Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 12
Capítulo 12


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!!!!



Dakota

   Viajar com ele. Nós dois sozinhos em uma casa parece um sonho e ao mesmo tempo me dá muito medo, mas eu preciso tomar as rédeas da minha vida, preciso ser forte e ter coragem. É o Carl, tenho sempre que me lembrar disso, eu o conheço, conheço seu caráter, conheço seu jeito de ser, não tem como pensar nele tendo uma crise de irritação, não tem como imagina-lo sendo agressivo, ele não é assim. Carl é o tipo racional, ele resolve os problemas dele com dialogo e depois de muito analisar, ele não tem ímpetos incontroláveis.

   Uma vez o vi perder por completo a cabeça e foi para me defender. Como me envergonho de não ter colocado um ponto final em tudo mesmo depois disso.

   Tem sido tão bom estar perto dele, me dá tanta vontade de contar a ele sobre o blog, mas é tão complicado. Me sinto livre para escrever minhas emoções, não sei se sentiria o mesmo caso ele lesse, possivelmente não teria coragem de colocar minhas reais emoções, ainda não. Um dia vou contar a ele e ao mundo quem é a Garota Paradise, por enquanto é meu segredo.

   Pode ser que ele se magoe quando descobrir, mas vou ter que arriscar e acho que ajudar essas garotas se tornou algo mais importante que meus medos.

   Copio o texto guardado desde a noite passada e colo no blog. Ainda levo um longo minuto me decidindo sobre postar ou não, mas é tarde para voltar atrás, essa é a minha verdade e não quero e nem posso mais guardá-la.

   “Aniversário de um ano de namoro, três semanas de paz, nenhuma briga, não estou falando de um mar de rosas, apenas de um cotidiano pacifico, há muito que eu não sentia mais alegria, há muito o coração não batia mais forte e não sentia saudade, sua ausência era mesmo um tipo de alivio, um tipo de conforto, mas as três semanas tranquilas me davam uma certeza, ele tinha mudado, eu não usava nenhuma roupa que ele não aprovasse, tinha dias que me trocava duas vezes antes de sair de casa para ir a lugares como a farmácia ou qualquer lugar que fosse, mas valia a pena, ao menos não tinha mais brigas. Ficar em casa também era melhor que encontrar algo para fazer, em casa, tirando o fato dele regular o que eu comia ou coisas como o tamanho do meu cabelo e a cor das minhas unhas, tudo parecia muito bem.

   Eu não queria nada além de um aniversário romântico, um dia tranquilo. Não teve presente, teve um convite para ficar em sua casa, seus pais estavam viajando e se tinha uma coisa que eu odiava em segredo eram essas viagens dos pais dele.

   É realmente difícil falar sobre isso, íntimo, minhas amigas supervalorizavam o sexo, foi isso que coloquei em minha cabeça para explicar minha completa falta de interesse, mais do que isso, eu não sentia nada, do começo ao fim eu não sentia nada, não que ele se preocupasse, não sei até hoje se algum dia ele notou.

   Não foi romântico, nem nada, foi só mais uma noite em que eu faço o que as namoradas fazem e não penso em nada se não que toda relação deve ser um pouco assim e o resto é cinema. Me realizava nas histórias de amor das minhas amigas e da minha irmã.

   Por que brigamos naquela noite? Não tenho ideia, ele só começou algo, que foi crescendo e então, pela primeira vez eu entendi. Não era nada nem perto de amor, compreendi quando me olhava no espelho cobrindo as marcas para não ser descoberta. Eu não sentia nada por ele, nada além de medo e repulsa, ele não sentia nada por mim além de posse.

   Eu devia ter ido embora, eu devia ter pedido ajuda, eu não fiz nada disso, mesmo depois de tudo, eu fiquei.”

   Antes mesmo de fechar o notebook eu recebo a primeira mensagem, depois a segunda e quando a décima mensagem de apoio me chega já estou de novo chorando.

   Não são mais as lágrimas de vergonha, não me sinto mais uma pessoa fraca e burra, esses foram meus sentimentos por anos, incapaz de encarar o espelho sem me envergonhar.

   Agora é diferente, descobrir tantas mulheres passando pela mesma coisa, me faz enxergar que não se trata de covardia ou burrice, é muito mais que isso. São tantos casos, todo tipo de mulheres, meninas, mães, avós, primeiro casamento, namoro, segundo casamento. Ricas, pobres, dependentes financeiramente, independentes, o que nos une é a mesma dor, a mesma culpa e a mesma dificuldade em sair disso, do ciclo de violência que nos domina, enfraquece e diminui.

   A campainha toca e limpo o rosto com pressa, baixo a tampa do notebook e respiro fundo. Abro a porta e o sorriso de Dominique se desfaz.

   —Chorando, “ma petite”?

   — Não. Sim, mas não de tristeza, eu estava... postando no blog, parei para ler uns comentários, me emocionei de modo bom.

   Ela me abraça, imediatamente seus olhos inundam. Abraço Dominique para mostrar que sou forte agora, que estou bem e quando nos separamos ela seca as lágrimas.

   —Uma boa maquiagem é tudo na vida de uma mulher, muitas lágrimas e nenhum borrão. – Ela ri. – Seu blog está acabando com minha vida. Já tenho planos de abrir uma Ong que doe pás de todos os tamanhos, junto um bom álibi.

   — Sinto que todas estão superando e não devia ter xingado tanto aquele idiota que deixou aquele comentário sem noção.

   —Devia sim, me diverti muito acabando com ele, todo dia entro para ver se ele voltou, fico até deprimida quando descubro que a ratazana desapareceu.

   — Sabe que é a rainha das garotas do Blog?

   —Sei, assim como sei que estamos atrasadas. – Olho para ela sem entender. Não marquei nada e viajo daqui três horas.

   —Domi, eu vou viajar com o Carl, te contei, vamos para casa do lago em umas horas e nem fiz a mala, ainda que seja só uma noite, tenho que levar...

   —Uma roupa linda, se não corrermos não dá tempo de comprar.

   —Comprar?

   —Sim. Dá um beijo na sua filha e vamos. – Dominique me vê imóvel e me puxa pela mão. – Presente, não pode simplesmente ir assim. Precisa de um vestido para a viagem, depois um para o jantar romântico, acho que vão ter um jantar romântico, não é mesmo? – Dou de ombros. – Mais um para o domingo, vocês vão passar o dia juntos, são pelo menos três trocas de roupas.

   —Não posso aceitar.

   —Problema seu, vai ter que lidar com isso, eu amanheci muito animada para as compras. – Ela não me dá chance, me arrasta em direção a porta, ainda consigo acenar para Daisy e pegar o molho de chaves, tranco tudo e deixamos o prédio.

    Dominique sabe exatamente onde me levar, em suas lindas e caras lojas de grife onde ela é recebida com champanhe e todos a conhecem por nome.

   Não demora e um vendedor se junta a nós e começa uma saga de quase duas horas entre ela me oferecer roupas e eu recusar.

   —Essa calça, Domi, é elegante e discreta, posso usar cum uma camisa branca. Fica muito bom.

   —Fica ótimo para uma secretária executiva, não é seu caso, vai sair com o Senhor Perfeito, precisa estar linda. Essa roupa é tão monótona. Precisa de cor, decote, pernas de fora.

   —Dominique. – Eu a puxo pela mão para nos afastarmos do vendedor. – É uma viagem tão especial, nunca vivi algo assim, não quero estragar nada, entende?

   — “Ma petite”, está comparando o Senhor Perfeito com o rei do esgoto? – Ela é direta. – Está com medo dele ter uma crise de ciúme porque está mostrando as lindas pernas que tem?

   É quase como um tapa no rosto, é a verdade sendo exposta sem nenhuma proteção. Me deixa um longo momento muda, nua, imóvel. Dominique aperta minha mão.

   — Estou fazendo isso, não é? – Ela balança a cabeça afirmando. – Não pode deixar, não pode permitir isso, tem que me chacoalhar, atirar na minha face a verdade, tem que me impedir. Promete?

   — Sempre. – Ela me abraça, respiro fundo, não tenho tempo para lágrimas. Me afasto dela.

   —Três vestidos lindos em meia hora, Dominique, curtos, coloridos.

   —Sensuais. – Ela completa e então me puxa de volta para o vendedor.

   Ela diz algo ao rapaz, não demora e temos mais meia dúzia de lindas peças e escolher é quase impossível e então, quando pisco, estamos deixando a loja com cinco vestidos cheios de vida e cor, pouco tecido para o preço que ela paga, mas estou feliz.

   Dominique me deixa na porta, damos um longo abraço, seu olhar é cheio de amor, se demora um pouco mais do que o normal e então ela volta para o carro e eu corro para dentro.

   Escolho um vestido azul claro, cintura marcada, cetim, saia curta, um decote canoa, que deixa a linha do pescoço livre e cabe perfeitamente um colarzinho delicado. Calço sandálias, encaro o espelho um tanto insegura.

   —Está linda, “ma petite”. – Digo ao meu reflexo no espelho.

   Coloco Daisy em sua caixa e pego a mochila com os outros vestidos e tudo que preciso. Talvez um pouco mais do que preciso, melhor garantir.

   Quando fecho a pequena mala ele toca o interfone, meu coração parece que vai parar tamanho o salto, depois acelera e enquanto espero que suba depois de liberar sua entrada só consigo mesmo ficar imóvel lutando com minhas emoções.

   A porta está entreaberta, eu torço os dedos um tanto nervosa. Melhor é fingir que não tem nada errado. Que não estou diferente. É o que faço, mas ele não. Carl não compactua com meu plano, ele deixa claro que notou a diferença em um minuto de silencio de olhos arregalados e um sorriso que vai surgindo e o deixando lindo. O que sinto por ele agora está tão claro.

   Eu me apaixonei por ele, acho que já o amava, não entendia o amor, mas o amava, agora me apaixonei, amo Carl desde sempre, mas só agora estou apaixonada por ele.

   —Está... linda. Senti tanta saudade. – Ele diz caminhando para mim e eu entendo suas palavras. Ele sentiu saudades da Dakota de vestido romântico sem medo de mostrar um pouquinho de si. – Tenho até medo de te tocar e essa imagem se desfazer como se fosse apenas miragem. Como se fosse lembrança.

   —Sou eu. Estou aqui. Não vou me desfazer em fumaça. – Ele me abraça, seus lábios tocam os meus, envolvo seu pescoço. – Estou pronta. – Ele me beija mais uma vez e então nos afastamos.

   — Sua mala? – Faço que sim. – Eu levo, você leva a Daisy. Estou bastante ansioso.

   —Eu também, podemos cavalgar como no Arizona, quer dizer, você ainda se lembra?

   — Estive no Arizona até quase outro dia. – Ele me lembra.

   Me acomodo a seu lado no carro, a caixinha de Daisy no banco de trás presa a um cinto, somos responsáveis. Ele procura minha mão, leva até os lábios e beija.

   Carl me deixa leve, os medos ficam pequenos quando estou ao seu lado, quase insignificantes.

   — Pronta? – Ele me questiona. Balanço a cabeça em um sim veemente que o faz sorrir. – Pronta e linda, muito linda, nunca esteve mais bonita.

   — Eu não sei porque não estava mais usando vestidos.

   —Nem eu, é linda, sempre gostou de vestidos, tinha um cheio de florzinhas, lembra? Não tirava.

   —Ficou curto demais.

   — Não ficou não. Tem lindas pernas, não faz sentido esconder. – Eu não sei mesmo o que passou pela minha cabeça, porque continuei me escondendo mesmo depois de deixar Eric para trás, acho que as coisas que ele me fez acreditar se enraizaram, mas vou me livrar de cada uma delas. – O dia está bonito, não acha?

   —Muito. – Olho pela janela quando estamos passando pela lateral do Central Parque, Carl diminui um pouco a velocidade e um jovem toca um violino na calçada, diante dele um chapéu, preso ao violino um cartaz escrito apenas. “Eu”. – Olha Carl! Um violinista.

   Ele diminui ainda mais a velocidade, enquanto abro o vidro para ouvir a música cheia de paixão. Eu não tenho dúvidas que violinos são o som do amor.

   —Vai lá. – Carl diz parando o carro, tira um dólar do bolso e me entrega. – Deixa no chapéu. — Não penso duas vezes, o rapaz merece, pego a nota e desço do carro, me apresso para deixar a moeda no chapéu. Os carros atrás buzinando cheios de pressa, incapazes de se encantar com a beleza do momento.

   — Moça! – O rapaz me chama. Puxa o pequeno cartaz do violino e me entrega. – Obrigado! – Diz sorrindo, pego sem saber o que fazer com um cartaz escrito apenas a palavra “eu”.

   — Ele me deu. – Digo quando me sento de novo ao lado dele e continuamos a viagem. – O que acha que é?

   —Não faço ideia. – Ele dá de ombros. – Procura uma música. – Carl pede e faço isso, queria mesmo violinos, acho que encontrar um violinista no caminho é um bom pressagio. Deixo em uma radio que toca as mais românticas e ele me sorri mais uma vez. – Daisy parece muito tranquila. – Olho para trás.

   —Dormindo. – Digo sorrindo ao nota-la muito quietinha na caixa. – Ela é mesmo um encanto.

   — Me conta o que fez hoje? – Ele pede.

   —Conto sobre Dominique, Carl ri o tempo todo, ele não tira os olhos do transito, mas é sempre atento a tudo que digo.

   —Sua amiga é muito especial.

   —Muito, todas as garotas Paradise são. Hoje não temos mais tanto tempo juntas, Serena tem três filhos, terminou a faculdade de psicologia, mas não exerce, ela gosta mesmo é de ser mãe e isso a ocupa muito. 

   —Isso inclui o Theodor. Ele parece uma criança gigante. – Sorrio com a comparação. É um pouco isso.

   —Ele é muito sensível, gentil e ao mesmo tempo... cínico. Gosto do humor dele, de como ele faz as coisas boas parecerem pouco importante. Como quando me pagou a faculdade, ele me deixou muito à vontade sempre. No começo achei que morreria de vergonha, mas não, ele levou de um modo engraçado e fiquei tranquila.

   — Sua irmã também? – Savannah lutava tanto para isso, era um pouco seu sonho também.

   —Ela está bem, ficou aliviada, minha irmã está sempre querendo perdoar o meu pai, então quando ele pagou a faculdade ela logo achou um jeito de desculpar meu pai por isso. Minha irmã agora está tão feliz, Ethan é perfeito para ela e eles tem o Sean, isso também é uma das razões por não nos vermos mais como antes. Dominique também, ela não admite, mas é uma mulher de família agora, com o Yves e aquele casarão que ela mora, os pais recém-casados. Fiquei mais sozinha, com elas seguindo a vida.

   —Natural. – Ele diz compreendendo assim como eu compreendo. – Olha! – Carl aponta diminuindo a velocidade, em outra esquina, um novo violinista toca também com um pequeno cartaz preso ao violino.

   —“Esperaria”. – Leio em voz alta. Mais uma vez, Carl para o carro mesmo sob os protestos dos carros atrás dele. Tira do bolso mais um dólar que me estende.

   —Já que começamos com isso. – Ele diz me entregando a nota que pego sem reclamar, deixo o carro, coloco a nota no chapéu e de novo o rapaz me estende o cartaz que aceito correndo para o carro. – Esperaria? O que será isso?

   —Eu esperaria. – Digo olhando os dois cartazes juntos enquanto ele volta a colocar o carro em movimento ignorando a meia dúzia de ofensas que recebe.

   — Quem sabe é uma promoção, ou uma propaganda, talvez tenha mais deles espalhados pela cidade. Vamos ficar de olhos abertos.

   —Sim. – Digo animada. Começo a prestar atenção as esquinas, não demora e lá está outro, dessa vez com a letra A. – Ali, Carl, mais um. Letra A.

   —Vou parar. – Ele diz feliz. – Vamos ver se tenho mais alguns trocados. – Ele mexe no bolso, tira outro dólar e me estende, dessa vez eu desço antes que ele diga qualquer coisa e o homem me estende a placa, pego com um sorriso, volto para o carro e ele dá partida, felizmente não tinha nenhum carro atrás de nós.

   — Eu esperaria a.... -Fico tentando resolver o quebra-cabeça. Talvez uma marca qualquer, ou quem sabe um show novo na cidade. As placas ficam no meu colo enquanto esqueço de tudo para procurar violinistas pela cidade, sinto pena que logo pegamos a autoestrada e talvez eles sumam. – Ali! Ah! Passamos. – Fico desanimada. – Não deu para ler a placa.

   —Vou voltar. – Carl decide pegando um retorno que parece ter sido colocado ali estrategicamente apenas para nos ajudar. Um minuto e estamos de novo próximos ao violinista.

   —Vida! – Leio antes de descer do carro com a nota que agora está sobre o painel junto com mais algumas.

   — Um presente para a senhorita. – O homem diz me esticando a placa.

   —Obrigada. – Digo voltando para o carro. – Aqui. Ganhei, será que estamos no meio de uma gincana?

   —Quem sabe. O que está escrito?

   —Eu esperaria a vida. – Deve ter mais, a frase não faz muito sentido.

   —Muito estranho. Reparou que é a mesma melodia? – Ele me questiona e afirmo. – Talvez esteja fora de ordem, tente resolver o quebra-cabeça de palavras.

   Finalmente pegamos a autoestrada, uma pena, depois vou procurar na internet sobre isso, descobrir o que era. Vinte minutos de estrada e pegamos uma secundária, logo depois de curva, um violinista surge parado sob uma árvore. Com ele, outra placa. “Toda”.

   —Para Carl! – Peço tão animada, dessa vez me demoro um pouco ouvido a bela música, dá vontade de convidar o Carl para me sentar perto do homem e ouvi-lo tocar o resto do dia, mas deixo a nota, fico esperando a placa, o homem não parece disposto a me oferecer e me decepciona um pouco. Olho para o carro, balanço a cabeça em negação, Carl sorri.

   —Amigo. – O homem olha para ele. – Um presentinho para a mocinha linda! – Ele sorri, oferece a placa e aceito, sei lá, quem sabe no fim descubro o que é e algo especial acontece?

   — Será que ganha um prêmio quem tiver mais placas? – Pergunto quando Carl volta a colocar o carro em movimento. – Eu esperaria a vida toda.

   —Vamos ver, chegando na casa a gente pesquisa na internet.

   Seguimos pela estrada até chegarmos a cidadezinha próxima ao lago. Já viemos passear por ela, até já nos reunimos apenas as garotas em uma noite divertida dois anos atrás enquanto eles ficaram todos em casa. Cuidando das crianças.

   Em frente ao restaurante onde jantamos, mais um violinista toca com outra placa.

   — Carl, isso está tão maluco. Olha, mais um.

   —Parece que se estendeu por todo o estado, pensei que era só em Manhattan. – Ele comenta. – Quer parar e ver a placa?

   —Não consigo resistir. – Ele segue até o homem, estaciona e descemos.

   —Por? – Ele lê a placa com uma ruga na testa. – Sei lá, isso não está fazendo sentido. Espera, acho que tenho umas moedas aqui. – Carl caça os bolsos, eu aceito as moedas, deixo no chapéu. O Homem termina a melodia, é uma música tão suave, me emociona, Carl me envolve enquanto ouvimos a música. Fico emocionada, tudo isso parece tão romântico. Sinto até pena de chegarmos a casa porque aí acaba as chances de encontrarmos outro violinista.

   —Para uma linda jovem. – O homem me entrega a placa.

   —É alguma promoção? – pergunto quando aceito a placa. O homem me sorri, dá de ombros. – Acho que não pode responder, mas já estamos indo para casa, não contamos a ninguém.

   —Vem, não vamos prejudicar o trabalho do homem. – ele procura minha mão e voltamos para o carro.

   — Que pena. – Digo quando me ajeito no carro, Daisy ainda dorme, mas acho que está cansada da caixa, não fosse por isso, pedira a ele para dirigir sem destino até descobri do que se trata.

   Junto as placas. Eu esperaria a vida toda por... pelo que eu esperaria a vida toda? Encosto o rosto no vidro do carro enquanto Carl dirige mais um pouco e pega a pequena estradinha que leva a propriedade.

   —Você acertou tão fácil o caminho. – Me dou conta que ele é bom com direção. – Sempre me perdia na estrada. Quando estava indo ou vindo de Yale, um vexame.

   —Theodor explicou. – Balanço a cabeça concordando, volto a encarar as placas pensativa enquanto ele dirige e atravessa os grandes portões já abertos a nossa espera. Serena deve ter deixado recado avisando da nossa chegada.

   —Pelo que esperaria a vida toda, Carl? – Pergunto a ele. – Eu esperaria a vida toda por?

   —Por uma coisa, uma única coisa. – Ele diz e então eu começo a ouvir violinos e ergo meus olhos enquanto as coisas começam a ganhar outro sentido e percebo que não se trata de uma promoção e meu coração acelera e perco um pouco o ar e a capacidade de raciocinar e tudo acontece no momento que o carro para diante da casa e tem um caminho de pétalas vermelhas no chão que leva até a varanda onde um violinista toca com uma placa que não posso ver por que ele está de costas.

   Carl deixa o carro em silencio e faço o mesmo, sinto o ar fresco da tarde tomar meu rosto e com ele o perfume dos pinheiros, meu coração descompassado quando caminho sobre as pétalas vermelhas lutando para não chorar.

   Quando chego a ponta da escada o violinista de volta tocando a mesma melodia que escuto desde que deixamos Manhattan e lá está o pequeno cartaz. Você.

   — Eu esperaria a vida toda por você, Dakota. – Ele diz procurando minha mão.

   Tantas vezes eu planejei lindos momentos românticos, tantas vezes sonhei com eles, jamais imaginei que um dia algo assim me aconteceria, sinto um nó se formar em minha garganta, meus olhos marejam de emoção, eu o amo, amo o jeito especial que ele tem de tornar sonhos em realidade, de cuidar das minhas emoções.

   — Eu esperaria a vida toda por você, Dakota. Quer ser minha namorada?

   Cubro meu rosto com as mãos em uma crise de choro, devia dizer apenas sim, mas é tudo tão lindo e especial, tantas coisas estiveram presas em mim, eu me sinto tão feliz, emocionada e livre, eu não sei como controlar isso.

   —Carl! – Ele me envolve e sentir o seu calor me acalma. – Sim. Eu quero ser sua namorada. – Consigo dizer finalmente olhando em seus olhos, apenas para admirar o brilho intenso, me encantar, me apaixonar.

                     



Notas finais do capítulo

BEIJOS



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