A Nova Tradição do Imperador escrita por Kori Hime


Capítulo 1
Quem será a esposa do Imperador?


Notas iniciais do capítulo

Esse conto é algo que deu vontade de fazer aqui agora e saiu essa comédia.

Boa leitura



Era o aniversário de vinte e um anos do Imperador e todos estavam aflitos dentro do palácio. Kuzco havia solicitado uma festa que ninguém pudesse esquecer, queria muita comida, música e dança. Faria um show espetacular com pirotecnia no céu, presente de um viajante Chinês que por aquelas bandas visitava. Kuzco estava tão animado que chamou todo o vilarejo e decidiu inaugurar uma segunda casa de banho no topo de uma das montanhas mais belas do seu reino, a Kuzcotopia II, com escorrega em espiral e trampolim.

O evento estava marcado para dali dois dias, o imperador não falava de outra coisa. Queria que Kronk cozinhasse suas especiarias e servisse para todos uma farta refeição que os deixaria satisfeitos por uma semana. Também queria o maior bolo de aniversário de todos os tempos com trinta andares. Quanto aos presentes, Kuzco decidiu que naquele ano ele não desejaria presentes. Quando anunciou sua decisão, os seus conselheiros quase caíram para trás com tal informação. E com toda a sua soberania, Kuzco levantou-se do trono real e levou a mão ao peito.

— Olha, eu sei que é super difícil conseguir um presente para o Imperador. — Ele ergueu a mão dramaticamente. — Todos os anos vocês acabam com suas economias, entalham madeiras, tiram ouro das minas, só para me agradar. Dessa vez nada de trabalhar, quero todo mundo se divertindo.

— Mas, senhor, é uma tradição. Foi assim com seu pai, com o pai do seu pai... — O ancião aproximou-se do trono, carregava uma bengala na mão e possuía um funil dentro do ouvido para conseguir escutar melhor, já que o trono de Kuzko ficava bem no topo de uma pirâmide, dentro do seu palácio.

— Eu sei, eu sei. Mas dessa vez quero algo diferente. — Kuzco tentou falar mais alto para o ancião ouvir, só que o velho ainda falava com o Imperador.

— E depois do pai do pai do seu pai...

— Eu tô a fim de mudar algumas coisas por aqui. — Kuzco moveu os ombros. — Tá ligado, meu camarada?

— E o pai do pai do pai do pai...

— Ele não está me ouvindo. — O imperador girou os olhos e segurou-se no tecido pendurado ao lado do trono, chegando até o chão, onde o ancião continuava falando. — Tá, já sei, um monte de velho antes de mim fazia as mesmas coisas. Só que eu mudei, estou a fim de agitar umas paradas novas, sacou?

— Saco? — O velho com o rosto enrugado falou.

— É, quer dizer, tá me entendendo? — Kuzco sentiu os ombros largarem e um desânimo se abater, passando a mão no rosto. — Olha, vamos fazer uma tradição nova.

— Tradição nova? — Todos perguntaram ao mesmo tempo e Kuzco confirmou.

— Isso mesmo, quero coisas novas. Como diz lá na vila? Vida nova, roupa nova, sala nova. — Ele coçou o queixo. — Algo novo, não sei, não importa também. Quero criar as minhas próprias tradições. — Ele disse, sorridente.

— Mas, meu imperador. — O menos ancião dos anciões aproximou-se de forma solícita, fazendo uma mesura educada. — Existe um bom motivo para que as tradições existam.

— Hmm, é mesmo? Quais motivos? — O imperador encarou o homem que tentava a todo custo buscar uma resposta.

— Bem, vejamos, seguir as tradições é importante para que nós tenhamos conhecimento do que é certo e errado. Do bem e mal, passar a história da família a diante.

— Chaaaaaato. — Kuzco fez um bico.

— E, além do mais, o aniversário de vinte e um anos de um Imperador é um marco em sua vida. — O ancião menos ancião falou sério. — É preciso encontrar uma esposa, senhor.

— Esposa? — Kuzco voltou a ficar frustrado. — Sinceramente, vocês não conseguiram até hoje encontrar uma mulher realmente interessante que me agrade. Acho que ela não existe.

— Mas, senhor, o Imperados aos vinte e um anos deve se casar e ter herdeiros em breve. Vosso pai padeceu aos vinte e três. Não podemos cair novamente nas mãos de alguém como a Yzma.

Kuzco arrepiou-se só de ouvir o nome daquela mulher.

— Argh! Precisava me lembrar daquela jaburanga? — Ele perguntou, fazendo caretas.

— Nós temos novas candidatas para o posto de esposa do imperador. Se puder me acompanhar, vamos conhece-las.

Embora estivesse contrariado com aquela ideia, Kuzco acompanhou o menos velho.

Quando entraram no salão adjacente, o imperador sentou em uma poltrona dourada, sendo servido por seus criados, muitas frutas e uma taça de vinho. Em alguns minutos, cinco garotas entraram no salão em fila, parando em frente à poltrona.

As garotas não pareciam muito diferente das outras que Kuzco conheceu. Eram moças bonitas vindo de todas as partes do seu reino. Possuíam qualidades que seriam admirados por qualquer homem, ou melhor, quase todo homem.

— Tá, vamos acabar com isso. — Ele falou, balançando a mão. — Quem de vocês curte dançar?

A pergunta não teve resposta, todas as garotas estavam silenciosas e com os olhos fixos no chão.

— Meu imperador, a esposa de um imperador faz aquilo que seu imperador desejar.

— Então pulem num pé só. — Kuzco ordenou, lançando um olhar desafiador para as cinco garotas. Todas elas olharam na direção do ancião, que moveu a cabeça positivamente. Com isso, as cinco garotas começaram a pular num pé só, fazendo Kuzco se divertir. — Certo, agora imitem uma Lhama.

Cada uma delas fez sua melhor imitação de lhama. O imperador quase caiu no chão de tanto rir. Ele ainda ordenou que elas dançassem e depois imitassem um sapo no brejo. Só que depois de tudo isso, Kuzco suspirou e pediu para as garotas pararem.

— Então, senhor, qual será sua esposa?

Kuzco levantou-se e olhou para cada uma delas em fila, as garotas tinham um olhar severo e mortal por terem sido obrigadas a passar por tal situação constrangedora, mas o imperador apenas encolheu os ombros e deu sua resposta.

— Nenhuma.

— Como assim, meu imperador? — O ancião não tão velho alarmou-se. — Mas temos que dar inicio ao processo de casamento imediatamente. Escolha qualquer uma.

— Sabe o que é? Eu não gosto de nenhuma delas. — Kuzco balançou a cabeça. — Com certeza deve ser um problema com elas e não comigo.

Uma das jovens tentou acertá-lo com um objeto de cerâmica, mas foi segura pelos guardas. Todas elas foram levadas para fora do salão, onde Kuzco ouvia de tudo o que poderia ser dito sobre o casamento. Mas ele não estava preocupado com isso.

Afinal de contas, se fosse morrer com uma inflamação dolorosa no dedão do pé, igual seu pai aos vinte e três anos, que seja! A vida era muito curta para ele desperdiçar com um casamento.

E para fugir das responsabilidades de sua vida de Imperador, nada melhor do que encontrar seus amigos. Com isso, Kuzco escapou do palácio vestindo trajes de serviçais. Ninguém o reconheceu, dessa forma, chegou ao restaurante de Kronk, onde encontrou os amigos da vila comemorando algo especial.

— Chica está grávida novamente. — Pacha falou com alegria, erguendo um copo. — Eu estou muito orgulhoso da minha família e minha casa na montanha.

— Tá, tá... não precisa jogar isso na minha casa. — Kuzco balançou a mão.

— Não entendi. — Pacha aproximou-se dele, com um par de olhos miúdos.

— As pessoas não param de falar em casamento isso, filho aquilo, palácio, casa e família. — Kuzco ergueu a voz e todos pararam para olhá-lo. — Digo, e se um cara não tá a fim de casar agora? É tão ruim assim?

— Querido... — Chica levou a mão ao ombro do imperador. — Você é jovem e ainda tem muito o que viver. Vai encontrar o seu amor verdadeiro.

— Isso existe? — Kuzco suspirou, desanimado. — Seria muito mais fácil se a Yzma fizesse uma poção para me fazer gostar de alguma daquelas garotas.

— Argh! — Pacha estremeceu ao ouvir o nome de Yzma. — Precisa lembrar dela? Olha, me desculpe, eu não queria me gabar por ter uma família, ter conhecido a mulher perfeita, me casado, tido filhos lindos e saudáveis e viver numa casa cheia de amor e paz no topo da montanha.

— Pacha! — Chica o advertiu, apontando para o imperador ainda mais deprimido com a cabeça largada sobre a mesa. — Kuzco, cada um tem seu momento para achar o amor, não precisa de uma poção mágica, nem conselheiros anciãos para te arrumar uma esposa.

— Sério mesmo? — Ele ergueu a cabeça, com um olhar desamparado.

— Claro, eu tenho certeza que você vai encontrar alguém que te ame, que seja gentil e que cozinhe algo muito bom para você.

Kuzco limpou as lágrimas.

— E que saiba dançar?

— Sim, que saiba cantar e dançar na mesma onda que você. — Chica segurou-o no queixo, apertando-o como um carinho de mãe. — E quando você encontrar essa pessoa, vai sentir o coração palpitar forte quando se beijarem. Então você vai saber que é a pessoa certa.

Ele já estava se sentindo melhor, quando Kronk saiu da cozinha, equilibrando algumas bandejas pelo corpo e distribuindo a comida para todos.

— Quero que todos aproveitem a comida. — Kronk exigiu, sorrindo. — Todo mundo vai sair daqui cheio o bastante para não precisar comer nem o jantar. — Ele garantiu.

— Traga algo especial para nosso Imperador. — Pacha solicitou, convidando Kuzco a se juntar a sua família na mesa.

— Imperador Kuzco, que prazer recebê-lo aqui. — Kronk fez uma posição de soldado, batendo continência, o que não fazia o menor sentido já que ele nunca foi soldado no palácio, mas um mero empregado de Yzma.

Argh! Que arrepio horrível.

Kronk decidiu retornar para a cozinha e preparar um cozido de coelho com manteiga de garrafa e muitos cogumelos, do jeito que o imperador gostava. Ao retornar para o salão do restaurante, entregou para Kuzco a refeição, que comeu animado, já que era seu prato favorito.

Além de cozinhar bem, Kronk também era um ótimo membro para a sociedade, ele ajudava as crianças a cuidar da floresta e dos animais, principalmente as lhamas. Tinha um ótimo senso de moda, pois vestia-se muito bem. Além de ser atlético e perfeitamente capaz de carregá-lo nos ombros, sendo homem ou lhama. Kronk também gostava de cantar, sempre o via cantarolando com os velhos do asilo e dançando nas festas do solstício de inverno, em celebração ao início de um novo ano. Ele era sempre o que mais animava as pessoas, é claro que depois do Imperador.

Kronk também era gentil, como da vez que o Imperador ficou amarrado com cipó em uma árvore, ao tentar fazer as pazes com os lobos da alcateia. Quem o salvou foi Kronk, e quem ajudou na interpretação do que cada um queria dizer, também foi Kronk. E também foi Kronk que afastou Yzma. ARGH! Da última tentativa dela em dominar a vila, com uma ideia maluca de que ela vendia tecidos que só os inteligentes podiam ver. Francamente, Kronk andou pela vila vestindo apenas as roupas de baixo. E isso foi o bastante para Kuzco tombar a cabeça para o lado admirando certas dobrinhas do abdome do grandalhão.

Mas por todos os deuses Incas!

Kuzco sentiu a carne do coelho descer como carvão na sua garganta, quando em uma epifania ele compreendeu toda a verdade que se desenrolava diante de seus olhos.

Era isso, Kronk era a resposta para seus problemas de aniversário de vinte e um anos e as tradições idiotas de sua família imperial.

O imperador estava já decidido. Iria se casar com aquele membro da sociedade. Se ele era um bastardo que não possuía sangue real, não era da conta de ninguém, mas Kronk possuía todos os requisitos aos quais Chica falou. Além disso, Kronk já conhecia o palácio, estava familiarizado com a organização e horários. Não havia como dar errado exceto por uma coisa.

— Kronk? Será que podemos conversar? — O imperador entrou na cozinha, estava bastante quente ali dentro devido ao fogão a lenha. Kuzco nunca precisou, em toda sua vida de homem, entrar numa cozinha, talvez só como lhama.

— Imperador, claro, podemos falar enquanto eu mexo esse olluquito com charqui.

— Claro, que seja. — Kuzco concordou. — Escuta, você ainda namora aquela líder dos escoteiros chatinhos?

— Birdwell? — O olhar choroso que Kronk fez foi tão constrangedor que Kuzco pensou melhor se estava fazendo algo errado. — Ela me abandonou.

— Jura? — Kuzco falou sorrindo. — Digo, nossa, que pena. Então, se ela te abandonou, você está solteiro?

— Sim. — Ele respondeu com um bico. — Eu decidi investir todo o meu tempo cozinhando. Deixei de lado os romances, não quero mais sofrer.

— Entendi. — Kuzco balançou as pernas pra frente e para trás. — Então, será que essa deprê toda acaba antes do meu aniversário de vinte e um anos?

— Não se preocupe, Imperador. — O cozinheiro esfregou os dedos embaixo do nariz, controlando a choradeira. — Eu vou me recompor e farei a melhor comida para sua festa.

— Certo, quer um lencinho? — Kuzco pegou um pedaço de pano para Kronk assoar o nariz. — Eu estava pensando mais em você ir na festa não como cozinheiro.

— Como o que então? — Kronk pegou a enorme panela com o tal olluquito, usando suas famosas luvas térmicas de cozinha, colocando-a sobre a pedra ao lado da janela para esfriar.

— Que tal como convidado de honra do Imperador?

— Parece importante. — Ele mexeu o queixo com a mão. — E o que eu precisarei fazer?

— Você pode usar os serviços do costureiro real, e mandar fazer uma roupa bem bonita.

— Jura?

— Sim, e também pode ir dar um jeito no seu cabelo. — Kuzco analisou Kronk, o cabelo dele estava um pouco oleoso devido ao trabalho excessivo na cozinha, mas nada que um bom creme hidratante não resolvesse. — Me encontre no meu trono no início da festa, e não esqueça de levar duas testemunhas.

— Testemunhas? Para que? — Kronk ficou pensativo.

— Nada, só formalidades. — Kuzco balançou a mão de forma tranquila. — E tem mais uma coisa que eu já estava esquecendo.

Ele correu para perto de Kronk e se colocou na ponta dos pés para alcançar o grandão.

Os lábios de Kuzco colou nos de Kronk, enquanto suas mãos pousavam sobre os músculos do peitoral. Não sabia dizer se era o calor infernal daquele fogão a lenha, ou se era o calor que emanava do cozinheiro que fez o imperador sentir o corpo ser tomado por um arrepio gostoso. Diferente dos tremeliques que sentia quando entoava o nome de Yzma. Argh!

A mão de Kronk, ainda com as luvas térmicas, foi de encontro à cintura do Imperador, segurando-o com cuidado. Kuzco não foi repelido, ao contrário disso, o beijo se estendeu e cresceu. A boca se abriu e algo começou a ser feito com as línguas. Era completamente nova aquela sensação para o jovem imperador, ele não tinha ideia do por que estarem enfiando a língua dentro da boca do outro, mas era tão bom que não queria parar de fazer aquilo.

Contudo, era como diziam os membros do vilarejo, coisa boa acaba tarde da manhã, ou coisa boa dura pouco porque não é bom? Algo do tipo ele ouviu os camponeses falarem. Não importa muito, pois quando afastou os lábios da boca de Kronk, o imperador estava mais do que decidido.

— Então, a gente se vê no nosso casamento. — Kuzco foi andando de costas até a porta da cozinha e saiu.

— Espera, casamento? — Kronk perguntou alarmado, mas já era tarde demais, o imperador havia ido embora.



Notas finais do capítulo

Me avise se acharem algum erro.
É isso, digam o que acharam da comédia.
Beijos



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