Amor em Pigmentos escrita por Kaline Bogard


Capítulo 9
Pra mostrar que você é meu


Notas iniciais do capítulo

Primeira finalização do anooooo

Foco agora no desafio de Janeiro do grupo #ShinoKiba! A previsão é postar no dia 23 de Janeiro, aniversário do Shinão!

Enquanto isso, divirta-se com a última parte de Amor em Pigmentos! Boa leitura e obrigada pelo apoio ♥



Kiba estava maravilhado. E Shino sentia o deslumbramento pelo vínculo. A maior certeza de que estava certo ao convidá-lo para o Ichiraku, o restaurante familiar que atendia um número acima da média de universitários, graças aos preços acessíveis e porções generosas.

Estava lotado naquela hora, o que era regra. Por sorte Shino sabia disso e fez reserva antecipada, guardando um dos espaços privativos para que pudessem jantar sem transtornos.

— Que incrível! — Kiba olhou em volta analisando tudo, enquanto limpava as mãos com a oshibiri logo após se sentar. O cubículo era aconchegante, nem pequeno, nem amplo demais. A mesa baixa estava cercada de almofadas macias cujas estampas coloridas fizeram os olhos de Kiba brilharem. Nas paredes foram pintados desenhos de paisagens típicas de Konoha, um grande pé de cerejeiras cujas folhas caiam espalhadas pelo vento, um jardim oriental, e uma figueira em flor. Traços estilizados e lindos de se ver.

— Deseja beber algo antes? Um suco de tomate ou prefere outra coisa? — Shino requisitou a atenção de Kiba. Ele lembrava-se bem de o garoto dizer que era algo que adorava.

— Sim! Que tal uma cerveja…? — insinuou como quem não quer nada.

— Boa tentativa — Shino meneou a cabeça. O outro ainda era menor de idade, bebidas alcoólicas estavam fora de questão.

— Suco de tomate está ótimo — o Ômega riu divertido, cruzando as mãos atrás da nuca.

Shino chamou o funcionário pelo sinal sonoro e ditou os pedidos. Além do suco de tomate, pediu uma rodada de sake quente.

Quando as bebidas chegaram, Shino encomendou a refeição pra eles. Shoyo lamen para Kiba, com carne extra. E Shio lamen para si.

— Isso é vermelho! — Kiba soou empolgadíssimo, apontando o copo de suco.

Às vezes esquecia que Shino tinha baixa visão; pois o Alpha não se comportava como deficiente. Kiba não sabia se crescer com a dificuldade o tornou mais adaptativo ao meio ou se ser um Alpha ajudava a vencer os obstáculos.

A questão é que Shino agia com tanta naturalidade, como se enxergasse claramente, que Kiba se empolgava e esquecia que ver cores estava fora do alcance do rapaz. Além disso, ele teve uma epifania e deu um uso magnifico ao próprio cérebro, ao acessar a Internet para pesquisar os nomes das cores. Não, não podia distingui-las quando estava longe do companheiro. Apenas refinou a busca para algo que deveria ser óbvio: jogou no navegador “qual a cor do tomate”. E descobriu deste modo que tomates maduros costumavam ser vermelhos. Tão vermelhos quanto alguns de seus derivados: o suco, o molho, o creme...

Com essa sacada de gênio, Kiba decorou que a alface era verde, tal qual muitas hortaliças. Laranjas maduras mostravam casca de amarela a alaranjada. Morangos eram vermelhos! As estrelas... as estrelas eram brancas de pureza luminosa. Brancas como a pele de Shino.

Assim ia decorando cada cor. Quando se encontrava com o Alpha, apenas lembrava-se da busca na Internet! Era emocionante, queria dividir aquilo com o mundo.

— Vermelho como morangos! Minha fruta preferida — a alegria do Ômega estava longe de acabar.

Muito mais contundente do que aroma da fruta que se espalhava pelo ambiente. Morangos, é claro.

Shino pesquisou aquilo, quando um Ômega tentava seduzir o companheiro e havia pré-disposição para que tal sedução se concretizasse, era normal que o cheiro remetesse a algo apreciado pelo Alpha. E ele apreciava morangos, a fruta suculenta agridoce, forte ao paladar, vistosa aos olhos. Saborosa em todos os aspectos.

A sedução podia ser proposital. Vários Ômegas se especializavam nisso, a fim de conquistar um bom Alpha e conseguir relacionamentos vantajosos. Outros faziam apenas pelo sexo: atraiam parceiros pelos quais nutriam interesse para uma noite de amor. Uma versão mais refinada do que acontecia durante o Cio, situação na qual não tinham controle.

E nenhum daqueles casos se encaixava no presente, no ali e no agora.

A sedução inconsciente não era manipulada. Era apenas natural e fluía no conforto da presença um do outro. Justamente por isso, tão irresistível. Não no significado de “perder o controle e atacar”, mas na definição de algo familiar e agradável, que se quer manter pra sempre em nossas vidas.

Ao lado de Kiba, sua Alma Gêmea, continuava sem enxergar direito. Sua compensação veio na intensificação dos outros sentidos: os cheiros, a clareza das emoções, algo visceral, clássico e inegável.

O lamen chegou e a exclamação de surpresa de Kiba quase fez Shino rir. Quase.

— CARALHO! Olha o tamanho dessa tigela! — então olhou para a própria barriga e continuou: — Esse momento é nosso! Itadakimasu!

Começou a comer esquecido da longa recomendação sobre como se comportar a mesa que sua mãe lhe fez.

— Itadakimasu — Shino foi menos eloquente ao expressar sua satisfação.

— Gostoso! — Kiba elogiou, tentando sugar macarrão ao mesmo tempo. Acabou por se queimar um pouco e isso o trouxe de volta à realidade — Desculpa! Me empolgo com comida.

O tom humilde fez Shino menear a cabeça.

— Está realmente gostoso. Depois podemos enviar os cumprimentos para Teuchi-san, dono do lugar.

— Faço questão de apertar as mãos dele! Espero que a gente possa voltar aqui mais vezes! Sabe, eu andei pesquisando profissões. Acho que ser ator é algo que combina comigo. Tenho muito talento! Também gostei da profissão de fotógrafo. Eu devo ter mais a ver com artes do que com outras áreas. Mas você tem razão: eu pretendo entrar na faculdade e usar o primeiro ano pra conhecer melhor as opções. Depois escolho a especialização.

E continuou falando e comendo. Presenteando Shino com as mais variadas sensações, todas transbordando através do vínculo. O tom de voz, agora cheio de felicidade, agradava seus ouvidos e arrepiava a pele. O aroma de morangos provocava seu âmago, a ponto de fazê-lo cogitar algo com a fruta de sobremesa.

Olfato, audição, paladar e tato. Quatro dos sentidos eram provocados pela simples presença daquele Ômega. Não poder enxergar cores era detalhe que sequer fazia diferença.

—--

Depois da refeição, Shino transmitiu os desejos de cumprimentar Teuchi-san. O dono do restaurante veio, afinal, todo cozinheiro gosta de saber que seus pratos agradavam os fregueses.

Kiba garantiu que foi um dos lamen mais gostosos que já comeu na vida! E que da próxima vez viria preparado para comer duas tigelas!

Depois do jantar descontraído, Shino pensou que era cedo para levar Kiba embora. A noite estava fresca e agradável. E ele tinha aquele perfume tentador de morangos o envolvendo! Resolveu chamá-lo para tomar um sorvete.

— Quero! — o Ômega aceitou mais do que depressa.

Á área era próxima à faculdade, Shino sabia bem onde encontrar uma boa sorveteria. Enquanto caminhavam lado a lado na calçada, Kiba ia descrevendo o céu da noite para Shino, enfatizando como as estrelas estavam bonitas.

Distraídos, nem notaram o trio de Alphas que vinha em sentido contrário. Shino só se deu conta no momento em que eles estavam perto demais. Por isso não conseguiu controlar a reação instintiva de expandir um pouco a própria presença e envolver o Ômega ao seu lado, subitamente ciumento de dividir aquela essência com outros shifters.

Os jovens olharam torto, mas desviaram o caminho. Um deles chegou a descer da calçada.

Quando estavam longe o bastante, Shino recolheu sua parte Alpha. Constrangimento veio a ele, irremediável. Nunca teve ações infantis como aquela. Como a influência de uma Alma Gêmea mudava tudo!!

Ouviu as risadinhas de Kiba ao seu lado. Por toda a vida, Kiba lutou contra paradigmas de sua casta. Ele cresceu acreditando em direitos e deveres iguais para todos, fossem Alphas, Betas ou Ômegas. Aprendeu ao invadir um banho público e ser castigado por isso, que a igualdade era fantasiosa. Havia sim, muito que se considerar ao estabelecer regras sociais.

Aprendeu também que nem tudo sobre ser um Ômega era negativo ou o colocava no prejuízo. Porque ao ter a presença de Shino o envolvendo, com algo de ciúmes e possessão, mas sobretudo com muita preocupação; sentiu-se tão cuidado... tão... nem soube explicar! Com toda certeza do mundo, aquele pensamento de fazer parte da casta mais injustiçada diminuiu um pouco. Ser Ômega não era a pior coisa do mundo, caso pudesse passar por coisas assim novamente.

— Alphas — falou divertido, captando o constrangimento de Shino aumentar — Olha o meu jeito de mostrar que você é meu companheiro.

A frase cheia de arrogância foi seguida por um gesto inusitado. Kiba segurou a mão de Shino e entrelaçou os dedos de ambos. Gracejou em voz alta do jeito ousado, mas a palma estava gelada e tremia de leve. Traços de receio de ser rejeitado flutuaram pelo ar. Era um Ômega tomando a iniciativa com um Alpha. Poucos, pouquíssimos na verdade, aceitariam algo assim.

Shino percebeu todas essas nuances por baixo do peito estufado. Entendeu quanta coragem foi preciso para que suas mãos estivessem entrelaçadas naquele instante. Então fez a única coisa que poderia. Parou de andar, obrigando Kiba a parar também. Não podia ver a expressão do garoto, por isso perdeu de vislumbrar a pele dourada empalidecer, acreditando ter ofendido o Alpha. Ainda que o vínculo estivesse ali, sincero e límpido.

— Ômegas... — parafraseou Kiba, num tom sério— Minha vez. Aqui está o jeito de mostrar que você é meu companheiro.

A mão livre foi de encontro a nuca de Kiba. Fechar os olhos pareceu a coisa mais natural para o menino, segundos antes que os lábios se encontrassem e se provassem. Esquecidos de estarem em uma via pública, esquecidos do costume oriental que preza pela discrição, esquecidos do mundo que naquele instante não importava.

O pertencimento estava ali, apesar de tudo. Não havia mais volta. Shino sabia que aquele era o seu Ômega. E Kiba sabia pertencer a ele.

Reciproca totalmente verdadeira.



Notas finais do capítulo

E é isso! Espero que tenham gostado de ler tanto quanto eu gostei de digitar!!

Agora, uma dúvida. Pra quem leu "Visco de Sangue" e "Amor em Pigmentos", ambas são contextos bem diferentes... eu estava querendo trabalhar uma long com bebês de novo esse ano, mas estou em dúvida sobre que cenário usar:

* O de "Visco de Sangue", com as duas raças se hostilizando e o filhotinho nascendo mestiço.

* O de "Amor em Pigmentos", com a gestação precoce e não planejada e essa questão de lidar com planos que a gente faz e não consegue realizar.

As duas opções são lindas! E eu não consigo me decidir. O que acham? E não: não dou conta de tentar escrever as duas. Quero terminar "O Colecionador" e participar dos desafios mensais ♥

Vamos fazer de 2019 um ótimo ano!! Abraços!

***

Atualização: a siga escolhida foi "Pigmentos" e a história começou a ser postada em: https://fanfiction.com.br/historia/778585/Pigmentos_de_Amor/

Espero vocês lá! ♥



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