Colônia de férias para pais solteiros escrita por Mebe


Capítulo 3
Dia 1 - O dilema da regra número oito




Geral

Eram aproximadamente quinze pais solteiros cada qual com seus filhos que não passavam de dois por pessoas. A, não tão humilde, mansão da família Benson, mais especificamente de Marissa Benson, dispunha de recurso suficiente para receber as quase quarenta pessoas. Uma boa quantidade de empregados contratados para aquela ocasião em especial; quartos confortáveis; duas piscinas, uma rasa e outra funda; cinema caseiro que contemplava até cinquenta pessoas; e muito mais.

Marissa Benson, tendo criado sozinha seu único filho, Freddie Benson, estava pela nona vez vendo seus planos se concretizarem. Tudo se tratava de uma política de inclusão para todos aqueles pais que faziam das tripas o coração para cuidar de seus pequenos anjinhos. Ou pelo menos era seu propósito inicial.

—Bom, pessoal. Eu reuni todos vocês aqui na sala para dar as boas vindas. Quero dizer, acho que nem é tão necessário assim toda esta apresentação. Pelo jeito todos já me conhecem. Ou não?

Os olhos da mulher, na casa dos cinquenta, pairaram sobre Sam que estava totalmente alheia à situação.

—Você é…

Carly, notando Marissa com um dedo apontado na direção da loira, cutucou a amiga.

—Sam - sussurrou.

—Hum. Que foi?

—Preste atenção.

Só então, erguendo a cabeça, Sam notou que todos a olhavam, incluso Freddie que estava em pé ao lado da mãe com os braços cruzados e um meio sorriso no rosto.

—Você é? - Marissa perguntou.

—Quem? Eu?

—Sim.

—Sam.

—Sam… Você é mãe de alguma criança?

—Obviamente. Caso contrário eu não estaria aqui.

—Sam! - Carly ralhou dando um cutucão na loira.

Então começaram os cochichos na sala.

—Que foi? - Sam perguntou esfregando o braço onde havia recebido o cutuque.

—Seja mais educada.

—Mas eu estou sendo educada.

Carly revirou os olhos. Era sempre muito cansativo lidar com a personalidade amarga da amiga.

Marissa, chacoalhando a cabeça e julgando aquela situação como sendo um mero acidente, retomou a palavra. E Sam, fazendo descaso, voltou sua atenção para o celular.

—Bom, como todos anos, teremos nosso cronograma bem definido para que não percamos um minuto sequer com coisas que não serão relevantes. Afinal, apesar de vocês trazerem seus filhos, o maior objetivo aqui é que os pais tenham tempo para se divertir sabendo que suas crianças estão em boas mãos. Freddinho, você entrega nosso regulamento para eles?

Apesar de detestar aquele apelido horrível, Freddie concordou e se colocou a distribuir os papéis para os pais que acolhiam, animados.

—Sam.

—Que…

A loira ergueu a cabeça para responder quem a chamava - crendo firmemente que se tratava de Carly - e acabou por se deparar com Freddie lhe esticando um papel.

—Que isso?

—Saberia se estivesse prestando atenção.

—Olha só - a loira disse apanhando o papel da mão de Freddie. - Larga o meu pé.

Ao dizer, despistadamente, Sam empurrou Freddie com um dos pés que tinha sobre o sofá onde estava sentada. O moreno limitou-se, então, a um sorriso de lado e continuou distribuindo os papéis.

—Vocês terão, então, o resto desse dia para descansarem da viagem. Podem ir à piscina, se quiserem, podem dormir, ver TV, jogar… Tudo está à disponibilidade de vocês. E não se preocupem com seus filhos. Sim? Temos uma programação cheia de atividades legais para eles, mas, obviamente, haverá momentos que juntaremos todos vocês para algumas gincanas. Vocês sabem, apenas para aflorar os ânimos.

Marissa concluiu e suspirou orgulhosa de si mesma.

—Alguma pergunta?

—Eu tenho - Sam ergueu o braço e Carly revirou os olhos.

—Pode dizer.

—O que quer dizer essa regra número oito que diz ser “proibido relações nas dependências desta casa”?

—É que apesar de ser uma colônia para pais solteiros, não estamos promovendo encontros. Então o respeito é necessário. Afinal, há crianças na casa e, bom, isso daqui não é um motel.

—Entendi.

A loira colocou o papel de lado e retomou o celular.

—Será mais chato do que eu pensava - resmungou não muito baixo e recebeu outro cutucão de Carly.

—Freddie. Posso me sentar aqui com você?

Carly se aproximou da mesa onde o moreno estava sentado, próximo à piscina que já estava ocupada. Ambos em trajes de banho.

—Claro. Sente-se.

—Obrigada.

Observando a morena que se colocara a passar seu protetor solar, uma dúvida pertinente saltou à mente de Freddie.

—Sua amiga não vai descer?

Era a mesma pergunta de mais cedo e Carly quis rir ao perceber.

—Quem? A Sam?

—É.

—Ela deve estar vindo aí.

Carly viu Freddie rir abafado, enquanto tomava um pouco de um drinque servido por um dos empregados. Então não conseguiu segurar as palavras.

—Gostou dela, né?

—Hã…

O moreno travou.

—Está escrito na sua testa. Você não pode me ver sozinha que logo vem perguntar sobre ela.

—Sério? Nem tinha percebido? - Freddie sorriu sem graça.

—Claro que não.

Encararam-se, em silêncio, e de repente Carly riu alto, tampando seu frasco de protetor solar. Levantou-se e deixou sobre a mesa os óculos escuros que trazia postos; foi na direção da piscina e mergulhou.

Sozinho à mesa, Freddie fez uma careta, ainda envergonhado de ter deixado escapar alguns delírios íntimos. Tomou mais um gole do seu drinque e tentou relaxar, olhando fixo para as pessoas que estavam na piscina.

Então, concentrado, acabou se assustando quando sentiu algo molhado tocar o interior da sua orelha. Olhou para o lado e viu Sam que, pelas suas costas, molhara um dedo na boca e o enfiou no ouvido do moreno apenas para perturbá-lo.

—O que foi isto que você colocou na minha orelha?

Freddie usou sua toalha para secar o restante de saliva que havia em seu ouvido.

—Minha língua.

Ao dizer, a loira sorriu travessa e se sentou na cadeira onde antes estava Carly. Freddie, que ainda tinha em mente aquela mini conversa que tivera com Carly, não se conteve. Olhou despistadamente o corpo da loira que vinha trajada num biquíni pouco comportado e sentiu sua pele arder.

—Aí, engomadinho.

Sem notar que o moreno a olhava, Sam se levantou e rodeou a mesa, segurando o frasco de protetor solar de Carly.

—Passa isso daqui para mim.

Entregou o frasco ao moreno e, sem a menor hesitação, sentou-se entre as pernas de Freddie que se afastou na cadeira de sol. Não porque não quisesse aquela proximidade, mas fora tão repentina que ele quase perdeu o descompasso da respiração.

Carly, que de longe via tudo, não conteve a risada. Conhecia bem a amiga que tinha.

—Você é muito espaçosa, né? - O moreno quis provocá-la, enquanto passava o protetor solar em suas costas.

—Eu sou muitas coisas.

—Sei bem.

Freddie riu com igual ar de travessura, mas não podia negar que se sentia um pouco incomodado - incomodado de um jeito bom, se é que se pode dizer assim - com a tamanha liberdade e extroversão da loira que parecia não dar muita importância a toda àquela proximidade. Óbvio, ela estava fazendo de propósito, mas Freddie, apesar de estar gostando, não parou de se ajeitar na cadeira, a fim de evitar que as pessoas, que transitavam por ali, pensassem que ele estava encoxando a loira.

Mas todo esforço foi em vão.

—Freddie, o que é isso?

Marissa apareceu com algumas pastas em mãos e trajada num social impecável.

Com o susto que o moreno levou, ele se levantou sem nem perceber como.

—O que foi, mãe?

—O que você estava fazendo?

—Eu… Hã…

Desconcertado, Freddie olhou na direção de Sam, como se buscasse ajuda, mas mal sabia ele que estava sozinho nessa. A loira, que no rosto ainda mantinha seu sorrisinho travesso, levantou-se e jogou uma piscadela para Freddie e Marissa, indo dar um mergulho na piscina.

—Fredward, eu já te avisei que…

—Tá. Tá, mãe. Eu já sei. Eu tenho trinta anos. Não precisa ficar me chamando atenção como se eu fosse um adolescente.

—É justamente pelo fato de você ter trinta anos que eu estou falando. Isso daqui não é um parque de diversões. E você não veio aqui para ficar tomando drinques na beira da piscina. Você veio para me ajudar.

—Mas, mãe…

—Nada de 'mas'. Anda. Vai vestir uma roupa.

Marissa empurrou o filho que dava passos na direção contrária da piscina, mas sem tirar os olhos da água, onde estava Sam e Carly.

—Onde já se viu? Você aqui sentado como se fosse um menino de dezoito anos - Marissa resmungava à medida que caminhavam até o interior do casarão.

—Mas eu não vou poder descansar? Eu já trabalho demais.

—Você vai descansar lá dentro digitando as coisas que eu preciso que você digite.

—Isso não é descanso.

—E isto não é roupa para filho meu estar vestido.

—É uma sunga, mãe.

—Por isso mesmo. Agora pare de discutir comigo e digite essas coisas para mim.

Passou as pastas para os braços do moreno e deu-lhe um beijo no rosto, saindo na direção do exterior da mansão novamente.

—Droga!

Insatisfeito, Freddie subiu para o seu quarto. Parecia até irreal, mas Marissa Benson o mantinha debaixo de uma verdadeira ditadura.

Sam

Agora Carly estava no meu pé, dizendo trocentas coisas sobre "o quanto eu estou afim do engomadinho de cabelo lambido". Ah, me poupe. Ele pode ser bonitinho e tal, mas estar afim dele já é demais.

—Confessa, loira. Você está louquinha para tirar uma casquinha dele.

Lá vem ela de novo.

—Carlotta, se orienta. A única casquinha que eu quero agora é de um sorvete.

—Mentirosa.

—Mentirosa por quê?

—Porque eu te vi com ele agora pouco.

—Eu estava pedindo para ele passar protetor nas minhas costas.

—E para isso precisava quase sentar no colo dele?

Não segurei o riso.

Carly estava tão paranoica com isso que parecia até com ciúmes. E, claro, eu não poderia deixar passar batido.

—Ciúmes?

—Claro que…

—Você queria estar no meu lugar, Shay?

Ela fez uma careta e eu ri mais ainda.

—Olha que eu senti, hein.

—Sentiu o quê? - Ela arregalou os olhos.

—Humm… Tá interessada?

—Eu não.

Ela mudou de expressão e nadou para fora da piscina. Eu a acompanhei.

Era hilário como a Carly tentava entrar no meu jogo, mas quando eu levava a conversa para um tom mais picante ela logo se esquivava.

—Senti a cabecinha …

—Ai, Sam. Que nojo!

Gargalhei.

—Você não disse que ele é gostoso?

—Eu não - ela partiu para a defensiva. - Você disse. Eu apenas falei que ele é educado.

—É, eu disse isso…

Carly me olhou com um ar de chocada e eu ri da sua expressão.

—Safada! - Ela exclamou num tom estridente.

—O que eu posso fazer? O meu nome começa com 's'.

—E o que tem a ver?

—Tem tudo a ver, Carlinha.

Gargalhei uma última vez e seguimos para o quarto, a fim de nos trocarmos. Estava na hora do rango.

Freddie

Eu nem havia terminado de digitar a papelada da minha mãe e, para ser sincero, estava procurando alguma forma de achar alguém que o fizesse por mim, afinal, eu não estava nem um pouco afim de gastar o meu tempo em frente a um computador. Eu queria outra coisa e essa outra coisa era algo bem específico.

—Posso me sentar aqui com vocês?

Aproximei-me da mesa onde estavam sentadas Carly e Sam.

—Claro - a morena foi a primeira a responder.

—Tanto faz - Sam murmurou logo em seguida.

Ri me sentando com meu prato de comida.

—Está gostando do lugar, Sam?

Perguntei olhando fixo para ela. Queria vê-la me olhar e foi justamente isso que ela fez. Olhou-me com uma típica expressão irônica.

—Está tentando fazer amizade comigo?

—Talvez - balbuciei firme. Nunca falhava.

—Pois não tente, lindinho. E eu já te falei para não me chamar de Sam.

Ri sem poder me controlar e vi que Carly também ria.

—Você trouxe uma amiguinha muito esquentada, Carls - comentei.

—Uh. Você nem imagina - a morena retrucou.

Olhei Sam novamente. Não sei o que ela tinha que estava me deixando louco.

—Mas você está gostando do lugar? - Insisti.

—Já estive em lugares melhores.

—É mesmo?

—É. Além do mais, eu pensei que vindo para cá e deixando o Leon na responsabilidade de outra pessoa, eu teria um momento para mim…

—Você sempre tem um momento para você, Sam - Carly interrompeu, rindo. - Quem cuida do Leon sou eu.

—Shii, Shay. Vamos deixar as coisas como estão.

Ri pela milésima vez.

É, eu estava realmente louco por ela e eu bem sabia que era algo puramente carnal.

—Enfim, - Sam continuou - o ponto é que a porra daquela regra número oito fodeu comigo. Eu já tinha até escolhido quem, sabe? Mas como eu sou alguém que respeita as regras…

Carly prendeu uma risada e eu me coloquei a questionar quem ela teria escolhido - ou terá sido uma piada?

—Você nunca respeita as regras, Sam - ouvi Carly comentar.

—Que mentira. Quando foi que eu burlei alguma regra, Carlotta? Não me responda.

—Então você gosta de desobedecer? - Perguntei, metendo-me na conversa sem esconder o meu tom maldoso.

Eu estava me revirando por dentro.

—Claro. Vocês vão negar que tudo que é proibido é mais gostoso?

Troquei olhares com Carly.

—Nem todo mundo é como você, Sam.

—Ah, para, né Carlotta? A diferença entre as pessoas e eu, é que eu falo as coisas. Você acha mesmo que eu iria pensar em regrinha número oito caso eu desse de frente com um cara bem gostoso? Claro que não! Inclusive, eu só não peguei ainda a pessoa que está na minha mira porque tem todo um processo, entende?

Ela disse e eu voltei a me questionar, mas desta vez não segurei a dúvida dentro de mim.

—Quem é?

—Não é da sua conta.

—É da minha conta, sim. Saiba que eu posso contar para minha mãe e num instante você estará fora daqui.

Tentei usar meu álibi.

—Nossa, meu Deus. Estou tremendo de medo. Olha.

Ela fingiu um tremelique.

—Além do mais, - prosseguiu - não é você.

—Azar seu, porque eu sou a única pessoa aqui com quem você pode desobedecer a regra número oito.

Encarei-a fixo e a vi erguer as sobrancelhas - não sei se surpresa ou interessada. Ao fundo, escutei a risada abafada de Carly. Olhamo-la e ela se levantou recolhendo seu prato.

—Se peguem logo. Tá na cara que vocês estão afim um do outro e olha que não faz nem vinte e quatro horas que estamos aqui.

E assim ela saiu balançando a cabeça.

—Só com você que dá para quebrar a regra número oito? - Sam perguntou mordendo os lábios e eu quase fui aos céus.

—Só comigo.

—Que legal.

Ela foi irônica ao dizer, eu sabia. Levantou-se e eu, ainda sentado, quis provocá-la uma última vez.

—Você nunca vai admitir que sou eu, não é?

—Que é você o quê?

—Você sabe.

—Olha só, eu prefiro lamber o chão de um posto de gasolina.

—É mesmo? Pois eu não. Tenho certeza que a sua boca é mais gostosa.

Eu ousei? Sem dúvida, mas foi como atingir o calcanhar de Aquiles. Sam riu, desviando seu olhar de mim. Não havia como ter certeza, mas aquele gesto muito provavelmente provava que ela tinha gostado das palavras que ouviu.

—Eu conheço essa casa como a palma da minha mão e sei de uns lugares bem discretos - disse mais.

—Que bom para você. Faça bom proveito.

Ela recolheu o prato e saiu. Eu, por outro lado, continuei sentado no meu lugar, rindo feito um besta.

foi, Shay?

Mais tarde

Geral

—Sam - Carly sussurrou no meio da noite.

—Que

—Tá dormindo?

—Agora não mais, né?

Mesmo sem vê-la, por causa do breu do quarto, Sam escutou a morena rir abafado na outra cama onde estava deitada com Mia.

—Você está afinzona do Freddie, né?

—Aff, você me acordou para isso?

—Confessa, loira.

—E em que isso vai mudar na sua vida?

A resposta da loira já foi um “sim” codificado.

—Sabia!

A exclamação saiu quase num grito e Carly tampou a boca imediatamente.

—Agora não me enche mais o saco com isso, Shay.

—Prometo que agora vou apenas observar os estágios da sua paixão.

Imediatamente Sam arremessou um travesseiro na amiga.

—Você quase acertou a Mia, Puckett.

—Estou pouco me fodendo!

—Deus! Você está mesmo afim dele.

—Vai dormir, Carlotta.

A morena, sem poder evitar, soltou uma última risada e logo voltou a dormir.





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