beijá-la, Regina resmungou, fazendo ele rir. 

"Você sempre faz isso comigo? Qual o seu problema?" bufou quando os olhos dele brilharam em divertimento. Robin depositou um selinho na boca da arquiteta, e depois outro, e outro, até que um sorriso deslizasse pelos lábios dela. 

"Desculpa, amor meu." riu. "Eu só lembrei de vocês duas lá fora e quis perguntar." explicou, uma das mãos saindo da cintura da mulher para que tomasse a lateral de seu rosto. Regina descansou sobre a mão de Robin, os olhos se fechando. O homem aproveitou para finalmente tomar os lábios dela em um beijo que começou calmo, cheio de saudade. Mas não demorou para que Regina levasse as mãos a nuca dele, os dedos entrelaçando-se entre os fios loiros, puxando Robin mais pra si, intensificando aquele contato que começara lento. 

Esqueceram de onde estavam e perderam-se naquele beijo por longos segundos, Robin finalizando o contato quando fora necessário apenas para trilhar um caminho de beijos entre o queixo e pescoço da mulher. Regina o puxou para mais um beijo urgente, sentindo Robin a prensando gentilmente contra a mesa. 

Os dois se afastaram rapidamente quando uma tosse forçada que vinha da entrada da cozinha se espalhou pelo cômodo. Rose os encarava com um risinho no rosto, as mãos na cintura. 

"Gente, ainda bem que eu insisti para vir atrás de vocês. Quase que o Henry pega vocês nesse amasso aí… Robin você seria um homem morto." seguiu até os dois, pegando a torta nas mãos. "Deveriam arrumar um quarto." Regina riu sem graça, passando as mãos pelo cabelo. "As bocas estão vermelhas, eles vão saber o que vocês estavam fazendo." provocou, vendo os olhos de Robin se arregalando. A mais nova queria gravar a forma como o irmão e a cunhada pareciam constrangidos. 

"Desculpa, Rose." Regina pediu, um sorriso amarelo no canto dos lábios. A morena seguiu até Robin, passando as mãos delicadamente pelos fios loiros, desfazendo toda a bagunça que havia feito momentos antes. Robin sorriu para ela, bicando-lhe delicadamente os lábios. 

"Obrigada, caipira." sorriram um pro outro, se afastando para levaram a sobremesa e as louças até a sala de jantar. 

*** 

Lola estava entregue ao sono aos pés de Henry. Fazia alguns segundos que Rose havia saído atrás do irmão e da cunhada na cozinha, deixando novamente os mais velhos sozinhos. Anna levou a xícara de chá a boca novamente, deliciando-se com a bebida. 

"Sabe, Henry, queria te agradecer." falou a mulher, chamando a atenção do senhor, que olhou pra ela sem entender. "Por ter acolhido Robin, é bom ver que ele tem uma boa relação com você." 

"Não há motivos para agradecer, Anna. Robin é um rapaz muito educado e prestativo. Além disso, todos os sorrisos que ele tem arrancado da minha filha me deixam em eterna dívida com ele." sorriram quando ouviram o riso de Rose vindo da cozinha. 

"Eu vejo nos olhos deles algo tão bonito. Espero que eles saibam cuidar desse sentimento." 

"Se eles souberem cultivar, tenho certeza que a história deles vai render por muitas primaveras. Eu nunca vi minha filha tão apaixonada." Henry falou, dando fim a bebida que ainda tinha em sua xícara. 

E ele falava a verdade. Regina sempre fora muito aberta com ele, e apesar de ter tido um namoro duradouro com Daniel, o brilho que sua filha carregava nos olhos depois de ter conhecido Robin era algo que transcendia qualquer outro. 

Era o mesmo brilho que Henry tinha sempre que olhava para Cora, durante todos os anos de casamento. 

"Fazia tempo que eu não via Robin assim, também. Ele já perdeu muito." comentou vagamente. Henry encarou os olhos azuis da mulher, os dois entrando em longos segundos de silêncio. "Além disso, Crowley Cornes fez bem para ele. É uma cidade muito bonita." 

"Ambos perderam, de formas distintas, imagino. Mas é bom saber que ele conseguiu se reencontrar, é bom saber que Regina e a cidade ajudaram no processo." Henry respondeu. 

"E você também, Henry. Robin amadureceu muito rápido quando perdeu o pai, e quando me casei de novo ele já não precisava necessariamente de uma figura paterna." Anna contou, servindo-se de mais um pouco de chá. Henry fez o mesmo. "Robin respeita você, obrigada por acolher o meu menino." 

"Como eu disse antes, Anna, não há porque agradecer. Robin já é quase da família." sorriu gentilmente, apertando a mão da mulher. Anna sorriu, em seguida levantando o olhar para porta da cozinha, vendo o filho vir em sua direção com uma bandeja com uma torta na mão. Regina e Rose vinham logo atrás, ambas risonhas. 

Robin depositou a torta na mesa, ajudando Regina a cortar os pedaços. Logo todos estavam servidos e desfrutando do doce, ninguém conseguindo esconder os suspiros de satisfação ao provar a torta. 

"Meu Deus, Regina, tem algo que você não saiba fazer?" exclamou Rose, se deliciando com o alimento. 

"Muitas coisas, Rose." a morena disse modesta, contente pelo elogio. Havia terminado de comer o seu pedaço de torta, e ficou por observar sua família a apreciar a sobremesa. 

Não tinha certeza se poderia se referir a família de Robin como se fosse sua… mas desejava que sim. Apesar de Rose e Anna estarem a pouco na cidade, Regina vinha criando uma relação muito boa com elas através de todas as chamadas de vídeos que fazia junto com Robin. 

Ela observou seu pai a se deliciar com o doce, sabendo que talvez não fosse bom que ele comesse tanto, entretanto, ele parecia tão contente ali, batendo papo com os outros três, que ela não se importou com aquilo no momento. 

Seus olhos castanhos passaram para Anna, que havia largado o talher sobre o prato, e estava a gesticular enquanto explicava para Henry a respeito de uma obra em algum lugar que Regina não havia prestado atenção. A morena sorriu, observando o quão bonita e atenciosa sua sogra era. 

Depois seu foco mudou para Rose, que estava a ajeitar o prato sobre a mesa, arrumando o talher de uma forma adequada, para depois tirar o celular do bolso e bater uma foto. Depois, pegou um pedaço do bolo e levou a boca, fazendo uma selfie. Regina riu. Com certeza era para mandar para Alice. Mais uma vez a arquiteta lamentou pela menina não poder fazer a viagem junto com a namorada e a sogra, afinal, havia ouvido muitas coisas sobre Alice, e acompanhava o relacionamento dela com a cunhada pelas redes sociais. 

Além disso, Regina estava com a esperança de que a menina e ela conseguissem convencer os irmãos Locksley a superarem o medo por cavalos e finalmente montar. Fez uma careta quando chegou à conclusão de que talvez ela sozinha não conseguisse. 

Um biquinho imperceptível se formou em seus lábios, e a morena saiu desses pensamentos ao sentir a mão do namorado traçar um carinho gostoso na palma de sua mão. A morena sorriu, encarando o loiro que também parecia perdido em pensamentos. 

Regina não conseguia por em palavras todos os sentimentos que enchiam seu coração sempre que olhava para aquele homem. Tudo o que ele trouxe pra vida dela, veio para somar e agregar. Para fazer ela mais feliz e também fazer sua família feliz. Sorrindo, a morena pegou a mão dele, levando até os lábios, depositando um delicado beijo na mão forte. Robin desviou os olhos azuis para ela, os lábios se abrindo em um grande sorriso. Ficaram perdidos um no outro por incontáveis segundos, conversando pelas írises. Um papo de olhar. Eles não precisavam pronunciar em palavras tudo o que sentiam, apenas mirando um ao outro eles sabiam. 

O empresário se aproximou dela, roçando a ponta do nariz na bochecha delicada. Regina fechou os olhos, aproveitando o carinho. Logo sentiu um delicado beijo no mesmo local, os castanhos abrindo para encontrar, ainda, a família perdida em um papo animado. Ela e Robin, entretanto, se encontravam em um mundo só deles. 

"Sua torta estava uma delícia." ele elogiou, sussurrando contra os lábios dela.

"Você gostou?" perguntou sorrindo.

"Muito mesmo. Tem algo em você que eu não goste?" questionou, as mãos tomando o rosto delicado em mãos. Regina sorriu ainda mais, os olhos brilhando. "Amo tudo em você." 

***

As botas até os joelhos e o vestido florido davam um ar de interior a Rose. Além disso, a menina tinha um delicado chapéu sobre a cabeça. Parada em frente ao galinheiro, ela observava Regina pegar os ovos das galinhas. 

Apesar de querer tentar, aquele bichinhos pequenos e estranhos a intrigavam. Então ela apenas se permitiu ficar a observar a cunhada fazer o trabalho, sorrindo enquanto observava a arquiteta cumprimentar cada galinha educadamente, como se fossem gente. 

Quando Regina veio em sua direção com a cesta cheia de ovos, a loirinha esticou a cabeça para enxergar além da cunhada, apenas para certificar-se que nenhuma galinha viria atrás das duas, reivindicando seu ovo de volta. 

"Relaxa, Rose. Nenhuma delas vai fazer uma rebelião contra você." Regina assegurou, enquanto as duas tomavam o caminho para a cozinha da casa, pela porta dos fundos. Henry havia saído com Robin e Anna, para que a mulher conhecesse a propriedade. Era domingo, e o sol resolvera se mostrar firme na região. Os Locksley resolveram passar o dia na fazenda, para aproveitarem o dia explorando a propriedade. Um convite de Henry, que havia gostado bastante de Anna e Rose. 

A loirinha, entretanto, resolveu por ficar para ajudar Regina a preparar o almoço. As duas resolveram por fazer uma massa caseira com um molho de Strogonoff. Haviam ido colher os ovos, e agora Regina pegava o resto dos ingredientes nos armários, enquanto Rose arrumava tudo que usariam na mesa. 

"Eu amo tanto massa. Já estou com água na boca." Regina disse, enquanto lavava as mãos. 

"Eu também, se pudesse comia todos os dias. Assim como pizza." riu, quebrando os ovos em uma tigela. Regina se aproximou dela, preparando os outros ingredientes no recipiente. 

"Então eu e Robin temos que te levar em uma pizzaria aqui, vamos marcar para algum dia da semana, huh? Hoje não consigo." fez uma careta, chateada. "Ou talvez eu possa falar para que Robin leve você e Anna hoje a noite, não preciso estar junto." falou, afinal, não queria tomar todo o tempo dos Locksley. As vezes ela era uma boa companhia, mas os três poderiam estar querendo passar algum tempo sozinhos, somente eles. 

"Sem você eu não vou." a menina disse, concentrada em remexer as gemas dos ovos. Regina parou o que estava fazendo para encarar a figura da cunhada, tocada pelo que ela disse. Rose levantou os olhos do que estava fazendo, encarando os castanhos de Regina. "Que foi?" 

"Não quero atrapalhar o tempo de vocês com o Robin, Rose." disse, pegando o pacote de farinha nas mãos. Rose largou o recipiente com os ovos batidos e fez com que a cunhada fizesse o mesmo com a farinha, para que pudesse tomar as mãos de Regina nas suas. 

"Regina, Robin e eu ficamos ontem até de madrugada maratonando uma série, além de jogar conversa fora. As coisas que faço com eles são simples, e coloca uma coisa na sua cabecinha… você jamais vai estar atrapalhando. Você faz parte da família agora. E eu quero passar mais tempo com você também. Com o meu casalzinho favorito, na verdade." sorriu. 

"Obrigada por todo o carinho, Rose. Você e sua mãe me acolheram tão bem." devolveu o sorriso, emocionada. As duas trocaram um abraço. 

"Vocês que nos acolheram, Regina. Nos aquece o coração ver que Robin encontrou vocês." disse, após se separar do abraço. As duas sorriram uma pra outra, voltando a se concentrar no que estavam a fazer antes. 

Regina despejou a farinha em uma bacia, acrescentando logo depois o sal e os ovos batidos, misturando bem todos os ingredientes. Rose a observava com atenção. Pouco tempo depois, Regina retirou a massa da bacia, explicando a loirinha como deveria ser sovada. 

"E se eu fizer errado?" inquiriu Rose, com medo de estragar o principal alimento do almoço. Regina riu. 

"É só sovar, Rose. Não tem segredo." acalmou a arquiteta, mostrando a caçula como fazia. Apesar de estar insegura, logo a loirinha pegou o jeito, e a morena a deixou fazer o trabalho, enquanto ia até a bancada e começava a picar a carne, colocando fritar em seguida. 

Algum tempo depois, as duas se encontravam a esticar a massa, Rose fazendo os cortes em tiras com a orientação de Regina. Após terminarem, a arquiteta misturou as tiras na farinha de milho e Rose esticou a massa pronta sobre a mesa, colocando um pano em cima, a pedido de Regina. 

"Agora é só cozinhar. Não foi tão difícil, foi?" perguntou, arrancando uma negação de Rose. A morena seguiu até a panela com a carne, visto que havia desligado a mesma para ajudar Rose. 

"Com quem você aprendeu a cozinhar assim?" a loirinha puxou uma tira de massa de baixo do pano, esperando que Regina não percebesse. 

"Com os meus pais." sorriu com a lembrança, especialmente de Cora, que sempre cozinhava muito bem. A morena pegou um pouco de molho em uma colher e deu para que Rose provasse. 

"Está uma delícia! O senhor Henry também cozinha bem assim? Porque tô começando a arquitetar um plano pra mandar o Robin de volta para Nova Iorque e eu ficar em Crowley Cornes, no lugar dele." Rose fez graça. 

Continuaram a bater papo, Rose auxiliando Regina no que podia. Um bom tempo depois, uma cabeleira ruiva se fez presente, fazendo Regina sorrir assim que Zelena entrou no ambiente fazendo elogios ao cheiro. 

"Meu Deus! Tem alguma comemoração e eu não sabia?" perguntou, fazendo Rose e Regina rirem. A loirinha ficara meio tímida, visto que ainda não havia conhecido Zelena pessoalmente, apenas a vira em fotos com Regina. "Você deve ser a Rose…" se aproximou da mais nova, depositando dois beijinhos em sua bochecha. "Finalmente as duas melhores cunhadas do casal se conheceram, hein?" 

"E você é cunhada de quem, Zelena?" Regina perguntou, para provocar. A ruiva revirou os olhos, fazendo uma careta pra Rose. 

"Pobre da Regina, viu, Rose? Tão nova e já sofre de demência. Diz pro seu irmão correr enquanto ainda dá tempo." Falou, seguindo até Regina e espiando por cima do ombro da morena em direção a panela. "Faz mal eu almoçar com vocês? Sei que não avisei…" 

"Como se precisasse avisar alguma coisa, né Zel? Você é de casa. Pode vir a hora que quiser." sorriu e Zelena depositou um beijo em sua bochecha. 

Um bom tempo depois, Henry chegou de volta juntamente com Anna e Robin. A mesa já estava posta, e Regina terminava de cozinhar a massa. É claro que, depois que almoçaram, todos rasgaram elogios para a refeição, que estava realmente deliciosa. Anna e Robin acabaram por cuidar da louça, e depois que a cozinha estava organizada, todos seguiram para os estábulos, já que Regina e Zelena iriam dar uma volta com os cavalos. 

Rose se debruçou sobre a cerca junto com Robin, os dois a observarem Regina e Zelena trotarem pelo pasto com maestria. Robin se sentia realizado sempre que observava Regina montar. Era um dos momentos que faziam seu coração aquecer, tamanha alegria e energia que Regina transmitia nesses momentos e após eles. 

"Quando você vai aprender a montar, maninho?" Rose perguntou depois de um longo tempo em silêncio. O vento batia sobre os cabelos loiros e a garota teve que ajeitar o chapéu que tinha na cabeça. 

"Ainda não sei." riu, tirando os olhos de Regina para encarar a irmã. "Mas eles são lindos, não?" olhou novamente para onde a namorada estava, Stone correndo contra o vento. 

"Os cavalos?" Perguntou Rose, a atenção totalmente voltada ao rosto de Robin. 

"Sim. Acho que estou aprendendo a admirá-los." sorriu, confessando mais para si mesmo do que para Rose. "Além disso, tem coisa mais linda do que a Regina montando?" 

***

Regina terminava de arrumar Stone na baía. Robin a observava do lado de fora, pacientemente. A morena cantarolava baixinho enquanto terminava de pentear os pelos do animal. 

Henry e Zelena deram a ideia de um café da tarde, e Anna e Rose foram ajudá-los. Já Regina e Robin ficaram para trás, para levar Stone de volta aos estábulos. 

Quando terminou e se despediu do animal, Regina caminhou em direção a Robin, sorrindo. Ainda cantarolava a música, aumentando o tom de voz conforme se aproximava de Robin, os olhos azuis brilhando de amor pela sua caipira, sua namorada, sua mulher. Sua Regina. 

A morena balançou levemente os quadris de um lado pro outro, dançando no ritmo da música em sua cabeça. Quando chegou perto de Robin, passou os braços pelo pescoço do loiro, movendo os corpos devagar enquanto cantava feliz. 

"Wish I could find a good book

'Cuz if I could find a real good book

I'd never have to come out and look at

Look what they've done to my song

 

Na na na na na na na na

Na na na na na na na

Well if the people are buying tears

Then will be rich someday, ma

Look what they've done to my brain" 

 

Robin riu com toda a cantoria dela, continuando a balançar com Regina de lá para cá, enquanto tomava os lábios dela nos seus. 

***

Era quarta feira de manhã. Robin chegara ao Wildflowers juntamente com Anna, um copo de café e um pacotinho com croassant de chocolate nas mãos. A primeira parada dele na obra naquele dia fora encontrar Regina, e a achou na cozinha, conversando com algumas pessoas. Ela sorriu assim que o avistou, pedindo licença e seguindo até ele. Trocaram um demorado selinho, Robin não se afastando dela antes de depositar um delicada beijo em sua testa. 

"Pra você." lhe entregou o café e o saquinho de croassant, sorrindo com a forma que os olhos castanhos brilharam. Regina tomou um gole do café na mesma hora, se deliciando com o sabor. 

"Você é perfeito. Obrigada!" lhe depositou um terno beijo nos lábios, esfregando a ponta de seu nariz no dele. 

"Não há pelo que agradecer." sorriram. "Queria ver com você umas coisas a respeitos dos móveis encomendados, me acompanha até o escritório ou está ocupada?" perguntou o loiro, se afastando um pouco dela e observando as pessoas no local, trabalhando em ritmo normal. 

"Precisa ser agora? Consigo me liberar aqui daqui uns trinta minutinhos." respondeu Regina, enquanto tirava um croassant do saquinho. Ofereceu um para Robin, que negou. 

"Te espero lá daqui a pouco, então." se despediram. Antes que saísse do cômodo, entretanto, Robin virou-se e chamou o nome dela. A mulher foi de novo até ele. "Esqueci de falar… sei que tínhamos marcado para ir no Colter's Pub hoje a noite, mas eu e a mamãe estamos tão cheios de relatórios para fazer que acho que vamos ter que ficar até um pouco mais tarde…" 

"Ah… tá bem, não tem problema. Podemos ir amanhã." sugeriu Regina.

"É que hoje tem o dia do karaokê, não é? Rose está toda animada para ir…" passou a mão no cabelo loiro, meio sem jeito de fazer o pedido a namorada. Regina riu, se aproximando dele e ajeitando delicadamente os fios loiros que o próprio bagunçou. 

"Vamos somente eu, sua irmã e Zelena então, não tem problema. Uma noite das garotas." piscou, feliz com a ideia. Rose e Zelena haviam se dado bem no domingo, com certeza a noite seria divertida. Quando Robin e Regina comentaram com a loirinha sobre o pub e que nas quartas feiras havia karaokê, é claro que Rose não sossegou enquanto eles não prometeram que iriam levá-la. 

"Você não se importa?" ele perguntou. 

"Nem um pouco. Vou adorar. Mando uma mensagem para as três para combinarmos horário." 

"Bem, se é assim, vou te deixar trabalhar. Obrigado, meu amor." sorriu, depositando um beijo em sua testa. "Te espero no escritório."

*** 

O pub em decoração country havia conquistado o coração da mais nova dos Locksley. Rose estava apaixonada por todos os detalhes do lugar, adorando ainda mais a vibe das pessoas ali presentes. É claro que as camisas xadrez tomavam conta do lugar, mas muitas pessoas se vestiam casualmente também. No pequeno palco do lugar, um rapaz de mais ou menos 20 anos cantava uma música country não reconhecida pela loirinha. 

Regina e Zelena escolheram uma mesa quase em frente do palco, e logo as três pediram suas bebidas e alguns petiscos. Pelo começo da noite, as três só bateram papo e admiraram as pessoas que subiam ao palco para cantar. Regina já se encontrava na quarta cerveja, enquanto Rose tomava seu segundo drink de morango. Zelena estava indo com calma, pois afirmou que estavam apenas na quarta feira. 

"Eu trabalho amanhã." disse, olhando pelo bar, a procura de algum homem para poder paquerar, infelizmente, não se interessou por ninguém. Regina semicerrou os olhos para a fala da amiga. 

"O que você quis dizer com isso? Eu também trabalho amanhã." provocou, Rose observava as duas sorrindo. Era quase impossível não rir sempre do jeito espontâneo de Zelena e a forma como a ruiva e a morena sempre se alfinetavam. 

"É claro que o seu chefe vai olhar pra você hoje a noite e falar que você pode tirar a manhã de folga. Deuses, não aguento mais tantas injustiças!" dramatizou, Regina revirando os olhos. 

"Pra sua informação… Robin só fez isso uma vez. E a gente não estava juntos ainda." se defendeu. Zelena encarou a amiga com uma cara irônica. "E felizmente para mim, eu que faço meus horários. E além disso, nem se o Papa quisesse me dar folga eu conseguiria tirar." disse, cansada. Realmente, com o Wildflowers e o outro projeto que tinha pegado, não havia mais como tirar muitas folgas na semana. 

Rose quis saber sobre a história da folga, e Regina contou para ela, com Zelena ajudando a narrar de uma maneira bem diferente e engraçada.

"Então era com você que ele foi tomar cerveja naquele dia." a loirinha semicerrou os olhos. 

"Era eu." sorriu. 

"Vocês já estavam de caso desde aquele dia? Meu deus! Como eu não desconfiei de nada?" se questionou, tomando mais um gole de seu drink. 

"É porque eles tentaram esconder o que sentiam de si mesmos, Rose. Tolinhos." Zelena disse. 

"Ei! Nós só estávamos indo com calma." Regina respondeu. Para mudar de assunto, pediu mais uma bebida e resolveu que iria até o palco cantar. Rose se animou, dizendo que iria em seguida. A morena deu um gole em sua cerveja, se levantando e indo até o rapaz que controlava as músicas. Pediu a que cantaria e subiu no palco, piscando para Rose e Zelena. Logo a melodia de Jolene pode ser ouvida pelo lugar, a voz de Regina cantando as primeiras estrofes em seguida. Todos se animaram com a música da tão querida Dolly Parton. 

Depois que Regina terminou, saindo do palco e recebendo inúmeros aplausos, fora a vez da loirinha subir, entregando seu celular para que Regina gravasse enquanto ela cantava. Não demorou para que Girl Crush na voz da menina soasse pelo lugar. 

Diferente de quando Regina cantou, agora todos encaravam Rose com muita atenção, admirados com a interpretação dela para a música. Jolene fez todos se animarem e cantarem juntos, Girl Crush trazia uma vibe mais calma. Regina gravava a cunhada com um sorriso a brilhar nos lábios, sabendo que a letra era para Alice, mesmo que a outra loirinha não estivesse ali. Quando Rose cantou as estrofes finais, o pub inteiro foi tomado por aplausos, deixando a loira no palco toda orgulhosa. 

Mas a noite não acabaria ali, já que Zelena subiu ao palco também, puxando Regina e Rose, e em trio, as mulheres cantaram "Man, I Feel Like a Woman", animando todos novamente. 

Zelena, a mais sóbria de todas, fora a escolhida para dirigir na volta. Deixou Regina e Rose no hotel, prometendo que elas sairiam assim novamente da próxima vez que Rose estivesse na cidade. 

Depois de deixar a cunhada em frente ao quarto que estava dividindo com a mãe, Regina seguiu até o quarto de Robin. Apesar de estar bem tontinha, não foi difícil chegar lá. Bateu na porta, se escorando na parede para esperar que o loiro abrisse. Eles não passavam a noite juntos desde que Rose e Anna haviam chegado na cidade, e Regina se recusou a voltar para a fazenda naquela noite, não havia por que fazer Zelena dirigir até lá se ela podia passar a noite ali com Robin. A arquiteta apenas se certificou se seu pai estava bem, para que pudesse passar a noite tranquila. 

Robin abriu a porta, sorrindo ao encarar a namorada bêbada que se atirou nos braços dele assim que percebeu que a porta tinha sido aberta. 

"Surpresa!" gritou, quando Robin a encaminhou para dentro do quarto. Regina se jogou na cama, sem nem tirar os calçados. 

"Quantas você bebeu?" ele perguntou, enquanto tirava as botas dos pés da namorada. 

"Só algumasss..." Regina respondeu,  puxando o s. Robin riu, beijando o topo da cabeça dela e indo atrás de uma roupa para que a morena vestisse. Embora o loiro tivesse algumas peças na casa dela, Regina não tinha nenhuma no quarto de hotel dele. Por isso, o loiro pegou uma calça de moletom sua e uma camiseta, voltando até a cama. 

"Amor meu, vamos tomar um banho e depois você pode dormir." Falou, gentilmente, mas não obteve resposta. Tirando os cabelos castanhos do rosto da mulher, ele percebeu que ela já havia pegado no sono. Balançou a cabeça, sabendo que acordá-la seria pior. 

Robin ajeitou a mulher na cama da melhor forma que pode, deitando-se ao seu lado logo depois. Mesmo inconsciente, Regina se aconchegou contra o corpo do namorado, Robin passando um longo tempo a acariciar os fios castanhos antes de pegar no sono. 

***

Na sexta a tarde, Regina e Graham estavam acompanhando o serviço do paisagismo enquanto faziam um lanche. Como sempre, a conversa entre eles fluía. 

"Zelena me disse que teve que levar você e Rose para o hotel quarta. Por que você sempre bebê tanto? Não vá levar sua cunhada pro mal caminho." Graham provocou, fazendo Regina revirar os olhos. 

"Você está andando demais com a Zelena!" reclamou Regina, dando uma cotovelada de leve em Graham. O homem riu. Apesar de não estarem em um relacionamento sério, Graham e Zelena adoravam saírem juntos, era divertido para ambos. "Mas sim, ela teve que ser a motorista na quarta. E eu só passo um pouco da conta quando saio, se não eu não bebo assim, você sabe." lhe falou seria. Graham colocou os braços sobre os ombros dela, enquanto andavam de volta para dentro do hotel. 

"Eu sei, Regina. É bom sair para distrair e encher a cara às vezes." sorriram. " Mas afinal, por quê o motorista todo responsável também conhecido como seu namorado não foi?" 

"Não fala assim dele." Regina repreendeu, fazendo Graham revirar os olhos. "Mas ele e Anna tiveram que ficar aqui até tarde, parece que tinham uns relatórios para fazer." lhe respondeu, virando-se quando um dos engenheiros da obra lhe chamou. "A gente se fala?" se despediu de Graham, que assentiu com a cabeça, dando um sorriso para ela. Observou enquanto Regina subia para o segundo andar acompanhada do engenheiro, mas se encontrava bastante encucado com a resposta de Regina para a sua pergunta. 

Graham havia ficado até tarde no escritório na quarta feira a noite, resolvendo algumas pendências. Em nenhum momento vira Robin ou Anna ali. Somente ele havia ficado trabalhando até mais tarde naquele dia. 

E foi com esse pensamento em mente que o rapaz fez seu caminho até o local onde ficava a maior parte do seu tempo, seguindo até a sala de Robin e batendo na porta. Naquele dia Anna e Rose resolveram por visitar alguns pontos turísticos da cidade, e Robin as acompanhou na parte da manhã. Assim que escutou um entre vindo de Robin, Graham adentrou o lugar, as mãos no bolso da calça social. 

"Oi Graham." cumprimentou Robin, tirando os olhos do notebook. Percebeu que a cara do amigo não era muito boa. Estranhou. "Aconteceu alguma coisa?" 

"Sim, aconteceu." foi direto ao ponto. "Eu sei que pode parecer tarde agora, mas eu devia ter te avisado antes que não é justo você vir lá de Nova Iorque, fazer ela se apaixonar por você e magoar ela no final de tudo isso." disparou, andando de um lado para o outro. Robin enrugou a testa, não entendendo onde Graham queria chegar. Levantou-se e se aproximou do parceiro de trabalho e amigo de longa data. 

"Tá bem, eu concordo com tudo isso." disse, calmamente, fazendo com que Graham o encarasse. O rapaz ficou bastante confuso com a fala do amigo. "Tudo o que eu menos quero é magoar ela, Graham." 

"Ok… Então por que você está mentindo para a Regina?" perguntou, tendo apenas o silêncio como resposta. 

"Desculpe… não estou te entendendo." Robin disse. 

"Eu fui o único que ficou aqui até mais tarde na quarta, Robin." falou, a clareza se fazendo presente no rosto de Robin na hora. O loiro passou as mãos pelos cabelos, nervoso. "Estou esperando você me dizer por que diabos está mentindo para a Regina." 

 



Notas finais do capítulo

Vish... o que será que está acontecendo, hein?
Palpites?
Falem pra mim o que acharam, espero que tenham gostado.
Obrigada pelos comentários e favoritos, estamos indo para a reta final...
Beijos e até a próxima!



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