Prazer, eu sou Daiana escrita por Contadora de Historias


Capítulo 1
A Deusa Esquecida


Notas iniciais do capítulo


Daiana é uma das personagens de "A Filha de Juventas - A Escolhida de Urano" , se quiserem mais dela, segue o link aqui embaixo:

https://fanfiction.com.br/historia/723244/A_filha_de_Juventas_-_A_escolhida_de_Urano/



Já fazia muito tempo que ela estava sozinha, conforme o tempo passou ela foi deixada de lado, seu pai, sua madrasta e seus irmãozinhos já não lembravam mais dela, mesmo Eros deveria esta ocupado demais para lembrar, simplesmente a esqueceram, sua mãe estava muito ocupada para lhe dar atenção, mas ela entendia os motivos dela, sem falar que ela já era adulta, não precisava mais de sua a um bom tempo, porém companhia era algo que ela necessitava.
Ela era solitária, não tinha filhos, mas em compensação ela tinha um amante, Fobos o deus da Fobia.

Ela o amava, porém seria injusto manter um relacionamento com ele em seu estado atual, ela estava muito frágil emocionalmente e não queria envolve-lo em seus problemas, não queria descontar nada nele, então manter distância dele era a melhor opção no momento.

A deusa caminhou descalça por um corredor extenso, o chão era revestido com algum tipo de pedra transparente que deixava bem aparente o rio de lava quente que passava por de baixo dele, sem transmitir nenhum calor para a parte superior, mas se transmitisse, não incomodava de nenhuma maneira a alta mulher.


As paredes eram decoradas com pedras preciosas das mais diversas cores, ela adorava cores principalmente as mais fortes como o Vermelho e o Azul que pertenciam às chamas das tochas presas as paredes.
No final do corredor, uma enorme porta de Mármore era erguida sendo suas portas as assas de duas fênix, uma vermelha e outra azul.
Assim que perceberam a aproximação as duas estátuas mexeram suas assas abrindo assim caminho para a dona daquele templo.
Assim que atravessou a porta a mesma voltou a ser trancada. A deusa tinha finalmente chegado ao seu lar, para os seus filhos. 
Ali dentro havia um belo jardim com os mais diversificados tipo de flores e plantas, seus pés tocaram a grama abaixo de seus si e ali mesmo ela se deitou e começou a chorar, chorar como se não houvesse amanhã.
—Me desculpe...eu sou uma incompetente. -Pediu a deusa para o nada em meio às lágrimas que banhavam a grama verde daquele lugar.
Em suas mãos jazia um pequeno vaso lacrado, seu conteúdo já podia ser imaginado.
Aquele lugar, tão belo e tão bem protegido, não era um jardim, longe de ser isso, aquele belo lugar carregava uma energia pesada de Morte e Vida, aquele lugar era um cemitério para aquela pobre deusa, o cemitério que ela fazia para as suas crianças, que em 99% dos casos nem chegavam a nascer. Seu corpo as rejeitava antes mesmo do quinto mês de gestação, ela nem havia escolhido os nomes para nenhuma delas, mas aquele que ela carregava em seus braços era o seu pequeno milagre, seu menininho. Seu nome era Quentin, ele tinha nove anos de idade, a deusa havia lhe concedido em um pequeno chalé nas florestas do Norte enquanto visitava uma velha amiga. Ela não sabia que estava grávida, Quentin foi uma verdadeira surpresa naquele noite de Solstício de Inverno, em que ela havia dado a luz na Cama do filho de Ragnar.
A deusa tinha ficado tão contente, seu pequeno fruto havia nascido (mesmo que o pai não soubesse disso).
Ela o criou até seus belos seis anos de idade, quando infelizmente ela teve que resolver problemas muito importantes e de extrema urgência, tendo que deixar seu milagre com algumas pessoas de confiança.
Ela só voltou a alguns anos, em épocas de crise ou seja ela não podia se aproximar de sua criança.
Então ela se pois a observar de longe como ele interagia com os outros mortais, sinceramente ela queria tira-lo do chalé de Hermes, onde claramente ele se sentia desconfortável, mas infelizmente deuses menores não são lá muito importantes para os olimpianos, muito menos ela era considerada, então, por que se importar com regras não é mesmo?

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No acampamento havia uma única figura capaz de deixar Quentin confortável em meio a tanta gente desconhecida para ele.
O nome dela era Daiana. Aquela que havia chegado no começo de Agosto ao acampamento, trazendo a "desordem" para aquele lugar, o que trouxe também animo para aqueles que eram rejeitados e inferiorizados pelos outros chalés.
Principalmente na primeira caça a bandeira depois do verão, o time vermelho era composto por Demeter, Atena, Ares, Apolo e Hefesto enquanto o time Azul era composto apenas por Hermes, Dionísio e Afrodite.
Foi Hilário ver a reação dos filhos dos Olimpianos quando uma única pessoa passou por uma defesa elaborada por Atena na divisa. Daiana havia atravessado o riacho com a Bandeira do time vermelho, trazendo a vitória para os Azuis.
Aquela foi uma grande provocação aos olimpianos (assim eles interpretaram) para a garota que realmente não tinha muita simpatia pelo deus dos deuses.
A festa dos chalés vitoriosos durou quase que a noite inteira, fazendo com que Quiron quase surtasse, mas com uma ajudinha do Sr.D que ama uma festa, ele conseguiu deixar os semideuses tranquilos quanto a isso até o amanhecer.
Quentin preferia ficar afastado, afinal ele era tímido demais, mas ao conhecer Daiana naquela noite isso mudou, o garotinho se sentiu mais a vontade de falar com os outros e também a interagir mais.
"Sabe" -disse o garoto um dia, para Daiana. "Você me lembra muito a minha mãe...tem certeza de que você não é filha dela também?"
Daiana se sentiu tão bem com aquilo, pelo que o garoto dizia a mãe dele deveria ser incrível.
Mal sabia ela que aquelas eram as últimas palavras que aquela criança havia dito a ela.
Naquela noite de Natal iria rolar a última caça a bandeira do ano, Ares,
Hermes, Apolo e Afrodite completavam o time Azul. Thomaz, Quentin e uma filha de Afrodite ficariam de guarda bandeira naquela noite enquanto o resto do time se organizaria no Ataque e Defesa.
Foi no meio da partida que a desgraça aconteceu.
Quando León do chalé de Apolo havia capturado a bandeira do time vermelho e estava prestes a atravessar a "fronteira" um rugido tenebroso se alastrou pela floresta. Quiron e o Sr.D interromperam o jogo no mesmo minuto, todos do time Azul sabiam de onde haviam vindo aquele barulho.
As equipes de ataque azuis logo correram para onde sua bandeira estava sendo mantida.
Era uma cena de filme de terror, todas as árvores do local haviam sido destruidas , a filha de Afrodite se encontrava caída no chão com a perna quebrada e em estado de choque, ela chorava compulsivamente enquanto do outro lado havia um Thomaz em pé empunhando sua espada, ele também estava em prantos.
Quando perguntaram o que aconteceu, a filha de Afrodite apontou sutilmente para algo perto de Thomaz, caído no chão, com a Bandeira vermelha cobrindo o que estava ali, mas a bandeira do Time era Azul.
—Onde Quentin está? -perguntou Daiana.
Quando esta se aproximou e retirou a bandeira do time do chão ela pode ver o pequeno corpo de Quentin completamente destroçado no chão, a face do garoto transmitia puro terror diferente da face completamente calma que ele normalmente tinha moldurada no rosto.
Daiana surtou. Os filhos de Apolo precisaram usar sedativos para tira-la de cima do corpo do mais novo. Aquele tinha sido o fim.

Naquela noite ninguém festejou, o Natal não tinha mais motivo para ser festejado. Ao invés de um banquete, os semideuses foram a um funeral, a mortalha de Quentin foi a bandeira do time Azul, que foi customizada rapidamente pelos mais próximos a ele no acampamento, ou seja, Daiana e Thomaz que era o responsável por treinar o menor.
Assim com a cerimônia encerrada, as cinzas foram colocadas em um vaso que foi jogado a chamas de Hestia.

Naquela noite, sem dar nenhuma satisfação ou aviso prévio, a ruiva pegou sua mochila e sua moto e foi embora.

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Ela se culpava por não estar lá quando sua criança foi brutalmente atacada, aquilo foi um ataque que direto a ela, justamente para atingir seu emocional e sua sanidade. E seu filho havia sido usado para isso.

Ela passou horas ali, aos prantos enquanto jogava maldições ao nada, foi quando ela sentiu seu corpo ser abraçado por alguém, ser tomado em braços fortes, mesmo assim aqueles toques não a fizeram parar de chorar.
—Daiana -Chamou ele, por seu nome.
—Vá embora, Eros. -Pediu ela. -Me deixe sozinha com meu luto, por favor.

O deus do amor não fez questão nenhuma de se levantar, se quer pensou em obedecer a irmã mais velha, ele continuou a abraçá-la, ele continuou sentindo a dor dela.

—Nunca mais vou te deixar sozinha, minha irmã.

Prometeu ele, enquanto a erguia da grama, deixando a irmã sentada, ele retirou algumas folhas dos longos fios ruivos e secava as lágrimas dela de sua bochecha, ele beijou sua testa e acariciou seus cabelos ruivos.

Um vaso de barro surgiu na frente dos dois, Eros tentou retirar as cinzas de Quentin das mãos de Daiana que recuou, impedindo que ele pegasse seu filho.

—Tem que deixa-lo ir, deixe ele descansar em paz, Daiana.

A mais velha olhou para o irmão, e mesmo relutante ela lhe entregou o vaso com as cinzas de seu pequeno milagre.

O deus do amor recolheu o vaso cuidadosamente, tirando a tampa e despejando as cinzas do sobrinho em cima da terra, cobrindo elas logo em seguida.

Daiana tocou a grama e todas as suas lágrimas que estavam na grama, começaram a flutuar para dentro do vaso.

De lá, um pequeno broto começou a nascer, tal broto logo se expandiu até se tornar uma pequena arvores com vários ramos de Frangipani brancas, rosas e amarelas.

As Frangipani simbolizam abrigo e proteção assim como Quentin, ele era o porto seguro de Daiana, ele a protegia, não diretamente, o garoto protegia a sua bondade, ele despertava o melhor dela e agora ele se foi.

Eros, vendo a irmã sem forças e sem animo algum para se levantar, a pegou em seus braços, sem nenhuma resistência vindo da mais velha.

As fênix voltaram a abrir suas asas, abrindo passagem para os dois deuses. Eros caminhou pelo corredor até uma escada que subia para o andar de cima, o deus passou pela Oficina de projetos da irmã, assim como a biblioteca, a estufa e a cozinha, até finalmente chegar ao quarto da ruiva.

No quarto da deusa havia somente uma cama solitária, repleta de peles de animais sintéticas almofadas de inúmeras cores e repleto de tecidos espalhados. Era o ninho perfeito para ela, quentinho, aconchegante, acolhedor e seguro assim como um abraço de uma mãe.

Eros a deitou em meio aqueles tecidos, estalando os dedos em seguida, fazendo assim a roupa de motoqueira que ela usava desaparecer dando lugar a um vestido azul de seda, confortável para que ela descansasse. Como o bom irmãozinho que ele era, Eros se deitou ao lado da irmã a consolando, enquanto passava as mãos por seus cabelos e cantava uma música infantil para o coração da outra.
Eros entendia, assim como sua irmã, o que era perder um filho e ele não desejava isso para ninguém, nem para seu pior inimigo.

Conforme as carícias de Eros em seus cabelos iam a reconfortado, a ruiva começou a se sentir sonolenta, deixando com que Hipnos a sequestrasse para o mundo dos sonhos.

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Quando Daiana voltou a acordar, ela estava sozinha em seu quarto, as luzes de seu braseiro estavam totalmente apagadas o que denunciava que alguém as teria apagado.
—Olá? -chamou se levantando- Tem alguém aí?

Quando a deusa mau tocou o chão uma figura branca surgiu em sua frente a assustando, fazendo com que ela caísse de volta para o ninho.

—Minhas estrelas, você está bem? -Perguntou a estranha figura.

A ruiva encarou o ser a sua frente. Era uma garota que não deveria ter mais de treze anos de idade, tinha asas de formiga e cabelos brancos. Ela poderia jurar que ela era uma das formas de Ragnar, mas a outra mulher não estaria com um sorriso tão grande no rosto, na verdade ela não estaria com nenhum.

—Quem é você? -Perguntou no automático.

A outra suspirou aliviada.

—Ah, graças às estrelas você está bem, sabe você é a primeira deusa ao qual eu visito, e uma das importantes se me permite. -disse a outra atropelando as palavras. -Eu sou a Pass, fantasma do Natal passado ao seu dispor.

—Ah não! -disse Daiana-Eu já vi esse filme é já li esse livro!

A fantasma a olhou confusa.

—Livro? Ah não querida, eu sou bem real e estou aqui por que você precisa de mim!

—Eu não preciso de você! -rebateu a outra, voltando a se colocar em pé. -Eu estou de Luto! Saia imediatamente! -ordenou a deusa.

O fantasma por sua vez não moveu um músculo.

—É, de luto...Você é uma deusa, não tem tempo para isso!

Daiana a olhou indignada para Pass que não parava de voar ao seu redor.

—Olha eu sei como isso deve ter te destruído por dentro....

—NÃO, VOCÊ NÃO SABE,-gritou, sentindo as lágrimas voltarem-EU PERDI MEU FILHO, MEU ÚNICO FILHO...QUE CONSEGUIU SOBREVIVER dentro de mim...eu perdi ele...eu sou uma péssima mãe...

O fantasma vendo toda a fúria e culpa da deusa, se aproximou da mesma, a abraçando.

—Você não perdeu nenhum de seus filhos, não perdeu todos... acredite, todos te amaram e o seu amor por eles os persegue até hoje.

Pass segurou as finas mãos da deusa e a guiou por um portal branco, diferente dos que a ruiva era capaz de abrir.

—É nessa hora que você me mostra os meus natais passados...

Pass olhou de relance para trás enquanto guiava a deusa pelo vortex de tempo.

—Seria sim, mas meu objetivo aqui é mostrar que você não está sozinha...e não alimentar sua tristeza

A fantasma sorriu e quando Daiana ergueu o olhar para encara-la, as duas apareceram em uma praia que dava para a boca de uma caverna.
Elas estava de volta a Grécia Antiga, quando nem mesmo Eros era nascido ainda.

As duas figuras caminharam para dentro da caverna, onde fortes marteladas podiam ser ouvidas vindas de dentro. No fundo da caverna, um homem barbudo forjava algo enquanto era observado por uma pequena confusão de cabelos ruivos que não deveria ter mais de quatro aninhos que se entretia brincando com fagulhas.

Os olhos do fantasma se iluminaram ao ver a ruivinha.

—OMS, essa é você? TÃO FOFAAAA!

Daiana preferiu ficar em silêncio, ela sabia bem que dia era aquele e ela não gostava  nenhum pouco dele.

Passos foram ouvidos vindo da entrada da caverna, e logo o deus mensageiro estava na Oficina de Hefesto.

—O que você tem para mim hoje, Hermes? -perguntou Hefesto com um sorriso nos lábios, o "mais feio" dos deuses parecia se divertir com a angústia estampada na cara do irmão mais novo.

—Z...Zeus solicita a sua presença no Olimpo! -disse o menor, meio atrapalhado.

Hefesto riu e deu uma última martelada no ferro que moldava, fazendo chover fagulhas o que ocasionou numa chuva de gargalhadas de Daiana e um leve susto vindo de Hermes.

—Nosso pai resolveu trazer minha esposa de volta? Ou pensou na minha outra proposta? -Perguntou com um semblante sério, enquanto pegava a sua primogênita em seu colo.

Hermes fez um não com a cabeça.

—Senhor nosso pai exige que você retire a maldição do trono em que sua esposa está presa.

Hefesto gargalhou.

—A troco de que? Ele me tirou a minha primeira esposa de mim...eu a amava e o que ele faz? A mata!

—Zeus solicita sua presença para resolver tal questão, ele está disposto a negociações meu irmão. Acredite, também não sou fã de Hera, mas manter Hera presa não está sendo bom para ninguém.

—Erba -tentou repetir a pequena Daiana, fazendo os dois deuses ali sorrirem de lado.

—Quando ele quer me ver? -Perguntou Hefesto, tirando um pedaço de metal dos cabelos de sua filha.

—Imediatamente.

O cenário mudou drasticamente ao redor das duas viajantes, agora elas se encontravam na Sala dos Tronos no Olimpo que naquela época só contava apenas com cinco tronos, o de Demeter, Hera, Hestia, Poseidon e Zeus.

Hefesto estava diante do pai, segurando seu martelo com um sorriso debochado nos lábios.
—O assento está confortável, minha mãe?
A deusa do Matrimônio o olhou com fúria nos olhos.

—Hefesto. -Chamou Zeus que o olhava com a expressão seria.

—Sim, meu pai? -Perguntou o deus das forjas, desta vez encarando Zeus.- Pensou na minha proposta?

Zeus em seu trono, suspirou.

—Pensei...-disse ele um pouco hesitante. -Eu tive uma longa conversa com meu irmão, sobre a alma de sua esposa.

—Então, vai traze-la (de volta)?

Zeus fechou os olhos, tentando não soar insensível.

—Hades me disse que a alma dela não deu entrada no submundo, meu raio desintegrou o corpo dela... E é possível que tenha destruído a alma dela também.

Daiana fechou os olhos, tinha sido naquele dia em que ela havia descoberto que sua mãe não estava mais entre os vivos. Seu pai não tinha recebido a notícia nenhum pouco bem, ele havia surtado e prolongado mais a tortura de Hera em seu trono por mais dois anos ao ver sua primogênita chorar pela primeira vez chamando o nome da mãe.

Assim que Hefesto foi convocado novamente ao Olimpo ele jogou a bomba em cima de Zeus, ele só tiraria Hera de seu aprisionamento daquele trono se ele pudesse ser reconhecido com filho do deus dos deuses e pudesse desposar Aphrodite, a deusa do amor,
Zeus, relutante, cedeu as vontades do Primogênito.

Hefesto casou-se com Aphrodite (mesmo ela não concordando) e libertou assim Hera, sendo assim reconhecido como um Olimpiano.

Aphrodite não era a favor do seu casamento forçado com Hefestos, só tendo tolerado ele no começo só por ter conhecido e se apaixonado por Daiana. A filhinha de Hefesto era uma das coisinhas mais maravilhosas que a deusa já havia visto, chegando a duvidar de que ela fosse filha do deus das forjas, porém mudou logo de ideia quando viu a menina praticamente aumentar o poder de fogo de uma das armas mágicas de seu cônjuge.

Se passaram mais alguns anos e Daiana foi agraciada com um irmãozinho, que sua madrasta deixou com que ela escolhesse o nome. Daiana havia ficado tão feliz que teria alguém para brincar junto com ela, mas Eros não gostava do que a menina gostava, ele preferia coisas e brincadeiras mais calmas e menos ativas enquanto ela preferia algo mais didático e dinâmico.

—Eros não gosta de mim! -disse um dia aos prantos enquanto conversava com o pai. -Ele disse que sou muito mortal pro gosto dele.

O deus das forjas riu com tal comentário.

—Ora essa -começou ele- e desde quando você considera que ser mortal é algo ruim? Minha criança, se ele te disse isso para te inferiorizar, peço que não leve as palavras de seu irmão a sério. Eros é muito novo e não tem noção do que a humanidade é capaz de fazer grandiosos feitos.

Conforme Hefesto falava com a pequena Daiana, a versão mais velha enxugava uma lágrima no canto dos olhos, aquela tinha sido a última conversa que tivera com o pai.

—Sua mãe era mortal e isso não a impediu de ser a maior heroína da Grécia. Seja como a sua mãe e não deixe que insultos triviais tenham lugar em sua vida.

Daiana havia levado aquele conselho para a vida. Após tal acontecimento, a pequena ruiva percebia que seu pai estava cada vez mais imerso em seus trabalhos dando menos atenção a sua filha. A garota ficou mais próxima de Aphrodite que admirava as coisas fantásticas que a pequena fazia para demonstrar seu amor por ela. Daiana considerava a deusa do amor como uma mãe, e para ela era importante demonstrar isso, tão importante que um dia num Solstício de Inverno a menor presenteou a mais velha com uma fonte.
—Amor líquido -murmurou a deusa, admirando a obra da ruiva, que logo foi puxada para um forte abraço, deixando Eros enciumado.
O mais novo ficou com ciúmes por pouco tempo, já que em seguida ele foi presenteado com um fabuloso arco e uma aljava com flechas embebidas pelo líquido do amor.
Em troca, em seu aniversário, Daiana recebeu uma esfera de sua madrasta com uma tempestade presa dentro dela e de seu irmão ela havia ganhado uma bela capa.
Naquele Solstício de Verão seu pai não havia comparecido.

Logo as notícias que Aphrodite traía Hefesto chegaram aos ouvidos dos pequenos Eros e Daiana.
Hefesto e Aphrodite começaram a discutir mais frequentemente e a deusa permaneceu afastando por um tempo, neste tempo o irmão mais novo de Eros nasceu, fazendo assim o deus do Amor ser capaz de crescer, mas logo em seguida veio a notícia dos filhos de Aphrodite com Ares, eram esses o Medo, o Pânico e a Harmonia, se haviam mais Daiana não se lembrava, ela só tinha as lembranças de ser deixada de lado, de ser trocada por Harmonia.
Daiana já não mais recebia atenção de seu pai e ser substituída não a deixou nada contente.
Ela se afastou dos pais aos quais haviam esquecido totalmente dela e começou a focar no que ela era boa. Construir, Criar e Aprender.
Ela começou a juntar conhecimento, tanto por ciências tanto quanto por magia, Daiana começou a criar armas e equipamentos tão bons quanto os do pai, mas ninguém ligava para isso, pois com o surgimento do Godzilla Grego, ela assim como os deuses, tiveram que se refugiar no Egito.
Foi lá, onde seu conhecimento ganhou certo reconhecimento pelos mortais, a deusa ficou feliz, afinal estava sendo útil e não era só mais uma por ali. Foi quando ela se decidiu, ela não mais iria se limitar a somente estar na Grécia, ela iria conhecer todo o planeta, ganharia e daria conhecimento a outros povos e assim ela fez. 
Grécia, Egito, China, Países Árabes, ela passou por muitos lugares, sendo apelidada sempre como a "deusa da Alquimia" ao transformar pedras em ouro, curar doenças que antes matavam milhares e ao controlar forças naturais como o Fogo, a Água, o Ar e a Terra.
Foi quando um choro a fez voltar a Grécia.
Ao retornar, Daiana viu a figura deplorável de seu irmão aos prantos em um campo aberto. Ela o abraçou deixando com que ele chorasse enquanto ela revirava suas lembranças; "Psique" a mortal que seu irmão amava estava morta, assim como a mãe de Daiana.
Não aguentando ver seu irmão imerso em sofrimento a deusa adolescente desceu ao Submundo Grego, encontrando uma alma de Psique em ruínas, completamente despedaçada.
Daiana não se deixou abalar, e indo contra o plano das Parcas ela reconstruiu a alma da princesa mortal e a devolveu a seu corpo, mesmo que isso significasse que ela seria a prisioneira de Hades por roubar uma alma que pertencia a ele e a trazer de volta a vida.
Mas a maldição dela foi outra, as Parcas a condenaram a algo pior como punição. Ela não veria nenhum de seus filhos alcançando a felicidade.
Quando se apaixonava raramente Daiana engravidava de algum mortal ,mas quando acontecia...Ela se destruía ,a maldição das Parcas a faziam não ter chances de ver nenhum de seus filhos e aos que nasciam um destino cruel os aguardava.
Ela estaria fadada a ficar sozinha.

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Daiana acordou em um pulo de sua cama.
Ela estava sozinha em seu quarto, Eros não estava mais ali.
Estranhando, ela se levantou, Pass não estava mais ali, então Daiana se dirigiu até a porta, no corredor tudo parecia tranquilo.
A deusa voltou a caminhar pelo Templo, a procura da sombra de seu irmão, mas não o encontrou, pensou que ele estivesse na cozinha mas encontrou algo melhor, de cima da banqueta comendo pão estava sua mãe.
Afinal de contas não havia morrido e sim destinada a cuidar de outro ramo da família mortal, proteger o tempo.
A mulher assim que viu a filha, se levantou em um pulo e a abraçou tão forte que tirou todo o ar dos pulmões da ruiva.
—Minha filhinha, deixe me olhar para você. -ordenou a mais velha-Daiana, você cresceu tanto, se tornou um mulherão, não é à toa que o "medo" não desiste.
Daiana tentou sorrir, mas não adiantou, tudo que ela queria fazer era chorar.
—Oh minha pequena, não fique assim...-sua mãe a abraçou e foi só aí, que depois de tanto tempo que Daiana se sentiu acolhida e segura.
—Eu te amo tanto...sei como deve ser difícil, também foi doloroso para mim ...
—Mãe o que eu faço agora? -pergunto entre soluços -Eu me sinto totalmente perdida...

—Shii eu sei...

Outro vortex envolveram as duas mulheres, desta vez ele era Azul e repleto de outros vortex.

—Olha...eu não estou aqui para te mostrar o seu Natal presente, eu não iria te torturar assim. -começou a mais velha -Mas eu preciso de você para uma coisa.

Daiana arqueou uma sobrancelha.

—Precisa de mim para qual motivo?

O vortex parou e logo as duas figuras estavam em uma sala comunitária. Daiana olhou a local confusa.

—Westover Hall -disse sua mãe- Internato para jovens problemáticos.

—Algum semideus vive aqui?

—Aquela ali no canto. -Indicou. Num canto perto da Janela havia uma figura de uma menina muito nova, ela deveria ter seus dez anos de idade. Esta parecia triste e isolada enquanto as outras crianças da sala trocavam presentes- Seu nome é Mirage, Mirage Grannor.

—Por que ela está ali sozinha? -perguntou Daiana se aproximando.

—As outras crianças não gostam dela, a acham "fria" demais.

—E por que está me mostrando isso? Ela é filha de um dos três Grandes? Hades por um acaso?

A mais velha fez um sinal com a cabeça.

—Não meu amor, Mirage não é filha dos três grandes apesar dela lembrar um pouquinho do seu avô. Ela é especial, será de grande ajuda nessa guerra contra Cronos.

—Ela é especial por?

—Infelizmente não posso te contar. Eu vim até você essa noite, não por que você se encontra fragilizada, mas por que você é a única que pode proteger Mirage.

—O que?

—Eles vão mandar assassinos atrás dela assim como fizeram o Quentin. -Disparou a mulher de olhos vermelhos- Seu filho tinha um papel especial que infelizmente foi tirado do jogo, mas você pode dar um fim a essa sequência de mortes. Cuide dela, Daiana.

Antes que Daiana pudesse contradizer sua mãe, ela estava de volta na cozinha de seu templo, completamente sozinha.

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Os dias se passaram e a deusa continuava em seu isolamento e em seu luto.
Daiana não saia de seu quarto, não parava de encarar um espelho. Dentro deste ela observava a menina de Westover Hall. Ela não parecia especial, era só mais uma semideusa abandonada num internato.

O que teria de tão interessante nela? Daiana não sabia a resposta, mas continuava a observando.

Foi no dia primeiro de janeiro que Daiana descobriu por si mesma o motivo, grave por sinal.

Sua mãe tinha razão, Mirage teria um grande fardo nas costas e tentariam mata-la por causa disso, assim como fizeram com Quentin e isso ela não iria tolerar, se dependesse dela, nenhum semideus mais seria morto.

Daiana olhou para a sua forma mortal no espelho pela última vez, se julgando adequada a Westover Hall.

Dependendo dela, ninguém tocaria em mais nenhum semideus, nenhuma mãe ou pai sentiria mais a dor dela.

Foi uma surpresa para Mirage conhecer a filha de sua tutora.

—Prazer, eu sou Daiana.



Notas finais do capítulo

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