Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

BEM-VINDOS! Espero que gostem!!! DAKOTA ESTÁ AQUI!!!! Me contem o que acharam.



   14 de fevereiro de 2017

Dakota

   “A janela do terceiro andar tem uma vista tão bonita, se esticar um pouco o pescoço debruçada à janela posso ver um pedacinho do Central Park, tem o barulho dos carros na outra esquina que é mais movimentada e aqui, algumas poucas pessoas passando na rua tranquila. No fim da tarde sempre tem algumas crianças brincado na calçada do prédio vizinho, eu adoro ouvir o riso deles, os gritinhos, a alegria de ser criança.

   A manhã está fria e cinza, deve chover e talvez nevar. Sempre me lembro do dia de San Valentin em que conheci as garotas Paradise, quando eu era outra pessoa, uma Dakota que vivia um sonho secreto de amor que deu em dor e feridas que parecem incapazes de se fechar.

   Foi por acaso que as garotas Paradise se reuniram, eu ainda com quinze anos, escondida debaixo do balcão do bar Paradise estudando, minha irmã atrás do balcão limpando e lavando, enquanto Dominique bebia sua raiva em uma taça de champanhe e Serena chegava ensopada e perdida.

   As dores e sonhos das Paradise se uniram e hoje, seis anos depois, somos uma família, uma linda e unida família. Serena encontrou o que procurava, seu lugar no mundo. O lugar dela é nos braços do CEO mais maluco e adorável que conheço, o divertido Theodor Fitzalan, pai dos três pequenos que tanto amo. Andy, Maitê e a bebê Eva, essa chegou sem planejamento, depois de uma viagem de férias. Os fez muito felizes e dizem que agora completos.

   Minha irmã realizou seu grande sonho, é dona do bar Paradise, encontrou o melhor sócio que a vida podia oferecer. Ethan divide com ela o amor pelo bar e a família feliz. Meu pequeno sobrinho Sean completa a família, como eles dizem, teriam outro bebê se a vida fosse diferente, mas como trabalhadores noturnos acham injusto mais um filho que não terá deles cem por cento de atenção. Eu os compreendo, além de achar que Sean preenche o coração dos dois.

   Dominique, minha francesa linda encontrou o que não sabia que precisava, amor. Aron é um par incrível para a garota que gosta de ser ela mesma e fugir do que se espera. Dominique é forte e Aron não poda suas necessidades, ao contrário, completa, ele e Yves, o garotinho chegou em meio a dor da perda da mãe e se tornou amor. Não acho que Dominique possa amar alguém mais intensamente e mais livremente, por isso são felizes, juntos, construíram uma família tão normal e tão diferente que fico sempre emocionada.

   Sobre mim? Dakota Jones? É difícil falar sobre mim. Formada em Literatura, de volta a Nova York, um emprego meio período três vezes por semana em uma grande livraria organizando os livros em suas prateleiras e sonhando em construir um futuro seguro, segurança é tudo que quero. Nada de amor para mim. A Dakota de quinze anos provou seu sabor amargo, provou e se lambuzou na dor, agora é só distância o que desejo da vida amorosa.”

     Suspiro, não sei bem o que me deu para abrir o notebook e começar a digitar, mas me sinto bem, baixo a tampa do notebook e visto meu casaco pendurado no pequeno armário perto da porta de saída. Um pequeno apartamento de quarto, cozinha e a menor sala do mundo. Aconchegante eu diria, claustrofóbico para Dominique, delicado, diz Serena, desnecessário reclama Savannah que me queria ainda morando com ela.

   Aperto mais o casaco junto ao corpo quando deixo meu apartamento em direção a mercearia no fim da rua. Preciso gastar uns dólares com comida, não dá para ficar comendo sempre no Paradise, ou pedindo sanduiches pelo telefone.

  Me lembro da vida razoavelmente fácil dos anos de universidade em que meus amigos juravam que eu era alguma garota rica, a bolsa que Theodor me ofereceu foi mais do que completa. Um apartamento melhor e maior do que o que tenho hoje, um carro que ainda conservo, dinheiro para meus gastos pessoais que economizei o bastante para a mudança de volta a Nova York no fim do curso. Nunca vou poder paga-lo, mas jurei fazer o melhor que puder com minha vida para que ele se orgulhe de mim.

   A mercearia está vazia as nove da manhã de uma terça-feira, a noite na cidade deve ser agitada, afinal é noite do dia dos namorados e claro que todos tem planos, eu vou me encontrar com as garotas no Paradise, um drink juntas e então elas vão com seus pares curtir a noite especial, não sei como será a noite de Dominique ou da minha irmã, mas sei como será a de Serena. Eu e Theodor preparamos uma noite especial e curta, ela tem três horas perfeitas com ele antes de ser a hora da mamada.

   A ideia de um jantar no terraço foi minha, os violinos, a decoração florida, com luminárias e o futon turco decorado com almofadas de cetim coloridas também, já o colar de esmeralda é ideia dele. Pelo menos o terraço é todo fechado e o frio não vai atrapalhar o casal.

   Ando por entre as prateleiras, pego alguns legumes para uma sopa, leite, adoro tomar chocolate quente em minha xicara preferida enquanto leio meu livro na poltrona perto da janela, quem sabe continuo a digitar minhas angustias?

    Depois das compras caminho de volta para casa tentando me esconder do frio e carregar uma sacola pesada. Na entrada do edifício uma caixinha jogada perto da porta me chama atenção, ela se mexe quando procuro as chaves e me aproximo um tanto angustiada.

   Está fechada dou um passo para trás sem coragem de toca-la, mas então um tipo de gemido baixo e angustiante me move de encontro a caixa, a sacola de comprar fica jogada ao chão enquanto me ajoelho para abrir a caixa e dar de cara com um lindo gatinho de apenas alguns dias que geme de frio e medo.

   Meu coração se aperta de dor. Como alguém pode ser tão cruel? Atirar em um dia tão frio um pequeno e indefeso animal à própria sorte?

   — Está tudo bem. – Ergo o pobre animal da caixa, antes de aninhar o pequeno nos braços decido olhar seu sexo. – Uma menina! – Sorrio abraçando a gatinha de pelos negros que tem uma faixa branca sobre os olhos e focinho e desce branca pelo peito. – Shiu! Está tudo bem, está com frio meu bem? Claro que sim. – Ela se encolhe em meu peito, tremendo e me preocupando, coloco a gatinha dentro da blusa para aquece-la com meu corpo enquanto junto minhas compras e abro a porta com minhas chaves.

   Subo os três lances de escada apressada, no final do segundo lance é preciso parar um segundo para respirar e aproveito para admirar a pequena que ainda treme encolhida dentro da minha roupa.

   — Vou cuidar de tudo. Não se preocupe. – Termino o que Dominique chama de escalada e então estou de novo com o molho de chaves em punho abrindo minha porta que tem três fechaduras.

   Não é algo que alguém além de mim saiba, mas eu tenho medo da solidão, medo de algo dar errado, de ouvir minha porta ser forçada, de um invasor perigoso, tenho outros medos, mais medos do que gostaria de admitir.

   Deixo as compras no chão para trancar a porta, pego de novo e levo para a mesa da pequena cozinha. Aumento um pouco o ar do apartamento, normalmente gosto que seja um pouquinho mais frio, me encolher entre cobertas me dá uma sensação de proteção e aconchego.

   O quarto está quentinho quando coloco a pequena sobre as cobertas e envolvo mais uma vez no colo.

   —Está com fome, bebê? – Fico pensando em algo para dar a ela. Talvez aquece-la e leva-la ao veterinário. – Precisa de um nome. Não, eu ainda não sei se vai ficar.

   Ela mia se acomodando, procura minha pele e se aconchega em minha mão.

   —Vai ficar. Claro que vai ficar. Bem-vinda, mas antes do nome sua saúde, veterinário, meus dólares se despedindo de mim. – Sorrio, encontro uma coberta do Sean, vai servir para carrega-la pelas ruas. – Vamos de carro, assim não congela no caminho.

   Eu a ajeito no banco ao meu lado, ela fica miando e acho que agora é fome, mas o veterinário é que vai dizer.

   O consultório é também um pet shop, essas lojas vão dominar o mundo. Tem uma em casa esquina e a verdade é que da entrada ao fim do corredor onde fica o consultório eu penso em comprar pelo menos trinta coisas diferentes para ela e só a tenho há meia hora.

   O veterinário examina atencioso. Primeiro em silêncio, me olhando curioso, será que pensa que fui eu a deixa-la sem mãe assim tão pequena?

   —Eu a encontrei na porta há pouco, não dei nada a ela, só a aqueci e... vim. – Dou de ombros.

   —É muito pequena, vinte dias no máximo, devia estar mamando ainda, está faminta e fraca, vou receitar vitaminas, uma alimentação especial para filhotes nessas condições, vacinas e todo resto pode esperar, dê a ela a cada duas horas, pode fazer isso? – Balanço a cabeça em um sim cheio de dúvidas. Acho que algum Paradise vai ter que me ajudar, em dois dias tenho que ir trabalhar e fico toda manhã fora, até lá posso dar um jeito e depois... alguém vai precisar me ajudar e o Andy está na escola e tem um bebê novo em sua casa. Savannah dorme pela manhã e cuida do Sean e tem toda aquela correria. Dominique mora longe, também não é o tipo que se dedique a um gatinho. – Ela vai viver? – Meus olhos marejam e ele ri, os cabelos grisalhos e o ar sério não me deixam muito a vontade para cair no choro, tento secar as lágrimas disfarçadamente.

   — Tenho certeza que vai providenciar que sim. – Ele me devolve a pequena envolta na coberta, entrega a receita e sei que vou encontrar tudo que preciso aqui mesmo, em sua loja providencial.

   Lá se vão quase todas as minhas economias, mas saio com a comida especial, um tipo de papinha que devo misturar com água, uma caminha rosa, roupinhas, duas, está frio, ela precisa, me convenço, potes para água, ração, caixa de areia para sua higiene e um brinquedinho, dois talvez seja melhor.

   Dirijo apressada, ela precisa começar imediatamente a dieta especial. De volta a minha casa eu preparo a ração e ela se entrega a fome me emocionando, toma um gole de água e depois miando satisfeita procura meu calor e eu a envolvo indo me encolher em minha poltrona preferida.

   — Então precisa de um nome pequena. O que acha disso? Quer ficar comigo? Talvez eu seja um tanto assustada, não sei se vai ser muito livre comigo, sair pela noite e voltar ao amanhecer, pode ser que tranque tudo e morra de medo de perde-la. Quer ser minha? – A pequena me olha um longo momento está cheia de sono, mas aquecida e alimentada. – Daisy. Eu sei, ela foi uma tola, Gatsby a amava, mas ela não viu isso, eu também não vi até ser tarde demais. Daisy. Gosta disso? Daisy é um doce nome, perfeito não acha? Bem-vinda ao lar, pequena Daisy, talvez Dominique te de algum codinome, mas será minha Daisy.

   A gatinha ressona em meu colo e aproveito para me encolher um pouco na poltrona e abrir meu livro. Tenho muito tempo até encontrar as garotas no Paradise.

   Deixa-la por duas horas, só isso, ir ver as garotas no Paradise e voltar, é só um pouco e ela pode ficar quietinha em sua nova caminha, quente e com uma luz acesa para não sentir medo, alimentada deve dormir até que eu esteja de volta, cubro a pequena já adormecida, afago os pelos macios, depois deixo a casa evitando barulhos, ela é mesmo uma graça e me pergunto por que não pensei antes em ter uma companhia assim.

   Acho que serei a última a chegar, me atrasei um pouco tomando coragem para deixar a pequena sozinha logo em seu primeiro dia na casa nova, melhor assim, não posso me demorar de qualquer modo.

   O bar está fechado ainda, são cinco da tarde e nas noites de dia dos namorados mesmo que o bar seja muito requisitado, temos sempre nosso momento Paradise. Apenas nós garotas em nossa mesa enquanto os garotos Paradise se distraem em conversas no balcão.

 A sineta toca e ganho todos os olhares, aceno e sorrio enquanto tiro o casaco e o cachecol, ajeito minhas coisas nas costas da cadeira antes de beijar o rosto de cada Paradise e receber sorrisos e cumprimentos.

   — Oi garotos!

   —Oi Gatinha! – Ethan me diz com seu velho sorriso de irmão que Savannah me deu ao se casar.

   —Atrasada mocinha! – Theo brinca antes de piscar para me lembrar de nossa surpresa secreta. Sorrio e aceno para Aron.

   —Como está? – Savannah me pergunta.

   — Tenho uma gatinha! – Aviso de sopetão.

   —Finalmente! – Dominique comemora.

   —Uma felina, Dominique! – Aviso.

   —Uhm, uma gata quente, está tudo bem, não temos restrições.

   — Meu Deus, Dominique! Um animal de estimação! – Completo e elas trocam um olhar decepcionado.

   —Achei que finalmente tinha descoberto o amor. – Dominique continua. – Seria muito legal. Uma de nós devia gostar de garotas. – Ela me olha. – Só sobrou você. Pense em como seria divertido ver os garotos se virando com uma menina naquele balcão?

   —Não, obrigada, nem garotas e nem garotos, além disso, é tarde, eu gosto de garotos, no caso é mais.... platônico mesmo. Nada real.

   —Uma pena. – Dominique toma um gole de seu champanhe. – O que vai fazer essa noite?

   — Volto para casa para cuidar dela. – Aviso e ganho de novo os pares de olhos.

   —Onde conseguiu esse... gato?

   —Gata Savannah, uma menina, eu a encontrei na minha porta, tem vinte dias e gastei todo meu dinheiro cuidando dela. Como alguém abandona um animalzinho no frio, não é terrível?

   —Muito. – Serena diz chocada.

   — O que vai fazer hoje, Domi? – Decido perguntar para tirar o foco sobre mim.

   —Vamos ter uma noite romântica no Plaza, lembrar a noite de núpcias, pobre Yves, “mon lapin” vai ficar com os pais do Jardineiro, a mama e o papa estão em lua de mel, eterna lua de mel. – Ela faz a inconfundível cara de repudio que parece que só Yves compartilha.

   —Eu vou abrir o bar, não podemos perder uma noite como essa, mas saímos mais cedo, o pessoal está bem treinado para assumir em nosso lugar, aí vamos namorar um pouco, o Sean dorme cedo e vamos pedir um jantar romântico em casa mesmo. – Savannah explica e nesse caso acho melhor não me oferecer para ficar com o Sean.

   —O que vai fazer Serena? – Pergunto para ganhar um sorriso largo.

   —Me diga você. O que vou fazer hoje? – Dou de ombros me fazendo de desentendida.

   —Não faço ideia.

   — Theodor preparou uma surpresa. – Ela conta. – Todo ano ele prepara, não é Dakota?

   —Mas esse ano vocês têm a Eva, ela é bebê, acho que ele não preparou nada.

   — Puxa, essa seria mesmo uma surpresa. – Serena ri. Acho que eu e Theodor não enganamos mais ninguém. – Eva está tão linda, não é tão quietinha como a Maitê era, mas é tão linda, parece tanto com o pai.

   —O Theo está completamente apaixonado. – Digo me lembrando que a cada palavra de nossa conversa para preparar a surpresa ele dizia algo sobre a bebê.

   — Um brinde? – Dominique convida. Erguemos os copos, o meu com água apenas. – A mais um ano juntas.

   —As Paradise! – Serena completa quando tocamos as taças e levamos a boca.

   —Olha Dakota, não fica triste de ver o time dos meninos desfalcado? – Savannah me questiona e nego. Elas riem.

   —Ao menos tenho uma companhia agora, Daisy é o nome dela.

   — Que falta de imaginação. Podia ser.... Paradise! – Dominique reclama.

   —Não sou boa com nomes e esse é um nome... me lembra alguém. Não. Não é aquele... é só algo que eu pensei quando estive relendo o Grande Gatsby.

   —O do gangster? – Dominique pergunta.

   — Ele não era um gangster! – Aviso.

   —Sei lá, só vi o filme. Leonardo de Caprio estava uma delícia. – Ela diz baixo nos fazendo rir. – Meu jardineiro não pode ouvir. Sou ciumenta, se falo algo assim ele joga na minha cara que ele nunca pode dizer essas coisas que o ameaço com a pá. Mas ele me deu a pá, devia saber onde estava se metendo.

   — Aquela pá que um dia vai coloca-la atrás das grades? – Serena questiona e ela dá de ombros.

   —Foi há mil anos, nunca vão esquecer?

   —Óbvio que não. Yves nos lembra sempre que pode. – Savanah diz rindo. – Então irmã? Ainda não desistiu do apartamento?

   —Já viram esse novo talento que a Savannah desenvolveu? Do nada ela joga essa. – Meu riso contagia as outras Paradise, ao meu lado, Dominique que concorda que preciso do meu espaço, ao lado de Savannah, Serena que acha que eu podia ajudar minha irmã e ter companhia para não passar tanto tempo sozinha.

   — Me preocupo!

   — Irmã, se lembra que morei sozinha por anos na universidade?

   —Era um apartamento maior, além disso, estava conosco todo fim de semana que podia, ou quando tinha férias, todos os feriados, agora que mora uns quarteirões de mim parece... eu sei, só estou lamentando.

   Abraço Savannah e beijo seu rosto, ela ri, quando nos soltamos, Dominique me puxa para um abraço ciumento.

   —Não pode abraçar uma Paradise e não me abraçar também, “ma petite”.

   —Eu sei.

   —Conte mais da gatinha. – Ela pede.

   —Linda, bem pequenininha. Magrinha ainda, mas vai ficar forte, tem os pelos negros, mas o focinho é branco e o pelo brando desce pelo peito. Tão linda, um amor, grudada em mim, eu sei, tem só umas horas, mas ela acho que está agradecida.

   —Quando Eva crescer um pouquinho penso em encontrar um animal de estimação para o apartamento. Fico preocupada. A Bliss e o Corcel que é uma garota, mas ainda hoje o Andy a chama de Corcel, estão ficando velhos. Se algo acontecer aqueles cavalos eu não sei. Será muito triste, Maitê já os ama também.  

   —Sean está sempre pedindo um. Acho que resolvi meu problema, ele vai ser o tio da gatinha e isso deve anima-lo. – Savannah pisca e sorrio achando mesmo boa ideia.

   —Yves não me pede coisas assim, nossa vida é muito agitada, sempre que temos um tempinho livre viajamos e ele tem o basquete, está o tempo todo treinando. Aliás, ele tem um jogo importante na próxima semana, temos que ir todos dar força a ele.

   — Antes temos a festa de aniversário da minha Maitê. – Serena nos lembra. – Será no sábado. Minha sogra acha deselegante não comemorar no dia e festejar no fim de semana. – Serena ri. – Por isso o Theo faz questão de sempre comemorar no fim de semana.

   —A eterna briga dos dois. – Eu lembro achando engraçado.

   — Tem falado com nosso pai? – Savannah me pergunta.

   —Sabe que não. – Ela pode até ter essa memória seletiva, pode ter esse doce coração que esquece, eu não, eu me lembro das escolhas dele e as consequências em nossas vidas, não tenho nunca nada a dizer a ele.

   —Ele disse que vem ver o Sean mês que vem. – Ela me conta.

   —Talvez venha, se a esposa autorizar. Vamos ver, pode ser que ela o coloque de castigo, ver o neto, um neto que não é dela? Duvido.

   — Ele veio ano passado. – Savannah me lembra.

   — Os pais do Ethan são do estado vizinho e vem quase todo mês. – Atiro a verdade e ela concorda. Procura minha mão e prende a sua. – Não vou deixar de atende-lo, ou vir aqui dar um beijo nele quando e se ele aparecer, mas não vou atrás dele.

   — Você tem seus motivos, eu não vivi com ela, você sim. Quer saber, chega desse assunto, é noite das Paradise. Conte o que anda fazendo.

   —O de sempre, livraria, casa. – Dou de ombros um pouco envergonhada, elas tem uma vida tão agitada e a minha é tão... vazia. Acho que a maior aventura dos últimos meses foi encontrar Daisy essa manhã. – Hoje eu estive escrevendo um pouco. Sei lá, me deu vontade.

   —Por que não escreve um livro? – Serena questiona.

   — É tão difícil, eu... acho que não poderia. Nem pensar, não.

   —Blog! – Dominique me aperta a mão como se tivesse acabado de ter uma ideia incrível. – Pense, um blog que falasse um pouco das suas experiencias e também de livros. É o que ama. Onde está seu texto?

   —Em casa, mas não vou mostrar.

   —Anônima. – Savannah também parece se animar.

   —Isso! – Serena concorda. – Vamos ajuda-la. Eu posso até dar uns palpites, sou uma psicóloga que não exerce, quem sabe te ajudo e escreve emoções, quem sabe... – Ela se cala. Parece pensar um momento. – Dakota, você precisa exorcizar o seu passado, lidar com ele e pode fazer isso ajudando outras garotas a despertarem para a própria história. O que acha? Consegue escrever sobre isso?

   —Eu... acho que sim. – Talvez fosse mesmo bom rever meu passado que tanto quero esquecer.

   — Não precisa ser você. Pode ser a garota Paradise, ninguém vai saber que é você, quem nos conhece assim além... da gente? – Trocamos olhares. Realmente seriam apenas os mais próximos.

   —Vou começar algo. Não acho que alguém vá ler, mas... posso tentar.

   — A Fitzalan tem um programador incrível. – Theodor avisa do balcão. – Parece que esse tipo de trabalho está incluído na bolsa dos recém-formados.

   —Você é incrível, Theo!

   —Minha nora, estou cuidando do futuro do meu Andy, ele já está com dez, mas oito ou nove anos e já vai estar pronto.

   —Deixa ele te ouvir. – Brinco sabendo que Andy morre de vergonha. – Vou aceitar o programador.

   —Claro que vai. – Ele volta a se concentrar na conversa e fico de pé.

   —Tenho que ir, deixei a Daisy sozinha.

   —Uma sobrinha gata! Era o que me faltava. – Dominique reclama. Beijo as garotas, aceno para os rapazes e dirijo de volta para casa.

   Daisy está dormindo, mas acorda quando a toco, eu a alimento e ela usa a caixinha pela primeira vez, depois vem se encolher em meus braços e me sento abrindo o notebook. Posso mesmo fazer isso, posso escrever sobre meus sentimentos, o que vivi, como me senti e quem sabe ser ouvida e ajudar, ou não, mas pelo menos isso sai de dentro de mim.

   “Eu me apaixonei pelos olhos azuis, pelo sorriso vivo e puro, eu o amava e não sabia, eu era apenas uma menina e no meu sonho adolescente, o príncipe era o capitão do time e ele não era o capitão do time, ele era meu melhor amigo. O capitão do time existia, era lindo, era o Rei e me curvei a sua realeza. Nunca mais fiquei de pé.”



Notas finais do capítulo

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
Até amanhã!



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