Senhor Katsuki, Nosso Tutor escrita por Haruyuki


Capítulo 4
Capítulo 4




Os dias se passam lentamente. Para as crianças, há a escola, as tarefas de casa e os afazeres. No caso de Victor, ainda há o trabalho de meio período dele na arena de gelo da família Nishigori, no bairro de Hasetsu. Para Lorde Feltsman, há seu trabalho, os preparativos para seu casamento e o estresse causado por tudo o que está acontecendo com ele. Senhor Katsuki assume boa parte dos afazeres que antes eram realizados por Madame Baranoskaya, além de seu trabalho como tutor e guardião das crianças. Parecia que tudo estava em paz no castelo, mas bastava um grito de Georgi pelos corredores para a ilusão se espatifar.

“ANYAAAAAAAAA!!!”

“O que está acontecendo aqui?” Senhor Katsuki diz, se aproximando de Mila, Victor e Yuri.

“A ex-namorada dele postou fotos no Instagram com um outro namorado.” A menina de cabelos ruivos responde, soltando um longo suspiro.

“Maldita…” Yuri diz cuspindo um dente logo em seguida. “Me desculpem, Senhor Katsuki, mas ela merece.”

“Por quê?” O Tutor pergunta, surpreso.

“Ela fez com que Georgi a visse beijando outro cara e ainda o humilhou em público.” Victor responde, olhando para o tutor friamente.

“Hmm.” Senhor Katsuki cruza os braços e ergue a mão direita, tocando com seus dedos no queixo e bochecha em reflexão. “Essa situação no momento é perfeita para a próxima lição.”

“O que?!” Os três irmãos exclamam ao mesmo tempo.

“Lição número 3: Aprender a escutar uns os outros, vai ser iniciada agora.” Senhor Katsuki declara, com um sorriso no rosto.

“Você está dizendo que deveríamos escutar ele chorando o tempo inteiro?” Yuri pergunta, franzindo a festa.

“Bom trabalho em perceber isso, mas essa lição também precisa da participação de Jovem Mestre Georgi, que deve aprender a escutar o que vocês desejam conversar com ele.” O tutor diz, inclinando o rosto para eles. “Acredito que o elo entre vocês quatro fará essa lição ser a mais fácil, mas isso é porque não é só vocês quatro que devem completar ela.”

“Papai.” Mila o olha seriamente. “O Senhor quer fazer Papai nos escutar.”

“Correto.”

“E quanto ao Senhor?” Victor pergunta, fazendo o tutor o olhar. “Por que o senhor não participa de suas lições?”

“Eu sou apenas um tutor nesse momento. Meu trabalho principal é ensinar a vocês quatro. Apenas isso.” Senhor Katsuki olha para a porta do quarto de Georgi, que está fechada. “Talvez eu dê uma passada na casa dessa moça e ter uma pequena conversa com ela.

Isso os surpreende. O tutor se afasta, indo cuidar da janta e os deixando ali para refletir um pouco.”

“Ele pode dizer que é apenas um tutor, mas ele se importa muito conosco.” Mila diz, emocionada.

“Pois é.” Victor cruza os braços, se perguntando se deveria tomar uma decisão séria como essa, mesmo que acabe significando causar problemas para o tutor.

“Ei, que tal se nos fossemos dormir no quarto de Georgi essa noite? Assim dá para fazer Georgi se abrir conosco sobre o que aconteceu com aqueka maldita.” Mila diz, olhando para o irmão mais velho.

“Boa idéia.” Yuri diz, afirmando a cabeça.

“É uma idéia maravilhosa. O que acha de pedir ao senhor Katsuki preparar chá e biscoitos para nós?” Victor pergunta para Mila, que afirma com a cabeça animadamente.

“Perfeito. Eu avisarei ao Senhor Katsuki sobre isso e logo retornarei para me juntar a vocês.” Ela abre um largo sorriso, bastante animada.

Também animados com a idéia, os dois rapazes e ela se afastam para dar início.

“Senhor Katsuki.” Mila diz, entrando na cozinha e vendo o tutor cozinhando algo que está cheirando muito bom.

“Sim, Jovem Dama?” Ele pergunta, não tirando os olhos das panelas.

“Eu, Victor e Yuri decidimos passar a noite no quarto de Georgi. Poderia preparar algo pra gente lanchar?” A menina de cabelos ruivos pede, o fazendo olhar para ela com um sorriso no rosto.

“É claro! Com o maior prazer.”

~x~

“O que está havendo aqui?” Lorde Yakov Feltsman pergunta ao ver seus filhos entrarem no mesmo quarto usando pijamas.

“Algum problema, Meu Lorde?” Senhor Katsuki pergunta, carregando uma bandeja com xícaras, um bule com chá de camomila, pratos, talheres, geleia e biscoitos de leite.

“O que pensa que está fazendo?” O lorde pergunta, agarrando a bandeja e a puxando para si.

“Lorde Feltsman!” Senhor Katsuki exclama, surpreso. “Isso é para as crianças!”

Imediatamente os quatro surgem, surpresos com os gritos do tutor, que acaba soltando a bandeja quando o pai deles a puxa com mais força, fazendo tudo se espatifar no chão.

“Meu deus!” Mila exclama, assustada.

“Por que você fez isso, Papai?” Victor pergunta, olhando para ele com raiva.

“Eu é que pergunto por que diabos vocês estão em um quarto só!! Principalmente você, Mila! Você é uma dama, pelo amor de Deus!” O Lorde grita, ignorando completamente o tutor, que se abaixa para recolher as coisas do chão.

Yuri e Victor se aproximam dele e o ajudam a recolher os pedaços das louças quebradas e a comida desperdiçada.

“Eu posso ser uma dama, mas antes disso eu sou a irmã deles. Se um de meus irmãos está precisando de ajuda, eu farei tudo o que puder por eles, porque nós somos uma família. Algo que o senhor abandonou depois da morte de nossa mãe...” Mila se interrompe ao ver o seu pai erguer a mão para ela e fecha os olhos em reflexo, apavorada.

Quando ela escuta o barulho de um tapa ser dado e não sente nenhuma dor, ela abre os olhos confusa e observa que logo na frente dela está as costas do tutor, que está com o rosto inclinado para baixo. Ela se assusta ao perceber que foi ele quem recebeu o tapa por ela.

“Estou muito desapontado com o senhor, Lorde Feltsman. O senhor pode ser o pai dessas crianças, mas isso não lhe dá o direito de levantar a mão para elas, principalmente quando eles estão falando para o senhor algo muito importante.” Senhor Katsuki diz, friamente. “Desde o início, o senhor tem sido um pai ausente, que acha que pode comprar o amor de seus filhos com bens materiais e os deixando nas mãos dos outros. Devo lhe perguntar sobre os aniversários deles novamente?”

Lorde Yakov Feltsman fica cada vez mais furioso com ele, para o medo das crianças.

“Você é apenas um tutor de merda!! Como ousa questionar minha autoridade dentro de minha própria casa?! Faça suas malas e saia já de meu castelo!!” Ele exclama, para o pavor de seus quatro filhos.

O tutor o olha com surpresa, claramente não esperando esse tipo de atitude. Ele morde o lábio e abaixa o rosto, mas Victor acaba escutando um soluço abafado. Ele… está chorando?

“Se o Senhor Katsuki for embora, eu vou com ele.” Yuri diz, se colocando ao lado do tutor.

“Eu quero ficar com o Senhor Katsuki. Se ele for, eu vou também.” Mila diz, se agachando do outro lado e abraçando o tutor, sorrindo para ele.

“Eu gosto do Senhor Katsuki.” Georgi diz, se aproximando do tutor e olhando para seu pai. “Ele é o único que não me julga por ser diferente.”

“Bem, se meus irmãos querem ficar com ele, eu vou junto, afinal tenho a responsabilidade de cuidar deles como o irmão mais velho.” Victor diz para o pai com um sorriso no rosto, mas que se desfaz ao perceber o tutor o olhar com tristeza.

Mas antes que alguém pudesse fazer alguma coisa, um grande uivo assusta a quase todos, exceto o tutor. De repente, as luzes do castelo se apagam e diversos rangidos altos começam a ecoar pelos corredores.

“O… o que está acontecendo?” Lorde Feltsman pergunta, apavorado.

“O castelo está chorando.” O tutor diz, se erguendo e se aproximando da parede, a tocando delicadamente. “Este castelo funciona por causa do amor. Amor incondicional, que deveria ser o pilar de qualquer família. Amor que seus quatro filhos tem um pelo outro e pelo senhor. Amor que Madame Baranoskaya tem por eles e por este castelo, quando ela dava o melhor de si ao zelar por eles. Amor que eu tenho pelos seus filhos, e que o senhor se esqueceu. Sem amor, esse castelo ira de despedaçar completamente.”

“Como você sabe disso?” Victor pergunta, surpreso com o que escuta.

“Este castelo, como eu, é uma entidade mágica. Ele tem vontade própria. Vida própria. Basta que haja amor o suficiente para dar vida a ele.” Senhor Katsuki, ao mesmo tempo que o castelo solta um rangido alto. “E claro. Me use.”

Ele então encosta a testa na parede. Misteriosamente, os rangidos diminuem de intensidade e o tutor dá dois passos para trás se afastando. Ele tropeça, quase caindo se não fosse por Victor, que o segura pelos braços. O rapaz percebe que o rosto de seu tutor está pálido e os olhos dele estão diferentes. Ao invés do gentil castanho escuro, eles estão acidentados. Frios.

Estou muito desapontado com você, Yasha.” Senhor Katsuki diz, mas com uma voz que não pertence a ele.

Uma voz que apenas Victor e seu pai reconhecem.

“Vovô?” O rapaz de cabelos prateados pergunta, ainda segurando o tutor, que o olha com carinho.

Vitya. Como você cresceu. Você também, Gosha. Miluska, Yurachka.” Ele diz, se afastando das mãos de Victor e tocando nos rostos das 3 crianças.

“Você… não pode ser…” Lorde Feltsman gagueja, apavorado.

Este castelo tem passado de geração em geração entre os homens da família Feltsman e como este homem aqui vos disse, ele funciona pelo amor que seus habitantes têm por sua família e por este local. Quanto mais amor é dedicado, mais o castelo vive. Mas… de uns anos para cá, outros sentimentos como tristeza, incerteza, raiva, estresse, solidão, dor e medo passaram a sufocar o amor que ainda existe nesta família, e isso está fazendo o castelo cair aos pedaços.

“Espera um pouco… nós vamos perder nossa casa?” Yuri pergunta, de olhos arregalados.

Não. Porque o tutor de vocês os ama incondicionalmente a ponto de não só ensinar vocês a se amarem com as lições que ele lhes passa como também se sacrificando para garantir a felicidade de vocês.

“Como assim...?” Victor começa a perguntar, mas acaba sendo interrompido por seu pai.

“Isso é impossível! Eu não acredito que você realmente seja…”

Zoloste, o gato alaranjado.” Senhor Katsuki olha para Lorde Feltsman, que arregala os olhos.

“O… Otets?” Ele pergunta, rouco.

Quanto tempo, meu filho.

“Isso não pode ser verdade. O senhor… o senhor está morto!”

Meu corpo está morto, mas meu espírito ainda ama você e meus netos. Meu amor é o que mantém este castelo firme, junto com o amor de meu pai, do pai dele, e assim por diante. Todos que assumiram a posição de dono do castelo se tornaram parte da estrutura principal do castelo. Por causa do amor.” Senhor Katsuki o olha com um sorriso no rosto.

“O… o que devo fazer?” Lorde Feltsman pergunta, derramando uma lágrima.

“Você pode começar nos escutando.” Georgi diz, olhando para seu pai seriamente. “Ao invés de escutar o que outras pessoas dizem sobre nós e nos julgar baseado nisso.”

Correto.” O tutor diz, voltando a ficar sério. “Você pode começar prestando mais atenção no que deveria ser mais importante para você, Yasha.

“Agradeça e peça desculpas.” Yuri diz, abraçando o tutor pela cintura.

“Nos ajude, e nós o ajudaremos.” Mila diz, abraçando o tutor novamente.

Ame e seja amado.” O tutor diz, tocando nos ombros dos dois e olhando para Victor, que o olha com surpresa. “Todo o resto não passa de obstáculos que vocês podem enfrentar, juntos.

De repente, o tutor fecha os olhos, e se não fosse por Mila e Yuri, ele teria caído no chão.

“Senhor Katsuki!” Victor, Yuri, Georgi e Mila gritam, assustados ao perceber que ele não acorda.

Lorde Felstman imediatamente o examina, o tocando no pulso e solta um longo suspiro.

“Ele só está desmaiado. Eu o levarei para o quarto dele.” O pegando nos braços, o Lorde se assusta ao perceber o quanto ele é leve.

O castelo continua a rangir, como se lamentasse o estado de saúde do tutor. As quatro crianças, preocupadas com o tutor, acompanham seu pai em silêncio, até que Mila abre a porta e os 5 se surpreendem ao ver o interior do quarto.

Quando Lorde Feltsman deita o tutor ao lado da cama, o cachorrinho que ele achava que era pelúcia abre os olhos e se coloca de pé, se aproximando dele por cima da cama.

“Que fofura!” Victor exclama, recebendo uma cotovelada de Mila.

“Gente? Por que não passamos a noite aqui?” Yuri pergunta, admirando o quarto.

“Eu acho uma boa idéia. Eu me sinto bem aqui.” Mila afirma com a cabeça.

“Papai, eu sei que deve ser um choque para o senhor, mas o que pretende fazer?” Georgi pergunta, enquanto Victor se aproxima da escrivaninha e vê as fotos ali expostas.

“O senhor deveria pedir desculpas ao Senhor Katsuki, afinal vocês dois vão se casar em breve.” Yuri diz, olhando para o pai friamente.

“Eu sei. É um choque sim. E eu tenho muito o que refletir sobre o que está acontecendo. Mas eu também quero pedir desculpas a ele e a vocês. Eu posso…. Eu posso me juntar a vocês?”

“Por favor. Nós escute.” Mila pede, olhando para o tutor com um sorriso triste no rosto.

“Vamos pegar nossas coisas e trazer para cá.” Georgia fiz, abrindo um sorriso também.

“Eu vou limpar a sujeira que causei e trazer mais chá e biscoitos.” Lorde Feltsman diz, sorrindo para os filhos.

Victor, que observa o retrato de um casal, uma garota e um menino, solta um suspiro.

Ele escuta um latido e percebe o cachorrinho arranhar a porta do armário. Ele abre e se surpreende ao ver colchões dobrados ali. Como foi que…?

Ele observa o poodle voltar para a cama e se aproximar do rosto do tutor, lambendo o rosto dele na altura dos olhos. Victor se aproxima, surpreso ao ver ele chorando e quando quando percebe, está sentado na cama e tocando nas bochechas dele. O que está havendo com ele?

~x~

Quando Mila, Georgi e Yuri retornam, se surpreendem ao ver Victor estendendo colchões no meio do quarto.

“Olhem o que eu encontrei, graças ao cachorrinho!” Ele diz, sorrindo.

“Oh, graças a Deus! Eu achava que a gente ia dormir no chão mesmo.” Mila diz, se ajoelhando e colocando seu lençol e travesseiro em cima.

Lorde Feltsman surge, carregando com dificuldade a bandeja que senhor Katsuki carregava antes e a coloca no chão, perto de seus filhos. Ele se senta na poltrona, observando em silêncio seus filhos conversando animadamente no início sobre coisas mundanas. E então, ele descobre como a garota chamada Anya terminou o namoro dela com seu filho, como também que foi o outro namorado quem roubou o aparelho celular, postou as fotos dela e culpou Mila e Yuri, que sua filha Mila sofre bullying na escola por ser diferente das outras garotas, que seu filho mais novo se sentia tão sozinho sem a presença do pai que se tentou ser um delinquente apenas por isso, e Victor… Seu filho mais velho que teve de amadurecer muito cedo para poder tomar conta dos irmãos mais novos no lugar dele.

“É por isso que você se encontra com aquele rapaz, o tal de Giacometti ?” Ele pergunta, olhando seriamente para o filho mais velho.

“Eu estou namorando ele, pai.” Victor diz, seriamente. “E ele me ajuda toda a vez que eu preciso desabafar e relaxar, afinal eu tenho que tolerar a escola, meu trabalho e responsabilidades que me foram jogadas nas minhas costas.”

“Outras pessoas são rápidas em nós julgar sem saber da verdade. Mas de que adianta lutar pela verdade se nem nosso pai se preocupava conosco?” Georgi comenta, tocando no ombro de Victor.

“Me perdoem, meus filhos. Eu fui um homem tolo em não perceber o quanto estava machucando vocês com a minha negligência.” Lorde Yakov diz, abrindo os braços.

Os quatro se aproximam dele e o abraçam, emocionados. Na cama, com um sorriso no rosto, brilho nos olhos e uma aparência ainda mais jovem, Senhor Katsuki observa a cena.

“Lição número 3:” Ele diz, fazendo os 5 os olhar com surpresa. “Aprender a escutar uns ao outros, foi concluída com sucesso.”

Yuri, Mila e Georgi vão até o tutor, que ri ao ser abraçado por eles. Victor no entanto fica chocado ao perceber a aparência jovem e divinamente bonita dele e que ninguém mais comenta sobre isso.

“Senhor Katsuki.” O pai dele diz, o despertando de seu transe. “Por favor, me perdoe pelo como como tratei o senhor. Eu me deixei levar pelo estresse do meu trabalho e pelos preparativos de nosso casamento e acabei descontando em você e em meus filhos.”

“Eu o perdôo, Meu Lorde.” Senhor Katsuki diz, o fazendo soltar um longo suspiro, aliviado. “Agora, como está ficando bastante tarde, está na hora de dormir.”

“Senhor Katsuki?” Yuri pergunta, ficando com o rosto corado. “Poderia nos contar uma história?”

“Muito bem.” Ele diz, sorrindo para o menino, que pula de alegria e vai se deitar no colchão, sendo seguido pelos outros irmãos. “Era uma vez…”





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