Someone You Loved escrita por Valdie Black


Capítulo 1
Someone You Loved


Notas iniciais do capítulo

N/A: Essa songfic foi um pedido do André Tornado. Fiquei com medo de fazer porque a songfic dele foi tão boa que a minha ia ser uma porcaria em comparação mas eu tentei. Deixei a fanfic dele nas notas finais pra vocês verem como ela é bem melhor. 

Bem, é uma fanfic de Universo Alternativo e a música é "Someone You Loved" do Lewis Capaldi (sim, eles são parentes) que acabou virando o hino Whouffaldi. 

Ela não teve um final feliz porque a música não permitiu mas mesmo assim eu gostei do final e espero que vocês gostem também.



Tomou os comprimidos que guardava na cabeceira da cama. Gostava de tomar vários de uma vez só porque dormia mais rápido assim. O Doutor não confessava isso a ninguém, mas na verdade ele nutria a esperança de que qualquer dia desses não acordaria mais. Tinha esses pensamentos mórbidos de vez em quando pois já perdera tanto na vida que não via razão para existir.

Olhou para o lado vazio da sua cama como tinha o hábito de fazer e sentiu raiva. Tinha raiva de si, dela, das pessoas, da música e de todo o resto. Dizia a todos que queria que se explodissem, mas no seu íntimo ele sabia que só queria tê-la de volta.

Eu estou afundando e dessa vez temo que não há ninguém para me salvar.
Esse tudo ou nada realmente conseguiu me enlouquecer.
Eu preciso de alguém para curar
Alguém para conhecer
Alguém para ter
Alguém para segurar
É fácil dizer
Mas nunca é a mesma coisa
Acho que eu gostava de como você amortecia a dor.

Ele acordaria de tarde, como sempre, e teria que lidar com os mil e um telefonemas que receberia de pessoas mandando-o ir trabalhar. Fodam-se. Ele já tinha trabalhado o bastante. Sabia que a música nova tocaria na rádio pela primeira vez mas não se importava. Quantas vezes já não ouvira suas músicas na rádio? Pelo menos antigamente havia a dignidade de ouvir a própria voz, mas agora as gravadoras o achavam um velho acabado e ele era obrigado a ouvir outra pessoa cantando suas letras. O Doutor nunca sabia para quem iam entregar suas canções, nem mesmo essa decisão era dele.

Agora o dia sangra
Virando a noite
E você não está aqui
Para me ajudar a passar por tudo
Eu baixei a guarda
E você puxou o tapete
Eu estava me acostumando a ser alguém que você amava.

Nem todos os remédios do mundo o faziam esquecer dela – e bem que ele gostaria de esquecê-la. Uma mocinha infernal de saias curtas que se achava no direito de mudar a vida dele completamente e depois deixá-lo. Mas não era sua culpa. Afinal de contas, ele era um ex-roqueiro fracassado e ela uma jovem cheia de futuro. Seu agente deve ter lhe dito que aquilo acabaria com a sua carreira, e tinha razão. Mas nem por isso o Doutor sentia menos raiva. Queria desesperadamente ficar com ela.

Eu estou afundando e dessa vez temo que não haja ninguém para quem me voltar.
Esse modo tudo ou nada de amar me deixou dormindo sem você.
Agora eu preciso de alguém para conhecer
Alguém para curar
Alguém para ter
Só para saber qual é a sensação.
É fácil dizer mas nunca é a mesma coisa
Acho que eu gostava de como você me ajudava a escapar.

É lógico que pensara nela quando escreveu a droga daquela música, não conseguia pensar em outra coisa. Clara Oswald era o seu nome de batismo, mas o nome artístico era só “Oswin”. Ele comentou o quanto aquele nome era ridículo quando se conheceram e ela rebateu dizendo que “Doutor” também não era muito apropriado para alguém que nem tinha terminado a faculdade. Ele riu da ousadia da garota, uma coisa era seus colegas o chamarem de estúpido e outra era uma moça que tinha metade da idade dele e recém-chegada naquela indústria chamá-lo de estúpido. Então obviamente o Doutor gostou dela.

Mal sabia ele o que o aguardava.

Agora o dia sangra
Virando noite
E você não está aqui
Para me ajudar a passar por tudo.
Eu baixei a guarda
E você puxou o tapete
Eu estava me acostumando a ser alguém que você amava.

E eu costumo fechar os olhos quando dói às vezes
Eu caio em seus braços
Estarei a salvo em seu som até que eu volte.

O Doutor sabia que alguém o amara muito tempo atrás, mas não como a Clara o amava. Ela surpreendentemente não se importava nem um pouco com a sua idade ou o seu passado. Gostava quando estavam juntos pois se fechavam naquele mundo próprio que apenas os dois compartilhavam. O Doutor nunca pensou em passar a vida com alguém antes mas a Clara o entendia melhor do que as outras e era uma tortura para ele saber que não poderiam ficar juntos como ele queria.

Agora o dia sangra
Virando a noite
E você não está aqui
Para me ajudar a passar por tudo
Eu baixei a guarda
E você puxou o tapete
Eu estava me acostumando a ser alguém que você amava.

Naquela noite ele sonhou que estavam em Glasgow de novo. Chovia. Ela usava aquela saia curta maldita e parecia ainda mais bonita do que ele se lembrava. Não sabia quando fora a última vez que se viram, seja em sonho ou na vida real, e correu até ela. Clara espantou-se ao vê-lo e o Doutor não a deixou falar.

— Escute aqui, eu cansei dessa merda. Se o seu agente não gosta de nós juntos isso é problema dele.

— Doutor…

— Porra, não estamos no século XXI? Que importância tem nossa diferença de idade? Desde quando o amor foi feito para se encaixar em padrões?

Ele não sabia se havia lágrimas no rosto dela ou aquilo era a água da chuva.

— Você não é nenhuma adolescente tola e eu não sou nenhum pervertido, isso devia bastar pras pessoas. Não devemos satisfação a ninguém.

— O mundo é muito cruel, Doutor.

— Você pensa que eu não sei? Eu vi aqueles artigos nas revistas dizendo que sou seu guia, sua figura paterna, descrevendo você como uma garotinha ingênua. Eles não sabem nada sobre nós. Não a conhecem como eu conheço.

— Sinto sua falta.

O Doutor a abraçou e sentiu seu corpo contra o dele, parecia tão real. Mas ele sabia que estava sonhando. Segurou sua cabeça com a mão e beijou sua boca como se fosse o último beijo que ele daria.

Mas agora o dia sangra
Virando a noite
E você não está aqui
Para me ajudar a passar por tudo
Eu baixei a guarda
E você puxou o tapete
Eu estava me acostumando a ser alguém que você amava.

Clara acordou cedo naquele dia pois não conseguia dormir. Estava ansiosa demais para ouvir sua música na rádio. A música deles. Será que ele estaria ouvindo? O Doutor não sabia que ela iria cantar, será que ficaria surpreso? Percebeu que a música tinha sido para ela e não queria que fosse cantada por outra pessoa.

Quando ligou o rádio teve a resposta da sua pergunta. A notícia era que o Doutor morrera na noite passada por overdose. Ela nunca mais o veria. Ele nunca ouviria a música.

Eu baixei a guarda
E você puxou o tapete
Eu estava me acostumando a ser alguém que você amava.



Notas finais do capítulo

A letra da música não especificava se o eu-lírico era homem ou mulher então ela serve tanto para a Clara quanto para o Doutor aqui. 

Originalmente eu pensei em fazer sobre o final da Clara e o Doutor na série mas eu sinto que tanto já foi escrito sobre isso que eu iria bater nas mesmas teclas, então reciclei essa minha ideia antiga de Universo Alternativo porque sei que não vou conseguir escrever uma longfic com ela. 

songfic Always Remember Us This Way: https://fanfiction.com.br/historia/775000/Always_Remember_Us_This_Way/ (tem algumas temáticas parecidas com a minha mas não foi intencional, é só que minha música é super triste e tinha de ser uma tragédia também). 

Someone You Loved: https://www.youtube.com/watch?v=bCuhuePlP8o 

Agora vou pedir que a senhorasolo também escreva uma songfic sobre alguma ship que ela goste. 

=***



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