Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 7
Memórias


Notas iniciais do capítulo

N/A: Desculpem minha demora para atualizar de novo, mas eu vou explicar melhor nas notas finais. 

Boa leitura!



Clara sentiu uma liberdade única quando andou de moto com o John, como se ele estivesse levando-a embora de todos os seus problemas. Não sentiu-se assim da primeira vez pois ainda não o conhecia muito bem mas agora sabia que era apaixonada por ele e não queria perdê-lo.

Ele morava numa vizinhança tranquila e Clara imaginou que o barulho da moto iria acordar a todos. Mesmo assim ela lamentou um pouco quando o passeio acabou.

— Você pareceu ter gostado mais dessa vez. - ele disse, tirando o capacete.

— Bem, da outra vez eu tinha acabado de sair do hospital.

“Porque tinha tentado me matar”, ela pensou mas não disse.

— Justo. - John sorria muito, mas Clara percebeu um pouco de nervosismo ou talvez fosse só impressão sua.

Ela o seguiu e observou enquanto ele destrancava a porta da frente.

— Desculpe, a tranca foi quebrada recentemente e eu a consertei sozinho mas não sei se fiz um bom trabalho. - disse, virando a chave várias vezes mas sem efeito.

— “Foi quebrada”? Por quem? - ela preocupou-se.

— Ah, ninguém. Quer dizer, ninguém perigoso. A Missy queria me fazer uma visita e ela não gosta de esperar.

— A Missy? Ela invadiu a sua casa?!

— Sim, mas… Clara, não é bem assim. Missy é inofensiva.

— Talvez a polícia tenha uma opinião diferente.

John deu um sorriso nervoso.

— Clara, eu sei que é estranho mas eu conheço a Missy há muito tempo e sei quem ela é e do que é capaz.

— Não importa, John, ela ainda assim invadiu a sua casa! Ela está se aproveitando de você. Usando você. Isso não é certo.

Ele suspirou e segurou sua mão.

— Eu concordo que o que ela fez foi errado, mas ao mesmo tempo eu tenho total confiança na Missy. Ela é minha amiga mais antiga e realmente me apoiou durante… minha época turbulenta.

Clara não disse nada, mas continuava com raiva da Missy. Não importava o quão amigos os dois eram, sabia que ela estava explorando o John e a odiava por isso. John era muito gentil, bondoso e merecia o mínimo de respeito.

Ele fez carinho em sua mão e lhe deu um beijo no rosto.

— Não vai acontecer de novo. Eu prometo. - disse, como se fosse a casa dela que foi invadida.

Clara permaneceu em silêncio, mas sabia que seu rosto deixava óbvio sua opinião sobre aquele assunto. John finalmente conseguiu abrir a porta.

— Como eu disse, está muito bagunçada.

A primeira coisa que Clara reparou na casa era o clima pesado que pairava sobre ela, como se a própria casa sofresse os mesmos problemas que o John.

— Não é tão ruim assim.

— Obrigado por mentir.

— Bem, você precisa tirar as roupas do chão e talvez passar um espanador nos móveis. - disse, analisando os armários empoeirados. - Mas além disso eu não vejo problemas.

— Odeio essa casa. Toda vez que acordo aqui, eu…

Ele não chegou a completar a frase e Clara o olhou cheia de preocupação.

— Por que você não se muda? Eu sei que é difícil, mas…

— Porque elas ainda estão aqui. - os olhos dele ficaram marejados. - Não falo de fantasmas ou essas loucuras do tipo, mas das memórias. Se eu for embora vou acabar me esquecendo delas.

— Não vai. É claro que você nunca vai esquecê-las.

— Eu já estou esquecendo. - ele abaixou a cabeça e passou a mão pelos cabelos. - Toda vez que havia um filme de Harry Potter novo a Jenny costumava se sentar nesse mesmo sofá e fazia maratona dos filmes que tínhamos. Eu nunca me interessei por eles mas ela me contou a história inteira em detalhes e não parava de falar sobre essa série, ontem estive pensando nisso e não consegui me lembrar qual era o filme favorito dela, ou personagem ou qualquer outra coisa e percebi que nunca vou descobrir porque nunca mais vou poder perguntar a ela. É uma informação que sumiu para sempre, Clara, porque eu não me dei ao trabalho de me lembrar.

— Ei…

Clara foi até ele e levantou sua cabeça.

— Minha mãe morreu quando eu era criança e não me lembro de muitas coisas sobre ela, às vezes nem me lembro da aparência dela, mas não sinto que ela parou de existir só porque não me lembro disso. Ela ainda está no meu coração, eu a carrego comigo o tempo todo. As outras coisas não são tão importantes assim.

John esfregou os olhos com as mãos.

— Sinto muito, não sabia que você tinha perdido sua mãe.

— Câncer. Meu pai não conseguiu dormir na própria cama por anos, mas depois encontrou a minha madrasta e foi feliz novamente.

— Mas você não gosta dela.

Clara arqueou as sobrancelhas. John sorriu.

— Percebi pelo seu tom de voz quando falou nela. - ele explicou.

— Bem… ela nunca foi muito simpática comigo.

— Deve ser difícil para você. Seu pai encontrou uma companhia mas você não encontrou um carinho materno.

Ela encolheu os ombros.

— Não senti falta. Minha mãe estava quase sempre numa cama de hospital então não passávamos tanto tempo assim juntas.

— Mas você a amava.

— Sim… e ainda amo.

Os dois compartilharam sorrisos melancólicos, até que John resolveu mudar de assunto.

— Desculpe, eu não a trouxe aqui para deixá-la deprimida. Você quer beber alguma coisa? Eu tenho água e… água.

— Acho que vou querer água.

— Ótima escolha. Eu volto já.

John a deixou sozinha na sala. Clara tirou o seu casaco e o pendurou atrás da porta, fez a mesma coisa com os casacos que encontrou no chão. Logo ela se viu apanhando as roupas do John e dobrando-as. Ele voltou com um copo d’água na mão.

— Não precisa fazer isso.

— Eu quero fazer.

— Elas só estão no chão porque eu precisava de espaço no sofá.

— Por quê não experimenta colocá-las no armário?

— É uma boa ideia.

Clara riu e apanhou o copo da mão dele.

— Quer ouvir um pouco de música?

— Sim, por favor.

John virou-se e foi até o aparelho de som. Clara quase engasgou-se quando ouviu a banda One Direction tocar.

— Deixa eu adivinhar, essas músicas eram da sua filha?

— Como assim? Você acha que eu não gosto de garotos desnutridos cantando sobre suas desventuras amorosas? - perguntou, voltando para ela.

— Por algum motivo, John, eu realmente acho que essa não é a sua “cena”.

Ele riu-se e a segurou pela cintura, trazendo-a para perto de si.

— Qual você acha que é a minha “cena”?

— Ora, você deve gostar dos clássicos, não é? Beatles, Elvis e coisas assim.

— Credo, Oswald, meu pai gostava do Elvis.

— Certo, então do que você gosta?

John lhe deu um beijo na testa.

— Blondie… - beijou seus lábios. - … The Clash… - beijou o seu pescoço. - … Sex Pistols…

— Hum… nunca pensei em você como um punk.

Clara fechou os olhos, sentindo os beijos dele.

— Todo mundo era nos anos 80.

— Estou tentando imaginá-lo com aqueles cabelos loucos e tatuagens.

— Sem tatuagens, só brincos.

Ela achou graça. John não parecia ser do tipo rebelde, mas todos tinham suas fases.

— Já está tarde, você quer ir para cama? - ele perguntou.

Clara surpreendeu-se com o convite.

— Mesmo?

— Se você quiser.

Ela colocou a mão no peito dele e sentiu seu coração bater.

— Sim, eu quero.

**

A luz do sol atravessava as cortinas da janela. John ficou observando seu quarto por um bom tempo tentando descobrir o que havia de diferente. Então percebeu que a diferença estava nele próprio. Não sentiu mais vontade de morrer assim que acordou ali. Sentiu-se feliz.

Olhou para Clara ainda adormecida. Pensou que ia sentir culpa por trazê-la para aquele quarto que um dia dividira com outra pessoa mas Clara era diferente, ela era especial. John levantou-se da cama devagar e vestiu-se.

— Você vai fugir? - Clara perguntou.

— Desculpe, eu não quis acordar você.

— Não acordou. Eu já estava acordada.

— Ah…

Os dois se entreolharam sorrindo.

— Eu ia fazer o café da manhã, na verdade. - explicou-se.

— Não. Volte.

Ela segurou seu braço e o puxou de volta para cama.

— Clara, você… nós precisamos nos alimentar.

John tinha a impressão de que ela “esquecia-se” das refeições constantemente. Já teve alguns pacientes assim e conseguia ver o padrão.

— Depois.

Clara deitou-se em cima dele, impedindo-o de se mexer. John deu-se por vencido e a abraçou.

— Como está se sentindo? - ele perguntou.

— Ótima, e você?

— Eu também. Ontem foi divertido, apesar do filme.

— Sim, e da sua amiguinha invasora.

John não soube o que dizer. Arrependia-se de ter falado sobre Missy.

— Desculpe, eu não quis tocar no assunto. - ela disse.

— Tudo bem. Hum… Missy tinha me convidado para uma festa de ano novo. Eu não pretendia ir, mas podemos ir juntos se você quiser.

— Hum…

— Vocês podem se conhecer melhor e acho que se dariam bem. Ela se empenhou muito em ajudar você… naquela noite.

— Está bem. Se você acha que é uma boa ideia…

— Acho sim. - beijou o topo da sua cabeça. - Obrigado.

Apesar do otimismo, John sentia agora um pouco de medo. Não queria perder Clara também.



Notas finais do capítulo

N/A: Esses dois estão se dando muito bem. Eu nunca perdi ninguém próximo mas imagino que a pessoa se sinta culpada e com medo de se "esquecer" da pessoa amada, insultar a memória dela ou algo assim. 

Bem, eu quero escrever essa história mas por causa das minhas crises eu raramente consigo e acho que elas vão piorar agora que vou voltar às aulas então não sei se vou poder atualizar todas as semanas. É uma fanfic "pesada" de escrever por causa dos temas e tenho de estar no humor certo pra isso. Sei que não parece porque os capítulos são pequenos, mas escrever é muito difícil e é por isso que eu geralmente prefiro escrever histórias curtas de um capítulo só, quando acredito que consigo escrever mais capítulos daquela história então eu faço uma longa mas mesmo assim é difícil. 

Enfim, espero que vocês me entendam e que tenham gostado do capítulo. 

=***



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