Manda quem pode... escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
Desobedece quem não tá nem aí


Notas iniciais do capítulo

Desafio da FNS



 

Suor, desejo, arfar.

Gemidos, pressa, tesão.

Era o ciclo vicioso que os prendia àquilo. Na pressa de consumar o fogo que os acometia de dentro pra fora, sequer despindo-se das roupas, abaixando aquilo que dava, puxando as demais peças para que o encaixe de corpos fosse mais que perfeito. Os arfares, cabelos sendo puxados à mercê da vontade daquele que ficava por trás, tomando para si o corpo daquele que se apoiava contra a parede, impulsionando-se um pouco mais, para sentir mais do corpo alheio desbravar seu interior.

Os toques desejosos, as mordidas desferidas na pele, um ou outro tapa que era desferido na nádega parcialmente despida. Era o desejo que os inflamava e os fazia ir contra aquilo que eles mesmos haviam estipulado como “limites”.

O que eram limites, se não algo a ser ultrapassado? Regras? Eram para ser quebradas, não? Hashirama e Madara diriam que sim, ao menos ali, enquanto fodiam com tudo o que deveria permanecer intacto, nesse caso, o corpo de Madara, que era preenchido por Hashirama.

 

“Convoquei azamiguinha

E tu sabe que ela vem

Vem da base

Vem do vale

E deixa disso e vem também

Sabe que a catiorada

Tá fechada com a gente

Não dá pra ficar parada

Nesse beat envolvente”

 

— Já acabou? — o questionamento veio repleto de acidez, tal como o esperado por Hashirama enquanto afastava-se do corpo de Madara, vendo-o puxar as vestes e arrumá-las no corpo, enquanto ele fazia o mesmo.

— Pressa? — Sim, ele sabia que havia pressa, o que faziam era “proibido” e às escondidas! Ninguém deveria flagrá-los naqueles momentos de intimidade. nunca! E mais que isso, Hashirama sabia que Madara tinha planos com os demais membros Uchiha. Lembrou-se de Tobirama num dia de raiva comparando-os com um bando de cachorros pulguentos.

— Sabe que sim.

— Outra das reuniões do Clã Uchiha? Convocou todos? Deixe-me adivinhar, mais uma reunião para apontar a rixa contra o meu clã?

Era um ciclo vicioso, era envolvente e sempre terminava igual: Uchiha vs Senju. Bem, quando à sós, Madara e Hashirama achavam um meio bem mais envolvente de “brigar”. Mas agora o líder dos Senju já pensava em como aquilo lhe traria uma baita dor de cabeça, sabendo que Madara definitivamente não era flor que se cheira. Viria Uchiha de todos os lugares!

 

“Tá pronta pra pista?

Se joga

Na vida

Quer papo de ousadia?”

 

Era sempre assim, dois pólos que se chocavam com toda a força, às vezes na “cama”, por vezes em batalhas que não levaria nenhum dos clãs à lugar nenhum, que não dor e amargura desnecessária. Sempre jogando com tudo ou nada, jogando-se, sendo o mais ousados que lhes fosse possível, no caso dos Uchiha, até quando não podiam. Eram os mais ousados dos clãs, os principais em desafiar a liderança dos Senju, o que tirava de Tobirama toda a graça. De Hashirama tirava o sono, nem sempre por preocupação, e aquele momento quente com Madara era a prova disso.

Não havia despedida com beijos e juras de retorno, havia um olhar frio destinado ao Senju, enquanto ele vestia novamente sua máscara de um homem inalcançável. À todos ele era, exceto ao líder dos Uchiha. Vida curiosa, estranhíssima!

 

“Ai que coisa boa!

Mundo se acabando

E a gente manda nessa porra!

Se mexer comigo

Vai mexer com a tropa toda!

Tamo preparada

Pode vim que é coisa boa!”

 

Recordou-se dos dias de brigas uma das inúmeras batalhas travadas entre eles. Hashirama e Madara, que quando à sós eram amantes, na presença de terceiros eram rivais. Arqui-inimigos, por assim dizer. Era sempre a briga por poder. Os Uchiha buscando “destronar” os Senju de sua glória como os líderes da vila, de Konoha. As batalhas infindáveis, as vidas perdidas, mas em Madara a sensação de que o mundo ruia, mas ele mandava. Para ele era importante apenas assegurar o bem estar de mais um: Izuna. Mexer com ele, era mexer com todos os Uchiha. E só um era louco o suficiente para isso: Tobirama.

E lá estava ele, enfrentando Izuna, aquele à quem Madara protegeria com unhas e dentes. E céus, Hashirama era a prova viva disso. Lembrou-se de uma vez que havia comentado sobre Izuna, logo na hora do sexo… as unhas e dentes foram de fato usadas numa selvageria sem igual. Sorte que ninguém o veria despido.

Recordava-se das épocas de brigas e pensava em como haviam terminado daquela maneira.

Foi o tempo, onde tudo parecia desandar, e Madara trazia a certeza de que liderava tudo aquilo. Por sorte dos Uchiha, não era Tobirama a encabeçar o clã Senju. Seria uma devastação sem limites, à um número nunca antes pensado. Seria um extermínio; algo que Hashirama evitava… quem não evitaria, afinal? Ele queria no fundo assegurar que Madara ficasse bem. Apesar dos pesares, das desavenças e dos clãs que viviam em batalhas árduas, era à ele que optava por se entregar.

Engana-se quem pensa que tudo isso era sobre como os Uchiha eram superiores aos demais, os donos de tudo claramente eram os Senju. Fosse com Hashirama “dobrando” Madara às suas vontades quando à sós, e Madara de quatro. Fosse em batalha, quando bastava-lhe um olhar para que Tobirama compreendesse os limites, e enxergasse aquilo que era apenas imaginário. A linha que estipulava até onde poderia ir.

Os donos da ‘porra’ toda, no final eram aqueles à quem o poder era entregue. O mundo poderia acabar, que à eles era garantida a ordem em meio ao caos. Demorou até que Tobirama compreendesse isso, assim como muito mais para que os Uchiha também notassem tal detalhe. Eram clãs tão distintos e tão parecidos, Mexer com um, era mexer com todos, e ali cada qual estava preparado para o extremo.

— Hashirama? — a voz grave, embora baixa ecoava em seus ouvidos. Virou-se naquele futon gasto, olhando mais que aquele ao seu lado, olhando o cômodo, as paredes gastas de madeira de lei. O recanto no meio do nada, onde apenas os dois entravam, e permaneciam por tempo suficiente para saciar os desejos, e sentir como se o mundo ruísse e escapasse aos dedos.

— Sempre será assim, não? Essa disputa…

— Você sabe que sim.

— Por quê?

— Manda quem pode, desobedece quem não liga à mínima. — Madara não ligava. Mas naquele momento, queria Hashirama, por pelo menos mais algumas horas, antes de mais uma vez comprarem briga com o outro.





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