O Labirinto escrita por Kaline Bogard


Capítulo 7
Só diálogo esclarece tudo


Notas iniciais do capítulo

Bom dia ♥



— Então Ômegas não podem curar? — Aburame Shino soou pensativo, distante. Decepcionado.

— Não — a sinceridade crua e direta era inquestionável. Fez Shino acreditar que Kiba não tentava enrolá-lo.

Foi a vez de o Alpha suspirar, derrotado.

— Então vou te levar de volta ao portal externo. Obrigado por ao menos tentar.

—--

— E é isso? — Kiba perguntou meio surpreso. O Alpha ia permitir que partisse?!

Ganhou um olhar inquisidor.

— Pensei que salvaria meu pai. Vou continuar procurando um jeito de curar essa maldição.

— Caralho, Shino — a essa altura Kiba já se sentia bem a vontade para tratar o Alpha com intimidade. Nem parecia aquele garoto acuado que foi levado ali a força — Por que não pediu ajuda ao invés de me raptar?

As sobrancelhas do outro se franziram, revelando estranheza.

— Os termos do acordo estavam bem claros. Foi o pagamento que eu pedi para ajudar vocês a atravessarem o labirinto em segurança.

Kiba riu descontraído.

— Precisa melhorar suas habilidades de comunicação, cara.

Aburame Shino apenas olhou de volta, com aquele ar de decepção e leve desamparo que desarmou Kiba no decorrer das descobertas. A sensação chegou ao Ômega, desde sempre entusiasta em ajudar as pessoa que precisavam.

Foi levado ali contra a vontade e de modo grosseiro. A culpa do medo que sentiu era de Shino e seu jeito sombrio. Não do pobre homem doente que sofria sobre a cama. Muito menos de…

— Você disse “amaldiçoados”, no plural. Existem outros? — indagou de repente.

— Sim — Shino respondeu — Tem outros Alphas doentes. Mas meu pai é o mais grave de todos.

Kiba mordeu os lábios, travando uma breve luta interior. Terminou com um suspiro exagerado e dramático:

— Tá certo, Shino. Não posso curar ninguém, mas posso aliviar um pouco o sofrimento. Me leva na casa dos outros doentes. Depois eu vou embora, daí a dívida está paga. Combinado? Sem truques.

Shino balançou a cabeça. Nem passou pela sua cabeça pedir ajuda para os outros Alphas. Achava que seria demais. Se conseguisse curar o pai, o assunto seria diferente! Só permitiria que Kiba partisse após curar todos. Mas se ele não tinha esse poder… não adiantava obrigá-lo a ficar no labirinto.

— Tem certeza?

— Claro — Kiba sorriu ficando em pé.

O Alpha o imitou. Lançou um derradeiro olhar ao pai, que dormia bem naquele instante. Bem como há muito tempo não acontecia. Ficou grato por ao menos essa folga no sofrimento da única pessoa que tinha como família.

— Cara, nunca mais faça isso — Kiba foi dizendo enquanto saiam da casa. A noite cedera espaço para um amanhecer deslumbrante. Foram tantas emoções que Kiba mal viu ou sentiu as horas passarem, enquanto ajudava o pai de Shino e ouvia a história daquela doença — Você tem que ser bem claro quando for negociar uma troca, sabe? Porque a gente tava falando em punhados de ouro e você tava falando de Ômegas. Isso pode levar à morte.

Shino olhou para o lado, observando o garoto ao seu lado.

— Não sei o que é “ouro”. Não é assim que chamam os Ômegas lá fora? Por isso tentou fugir? Estava com medo de mim? Quando tentaram me entregar pedras pensei que queria trapacear e ir embora sem cumprir o acordo.

Kiba arrepiou-se diante da acusação.

— Eu nunca ia fugir e quebrar uma promessa! Essas pedras são ouro e valem muito fora do labirinto. A gente chama os Ômegas de “Ômega” mesmo... E eu não estava com medo de você — resmungou. Então ponderou alguns segundos. Sentiu certo ceticismo emanando do Alpha que caminhava ao seu lado. Nunca tinha captado nada assim antes, surpreendeu-se um pouco a ponto de baixar a guarda e ser sincero — Caralho, óbvio que eu tava com medo. Você é um Alpha! Se me atacasse eu nunca ia conseguir me defender sozinho…

Shino parou de andar.

— E por que eu o atacaria? — soou com curiosidade sincera, apesar de a face continuar inexpressiva.

Kiba sentiu o rosto queimar de leve, também parando de andar.

— Caralho, cara. A gente confundiu tudo no acordo. Não pensei que eu seria parte da troca. De repente você me cercou com aqueles insetos e me levou pra sua casa. Eu fiquei confuso, porra. Não é minha culpa se pensei o pior.

O rompante não irritou o Alpha. Pelo contrário, Kiba sentiu uma onda de empatia alcançá-lo. Quase recuou um passo, pelo inesperado da situação.

— Sinto muito por assustá-lo. Nunca foi minha intenção.

Kiba relaxou a postura inconscientemente defensiva. Agora estava mais do que evidente. Não sentiu ameaça vinda do Alpha. Na verdade, o pior momento foi quando se negou a ajudar o pai do rapaz, não por não querer. Apenas por não poder. Fora isso, agora que estava livre de toda a tensão, Kiba podia analisar e concluir que se precipitou desde o começo. Com justificativa, evidentemente.

Antes que respondesse, no entanto, Shino o segurou de leve pelo cotovelo e o puxou.

— O portal está aqui — explicou o motivo de ter parado de andar.

Kiba concordou com um aceno de cabeça. Com dois passos atravessaram a passagem magica invisível, saindo em um terreno similar ao que estavam, com um casebre semelhante ao dos Aburame.

Silencioso, Shino foi até a porta e bateu de leve. Kiba não esperou convite, parando ao lado do Alpha enquanto aguardavam.

Menos de um minuto depois a porta se abriu e uma Beta de aparência séria os atendeu. Era uma mulher muito bonita, de volumosos cabelos negros e exóticos olhos vermelhos.

— Shino-kun — a mulher sorriu calorosa. Apesar de muito cedo, parecia ter despertado há algum tempo.

— Kurenai-sensei — Shino não era de rodeios, provou-se ser muito direto em tudo o que fazia — Trouxe um Ômega para visitar Asuma-sensei.

A Beta arregalou os olhos de leve, afastando-se um passo para trás. Observou Kiba de cima a baixo, com uma expressão facial que mesclava surpresa e maravilhamento. O último da casta morreu quando ela ainda era uma filhotinha.

— Ele pode salvar Asuma?! — a voz esperançosa partiu o coração de Kiba.

— Não — Shino respondeu — Ele não pôde ajudar meu pai, apenas melhorar um pouco as coisas. Esse é Kiba — e vacilou um pouco. Não se lembrava do sobrenome.

— Inuzuka — O Ômega resmungou — Inuzuka Kiba.

— Prazer. Sou Kurenai, entrem.

A casinha tinha o mesmo padrão da de Shino, simples e rústica, tão campestre quanto as do interior do país em que Kiba nasceu. No canto da sala havia um berço, onde uma bebê Beta ressonava.

Kurenai os levou direto para o quarto do casal. Um Alpha adulto estava sentado na cama, com aparência abatida, mas de longe mais saudável do que o pai de Shino. O homem sorriu para os visitantes.

— Olá, garotos.

Kurenai indicou que Kiba deveria se sentar na beira da cama, enquanto Shino ia posicionar-se perto da janela aberta. Asuma passou a observar Kiba com certo interesse. Sentiu a energia diferente, que o envolveu calorosa. Não era nada que um Beta ou outro Alpha pudesse fazer.

— Meu nome é Kiba — explicou enquanto se acomodava — Sou um Ômega. Não posso curar o senhor, só ajudar a sentir-se um pouco melhor, mas ainda vai ficar doente.

Tratou de explicar logo, para não dar falsas esperanças.

Sarutobi Asuma ajeitou-se na cama. Passou a sentir um acalento suave e cuidadoso. Diferente do que captava no vínculo com a esposa. Era… gentil e lenitivo. Trazia alívio.

— Prazer em te conhecer, Kiba-kun — sorriu para o garoto, antes de lançar um olhar cheio de gratidão para Shino. Deduziu fácil que o jovem Aburame era responsável por trazer aquele Ômega ao labirinto — Obrigado.

— Que bom que Asuma está consciente — Kurenai cruzou os braços à porta, verdadeiramente emocionada em ver a face do marido se tornar menos sofrida conforme a energia do garoto o envolvia — Ainda é o começo da doença. Os ciclos de consciência são grandes.

Kiba mordeu os lábios. Queria poder ajudar aquelas pessoas. Mas não era médico, nem curandeiro. Nem mesmo a premissa Ômega podia curar algo que…

Então as palavras de Kurenai lhe chamaram a atenção.

— Ciclos? — ele perguntou. Shino não lhe falou nada sobre ciclos.

— Sim — Kurenai suspirou — Essa maldição funciona em ciclos. Intercala períodos de consciência com inconsciência. Com o passar do tempo os intervalos vão se invertendo, cada vez menos consciente… cada vez mais inconsciente…

A voz esmaeceu, incapaz de concluir a informação. Mas a conclusão era lógica. Os períodos se estendiam até a morte do Alpha.

E Kiba sentiu um aperto no peito. E a boca secando num misto de ansiedade, nervosismo e euforia.

— Febre do Sabugo — sussurrou estupefato — Atinge apenas Alphas, evoluiu em ciclos e enfraquece o corpo do shifter, por isso leva a morte. Eu sei, minha irmã pegou essa Febre. Mas ela tem cura. Hana-nee não ficou nem uma semana doente.

Mal terminou de falar isso e sentiu o olhar dos três shifters presos em si. Aburame Shino e os dois adultos não acreditaram no que tinham acabado de ouvir.



Notas finais do capítulo

Será...?

Até quarta!!



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