Crepúsculo 2.0. escrita por Erin Noble Dracula


Capítulo 20
Truth




P.O.V. Jace.

Quero tentar de novo. Tenho que tentar de novo, mas desta vez, vou seguir o conselho do anjo.

Desta vez, vamos nos conhecer pela primeira vez novamente.

—Clary.

—O que?

—Vamos sair. Juntos, só você e eu.

—Mmm...

—Por favor. Olha, vamos a um lugar mundano, você escolhe. Por favor, vamos jantar. Hoje. Só você e eu, conversar sobre o que você quiser.

Ela estava considerando.

—Como um encontro?

—É Clary. Um encontro.

Andava nervosamente pela sala. Então, ela soltou:

—Gosta de comida italiana?

—Gosto.

—Então, eu vou... nós vamos jantar no Bella Itália hoje á noite. Vou fazer a reserva.

—Reserva?

—Não se preocupe. Não é tão chique assim, só... coloque uma roupa casual, um pouco mais elegante. Vamos sair ás seis, pode ser?

—Pode.

—Te encontro lá embaixo na biblioteca.

—Ok.

Deu um trabalho me vestir, escolhi uma camisa polo que ganhei de aniversário do Alec e nunca usei, calça jeans e um sapa tênis que também ganhei do meu parabatai e nunca usei. Passei perfume, mas pouco porque se a Clary consegue sentir o cheiro do meu sangue imagino que o perfume deva incomodar.

—Onde vai vestido assim?

—Jantar com a Clary.

—Finalmente tá começando a se vestir como uma pessoa de novo.

—Alec...

—Eu sei, mas você só usa roupa de missão Jace. Eu não sou idiota, sei que quando estava com o Magnus, eu fazia o papel masculino no relacionamento, mas tem uma diferença entre ser homem e ser um bruta-montes.

—Ai ele se arrumou! Que milagre!

—Vou sair com a Clary.

—Oba! Finalmente!

P.O.V. Clary.

Fiz cachos no meu cabelo e ele estava curto de novo. O que é esquisto.

Escolhi um vestido tubinho com uns detalhes em renda. Vermelho.

—E ai? Fiquei bonita?

—Ficou.

E um sapato da Schultz meia pata creme, passei batom da mesma cor do vestido, uma sombra iluminadora e prendi meu cabelo fazendo duas trancinhas interligadas com um elástico. A Hope me ajudou.

Ia sair quando a Hope me parou.

—A bolsa, Clary.

—Oh, certo. Obrigado.

—Relaxa, vai dar tudo certo. Boa sorte e seja você.

—Obrigado. Te amo.

—Também te amo.

Desci e esperei. Quando ele chegou, nossa ele tava lindo, mas não parecia o Jace.

P.O.V. Jace.

Nossa! Ela tá muito linda com esse vestido. Marcando todas as curvas desse corpo maravilhoso.

Então, ela deu um sorriso sacana.

—Você tá linda. Você tá bem?

—Estou. 

—Porque aquele sorriso?

—É melhor você não saber. Você também está lindo, mas... parece que o armário do Lightwood vomitou em você.

—Nossa!

—Desculpe, só que... você não parece muito... Jace. Mas, tá lindo.

—Obrigado.

—E eu to falando um monte de besteira.

—Não você tá certa. Eu não sei me vestir para este tipo de evento.

—Vamos, ou perderemos a reserva. Me diga que sabe dirigir.

—Eu sei dirigir.

—Ótimo. Vamos.

Quando chegamos no carro...

—Aposto que nunca dirigiu um Lamborghini. Agora vai ter essa chance.

—Vai me dar um Lamborghini?

—É claro que não! O carro é meu. Só que eu to de salto.

—Você consegue ser tão egoísta.

—Estou sendo honesta querido. Eu sou a filhinha do papai.

—Tudo bem então. Gosto das suas contradições.

—Divirta-se.

Foi ótimo dirigir aquele carro. E quando chegamos ao restaurante, não tinha quase ninguém.

—Boa noite.

—Boa noite. Temos uma reserva.

—Nome?

—Mikaelson.

—Por aqui por favor.

A atendente nos colocou numa mesa com uma bela vista, perto da janela.

O garçom veio correndo atender a gente.

—Em que posso ajudar?

—Por favor, traga dois cardápios e a carta de vinhos.

—Sim senhorita.

O garçom saiu.

—Vem sempre aqui?

—Jantares com as minhas amigas. Ser uma Mikaelson, tem seu lado bom. Eu tenho passe livre para qualquer lugar que eu quiser, o mundo é o meu jardim.

—Aqui senhorita, senhor.

—Obrigado Alberto.

Nós olhamos os cardápios e fizemos os pedidos.

—Um espaguete ao molho sugo, por favor.

—E a senhorita?

—Ravioli ao cogumelo. Como sempre.

—Como sempre. E para beber?

—Eu não entendo nada de vinho.

—Cabernet Sauvingnon tinto seco. Duas garrafas, por gentileza.

—Sim senhorita.

—Duas garrafas?

—Vou precisar se vou ficar perto de você.

—Nossa.

—Não... é isso não soou certo. É que... você e o seu sangue de anjo são uma tentação constante e o álcool ajuda a sublimar, as vontades.

—Oh! Tudo bem. Então, o que você gosta de fazer?

—Cantar, pintar, desenhar, dançar. Mas, eu não sou eu mesma quando estou dançando.

—Se importa em explicar?

—É como se eu saísse do meu corpo ou coisa assim. É difícil explicar. Praticamente impossível.  E você?

—Eu o que?

—O que gosta de fazer?

—Eu não faço nada além do meu trabalho.

—Credo. Que porcaria de vida você tem.

Eu ri.

—Mas, eu vou ao Hunter's Moon ás vezes.

—Hunter's Moon?

—É um bar. Muitos sub... seres sobrenaturais vão lá.

—Parece legal. Fiz um presente pra você, só espero que não ache esquisito. É que... eu não durmo muito e eu... bom, toma.

Ela me estendeu um papel cuidadosamente dobrado. Quando desdobrei era um desenho. Um desenho meu. Dormindo.

—É muito bonito.

—E... eu pareço uma maluca perseguidora.

—Como conseguiu desenhar isso?

—Ás vezes, eu... entro no seu quarto enquanto você tá dormindo e fico te olhando.

—Uau!

—Maluca perseguidora. É que... gosto de ver você dormir, é tão... fofinho, você é muito adorável quando tá dormindo.

—Clary, quanto tempo você dorme?

—Só umas duas horas por noite.

—Isso é normal pra você?

—É. A minha mãe não dorme nunca, nem meu vô, minha vó... mas como sou filha do meu pai, eu me machuco com mais facilidade e durmo. Mesmo depois de ter atingido a maturidade.

—Maturidade?

—É. Sabe, física, mental, biológica.

—Clary, quantos anos você tem?

Ela pegou a taça de vinho.

—Sete.

Dai ela bebeu como se quisesse sumir atrás daquela taça.

—Sete? Sete anos de idade?

—Cronologicamente falando, sim. Faço oito na semana que vem. Mas, e você?

—Eu nasci dia dezoito de janeiro de mil novecentos e noventa e um. Em Idris.

—Então, tem vinte e oito. Vinte e um a mais que eu.

—Me sinto um pedófilo.

—Não sinta. Eu sou adulta Jace, pense em mim como... um cachorro.

—Um cachorro?

—É. Tipo, os anos caninos são mais que os humanos. Por isso um cachorro pode ter sete anos e ser idoso. Meu pai parece ter uns vinte e poucos, mas ele tem mil. Minha mãe parece ter uns dezoito, mas ela tem dez.

—Sua mãe tem dez anos de idade?

—Sim. Mas, e os seus pais?

—Eu passei metade da minha vida pensando que meu pai era Michael Wayland.

—E depois?

—Depois pensei que era filho do Valentim Morgenstern.

—E não era?

—Não. Sou Jace Herondale, filho de Celine e Stephen Herondale.

—Seus pais te abandonaram? Te deram para adoção?

—Não. Meus pais morreram.

—Sinto muito.

—Nunca cheguei a conhecê-los. Eles morreram servindo o Ciclo então foram enterrados no cemitério da desonra em Idris.

—Se tá me zoando? Cemitério da desonra? Que... merda é essa?

—Pois é.

—E você não tem mais ninguém?

—Eu tinha minha vó, mas ela morreu.

—Sinto muito.

—Eu a matei.

—Que?!

—Eu tava possuído Clary. O demônio me obrigou a assassinar a minha vó.

—Coitadinho.

—Me obrigou a fazer coisas horríveis.

—Jace, eu... eu desenhei uma runa nova. Ela serve para... impedir que isso aconteça. É uma runa anti-possessão.

Ela mostrou a runa desenhada no ante-braço direito.

—Faz em você. Desenho num papel e você copia. Só, por favor... não deixe os outros pegarem, pode contar para a Izzi e até para o Alec, mas não quero que aquela outra facção, aqueles extremistas malucos peguem as minhas coisinhas brilhantes.

—Quando vai parar de chamar as runas de coisinhas brilhantes?

—Provavelmente nunca. Elas eram aquilo que me mantinha sã, eram a unica coisa boa que eu via fora... você sabe os demônios. Eu era criança, uma criança shadowhunter que não sabia que era shadowhunter. Chamava elas de coisinhas brilhantes porque... elas eram lindas e... brilhantes, cintilantes.

Vi as lágrimas escorrendo dos olhos dela.

—Desculpe.

Disse ela enxugando as lágrimas.

—O que acha de ir para Nova York comigo? Visitar o Instituto?

—Jace, sobre os outros... eu tenho quase certeza de que eles me querem morta. Mas, você cresceu sozinho?

—Não. Os Lightwood me acolheram, Maryse é minha mãe para todos os efeitos e Alec e Izzi meus irmãos.

—Sim. Família é mais do que sangue. Só mais uma pergunta, o que é um Parabatai?

—É extremamente raro, parabatai são irmãos de luta. Alec tem um pedaço da minha alma e eu tenho um pedaço da dele, depois que fizemos o juramento dividimos a alma, estamos ligados para sempre até o fim. Um sente a dor do outro e não estamos falando apenas de dor emocional.

—Ok. Isso é... diferente. E um pouco apavorante, só que é como um feitiço de ligação que não pode ser quebrado. 

—Feitiço de ligação? Existe feitiço pra isso?

—Sim. Só que não é como a sua ligação, esta pode ser quebrada. Então, se o Alec vier a falecer você vai morrer com ele?

—Não exatamente, mas vou sentir sua morte. Uma parte de mim vai morrer.

—Então é como ser a âncora para o outro lado.

—Parece que existe um feitiço equivalente para tudo o que os Shadowhunters tem ou fazem.

—A magia elemental é neutra. Em seu âmago ela não é boa e nem má. O bem ou o mal estão no coração daquele que pratica.





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