Colônia de férias para pais solteiros escrita por Mebe


Capítulo 7
Dia 5 - Entre pinheiros




Geral

—E a sua mãe? - Carly perguntou.

—O que tem ela?

—O que ela disse ontem? Ela pareceu bem brava.

Freddie riu olhando para a tela do seu celular.

—Ela me xingou bastante. Falou que eu devia ser um exemplo e blablablá.

—Só isso?

—Não, ela também me mandou ir para casa.

—Para casa? Credo. Tudo isso por causa de um beijo?

—Para você ver como ela é exagerada.

—E você não vai?

—Claro que não.

—Mas não vai te trazer problemas?

—Muitos, na realidade, mas eu não estou me importando. Ela disse que era para eu ir embora e eu disse que não ia, aí ela falou que eu não ia dormir aqui e eu falei ‘tudo bem, eu durmo no carro’.

—E você dormiu no carro?

—Sim.

Carly não segurou a risada.

—Você não vai querer ficar contra a sua mãe por causa da Sam.

—Relaxa. Ela não seria a primeira.

—Não?

—Não mesmo. Você nem imagina o barraco que foi quando eu engravidei, sem querer, a minha ex-namorada. Minha mãe quase a matou dizendo que ela tinha armado para mim. A coitada até foi embora para o Japão de tão assustada que ficou. Ela era de lá.

Novamente a morena gargalhou.

—Mas a Violet não tem traços asiáticos.

—Não é ela. A Violet é filha da minha ex-mulher. Nos separamos há dois anos e ela foi embora para a Inglaterra, também por causa da minha mãe. Com a japonesa eu tive um filho, o vejo de seis em seis meses.

—Uau. Que vida, hein! Então você tem dois filhos?

—Três.

Carly quase engasgou querendo rir, mas não pôde. Freddie riu por ela.

—Meu Deus. E onde está o terceiro?

—Vai nascer esse mês. Não. Mês que vem.

—Jesus. E sua mãe também brigou com essa?

—Não, porque ela ainda não sabe.

—Freddie…

A morena tentou dizer algo, mas não conseguiu. Estava tomada pelo riso.

—E sabe o que é mais engraçado? Quero dizer, não engraçado, mas foi uma enorme coincidência?

—Hum?

—Ela descobriu que estava grávida no mesmo dia depois de terminar comigo.

—E vocês não voltaram?

—Não, porque meio que já não estava dando certo, sabe?

—Ai, ai. Que aventura.

Ainda risonha, mas chocada de certa forma, Carly direcionou o olhar para a piscina que, àquela hora do dia, já estava cheia. O mesmo fez Freddie. Não demorou muito e Sam apareceu bocejando.

—Sam, adivinha quantos filhos o Freddie tem.

A loira achou esquisita a proposta, mas, sentando-se à mesa à beira da piscina, balbuciou uma resposta qualquer.

—Sei lá…

—Três! - Carly continuava chocada.

—Não conhece camisinha, não, meu filho?

Freddie riu mordendo os lábios e encarando a loira.

—Conheço.

—Não é o que parece.

Os três riram juntos e Carly logo percebeu um clima se instalar entre Sam e Freddie que se olhavam de segundo em segundo.

—Bom, vou sair para dar uma volta…

—Carls…

—Não, Sam. Fique aí. Sentadinha aí.

A loira revirou os olhos e ouviu Freddie rir, enquanto Carly saía quase saltitante.

—Não quer ficar sozinha comigo?

—Não é isso.

—Então o que é?

Sam, que balançava a perna nervosamente, olhou para o moreno e o viu com um sorriso provocante exposto no rosto. Não se segurou e também sorriu.

—Quer falar sobre o que aconteceu ontem? - Freddie perguntou sugestivo.

—Agora?

—Você não quer?

—Na verdade, não - forçou um tom preguiçoso ao responder.

Sobre a mesa onde estavam assentados havia uma pequena porção de farelos de pão e foi esse o “refúgio” que a loira encontrou, pois, abaixando a cabeça para disfarçar o corado do seu rosto, pôs-se a brincar com as migalhas. E, vendo-a assim e não se aguentando por dentro, o moreno tão logo pôs sua mão sobre as de Sam e a fez olhá-lo.

—Já que não quer conversar, podemos fazer outra coisa.

—Boa jogada, coelhinho.

—Coelhinho? - O moreno não entendeu.

—Você sabe… O coelho é um animal fértil…

—Ah. Nossa - gargalhou. - Três nem é tanto assim.

—Já dizia a série.

—Qual série?

—Três é demais.

Mais uma gargalhada, mas desta vez de ambos.

—Mas e aí?

—E aí o quê? - A loira retrucou.

—Para de se fazer de desentendida.

—Eu não estou me fazendo de desentendida.

—Está, sim.

—É que agora que você disse que tem três filhos, eu estou com medo - brincou risonha.

—Eu te disse que eu tenho meus rolês.

—Isso não é rolê, é treta.

Rindo uma última vez, Freddie se levantou e esticou uma mão para a loira.

—Que foi? - Ela perguntou.

—Quanto mais você se faz de desentendida, mais óbvio fica.

—Óbvio o quê?

O moreno a encarou fingindo impaciência e Sam, esbanjando um sorriso travesso, levantou-se para a alegria de Freddie que lhe deu um beijo na curva do pescoço. E assim ambos saíram da área da piscina.

Ao longe, Carly assistira a tudo com um sorriso no rosto. Ao vê-los sair, alheia ao que se passava ao seu redor, assustou-se quando uma voz conhecida soou atrás de si.

—Carly Shay, podemos conversar?

Virou-se.

—Claro, Senhora Benson.

Carly

Enquanto subia atrás de Marissa até o seu escritório no segundo andar, eu ia me perguntando se entraria em problema por causa de Sam. Diferente da loira, eu conhecia bem a Senhora Benson, tanto pelo fato de ela ser minha chefe, de uma forma ou de outra, quanto pelo fato de ela já ter sido prefeita de Seattle duas vezes. Quero dizer, essa paranoia dela por ordem é algo velho. Fosse onde fosse, ela sempre estipulava aquela famigerada regra número oito.

Mas tentei não pensar em conflitos.

Adentramos ao escritório e ela me mandou encostar a porta. Então, vi-a caminhar até a enorme janela que dava para a belíssima floresta e, de costas para mim, disse no seu típico tom controlador:

—Senhorita Shay, você sabe que sempre esteve na lista das minhas melhores funcionárias. Correto?

—Sim, Senhora - respondi confusa não sabendo onde ela queria chegar.

—Ótimo.

Ela se virou e me encarou.

—Gosto de você. Você é decente, bondosa, atenciosa…

E então ela continuou com os adjetivos por um bom tempo, o que certamente me incomodou.

—Aonde quer chegar, Senhora Benson?

Quando dei por mim, já havia falado, mas, honestamente, não me arrependi. Mantive a postura.

—É a pessoa ideal para o meu Freddinho, sabia?

—Quem?

—Você.

—Eu?!

Não estava acreditando que ela havia me chamado ali para aquilo.

—Desculpe-me, Senhora Benson. Gosto do seu filho, somos amigos e tudo mais, mas não o tenho neste sentido.

—Eu entendo, Senhorita Shay. Entendo que não queira trair a sua amiga.

—Do que está falando?

Eu estava certa. Tinha tudo a ver com Sam.

Marissa se afastou da janela e veio em minha direção.

—Escute-me, senhorita, eu conheço o meu Freddinho e sei que por natureza ele não é fácil. A última coisa que eu quero é uma mulher complicando ainda mais as coisas.

Tudo bem. Por um lado eu a entendia. Depois da breve história de aventuras que Freddie me contou sobre a sua vida, eu pude concluir que, apesar de não ser o que a sua aparência denuncia, ele não era lá tão distinto da Sam. E, claro, a loira era totalmente capaz de complicar situações.

Porém, eu nada tinha a ver com aquilo. Ou pelo menos era o que eu pensava.

—Senhora Benson, eu não entendo porque está falando isso comigo.

—Foi você quem trouxe a sua amiguinha. Até esse ano, Senhorita Shay, nunca ninguém tinha violado a regra número oito, não que eu nunca tenha achado que isso pudesse acontecer. Mas jamais passou pela minha cabeça que o meu filho seria o primeiro.

Nunca ninguém tinha violado aquela regra? Claro que já. A questão é que Freddie teve a má sorte de ser o primeiro a ser pego.

—Senhora Benson, não cabe a mim falar estas coisas para a Sam. Ela é minha amiga e…

—Prefere perder o emprego a dizer a verdade para a sua amiga?

Aquilo só podia ser piada.

—Acho que a senhora está sendo muito extremista. É uma colônia para pais solteiros, é comum que alguns pais se identifiquem um com o outro e, então, acabam se gostando…

—Uma coisa é se gostarem com respeito, outra coisa é estar aos beijos no centro da minha casa.

"Aos beijos". Ri por dentro.

—Senhora Benson, eles não estavam aos beijos. Na verdade, aquilo foi basicamente um selinho…

—Está defendendo-os, Carly Shay?

Vi-a olhar para mim com uma expressão séria.

—Escute-me, Senhorita.

Ela deu mais um passo na minha direção.

—A sua amiga é uma má influência para o meu Freddinho e eu exijo que a senhorita a pare agora mesmo.

—Por que a senhora mesmo não fala isso com ela?

—Está me desafiando?

—Não. Digo apenas porque… Desculpe-me, mas eu não vou estragar minha amizade com a Sam por causa de algo que não compete a mim.

Eu estava confiante em minhas palavras, mas, quando Marissa deu mais um passo na minha direção, por pouco vacilei.

—Traga-os aqui.

—Mas, Senhora Benson, eu não…

—Traga-os aqui, Carly Shay.

Foi aí que eu percebi que não adiantaria contrariá-la.

Saí do escritório em busca de Sam e de Freddie, rezando para que eles não tivessem ido muito longe.

Mereço.

Enquanto isto, no meio da floresta

Geral

O Maserati de Freddie estava estacionado no acostamento de uma estrada de terra entre altíssimos pinheiros. Dentro do automóvel, a fogosidade do clima que imperava entre os dois jovens fazia com que ficassem alheios a qualquer outra coisa que não fosse o corpo um do outro e a sensação aprazível que lhes incendiava. Com os vidros fechados e o ar em vinte graus, os gemidos e suspiros de ambos pareciam se misturar ao som do ranger do banco de couro, enquanto, impetuoso, Freddie se movia sobre a loira que, rendida, deslizava com ele, num ritmo sincronizado, provocando boa parte do rangido.

—Porra…

A voz do moreno soou extraordinariamente rouca, enquanto se inclinava melhor sobre o corpo de Sam para afundar seu rosto na curva do pescoço dela. E com o boné dos Dodgers, que Freddie usava, impedindo um melhor encaixe de seus rostos, a loira rapidamente o lançou fora, fazendo-o bater no vidro da frente do carro. Com o caminho livre, invadiu os finos e lisos fios negros do cabelo de Freddie que, quase no ápice, sincronizou seu movimento às mordidinhas que distribuía por toda extensão do pescoço da loira.

—Hum… Quase lá… Q…

Era improvável que conseguissem falar algo naquele momento, pois, no cume do prazer, aceleraram juntos diminuindo a velocidade pouco a pouco, à medida que seus músculos iam contraindo. Sam, de olhos fechados, rosto corado, testa molhada e respiração pesada, pendeu a cabeça para trás emitindo o mais profundo orgasmo que lhe fora possível soltar. E em consonância com ela, mas um pouco mais vagaroso, Freddie sentiu a mesma sensação lhe percorrer o corpo. Prendeu a respiração e, tirando seu membro da intimidade da loira, tirou fora a camisinha que usava e, com o peito descendo e subindo velozmente, estimulou-se com urgência.

Vendo-o à beira de um sonoro orgasmo e se sentindo quente em baixo, Sam lhe ocupou o posto. Expulsou a mão do moreno e tomou ela seu membro com igual urgência, bastando isso para que, sem forças, Freddie gozasse alto, expulsando sobre o ventre da loira um denso e ardente líquido branco.

Mais tarde

—Tchau!

Ao estacionar seu carro logo à entrada da mansão, Freddie se inclinou no banco e deu um estalado beijo no canto da boca da loira que permaneceu confusa.

—Como assim ‘tchau’? Aonde você vai?

—Minha mãe me expulsou. Não sabia?

—Não. Por quê?

—Por que você acha?

—Por causa de ontem?

Touché.

A loira riu ainda sem entender bem.

—E onde você vai dormir?

—Eu dou meu jeito. Tem um hotel bom na cidade, talvez eu fique nele.

—Você é doido.

—Você me deixou assim.

—Eu?

—Você mesma, loira.

Inclinou-se no banco outra vez e, ao invés de um simples beijo estalado, ousou puxar os lábios de Sam para um fogoso, mas breve, beijo. E, então, abriu a porta do passageiro.

—Agora, é melhor você ir antes que minha mãe me veja aqui.

Sem nada a dizer, a loira saiu do automóvel e, virando-se para Freddie, viu-o jogar uma piscadela seguida de um beijo.

Havia desfrutado, sim, com toda certeza, mas lhe era impossível negar que o moreno a surpreendera. Jamais imaginara que ele fosse assim tão… “fora da lei?” — pensou - “gostei”.

—Loira de Deus, onde você estava?

Carly perguntou assim que viu a amiga entrar no quarto.

—Já são seis da tarde e eu te vi sair com o Freddie às dez da manhã - concluiu.

—Caralho. É mesmo. E eu nem senti fome… Quero dizer… Agora estou sentindo.

Jogou-se sobre sua cama depois de apanhar uma latinha de refrigerante do frigobar.

Carly a olhou com uma pequena indignação.

—Por que não atendeu minhas ligações?

—Você me ligou?

—Quinze vezes! - Exclamou ao pegar o celular da loira.

—Ah, foi mal. Eu não vi ele tocando.

—Claro que não. Onde estava?

—Quem?

A morena estreitou o olhar.

—Você, né.

—Ah… Por aí.

—Por aí, Sam? Por aí?

—Ih!

Sam se sentou sobre a cama.

—Qual é a do seu estresse, Shay?

—Sam, você não pode simplesmente sumir assim. A Marissa  quase me…

—Quem é Marissa?

—Fala sério, Sam.

—Eu estou falando sério.

Carly bufou.

—A mãe do Freddie, né.

—Ah. É mesmo.

— ‘Ah. É mesmo’ - imitou. - Ela está atrás de vocês dois. E onde está o Freddie?

—Ele disse que ia para um hotel.

—Um hotel?

Carly logo pensou em Violet.

—Mas e a Violet?

—Que Violet?

—Pelo amor de Deus, Sam!

—Ué! Você só fala nome de gente que eu não conheço.

—A Violet, filha do Freddie.

—Ah. Não sei. Por quê? Ela não está aqui?

—Não, Sam. O que eu quero dizer é que como ele pode ter ido para a cidade e ter deixado a filha aqui?

—Não faz pergunta difícil, Shay.

A se levantou e arrancou a blusa que usava, caminhando na direção do banheiro.

—Vou tomar banho - avisou tardiamente.

Ainda em sua cama, Carly suspirou. Já estava até vendo aonde aquilo tudo ia dar.





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