Ulterior Motives escrita por Brave


Capítulo 1
Capítulo Único




Quem surgiu com a ideia foi Sirius - até aí não tinha nada de novo, as piores ideias sempre vinham dele. Também não é como se ninguém nunca tivesse considerado ou comentado isso. A grande novidade de toda essa situação foi que Lily Evans tinha lhe dado ouvidos. Tá certo que ela só lhe deu ouvidos no começo porque achou que ele estava brincando.

Os dois nunca tiveram problemas em ficar com o mesmo cara, inclusive foi assim que se conheceram: na recepção de calouros da faculdade, logo após o veterano que estavam dividindo cair de joelhos e começar a vomitar no pé deles. Os dois trocaram um olhar cúmplice antes de se afastarem discretamente do mais velho, sem se preocuparem em prestar ajuda (depois o encontraram na fila do open bar com a camiseta um pouco suja mas com um sorriso no rosto, então no final não se sentiram tão culpados por tê-lo deixado).

Daquele dia em diante eles nunca mais se separaram, Sirius a levou para sua república (quando a garota começou a vomitar, Sirius não a abandonou como tinham feito com o veterano e passou o resto da noite ao seu lado segurando seu cabelo) e os dois pegaram as mesmas matérias nos três primeiros semestres do curso de Biomedicina. Foi assim que Lily conheceu Remus. Depois que a ruiva foi "adotada" como mascote da República Casa dos Gritos ("fui eu mesmo quem escolheu o nome" Sirius se gabou como se isso fosse impedir Lily de zomba-lo), ela passava mais tempo no apartamento deles do que em sua casa e logo ela se acostumou a ter que passar um tempo sozinha com Remus na sala enquanto Sirius e seu namorado na época, James, explicavam de onde tinha vindo a inspiração do nome da casa.

— Eles são sempre barulhentos assim? – Lily perguntou a primeira vez que se viu nessa situação.

Remus apenas riu e olhou para ela por cima de seu celular. Ele e James entraram na faculdade um ano antes do amigo, que nunca foi o mais inteligente dos três. Fazia licenciatura em história, dava aulas voluntárias em uma ONG e recebia um bolsa do governo por conta de uma pesquisa na área de ensino. É claro que ele ganhara Lily quando ela descobriu que ele não comia carne e que nenhum dos livros da casa eram dele pois ele preferia baixá-los ilegalmente e economizar papel.

—Na verdade não, eles são bem respeitadores, estão fazendo esse show pra me provocar. Se soubessem que você está aqui nem a cama estaria mexendo.

—Então.... Não é melhor que eles saibam que eu estou aqui? – Ela puxou uma almofada para o colo depois de um "caralho James" seguido do barulho de um tapa.

—Nah – Ele deixou o livro de lado, divertido com o embaraço da garota – Quero ver a cara deles quando saírem de lá e virem você. – Lily se permitiu rir com o brilho de vitória e vingança que surgiu nos olhos dele.

—E por que eles estão te provocando? - Perguntou depois de um tempo onde o único som era os "clap claps" em ritmo constante vindos do quarto.

Remus ainda respirou fundo antes de responder, ela pode ver ele considerando se deveria contá-la ou não.

—Eu comentei com eles que a última vez que transei gostoso de verdade faz um ano. E que a última vez que simplesmente transei faz dois meses. Eles disseram que iam... me ajudar a lembrar.

Essa não foi a primeira vez que Lily imaginou pular no colo dele e puxar seu cabelo enquanto sugava seus lábios, mas possivelmente foi essa a primeira vez que deixou transparecer, já que seu olhar passeou pelo corpo inteiro de Remus, dando atenção especial para suas mãos e boca. Quando seus olhares se encontraram, os dois viraram a cabeça para o outro lado e Remus forçou uma tosse antes de pegar o celular e continuar a leitura.

Duas semanas depois ele estava deitado em cima dela segurando seus punhos com força acima de sua cabeça.

O namoro deles durou apenas cinco meses e eles terminaram cerca de duas semanas antes de James e Sirius terminarem também. O período em que eles estiveram solteiros foi insano (especialmente porque sempre que tinham a oportunidade, os ex-namorados acabavam nos lábios uns dos outros) até que um belo dia Remus virou o rosto quando Lily, já alterada, ficou na ponta dos pés para tentar beijá-lo. Ela então saiu para comprar outra cerveja, mas só o confrontou sobre o assunto no dia seguinte então ele, um pouco envergonhado, confessou que estava saindo com uma pessoa e que ainda não sabia ao certo que tipo de relacionamento era e queria evitar mal-entendidos. Não demorou muito para que ele e Sirius chamasse Lily e James para uma "reunião" na sala e confessaram que estavam apaixonados ("porra agora eu vou poder compartilhar minhas reclamações com alguém" James exclamou animado antes de "pera, vocês estão exclusivos? ").

A conversa entre os colegas de curso aconteceu no dia seguinte ao aniversário de um mês do novo casal. Sirius queria compartilhar tudo o que tinha acontecido com a amiga e ela se esforçava para parecer animada, mas involuntariamente com o fluxo da conversa ela acabou comentando sobre seu próprio aniversário de namoro e os dois caíram num silêncio constrangedor, Lily mordendo o lábio arrependida com sua falta de controle.

—Você já pensou em ficar com o James? – Ele perguntou nesse mesmo dia, quando os dois tiveram um horário vago e resolveram terminar um baseado que tinha sobrado da semana anterior.

—Não é muito meu estilo, por que?

—Ele é gato, beija bem e fode bem.

—Muito padrão, tu sabe que eu não curto.

—Nem pra dar uns beijos sem ninguém saber? – Vendo que a amiga tinha decidido ignorar sua pergunta, ele resolveu continuar. – Ele já comentou que queria te pegar, acho que seria uma boa. Ajudaria a quebrar esse clima estranho.

—Você quer que eu faça o que?

—Eu não quero que você faça nada, Evans, foi só uma sugestão

—Ah, desculpa. você sugeriu o que?

—Esquece, não tá mais aqui quem falou.

—Sirius, você acabou de dizer que é pra eu pegar o seu ex!

—Só se isso for fazer você se sentir melhor comigo pegando o seu, mas já que é pra fazer esse fuzuê todo eu retiro a proposta.

Eles realmente não falaram mais sobre isso, mas Lily achou legal saber que Sirius estava se esforçando para resolver as coisas.

Com James as coisas só ficaram complicadas depois que ele ouviu os amigos transarem. Ele sentiu como se estivesse pagando por todos os pecados. Antes disso, ele estava tranquilo. Seu relacionamento com Sirius sempre foi mais uma amizade colorida do que um namoro (que foi o real motivo pelo qual eles terminaram). Quando eles terminaram, foi como se nada tivesse mudado. Eles continuavam se amando, se beijavam quando estavam bêbados e beijavam outras pessoas como já faziam antes. A única coisa que mudou mesmo foi a nomenclatura.

Nem mesmo o apartamento foi um problema. Como o imóvel tinha sido um presente dos pais dele, James ficava na suíte e os outros dois dividiam o segundo quarto. O que ele teve que se acostumar foi que não podia mais beijar Sirius ao seu bel-prazer (ele notou que isso foi estranho para Lily também), mas ele não era idiota ao ponto de não perceber os olhares apaixonados dos amigos e nem egoísta para não se sentir feliz com a felicidade deles. Mas James ainda era humano, então depois de uma noite em claro ouvindo gemidos abafados foi compreensível porque ele passou o café-da-manhã inteiro olhando para sua xícara como se o chá fosse a coisa mais interessante que já tinha visto.

Ele e Sirius ficaram calados no caminho até a faculdade (Remus estudava em outro prédio) e na volta a situação foi ainda pior. James costumava ser a pessoa que resolve os problemas, que coloca as cartas na mesa e decide resolver a situação. Ele não conseguia.

Quando os quatro se encontraram no bar aquela semana, no entanto, tudo estava bem... Para Lily, que já estava bêbada quando os rapazes a encontraram. Sirius gargalhou e passou o braço ao redor da amiga, antes de roubar sua garrafa ("olha o estado dela, não tem condições de segurar uma garrafa de vidro, eu to cuidando dela").

— Você... É um bom amigo, Sirius Black. – Ela colocou o dedo indicador no rosto enquanto soltava todo seu peso no corpo de Sirius. – Eu preciso te contar um segredo. – Tentou sussurrar, mas seu tom de voz chamava atenção de todas as pessoas ao redor. – Semana passada eu peguei o teu irmão.

Os dois gargalharam juntos, sem perceber que Remus tinha ido comprar mais oito garrafas para os quatro.

***

—Evans.

—Bom dia, Potter.

—Achei que nunca mais ia poder acordar com o cheiro do seu chafé estranho.

—Me desculpe por não querer desenvolver gastrite. E dessa vez eu fiz só uma xícara pra mim. Já já eu vou embora.

—Ué, vai pra onde?

—Pra casa ué. – Ela deu os ombros.

—Você ainda tá meio bêbada. – Ele observou divertido como ela tinha dificuldade em se localizar na cozinha e piscava os olhos rapidamente.

—Você também. – Lily retrucou como se tivesse cinco anos. - Não dormiu também?

— Dormir é para os fracos. Tu sabe que se quisesse poderia ter ido dormir na minha cama né? Ela é grande.

— O sofá não é ruim. E eu não to a fim do Sirius me enchendo o saco por tua causa.

— Mas a gente já dormiu junto-

— Quando eu tinha um namorado e você também.

— E que que o cu tem a ver com as calças, Evans? Enfim, só me preocupo com a sua coluna. Não que tu passe mais tanto tempo aqui, mas como tu não pode ir bêbada pra casa dos teus pais...

— Eu to ocupada ultimamente.

— Não precisa mentir pra mim. Se eu pudesse, também não passaria tanto tempo aqui.

Lily trocou um sorriso solidário e ofereceu a xícara de café que passou para James, forte e sem açúcar do jeito que sabia que ele gostava depois de uma noite de bebedeira.

— O Sirius me disse que você falou pra ele que não me pegaria nem por um milhão de dólares, por que você me odeia?

— O que? Eu nunca disse, é claro que eu te pegaria por um milhão de dólares.

— Então por que ele disse isso?

— Não foi bem assim, ele tá se sentindo mal por estar pegando o Remus e quer que eu pegue você pra que nós fiquemos quites e não fique esse clima estranho que está agora.

— Ah sim, o Aluado ta um pouco culpado comigo também, eu me sinto mal porque não quero que eles se sintam mal, mas é estranho e não tem como deixar de ser estranho.

— E a gente se pegando só deixaria mais estranho.

— Mas seria um estranho com vantagem pelo menos.

— Vantagem só se for um milhão de dólares. – Depositou um beijo estralado na bochecha do rapaz antes de sair tropeçando do apartamento.

Lily pensou nisso o resto do domingo inteiro.

James também.

Era uma péssima ideia.

Já Sirius, bem, Sirius achava que a culpa era dele.

— Qualé Evans, desembucha. – Ele cutucou a ruiva que estava deitada no sofá oposto. Os dois estavam no Centro Acadêmico observando os calouros já fazia dez minutos. Lily estava meio adormecida ainda quando Sirius chegou. Ela acordou assustada e demorou alguns segundos para se situar, cumprimentou o amigo e voltar a deitar em silencio. Um tempo depois exclamou "Nossa, acabei de perceber que meu sonho foi um sonho. Tava achando que era real." E não disse mais nada.

— Eu não lembro direito. – Ela era uma péssima mentirosa, sempre apertava os punhos quando mentia, Sirius notou. – Foi mais aquela sensação sabe? Achei que meu sonho tinha acontecido mesmo, quase fui pegar meu celular pra checar as mensagens, mas foi só um sonho.

— E que mensagem você achou que recebeu? – Ele insistiu. – Era sexo?

— Jesus Cristo, Sirius! Nem todas as pessoas tem o subconsciente deturpado igual o teu!

— Então foi sexo, ok, estamos indo para algum lugar. Foi alguém proibido? Tipo o meu irmão, sua papa-anjo desgraçada?

Os olhos de Lily se arregalaram com a lembrança de sua confissão bêbada, ela normalmente tenta não se lembrar das besteiras que faz e fala depois de alguns goles, mas fica difícil quando seu melhor amigo ainda estava sóbrio quando ela contou para ele sobre Regulus. Antes que ela pudesse se explicar ou se defender, Sirius piorou a situação.

— Ou foi sobre o meu namorado? Meu Deus Evans, meu irmão e meu namorado, você é uma vagabunda.

A ruiva nem se deu ao trabalho de responder, apenas caiu na gargalhada, incapaz de conter seu desconforto com o caminho da conversa.

— Eu to rindo de nervosa. – Ela explicou quando conseguiu parar para tomar ar. – Eu encontrei seu irmão no bar da rua quinze, ele tava com aqueles amiguinhos héteros estranhos dele e ele me pediu uma ajuda pra aumentar a moral, ai beijei ele. Só que o teu irmão é um desgraçado que beija bem pra caralho, então ele largou os amigos dele e a gente se pegou o resto da noite. Mas foi só isso. Quanto ao teu namorado, ele era o meu namorado, lembra? Eu tenho conteúdo de sobre pra sonhar com ele.

— Eu não acredito que você sonhou que estava transando com o meu namorado por mensagem. – Ele continuou a brincadeira, mas o sorriso em seu rosto já não era tão natural.

— Mas que buceta, eu não sonhei com o Remus, esquece isso.

— Se não foi com o Remus e não foi com o Regulus, quem foi? Não tá querendo dar moral pra Marlene de novo não né? Aquela guria só te fode.

Ela considerou mentir outra vez. Ter Sirius achando que ela ainda estava sofrendo pela ex que nunca nem chegou a ser ex era bem mais aceitável e menos constrangedor do que...

— Quem só fode com a Evans? – Lily fechou os olhos involuntariamente ao ouvir a voz, mesmo que o dono dela ainda não estivesse em seu campo de visão. Sabia que estava corando. Puta merda.

— É o que eu quero descobrir. – Ouviu Sirius se ajeitando no sofá, mas ainda assim não se virou.

— E eu achando que tinha chances. –James forçou a decepção na voz, mas mesmo sem olhar para ele, Lily sabia que ele sorria.

— Bom dia Potter. – Com um suspiro de derrota, Lily desistiu e se sentou. Fingiu limpar os olhos sonolentos para não ter que olhar para o recém-chegado. – Mudou de curso?

— Vim só entregar o livro desse babaca desprevenido.

— Quer por acaso é meu livro.

— Eu juro que to quase terminando, ok? É que com as provas não ta dando pra ler.

— E eu descobri que não vou ter aula hoje, acreditam?

— Claro, tu nunca tem aula. – Lily resolveu pegar o celular para ter algo para fazer com as mãos. – Esses professores de engenharia são uma vergonha.

— Ei, respeita meu curso, guria. Meus professores são requisitados para congressos e bancas, e sempre passam conteúdo de leitura e projetos no e-mail da turma.

— Não era tu que tava reclamando que teus professores são irresponsáveis e não tem prioridades? – Sirius se posicionou com a amiga.

— É, mas eles são meus professores, eu tenho o direito de reclamar, vocês que reclamem dos teus.

— Pois é, nossos professores nunca faltam, só queria uma folguinha.

— Engraçadona Evans, vai tomar no cu.

— Só não com o meu irmão, ou com o meu namorado.

— Mas que buceta, Black! – Jogou outra almofada no amigo, mesmo rindo.

— Amiga, tu chegou a um ponto que ta sonhando com sexo, eu acredito que talvez esteja necessitada.

— Então talvez eu deva mesmo ligar para o teu irmão.

— Eu não acredito que comigo na tua frente você ta falando de ir atrás daquele moleque.

— E eu não acredito que você quer pegar meu irmão de novo.

— Eu não mereço vocês dois. – Choramingou escondendo o rosto dentro do suéter. – Eu vou mudar pra Engenharia pra não ter aula.

— Eu até ia te oferecer meu carro pra você tirar uma soneca mais confortável, Evans, mas você está tão piadista que acho que vou reconsiderar.

— Você é tão cavaleiro Potter, oferece a sua casa pelo menos né, não aquele carro fedorento.

O rosto de Lily pegou fogo apenas com a menção da probabilidade, o sonho que acabara de ter voltou com força à sua mente, a fazendo fechar os olhos com força numa tentativa de proteger sua mente de pensamentos pecaminosos.
— Por que vocês não me dão motivo para não faltar hein?

— Porque tu é uma mulher adulta e sabe escolher entre a sua saúde e as suas responsabilidades. – Sirius disse que com naturalidade enquanto digitava no celular.

— Bom, se alguém mudar de ideia, o meu carro fedorento tá no estacionamento B, vou ali no mercadinho e já volto. – James se levantou num pulo e saiu sem se despedir de ninguém.

— É tentador... -–Lily suspirou.

— Faltar ou o James?

Lily resolveu não responder, apenas se levantou e juntou suas coisas, indo para a aula. Ela quase conseguiu se esquecer do sonho com James Potter depois de se convencer que era tudo um reflexo do seu cérebro às investidas de Sirius e que ela não estava atraída pelo amigo – era uma explicação bem lógica, certo? Bom, de qualquer forma, ela tinha um longo dia de aulas e estágio pela frente, não poderia se dar ao luxo de perder tempo pensando em homem.

Lily pensou em James o dia inteiro.

Estava pronta para socar Sirius assim que o visse por colocar coisas na sua cabeça e a fazer perder o juízo, só não contava que fosse ver Sirius quando ele estivesse com a mão dentro das calças de Remus. Os dois estavam sozinhos no Centro Acadêmico, na cama embaixo da mesa cobertos com a jaqueta de couro de Black. Lily sabia o quão perigoso era ir ao CA durante o período das aulas e mesmo assim achou que poderia tirar um cochilo de fim de tarde ali. Quando entrou e não ouviu nenhum barulho, ainda achou que tinha tirado a sorte grande, foi só dar alguns passos que o casal entrou em seu campo de visão e ela teve que prender a respiração para sair o mais rápido possível.

Não foi a primeira vez que Lily havia presenciado algo do tipo na salinha do seu curso, inclusive já havia visto coisas piores, porém a imagem de Sirius e Remus explicitamente juntos, bom ela não estava preparada para isso.

Sem considerar muito bem o que estava fazendo, alcançou o celular e buscou um número nos contatos.

— A sua oferta de hoje cedo ainda está de pé? Tô precisando de um carro fedorento para tirar uma soneca.

Quando James parou com o carro à sua frente, ela não soube o que fazer. O rapaz arqueou a sobrancelha, sem entender o que estava acontecendo, mas esperando para que ela fizesse algo. Saindo do transe, Lily deu a volta e entrou no banco de passageiro, batendo a porta com um pouco de força extra ao fechar. Fitou um pouco cego à sua frente, ainda sem saber ao certo o porquê tinha ligado para James.

— Evans? Tá tudo bem? Quer que eu te leve para um hospital?

— Oi? Não, tudo ótimo. Eu só... – Ela não sabia o que falar, iria dizer que "só estava com vontade de sentar no rostinho lindo dele até se esquecerem que os ex-namorados dos dois estavam transando também"? Não parecia uma boa maneira de começar uma conversa.

— Entendi, sem muita conversa então. – Deu partida no carro. – Desculpa senhora, tô sem água e sem balinha, prefere janela aberta ou ar condicionado?

— Argh, desculpa ter te ligado, tá bom? E obrigada por ter vindo.

James apenas sorriu vitorioso e deu um tapinha na perna da ruiva.

— Sempre que precisar.

Ela segurou a mão dele e beijou-a com carinho, tentando expressar o sentimento de paz que ele havia trazido consigo.

Quando pararam no estacionamento do prédio dele, James travou as portas quando Lily ameaçou descer do carro.

— É sério, ruiva. A gente se afastou um pouco ultimamente, mas tu é importante pra caralho pra mim. O que precisar, eu tô aqui.

— Eu preciso transar com você. – Lily respondeu sem pensar.

— .... O que?

— Sirius tava certo, essa situação tá me matando. E não é porque eu ainda tenho sentimentos pelo Remus ou porque eu tenho ciúmes dos dois, é simplesmente porque eu estou com o orgulho ferido de ver o meu ex pegando outra pessoa diariamente. Transar com você vai restaurar o meu ego. É bem simples, vai funcionar.

— Não era bem isso que eu tinha em mente quando disse que tu podia contar comigo, mas eu gostei da forma como você interpretou as minhas palavras.

— Nós vamos transar então?

— Eu queria te conquistar primeiro, mas já que a casa tá vazia, podemos ir.

— Não temos tempo pra conquista, vamos subir.

Os oito andares até a Casa dos Gritos pareceram dezoito. Lily estava certa que se subissem de escada chegariam mais rápido, mas não teve tempo de pensar muito pois assim que o elevador parou, James a pegou no colo e pressionou seus corpos conta a parede do corredor, sem se importar com a mochila caindo no chão.

— Tem certeza disso?

— Tá com medo de mim, Potter?

Ao invés de responder, James selou seus lábios enquanto unia mais suas bocas, como se todo o contato já existente não fosse o bastante. Lily odiaria admitir que Sirius estava certo, mas James realmente tinha uma pegada que ela não sentia há muito tempo, nem mesmo o pequeno Regulus com toda sua avidez jovial era tão bom.

O beijo era a parte que ela menos prestava atenção, eram as mãos de Potter que estavam a deixando cada vez mais insana. Ele a suspendia com apenas uma, enquanto a outra se enrolava entre os cabelos dela, dando leves puxões. Tudo isso sem contar o cheiro que ele exalava. O perfume amadeirado sempre lhe foi agradável para o olfato, porém quando ela desceu a boca para o pescoço do rapaz e pode sentir o gosto do perfume, soltou um gemido involuntário, estava louca, tinha certeza.

O som que emitiu funcionou como uma ignição para James, que se afastou arfando, deixando Lily com cuidado no chão. Ela o olhou confusa, mas aproveitou para recuperar o ar, não fez nenhuma pergunta enquanto ele alcançava sua mochila e abria a porta do apartamento para os dois. Ao contrário do que ela achou, ele a guiou para a cozinha, onde serviu um copo de água para os dois.

— Tá... Tudo bem? – Ela perguntou, com medo da resposta.

— Não posso fazer isso, Lily, me desculpa. Eu adoraria ajudar seu pobre ego machucado, mas eu...

— Tudo bem, eu deveria ter te chamado pra tomar um vinho antes. – Ela brincou e ele soltou a respiração com uma risada. – Desculpa, fui muito agressiva?

— Não, claro que não! Eu é que não consigo transar com ninguém a menos que eu esteja apaixonado. Me desculpa, eu realmente queria.

— Talvez eu deva fazer você se apaixonar por mim então. – Lily sussurrou com os olhos fixos no copo d'água.

— Acho que não vai ser tão difícil. – O tom de voz dele saiu ainda mais baixo enquanto ele atravessava a cozinha para selar seus lábios outra vez, agora com uma distância segura entre seus corpos. – Quer ficar por aqui? Podemos assistir um filme, pedir uma pizza quando os meninos chegarem.

— Parece um plano muito agradável.

— Eu acho que ainda tem meia garrafa de vinho também, se você estiver a fim de me conquistar.

Lily revirou os olhos mas aceitou sua mão, seguindo-o para a sala onde se aconchegou no peito dele. Tudo naquele cômodo a lembrava de Remus, mas isso já não a incomodava mais. Se ela não tivesse namorado com ele, provavelmente não estaria deitada sobre James Potter naquele momento. Talvez até se acostumasse mais rapidamente ao vê-lo junto de Sirius, pois sempre que visse os dois, saberia que eram o motivo para ter ficado com James de qualquer maneira. Não que ela estivesse criando planos de casamento ou algo do tipo, é só que, depois que tomou conhecimento da sensação de ter James Potter em seus braços, ela teve certeza de que não queria perdê-lo tão cedo.

Quem surgiu com a ideia foi Sirius – e foi a primeira vez em seus 24 anos de vida que ele teve uma boa ideia.

 



Notas finais do capítulo

Oioi amorecos, como vão?
Eu levei mais de um ano para escrever essa one (juro que não tô exagerando) e agora que terminei eu tô ORGULHOSA PRA CARALHO
Espero que tenham gostado tanto quanto eu ♥




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