Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 3
Capítulo 3


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!!
Meninas, a Black Friday está também na nossa lojinha, vão lá dar uma olhada nos descontos.



   Dakota

   O nome da gata parece mexer com ele, Carl sempre foi um leitor compulsivo como eu, espero que não tenha feito a associação.

   — Se lembra das nossas tentativas de ter um gatinho? – Pergunto a ele e seu sorriso se amplia o tornando ainda mais bonito, ele era bonito, mas tão bonito assim? Eu não via isso, ou ele está diferente? Talvez eu esteja, sim, eu sei que estou, não sou mais uma tola, não completamente.

   — Lembro. – Carl tem uma voz firme, forte, os olhos me encaram de maneira intensa, ele ainda é suave e gentil como sempre foi, mas perdeu o jeito de menino, é um homem, me emociona, por tantos motivos sua presença me emociona, eu mal consigo controlar os nervos, o tremor das mãos, a ansiedade e a felicidade e também o medo. – Aquela gatinha, se lembra, aquela amarela que achamos.

   — Chegamos na sua casa tão felizes. – Ele concorda, meu sorriso se desfaz com a lembrança. – Sua mãe nos colocou para fora, os dois e a gatinha.

   —Foi mesmo! – Ele se recorda. – Ficamos batendo de porta em porta para achar um novo dono. – Ele fica um tanto pensativo, buscando na memória os acontecimentos enquanto tomo mais um gole do chocolate quente. – Não me lembro do final da história.

   — A senhora Blair ficou com ela. Se lembra que ela criava muitos gatos?

   — Lembrei! – Ele diz empolgado. – Ela não queria, até você começar a soluçar diante dela que o pobre animal morreria nas ruas perigosas da nossa insignificante cidade natal. – Cubro o rosto com vergonha da lembrança. Foi um dramalhão que a senhora Blair só pode recolher o gato e nos mandar ir embora. – Se lembra? Chorou abraçada com o bichinho para ela aceita-lo, depois chorou quando se despediu, chorou o dia todo.

   — Me apeguei ao coitadinho. – Digo com saudade de quem eu era. – Você tentando descobrir o sexo, lembra disso? Virando o gatinho para todos os lados. – Ele balança a cabeça concordando.

    — A senhora Blair nos ensinou, ao menos agora sabemos. – Ele dá de ombros e toma mais do seu chocolate quente. Carl está aqui, sentado a minha frente dividindo um momento comigo como antigamente. Meu coração parece explodir de tantas emoções distintas. Jurava que ele me odiava, que se me visse me daria as costas, mas ele está aqui comigo. – Então finalmente tem um gato.

   —Por acaso. Eu a encontrei em uma caixa na porta do meu prédio. Um bebê. Devia estar mamando, levei ao veterinário, ela precisa se alimentar a cada duas horas por uns dias, está muito fraquinha, acordo a noite toda, é um tipo de papinha especial para filhos sem mãe. Tento coloca-la na caixinha de areia, dar uns golinhos de água a ela, é complicado, ela devia estar em torno da mãe.

   —Gente má. – Ele diz  um tanto bravo, concordo com um movimento de cabeça.

   — Muito. – Olho meu celular. – Nem posso me demorar, por que em meia hora ela vai comer e eu... não tenho ninguém para ajudar. Amanhã vou trabalhar a manhã toda, não sei como vai ser, ela vai ter que aguentar.

   — Morando sozinha? – afirmo.

   — Um lugar pequeno, mas não queria deixar a faculdade e ir morar de novo com a Savannah, já me senti uma intrusa por muito tempo, ela tem a família agora e por mais que os ame... desculpe, estou aqui falando e falando. Não importa. Mora onde?

   — Troquei literalmente com meus pais, eles estão lá e eu aqui. Na casa que ela deles, se lembra?

   —Claro. – Olho para a xicara vazia, dias bons que passamos naquele apartamento, comendo churrasco na varanda fingindo estarmos de volta ao Arizona. – Sua vida está... organizada. Isso é incrível. – Ele sorri concordando.

   — Faz o que? – Carl me pergunta. Me escondo da vida e do mundo, quero responder, mas não faço.

   — Uma livraria, três vezes por semana eu trabalho lá, organizo os títulos, arrumo de volta na estante certa os livros que os visitantes espalham e não levam e encontro colocação para os novos livros, as vezes opino na compra de novos títulos. Meio período três vezes por semana não é o que eu sonhava, mas é um começo, paga minhas contas.

   — Sobra tempo para buscar seus sonhos. – Ele diz e afirmo baixando meus olhos, nem sei se ainda tenho algum sonho.

   — Sim. – Digo encarando a janela, o dia está cinza, mas quando ele está assim por perto fica um tanto mais bonito, ainda que sinta um misto de dor e alegria. Carl foi a parte boa da minha adolescência e infância e eu o perdi por puro egoísmo, cegueira.

   Sinto sua mão cobrir a minha, meu olhar encontra de novo o dele, o calor é familiar, mas a resposta do meu corpo é nova, o toque de sua mão sobre a minha é algo que conheço de toda uma vida, mas agora me confunde e assusta. Não quero sentir isso, não posso e não é justo com nenhum dos dois sentir.

   —Está preocupada com a Daisy? – Afirmo em uma mentira clara que ele ignora.

   — Sabe onde trabalho, já esteve comigo lá tantas vezes, fico a manhã toda em minha sala e posso alimentar um gatinho, por que não a leva até meu trabalho e pega na volta?

   Meus olhos se enchem de lágrimas e me condeno tanto por não conseguir conter melhor minhas emoções. É meu velho amigo de volta, me oferecendo a mão como sempre fez e eu quero, ao mesmo tempo não quero. Por que eu descobri há muito que ele tinha que ter sido mais que meu amigo, por que gostava dele de outro modo que não sabia enxergar ou não entendia ou talvez não sentia e passei a sentir no dia que ouvi de seus lábios a verdade mais triste de todas. “Eu amava você”. Ainda dói como doeu naquele dia.

   —Está tudo bem! – Ele diz apertando mais minha mão.

   — Sinto muito essa... cena, é só que.... obrigada, Carl. – Quero me desculpar pelo passado, quero me abrir e ao mesmo tempo tenho medo de trazer tudo de volta e ele se afastar. Medo, esse é meu nome do meio, medo, sempre o medo a me barrar.

   — Tudo certo. A que hora vai deixas a... Daisy?

   — Oito?

   —Oito está ótimo, tenho um bom sofá que acho que ela vai poder se enrolar enquanto espera sua volta.

   —Obrigada. – Tomo o último gole do chocolate quente, deixo a xícara sobre a mesa e olho para Carl depois de um suspiro, é terrível me despedir. Simplesmente quero ficar aqui sob os olhos azuis que me fazem sentir de novo Dakota. – Tenho que ir.

   —Claro, eu... vejo você amanhã? – Afirmo, ele chama a garçonete, deixa umas notas sobre a mesa e se ergue comigo, ainda não somos realmente nós mesmos, tem uma certa atrapalhação que podia até ser divertida não fosse nossas dores e perdas. Carl me indica o caminho, sigo em sua frente até a calçada onde paramos um diante do outro.

   No passado, eu me esticaria na ponta dos pés enquanto ele se dobraria um pouco me oferecendo a bochecha para um beijo barulhento que o fazia sorrir em meio a uma careta, mas agora não sei como me despedir e ficamos um momento a nos encarar.

   — Até amanhã. – Ele toca meu cotovelo um segundo em um tipo estranho de despedida, eu balanço a cabeça, ergo a mão em um aceno estranho e me ponho a caminhar para longe dele sentindo o rosto arder e o coração palpitar em uma estranha e nova emoção que me confunde, apavora e enche de energia.

   Sua os três lances de escada sem a habitual paradinha no segundo andar, ansiosa por estar na proteção da minha casa e poder sentir tudo, pensar sobre tudo.

   Passo as chaves na porta quando entro, minha pequena Daisy fica de pé em sua almofadinha no chão da sala, ela é ainda pequena demais para escalar móveis.

   —Oi meu bebê. – Me dobro para ergue-la nos braços e aspirar seu perfume suave, beija-la mil vezes e descubro que já sinto sua falta. – Mamãe chegou!

   Ela se aninha em meus braços e a levo comigo para preparar sua nova refeição.

   —Vai conhecer alguém muito especial amanhã, tem que prometer ser boa com ele, se puder encanta-lo... quem sabe ele te convida uma próxima vez?

   Vou voltar a vê-lo, mais um encontro, não um encontro, é um favor e nem sei de devia ter aceitado, talvez ele tenha oferecido por pura educação, por um momento o passado ficou de lado e aceitei porque era o meu melhor amigo a cuidar de mim.

   Deixo minha pequena a se alimentar e me sento diante do notebook, na minha poltrona perto da janela, em um dia frio, com minha gatinha aos meus pés e me sinto a tia dos gatos, aquela solitária amante de animais que perdeu o trem do amor em alguma estação da vida e agora, sozinha, se dedica a amar os animais como forma de aplacar a solidão.

   Meus dedos tocam o teclado em busca de algo na memória, as lembranças se misturam um pouco, mas quero escrever sobre tudo aquilo como elas me pediram, já tenho algumas coisas que vou postar quando a pagina estiver pronta.

   “Ele me ama, eu sei disso porque ele cuida de mim, ele cuida de tudo em mim, roupas, cabelos, amigos. Ele é esperto, lindo, forte, capitão do time, o centro do universo e se ele me ensina é porque tenho sorte. Ele nunca me deixa esquecer da sorte que tenho. Entre todas, eu, quem mais me escolheria? Quem mais me ajudaria?

   Ele se irrita com minhas tolices, com meus erros, então fica bravo, mas a culpa é minha, se fosse só um pouco mais esperta, se não o tirasse do sério, nada disso teria acontecido.

   Eu me esqueci quando foi o primeiro tapa, me lembro do pedido de desculpas e de ter achado encantador e muito corajoso assumir que errou e se desculpar.

   Eu tinha que ter ido embora, eu precisava ter dito não, mas eu não disse, eu fiquei, eu quis dar a ele uma nova chance e outra, e de novo, e mais uma.

   Uma nova chance, sempre uma nova chance, as mangas ficando cada vez mais longas, um tapa, um empurrão, um grito em público, um beliscão. Eu tinha que ter dito não, mas eu não disse, eu fiquei”.

   Fecho o computador, as vezes as memórias me acalmam porque me dou conta que estou salva, mas as vezes me agitam a alma, eu ainda sinto vergonha. O telefone toca e tomo um susto, outra coisa que preciso melhor um dia. Barulhos, gritos, muitas pessoas reunidas, qualquer briga que presencie, tudo isso me assusta e causa angustia.

   — Oi futura nora! – A voz de Theodor soa alegre. – Fomos um sucesso.

   —Que bom. – Sorrio. – Ela gostou mesmo da surpresa?

   —Muito. Como você está?

   —Bem, eu estou bem. Eu encontrei o Carl, você lembra dele? Aquele meu velho amigo?

   —O primeiro concorrente do meu esquilinho? Lembro.

   — Foi bom revê-lo. – Nem sei por que estou contando isso, mas Theodor me deixa sempre a vontade.

   — Vou evitar contar isso ao pequeno, não queremos partir o coração do garoto e deixa-lo inseguro.

   —Theo, você é tão engraçado, isso não existe. – Andy é um bebê, eu o amo e ele me ama e sempre vamos nos amar, mas é como um filho, irmão, um amor diferente.

   —O tempo vai dizer, quando ele ficar alto e lindo você muda de ideia.

   —Aí ele não vai me querer, vou ser uma velha.

   —Uma velha bonita. Liguei para agradecer e avisar que já estão trabalhando no blog, precisa passar aqui amanhã para explicar os detalhes de como você quer tudo e escolher essas coisas todas que se escolhe, layout, e tudo que quiser, alguém do marketing vai estar presente para te ajudar.

   — Theo, você está maluco?

   — Um pouco é o que dizem. Por que?

   — Tudo isso, destacar pessoas da sua equipe para me ajudar e nem sabemos se isso será algo.

   — Senhorita Paradise, eu não investi na sua educação duvidando da sua capacidade, sei que vai dar certo seja o que for que se meta a fazer.

   — Nunca vou poder pagar tudo isso.

   —Não vem com essa, o aniversário da minha Paradise está chegando, eu preciso de você. Vai me pagar sim. Aliás, já pode começar a planejar. Te vejo amanhã, passa aqui na minha sala.

   — Até amanhã. – Deixo o telefone de lado. Além delas, quem mais leria o que tenho a dizer?

   Deixo o computador de lado, aproveito para arrumar minha casa e preparar uma refeição. O som da campainha me assusta, não combinei nada com ninguém. Me aproximo do olho mágico e lá estão as três garotas Paradise. Claro que estão, fui dizer ao Theodor que encontrei o Carl.

   Abro a porta e elas passam por mim apressadas, me volto depois de trancar a porta e as três mulheres mais incríveis que conheço me observam de pé, lado a lado no meio da minha sala.

   — Sabemos a quem o esquilinho puxou. – Sorrio.

   —Ele está de volta? – Dominique questiona.

   — Estão se encontrando? – Serena continua.

   —Quando pretendia nos contar que está se encontrando com o Carl? – Savannah continua.

   — Eu não sei o que o Theo falou...

   —Que está se encontrando com o Carl.

   — Cruzei o Carl hoje, por acaso, só hoje e tomamos um café juntos. – Conto a elas que me olham sorrindo. – Sentem. – Convido mesmo sabendo que não preciso fazer isso por que elas estão em casa.

   —Ah que coisinha mais linda! – Serena nota a gatinha, todas elas afagam a pequena, menos Dominique que está a me encarar porque tem suas prioridades.

   —Um café? – Ofereço.

   —Um champanhe seria melhor, Carl está de volta, devíamos brindar ou não? – Dominique me questiona.

   — Não sei. – Dou de ombros tentando disfarçar, elas se sentam deixando Daisy no chão em sua almofada e eu acabo me sentando também.

   —Como foi? – Savannah pergunta.

   —Sabia que ele estava de volta? – Pergunto a ela que afirma.

   —Sabia que ele estava de volta, sabia que veio para ficar e almocei com os Ryder antes de partirem de volta ao Arizona, até mandei umas coisas por eles para o papai.

   —Não me disse nada.

   —Você nunca mais os procurou, nunca mais falou dele e ele... não falou mais de você. Por que magoa-la com isso se... não achei que acabariam se esbarrando assim tão rápido, ele chegou há um mês.

   —Podemos pular essa parte e ir ao que interessa? – Dominique pede. – Como foi? Como se sentiu?

   — Vamos Dakota, meu bebê vai querer mamar daqui a pouco, eu a deixei em casa para nada nos atrapalhar. Conte logo tudo.

   —  Daqui a pouco tenho que abrir o Paradise. – Savannah me lembra.

   —Aposto que eu também tenho algo para fazer, embora não me lembre. – Dominique continua.

   — Estava caminhando com alguns livros que peguei na livraria, eu tinha que dar uma olhada neles, estão lá para serem selecionados, então eu achei melhor apanha-los e trabalhar neles em casa, porque não estou podendo passar muito tempo fora de casa, vocês sabem, a Daisy precisa de mim.

   —Não é um livro Dakota, pode pular essa parte irrelevante e ir direto ao ponto, não precisa nos prender a atenção, já estamos atentas.

   —Calma, Dominique, faz sentido a explicação. – Digo a ela enquanto torço os dedos em meu colo querendo esconder um pouco a emoção o que parece impossível. – Bem, eu vinha pela calçada carregando esses livros todos, estranhamente pensando nele, então esbarrei em alguém, ou alguém me atropelou, caiu tudo no chão e aquela mão firme me segurou e quando me dei conta... Carl estava me segundando. Levei um longo momento confusa entre ser ele ou minha imaginação.

   —Um literal esbarrão na rua! – Serena diz com olhos brilhantes e um sorriso grande de quem como eu, ama uma história de amor clichê.

   —Com meus livros espalhados e os dois se abaixando ao mesmo tempo para apanha-los e a mão dele tocando a minha e eu sentindo um choque elétrico e...

   — E marcaram sexo?

  —Dominique não! – Fico sempre chocada com ela, mas ela não parece se importar.

   —Como foi? – Savannah pergunta ansiosa, me olha com o amor de sempre, mas também com esperança e não sei se gosto muito disso, desse lugar em que elas me colocam. Se para o resto da humanidade eu posso fingir uma vida feliz que não tenho, para elas, eu simplesmente não consigo e sei que elas me querem feliz e talvez a única maneira que elas imaginam essa felicidade seja amando alguém.

   — Por um momento achei que ele me daria as costas e me ignoraria, mas ele sorriu, ele ficou feliz em me ver, me convidou para um café. Tomamos um chocolate quente juntos. – Não consigo parar de sorrir feito uma boba.

   — Champanhe, “ma petite”, da próxima vez, champanhe, se tivesse tomado um champanhe com ele agora estaria nua.

   —O que conversaram? – Serena me pergunta.

   —Tolices, superficialidades, eu não sei, fiquei com medo... queria me desculpar pelo passado. Acham que devia ter feito isso?

   — Sou a favor de enterrar o passado, tenho uma pá, no caso ela não é mais metafórica, mas também serve.

    —Dominique tem razão, enterre de uma vez o passado. – Serena me pede e olho para Savannah.

   — Se precisa falar com ele sobre isso para talvez, tirar isso do seu caminho então fale.

   — É tudo tão frágil. Quem sabe ele esqueceu, não se importa, éramos crianças, hoje somos adultos, talvez ele não acha nada sobre tudo aquilo, e eu esteja fazendo uma tempestade.

   — Ele tem alguém? – Dominique me pergunta.

   —Não perguntei, como faria uma pergunta como essa? O que acha que ele pensaria?

   — Que está interessada nele. – Serena brinca. – Está?

   — Ele era muito bonito? Vocês se lembram? Por que ele está lindo! Não sei se sempre foi e não notava ou se ficou assim depois de adulto.

   —Sempre foi. – Savannah me sorri.

   — Ele puxou a cadeira quando entramos para o café. – Começo a contar, elas todas me olham com alguma surpresa. — Me deu espaço para caminhar na frente e puxou a cadeira me ajudando a me acomodar. Entendem?

   — Está encantada? – Savannah comenta. – Vocês vão se ver de novo?

   Cubro meu rosto por um segundo, com vergonha, ansiosa, confusa e infantil como não me sentia há anos.

   —Ele vai cuidar da Daisy amanhã. Vou leva-la e depois a apanho no trabalho dele.

   — E aí como agradecimento, vai convida-lo para jantar aqui. Cozinhar para ele. – Dominique me aconselha. As outras balançam a cabeça confirmando.

   —Acham? – Elas afirmam. – E se ele disser não?

   —Significa que entendeu tudo errado, ele tem outros interesses e segue sua vida assim que o mandar para o inferno. – Dominique resolve de modo simples.

   — Ele vem. – Serena me diz com toda certeza do mundo. – Ele vem sim, eu sei.

   — Não posso magoa-lo de novo. – Meu coração se aperta com a ideia. – Eu não sei nada sobre romance e paixão e se eu... estragar tudo e ele sair ferido?

   — Precisa dar uma chance a felicidade, minha irmã. Uma única vez passe por cima do medo, um convite para jantar com um velho amigo de infância, não é nada demais, não crie tantos obstáculos.

   —Vou tentar. Pode ser que ele nem venha.

   — Iludida. – Savannah brinca. – O rapaz puxa a cadeira para você sentar, é todo gentil, óbvio que ele não vai recusar. Agora tenho mesmo que ir.

   Savannah fica de pé e me abraça, é bom tê-las em minha vida. Em seguida, Serena me abraça.

   —Coragem! É especial, merece amor e carinho. – Ela me beija o rosto e me abraça com seu carinho de sempre.

   —Domi! – Eu a abraço.

   —Da próxima vez que ficar sabendo de algo assim pelo esquilão está encrencada “ma petite”.

   —Não vai me dar um conselho? – Brinco depois de abraça-la.

   — Jantem nus! – Ela me beija o rosto que agora está corado.

   Quando as garotas partem eu tranco a casa, experimento a roupa que vou vestir para ir ao trabalho, uma bobagem, mas quero me arrumar um pouquinho. Ajeito as coisas de Daisy. Depois a levo comigo para cama e aproveito para tentar trabalhar, não é nada fácil, ele fica invadindo minha mente e não consigo fazer nada além de pensar nele.

   Carl mora a dez minutos de distancia caminhando, é tão estranho pensar nele assim tão perto.

   Janto sozinha, confiro as trancas da casa, porta e janelas, alimento Daisy, apago algumas luzes, confiro de novo as trancas, então vou me deitar depois de fechar a porta do quarto com chave e levar o telefone para perto. A luz fica acesa, eu não gosto nada de ficar no escuro, a televisão fica ligada, se desligo escuto muitos barulhos pela casa. Daisy dorme tranquila e não vejo a hora dela começar a bagunçar minha casa e minha vida para quem sabe me tirar dessa solidão.

   Acordo tão cedo que nem parece que dormi, talvez não tenha mesmo dormido. Me vestir, tomar o café da manhã, alimentar minha Daisy, tudo isso com os olhos azuis que estou prestes a rever me perseguindo o tempo todo.

   A loja de materiais para escritório continua a mesma, as prateleiras, o balcão e o corredor que leva a porta dos fundo e a empresa e o escritório.

   Assim que passo para o lado de dentro do galpão eu o vejo de pé em sua sala a me olhar. Aceno sem saber direito o que fazer e ele faz um movimento com a mão me convidando.

   Eu caminho com as pernas um tanto bambas em direção a escada de ferro que leva a sua sala e é engraçado vê-lo lá, sempre fomos os dois a subir juntos indo ao encontro do pai dele para levar o almoço ou apenas visita-lo no trabalho e agora é ele a comandar todo o lugar, como ele queria desde sempre.

   —Seja boazinha, Daisy. – Peço a gatinha quando me aproximo da porta e ela se abre. Carl vem me receber na porta com um sorriso nervoso.

   —Achei que mudaria de ideia. – Ele diz antes de qualquer coisa.

   —Vim de carro, tive problemas para estacionar. – Ele balança a cabeça e então seus olhos me deixam para encarar Daisy em meus braços e Carl afaga seus pelos.

   — Oi Daisy, que linda você é. – Ele me sorri. – Entra um pouco, tem tempo? – Não, eu não tenho, vou acabar me atrasando para o trabalho.

   —Uns minutos. – Respondo sem resistir.



Notas finais do capítulo

Beijossssss

http://autoramonicacristina.iluria.com/



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Série Paradise - Dakota" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.