Sorria escrita por AnneFanfic


Capítulo 5
Capítulo 5




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Outono, Novembro de 2019

           

Sendo desperta de seu sono com a tremedeira do carro ao passar por um trecho da estrada que estava esburacado, Annabelle esfregou os olhos e olhou em volta, ainda meio desnorteada, tentando se localizar enquanto resmungava da dor que sentia por ter ficado muito tempo numa posição desconfortável.

Tudo o que via eram árvores de ambos os lados da estrada, um céu nublado acima deles e ao seu lado Dylan, guiando o carro com os olhos fixos na estrada.

—Falta muito para chegar?- perguntou ela ajeitando-se novamente no travesseiro que estava apoiado numa parte do banco do passageiro, onde estava sentada, e na janela.

Olhou para ele, que dirigia prestando total atenção na estrada e por um momento pensou que ele não a tivesse escutado. Parecia preocupado alguma coisa e desligado do mundo.

—Não.- respondeu ele quando Annabelle estava prestes a repetir a pergunta.

Ele lançou um olhar rápido para o painel do carro e em seguida olhou para ela, sorrindo ao ver o estado do cabelo dela.

—Você fica uma graça com esse penteado.

Anna fez uma careta e rapidamente endireitou-se no banco para se olhar no espelho, fazendo uma careta ao ver seu reflexo.

—Não falta muito para chegarmos. Mais alguns quilômetros e já estaremos em Colônia.

—Ainda bem! Não aguento mais ficar sentada.- murmurou.

Cansada também de cochilar, Anna jogou o travesseiro para o banco traseiro e abriu o resto da janela, apoiando ali o seu braço enquanto o vento jogava seus cabelos para trás.

Era outono e embora o sol não estivesse dando as caras havia certo calor e o vento que soprava era desconfortável para àquela hora da manhã.

“Ainda é de manhã, certo?”, pensou consigo mesmo, perdida no tempo depois de tanto dormir.

Olhou no relógio de pulso e ao ver que era quase dez horas da manhã constatou que, além de ainda ser de manhã, não deveriam estar muito longe, já que haviam saído de Bamberg ainda de madrugada.

Quase quatrocentos quilômetros! Onde estava com a cabeça quando aceitou aquele convite? Ainda por cima viajando de carro, apenas os dois! E se algum problema acontecesse? Pelo que tinha certeza, nenhum dos dois eram lá muito sabidos de carros e todas as suas engrenagens.

Sorriu com o pensamento e olhou para Dylan, que ligou o som do carro e agora acompanhava a musica animadamente. E assim que ele percebeu que ela o observava, e ria de sua performance, esticou o braço na direção dela e fez um carinho em sua bochecha.

—Você ainda está com a cara toda amassada.- disse ele, dando uma gargalhada em seguida ao receber um cutucão dela.

—Acostume-se! Daqui a alguns anos essa cara amassada vai ser a primeira coisa que você vai ver toda vez que acordar, pelo resto dos seus dias.

Ele gargalhou com o comentário e lançou um olhar rápido para ela, voltando sua atenção para a estrada ao avistar a civilização a não muitos metros à frente.

—Daqui a alguns anos? Isso significa que ainda tenho tempo para pegar uma foto sua e usar um programa de computador para ver como você vai ficar daqui a alguns anos e decidir entre me acostumar com a visão ou cair fora?

Annabelle gargalhou muito ao ouvir aquilo, imaginando a cena. Tanto que Dylan foi contagiado com o riso e obrigado a diminuir a velocidade do carro para evitar qualquer acidente.

Levou alguns minutos para que ambos recuperassem o controle e a respiração, e ao conseguirem isso ambos exclamaram aleluia! em alto e bom som ao verem-se já dentro das imediações da cidade de Colônia. A viagem estava, finalmente, chegando ao fim.

Ao entrarem na cidade e rodarem tranquilamente pelas ruas rumo a um hotel, Annabelle, que não precisava se preocupar tanto com o transito, apoiou o braço na janela do carro mais uma vez enquanto seus olhos observavam atentamente tudo o que passava à sua frente. As casas, os prédios, as pessoas... Colônia, palco de muitas e grandes histórias, era uma de suas cidades preferidas, pois seus avós paternos era dali. Poucas vezes visitou o lugar, e isso quando era criança, mas depois que seus avós faleceram ela nunca mais retornou àquele lugar, por não ter tempo suficiente. E agora, ali estava.

Para sua surpresa, o céu ali estava limpando e o sol estava aparecendo, intensificando a luminosidade e também o calor. Mas só percebera isso quando seu olhar foi atraído para sua mão direita, quando a luz do sol encontrou o anel de compromisso do seu namoro com Dylan. Parecia que havia uma pequena estrela cintilante embutida ali, o que provocava um efeito muito bonito.

Estava explicado a loucura dos quatrocentos quilômetros: A oportunidade de viajar e conhecer um lugar que apreciava ao lado do homem que amava.

Direcionou então sua atenção para ele, que parecia meio perdido procurando por uma placa de sinalização, e assim que ele direcionou sua atenção para ela, o que não demorou muito, ela sorriu.

—Você fica uma graça com essa cara de assustado, como quem está completamente perdido numa cidade totalmente estranha.

Parados no semáforo, ele apoiou o braço para fora da janela e olhou para ela por trás dos óculos escuros que colocou assim que o sol surgiu, sorrindo de canto.

—Mas não se preocupe. Eu te amo mesmo assim, tá?

—Ah, menos mau.- retorquiu ele, fazendo-a rir.

Na verdade, ao ouvir as palavras eu te amo Dylan sentiu um frio terrível na barriga, que parecia se espalhar pelo corpo. Não pelo peso daquelas palavras, que ele sabia que traziam um sentimento verdadeiro, nem tampouco pela maneira carinhosa com que ela olhara para ele ao dizer aquilo. O que provocou aquela sensação nele foi imaginar o que iria vir depois. Pôr em prática o que tinha planejado dias antes, motivo que o fez trazê-la até ali.

 

Dias antes...

Dylan estava deitado de lado no sofá que estava de frente para a janela da sacada.

Observando as nuvens em tons de laranja, efeito proporcionado pelo sol que se punha por trás das montanhas, enquanto refletia sobre sua vida desde quando ingressara no mundo da fama até então.

Ponto por ponto, ele reviveu momentos bons e ruins ao lado de seus amigos e, principalmente, seu irmão. A primeira vez que subiu em um palco diante de milhares de pessoas sob o nome da banda, que anos mais tarde se tornou a banda européia de maior destaque no mundo. Recordou-se das muitas pessoas famosas que conheceu e dos muitos lugares que visitou.

Ponto por ponto, até a noite em que conheceu Annabelle. A garota mais bela e doce com quem já conversou, apesar de alguns detalhes que muito o intrigaram, por quem logo se apaixonou.

Mas ao lembra-se daquela noite, não podia deixar passar em branco a tragédia que mudou sua vida na noite seguinte. Algo que deixou marcas profundas e o fez perder a vontade de viver.

Como foram difíceis os anos que se seguiram, todo um espaço de tempo existindo em vão. Detestando a vida e o mundo à sua volta, não suportando nem olhar-se ao espelho e ver ali o rosto do seu irmão. Surpreendia-se consigo mesmo em como sua vida havia se tornado inútil e como tudo tinha perdido o sentido.

Até que ela reapareceu...

Dylan desviou sua atenção das nuvens e trouxe seus pensamentos ao tempo presente. Aquilo tudo realmente aconteceu com ele? Tudo, agora, parecia tão vago como se tudo não passasse de um sonho ruim. Mas, sim, tudo realmente aconteceu. O que parecia até estranho. A morte de seu gêmeo era real, a falta que sentia era real, mas era como se todo o tempo entre sua perda e o reaparecimento de Annabelle não houvessem existido, sendo apenas uma fraca lembrança.

Não pode conter que um sorriso moldasse seus lábios ao pensar em como tudo estava diferente desde então, ao relembrar o que pensou na noite que reencontrara Annabelle, ao olhar para o céu de cima do terraço: “Deus, ainda tenho alguma chance...?”, e ver como sim, tinha chance. Todos tem outra chance.

 Agora sim se considerava como vivendo e não apenas existindo, aproveitando de fato sua vida e seu tempo de existência no planeta, ao ter muito de seus porquês respondidos após conhecer a Deus, através de Annabelle. Claro, havia muita coisa que ainda não entendia, mas ao olhar de onde estava para o passado, e todo o caminho que percorreu até chegar ali, não tinha dificuldade alguma em esperar, confiando que um dia entenderia tudo.

Por conta disso, resolveu por conta própria parar de beber qualquer coisa contendo álcool, além de tirar todos os piercings e brincos que usava. Na verdade, foi algo que aconteceu naturalmente. De repente todas essas coisas perderam a graça e até o incomodavam. Apenas lamentava não poder apagar as tatuagens que tinha nos braços. Agora, o que antes amava passou a detestar, e o que detestava passou a amar. Algo que ele não conseguia explicar com palavras. Apenas quem passara por uma experiência semelhante poderia entender.

E o que mais despertava sua eterna gratidão era poder reencontrar Annabelle e pela primeira vez realmente saber o que era amar alguém e ter tal sentimento retribuído, e viverem todos os momentos que estavam vivendo juntos, apesar de estarem namorando há apenas nove meses. Era algo majestoso e cada dia que passava mais tinha certeza de que queria passar o resto dos seus dias ao lado dela. Estava já beirando os trinta e um anos e não queria mais perder tempo. Queria aproveitar tudo o que a vida lhe dispunha, vivendo cada momento ao lado da sua amada, e saber que ela também tinha o mesmo desejo fazia seu coração se encher de alegria.

Foi pensando nisso que Dylan ergueu a caixinha de veludo na cor preta à altura dos olhos.

Estava tudo certo; havia consentimento de ambas as partes com relação ao futuro de ambos, unidos pelo casamento, e também dAquele que instituíra tal cerimônia. Faltava apenas fazer o pedido, e Dylan queria que tudo saísse perfeito, afinal, esperou mais de trinta anos para tal. Não seria nada exagerado, que chamasse a atenção de milhares para o fato. Seria algo simples, mas significativo.

Levantou-se do sofá e pelas horas seguintes da noite tentou pensar em algo suficientemente bom, mas estava difícil. Folhas e mais folhas que pegou para fazer um rascunho permaneceram em branco sobre a escrivaninha. Nada realmente bom vinha à sua mente e, como já estava ficando tarde, decidiu tomar um bom banho e ir dormir. Pensaria melhor no dia seguinte depois de descansar. Se conseguisse...

Demorou a pegar no sono, já que a ansiedade estava tomando conta de si, aumentando mais e mais por não conseguir pensar em nada.

“Céus! O que eu faço?!”, resmungou ao revirar-se mais uma vez na cama.

Somente horas mais tarde teve um vislumbre de onde faria o pedido, ao acordar de madrugada com um lugar em mente. Não tinha a mínima ideia do porque Colônia lhe veio à mente, mas ao pensar mais afundo e correr para o computador pesquisar sobre o lugar, considerou-o perfeito.   

E sabedor de que Colônia era um lugar muito estimado por Anna, ele não perdeu tempo em fazer planos de como seria feito o pedido. Estava certo de que ela se surpreenderia, amaria e, claro, diria sim.

 

* * *

           

—Faz anos que não venho pra cá.- comentou Anna ao sair do carro, já parados em frente ao hotel onde ficariam hospedados.

Observou atentamente as imediações e constatou que, independentemente do quarto que ficasse, teria uma boa vista da cidade, o que a agradou muito.

Passou os olhos pela rua movimentada e também a intensa movimentação de turistas vindos de várias partes do mundo e logo entraram no hotel onde fizeram o check in, para quartos separados, e se acomodaram.

Como estivessem cansados da viagem, combinaram de ajeitar cada um as suas coisas e descansarem, para então almoçarem em um restaurante típico da região e depois fazerem uma tour pelos pontos turísticos da cidade.

Era por volta das 15h quando eles iniciaram a expedição pelo lugar. E a cada ponto em que paravam Dylan fazia questão de fotografá-los, e também a si mesmo e à Anna em frente dos locais, tendo Anna como a guia turística, já que conhecia um pouco da cidade e sua história. Era tão boa como guia que em dado momento um casal de alemães vindos de Hamburg se aproximaram e ficaram ouvindo-a com atenção, fazendo perguntas e tendo suas respostas. Dylan por um momento foi deixado de lado, o que o deixou indignado e ao mesmo tempo feliz pela namorada ser tão prestativa e atenciosa.

Depois de percorrerem muitos pontos turísticos, Annabelle assumiu o volante do carro e levou Dylan para conhecer a casa onde seus avós moravam quando era vivos. Ficava a alguns bons quilômetros do hotel e, visto que já estava anoitecendo, não se demoraram muito por ali.

—Johann e Katja. Eu amava vir pra cá nas férias de verão. Isso era o que me motivava a me empenhar nos estudos, no geral. Lá em casa o lema era “Nada de notas boas? Nada de férias em Colônia!” Poder vir pra cá comer a torta de maça que ela fazia valia todo o sacrifício em estudar história.- disse ela parada em frente à casa na qual passou boa parte das suas férias de verão quando criança.

Dylan estava ao seu lado, ambos encostados no carro, observando no fundo do quintal algumas crianças brincando na casa da árvore. Algo que lhe trouxe boas lembranças de sua infância, quando também gostava de ficar na casa da árvore com seu irmão.

Trocaram mais alguns comentários e, por insistência de Dylan, Anna foi fotografada na frente da casa segurando uma folha de papel escrito “Nada de notas boas? Nada de férias em Colônia! Johann & Katja, saudades”, além da data. Algo que lhe causou certo constrangimento quando as pessoas que passavam pela rua olhavam para ela e sorriam. Mas no fim ela resolveu levar tudo na brincadeira e após discutirem sobre quem dirigiria o carro de volta, Anna foi a vitoriosa na disputa de par ou impar, e voltaram para o hotel.

 

* * *

 

Estava quase na hora.

Dylan olhou no relógio mais uma vez e em seguida no espelho, ajeitando o que já estava ajeitado. Estava ansioso e suas mãos não paravam se suar frio. No bolso estava a caixinha de veludo preto e o algo a mais. Nada de mais, simples de mais, mas significava muito.

Enquanto esperava Anna ligar, para avisar que já estava pronta para o jantar, Dylan ensaiava as falas na frente do espelho. Era ridículo aquilo, pois ensaiasse pelo tempo que quisesse, na hora não mencionaria nenhuma das frases do script. Mas era um momento importante e decisivo, e precisa ter uma ideia do que iria dizer. Sabia que ela diria sim. Ao menos, era o que esperava. Mas o que mais o deixava ansioso era a reação dela, como o sim seria dito.

Era sete e meia da noite quando ambos chegaram a um restaurante de comida típica de Colônia e onde fizeram uma boa refeição. Um Rhenish Sauerbraten (rosbife defumado) de dar água na boca. Foi a primeira vez que Dylan experimentou, e havia gostado muito, a ponto de repetir. Até ali estava tudo bem, apesar da incapacidade de Dylan em esconder sua ansiedade, o que fez Annabelle pensar que ele estava passando mal.

—Tem certeza de que está tudo bem?

—Sim.- respondeu ele, fitando-a como se não soubesse do que ela estava falando.

Ela o examinou por alguns segundos e perguntou:

Tem certeza?

A forma como ela disse aquilo, franzindo o cenho e olhando-o de modo estranho, obrigou-o a rir, o que aliviou um pouco a tensão. Mas só se sentiu bem mesmo quando saíram dali para caminhar.

—Tem um lugar que quero levar você.- anunciou ele entrelaçando sua mão na dela e levando-a na direção contrária à do hotel.

—A essa hora da noite?- ela perguntou olhando-o assustada, por já serem mais de nove horas. 

—Claro! Que “chave” fecharia melhor essa noite do que a vista da Ponte Hohenzollern e da Catedral de Colônia iluminada à noite?

—Ahh!- exclamou ela apontando para ele. —Por isso você não quis que fôssemos lá à tarde.

—Claro!- confirmou.

Seu nervosismo horas antes, enquanto se aprontava, só não foi maior do que o nervosismo que sentiu ao Annabelle insistir para que fossem à ponte durante o dia. Tinha um medo terrível de que seus sucessivos nãos e suas desculpas esfarrapadas a deixassem brava e jogassem por água à baixo tudo o que tinha planejado. Sua sorte foi ela mesma ter mencionado uma visita à antiga casa dos avós, o que Dylan aceitou de imediato.

E após caminharem alguns quarteirões o casal se deparou com a belíssima vista da ponte e da catedral, realçando a noite de Colônia com as luzes que a iluminavam.

—É tão lindo!- exclamou ela, admirada, observando a beleza das construções antigas misturada à beleza da noite, com a luz da lua refletida no rio Rheim logo à frente.

—Realmente.- concordou ele, observando os monumentos, em seguida convidando-a para andar pela ponte.

—Mas o mais lindo são os cadeados pendurados lá.- comentou ela enquanto caminhavam, ao que Dylan sorriu.

Pelo que ela bem se lembrava, a moda de casais de namorados, noivos e casados prenderem cadeados na ponte era algo recente. Não tinha lembrança da ponte cheia de cadeados nos tempos de sua infância. E como aquela era a primeira vez depois de anos que vinha até ali, estava ansiosa para vê-los de perto.

Foram caminhando e conversando até que Dylan parou em um determinado ponto, exatamente onde o primeiro arco da ponte terminava.

—Por que parou?- perguntou ela, percebendo que ele observava os cadeados ali presos.

—Semana passada, quando almoçamos com seu pai e sua madrasta e falamos de nossa vinda pra cá, eu lembro que ele falou sobre seus avós terem colocado um cadeado aqui.

—Ah sim! Quando eles fizeram cinqüenta anos de casamento, mas valeu.- ela riu, e vendo que Dylan continuava a procurar alguma coisa no meio de tantos cadeados ela balançou a cabeça, não acreditando que ele estava procurando. —Você não está procurando, está? Tem milhares de cadeados aqui!

Dylan riu com o assombro dela.

—Não pode ser tão difícil assim. Seu pai disse que está onde termina o primeiro arco da ponte, vindo de onde viemos pra cá. Então deve estar exatamente por aqui. Johann e Katja.- vendo que ela ainda achava tal procura inútil, ele continuou: —Quantos cadeados, com as inscrições de “Johann e Katja - cinqüenta anos de casamento”, podem ser encontrados num mesmo lugar?

Ele continuou procurando enquanto que Anna, de braços cruzados a alguns passos atrás, apenas observava.

—Duvido que você encontre.

—Pois eu acabei de encontrar.- sorriu faceiro, com a mão sobre o cadeado.

Ela rapidamente descruzou os braços e deu um pulo para frente, não acreditando. Mas ali estavam as inscrições comprovando o achado.

—Não acredito...!- exclamou, observando o cadeado dourado, e ao virar ele, para ver do outro lado, deu uma gargalhada. –Tá. Agora acredito. Ele vivia chamando ela de Sauerkraut.

Chucrute?!- Dylan gargalhou, ao ver a inscrição ali. –Não tinha um apelido mais bonitinho, não?

Annabelle deu de ombros, passando então a olhar os cadeados que estavam ali perto.

—Que bom que você pensa assim. Isso significa que quando a gente casar eu vou ter um apelido bonitinho, então... Quero dizer, ao menos Sauerkraut está fora de questão.

Ouvir ela falando em casamento fez o coração de Dylan disparar, e julgou ser aquele o momento ideal para dar inicio ao seu pedido de casamento. Respirou fundo e colocou as mãos nos bolsos.

—Bem, daí vai depender de você.

—Como assim?- perguntou ela, observando um cadeado próximo.

Dylan ficou em silêncio por alguns segundos, com o coração pulando em seu peito, enquanto ela observava as inscrições que pareciam ser em árabe antes de voltar-se para ele.

—Vai depender de você aceitar se casar comigo ou não.- tirou a mão do bolso segurando a caixinha de veludo e esperou que ela olhasse para ele.

De fato, totalmente fora do script.

E assim que ela se virou para dizer qualquer coisa e viu a caixinha nas mãos dele, olhou para a mesma por alguns segundos e logo ergueu o olhar surpreso para Dylan, que sorria. Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente, direcionando seu olhar para a caixinha assim que Dylan a abriu, revelando ali um anel de noivado.

Ela olhou de soslaio, achando que era uma pegadinha, mas viu nos olhos dele que aquilo não era uma brincadeira.

—É sério...?

Ele confirmou com a cabeça, sorrindo ao máximo.

—Tão sério que quase tive uma parada cardiorrespiratória um minuto atrás, quando você falou sobre a gente se casar.- disse ele enchendo mais uma vez os pulmões de ar.

Ela rapidamente levou as mãos à boca e a tapou, surpresa, enquanto seus olhos lacrimejavam diante daquela cena. Por isso ele não queria vir ali à tarde e sim à noite. Por isso toda a insistência dele em virem até Colônia.

—Annabelle Endres Sihn, aceita se casar comigo?- perguntou ele.

Ele mesmo não acreditava que estava realmente fazendo aquilo, que iria se casar. Depois de tantos anos estava começando acreditar que nunca passaria por isso, mas ali estava ele, diante da mulher que amava, pedindo-a em casamento em um dos lugares mais lindos e simples da Alemanha. Era indescritível a felicidade que sentia.

—Claro que sim!- respondeu ela lançando-se nos braços dele e beijando-o.

Ele a envolveu com seus braços, segurando firmemente a caixinha para que não caísse, e assim que se separaram Dylan pegou o anel da caixinha e colocou no dedo anelar da mão dela, que sorria com lágrimas escorrendo pelo rosto, enquanto o vento por vezes jogava seu cabelo para trás, na brisa da noite de outono.

Dylan guardou a caixinha no bolso da calça enquanto ela admirava o anel, quase não acreditando no que estava acontecendo, quando ele chamou sua atenção.

—Tem mais uma coisinha.- disse ele tirando dois cadeados em forma de coração, um braço e um vermelho, de dentro do bolso.

Ela abriu a boca e logo um sorriso largo estampou seu rosto ao contemplá-los.

—Que lindo! Nem acredito que isso está acontecendo.- disse ela passando a mão pelo rosto, para enxugar mais uma lágrima que escorria dos olhos.

—Eu comprei eles quando a banda estava fazendo uma turnê pela Ásia. Quando eu vi eles, senti que devia comprar porque seriam úteis algum dia.

Ela observou a frente dos cadeados, com inscrições em chinês.

O mesmo coração. É o que está escrito aí, segundo a dona da banca.

—É lindo...- foi tudo o que ela conseguiu dizer.

—Diz a lenda,- indagou ele, —que um jovem apaixonado jurou amor eterno a uma jovem e para expressar este sentimento, gravou seus nomes em um cadeado...- virou-os do outro lado, para que ela visse o nome dos dois escrito ali. —E o trancou na grade da ponte Hohenzollern e jogou a chave no rio Rheim. A lenda diz ainda que o romance só seria rompido se alguém encontrasse a chave e conseguisse ainda identificar e abrir o cadeado.- ergueu o olhar que até então estava sobre os cadeados para ela. —Quer colocar esse cadeado comigo?

Ela sorriu confirmando, para em seguida, juntos, colocarem o cadeado na grade da ponte e jogarem a chave no rio. Dylan acompanhou seriamente a chave cair no rio, até ao alcance que a pouca luz permitia enxergar, até que Anna o chamou.

Ele olhou para ela que expressava toda a felicidade que sentia em seu semblante.

—Sorria.- falou, e ele imediatamente abriu o sorriso e a abraçou, dando um beijo estralado em sua bochecha.

Ich liebe dich, mädchen.¹

Ich auch!²

 

 

Fim

 

 

 


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Notas finais do capítulo

¹Te amo, menina.

²Eu também.



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