Amor em Pigmentos escrita por Kaline Bogard


Capítulo 3
O peso das minhas escolhas


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura! ♥

Não foi betado, só revisei! Perdoem os erros.



As autoridades do Conselho permitiram que Kiba se recuperasse até a hora de fechar o prédio. Aquele local não era uma enfermaria e ter Tsunade por ali foi uma questão de muita sorte, pois naquele dia ela participaria de reuniões em outro prédio.

Ela era uma Beta especializada em medicina Ômega, por isso tinha a medicação certa para dar ao garoto. Além de técnicas de influência do Chacra, o que ajudava ainda mais.

Ofereceu-se para levar mãe e filho ao hospital, porém Kiba já se sentia recuperado, os sinais do cio estavam sob controle. Passado o susto inicial e toda a tensão que o levou ao amadurecimento precoce, tudo pareceu voltar aos trilhos como deveria ser.

Kiba agradeceu aos cuidados, evitando revelar a respeito de sua Alma Gêmea, um dos Alphas que quase perdeu a racionalidade na sala e que fez o Ômega enxergar cores pela primeira (e ele implorava que fosse a última) vez na vida.

Ao final da visita Tsunade determinou que o acontecido foi mais do que suficiente como lição e liberou Kiba das aulas extras. Assim como lhe deu uma semana de licença médica, período que o cio costumava durar.

Depois que ela se foi, Kiba e sua mãe se prepararam para voltar para casa.

O garoto saia do quarto quando reparou no grande casaco esquecido no encosto de uma cadeira, a peça que pertencia ao seu salvador, único Alpha que se controlou e o protegeu.

Se aquele rapaz fosse sua Alma Gêmea, Kiba se sentiria tão feliz…

Mas não podia alimentar esperanças. Se ele fosse o companheiro que o destino lhe enviou, também teria visto as cores e reagido de um jeito diferente, não?

Pegou o casaco com o pensamento de encontrar o dono e agradecer o gesto humanitário. Tsume que já sabia de toda a história entendeu a intenção do menino e não questionou. Ensinou aos dois filhos a importância de se ter gratidão. E de expressar essa gratidão.

— Espero que entenda agora, Kiba — ela disse antes de abandonarem o quarto de descanso — Tem regras que foram feitas para proteger. Você tentou entrar em uma área íntima para Alphas. O risco que correu foi muito maior do que na sala de aula.

— Sim, senhora.

— Não quero ouvir “sim, senhora” da boca pra fora, moleque! — Tsume teve que se segurar para não acertar um tabefe na nuca do filho. Conhecia aquela resposta genérica de outras traquinagens. Precisava ter certeza de que Kiba estava muito ciente de todas as mudanças que vinham com o cio — Não é só questão de privilégio. Nossa sociedade superou essa supervalorização Alpha há tempos. Mas é uma questão de segurança, por mais que a medicina e a educação tenham feito a mente e o comportamento social evoluir, ainda existem situações que fogem do controle. Não crie armadilhas que o farão chorar depois.

A mulher odiava dar sermões no filho, tinha impressão de que cada palavra entrava por um ouvido e saia pelo outro depois de uma curva para evitar o cérebro do garoto, mas mesmo ela sentia que palavras eram importantes.

— É injusto pra caralho — Kiba resmungou quando chegavam à porta principal — Eu quase fui atacado na sala de aula!

Ao ouvir essa reclamação Tsume não se conteve. Mandou ver naquele tapa caprichado, que acertou em cheio a nuca de Kiba a ponto de fazê-lo acelerar um passo à frente.

— Lembre-se disso antes de tentar invadir um lugar cheio de Alphas pelados! — bronqueou.

— Sim, senhora! — Kiba respondeu depressa, feliz porque estavam finalmente deixando o Conselho.

Não encontraram com ninguém àquele horário. A maioria dos funcionários já tinha ido embora, exceto por um ou outro que fazia hora extra até que o prédio fosse fechado rotineiramente.

Adentraram a noite amena.

Kiba ainda hesitou um pouco, olhando para a rua quase vazia de pedestres, onde parcos carros passavam. Nunca pensou que viria ao Conselho como um pirralho pagando detenção e sairia dali como um homem a carregar nos ombros uma experiência assustadora.

Mal desdenhou do pensamento e notou a irmã parada perto do carro da família. Hana acenou para eles sorrindo. Na mão, segurava uma sacola plástica transparente onde se via um grande pote de sorvete. De longe Kiba sabia o sabor: morango, seu preferido.

Sorriu de volta para a jovem mulher, que bagunçou-lhe os cabelos com carinho tão logo se aproximaram. Apertou o casaco que levava quase abraçado, nem se dando conta do gesto inconsciente.

— Parabéns — Hana disse — Está uns dois anos adiantado, mas devemos comemorar.

A suavidade dela era um contraste gritante com o jeito selvagem da mãe, algo herdado pelo caçula. Mas era um ponto fundamental na união dos três. Inuzuka Hana era uma Beta, todavia o jeito calmo e tranquilo equilibrava a família quase tão bem quanto se ela fosse uma Ômega. Poder inerente a casta e que Kiba nunca fez questão de usar.

Ele preferia ter nascido forte.

—--

No dia seguinte, coincidentemente pouco antes da hora da janta, Naruto apareceu na casa do melhor amigo, para ver como ele estava.

Aceitou o convite para participar da refeição, afinal era órfão e foi “adotado” por Tsume tão logo a amizade com Kiba se consolidou.

Depois de encher bem a barriga, os garotos correram para o quarto. Naruto se jogou na cama, enquanto Kiba sentou-se entre as roupas espalhadas no carpete. Seu quarto era uma verdadeira bagunça da qual Tsume se cansou de tentar organizar.

— E aí, cara? Ouvi sobre o que aconteceu! — a punição de Naruto envolvia trabalhos comunitários, portanto não estava no prédio do Conselho quando seu amigo precisou de ajuda. Não que pudesse fazer muita coisa.

— Foi meio foda, cara. Eu não tenho medo de nada nessa vida, mas ontem eu fiquei apavorado.

Naruto rolou na cama, pondo-se a fitar o teto do quarto, as mãos descansando sobre o peito. A sociedade em que viviam era complexa, mas a própria natureza shifter sobrepujava qualquer conceito. Tudo o que se aplicava a Alphas, a Betas e a Ômegas e influenciava direto na vida de cada um, com consequências que não podiam evitar, era algo que fugia da compreensão.

Em momentos assim, sentia certo alívio por ser um Beta, e menos suscetível a padrões de comportamento dos quais não podia se orgulhar.

— Pelo menos você ganhou uma semana de folga da escola e livrou a cara da detenção! — Naruto tentou soar como se fosse grande coisa.

— Claro — Kiba torceu o nariz — Prêmio maravilhoso.

— Ne, Kiba… sinto muito…

— Ah, vá se foder, Naruto — cortou a frase do amigo — Não vem me pedir desculpas por nada. Eu tentei entrar naquele banho público por livre vontade. Você não é responsável por mim nem pelas escolhas que faço. Ser um Ômega não tira o peso das minhas escolhas.

— Mas é meio foda, cara. Sou seu amigo, eu devia ter mais noção das coisas.

— Isso nunca vai acontecer. Você é mais idiota do que eu.

— Oe, maldito!

— Otário.

Naruto riu, mais descontraído. Desde que ouviu a história sobre o quase descontrole na sala de aula e em como seu amigo esteve tão perto do perigo, se encheu de culpa e remorso! Na maior parte do tempo era ele que arquitetava as traquinagens. Kiba só pegava corda e ia junto. Mas Naruto não tinha muitos amigos, muito menos divertidos e empolgados como Kiba! Então às vezes só esquecia aquela coisa toda de castas, agia como se fossem iguais em tudo.

— Ne…? — o Ômega começou como quem não quer nada — Eu vi… cores. Minha Alma Gêmea estava na classe ontem…

— Legal — Naruto não pareceu impressionado até compreender a frase. Então sentou-se na cama, com os olhos arregalados — EEE?! Você viu “cores”? Conta isso direito!

Kiba arrastou-se até a cama e cruzou os braços sobre o colchão, descansando o queixo em cima deles.

— Eu cheguei mais cedo pra aula e me sentei um lugar estratégico. Mas cochilei sem querer… quando eu acordei, foi meio no susto, porque o professor tava dando bronca. Eu senti uma coisa engraçada e meu cérebro deu uma bugada… daí eu vi. Cores, sabe? As paredes… as roupas… a minha pele. Tudo tinha uma cor diferente de cinza! Foi foda pra caralho! Acho que o impacto que fez meu cio antecipar uns anos.

— Incrível, cara! Então você encontrou seu companheiro destinado!

Kiba balançou a cabeça de leve.

— Incrível? Minha Alma Gêmea estava no meio de um grupo de Alphas que ia me estuprar. O que tem de incrível nisso, Naruto?

O tom entristecido comoveu o Beta. Só então ele deu-se conta das implicações. Um Alpha se render aos instintos não era tão impossível, principalmente quando o descontrole vinha em grupo. Mas saber que o companheiro se rendia a tais instintos primitivos e quase sofrê-los na pele?! Como se sentir confortável com a ironia do destino?

— Que porra, Kiba.

O garoto olhou na direção da escrivaninha, onde o casaco de seu salvador estava, colocado com cuidado no encosto da cadeira.

Cores.

Com as cores o mundo se tornou tão...diferente, vibrante!

Foi a sensação que teve nos derradeiros segundos, quando pode enxergar tudo naquela quantidade estonteantes de pigmentos. Mas a que preço isso veio à sua vida? Aceitar e viver ao lado de que tipo de Alpha? Um companheiro que não parecia assim tão digno?

Preferia viver o resto da vida em um mundo cinzento, porém com alguém que o tratasse bem, alguém forte e confiável.

Alguém como o dono daquele casado. A quem queria agradecer de acordo.

Assim que passasse o período do cio, Kiba iria procurá-lo.



Notas finais do capítulo

Aqui segui uma linha diferente. O Kiba vai ser mais agressivo em sua abordagem hausahsuahsuashau Shino que se cuide.

Oloko.

Nem tanto né xD Minha visão dele é muito "cachorro que late e não morde", então será um agressivo seguindo essa linha hohohoho

Até quarta ♥



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Amor em Pigmentos" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.