Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 7
Capítulo 7


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!!!
Amanhã divulgo direitinho o local e hora do encontro, se alguém aqui for pode me mandar confirmação? Quero MUITO encontrar vocês. Próximo ao metrô Bresser, sábado, dia 8 as 14 horas. Conto muito com vocês, não vai pagar nada, é só mesmo com objetivo de lançar o Destinos Cruzados e claro, conhecer vocês. VENHAM!!!!



   Dakota

   “Pegue sua liberdade de volta, Dakota”. Um conselho difícil de ouvir e processar, mas estou tentando. Encaro a tela do computador, o blog ficou bonito. “Garota Paradise”, ideia da Dominique, eu mesma não pensaria em um nome assim.

   O texto é só um apanhado dos primeiros momentos com Eric, dizer o nome dele já foi mais difícil, nem mentalmente eu dizia, esses dias algo mudou, um conjunto de coisas fizeram mudar. Meu desejo de transformação, a chegada do Carl, Daisy e o blog, escrever sobre meus sentimentos tem sido importante.

   Meu dedo fica sobre a tecla enter enquanto titubeio um momento.

   — Não é você, Dakota, é a Garota Paradise. Além disso, quem vai ler? Coragem! – Digo respirando fundo e apertando a tecla com o resto de coragem que me sobrou, levo um longo momento olhando para a publicação.

   Baixo a tela do notebook e respiro longamente, tem sido dias incríveis, cheios de carinho, riso, Carl está por perto o tempo todo, mesmo quando está longe, sinto sua presença em recados, telefonemas, memórias.

   O trabalho não me exige muito, o tempo livre que antes eu preenchia com magoas, memorias ruins e medo, agora ficam ocupados com ele, com os cuidados com Daisy, com vida.

   Daisy está mais animada, já não come mais a cada duas horas, agora é um filhotinho feliz e cheio de energia que vez por outra apronta alguma para preencher meu tempo com riso, fotos e amor.

   Sinto seu corpo frágil se enrolar em minhas pernas, ela me escala até chegar em meu colo, miando por atenção, afago os pelos, minha mente longe pensando nele, os olhos azuis que sorriem sempre antes dos lábios.

   O telefone toca e atendo já ansiosa, não é ele. Dominique está me chamando.

   — Acabei de ler. – Ela diz com a voz firme. – Eu... amo você. Só queria dizer que é corajosa, linda e que te amo, “ma petite”.

   —Também te amo. – Conto a ela. – Estou bem, não acho que alguém vá ler.

   —Bom, eu enviei para todas a minha lista de contatos, não disse quem era, mas enviei.

   —Dominique!

   —Pelo que sei todas as Paradise fizeram isso. Os rapazes também. Theodor enviou em forma de memorando interno, foi o que o jardineiro me contou.

   — Vocês são malucos, todos vocês. – Passo a mão pelo rosto, sei que estou corada, meu coração disparado.

   — Garota Paradise, ninguém sabe que é você. Ninguém vai saber, ninguém nem mesmo precisa associar ao bar Paradise.

   —Pode ser Domi, mas eu... é a minha vida, eu nem sei se devia ter colocado tudo ali.

   —Devia sim. Vai continuar fazendo isso.

   — Acho que não consigo parar. Quero contar tudo, no fim me faz bem, desde que as pessoas não fiquem sabendo que sou eu.

   — Me dá o telefone do senhor Perfeito?

   — Para que quer o telefone do Carl? Ele não sabe, ainda não estou pronta para contar a ele sobre o blog, ele vai ler e eu... é sobre ele também, você leu, então... não quero que ele saiba ainda.

   —É para o Aron, ele quer convidar o Senhor Perfeito para meu aniversário surpresa.

   —Como sabe? – Eu é que fico surpresa, estávamos indo bem em esconder dela, ao menos acreditei nisso.

   — Meu aniversário é em dois dias, nem o Aron e nem o Yves tocaram no assunto de comemorar, obviamente não esqueceram, porque Aron não é o tipo que esquece datas, não o jardineiro romântico, então só pode ser uma festa surpresa.

   — Eu não sei do que está falando. No caso de ter um aniversário, porque eu não sei, mas se for o caso, eu mesma convido o Carl.

   — Aron quer estreitar laços, você sabe que o esquilo fica pressionando o coitado, ele morre de ciúme de você.

   —Uma vez, eles se viram uma vez lá no aniversário da Maitê. O Carl nem o levou a sério.

   —Hora de se verem de novo, me manda por mensagem, “ma petite”.

   — Não fala para o Aron que ele tem um codinome, tenho medo que contem a ele.

   — “Chéri”, acha mesmo que aqueles garotos Paradise vão contar ao Carl que o chamamos de Senhor Perfeito? Ainda que soubessem disso, nunca contariam.

   —Vou confiar em você, não quero que ele saiba ainda, diga isso aos rapazes, pode ser? Por favor.

   —Sim! – Ela diz com a voz entediada. – Me envia, estou de saída, vou ao cabeleireiro com minha mãe, tarde de mãe e filha.

   —Divirta-se. – Desligamos e afago Daisy que agora está brincando com minha pulseira brilhante que ela adora. – Você está se divertindo, não é mocinha? Saudade do Senhor Perfeito? Por que eu estou. Depois de alimentar Daisy e recolher coisas fora do lugar, abro um pacote de salgadinho, pego um refrigerante e me sento diante do notebook, quem sabe escrever um pouco mais para a próxima postagem?

   “No começo era mais fácil esconder as marcas, uma roupa mais fechada, mangas longas, não falar sobre isso, até a primeira marca no rosto, foi sem querer, ele disse e repetiu enquanto chorava apavorado com a ideia de me perder, prometendo com toda sua verdade que jamais, jamais faria de novo, que morreria sem mim, que eu provoquei o tirando do sério, que era injusto deixa-lo sabendo do seu amor sem fim por mim.

   Existem ótimas maquiagens para esconder marcas como essa, com o tempo aprende a usar e fica tão mecânico como todo o resto. Eu sempre terminava me sentindo tão culpada, com medo por ele, medo de algo acontecer a ele, me sentia arrependida, podia ter evitado, CULPADA e com isso, me fechava, me encolhia, eu devia ter gritado, eu devia ter partido, eu devia ter dito não, mas eu não disse, eu fiquei”.

   Sempre que escrevo meu coração dispara. Não é bom, é dolorido, machuca, muito mais por tudo que demorei para reagir do que pelo fato em si. Sinto vergonha pela demora, por ter me humilhado tanto, pela fraqueza, eu não sei bem o que me levou a tamanha submissão, tinha tanto amor das minhas garotas Paradise, não estava sozinha, não tinha nada, absolutamente nada real que me obrigasse a viver aquilo, mesmo assim vivi.

   Salvo o que escrevi, me decidi por não revisar, não mudar nada além de erros de digitação e correções ortográficas, quero que seja um desabafo, quero que seja real, partindo sempre do meu coração, das minhas emoções.

   Decido voltar ao blog e descobrir se alguém já esteve lá. Fico surpresa, quarenta e sete visualizações, oito comentários.

   “Parabéns”, “Sorte e sucesso”, “Je t’aime”, “Coragem”, “Vivi o mesmo, é bom saber que não estive sozinha”, “ Me vi no seu relato, arrepiada, vou acompanhar”.

   Um comentário me chama atenção.  “Oi Garota Paradise, estou noiva, me caso em um mês, estou vivendo o mesmo, não sei o que fazer”.

   “Anonymous respondeu – Vá embora.”

   “Anonymous respondeu – Compre uma pá”.

   —Dominique isso é sério! – Digo encarando a tela sem saber o que fazer, não devia me envolver, é a vida dela, o casamento dela, o futuro dela.

   Mordo o lábio enquanto encaro a tela, então me lembro do ataque a Savannah, que Ethan nos salvou da maior e mais dramática tragédia. O blog existe, eu comecei isso. É minha responsabilidade ser honesta com o que acredito e acredito que ela precisa procurar ajuda enquanto é tempo e sair disso.

   “Garota Paradise respondeu – Eu sei que se sente paralisada, eu sei que tem um pedacinho de você que sonha com uma mudança, eu sei que tem medo e que realmente acredita nos sentimentos dele, que acha que não pode acontecer nada melhor em sua vida, que é sua culpa. Não é, não enfrente isso sozinha, não sinta vergonha, procure ajuda, confie em alguém, vá a polícia, denuncie e se proteja, não se case com ele. Por favor, não se renda, não fique.”

   Meus dedos tremem quando envio a mensagem, engulo em seco, me falta ar, então controlo a tenção, o medo, não é sobre mim, mas me faz forte. É como enfrenta-lo. É como ser capaz finalmente de dizer não.

   Levo a mão ao rosto e está úmido por minhas lágrimas. Não sei bem porque estou chorando, mas é bom ajudar alguém que vive o que vivi, é bom ser capaz de dar a mão a alguém que se sente solitária e perdida.

   Meu telefone volta a tocar e meus dedos tremem quando atendo, puxo o ar com força, meu coração agitado e não é medo, dor, é algo novo, bom, me sinto especial, me sinto forte pela primeira vez na vida.

   —Tenho orgulho de você. – A voz de Savannah soa emocionada do outro lado da ligação. – Muito orgulho, estava acompanhando, eu vi o que respondeu, irmã, você é incrível.

   — Acha que fiz certo? Quer dizer, eu não sei se devia me intrometer assim. Dizer abertamente para ela deixa-lo. – Admito que fiz o que o coração mandou, mas ignorei por completo qualquer outra possibilidade.

   — Todos os dias eu penso em quanto fui displicente com você, eu não devia ter feito o que fiz, não devia ter deixado as coisas chegarem onde chegaram apenas porque eu não queria me meter em sua vida.

   —Fico tão brava quando se culpam.

   —Irmã, você fez absolutamente certo. Está bem? Ela pediu ajuda, ela talvez só precisasse de um empurrão para fazer algo, então não duvide que está agindo bem, continue sendo quem é e sei que vai ajudar muitas pessoas. Já são setenta visualizações, você notou?

   — Acho que sim. – Digo olhando mais uma vez o marcador. – Eu vou continuar, talvez ninguém mais comente nada, talvez outras pessoas... sei lá, uma ajuda a outra, vamos ver, no fim me faz bem falar.

   —Eu sei, me conta, vai ver o Carl hoje?

   —Na verdade, ainda não nos falamos, eu não tenho certeza, mas acho que sim, não nos vimos ontem e ele... ele está sempre tão presente.

   —É o Senhor Perfeito, então é claro que está. Quero logo vocês dois juntos, realmente juntos.

   —Não crie expectativas, Savannah, até agora... somos só amigos.

   — Olhos e coração abertos, irmã. É só isso que peço. Te amo, tenho que ir. O Sean está impossível hoje, o Ethan inventou uma brincadeira nova, eles não se largam e tenho muita coisa para arrumar até a hora de abrir.

   —Eu imagino, Ah! Dominique já descobriu a festa surpresa do Jardineiro.

   —Eu avisei, vou ligar para ela. Te vejo depois.

   —Um beijo, dá um beijo no Sean por mim. Tchau.

   Tem mais três comentários embaixo do meu, um da mulher agradecendo a ajuda, dizendo que vai pensar sobre isso, outras duas incentivando, assim como eu, que ela procure apoio e o deixe.

   Acho boa ideia pesquisar sobre violência, encontrar telefones úteis, encher o blog de recursos para quem precisar. Ethan pode ajudar com os telefones oficiais, eu posso pesquisar outros dados e ongs, apenas pedir que procurem ajuda não é o bastante.

   Isso é muito mais instigante que meu trabalho na livraria e no fim da tarde descubro que não vi o tempo passar de tão envolvida que fiquei. Alimento Daisy, brinco um pouco com ela pensando se devo telefonar para o Carl ou esperar por sua ligação, sei que ainda que seja apenas na hora de dormir ele vai ligar. Tem sido assim desde o dia que nos reencontramos. São cinco semanas que estamos próximos, nos falando todos os dias, nos vendo quase todos os dias, ele é sempre tão presente, que mesmo quando não o vejo é como se o tivesse visto e não é impossível dormir ouvindo sua voz.

   Abro a geladeira pensando em preparar qualquer coisa para jantar e convida-lo, mas meu telefone toca antes que possa fazer algo. Dessa vez é ele. Queria uma fofo dele para protetor de tela do celular, uma foto dele com Daisy seria perfeito, mas não sei se tenho coragem de pedir.

   —Oi! – Digo domando minha ansiedade.

   —Oi. – Ele responde com a voz sempre tão decidida. – Daisy está bem?

   —Sim, está brincando com aquela bolinha que deu a ela, é o presente favorito até agora, nem o ratinho de borracha a anima mais.

   — Vou comprar uma maior, ela está crescendo rápido. Você está bem?

   —Sim, eu estou bem. Como foi seu dia?

   —Tranquilo, muito tranquilo. O Aron, marido da sua amiga.

   —Ele te ligou? – Aron é mesmo rápido, sorrio com a ideia, ainda que seja um sorriso tenso, dos garotos Paradise o único com alguma seriedade é o Ethan, mas nem mesmo nele confio, os três são capazes de uma gafe.

   —Sim, me convidou para o aniversário da Dominique, no Paradise, ele disse.

   —Isso, ele vai jantar com ela e as famílias dos dois, depois tem uma noite bem animada no Paradise. Foi onde começaram a namorar ou coisa assim, primeiro beijo deles. Então... é isso. Noite deles, você aceitou?

   —Aceitei, disse que vamos juntos. Pode ser?

   —Claro. Vou gostar muito. – Meu coração fica logo animado.

   — Liguei para te convidar para uma festa.

   —Quando?

   —Agora, passo em meia hora, é um amigo meu da faculdade, ele também mora em Nova York, vai fazer uma festa no telhado, o prédio dele é pequeno, tem um telhado, sabe... tipo uma cobertura, eles tem um tipo de jardim por lá, estão sempre fazendo festas, são poucos apartamentos e todos ocupados por gente jovem, é uma festa intimista, pouca gente, cada um leva sua bebida, o telhado fica enfeitado com umas lamparinas, eles tem boa música, riso. Mantas espalhadas.

   — Parece muito legal. – Romântico, queria ter amigos assim, eu tenho minhas Paradise, mas elas estão em outra fase, filhos, casa, tantas obrigações e noites assim precisam ser muito bem programadas para elas.

   —Ótimo, então me espere. Fica entre minha casa e a sua, então vou te buscar.

   — Carl, eles... eu não os conheço, acha que tudo bem?

   —Sim. Um pessoal meio zen, todos são bem-vindos. Vai se arrumar, não se preocupe, gente muito simples, vá de qualquer jeito, não ficaria feia de qualquer modo. É impossível.

   Ele desliga me deixando com um sorriso no rosto que não me deixa enquanto não escuto o som do interfone, ai o sorriso me deixa para dar lugar a tensão.

   Daisy está forte, já sabe se alimentar e usar a caixa, não precisa mais de mim e posso me demorar, mesmo assim eu beijo a gatinha uma dúzia de vezes antes de deixa-la para encontra-lo.

   Se meu apartamento fosse um pouquinho maior eu mesma poderia dar uma festinha, uma reunião para os mais íntimos, um jantar para ele e minhas Paradise, mas na caixa de fósforo em que moro não é possível.

   Carl me enganou, ele está lindo. Realmente eu não sei como pode estar sozinho, deve ser o cara mais bonito que já vi e o pior que essa nem é uma de suas qualidades, ele é incrível, especial e realmente o Senhor Perfeito.

   Fico na ponta dos pés para beijar seu rosto, o beijo barulhento que ele sempre gostou, então Carl procura minha mão e prende a sua.

   —Está linda. – Me diz sem esconder um olhar libidinoso que costuma me deixar corada, mas ao mesmo tempo, me deixa talvez, lisonjeada. – Espere. – Ele se demora a me investigar. – Parece um pouco mais bonita que o normal, não sei... algo aconteceu hoje? Está animada.

   —Acha? – Gosto que ele me conheça a esse ponto, não gosto que tenha que mentir, mas não estou pronta para dividir isso com ele. É como ter um diário, se ele souber, não vou mais ficar a vontade para escrever qualquer coisa, sempre vou pensar que ele vai ler e isso vai me reprimir.

   — Acho.

   —Nada demais, deve ser a festa da Dominique que estamos organizando em segredo, oficialmente em segredo, ela já descobriu. – Ele ri. – Eu o ajudo a escolher umas coisas, nada demais, ele é bem romântico.

   —Do tipo que contrata violinistas? – Carl me conhece, ele se lembra de tudo. Me arranca um largo sorriso.

   —Não. Só o Theodor contrata violinistas e me leva a sério. Tão triste, como alguém pode ter um momento realmente romântico sem violinos?

   —Não faço ideia. Realmente é um insulto. – Ele brinca enquanto caminhamos juntos de mãos dadas. Carl me fala sobre seu dia, conto coisas sobre Daisy e o quanto ela está linda, ele fica animado, conta sobre como ela corre pela sua sala e escala a mesa usando os fios do computador, sempre fala dela orgulhoso, salvar Daisy é algo que fizemos juntos e isso é tão incrível.

   O prédio não fica muito longe do meu, é baixo, quatro andares, mas o terraço fica de um modo estratégico entre alguns arranha-céus o que lhe confere uma vista privilegiada que me deixa sem fôlego.

   As pessoas são animadas, a música é mesmo boa e a bebida variada, tem desde chocolate quente a champanhe, cada um bebendo o que gosta, casais se beijam, alguns dançam, rodas de conversa, um ambiente tranquilo com cerca de trinta pessoas.

   Carl me apresenta algumas pessoas, me insere nas conversas, fica por perto, mas também fica longe, me deixa em rodas quando o assunto flui e sempre tenho que domar meus traumas.

   Não somos namorados, eu não devia ter qualquer medo, mas tenho, sempre acho que ele pode sentir ciúme, ou ficar incomodado, nessas horas eu luto contra meus sentimentos, luto para não evitar pessoas e me esconder.

   Ele me acena no meio da noite, rindo com duas garotas e um rapaz, eu sinto um leve aperto no coração enquanto converso com dois casais. Parece que os quatro estão se dando bem e vê-lo com um garota ao lado enquanto o casal a frente está abraçado me dá uma sensação de que ele pode realmente me ver apenas como amiga, que talvez, em uma dessas festas em que vamos juntos, boates, passeios em grupos de amigos eu acabe assistindo ele se envolver com alguém.

   Ele se aproxima trazendo uma taça de vinho que aceito. Comprei duas taças, tem uns dias, bebemos vinho em copos e queria ter algo bonito para recebe-lo. Ainda que beber vinho seja raro, quero ser interessante como os amigos dele.

   —Tudo bem? – Ele pergunta e faço um movimento afirmativo. Ficamos conversando com os casais, a nossa frente, aos poucos, a festa vai esvaziando. Um vento frio começa a soprar quando a noite vai perdendo força e a madrugada vai invadindo o céu e apagando estrelas.

   —Passa das duas da manhã, Carl, sei que trabalha amanhã, se quiser ir.

   —Não quero. – Ele diz afastando meus cabelos que cobrem meu rosto com o vento. – Quero ficar até o dia amanhecer. Já amanheceu em uma festa?

   —Não. – Digo rápido, sozinha eu não saia, quando estava com Eric saia no começo de qualquer festa que tentávamos ir porque brigávamos, ou ele me ofendia, para ser mais honesta.

   —Então vamos aproveitar. Está gostando?

   — Sim. – Admito, ele me envolve o pescoço, gosto de estar em seus braços, sentir seu calor e proteção e me sentir segura, não ter medo da aproximação masculina.

   Um jogo começa, cartas sobre um cobertor estendido no chão. Ele me ensina a jogar e viramos algumas doses, paro antes que fique bêbada e ele também.

   Ficamos rindo do grupo que vai se embebedando e ficando cada vez mais engraçado, as quatro, mas da metade da festa se foi, até o dono dela foi para sua cama dormir. Um casal ocupa o cobertor estirado no chão trocando beijos.

   Quando me dou conta, sobramos apenas nós dois no terraço, o céu clareando e eu rezando para o sol nascer e poder assisti-lo. Fecho o casaco quando uma lufada de vento nos atinge enquanto assistimos a vista.

   —Com frio? – Ele me questiona e balanço a cabeça admitindo. Ele me puxa para seus braços, meu coração salta quando Carl me envolve. – Melhor?

   —Muito. – Digo sorrindo, mas sentindo o rosto queimar pela vergonha. – Acha que o sol vai nascer? O céu está limpo.

   —Em pouco tempo, uns minutos. – Ele diz olhando as horas no celular. – Gostou da noite?

   —Seus amigos são muito divertidos, eu nunca estive em uma noite assim.

   —Fez amigos, não fez? Vi que trocou telefone com um casal e uma garota. Não conheço nenhum deles, vai ter que me apresentar seus novos amigos.

   —Isso é muito legal, Cissy adora livros, ela vai me encontrar na livraria, quer umas dicas e o casal, Joe e Bell, acho que é esse o nome dela, eles têm muitos gatos, então só... trocamos telefones. Eu gostei disso. Me convidaram para ir a casa deles. Acha que tudo bem?

   —Não sei, é você que decide.

   — Liberdade. – Digo mostrando que entendo o que ele quer dizer.

   —Liberdade. – Ele confirma.

   —Carl, alguma dessas garotas... você... eu sei que não é da minha conta e claro que não precisa responder...

   —Você. – Ele me corta, se move, ficamos de frente, seus braços em torno da minha cintura, minhas mãos descansando em seu peito, seus olhos sobre mim, azuis, vivos, quentes, meu coração descompassado, jorrando vida e esperança e se espalhando em ansiedade e desejos que não me lembro de ter sentido. – Você é a garota que me interessa. Dakota Jones é a garota que quero em minha vida. Ainda é você, como sempre foi.

   —Carl... – Quero dizer algo, mas a garganta se fecha quando sinto um nó se formar em minha garganta de emoção.

   — O sol está nascendo. – Ele diz me fazendo desviar os olhos dele para assistir o alaranjar do céu, a noite se rendendo, a luz vencendo as trevas, meu coração ganhando cores, minha alma luz. “Dakota Jones é a garota que quero em minha vida”, ele ainda sente, meu coração amanhece, o sol brilha em mim.

   Deixo a beleza do amanhecer para encarar o infinito azul do seu olhar, seu calor me toma por inteiro, Carl se aproxima suave, uma de suas mãos deixa minha cintura para tocar meu rosto, afastar meus cabelos que brincam com o vento e então sinto seus lábios suaves tocarem os meus.

   Minhas mãos deixam a proteção do seu peito para envolverem seu pescoço enquanto meus lábios se abrem convidando seu beijo. Estou apaixonada por ele. Meu coração compreende quando a boca dele toma a minha sem perder a suavidade, em um beijo gentil, longo e completo.



Notas finais do capítulo

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS



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