Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 30
Capítulo 30


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!!! FELIZ 2019!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



   Dominique

   — Dominique, você se lembra do seu tempo de escola?

   Yves surge ao meu lado, ergo meus olhos do livro para sorrir para ele, cresceu, está ainda mais bonito, os braços começam a ganhar músculos, as pernas força, um atleta preocupado com alimentação e horas de sono, um lindo rapaz prestes a ganhar corações.

   —Tipo como se eu fosse velha demais para me lembrar de coisas assim?

   — Tipo como você esquece de me pegar no colégio ou mandar meu uniforme para lavar ou coisas como, vamos jantar hoje ainda? – Aron fora de casa eu realmente me esqueço de coisas como hora da refeição.

   —O mais engraçado é que não se esforça nem um pouquinho para ser chato assim, “mon lapim” é seu natural. Admirável.

   — Eu só queria saber mais sobre os neandertais. História natural. – Ele diz com seu livro aberto.

   —Sei tudo sobre neandertais. Eles costumam enganar garotas e também são totalmente capazes de manter mais de uma relação ao mesmo tempo, assobiam, puxam cabelos de garotas se sentindo o máximo nas boates e as vezes, acham que chamar de gostosa na rua é um jeito de se aproximar. Gostam de carros, futebol e cerveja, incapazes de apreciar boa comida e detestam alianças. Cultuam o órgão sexual como se esse fosse um tipo de Deus e chegam ao absurdo de dar nomes aos seus órgãos sempre no superlativo. Como disse, sei tudo sobre os neandertais.

   Yves me olha um longo momento, da um suspiro irritadiço, fecha o livro em uma careta.

   —Mãe, eu estava falando de ciência, não das suas experiencias ruins. Eu procuro na internet. – Ele me dá as costas.

   — Homo neanderthalensis. Espécie humana extinta a vinte e oito mil anos, subespécie do homo sapiens, compartilha conosco, homem moderno, noventa e nove por cento do DNA, - Yves arregala os olhos surpreso, - Cultura surpreendentemente sofisticada, usavam ferramentas, fogo, caçavam e cuidavam de seus doentes, um tipo de civilidade que poucos conhecem sobre a cultura deles. Tinham capacidades cognitivas e...

   — Ok, já está bom, me perdi todo. Me ajuda aqui. – Ele me espreme na poltrona se sentando comigo.

   —A pessoa já passa quase o dia todo enfiada no colégio e eles ainda acham insuficiente, quem suporta dever de casa? Eu não fazia, copiava de alguém ou... – Yves me olha desanimado. – Deve ser importante, vamos só... trabalhar nisso.

   Em uma hora terminamos, ele não se move, continua a me fazer companhia, os dois apertados na poltrona, eu com a mão em seus cabelos escuros e grossos, sinto falta dela, ainda sinto falta de Darla, meu coração ainda se aperta de saudade.

   — Meu pai não está demorando?

   —O voo dele chega em uma hora, atrasou, também estou com saudade. – Ele se encosta em mim.

   — Vamos ficar muito tempo em Paris?

   —Suas férias de inverno, seu pai reservou ingressos para sei lá quantos jogos.

   — Gosto de Paris. – Ele me conta enquanto olhamos para o nada só aproveitando a companhia um do outro. – Paris parece mais você.

   — Volto cheia de sotaque. – Ele balança a cabeça concordando enquanto sorri.

   —Eu gosto, quando era criança o seu sotaque e da “grand-mère” era algo que me fascinava, até ela começar a me ensinar.

   —“Mama” é boa professora, me ajudava sempre com as coisas do colégio, “papa” era péssimo, eu puxei a ele.

   — Dominique, você foi ótima hoje. – Ele me beija o rosto.

   — Que acha de me ajudar a preparar um jantar de boas-vindas para o seu pai?

   —Acho legal, mas ele viajou hoje de manhã então... meio que é a mesma coisa que se ele tivesse saído para trabalhar.

   — Ele deixou Nova York, não importa que foi até a Pensilvânia. Vamos, levanta primeiro que estamos entalados. – Yves ri enquanto me esmaga e já de pé, me puxa pela mão.

   —Vou te ajudar, mas me ensina a cozinhar algo. Quando eu estiver morando sozinho preciso saber me virar.

   — Tem doze anos, morar sozinho vai demorar. – Me aperta o coração pensar em ficar longe dele, ao mesmo tempo que desejo que Yves corra o mundo conhecendo tudo que está lá fora a espera dele.

   — Mãe eu tenho... deixa para lá, você não aprende mesmo.

   —Risoto? – Pergunto ignorando seu comentário.

   —Pode ser.

   — Ótimo, pega o champanhe.

   —Vamos cozinhar ou vai beber? – Ele resmunga mais uma vez, aperto sua bochecha.

   —É para cozinhar bebê chorão da mamãe.

   — Para, eu vou sair por aí falando que você faz coisas assim. Vai ser humilhante. – O pequeno ameaça sem dó.

   — Isso é trabalho do esquilinho. – Yves ri concordando. Enquanto cozinhamos, ele vai me contando do dia a dia no colégio, dos novos amigos. Os dias difíceis ficaram para trás, Yves não se deixa mais magoar, está confiante, determinado, feliz.

   — Acha que o meu pai já chegou?

   —O que acha de irmos busca-lo no aeroporto? – Vejo seu sorriso de vitória, tem pelo menos duas horas que ele está ansioso a espera de Aron.

   — Só demoro dois minutos para me vestir.

   — Está ótimo assim. Não seja vaidoso demais. – Eu o puxo pela mão, Yves me segue rindo. – Por que está rindo?

   — Você e o papai são vaidosos, como é que eu não seria? – Gosto quando ele diz coisas assim, me faz bem e deixa em paz saber que ele se sente parte de nós dois. Herdando qualidades e defeitos.

   Pegamos o carro e seguimos lado a lado. Yves escolhendo as músicas, eu concentrada em dirigir.

   —Por que minha avó dirigi tão mal?

   —Por que é como ela dirige a própria vida. É sempre um reflexo. Casar com o papa de novo? – Nós dois fazemos careta.

   — Dominique, você tem uma pá no porta-malas. – Ele ri abrindo o vidro e recebendo o ar gelado. – Não é a melhor pessoa para falar sobre dirigir a própria vida.

   —Está frio, “mon lapin”. – Ele fecha e baixo o ar. Yves adora o frio. – Já sei. – Diminuo quando uma barraca de flores surge na calçada. – Vamos comprar flores para seu pai.

   —Que?

   —Ele não é o jardineiro? Vai lá, compra umas flores bonitas.

   —Vai você! – Ele diz ofendido. Depois de oferecer uma careta de reclamação, deixo o carro, são lindas flores, algumas muito bem organizadas em tamanho e cores. Eu não sei como as pessoas compram flores, eu compro pela harmonia do arranjo. Estendo o dinheiro e o homem me sorri. Deixo no colo de Yves assim que entro, leva um segundo para elas estarem no banco de trás.

   Quando chegamos ao aeroporto a noite está gelada, me congratulo pela ideia de vir buscar Aron, ele saiu muito cedo, pegou um voo, passou o dia em reuniões e conseguiu um voo no começo da noite para voltar para casa, nada mais justo do que dar a ele um pouco de conforto.

   Detesto quando ele viaja, não posso acompanha-lo e deixar Yves, então ficamos cheios de saudade dele. Felizmente ele não tem que passar muito tempo fora, nem viaja muito, mas ainda assim é chato.

   Estaciono o mais perto que consigo, o JFK está sempre lotado, dezembro então é realmente um mês em que as pessoas chegam a cidade aos montes, vindas de toda parte do mundo.

   —Pega as flores, filho, ele já deve estar desembarcando.

   —Não vou andar pelo aeroporto carregando flores, mãe, nem pensar, a ideia foi sua.

   —Eu também não vou andar por ai com isso, vão pensar o que de mim?

   —Que é uma mulher que acaba de ganhar flores, se sorrir feito boba vão pensar até que foi pedida em casamento ou algo assim.

   —Você é ridículo, pega. – Exijo.

   — Não. – Ele diz firme.

   — Certo, vamos, fazemos a surpresa quando ele chegar no carro. – Yves desce e eu também, andamos lado a lado trocando olhares ofendidos.

   No painel podemos ver que a aeronave já pousou e corremos para o desembarque.

   —O papai! – Aponto reconhecendo os cabelos dele e é tudo que consigo ver. – Ali, é ele. Conheço o cabelo dele.

   —Agora eu vi, ele está trazendo flores. – Yves diz em um acesso de riso. – Alguém vai carregar flores e vai fazer isso sorrindo.

   Aron realmente caminha com sua pequena mala com a alça no ombro, flores, mas não um buquê, dois, dessa vez sou eu a rir.

   —E não vou ser a única. Papai sabe que você odeia flores, trouxe para você também. – O riso dele desaparece, o meu não, é ele, meu jardineiro romântico, o cara que amo e eu nem sei porque, mas amo acima de tudo, amo até essa mania dele de me dar flores e doces e todas essas coisas bobas que nunca gostei, mas amo quando vem dele. – Surpresa! – Dizemos juntos quando paramos diante dele e posso ver como algo bobo como ir apanha-lo o deixa feliz.

   —Vocês? – Ele me beija os lábios, depois o rosto do filho. – Que surpresa. Estava aqui pensando no tempo que levaria para conseguir um táxi.

   —Sentimos saudades. – Eu conto a ele.

   —A viagem era tão curta, eu quis trazer algo e comprei flores na Pensilvânia para vocês. – Ele estende os buques, flores de todas as cores e tamanho, aceito as minhas e Yves as dele.

   —Te amo. – Beijo meu marido, que se dane, eu gosto mesmo quando ele faz isso, estava correndo, cansado, longe de casa, mas pensou em mim, uma pedra da Pensilvânia me faria feliz.

   —Legal, pai. – Yves olha para as flores. – Mãe, eu acho que elas combinam muito com você. Meu presente Dominique.

   Yves me estende as flores. Eu sorrio, garotinho esperto, mas não me pega. Empurro com delicadeza.

   — São suas cherè, você as leva. — Caminhamos os três, Aron sorrindo de um para o outro, ele sabe muito bem o que faz.

   Meu romântico jardineiro se senta no banco da frente ao meu lado atrás do volante, Yves no banco de trás.

   —Pai. – Ele estende as flores, Aron fica realmente surpreso. – São suas, sentimos saudades.

   —Vocês compraram flores para mim?

   —Compramos. – Digo enquanto coloco o carro em movimento.

   —O que aconteceu?

   —Nada, só... flores, pai, você gosta.

   —Incendiaram a casa?

   —Não. – Eu e Yves respondemos juntos. – Está nos ofendendo. – Completo.

   — Ok, eu fico... feliz. Acho até que podemos, quem sabe planta-las no jardim. – Nosso silencio é a resposta ao convite.

   Em casa, enquanto Aron toma banho e Yves ajeita as flores em vasos, eu dou um jeito de salvar o risoto agora frio e grudento, coloco a mesa e jantamos juntos.

   Amanhã vou sair às compras, temos três dias para comprar todos os presentes antes do natal, depois, Paris, onde vamos passar o réveillon e ficar uns dias.

   — O jantar está uma delícia. – Aron me beija a mão. – Senti saudade.

   —Nós também. – Confesso.

   —Um vinho depois do jantar? – Afirmo adorando a ideia.

   — Um vinho seria perfeito.

   — Só preciso de uns minutos, tenho que telefonar para o Theo, temos umas coisas a resolver antes do natal, não demora mais do que dez minutos, então me reúno a vocês. – Ganho mais um beijo. – Flores. Ainda acho que vou encontrar algo bem estranho por aí.

   Ele nos deixa, eu e Yves trocamos um olhar. Meu menino feliz por ter o pai de volta em casa.

   —Já sabe o que pedir ao Papai Noel?

   —Mãe, ele... ele não existe. – Ficamos os dois nos olhando, ele sorri, é um sorriso triste, procura minha mão. – Você ficou uma fera quando ela me contou que Papai Noel não existia, eu tinha seis anos. Se lembra?

   — Lembro, não é coisa que os pais contem, os filhos precisam descobrir sozinhos. Ela não tinha o dinheiro para o presente caro que você queria, então achou que era melhor contar a verdade para que não se ressentisse com o Papai Noel.

   —Sua mãe que ainda não era minha avó, contratou um falso Papai Noel aquele ano, mas era tarde, eu não acreditava mais.

   —Sinto falta dela. – Digo apertando sua mão. Ele balança a cabeça concordando.

   —Também sinto.

   —Não sei por que diabos ela me escolheu, ainda bem que temos o Aron, eu sou péssima, não é?

   —Sim. Você é péssima. – Ele diz sorrindo enquanto deixo uma lágrima rolar. Só pode ser o natal, a saudade dela sempre cresce no natal, ou quando vejo Yves se tornando esse jovem incrivelmente especial.  – Mas eu não aceitaria mais ninguém, eu amo você. Já amava quando não era minha mãe, me sentia em casa, quando penso em mim criança, era lá, perto de você que me sentia em casa, quando os garotos me atormentavam na escola eu pensava, Dominique acabaria com eles se soubesse. Aprendi francês para ser como você.

   Meu coração se enche de tanto amor, mas ter essa conversa com ele me emociona, pensar em nossa pequena família me emociona.

   — Temos o papai, não é? Não faz mal não sermos muito bons com a vida, ele é, cuida de tudo.

   —  As vezes eu penso se vocês não gostariam de ter um filho, você está adorando ver a Dakota grávida.

   —Nós já temos um filho. Yves. – Aron surge deixando claro ter ouvido ao menos parte da conversa. – O filho que sempre quis ter. um que é igualzinho a mamãe.

   Yves parece se acalmar, no fundo ele sabe que somos felizes apenas os três, mas se precisa de confirmação, então sempre vamos mostrar a ele o quanto o amamos e o queremos por perto.

   Ele fica de pé, me beija o rosto, depois vai até o pai e faz o mesmo, deve ser uma das coisas que acho mais bonita, esse jeito de pai e filho que desenvolveram tão rapidamente, com carinho, abraços, beijos, longas conversas e parceria.

   — Tenho que ir dormir. Amanhã acordo cedo para correr. Vai comigo, pai?

   —Com certeza. – Aron promete, eu não faria uma promessa como essa, estar de pé ao amanhecer e simplesmente sair correndo pelo bairro? Nem me considero humana antes do meio dia.

   Ficamos eu e Aron, ele me oferece a mão e seguimos para sala. Enquanto Aron abre um vinho eu acendo a lareira, nos acomodamos no sofá.

   — Deu tudo certo?

   —Muito certo, agora estamos de férias, Paris nos espera. Já decidiu o que vamos dar a ele de presente?

   — Tem um tênis assinado por um desses jogadores, ele me pede há duas semanas e fico me fazendo de boba, “mon amour” quando ele for famoso e fizerem um tênis com o nome dele eu vou desenhar, se visse que coisa tenebrosa é o tênis.

   —E o intercâmbio?

   — Isso é presente de pai. – Aviso, sei que ele está doido para presentear o filho com um animal de estimação. – Um lugar que possamos encontra-lo, sabe que não ficamos muito na cidade quando temos oportunidade.

   —Vou cuidar disso. – Ele me beija, me aconchego em seus braços. – Amanhã quando eu chegar da corrida vamos plantar as flores, foi um momento especial trocamos flores de presente sem nem combinarmos.

   — Não foi, foi engraçado, não precisamos plantar.

   —Temos um jardim, vamos plantar sim.

   — “Jardinier romantique” – Ele me beija, deixo a taça de vinho sobre o móvel, me enrosco em seu pescoço, o leve beijo se torna mais cheio de saudade, de desejo.

   — Ele já deve estar dormindo, não acha? – Ele diz quando começo a tentar despi-lo.

   —Peguei meus pais e sobrevivi. Ele tem dezoito anos, não é nada demais.

   —Dominique, ele... – Calo Aron com um beijo sensual, empurro seu corpo contra o encosto do sofá enquanto me encaixo em seu colo, suas mãos descansam em meu quadril. – Ruiva do mal.

   — Que você ama. – Ele concorda me tomando a boca mais uma vez, as roupas vamos tirando com cuidado, até que nada além do calor do fogo e o desejo toque nossas peles.

   —Sofá? Tapete? – Ele questiona enquanto seus lábios vão passeando por minha pele.

   — Qualquer lugar com você.

   Aron me leva em seus braços para o tapete felpudo perto da lareira. Seu corpo sobre o meu enquanto minhas pernas enlaçam sua cintura, seus olhos queimam minha pele.

   — Senti saudade de cada pedacinho de você. – Ele diz em meu ouvido.

   — Senti saudade de alguns pedacinhos de você. – Aron se afasta um instante, apenas o bastante para me olhar com as sobrancelhas juntas. – As melhores partes, “mon amour”.

   — Quais partes? – Ele pergunta, ergo uma sobrancelha, passo a língua sobre os lábios em um longo e sensual movimento que sinto despertar toda a vida que há nele.

   —Eu mostro! – Meus dedos mergulham em seus cabelos e o puxo para mim.

   A longa noite diante da lareira é quente, ardente, completa, adormecemos enrolados em uma manta que fica sempre sobre o sofá, eu sobre ele, ao som das batidas ritmadas do seu coração.

   — Sério isso? Eu vou ficar traumatizado, vão pagar fortunas com analise, vocês não têm uma cama?

   Abro os olhos, Yves está de pé, usa moletom, tênis e parece pronto para sua corrida. Do chão, ele lembra um tipo de gigante.

   —Está tão alto. – Digo afastando os cabelos do rosto. Aron se mexe.

   —É isso que tem para me dizer?

   —Yves! – A voz de Aron soa urgente. Yves se vira de costas quando o pai se move me empurrando e puxando a manta sobre si.

   —Aron, pegou toda manta para você.

   —Espero vocês na cozinha, espero constrangido, muito constrangido, meu pai e minha mãe. Alguém em mande fechar os olhos! – Ele diz sumindo enquanto eu e Aron rimos sentados no chão.

   —Era para ser só um cochilo. – Ele me ajuda a ficar de pé. – Vou tomar banho primeiro ruiva linda. – Ganho um beijo. – Assim corro com ele e então ele... ele... acha que um dia ele vai esquecer isso?

   Dou de ombros sem saber responder, Aron corre escada acima, quando chego no quarto ele está no chuveiro, antes que escolha a roupa já está vestido e quando entro no chuveiro já está gritando pelo filho.

   Tomo meu banho tranquila, me visto e maquio, desço para o café sabendo que logo chegam os dois suados e esfomeados.

   O riso de Yves chegando com o pai me chama atenção. Olho para a porta e eles estão chegando pela cozinha.

   —Pegue sua pá, Dominique. – Fico de pé alarmada.

   —O que? Quem fez o que? Temos um corpo?

   —Rosas, temos rosas e vamos plantar no jardim.

   —Que piada sem graça. – Volto a me sentar. Os dois trocam um olhar e sinto que não é brincadeira. – Nem pensar.

   —Sim. – Eles dizem enquanto Aron está recolhendo os vasos. – Esquece filho, falei que ela não viria.

   —Prometeu que seria uma imagem bonita para guardar, uma que apagaria a cena grotesca de mais cedo.

   —Desculpe, por isso, filho. – Os dois deviam ao menos se envergonhar de me chantagear de modo baixo.

   — Eu não vou plantar nada. – Eles me deixam, eu os vejo no jardim, não demora e escuto o porta-malas sendo aberto. Corro para eles. – Ei, minha pá não.

   —Vamos plantar flores no jardim, Dominique, precisamos dela.

   —Use a metafórica, essa ganhei do meu marido, é minha, ninguém vai usa-la.

   —Mãe! Por favor!

   —"Mãe por favor” é ir muito baixo, muito baixo até para você, Yves. – Reclamo tomando a pá da mão de Aron. – Onde querem plantar flores?

   — Onde acha melhor? Te deixamos escolher.

   —Cuidado, rapazes, eu tenho uma imaginação fértil, garanto que não gostariam de saber onde eu adoraria plantar essas flores.

   — Dominique, o menino.

   — Ele já tem idade, aos vinte eu já sabia tudo da vida.

   —Vinte? – Os dois dizem juntos. Estão se divertindo as minhas custas. Escolho uma parte do gramado, perto das lindas e ornamentais plantas que escolhi com todo cuidado para decorar meu imenso jardim.

   —Aqui. – Olho minha linda e imaculada pá, que dor enfiá-la na terra. – Sinto muito, querida companheira, eles não têm coração. – Começo a cavar. Então é assim que tudo termina, eu e minha pá plantando flores.

   Os dois fotografam o momento, faço o buraco, não importa que seja o trabalho mais pesado, é minha pá de casamento, não vou deixar ninguém usa-la.

   Apoio o braço nela e os assisto se ajoelharem e plantarem as flores que estão fadadas a morrer muito em breve porque não se pode plantar flores assim.

   —Dominique isso é tão legal. – Yves está mesmo feliz. – Fizemos isso juntos. Penso que um dia, sei lá, daqui uns anos, quando elas crescerem e se multiplicarem, vai ser emocionante, não é? Uma marca para as futuras gerações.

   —Muito. – Digo sorrindo. Vou ter que esperar que ele vá a escola para chamar um jardineiro e então plantar algo que tenha chance de sobreviver. Olho para Aron. – Feliz?

   — Muito, jardineira romântica! – Ele me provoca me arrancando um sorriso. – Sabe do que precisamos?

   —Um banho e casacos, está frio! – Eu reclamo.

   —Um brinde. Champanhe para comemorar o destino glorioso da pá de Dominique.

   —Segredo, entenderam? Segredo ou nunca mais serei respeitada.

   — Ninguém acreditaria que a ruiva do mal anda por aí plantando flores. – Aron me envolve o corpo, solto a pá para passar meus braços por seu pescoço. – Amo você, é minha stripper favorita.

   —Vou tomar banho, já estou traumatizado o suficiente, vou ter dificuldades em fazer amigos, me trancar em um mundo de silencio e vão me chamar de esquisito e a culpa será dos meus pais. – Yves nos deixa em sua ladainha dramática.

   —Culpa dos meus pais. – Aron diz com os lábios colados aos meus. – Adoro quando ele diz coisas que terminam com meus pais.

   — Se não vai me beijar, me de champanhe. – Ele sorri com os olhos antes de tomar minha boca. Um longo e especial beijo de amor.

                                  



Notas finais do capítulo

BEIJOS



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