1 quente e 2 fervendo! escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
Chá?




A manhã trazia consigo os raios que iluminavam a cama zoneada. Sequer poderia dizer que ontem mesmo havia arrumado todo o quarto, claro, à moda dele, mas arrumado!

Conseguia sentir o corpo fatigado, mas aquela boa, a preguicinha matinal que o forçava a se espreguiçar completamente alheio à todo o restante, que não alongar adequadamente seus músculos, quase caindo da cama king-size. Praguejando pela falta de equilíbrio que o forçou a esticar a mão e tocar o chão. Sua vontade era qual? Isso, permanecer deitado ali, o rosto afundando cada vez mais naquele travesseiro macio, que não era o seu, mas o cheiro muito lhe agradava.

Teria permanecido naquela posição, naquela preguicinha matinal por muito mais tempo… teria, se não fosse por Shino saindo do banho, enrolado em nada mais que um roupão felpudo e branco, caminhando em sua direção com os cabelos ainda úmidos, e sem o óculos de sol, que lhe era costumeiro. Teria permanecido naquela preguiça, se Shino não tivesse se inclinado e beijado suas costas. Maldito!

—  Ohayō! —  a voz sussurrada ao pé do ouvido eriçou Kiba, fazendo-o sorrir enquanto lembrava-se da noite passada, uma muito bem aproveitada pelo casal, diga-se de passagem!

—  Ohayō…  — sua resposta fora muito mais arrastada que o ‘bom dia’ de Shino, muito mais enfático em sua felicidade ao sentir o beijo em suas costas. O arrepio era prova disso, e como era!

“Infelizmente” o tesão que sentia também, e o ‘infelizmente’ era porque não poderiam aproveitar a manhã, não como eram acostumados a fazer, com um delicioso sexo no banho, não quando os sons de risinho já invadiam o corredor que levava ao quarto deles, não quando a espevitada pulou ao abrir a porta com um dentinho faltando e dizendo: “Surpresa!”, que saiu muito mais arrastado, e era culpa do dentinho que faltava!

Aos olhos dos pais babões, era aquela a coisinha mais linda de suas vidas. Se bem que aos olhos do tio babão (Naruto), Sayuri era também a coisa mais linda. E talvez seja daí que a história devesse começar, onde se explica o: 1 quente e 2 fervendo!





Bem que a mãe de Kiba dizia: filhos são uma benção, mas também deixam os pais sem tempo. Kiba passava isso na pele. Sayuri era a coisa mais preciosa de sua vida, e isso aconteceu no momento que a viu pela primeira vez, aquela coisinha pequenina naquela mantinha, tão enrolada que mais parecia um pergaminho. A pequenina passou a ser outra luz em sua vida, Shino, seu parceiro, também era. Foi com felicidade que o casal por fim adotou a órfã, prometendo dar à ela uma vida boa, sem deixar nada lhe faltar, e por isso Kiba estava na cozinha de sua casa, com a filhotinha nos braços, quase pulando de um lado ao outro, enquanto esperava o leite esquentar para entregar à ela como desjejum. Aqueles olhinhos fechados, a boquinha entreaberta que lhe babava toda a blusa. Mais parecia ele quando dormia no peito de Shino, e olha que nem os genes eram compartilhados! Shino havia saído cedo, e ficou à encargo de Kiba cuidar de tudo. Claro, Shino havia deixado um ou outro bentō na geladeira.

Não era preciso muito para agradar o refinado gosto culinário de Sayuri, em seus belíssimos 3 anos, a pequena comia o que visse na frente, infelizmente pecinhas pequenas e coisas perigosas também. Era sempre uma correria sem fim quando Kiba via que ela colocaria algo na boca, algo que definitivamente não deveria ser comido, como moedas, botões, o que desse sopa!

Agora por exemplo, tão cansado já estava, que continuava a se balançar, como se ninasse uma criança que dormia tranquila no sofá. Parou apenas quando ouviu o barulho de batidas na porta, deparando-se com Naruto que ria espalhafatoso, e tão logo levava um beliscão para ficar quieto, já que Sayuri só pregou o olho pela manhã.

—  Ei, espera aí, não precisa descontar a frustração em mim.

—  Frustração? Não vou nada, eu tô tentando não cochilar, mas quando o Shino chega eu tô morto, cara. E não dá pra… cê sabe.

Naruto riu de novo, e mais uma vez viu em Kiba uma cópia quase fiel de Tsume, o que o fez rir ainda mais e contar ao amigo, levando Kiba a acompanhá-lo na gargalhada.

—  Sabe como é, quando seu corpo tá fervendo, o corpo do outro tá fervendo… —  Kiba comentava enquanto servia chá para ele e Naruto. — Dois fervendo!

—  Chá? —  a voz suave chamou a atenção de Kiba, que tossiu engasgando-se com o chá quente.

Claro que Sayuri pensou que Kiba referia-se ao chá, por isso encenou da melhor forma, como se indicasse que o chá havia lhe queimado a língua.

—  Sim, querida. O chá. Um quente, —  pegou uma canequinha de plástico, entregando à ela um chá apenas morninho, sabendo que ela apreciaria o sabor adoçado com mel. —  e dois fervendo! — concluiu, não ao pensar no chá que ele e Naruto bebiam, e sim na ebulição de seu corpo que queria tirar o atraso.

—  Vocês não…?

—  Quase duas semanas.

Silêncio. Ao menos seria, mas a pequenina cantarolava algo que havia visto outro dia na televisão. Bailava também o pequeno corpinho, segurando-se à pelúcia que Shino havia apanhado para ela nas “grandes garras”, como costumava chamar a máquina de pelúcias do shopping que a pequena família costumava frequentar.

Naruto brincava com a pequenina, tinha um carinho enorme por ela, por isso fora escolhido como um padrinho para a pequena Inuzuka-Aburame. Kiba aproveitou-se do momento para se banhar, para ao menos colocar as roupas na máquina e torcer para lembrar de estendê-las depois. Sayuri passava por uns dias complicados, pequenas cólicas intestinais, coisas que eram corriqueiras, mas que alarmava Kiba e seus instintos como pai.

O amigo se ofereceu para servir de babá, ao menos até às 23h, já que segundo ele, tinha um compromisso inadiável com o namorado que enfim voltaria da viagem de negócios. E compromisso inadiável nada mais era do que uma noitada de puro sexo. O que Kiba queria também, com todas as forças. Por isso topou. Fez sua melhor cara de animado, contou os planos para Naruto, enquanto colocava numa pequena bolsa algumas coisas que seriam de uso indispensável para a garotinha. Entregou à Naruto, afirmando que quando Shino chegasse em casa, seria surpreendido por um banquete, no qual Kiba seria entrada, prato principal, sobremesa e se possível o chá após a refeição.

Nada disso aconteceu. Assim que Naruto virou as costas e a porta do apartamento se fechou, Kiba capotou de sono e cansaço no sofá. E nem chegava às 11 da manhã.

Acordou num susto quando ouviu a porta se fechar, dando de cara com Shino, e sua feição curiosa sobre o porquê dele estar dormindo na sala. À segunda instância, olhou ao redor, buscando por bracinhos pequenos que sempre envolviam suas pernas ao chegar em casa, mas não obteve nada. E então tornou a olhar para Kiba, esperando pela resposta que sequer havia proferido.

—  Naruto está de babá hoje, até às 23h. Depois disso ele vai ficar de babá de outra pessoa —  riu, afinal nunca perdia a chance de implicar com Uchiha Sasuke, mesmo que ele não estivesse por perto —  Sabe o que isso significa?

—  Que você dormiu de cedo até às —  parou aferindo antes o horário em seu relógio de pulso —  16h da tarde.

—  Caralho! —  Kiba levantou tão, mas tão depressa. Que chega tonteou a visão e precisou se segurar em Shino para não tombar à frente e cair estatelado no carpete macio. —  Eu tinha tantos planos! — resmungou recordando-se que em outros tempos ele seguia com cada plano, bem, às vezes tirava um cochilo, mas não tão demorado quanto aquele! De pensar na quizumba que Naruto arrumaria se soubesse que desperdiçou tempo dormindo! —  Tinha muitos planos pra nós, mas… dormi!

Indignado, no mínimo Kiba estava indignado! Por isso agora andava de um lado ao outro, enquanto via Shino deixar a pasta ao canto do sofá, aproximar-se dele pelas costas e envolvê-lo em com seus braços, depositando um ou muitos beijos na nuca de Kiba, a fim de acalmá-lo.

—  Se você já dormiu, significa que… está disposto, não?

Ah sim, céus! Ele estava mais que disposto! O sorriso ladino foi confirmação mais que escrachada disso. O salto no colo de Shino também, mas ambos foram muito bem recebidos pelo Aburame, que logo tratou de envolver os braços à cintura de Kiba, fornecendo-lhe maior sustento, enquanto já deixava que seus lábios chupassem e mordessem o pescoço bronzeado de Kiba.

Ele não cobrava, longe disso. Mas claramente sentia falta do corpo do parceiro, da forma como o corpo parecia ferver com seus toques, e naquele banho gelado, eles notaram que juntos deixavam tudo em chamas.

A cama, bem, recebeu ambos os corpos úmidos, entrelaçados de pernas e braços, enquanto pareciam querer fundir o corpo, ou provar à ciência que dois corpos podiam sim ocupar o mesmo lugar, ao menos parcialmente.

Eram os gemidos de Kiba que faziam com que Shino se descontrolasse um pouquinho, que faziam com que o tão contido Aburame o puxasse pelos cabelos enquanto deixava-o de quatro, para melhor aproveitar o momento de sentir-se abrigado naquele interior quente…

Parecia mais que tentavam recuperar o tempo perdido de duas semanas em menos de 7 horas! Era suor, era desejo, mordidas, tapas que deixariam marcas na bunda de Kiba, mas ele não reclamava de nenhuma, pelo contrário, os sons eram muito explícitos, não deixando dúvidas quanto ao gostar de tudo aquilo.

Foi assim, uma forma de extravasar o tesão,  e não temer que a qualquer momento uma criança os chamasse. Não era uma rapidinha no banho, era sexo com todas as letras, todas do alfabeto!

Sorte deles que Shino havia deixado os bentō na geladeira, assim teriam o que comer. E Kiba estava varado de fome depois de tudo aquilo!

 

Quando Naruto chegou, pouco antes das onze da noite, tendo ligado antes para aferir antes de levar uma criança para um “antro” de perdição, deixou a pequenina já dormindo, agarrada à pelúcia, que era sua preferida, sem dúvidas. Saiu dizendo que depois contava as peripécias que ela havia feito em sua casa, como pintar com canetinha a foto de Sasuke que Naruto tinha ao lado da mesa de trabalho em casa, desenhando ali um bigode torto e um tapa olho. A criança tinha o espírito livre do Kiba.





E então deve se perguntar sobre a treta, bem, ela ocorreu pela manhã, quando a pequenina despertou de vez e perguntou à Shino sobre o que era 1 quente e dois fervendo, e Shino soube que coisa boba não era, quando o marido se engasgou com o chá, cuspindo-o em seu jornal. A treta seria explicar à Shino que por meio de sinais, comunicava-se com Naruto sobre a falta de sexo do casal, e isso sim daria pano pra manga. Então, como de praxe adotou a postura mais esperada de um homem adulto, casado e parte de uma família: bateu no braço de Shino, pegou a criança e correu dizendo:

—  Tá com você, vem nos pegar!

 

Os dias naquela casa nunca mais foram os mesmo, e sempre que Sayuri via-os com chá, fazia questão de perguntar.





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