Sala B-37 escrita por Sensei Oji Mestre Nyah Fanfic


Capítulo 1
Sala B-37


Notas iniciais do capítulo

Eu me inspirei num caso real que eu vi no canal a cabo Investigação Discovery. Modifiquei muita coisa pra ser apenas um conto de horror.

Boa Leitura.



Fernanda Maçal, jovem negra e formada em administração, procurou emprego numa fábrica de produtos alimentícios. Seu currículo impecável chamou a atenção do empregador.

Dois meses no trabalho, Maçal teve sua carteira assinada. Dois anos no trabalho foi promovida para supervisão técnica. Sempre estava na área de produção e longe dos escritórios.

Felizmente sua sorte chegou quando o antigo gerente de produção pediu demissão depois de um caso escandaloso de corrupção. Fernanda candidatou-se como a única mulher, e a primeira que seria gerente. Os outros dois candidatos eram fortes, mas a proatividade de Nanda leviu-a ao panteão da indústria.

O atual gerente-geral parabenizou a donzela de 27 anos por ser a primeira mulher e a mais jovem gerente de produção. Agora desfrutaria de uma sala somente para si.

Conrado Levi, seu chefe, mostrou o andar dos escritórios e consequentemente seu gabinete pessoal.

SEÇÃO B/ SALA 37

Com uma caixa na mão, ela ficou emocionada por ter sido promovida a um cargo tão alto.

Seus familiares parabenizaram e ocorreu um jantar especial naquela noite.

No dia seguinte, Nanda foi surpreendida pelos empregados do escritório. Eles aplaudiram e parabenizaram a moça, com direito a um bolo.

— Parabéns.

— Obrigada.

— Parabéns, moça. Você foi muito bem. Temos um negro no alto escalão da fábrica — disse um funcionário negro. — Eu me chamo Gabriel Almeida.

— Fernanda Maçal.

Gabriel foi empurrado de lado pelos outros que queriam cumprimentá-la.

Depois da pequena festa fos funcionários, Gabriel apareceu na sala B-37 com um pequeno bolo de cenoura na mão.

— Queria te parabenizar com isto. Eu comprei no refeitório.

— Obrigada. Não deveria ter se incomodado.

— Se quiser uma ajuda, só me chamar. Trabalho como assistente do diretor de finanças, mas eu fico mais na parte industrial.

— Eu nunca havia visto você por lá.

— É que meu turno era na madrugada. Mudei esta semana. Vai comer?

— Depois.

Entretanto, Fernanda foi educada por pais conservadores e cristãos. Não deveria aceitar qualquer presente de alguém que nunca conheceu. Nesse sentido pegou o bolo, levou para o refeitório e deu para os seus colegas comerem.

 

1 semana como gerente...

No estacionamento da fábrica, ela caminhou sozinha até o seu carro. Era um sábado e tava praticamente fazendo plantão. Um vulto passou de um carro para o outro. Ela não percebeu que um stalker tirava as suas fotos.

Nanda voltou para escritório na segunda quando encontrou Gabriel sentado na sua cadeira.

— Não era pra você estar trabalhando? Como conseguiu entrar na minha sala?

— Tava aberta. Gostou do bolo? Soube que jogou fora.

— Eu não joguei fora. Não costumo aceitar presentes de pessoas que eu não conheço.

Ele se levantou e ficou perto dela. A moça afastou-se um pouco.

— A gente devia se conhecer melhor, sabe? Um encontro, talvez.

— Não. Eu nunca disse pra você, mas digo agora: não me envolvo romanticamente com colegas de trabalho.

Durante semanas a fio, Gabriel enviou presentes para Nanda. Desde caixas de bombons a um anel de prata. Todos foram devolvidos.

 

2 meses depois...

O carro não quis pegar. Não soube o que havia dado errado. Saiu e foi verificar, mas sua leiguice em mecânica a fez ficar parada por minutos. Sentiu que estava sendo observada e ligou para o irmão.

— Vem me buscar, por favor. Pago a gasolina.

O homem apareceu na frente da fábrica com o seu carro e pegou a irmã mais nova.

 

3 meses depois...

Nanda encontrou Gabriel mais uma vez na sua sala. Irritada, pediu para ele sair ou chamaria o seu chefe.

— O que posso fazer para te conquistar? Fomos feitos um para o outro — ele tentou beijá-la à força.

— Para com isso — deu um tapa em seu rosto e o expulsou da sala.

Conrado Levi, seu chefe, permitiu uma sindicância interna para apurar a conduta desenfreada de Gabriel, sobretudo com Fernanda. Depoimento de testemunhas permitiram que o funcionário fosse transferido de volta para a noite.

 

A produção teve seu maior recorde. O trabalho da gerente não passou despercebido. Ela teve um aumento e uma homenagem com direito a outra festa. Tudo isso em menos de cinco meses.

Ao cumprimentar os colegas, viu Gabriel na sua frente. Tremeu na base. Ele abriu um sorriso branco e deu uma caixa com papel presente. Desembrulhou e viu um celular de última geração. O aparelho tinha, pelo menos, três mil reais no valor de mercado.

— Não posso aceitar, desculpa.

— Me nego. Não aceito devolução.

Ele saiu do andar e voltou para o trabalho. Nanda questionou a Conrado acerca do retorno de Gabriel. O chefe perdoou suas ações, haja vista não havia vaga na madrugada e não queria prejudicar o rapaz demitindo-o.

 

Uma funcionária de longa data chamou Nanda para conversar no refeitório.

— Sabe aquele Gabriel que vive te atazanando? Eu soube que ele foi presidiário. Parece que matou a ex-namorada.

— Não pode ser.

— O Conrado sabe disso, mas bota panos quentes por pena de desempregar. Só que o Gabriel já demonstrou que não é digno de pena, pois deu em cima de outras empregadas.

O coração de Nanda acelerou. Sua vida estava correndo perigo? Tentou falar como Conrado no dia seguinte, mas o velho se ausentou por causa das férias antecipadas.

 

Uma semana depois de saber sobre a vida criminosa e possessiva de Gabriel, e sem a supervisão do seu chefe, Fernanda ficou ansiosa no trabalho.Toda a vez que o rapaz se aproximava, levava um susto. Não aguentando a pressão do colega, caiu em lágrimas no banheiro feminino. Ainda retocando a maquiagem no espelho, viu uma segunda funcionária chegar e descobrir uma câmera filmadora numa estante.

— Meu Deus. Tem alguém que colocou esta câmera aqui e está nos vigiando.

— Isso quer fizer que uma pessoa fica vendo as mulheres no toalete. Mas isso é caso de polícia — disse Maçal.

Ela fez duas ligações: para o seu chefe e para a polícia. Levi chegou momentos depois dos policiais chegarem.

— Vamos verificar as digitais. Mas sabe quem teria interesse nisso?

— Não sei. Eu ainda estou de férias...

— Pois eu sei. Acho que foi o Gabriel. Ele vive me perseguindo e me deu um celular caríssimo mesmo eu tendo recusado quaisquer investidas anteriores dele. Eu posso trazer.

— Traga.

Gabriel ficou inquieto. Seria pego em flagrante, porque no começo do vídeo dava para ver seu rosto na hora que ele colocou a câmera. Assustado e com muita raiva, pegou uma faca no depósito, ficou escondido atrás da porta da sala B-37. Fernanda entrou na sala, ficando de costas para o homem. De primeira levou uma furada nas costas, na sequência ela caiu no chão e foi estrangulada por ele.

— Morre, vadia, morre!

O sangue parou de ir para o cérebro e assim Fernanda morreu por estrangulamento. Gabriel pegou um vaso de flores e jogou no rosto dela, amassando e desfigurando o seu rosto.

Saiu correndo para fora da empresa, sequer pegou a sua moto no estacionamento.

Os funcionários encontraram o corpo dela sobre uma poça de sangue e com o crânio esmagado. Era o fim de uma excelente mulher que chegou ao topo por seu esforço, mas que caiu perante o mal de um perseguidor possessivo.

 

Gabriel não foi muito longe. Preso, zombou da cara de cada um dos familiares dela no dia do seu julgamento.

 

O pior inimigo de Nanda estava perto dela desde o começo e o seu nome era Gabriel Almeida.





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