O Edifício Genebra escrita por Kori Hime


Capítulo 2
A nova vizinha do 305


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura



Era a sexta vez naquela semana que o porteiro recebia uma reclamação dos moradores do edifício Genebra. Mas na manhã daquele domingo, o interfone não parou, deixando o porteiro aflito porque o síndico não se encontrava na cidade para ajudar a resolver aquela questão.

— Assim não dá, seu Josemar, trabalhei a semana toda e queria dormir no domingo até mais tarde. Mas olha só, oito hora da manhã e essa música alta incomodando a todos. Eu achei que esse era um prédio de família e não um baila funk. — Pelo interfone, Josemar ouvia as reclamações de Soraia, a moradora do 306. — Precisam tomar uma providência imediatamente.

— Sim senhora, pode deixar. — Josemar desligou o interfone e tentou entrar em contato com o síndico novamente. Esse, que estava de férias no Chile, não atendeu as ligações e nem visualizou as mensagens no celular. — Deve não ter sinal onde ele tá. — Concluiu o porteiro. — Jorge, fica aqui na portaria enquanto eu subo no terceiro e tento com versar com a dona do 305.

Jorge desligou o aspirador de pó, estava limpando o carpete da portaria. Em seguida ele sentou na cadeira do porteiro e sorriu animado por ter alguns minutos descansando, enquanto Josemar pegava o elevador de serviço.

No terceiro andar, ele já conhecia a ordem da numeração dos apartamentos, indo na direção do 305. Ele tocou a campainha e aguardou ser atendido. A nova vizinha havia se mudado naquela semana. Ela parecia ser uma boa pessoa, já que no dia da mudança pagou trezentos reais para Jorge e ele carregarem a geladeira e algumas caixas pesadas até o terceiro andar.

Assim que abriu a moradora porta, Josemar pediu desculpas pela hora. Ela era uma mulher baixa e tinha os cabelos bem enroladinhos, lembrava o penteado que a afilhada dele usava, dizendo que estava na moda e sempre brigando com a mãe que a forçava alisar o cabelo.

— Não me entenda mal, mas alguns moradores estão incomodados com a música alta.

— Sinto muito. — Ela falou, correndo em seguida para baixar o som. — Eu estava treinando, por isso liguei o som, só tenho essa hora para treinar os passos.

— Tá tudo bem, como é mesmo o nome da senhora?

— Por favor, não me chame de senhora. — Ela sorriu, segurando os cachos com a mão quando eles caíram sobre seu rosto. — Me chama só de Amanda.

bom, dona Amanda. — Ele moveu a cabeça, quando a porta do lado se abriu e só a cabeça moradora do 306 apareceu entre a frestinha.

— Hey, psiu, Josemar. — Ela chamou e o porteiro aproximou-se da porta. — Aproveita e manda ela baixar o volume da televisão a noite, porque eu não consigo nem ouvir direito a novela. Acho um desrespeito com as pessoas que pagam o condomínio, deveria ser proibido alugar os apartamentos para qualquer um.

— O que a senhora disse? — Amanda perguntou, escancarando a porta e saindo do corredor. — Eu não sou qualquer um, eu tenho nome e mereço ser respeitada. pagando o mesmo condomínio que todo mundo aqui que eu saiba.

— Mas não respeita nem a hora de descanso das pessoas. — Soraia abriu a porta também e se revelou por completo. Usava um roupão felpudo cor de rosa e calçava chinelo de dedo com uma flor exagerada na ponta. Ela tinha os cabelos enrolados em pequenos anéis de bobe e presos com grampos.

— Eu já pedi desculpas pro seu Josemar, ele veio com toda educação aqui me avisar. Não custa nada a senhora também ser educada comigo.

— Não tenho que ser educada com gente sem noção não. Eu moro aqui já tem mais de trinta anos e nunca tive que passar por esse tipo de situação porque antigamente os moradores desse prédio tinha mais cacife.

— Calma, dona Soraia, não precisa gritar. — Josemar estava entre as duas mulheres, prevendo que aquela discussão seria complicada de resolver. — A gente pode resolver isso conversando.

— Sinto muito, seu Josemar. — Amanda retornou para seu apartamento. — Não vou ficar no corredor batendo boca com velha fofoqueira. — Depois disso ela fechou a porta com força.

Josemar ainda teve que ficar lá ouvindo as reclamações de Soraia que, sem se despedir, fechou a porta na cara dele.

— O que tá acontecendo aí? — Perguntou Rodrigo, neto da moradora do 306. — Minha avó já está brigando de novo?

Rodrigo veio de Maricá há um ano para morar com a avó. Ele estudava direito em uma universidade ali perto, por isso decidiu viver com ela, para economizar o aluguel e passagem.

Estava carregando um mochila e seus tênis pareciam sujos de areia, provavelmente passou a noite toda na praia se divertindo.

— É, mas ela não tem culpa dessa vez, pelo menos não toda a culpa. — Josemar contou tudo o que aconteceu para Rodrigo.

— Entendi, eu vou falar com a vizinha e pedir desculpas. — Ele falou, tocando a campainha do 305. O porteiro não sabia se ficava ali para resolver algum possível desentendimento, ou se retornava para a portaria.

— O que foi agora? — Amanda perguntou de forma rude. — Eu não estou fazendo mais nenhum barulho.

— Não é isso. — Rodrigo disse. — Eu só vim pedir desculpas pelo o que minha vó falou para você.

Amanda o olhou de cima a baixo e cruzou os braços.

— É normal as pessoas desse prédio serem grossas?

— Não, mas as vezes a gente se desentende. — Rodrigo enfiou a mão no bolso da calça e tirou o molho de chaves lá de dentro. — Você se acostuma com o tempo, se continuar morando aqui.

Amanda parecia desconfiada, mas depois relaxou, descruzando os braços.

— Meu nome e Amanda, quer beber alguma coisa? Acabei de fazer café.

— Pode ser. — Ele respondeu e entrou no apartamento, pedindo licença e tirando os sapatos dizendo que não queria que o chão sujasse de areia. — Obrigado, Josemar.

— De nada, seu Rodrigo. — Josemar viu a porta se fechar e depois pensou que as coisas no edifício Genebra estavam longe de serem tranquilas no terceiro andar.

Ele olhou no celular e viu uma mensagem do síndico.

“Pode resolver isso? Confio em você.”



Notas finais do capítulo

Comentário? Yey
Até o próximo



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