Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 3
Solidão




Clara não esperava que ele saísse tão depressa, na verdade estava se preparando para ouvir uma negativa. Talvez ele quisesse ficar até que tivesse certeza de que ela estava bem. No entanto, John não disse nada e Clara logo ouviu o barulho da porta da frente se fechar quando ele saiu.

“Melhor assim”, ela pensou. Estava começando a gostar dele e sabia que gostar de pessoas era uma coisa perigosa, principalmente porque Clara tinha certeza que sempre gostava das pessoas erradas. Havia um professor na escola chamado Adrian que sempre deixou óbvio o quanto gostava dela, mas Clara se apaixonou por outro homem e ele estragou sua vida.

Não queria mais sair com homem algum. Não confiava em homem algum. Com exceção do…

— Lord M! - exclamou ao ver o gatinho escondido na cozinha. - Sou eu.

O gato virou-se e olhou para Clara como se ela fosse uma estranha.

— Desculpe, eu não quis deixá-lo sozinho. Eu… aconteceu uma coisa, mas já está tudo bem.

Lord Melbourne continuava olhando-a com desconfiança. Clara notou que havia comida de gato espalhada pelo chão da cozinha.

— Você conseguiu encontrar comida. Muito bem!

Ela ajoelhou-se diante dele. Imaginou-o sozinho em casa, com fome e esperando pela dona voltar. E se ela não voltasse? Lord M teria fugido, sem dúvida, e seria um gato de rua agora. Ninguém tomaria conta dele.

— Eu sinto muito, Lord M. Não sei o que deu em mim. - falou, começando a chorar. - Fui muito egoísta.

Lord Melbourne aproximou-se dela e colocou uma pata em seu nariz, fazia isso quando ela chorava. Clara alisou a pelugem branca do animal, tinha Lord M desde que ele era um filhote, fora um presente de seu pai.

Clara levantou-se, enxugando as lágrimas, e apanhou seu celular que tinha deixado próximo à pia. Seu pai com certeza tinha deixado alguma mensagem de natal, ficara chateado quando Clara disse que não pretendia visitá-lo naquele ano. Inventou alguma desculpa esfarrapada de que não poderia ir por causa da neve, mas ele sabia que o verdadeiro motivo era o fato da filha não gostar da sua nova esposa.

Linda gostava de se meter na vida de Clara e questionar suas decisões, além disso era muito superficial e fofoqueira. Clara a detestava, mas ao mesmo tempo sabia que ela tinha razão pois sua vida era de fato uma bagunça e a culpa era toda sua.

Amy Pond também tinha lhe deixado várias mensagens.

AmyPond: Feliz natal, Clara! Gostaria que você estivesse aqui. Beijos!

Na verdade, eu queria estar aí com você porque minha família é muito embaraçosa. Rory fica incentivando as loucuras deles!

Clara, você está aí? Está tudo bem?

Clara, estou preocupada com você. Sua madrasta foi te fazer uma visita surpresa?

Clara, me responde!

A última mensagem tinha sido enviada naquela manhã. Clara imaginou que amiga estaria muito agitada, talvez gritando com o Rory como ela sabia fazer muito bem.

ClaraOswald: Oi, Amy. Sim, estou bem. Meu celular estava descarregado, só isso.

A resposta da outra veio quase que imediatamente.

AmyPond: Ah, certo…

O que você fez no natal?

ClaraOswald: Nada demais. Fui dar uma caminhada, ver a iluminação na cidade.

Conheci um cara ;)

AmyPond: Ahh! Sério?!!

ClaraOswald: Seríssimo.

AmyPond: Como ele é?!

ClaraOswald: Hum… ele é mais velho do que eu. Acho que é divorciado ou algo assim. Tem uma cara engraçada, parece uma coruja.

AmyPond: Ele é bonito?

ClaraOswald: Acho que sim…

AmyPond: Vocês vão se ver novamente?

ClaraOswald: Provavelmente não… acho que eu assustei ele.

AmyPond: Ah, Clara, você tem que falar com ele de novo!

ClaraOswald: Não posso. Eu não peguei o telefone dele.

AmyPond: Clara, não faça isso comigo! Você tem que achar um namorado para saírem comigo e o Rory.

ClaraOswald: Você tem outras amigas, Amy.

AmyPond: Mas eu odeio os namorados delas. Eles são tão controladores e burros.

ClaraOswald: Conheço o tipo…

AmyPond: Qual é o nome dele? Do cara de coruja.

ClaraOswald: John.

AmyPond: Você tem que encontrá-lo de novo! Estou sentindo que ele é o cara certo pra você. Vocês se conheceram no natal, isso é muito mágico. Já shippo.

ClaraOswald: Hã?

AmyPond: Shippo. Minha prima me ensinou essa palavra. É tipo quando você gosta muito de um casal.

ClaraOswald: Ah…

AmyPond: Tenho de ir agora. Rory está me chamando.

Ele mandou um “oi”.

ClaraOswald: Está bem.

Feliz natal…

Amy não respondeu. As conversas com ela eram sempre engraçadas assim. Clara tinha uma sensação estranha quando pensava na amiga, sabia que as duas gostavam uma da outra mas não era algo muito profundo. Na verdade, Clara nunca teve um relacionamento muito profundo.

***

Passou o resto do dia sozinha, como se nada tivesse acontecido. Seu jantar havia sinto um pote de iogurte pois não sentia fome. Deitou-se no sofá com Lord Melbourne ronronando próximo de si. O gato já tinha lhe perdoado pelo abandono.

Estava passando um filme na TV mas ela não prestava atenção. Pensava em John, mesmo sem querer. Alisava a pelugem fofa do seu gato quando reparou no bloco de notas em cima da mesa. Não se lembrava de ter anotado aquele número.

Seu primeiro pensamento foi que aquele era o número do John, mas por que ele lhe daria isso? Tinha sido muito grossa com ele e não iria culpá-lo por querer manter distância. Mesmo assim ela apanhou o papel e ligou para aquele número misterioso.

Alô?— era a voz do John.

— É você! - exclamou, surpresa.

Sim, sou eu… ah… Clara, essa é você?

— Sim. Queria saber que número era aquele no meu bloco de notas.

Desculpe, eu devia ter deixado meu nome também. Você está bem?

— Por quê você deixou seu número?

Bem…— ele pigarreou. - … acho que me preocupei com você e queria que me ligasse.

— Você “acha”? Não sabe o que sentiu?

Está bem… eu queria vê-la novamente.

— Por quê?

Eu… hum… já lhe disse que gostei de você.

— E daí? Meu gato também gosta de mim.

Você tem um gato?

— Sim… por quê? Você não gosta de gatos? Você é alérgico? Qual é o seu problema?

Nenhum, é só que eu não tinha visto seu gato na sua casa.

— Ah… bem, eu não o abandonei se é isso que você está pensando. Lord Melbourne sabe se virar.

Não estava pensando nada. Só estou jogando conversa fora.— ele riu. - Lord Melbourne? Como o Primeiro-Ministro?

— Sim, você o conhece?

Só das aulas de História.

— Meu pai tinha uma gata chamada Vitória e quando ela teve filhotes nós demos a eles os nomes dos Primeiros-ministros da Rainha Vitória.

Bem pensado.

— Você gosta de mim em que sentido?

John foi pego de surpresa com a pergunta e não respondeu.

— Escute aqui, eu não tenho mais paciência para essas bobagens. Quem é você, John? Você é um babaca? O que quer comigo? Por que é divorciado?

Eu não sou divorciado.

— Mas você disse que…

Sou viúvo.

Clara parou. Sentiu vergonha pela gafe que cometeu.

Quando nos conhecemos eu lhe disse que perdi algumas pessoas, lembra?

— Sim…

Estava falando da minha esposa e… da minha filha.

Ela suspirou. Não tinha imaginado algo tão trágico assim.

— John, me desculpe…

Tudo bem. Agora você já sabe.— ele também suspirou. - Clara, eu não sei como explicar mas eu gostei de você como não gosto de alguém há muito tempo. Queria conhecê-la melhor, mas vou entender se você não quiser.

John obviamente tinha uma bagagem pesada. “Eu também tenho”, Clara pensou.

— Eu também gostei de você, John. - admitiu. - É disso que eu tenho medo.

Eu também tenho medo.

— Se formos continuar com isso você tem que saber que eu não quero substituir ninguém. Não quero que você fique comigo só porque sente falta de uma mulher para esquentar os lençóis ou porque quer cuidar de alguém, entendeu?

Não quero usar você. Nem sinto pena de você. Sei que é uma pessoa forte e não precisa de mim.

— O que você vai fazer amanhã?

Hum… tenho uma reunião de manhã…

— Então me encontre depois. Vamos almoçar.

Ela conseguia ouvir o sorriso dele.

Eu adoraria.

— Você é quem vai pagar.



Notas finais do capítulo

N/A: Amy shippa, e vocês?

Saudades Lord M na série Victoria T.T

=***



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Stay With Me" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.