Caminhos de um herói escrita por lennin foderozo


Capítulo 2
Recepção de boas vindas-parte 1


Notas iniciais do capítulo

O capitulo ficou muito grande então decidi dividir em partes, provavelmente a parte 2 será minuscula rsrs em comparação com essa, mas tomara que seja do seu agrado leitor.



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Cesar

O medo sempre foi o grande limite da humanidade. Ele não pode ser evitado, não pode ser desviado, é um controle sobre a sociedade que rege até onde seus atos podem alcançar. Laços geram sentimentos e a ameaça de perder esses sentimentos deixa qualquer um desesperado. Por mais que possa ser um fenômeno natural, ele atua como uma forma de defesa para seu corpo. Naquele dia, ou melhor, no dia que nos mudamos eu senti realmente medo, pois foi o dia em que minhas ações chegaram ao limite e como uma grande bola de neve, as consequências rolaram até se tornarem tão grandes que desabaram sobre tudo que eu conhecia.

O relógio contava cerca de 11:20 e meu filho havia saído para comprar nosso almoço em troca da minha ajuda com a arrumação. Nós havíamos acabado de se mudar para Cândida no Rio de Janeiro, e precisávamos terminar isso tudo muito rápido, porque amanhã já teríamos que cair no batente novamente. Eu realmente não sei como consigo dar conta de tudo isso. Aula na faculdade, pesquisa, filho e todo o resto. Acho que a rotina me fez tomar gosto e ate costume de toda a coisa.

— Que?? Já se passaram 10 minutos? – Olhei o relógio 3 vezes, não conseguia entender como o tempo passou tão rápido. – Ele já deve estar chegando tenho que me apressar.

Comecei a dobrar as roupas de uma forma totalmente aleatória com o único objetivo de cumprir com o combinado, mas uma coisa é fato. Eu nunca paro de me surpreender com meu filho. Digo isso, pois nunca achei que ele fosse do tipo sentimental, ele sempre ridicularizava os outros, fazia piadas e por isso tinha dificuldade em fazer amizades, aos poucos ele simplesmente se isolou. Só que essas fotos, tão protegidas e tão bem seguras, me dão muito orgulho dele.

Eram 3 fotos ao todo, uma que estava eu, a minha esposa e alguns colegas de trabalho, numa premiação pequena. Lembro-me bem desse dia, Marta, o nome da dele, estava linda. Ela tinha lindos cabelos pretos e olhos azuis que encantavam qualquer um. Passamos a noite conversando, não acreditávamos que conseguiríamos um avanço na pesquisa como conseguimos naquele dia. Eu havia acabado de terminar, e com a empolgação do momento, acabei me deixando levar. E não me arrependo nem um pouco haha...

Sabe? Ela era uma pessoa muito carinhosa, acho que foi por isso que escolhi me casar com ela, mas tinha também uns toques estranhos como escovar os dentes com os dedos que era um pouco nojento. Bem, não sei o porquê exato, mas eu gostava de quando ela fazia isso. Também me lembro dessa outra foto, o Bernardo já tinha 1 ano. Ela cuidava dele melhor que qualquer outra pessoa.

Meus olhos começaram a lagrimejar, mas meu sorriso não me deixava chorar. Esta foto, principalmente, esta. O piquenique no parque, foi a primeira vez que levamos ele ao parque. Quem me dera apenas uma vez poder voltar aquele momento. Fui tão feliz ao lado dela, apesar de nem o corpo, eu pude ter na sua última hora.

A última foto estava apenas eu e o Bernardo num congresso que fiz a uns 6 anos atrás, uma foto apenas nossa...

— É filho, eu ainda estou aqui – De repente um batido bem agudo do lado de fora da casa. Como o quarto do Bernardo era próximo a sala, pude ouvir o resmungado de alguém entrando na casa.

Logo, cuidei de deixar tudo em ordem e secar a vermelhidão em meus olhos. Me levantei e segui até a porta para receber meu filho. Mas sobre a janela de vidro embaçado germinado com a porta pude ver 3 silhuetas e nenhuma parecia com a do meu filho. Exclusivamente porque não existia nenhuma tonalidade alaranjada que destacasse nossa hereditariedade haha.

Ao abrir a porta me deparei com 2 moças e uma no portão da frente o fechando.

— Ei! Não precisa, pode deixar aberto mesmo, meu filho chega logo – Falei pra moça próxima ao portão tentando evitar qualquer esforço dela. As duas a minha frente me olharam de baixo a cima e se entre olharam com uma cara um pouco de desapontamento. Talvez, fosse minha roupa. Hm, confesso, que meu blusão do ‘bob esponja não é um porífero’ manchado com a última vez que tomei açaí, junto a minha bermuda estampada com vários coqueiros, fora minha havaiana desbotada não combinavam com seus ternos elegantes que iam de bege ao marrom. Seus cabelos tinham cortes e penteados diferentes e todas possuíam crachás e diversas folhas em suas mãos.

— Senhor, com licença, somos representantes do quadrilátero científico e soubemos que estava na cidade, um grande professor de engenharia de bioeletromecanica e achamos que poderia observar nossos últimos projetos. – Falou a mulher de cabelo solto, mas que não passava da altura dos ombros, de pele em um tom marrom claro e olhos castanhos como seu cabelo.

— Por favor, senhor... – Complementa a sua companheira da esquerda um pouco mais amarelada, mas com os mesmos cabelos castanhos e olhos mais claros que passavam sobre seus papeis talvez procurando meu nome.

— Cesar – Falei tentando poupar o tempo dela – Cesar Martins.

— Ah perdão, senhor Cesar – Ela alternava olhares entre a sua amiga e a mim, como se esperasse meu perdão. O que pareceu bastante estranho, como acontece quando alguém está esperando uma confirmação ou coisa do tipo da minha parte. Sabe? Como se quisessem aplicar um golpe em mim.

— Está tudo bem haha – Respondia com um leve sorriso. Por via das dúvidas, melhor averiguar essa situação. Nesse momento, sua terceira companheira de trabalho havia já se aproximado pedindo um aperto de mão como se quisesse adentrar em nossa conversa.

— Então, elas já contaram ao senhor? – Falou a última que apesar de pedir que não havia trancado a porta do quintal e foi exatamente isso que me deixou bastante instigado. Será que minhas suspeitas estariam certas? Aquela era a única de cabelos pretos e cacheados naquele grupo, presos sobe um único rabo de cavalo e pele como a primeira que havia me questionado.

— Sim, já contamos, estamos esperando apenas ele aceitar – Falou a do meio, aquela de cabelo solto.

— Eu vou precisar de um tempo para pensar.

— Tudo bem, a gente espera. – Falou a garota da esquerda de forma rápida.

— Ta, tudo bem. Ahn, querem entrar? – Perguntei.

— Por favor, não queremos incomodar. – Disse a da direita.

— Não se preocupa, pelo menos eu tenho uma desculpa pra não arrumar a mudança. – Falei num tom irônico tentando alguma risada. No entanto, a da esquerda despertou uma risada exageradamente forçada que me fez desconfiar ainda mais delas. Então, olhei para os seus dedos, e eles tremiam. – Ah! Droga esqueci que preciso sair agora para resolver essa questão de aluguel e essas coisas. – Você deve estar se perguntando por que eu voltei atrás, é simples. Meu filho estava chegando, era 11:35 no relógio e, não foi algo muito esperto me arriscar assim não é mesmo!?

Só que era tarde demais, ao me encaminhar para frente tentando barrar a entrada delas um objeto pontiagudo espetou meu abdome. A mulher da esquerda, pressionava-o sobre minha barriga me fazendo recuar enquanto olhava fixamente para as outras. O objeto era na verdade uma faca que não parecia muito afiada, mas a ponta era aguda formando um triangulo isósceles bem estreito. Provavelmente, a intenção era apenas perfurar.

— Vamos, entre e vasculhem tudo. – Fala ela mudando a entonação da voz para uma forma mais autoritária – Eu vejo o que posso tirar dele enquanto isso. – As outras duas entraram cômodo adentro abrindo caixas e espalhando de forma totalmente desorganizada.

— Oh! Cuidado com isso ae, pode não parecer caro, mas só quem não rouba entende o que é juntar um dinheirinho pra comprar uma roupa. – Falei um pouco debochado, admito.

— Calado! Acha que estamos de brincadeira? – Ela puxa outra faca como aquela para a mão que estava faltando.

— Desculpe, não quis ofender, vossa senhoria, mas eu ainda não entendi por que alguém do Quadrilátero científico precisaria roubar na minha casa.

— Para um professor como você até que você é bem lento. – Falou ela, agora espantando as duas de forma tão forte que fui obrigado a sentar. – Dane-se esse seu departamento, queremos os protótipos do Endoesqueleto simbiôntico!

— Que...Que? O Que você ta falando? Não faço a mínima ideia do que é esse negocio ai, não consigo nem pronunciar haha.

— Não banque o engraçadinho! – Falou ela de forma pausada mais uma vez aumentando a pressão sobre minha pele. – Eu não tenho paciência para isso, ou você fala agora onde esta o aparelho ou vou começar a te machucar!

— Entendi. Por mim tudo bem, eu posso responder sua pergunta de forma eficiente.

— O que quer dizer? Vai colaborar?

— É claro que vou! Olhe só, você não quer o protótipo?

— Vamos logo! Me diga onde está!

— Se você insiste, mas devo adiantar que vai te surpreender. – Ao terminar de falar, minha pele começou a ficar rosada, logo vermelha. Vermelha como um pimentão, elevações surgiram e um tom mais rígido e brilhante como ferro puro emanou sobre minha pele se tornando cada vez mais homogêneo como uma couraça metálica resistente. O cristalino dos meus olhos cresceu formando um campo visual cada vez mais amplo.

— Você é o protótipo!? – Seu olhar de surpresa se misturava com confusão. – Você é o ‘Tarantula’?

— Eu nunca gostei desse nome, mas foi o que me deram haha. Então, era isso que você queria não era?

— Sim, era exatamente isso que eu queria. – Ela mudou sua expressão para uma seriedade fria e até psicótica – Você estava nas docas quando meu pai fazia sua entrega de rotina no porto de Santos. Você estava nas dunas do Pará quando minha irmã mais velha perdeu contato conosco! É o momento perfeito! Vou arrancar de você minha vingança e esse protótipo maldito que me foi designado! – Sua voz aumentava o volume à medida que desferia ainda mais palavras, até que uma de suas companheiras adentra no recinto provavelmente buscando averiguar o motivo daquilo tudo. – O que está acontecendo aqui?

— Parece que sua amiga encontro o que ela queria, mas a pergunta que não quer calar. Eu devo acabar com a festa de vocês aqui dentro ou la fora?

— A festa só acontece depois que você morrer! – Ela parte pra cima de mim rodopiando as adagas entre seus dedos ate uma posição ideal de combate onde passa a desferir golpes extremamente velozes. Em 30 segundos consegui contar algo próximo de 50 investidas de uma vez só enquanto mantinha o controle perfeito de seus pés. Estava lidando com uma verdadeira assassina profissional.

— Sabe? Agora acho que me lembro do seu pai. – Falei enquanto desviava de seus golpes, admito que era bastante complicado – Mas sua irmã foi uma das únicas que conseguiu penetrar nessa armadura! Agradeço a ela por ter me ajudado a identificar esse defeito nela.

— Eu vou te matar seu bastardo! – Ela urrava de raiva enquanto seus golpes perdiam sincronia e se tornavam cada vez mais imprevisíveis.

— Assim você me ofende – Segurei um de seus braços numa de suas inúmeras tentativas de me perfurar e então usando meu pé direito, mesmo lado que estava segurando para tentar quebrar sua base. Com o outro braço consegui segurar boca empurrando-a com seu corpo ao chão e caindo consigo. Ela tentou me perfurar com o braço livre, mas nada adiantou.

Pude ver sua amiga ainda confusa, talvez fosse a primeira vez dela nesse ramo. Enquanto isso, ao chão pousei uma das mãos sobre chão e pisei no seu outro braço focando na outra. Não queria baixar a guarda de forma alguma, um erro, um pensamento precipitado e tudo podia ir por água abaixo.

— MMMhmm- urrava a garota olhando fixamente para companheira de forma desesperada e ainda furiosa.

— Calma, calma! – Falei a ‘minha inimiga número 1’. – Sua amiga está com medo, não vê? Não a pressione tanto, ninguém é obrigado a ter uma mente sádica como a sua.

Ela se debatia tentando sair daquela posição, mas era impossível. Aos poucos seus esforços diminuíam à medida que chorava de raiva. Suas veias explodiam sobre sua pele enquanto clamava para amiga lutar.

— Por que está tão desesperada? – Perguntei. – Você era uma das mais sensatas. – A outra que também atuara muito bem na entrada se mantinha paralisada com seus olhos percorrendo todo o entorno e seus braços encruzados como se buscasse uma autodefesa.

Aquilo não me parecia bom, foi então que aos poucos cogitei em tirar a mão da boca da garota caída. Aos poucos, minhas mãos suavizavam pela curiosidade. Eu precisava saber o que ela estava tentando avisar. O que estava acontecendo.

— Nós vivemos para lutar, Janine! Se não lutarmos... – Foi algo de repente, um zumbido cresceu e então tudo estava vermelho e depois amarelo. As cores dançavam enquanto destruíam tudo ao meu redor. O vento circulava meu corpo enquanto sentia queimar todo o entorno da minha pele. Era fogo. Tão quente e sufocante, esse evento catastrófico culminou em apenas eu, em meio a um mar de chamas.

O impacto daquele cataclisma me fez flutuar sobre diversos pontos, inclusive, os de pura dor. Eu estava bem no meio de uma explosão em massa que havia destruído todo a rua. Meu braço direito que segurava um dos braços daquela garota acabou quebrando com toda a situação, mas eu ainda conseguia me manter de pé. Apesar de ter bastante propriedade para pensar que seria o único a estar ali.

— Bravo! Bravo! – De longe uma voz áspera e até melódica. – Que show! Vocês nunca me decepcionam minhas queridas. – A medida que me aproximava conseguia acostumar a visão que aos poucos identificava um ser bastante diferente dos demais. Ele usava uma armadura parecida com a minha, mas não parecia externa ao seu corpo, assim como a minha. Isso quer dizer que só havia duas possibilidades, ou ele havia tido acesso a minha tecnologia ou ele seria algo muito além da ética que estive acostumado a acreditar. Um ciborgue.

— Então você gosta de explodir as coisas? – Falei tentando disfarçar o mal jeito com o braço.

— Ah, temos um sobrevivente! Que ótimo! – Falou ele se virando para mim – Achei que teria que me contentar com apenas aqueles civis que rastejavam pelo chão hahaha!

— O que!!?? Por quê??

— É simples, porque me diverte.

— Que espécie de monstro é você!

— Eu? Você que decidiu pagar uma de herói como sempre faz, esperando que tudo acontecesse como planejado! Que pena que nós já sabíamos de tudo.

— Nós? Então elas...

— Ah não, elas não sabiam de nada, eram uma equipe de patetas, nossa organização estava precisando desocupar uns postos então nada mais interessante do que unir o útil ao agradável.

Aquele cara era insano, ele falava com uma naturalidade, como se não tivesse remorso de nada do que havia feito. Como se não se culpasse. Talvez seus circuitos tivessem adentrado o cérebro e se tornado tão frio quanto uma calculadora. Não importa o que eu pensasse sobre ele, nada iria trazer todas aquelas vidas de volta. E isso, me irritava, me fazia entender os sentimentos da minha própria assassina.

As sirenes começavam a soar de longe e aos poucos, vozes se seguiam ao longe na rua. Significaria mais vidas na mão desse sociopata, não podia permitir isso. Precisava agir. Então, com uma flexão rápida nas pernas impulsionei meu corpo, que me jogou a uma velocidade razoável como um propulsor sobre o ciborgue nos jogando chamas adentro. Esse foi o único meio de afasta-lo de perto dos civis.

Nesse momento, pancadas fortes se seguiram e então senti uma pressão no meu queixo tão forte foi quando percebi que estava sendo segurado pelo pescoço. Era fato que estava totalmente atordoado e aquele movimento não havia me ajudado em muita coisa.

— Que fofo, ainda está tentando lutar! Me faz ter até gosto por você! Por isso vou te fazer sentir um pouco do que sou capaz. – falou ele com um sorriso estampado no rosto. Ele tinha cabelos loiros e olhos azuis, sua barba era grande e robusta, mas devido a proteção de seu rosto tudo se empacotava como uma lata transparente.

Uma onda de calor então emana de uma de suas mãos e então uma explosão que rimbomba sobre meus ouvidos fazendo zunir por um tempo até que pudesse recobrar os sentidos. Quando o fiz, percebi que havia sido jogado por alguns metros e cruzado toda a rua, sobre minhas costas, sangue, muito sangue.

Havia esmagado um dos bombeiros, com o impacto do ferro com suas costelas. Seu pescoço estava quebrado e seu sangue irradiava sobre sua boca. Mais uma vida jogada fora, eu precisava fazer alguma coisa. Precisava me erguer.

— Me desculpe – Falei ao cidadão morto – Irei vingar você, assim como vários outros como você que morreram nas mãos desse lunático.  É hora da situação mudar! É hora de crescer!


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Notas finais do capítulo

Quadrilátero Cientifico, ainda vai ser bem melhor abordado na obra, no entanto, deve-se entender Candida como uma cidade bastante desenvolvida fruto de uma sorte do destino. Aos poucos eu pretendo falar de forma mais detalhada, e até colocar alguns mapas da cidade no futuro, mas isso tudo vai ser tratado no decorrer da história.



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