Quando chegar a hora escrita por Love Whisper


Capítulo 7
Irresponsável


Notas iniciais do capítulo

Ola, meus amores! Capítulo mais cedo essa semana porque não ia poder postar sábado. Ah, noticia boa: proximo capítulo vai estar cheio de Yuri/Rafa pra vocês morrerem de amores!



Miguel

Eu não acreditei quando descobri. Não poderia ser verdade.
Helena me mandou uma mensagem dizendo que queria se encontrar depois da faculdade. Eu pensei: "Ela me perdoou. Vai me dar mais uma chance."
Fiquei o dia inteiro feliz.

 - Será? - perguntei a Yuri e a Yasmin.

 - Sem expectativas. - Yuri respondeu.
 

Tentei não criar expectativas o dia inteiro. De todos os cenários, o que eu não passei perto de imaginar foi uma Helena séria, olheiras no rosto normalmente perfeito. Ela me deu um sorriso triste ao me ver e fomos andando em silêncio até uma lanchonete.

 - Por que você tá tão séria? - perguntei. - Ainda ta chateada comigo?

 Nos sentamos na mesa, um de frente para o outro. Respirei fundo, um leve nervosismo crescendo em mim.
Helena passou a mão pelos cabelos loiros.

 - Não é isso. Espera o lanche chegar e aí a gente conversa.
 

— Lena, você tá me deixando nervoso.
 Ela soltou um risinho involuntário e respirou fundo.
 

— Tá bom, não vai adiantar nada ficar te enrolando. Você lembra do dia que a gente saiu, certo?

Eu franzi as sobrancelhas, confuso.

 - Lembro.

 - Então você lembra que a gente não usou camisinha.

 Meu coração acelerou.
 

— É. O que isso quer dizer? - falei, embolando as palavras.
 

Ela olhou pra baixo, apertando um braço contra o outro.

 - Eu acho que eu to grávida. E eu não transo com mais ninguém faz um tempo.

 Minha primeira reação foi a olhar, esperando Lena dizer algo que me convencesse que era uma brincadeira.

 - Como assim? Por quê?
 

— Minha menstruação atrasou. Eu fiz o teste de farmácia e deu positivo.

—Você tem certeza?
 

— Eu fiz duas vezes.

 - A gente deveria te levar no médico pra você fazer um exame de sangue.

 - Miguel... - ela abaixou a cabeça- o que a gente faz agora?

"Preciso me manter racional." lembrei a mim mesmo. "Por favor, não surte."

 - A gente espera até ter certeza e aí decide o que vai fazer.

 O lanche chegou e comemos em silêncio, minhas mãos tremendo um pouco.

Não poderia ser real.

Grávida. Um bebê.

Milhões de coisas passaram na minha cabeça, e eu me forcei a ficar calmo e não surtar.

 - Você quer que eu te leve pra fazer o exame? - perguntei. - Ta cedo e eu posso pegar o carro lá em casa.

 Ela respirou fundo.

 - Já?

 - Quanto mais cedo a gente souber...

 - Eu sei. Só não sei se estou preparada.

 - Nem eu. Só vamos, okay?
 

Faltei o trabalho e fui com Helena até um posto. Fiz meu máximo pra dirigir com cuidado, conhecia minha tendência a causar acidentes quando estou nervoso.
Precisa ser responsável, não tinha outra escolha.

 - Helena? - chamei, no caminho. Ela me olhou.

— O quê?

 - Eu só quero que você saiba que, independente do resultado, você não tá sozinha nessa. De nenhuma forma.

 Ela abriu um sorriso triste, mas não me respondeu nada. Eu sabia que estava mais nervosa que eu, afinal, estávamos falando de uma possível criança crescendo dentro dela.

Fizemos o exame e nos mandaram esperar na sala de espera.

 - Helena, se você estiver mesmo grávida... - comecei - o que você quer fazer?

 Ela balançou a cabeça, olhando pra baixo.

 - Eu não sei. Não quero ter um filho. Mas eu não acredito em aborto, sabe? Então não sei.

 Aborto. Acho que nós dois estávamos esperando a palavra aparecer no ar.

Eu também não queria ter um filho, não estava pronto.

Então ela me perguntou:

 - Você quer essa criança?
 

Senti um nó na garganta.

Seria muito duro dizer: não. Mas era a verdade.

 - Não, Helena. - falei, baixo, com a voz cheia de culpa.

 Ouvi um soluço. Ela estava chorando.

 - Por favor, não chora. - pedi. - O que eu disse... Eu não quis dizer que se você quiser eu vou te deixar sozinha. Isso é... Responsabilidade de nós dois. Eu não quis dizer que você não pode ter.

Ela me olhou, chorando.
 

— Eu não sei o que eu quero.

 Eu ofereci um abraço, sem saber se ela ia aceitar. Me surpreendi quando ela jogou o corpo pro meu lado, indo em direção a meus braços.

 - O quer que seja, a gente vai fazer juntos. - falei, então. Eu estava determinado a apoiá-la, independente do que escolhêssemos.
 

Algum tempo depois o resultado chegou. E, no fundo, a gente já sabia.

Tinha um bebê a caminho e precisávamos decidir o que fazer antes que fosse tarde demais.

Paramos o carro no meio do caminho, pra um pouco de privacidade.

 - Miguel, eu não quero abortar. - ela disse, enfim. - Eu não aguentaria.

 - Então...?

 - A gente poderia colocar pra adoção.

 Balancei a cabeça negativamente.

 - Não. - percebi que soei um pouco agressivo. - Por favor, não. Eu não sei se te contei, mas eu sou adotado. Passei anos no sistema. Anos horríveis. Não aguentaria o peso de ter que fazer isso com uma criança, eu sinto muito.

 - Recém nascidos são adotados rápido. - ela disse. Eu sabia que, no fundo, era o que ela queria fazer.

 - Lena, por muito tempo, eu me perguntei todos os dias porque meus pais biológicos não me quiseram. O que tinha de tão errado em mim. - apoiei a cabeça no volante.

 - Me desculpa, eu não sabia.

 - Só é... Uma situação pessoal demais pra mim. Eu passaria o resto da minha vida me perguntando sobre essa criança.
 

Chegamos a um impasse. E o impasse apontava pra ter a criança.

 - Helena, não somos mais adolescentes. Eu tenho 23 anos, você tem 22. Eu não me sinto pronto pra ter um filho também, mas... Mas a gente pisou na bola.

 -Você ta dizendo...?

 - Eu to dizendo que se você quiser a gente dá um jeito de criar esse bebê.

 Ela me olhou, e eu não sabia se esperançosa ou com medo.

 - Como?

 - Eu não sei. Mas temos tempo, ok? Não precisa decidir nada agora. Eu vou te deixar em casa. Por favor, mantenha contato comigo.

 - Eu vou.
 

Voltando pra casa após deixar Helena, tudo parecia irreal. Eu estava em choque.

Como sempre, minha velha amiga raiva apareceu pra dar oi. Cheguei em casa a beira de um surto, querendo socar tudo que tinha pela frente. Queria chorar e gritar como uma criança mimada.

Contei a Eloá e ela parecia tão em choque quanto eu.  Nem ela nem Rafael pareciam saber o que dizer pra me ajudar.

—Miguel, você odeia crianças. - Rafa apontou.

—Eu sei. Mas o que eu posso fazer? E tem a faculdade. Como eu vou sustentar uma criança? Como eu vou criar uma criança? Merda, o que eu faço?
Então pensei que a única pessoa que saberia me ajudar não estava mais aqui.

— Eu queria que a mamãe estivesse viva. - murmurei, soando como uma criança mimada. Queria colo e queria ouvir algum conselho sabia dos que só Rosa sabia dar.

O buraco em mim parecia maior ainda naquele momento, era como se o mundo estivesse me engolindo.
 

Eloá me deu um copo de água, me disse pra ficar calmo e que tudo ia se resolver.  Rafael me disse que eu precisava ser responsável, mas não pensar muito sobre.

A verdade é que não tinha o que dizer.

Eu, muito provavelmente, ia ter uma responsabilidade pra vida toda por causa de um deslize de uma noite.





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