Colônia de férias para pais solteiros escrita por Mebe


Capítulo 1
Prólogo




 

Geral

As unhas pretas da loira batiam inquietas sobre a mesa da sala da diretora e, de segundo em segundo, ela direcionava o olhar até o relógio suspenso no topo da parede decorada com fotos de antigos diretores e certificados enquadrados.

—Vai demorar? - A loira perguntou e acariciou os lisos fios de cabelo do garotinho que estava em pé ao seu lado.

—Creio que não, senhorita Puckett. Temos apenas que esperar a chegada do pai da Violet.

Suspirando, impaciente, Sam olhou para a garotinha sentada na cadeira ao seu lado.

—Seu pai não tem relógio?

—Meu papai tem tudo! - Com um grito estridente, Violet exclamou mostrando a língua logo em seguida.

—Violet!

A diretora interviu.

—Onde estão as boas maneiras?

—Deixei em casa - retrucou.

—Ah é? O seu pai vai amar saber disso.

A garotinha balançou os ombros, indiferente, obrigando Francine, a diretora, a retirar seus óculos e esfregar a têmpora, cansada.

—Mamãe.

—Oi, Leon.

O menininho loiro ao lado de Sam concertou os óculos que trazia posto e deitou a cabeça no braço da mãe.

—Eu não fiz nada.

—É o que vamos verificar e é bom que você…

—Desculpa a demora!

Uma voz grave e um perfume forte invadiu a sala, fazendo Sam se calar. Olhou para trás e, vendo o moreno que acabara de entrar, bufou virando o rosto.

—Sente-se, senhor Benson.

—Deixa o papai sentar aqui, filha.

Freddie sentou-se na cadeira ao lado de Sam, sem olhá-la, e colocou Violet em seu colo, dando-a um beijo na bochecha. De canto de olho, a loira o olhava, sentindo uma apatia nascer dentro de si.

—Podemos ser breves? Tenho uma reunião daqui a uma hora.

—Desculpa, lindinho. Mas eu estou aqui há muito mais tempo do que você. Então se eu estou atrasada para os meus afazeres, você também vai ficar.

Confuso, o moreno olhou para o seu lado e, vendo o rosto de Sam, esboçou uma careta, não entendendo o motivo daquele ataque.

—Desculpa… Eu te conheço?

—Não, mas a sua filha conhece tão bem o meu filho que resolveu batê-lo.

—É justamente por isso que eu os chamei - a diretora interviu ao perceber o desconforto dos dois pais. - Leon e Violet estão impossíveis. Violet principalmente.

—O que ela fez?

—Você é surdo? Eu já disse que ela bateu no meu filho.

—Senhorita Puckett, por favor. O seu filho também bateu nela.

—Mas ele estava apenas se defendendo. Além do mais, essa garota quebrou os óculos do meu filho. Tive que comprar outro.

Freddie suspirou e voltou o olhar para a garotinha em seu colo.

—Isso é verdade, Violet?

—Ele roubou meu lanche, papai.

—Que garotinha mentirosa! - Sam exclamou.

—Ei. Ei. Ei. Olha lá como fala da minha filha.

—Se liga, meu filho. Acha que eu tenho medo de você? A sua filha é mentirosa, sim. E digo mais, ela vive roubando o lanche do meu filho. Quase todos os dias ele chega com fome em casa. O que foi? Não dá comida para a sua filha?

—Olha aqui, minha senhora…

A gargalhada de Sam interrompeu o moreno que já tinha uma veia saltada no pescoço.

—”Minha senhora” é a puta que…

—Senhorita Puckett!

Francine exclamou, escandalizada.

—Vamos acalmar os ânimos. Está bem? Eu sei que cada um quer defender seu filho, mas não estamos aqui para sermos partidários. Ambos estão errados.

Notando Sam e Freddie ainda se encarando com os nervos à mil, Francine pigarreou, requerendo a atenção dos dois.

—Senhor Benson, a sua filha de fato rouba os lanches do Leon diariamente e não é porque ela não tem. Já a vi com duas lancheiras e, ainda assim, ela faz questão de pegar a do coleguinha. E, senhorita Puckett, o Leon foi o primeiro a dar o tapa.

—Sim, mas foi porque essa esfomeada aí pegou o lanche dele.

—Olha só, se você ofender a minha filha outra vez...

Freddie tentou, mas foi interrompido novamente pela gargalhada da loira.

—Você vai fazer o quê? Vai me processar? Tenta, meu amor. Tenta!

—Não seria tão difícil.

—Não seria tão fácil.

—Você sabe quem eu sou?

—Um engomadinho de cabelo lambido.

—Não, lindinha. Freddie Benson, filho de Marissa Benson, dona da rede escolar da região. Eu estalo o dedo e seu filho fica sem lugar para estudar.

—Que ótimo! Eu estalo o dedo e você vai sentir o gosto do meu pulso na sua boca.

—Senhorita Puckett! Outra vez?

Francine interveio novamente, mas desta vez foi em vão.

Sam se levantou, exaltada, e puxou Leon pelo braço.

—Já entendi a parcialidade dessa “reuniãozinha”. Se esse engomadinho aí é filho dessa tal Marissa, não vai haver punição para a filhinha esfomeada dele. Não vou perder meu tempo aqui. Tenho mais o que fazer.

Assim, Sam deixou a sala.

—E aí? Foi lá na escola?

Carly, que colocava a mesa, perguntou à loira que estava encostada na bancada da cozinha teclando algo no celular.

—Fui… - Murmurou ainda com a atenção no telefone.

—E?

—E que eu vim embora.

—Por quê? Não resolveu o problema?

—Eu não. O pai da garota é um escroto. Estava me segurando para não mandar ele tomar no cú.

A morena riu.

—Mas, amiga, você não pode fazer isso.

—E por que não? Estava na cara que a garota ia se dá bem.

—Por quê?

—O pai dela é filho da dona da escola.

—Espera. Quem brigou com o Leon foi a Violet Benson?

—Você a conhece? - A loira fez uma careta.

—Claro. O pai dela é super simpático.

—Não foi o que me pareceu.

—Sério? Ele sempre vai às reuniões de pais, que, aliás, a senhorita devia ir.

Sam bufou, deixando o celular sobre a bancada, e foi na direção da geladeira a fim de apanhar uma lata de refrigerante.

—Já tivemos essa conversa, Carly. É você que dá as reuniões e eu moro com você, então se tem algo importante você pode me dizer aqui.

Carly riu da despreocupação da amiga.

—A propósito, você vai na colônia de férias, né?

—Aff, de novo isso?

—Sam, é um bom momento para você passar um tempo com o Leon.

—Eu já passo tempo o suficiente com ele, Shay.

—Não passa, não. Além do mais, todos os anos você não vai. Você tem que ver como ele fica tristinho, loira. Coitado.

Já se dando por vencida, a loira bufou.

—O que tem nessa tal colônia de férias?

—Várias coisas. Brinquedos para as crianças, piscina, cinema…

—Hum. Até agora está bem sem graça.

—Festa para os pais…

Carly riu com malícia.

—Vai cada pai solteiro, loira.

—Quem não te conhece não tem ideia do quanto você é safada.

—Não mais do que você - Carly retrucou.

—Olha, me respeita.

Gargalharam juntas. E Sam foi até o pé da escada que dava para o segundo andar da casa onde moravam juntas.

—Leon. Mia. Desçam. O jantar está na mesa.





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