Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 34
Capítulo 34


Notas iniciais do capítulo

Boa noite
Último capítulo
Obrigada a todas por mais essa série, por mais esse ano, por estarmos juntas e inseparáveis, minhas primeira e mais especiais leitoras, eu sou muito grata.
Vejo vocês no conto Paradise. Terça-feita, em três capítulos sobre o Yves!!!!!



   Carl

   Os olhos azuis como os meus, os cabelos, dourados como os dela. Ao menos por enquanto, as garotas dizem que os olhos podem mudar assim como os cabelos. Não importa muito, ele é lindo de qualquer modo.

   Tem noites que quase não durmo, perdido em observar sua respiração tranquila. A imaginar com o que ele sonha, quando sorri dormindo fico secretamente desejando fazer parte dos seus sonhos.

   Ainda me acham um menino, já me perguntaram se ele era meu irmão, mas me sinto tão maduro, quase um velho tamanho meu amor e cuidados, cada movimento, decisão, cada minuto do dia, tudo é feito em função de sua existência, segurança, paz. Meu filho é o começo da minha vida.

   Escolhemos a hora certa para traze-lo ao mundo, mesmo nas loucas noites sem dormir com seu choro e nosso medo, ainda nesses momentos, nenhum arrependimento.

   Ele tem quase cinco meses, ainda acorda para mamar o tempo todo, mas está mais desperto, mais atencioso, já procura por Dayse toda vez que escuta seu miado, às vezes, acordamos com os dois dormindo juntos, a gata o amo acima de todo resto, passa horas como eu, olhando para ele encantada, seus dedinhos ansiosas estão sempre apertando seus pelos, puxando Dayse para si e mesmo assim, ela é paciente e atenciosa, sinto que atacaria qualquer um que tentasse se aproximar do meu filho com más intenções.

   Nathan ressona tranquilo, três da tarde de um dia de semana, eu devia estar no escritório, mas estou debruçado sobre seu berço perdido de amor por ele.

   Nossa vida é tão incrivelmente perfeita que as vezes sinto medo de despertar e ser ainda o cara solitário que ama sem ser correspondido. Não, não é mais assim. Dakota me ama, temos um filho e nossa vida é como um milagre.

   Escuto seus passos pelo quarto, desvio os olhos do berço e ela se aproxima com um sorriso suave no rosto. Se senta em meu colo, envolve meu pescoço e se põe a admira-lo como eu.

   — Sabia que estava aqui, olhando para ele. – Ela diz baixinho. – Ele está cada dia mais bonito.

   — As vezes fico em dúvida sobre ele ser realmente bonzinho ou as pessoas simplesmente exagerarem sobre o trabalho que um bebê dá.

   —Ele é bonzinho e nós dois pacientes, um bebê dá muito trabalho, nos meus tempos de babá eu sentia na pele.

   — Você sempre teve talento com crianças.

   — Sempre. – Ela afirma. – Sonhei a vida toda com ele.

   Nathan começa a se mover no berço, abre os olhos e está risonho, ele não chora muito, tem dias que simplesmente se distrai com os enfeites do berço e nem percebemos que acordou.

   Leva a mãozinha fechada ao nariz e esfrega em seguida coloca na boca mordendo enquanto faz sons e bate os pezinhos. Os olhos dele sorriem, brilham. A bochecha rosada pelas horas de sono.

   — Acho que ele está com fome. – Ela avisa com sua sabedoria de mãe. Deixa meus braços para ergue-lo, quando volta para meu colo traz Nathan com ela. O pequeno me vê, abre a mão numa tentativa de me tocar.

   —Oi filho, acordou! – Ele continua a resmungar e nos fazer sorrir. – Quer conversar?

   Dayse parece ouvi-lo, logo se aproxima com seu andar elegante, sobe em minha coxa e encara Nathan. Ele sente sua presença, se contorce e puxa seus pelos.

   —Essa irmãzinha é muito cuidadosa e ciumenta. – Dakota acaricia os pelos de Dayse que ronrona preguiçosa. Essa é a família que sonhei.

   — Os dois vão se dar muito bem. Nathan vai crescer protegido, vai amar os animais, respeitar. Isso é tão importante.

   — Sim, quisemos tanto um gatinho na infância. – Ela se lembra.

   — Cachorro, tartaruga, quisemos um animalzinho de estimação, servia qualquer coisa. Pensa em como vai ser difícil dizer não a ele?

  —Penso me como eles conseguiam nos dizer não. – Dakota brinca. – Eramos assim fofinhos também, você mais ainda.

   — Você era bem mais encantadora. Não seja modesta. – Dakota me beija os lábios. – Quer que troque a fralda dele?

   —Faz isso, vou arrumar o tapete na sala, depois de amamenta-lo você liga o trenzinho.

   Dayse adora tanto quando Nathan, enquanto ele assiste o brinquedo apitar e girar sobre os trilhos de plástico, Dayse prefere pegar uma carona no brinquedo o que sempre deixa meu bebê ainda mais animado.

   Dakota beija a testa do nosso garotinho e me entrega o pequeno, ganho um beijo nos lábios e ela segue para a sala. Escuto o trem ligar, sorrio notando Dayse correr para sala e Nathan se agitar.

   —Ei pequeno, já sabe do que se trata? É seu trenzinho! – Faço o som de um apito e ele se agita ainda mais. Sou bom nisso de cuidar dele e mesmo com o garotinho se debatendo consigo troca-lo sem esforço.

   Agora mamar, ele é um esfomeado, nas próximas semanas vamos introduzir frutas a sua alimentação, temos tentado seguir a risca os conselhos do pediatra, mas as vezes é difícil resistir quando ele se debate em direção a nosso prato durante as refeições.

   —Pronto. Agora vamos encontrar a mamãe? – Ele aceita meu colo ainda ansioso, resmunga prestes a chorar e logo muda de ideia se encantando com tudo a sua volta.

   Dakota abre os braços sentada no chão quando nos vê. Se tem cena mais bonita não conheço. Minha doce Dakota de braços abertos para receber nosso filho é a coisa mais bonita do mundo.

   Eu o deixo em seus braços, me sento com ela no chão assistindo o momento sagrado da amamentação.

   — Vai encontrar os rapazes? – Ela me pergunta e balanço a cabeça em negação. – Vai sim. – Dakota insiste. – Precisa ir. É sua noite de meninos.

   —Não quero deixar você. – Conto a ela para receber seu sorriso. – Não quero deixar vocês.

   — Tem que ir, assim não me sinto culpada quando chegar a minha noite de garotas.

   — Eu sei. – Não posso deixar de ir, acho que isso é importante para nossa relação, Dakota precisa sentir isso, tem uma parte dela que jamais vai esquecer o que viveu e qualquer movimento que pareça aprisiona-la, controla-la vai assusta-la, vai acender seu sinal de alerta e simplesmente não quero isso entre nós.

   —Quando penso naquele fórum, não devia ter aceito o convite.

   — Devia. Foi muito importante aceitar. Eu e o Nathan vamos ficar bem e as garotas vão com você.

   — Pelo menos umas vinte horas longe dele. – Ela diz olhando nosso filho mamar ainda cheio de energia. Seus dedos afastam os cabelos dele, ela se curva e beija o rostinho. – Acho que não consigo.

   —Yale te convidar foi uma honra, vai falar sobre o que sabe, será bom para você, para a causa que luta, não pode dizer não.

   — Eu sei, meus professores vão estar lá, é Yale, minha velha casa, eu sei que posso, mas ele... é tão pequeno.

   —Falta um mês, vou estar com ele, meus pais vem passar o fim de semana aqui, então ele terá toda atenção do mundo.

   —Do tipo que nem vai sentir minha falta? – Ela faz um bico que a deixa ainda mais bonita.

   —Do tipo que quando ele chorar de saudade vamos cuidar dele e distraí-lo. – Beijo seus lábios, ela toca meu rosto. – Amo você.

   Nathan termina de mamar e vem para meus braços, ela me assiste brincar com ele e Dayse. Quando anoitece, depois de distraí-lo para Dakota cozinhar, tomar banho e se alimentar, é minha vez de sair.

   Não é grande coisa, só uns poucos drinks no balcão do Paradise, enquanto Ethan trabalha e a música alta impede longas e profundas conversas, só uns momentos sozinho. Como diz Aron, um jeito que elas arrumaram para se livrarem dos maridos por umas horas.

   —Se comporta, o Theo vai me contar de ficar de olho cumprido para alguma garota. – Ela diz quando a envolvo em um beijo longo de despedida.

   —Não duvido disso, ele é bem capaz de algo assim, mas sabe que só tenho olhos para minha Paradise. A mais linda e apaixonante de todas.

   Outro longo beijo, um minuto diante do carrinho onde Nathan dá um cochilo na sala.

   Dakota tranca a porta quando deixo minha família para ir me reunir aos caras no bar. Eu gosto da companhia deles. No fim eles sempre me ensinam algo, são engraçados, mas também mais vividos, mais experientes nessa coisa de ter filhos.

   Theodor me liga todos os dias, também liga para Dakota, vem pelo menos dia sim, dia não ver o Nathan e está realmente decidido a fazer meu filho de genro.

   Quando chego ao bar, a música me recebe na calçada, um casal entra segurando a porta e passo logo depois dele.

   —Um brinde ao novo papai! – Eles dizem assim que me aproximo, erguem seus copos me fazendo rir. Ethan me estende uma cerveja e brindamos antes mesmo que me sente em um dos bancos.

   —Demorei? – Pergunto depois de um gole.

   — Um pouco. – Aron olha para o seu celular. Daqui a pouco tenho que ir, minha ruiva me espera as dez.

   —Tem outro compromisso? – Ethan questiona.

   —Dominique é ciumenta. – Aron ri tomando mais um gole de sua taça de vinho. – O que acham que ela faria? Claro que inventa algo muito, mas muito melhor para eu fazer em casa.

   —Boa tática. – Theodor diz animado. – Vou usar com a Serena.

   — O que vão fazer? – Ethan questiona Aron.

   —Não sei, mas ela disse que vale a pena voltar para casa cedo, então... eu acredito. Yves está na casa dos avós.  Uma noite nossa, nem sei o que vim fazer aqui.

   —Resistencia. – Ethan diz rindo. – Essas Paradise não deixariam uma noite de garotas por nós. Então não podemos deixar nossa noite.

   —Ethan tem razão. – Theodor garante. Vocês são novos nisso, mas eu.... eu já fui um solitário garoto Paradise que ficava sozinho em casa enquanto ela vinha beber com as amigas.

   — Pobre homem.

   —Coitado!

   —Uma ovelhinha o Esquilo Perfeito. – Aron completa as provocações.

  — Vocês precisam aceitar que eu sou o cara mais legal do grupo, com o melhor codinome.

   — Pode ser, talvez ser o pai perfeito nos afete um pouco. – Aron diz meneando a cabeça.

   —Se fossemos amigos....

   —Vocês são amigos. – Interrompo o discurso de Theodor.

   —Não somos não. – Eles dizem juntos.

   —Sincronia! – Ethan provoca. – Nasceram um para o outro.

   Dou mais um gole na cerveja, só essa, não vou tomar mais nenhuma, quero chegar em casa muito bem para colocar meu bebê para dormir e ter três horas inteiras de paz e amor com minha linda esposa antes que ele acorde faminto e com as fraldas sujas.

   Depois da onda de provocações que vai atingindo um a um feito um dominó, chegamos aos assuntos sérios. Falamos sobre política, dinheiro, férias, combinamos um fim de semana na casa do lago, conversamos sobre os filhos, as esposas, é bom, tenho que admitir que faz bem conversar com eles, distrair um pouco e sentir saudade.

   — Ele está bem, nunca mais teve dor de barriga, agora só acorda mesmo para mamar e quando as fraudas estão sujas.

   —Essa é a melhor parte de ter um filho já prontinho e totalmente capaz de comer e fazer sua higiene sozinho. – Aron brinca. – Ele está tão bom, já tem muitos convites, olheiros de todo país. Meu filho vai me deixar cedo demais.

   Dá para ver uma certa tristeza com a ideia e só de pensar no meu filho crescido já sinto saudade e ele não tem nem seis meses.

   —Dominique está bem com essa ideia? – Ethan o questiona.

   —Dominique tem uma pá. – Ele sorri. – Ela pretende usar em qualquer um que tente leva-lo para um time antes dos vinte anos.

   — Parece que não vai perder seu filho tão cedo assim. – Theodor diz apertando seu ombro.

   — Acho que não. Sei lá, só quero mesmo que ele seja feliz.

   —Pode adotar mais um. – Ethan comenta levando sua cerveja a boca, o bar não está tão cheio, tem um barman novo que está em teste preparando drinks, então ele pode simplesmente ficar conosco enquanto acompanha o bar.

   — É que não é isso, não dá para substituir, é o meu Yves, o meu filho com quem jogo bola, preparo refeições, corro pelo bairro, com quem tenho as melhores conversas, não planejamos nada, ele aconteceu em nossas vidas e quando penso em não tê-lo no quarto ao lado, é estranho, mas é parte de ser pai, eles partem, eu parti.

   — Estou ficando deprimido. – Theodor reclama. – Não vamos falar disso, seja como for nenhum filho deixa a casa nos próximos três ou quatro anos, vamos nos consolar quando o Yves tiver dezessete. – Ele declara. – Carl, temos que apressar o casamento do Nathan e da Eva.

   —Theodor... você.... foge dos padrões, devia estar com ciúme, devia dizer que suas filhas jamais se casariam ou coisa assim. – Ethan comenta. – É sempre tão... protetor.

   —Por isso já estou selecionando os parceiros no futuro. Já que não tem jeito, elas vão voar, que seja um voo programado com antecedência.

   —Sabia. – Nós todos rimos. – Nathan e Eva não vão se apaixonar, são muito próximos. Não vai dar.

   —Pode ser, no fim, são essas garotas Paradise quem decidem tudo. – Theodor dá de ombros.

   —Elas mudaram nossas vidas. – Ethan concorda.

   — Para sempre. – Aron concorda.

   —Eu nem sei como é a vida sem elas. Minha Paradise sempre esteve em minha vida. – Digo cheio de saudade.

   Perto das nove, eu não quero mais ficar um minuto, já esgotei toda minha vontade de ficar com eles. Na verdade, estamos todos a olhar as horas. Ethan nos provoca. Ele vai passar a noite no bar, é o trabalho dele, por isso finge que tudo bem, que somos desesperados para ir para casa.

   Sou o primeiro a partir, uso o fato do meu filho ser um recém-nascido, Theodor fica do meu lado, por ele eu nem viria. Ele inclusive me acha um pai relapso por deixa-los.

   Caminho para casa cheio de pressa, gosto de respirar o ar da noite, olhar as luzes, mas sinto falto dela, de ter a mão de Dakota presa a minha em noites como essa. Logo Nathan está maiorzinho e vamos poder passear pela cidade com ele.

   Entro em casa o mais silencioso que posso, desenvolvemos esse novo talento, evitar barulhos, até quando ele está acordado fazemos isso.

   Ando até o quarto descalço, paro na porta para ver minha linda esposa adormecida em nossa cama abraçada ao pequeno que dorme espalhado tento o braço da mãe a envolve-lo em proteção.

   Ando devagar até a cama, ergo os lençóis e me acomodo ao lado dele, ela abre os olhos e sorri. Tão linda.

  Me dobro sobre ela para beijar seus lábios, beijo o rostinho do pequeno. Tão profundamente adormecido que nem repara.

   —Quer que eu o coloque na cama? – Sussurro, ela nega.

   —Deixe o aqui mais um pouquinho. – Balanço a cabeça concordando, entrelaço minha mão a dela sobre o corpo do nosso filho, ficamos os dois em silencio admirando seu sono. Nossa obra de arte.

    Dakota

   “ Temos que ficar unidas, temos que falar sobre isso, temos que enfrentar o inimigo. O inimigo não é apenas o corpo fisicamente mais forte que o seu, não é aquele que te deixa marcas, hematomas e dor.

   O inimigo é também aquele que diminui sua dor, que despreza seu pedido de socorro, que te culpa, menospreza, desacredita.

   O inimigo é a falta de políticas sociais, o inimigo é o medo, o inimigo é mais do que tudo, o silêncio.

   O medo não conduz mais a minha vida, eu decido, sou dona da minha vida, do meu corpo, das minhas escolhas, decido onde ir, o que vestir e com quem falar.

   Eu já estive de joelhos, o mundo já pesou inteiro sobre meus ombros e já quis desistir. Já achei que era culpa, já me senti menor, mais fraca e menos merecedora. Eu já senti a mão pesada da humilhação, o gosto do meu próprio sangue.

   Já estive no fundo do poço, com as unhas cravadas no barro das paredes que tentava escalar enquanto o inimigo me puxava cada vez mais fundo. Até que uma mão, aquela mão forte, companheira, empática, me puxou, a luz chegou finalmente a minha vida.

   Eu fiquei de pé, Dakota Jones se ergueu finalmente.

   Decidi me unir a vocês, contar minha história, mostrar que é possível, que podemos encontrar um novo meio de viver, que se pode, não esquecer o passado, mas vencê-lo.

   Essa tarde ouvi os relatos de mulheres corajosas, que como eu, estão em luta contra a violência e o feminicídio, algumas que viveram situações como as que eu vivi, outras, apenas porque são como eu, mulheres.

   Olhos abertos, mãos dadas, juntas podemos vencer. Juntas podemos mudar as coisas, vamos prestar atenção, na irmã, na melhor amiga, naquela colega de escola, na moça que trabalha no terceiro andar, na mesa do canto e que parece sempre tão triste.

   Eu já quis esquecer tudo que vivi, hoje, vim aqui, me reunir a vocês e prometer que nunca mais vou me esquecer, que nunca mais vou ficar de joelhos e nunca mais deixo o silêncio tomar minha vida. Obrigada por me ouvirem.”

   Deixo o palco sob o som de aplausos, não me lembro de ter feito nada parecido, lutar contra minhas lágrimas marcou minhas palavras, chorar não me faria mais forte, era preciso manter a voz firme, não fosse minhas Paradise diante de mim, orgulhosas a me assistir não teria conseguido.

   O fórum termina de modo otimista e alegre, em seguida, durante o coquetel, depois de receber os abraços orgulhosos das garotas mais incríveis do mundo, eu conheço novar e também incríveis mulheres, recebo elogios de algumas, conselhos de outras, não demoramos a nos despedir.

   Tenho essa parte de mim que luta por todas, mas tenho a outra parte, aquela que é mãe e que tem um bebê a sua espera.

   Quando chegamos ao estacionamento, onde o conversível nos aguarda, claro que foi ideia dela. Dominique não faria uma viagem dessas sem um conversível vermelho. Ela abre o porta-malas, ao lado de sua velha pá, agora suja de terra de suas plantações de rosas, uma caixa térmica, eu e as outras garotas trocamos um sorriso.

   —Eu sabia que nesse coquetel não teria champanhe, no próximo fórum eu organizo a recepção. – Ela diz abrindo a caixa, dentro dela, gelo, um champanhe e quatro taças. – Um brinde?

   —Sempre! – Savannah pega a garrafa, mas eu tiro de sua mão.

   —Eu abro. – Digo sorrindo. – Agora eu sou esse tipo de mulher. – Savannah me entrega a garrafa com uma mesura, as garotas aplaudem.

   Não é nada fácil abrir meu primeiro champanhe, elas riem, Dominique faz caretas divertidas.

   —“Ma petite” não é assim que se trata um champanhe! – Ela me mostra e faço o trabalho, derrama um pouco, o que a ofende, mas no fim, temos taças de champanhe em cada mão de garota Paradise, em um fim de tarde, diante de um conversível, no estacionamento de um dos mais importantes centros acadêmicos do mundo.

   — Um brinde as garotas Paradise. – Digo erguendo minha taça.

   —As melhores amigas que alguém pode ter. – Serena continua.

   — As mulheres incríveis que nos tornamos. – É a vez de Savannah.

   —Um brinde a arte de brindar! – Dominique completa e tocamos nossas taças. Sinto um leve nó na garganta, uma emoção diferente, um tom de despedida das garotas que já fomos, um tom de bem-vindas as garotas que somos agora.

   Viajamos sentindo o vento no rosto, ouvindo música pop alta e cantando com elas. As garotas Paradise ainda vão se reunir em todo dia dos namorados, ainda vão falar sobre a vida e brindar ao brinde, não importa o quanto a vida nos exija ou consuma, ainda vamos estar juntas, lado a lado a cada vez que uma de nós precisar. É isso que nos tornamos, inseparáveis amigas, diferentes em tudo, mas totalmente capazes de respeitar e admirar essa diferença.

   — Um drink no Paradise? – Savannah convida.

   — Meu bebê! – Gemo no banco de trás quando chegamos a Manhattan.

   — Vinte minutos. – Dominique pede.

   — Quinze. – Serena diz piscando em minha direção.

   —Venceram. Dez minutos no Paradise.

   Elas riem do meu sutil modo de encurtar a estadia. O bar está fechado, vai abrir as oito e são pouco mais de sete. Nos sentamos em nossa mesa. Dominique abrindo seu champanhe, Savannah nos preparando drinks sem álcool.

   — Saudade dele. – Digo dando um gole na bebida doce. Deles. Saudade dos homens da minha vida.

   —Nunca vai passar. – Serena me conta. – Um minutinho longe e já está cheia de saudade. Pode apostar. Que bom que quando chegar sua casa vai estar inteira e seu bebê vai estar limpinho e perfumado.

   — Theodor pode ser meio atrapalhado, mas é um pai perfeito. – Eu o defendo.

   — Esse codinome ele inventou sozinho, não vale. – Dominique diz tomando um longo gole do seu champanhe.

   — Esquilo perfeito combina com ele. O homem merece. – Savannah brinca.

   Olho para elas. Não tem como não me lembrar de quando nos conhecemos.

   —Eu vi quando a Dominique chegou, achei que era a mulher mais elegante do mundo, também achei que ela era muito alta. – Digo rindo. – Mas Savannah me cutucou e voltei para baixo do balcão, ela pediu seu champanhe, se acomodou e mergulhei nos estudos até ouvir a porta abrir de novo e então me esgueirei de novo para ver Serena chegar ensopada. Senti tanta vontade de oferece toalhas, cuidar dela. Ouvi rindo o dialogo de vocês e então, quando me descobriram e pude me sentar com vocês nessa mesma mesa. Puxa! Eu me senti tão madura, tão especial. Tanta coisa aconteceu depois, mas eu simplesmente sabia que não nos separaríamos mais. Eu senti naquele primeiro brinde em torno dessa mesa que seriamos amigas para sempre, não achei que seriamos assim tão felizes, mas nunca duvidei da amizade.

   — Era para ser um drink alegre! – Dominique reclama com a voz embargada. – Não me faça chorar de novo, “ma petite”.

   —Isso mesmo, irmã, não viemos chorar, viemos comemorar a felicidade de todas nós, depois de hoje, depois de ver você naquele palco, posso dizer sem sobra de duvidas que todas nós vencemos o passado!

   —Foi o último passo para uma nova vida. – Serena completa e deixamos o brinde de lado para um daqueles abraços em que uma cai por cima da outra e acabamos em uma crise riso e cabelos despenteados.

   Voltamos a nossos lugares, o riso misturado a lágrimas de emoção, dias incrivelmente duros, incrivelmente alegres, dias em que só pude ocupar seus ombros e molha-los com minhas lágrimas, em que as vi cair e então se erguer, ficarem bravas e também tristes, explodirem em alegrias.

   — Somos felizes. – Eu comento e elas concordam. – Carl me trouxe esperança.

   — Aron me trouxe paz. – Dominique conta.

   —Ethan me trouxe segurança.

   — Theo me trouxe riso. Todos eles trouxeram amor. – Serena completa.

   Eu amo essas garotas, é especial tê-las em minha vida. Brindamos mais uma vez, bebo a saúde de todas elas, a felicidade das melhores pessoas do mundo e então me despeço.

   Sigo para casa, meu bebê me espera nos braços do pai, com Dayse a vigia-los, minha linda amiga que esteve ao meu lado nos dias de medo e ansiedade, um presente do universo, responsável por trazer Carl de volta a minha vida e com ele, todo amor do mundo.

   Os olhos azuis me sorriem, de pai e filho, os lindos olhos azuis que o meu pedacinho de ser humano herdou.

   Carl vem me receber com sorriso, saudade e amor, nada além disso, nenhuma dúvida, nenhuma cobrança, só o amor que ele guarda para mim e que apenas eu recebo. O amor de marido e mulher que sonhamos de modo diferente na infância e realizamos do mesmo modo na vida adulta.

   Pego meu filho de seus braços, ganho um beijo do meu marido e beijo meu bebê.

   —Como foi tudo? – Carl me pergunta quando me acomodo no sofá para amamentar meu filho.

   —Tudo bem, uma saudade sem fim. – Ele me sorri, me beija os lábios mais uma vez.

   —Ficamos bem, mas morremos de saudade. Na próxima vamos com você. – Balanço a cabeça em uma afirmação, meu Carl é tão lindo. Toco seu rosto enquanto sinto meu filho sugar meu seio em busca de força e saúde.

   —Voltar para casa. – Digo em um longo suspiro. – Vocês dois a me receber. Não tem como descrever em palavras.

   — Grand Canyon, garota Paradise. – Ele diz depois de tocar seus lábios nos meus. Olho para ele, então para Nathan em meus braços, Carl está certo.

   —Grand Canyon.

                             Fim



Notas finais do capítulo

Terça-feira, não esqueçam, Yves, um conto Paradise
Conto com vocês!!!
OBRIGADA!
BEIJOSSS



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