O Despertar dos Sentimentos escrita por Luana de Mello


Capítulo 39
O Tempo Não Apaga


Notas iniciais do capítulo

Oi pessoal, espero que gostem!



Pov. Hinata

Ouço o barulho da porta do apartamento sendo aberta e estranho, eu não esperava receber visitas, mas sei bem quem pode ser, só existe uma pessoa que sabe que não costumo trancar a porta durante o dia, e é muito atrevida para ir entrando sem permissão; desligo o chuveiro por uns instantes, para poder lhe avisar que estou no banheiro.

— Já estou indo Sakura-chan! Só vou terminar o banho, coloque água no fogo para fazermos um chá. — digo e volto a ligar o chuveiro.

Lavo demoradamente os meus cabelos, que estão tão compridos que batem a minha cintura, deixo a água morninha escorrer por meu corpo, relaxando os músculos doloridos pelo treinamento intenso, levando embora a sujeira, o suor e o cansaço; quando termino, me seco a capricho, passo um creme bem cheiroso por meu corpo e aliso a pele com as mãos, mesmo treinando tão duro e me levando ao extremo sempre, gosto de manter minha pele bem tratada e sedosa, sei que essa é uma das coisas que Naruto mais gosta em mim. Quando saio para o quarto enrolada na toalha, estranho não encontrar Sakura atirada na cama como sempre faz, ela pegou essa mania, sempre que vem me visitar, se eu estiver no quarto ou no banho, Sakura se atira na cama e desenrola a falar sem parar. Mas hoje isso não ocorre, ela deve estar com problemas, pensando em ir conversar com minha amiga e ver o que precisa, tateio no guarda roupas em busca de uma roupa confortável e um pouco mais quentinha, visto que os de inverno rigoroso já passaram, mas o frio ainda se faz presente; quando consigo achar uma roupa adequada, penteio os meus cabelos e arrumo uma compressa com pomada curativa para aplicar nos olhos. Esse é o preço por usar em demasiado o meu Byakugan, minha visão está totalmente falha e parece que meus olhos estão cheios de areia e lacrimejam tanto, que parece que estou chorando constantemente; suspiro alto, se não fosse isso, eu ainda estaria treinando na floresta até o entardecer. Tateio pelas paredes até chegar a sala, não é tão dificil assim, conheço esse apartamento como a palma da minha mão; chego ao sofá da sala e apalpo seus acentos em busca de Sakura, mas eles estão frios e vazios.

— Sakura-chan, onde está? Que te aconteceu? Está aborrecida com algo? — pergunto, mas não obtenho resposta alguma e começo a me irritar — Sakura-chan! Não tem graça alguma me pregar essa peça, sabe muito bem que estou sem ver!

Mais uma vez nenhuma resposta, nem mesmo um riso contido, indicando que ela estava a se divertir as minhas custas, mas eu ouvi a porta ser aberta e logo fechada, será que estou ficando maluca? Mas automaticamente fico em alerta, pode não ter sido Sakura que entrou aqui, pode ser algum engraçadinho, mas também pode ser um criminoso. Busco por algum resquício de Chakra, qualquer sinal de que há outra pessoa aqui e não encontro nada, tudo está quieto e sem qualquer sinal de vida, além da minha. Controlando o medo que me toma conta, assumo uma postura defensiva, mas sem poder usar meu Byakugan, fico sem muitas opções, apenas posso usar os punhos gentis e talvez algum Jutsu de ataque, mas só talvez.

— Quem quer que tenha entrado sem ser convidado, fique sabendo que vou faze-lo em pedacinhos! — ameaço friamente, foi-se o tempo que eu era frágil e delicada a todo instante — Não me importa quem seja, vou te achar, é só questão de tempo; então se tens algum amor por sua vida, sugiro que vá embora.

Silêncio, nada mais que isso, um silêncio pesado e carregado de interrogações, interrogações que fazem minha cabeça borbulhar com todas as estratégias que estou montando; preciso descobrir quem entrou aqui, mas tenho que tomar cuidado, sem poder ver, um passo em falso e estarei indo de encontro ao inimigo. Ouço a porta se abrindo novamente e suspiro aliviada, quem quer que fosse, resolveu ir embora.

— Sabia que estaria em casa! — ouço a voz de Sakura na porta e dou um pulo — Hina o que está fazendo?

—Você viu alguém no corredor Sakura-chan? — pergunto irritada — Algum engraçadinho entrou aqui enquanto eu tomava banho!

— Não é a primeira vez que isso acontece, Hina! — Sakura debocha.

— Muita esperta você, mas é a primeira vez que estou sem ver! Se fosse um criminoso eu não poderia fazer muito com os olhos assim. — rebato irritada.

— Como se alguém fosse maluco de mexer com você, todos sabem quem é teu noivo Hina, e por mais que gostem de te espiar pela janela, não são doidos de pedra ainda. — ela ri-se mais divertida ainda.

— Para de graça Sakura-chan, me diga logo, viu alguém no corredor? —pergunto afoita.

— Ah era vo...— ela começa a falar mas para abruptamente — Quer dizer, não, não vi ninguém! Mas era só você dar-lhe um belo soco Hina, para que esse engraçadinho deixar de ser idiota!

— Ah Sakura-chan! Você também não me ajuda. — rebato exasperada e vou tateando até a cozinha — Então por que me procurava?

— O pessoal quer se reunir hoje, parece que pela primeira vez em dia, estamos todos de folga juntos. — ela conta e a ouço me seguindo até a cozinha — Que está fazendo Hinata? Quer te queimar?

— Deixe de bobagens Sakura-chan! — rebato e rio dela e sem mais esperar, coloco a chaleira no fogo para aquentar a água do chá — Conheço esse lugar como a palma da minha mão, sei cada detalhe daqui de cor e salteado, não corro risco de me machucar.

— E o dono do apartamento, você conhece cada detalhe também dona Hinata? — Sakura faz troça e meu rosto arde.

— E você que conhece todas as passagens secretas do antigo clã Uchiha, dona Sakura! — devolvo e a ouço se engasgar.

Rio muito disso, pego duas xícaras no armário e ponho a mesa para o chá; Sakura está muito calada, sei que deve estar incomodada com algo, ela anda assim tem uns dias, e como a boa amiga que sou, vou aguardar até que esteja pronta para me falar. O fato é que, depois que Naruto partiu da vila para sua longa missão, eu me aproximei muito das meninas, elas me deram muito apoio e quando eu me sentia sozinha, era com elas que desabafava; hoje, dois anos depois daqueles primeiros dias infernais, não há nada que aconteça com uma, que as demais não saibam. Foi assim quando Sasuke finalmente tomou coragem e resolveu assumir o que sentia por Sakura, antes que ela nos contasse, nós já sabíamos, também não havia como não saber, não quando ela pulava e gritava no meio da vila; isso foi a cerca de seis meses, e desde então os dois estão firmes juntos, e como meu amado já havia dito, Sasuke realmente mudou e se arrependeu de suas atitudes. Vou confessar que tive uma pequena participação na repentina declaração dele, só por que deixei escapar acidentalmente que o Godaime Kazekage estaria interessado em Sakura; lembro-me perfeitamente de Sasuke ficar extremamente vermelho e até esqueceu que íamos sair em missão, ele simplesmente saiu correndo chamando por Sakura pela vila, parecia até que tinha incorporado o meu amado nele. Rio com essa lembrança, Sakura ficou meses me agradecendo e me dando mimos pela ajuda.

— Sei que tem algo te incomodando, e você sabe perfeitamente que pode contar comigo, não sabe Sakura-chan?! — digo e beberico o meu chá.

— Eu sei Hina, é que é vergonhoso de falar. — ela responde duvidosa.

— Não deve ser pior que o mundo ninja saber da sua vida sexual. — rebato com certo pesar.

— Não, definitivamente não! É bem mais simples que isso. — Sakura responde e decido mudar de assunto.

— Vá lá Sakura-chan, a essa altura do campeonato você ainda tem receios? Eu sei que passou por poucas e boas com Sasuke, mas esse tempo ficou no passado, vocês agora são um casal, e parecem se dar bem juntos. — digo calmamente — Então me conte o que te incomoda tanto, que você não pode resolver com teu namorado?

— Como sabe que é algo com Sasuke-kun? Pode ser qualquer coisa. — ela rebate nervosa e eu rio.

— Por favor Sakura! Sempre que você fica assim é por causa do Uchiha, para de enrolar e conta logo! — digo exasperada.

— Ah Hina! — ela suspira se preparando, eu fico calada, esperando que continue — Eu queria te perguntar uma coisa, mas não precisa responder se não estiver confortável.

— Pergunte Sakura-chan, somos amigas, não precisa ter receios de mim. — digo lhe incentivando.

— Hina, como foi que você... como você... ah mas que droga! Como soube que estava pronta para dar o próximo passo? — Sakura fala de uma vez, muito nervosa.

— Ah Sakura-chan, era só isso? Por que está com essa dúvida? Aquele Uchiha está te pressionando? Olha que eu acabo com ele! — digo e já fico brava.

— Não! — ela grita desesperada — Não é nada disso Hinata! Sasuke-kun tem sido muito bom para mim, sempre que os beijos e carinhos ficam mais intensos, ele se afasta rapidamente e inventa alguma desculpa para ir embora. Sou eu que estou com essas dúvidas, tenho me sentido estranha.

— É sempre a mesma coisa, será que eles não são irmãos de sangue mesmo? — digo risonha e ela gargalha um pouco — Sakura-chan, é tão simples, quando chaga o momento, você sente uma ânsia sem fim, uma necessidade enorme de descobrir mais, é algo que te consome inteira e não há como parar, enquanto você não ir adiante, essa ânsia não vai passar!

— Isso! É exatamente isso que tenho sentido! — ela exclama afoita — Como foi para você Hina? Doeu muito? Você gostou? Por favor me conta, eu estou desesperada por informação e você é a única amiga que tenho com essa experiencia!

— Ah Sakura-chan, você me faz passar por cada uma viu?! — rebato dividida entre a vergonha e o divertimento, ela que sempre foi tão desinibida e aberta, tirando dúvidas comigo? — Foi logo depois que voltamos da nossa primeira missão como um casal...

— Espera um pouco ai! — ela rebate eufórica — Quer dizer que aquele dia que eu e Sai fomos a barraca de Naruto, vocês dois tinham...?

— Exatamente! — concordo e ouço sua exclamação de surpresa — Não sei se você lembra, mas aquela missão foi um pouco complicada, tinha aquele nojento que nós prendemos e eu era muito insegura, lembra que pedi ao Naruto que fosse tomar um banho no rio comigo, porque estava com medo? Pois então, nós estávamos tranquilos lá na água, um de costas para o outro, até Naruto lembrar de uma vez que me viu dançando nua na cachoeira, quando eramos crianças! Sem se perceber ou não, hoje não sei dizer mais, ele se virou para mim, e me viu completamente nua e a forma como Naruto me olhou naquela tarde, despertou algo dentro de mim. Era um olhar tão ardente, tão carnal que eu só queria saber o que aquele olhar prometia, queria descobrir o que Naruto estava escondendo de mim. Então naquela noite, depois que voltamos da missão, eu fiz um jantar para ele, não foi nada premeditado, acredite; mas parece que tudo contribuiu para que acontecesse, logo quando cheguei em sua barraca, fui entrando e acabei o encontrando nu, arressem saído do banho, só imagine meu susto! Choveu muito aquela noite, e Naruto protetor como sempre foi, não me deixou sair na chuva, ele mandou Gamachan entregar uma mensagem a Neji avisando onde eu estava, já que Hanabi e papai tinham saído para resolver assuntos do clã. Nós ficamos jogando cartas e lógico que ele ganhou, ele aprendeu muitas coisas com seu mestre, isso eu garanto! Sem nos darmos conta, estávamos aos beijos, trocávamos carícias, até sermos interrompidos por Gamachan; na época eu não entendi porque Naruto parecia tão frustrado, ele logo tratou de ir arrumar a cama e ficou muito distante de mim, igual Sasuke-kun está fazendo com você; ele me emprestou uma roupa para dormir, mas quando fui me trocar, eu pensei em como queria descobrir aqueles segredos que ele me escondia, estava maluca e não podia me aguentar mais, seus beijos e toques me faziam entrar em êxtase, mesmo sem malícia ou ousadia alguma. Eu então me decidi, agiria por nós dois, sabia que Naruto nunca tomaria a iniciativa, estava segura de que era o que queria e assim o fiz; com uma coragem que nunca foi minha, me despi do vestido que usava, fiquei apenas com a calcinha e vesti sua costumeira jaqueta laranja, e largando a timidez fui ao seu encontro, e te garanto Sakura-chan, foi a melhor decisão da minha vida, eu era dele e ele era meu, não havia nada de errado, tirando as consequências dolorosas e sofridas que tivemos mais tarde, eu não me arrependo de nada mais!

— Você sentiu dor Hina? Foi bom? Eu estou com tanto medo, quero dar esse passo, mas não sei como agir. — Sakura fala, seu desespero quase palpável.

— Fique tranquila Sakura-chan, se você o quer, basta agir; Sasuke-kun entenderá e se não entender, basta que lhe diga, vocês são um casal, devem sempre discutir um com o outro seus desejos e medos. — aconselho calmamente — Não te preocupes com a dor, ela se dá no inicio, mas logo passa. Pelo menos comigo foi assim, senti um prazer absurdo e uma felicidade tão plena, que eu não saberia descrever.

— Nossa, você falando assim, até me deixa mais desejosa de agarrar o Sasuke-kun. — ela rebate espantada.

— Não Sakura-chan, só foi assim porquê eu estava certa do que queria e porquê foi com o homem que amo! — falo e mais do nunca tenho certeza do que disse.

— Você me ajudou muito Hina, nem sei como te agradecer por mais essa. — Sakura fala animada.

— Apenas me conte tudo depois. — digo e rio.

Levanto da mesa ainda rindo da situação, nunca imaginei que daria conselhos a Sakura, mas cá estou, a aconselhando e ensinando a entender o que está sentindo. Pouso minha xícara vazia na pia, me sinto estranhamente saudosa agora, talvez seja por reviver todas essas lembranças, mas é como se algo extremamente bom fosse me acontecer. Ah Naruto, por onde andas meu amado? Quando voltarás aos meus braços? Quero-te tanto ao meu lado todos os dias, que as vezes fica dificil até mesmo respirar, sinto tanta saudade, que estou a ser consumida inteira!

— Vamos Hina, já está na hora marcada, todos devem estar nos esperando! — Sakura grita e me tira dos devaneios.

— Não sei se quero sair assim Sakura-chan, eu não vejo nada e andar por ai com uma venda nos olhos é arriscado. — refuto de pronto.

— Deixa disso Hina, não vai fugir da nossa pequena confraternização, anda logo que eu te guio! — ela fala decidida.

— Ah, então vou trocar essa roupa. — tento fugir o máximo que posso.

— Nada disso, vamos! Hoje você não nos escapa Sra. Uzumaki! — Sakura me puxa sem dar chance de fugir.

Sinto ela me guiar pelo caminho, determinada a me tirar de casa, não vejo como resistir ou escapar, visto que não sei por que caminho estamos indo. Sakura ri-se o caminho todo, parece esconder um grande segredo, e eu achado que ela não poderia ficar mais estranha. Sakura me puxa o tempo todo, consigo ouvir o barulho das ruas ruas de Konoha, que está tão agitada quanto minha amiga maluca; nada mais é como antes, nossa vila cresceu e progrediu muito nos últimos tempos, as nossas crianças não são mais criadas para serem Shinobis frios e calculistas; são apenas crianças, como nós deveríamos ter sido. Algumas pessoas nos param pelo caminho, preocupados com a venda em meus olhos; isso também mudou muito, antes eu quase não era vista, era invisível, hoje em qualquer lugar que vou sou conhecida, sou Hyuuga Hinata, a noiva do Herói do Mundo Ninja. Chegamos a um lugar muito barulhento e com cheiro de comida muito boa, reconheço de pronto como sedo o novo restaurante do Ichiraku, pois estando com meus olhos vendados, meus outros sentidos ficam muito mais aguçados e precisos.

— Será que chegamos cedo demais? — ouço Sakura reclamar.

— Bem feito, agora terá de esperar os outros, ninguém manda te aproveitar da minha momentânea fragilidade! — falo maldosa e rio da minha própria piada.

— Não sou eu que vou me aproveitar da tua fragilidade Hina, acredite! — Sakura rebate debochada, ela está muito estranha — Quer fazer os pedidos agora, ou vai querer esperar os outros?

— Acho que quero esperar os outros. — respondo.

Nós duas conversamos animadas pelos próximos trinta minutos, discutimos os exames Chunin que se aproximam, e como estamos ansiosas por ver os novo talentos desse ano, eu principalmente, já que esse ano o time de Konohamaru vai se inscrever; aquele menino se transformou em parte da nossa pequena família, sempre tão atencioso e querido, sem falar no respeito e admiração que tem pelo meu amado, está sempre a minha volta verificando se estou precisando de algo e se preocupa em saber como Naruto está também, sempre lhe manda lembranças quando nos vemos. Saio dos meus devaneios quando escuto algumas risadas, tão irônicas e maldosas, que me fazem ter ânsias de vomito; sei o que virá a seguir, logo vem as chacotas e piadas de mal gosto, e enfim as gargalhadas as minhas custas.

— Olha só, se não é a eterna noiva do Uzumaki-sama, saindo da casca? — uma voz melosa e enjoativa se faz audível, reconheço ser de uma mulher.

É sempre assim, pelo menos desde que Naruto saiu para sua missão, e como ele demora a voltar, algumas pessoas maldosas insistem em dizer que ele me abandonou, ou que está a me enganar; confesso que nas primeiras vezes que isso aconteceu, eu cheguei mesmo a acreditar nisso, estava muito magoada com tudo que nos aconteceu, era fácil me deixar influenciar por essas coisas, mas hoje vejo como fui tola. Naruto nunca me deu motivos para pensar assim, pelo contrário, cada dia mais se mostra mais apaixonado e carinhoso comigo, sempre atento a tudo que me acontece; durante esses dois anos, Naruto veio a vila em datas especiais para estar comigo, mesmo não podendo fazer isso, no primeiro ano ele veio no nosso aniversário de namoro, no meu aniversário e no seu aniversário, que ele deixou de comemorar, veio apenas para não me deixar sozinha, para me confortar e estar comigo no dia que também era de aniversário de morte do nosso filho. Lembro como ele chegou abatido aquele dia, e enquanto as demais pessoas iam ao festival comemorar o fim da guerra e a vitória das forças aliadas, ou outros iam ao Vale de Katsu prestar homenagens e oferendas, nome dado por Kakashi-sensei e os outros Kages ao local da batalha da Quarta Grande Guerra Ninja em homenagem ao nosso pequeno e valente Shinobi; Naruto e eu nos encontrávamos ao pé do lindo jasmim em nossa casa, o lugar onde se encontra o túmulo do nosso pequeno bebê; foi tão sofrido quanto o dia que o perdemos, tão devastador e horrível quanto, Naruto cuidou de mim, mesmo estando ele próprio em pedaços. Esse ano já passamos pelo seu aniversário, pelo meu e a gora nos resta o nosso aniversário de namoro, e logo então teremos a longa espera de mais um ano até a próxima data; mas em todo esse tempo que ele está afastado, Naruto dá um jeito de cuidar de mim e se fazer presente, seja com seus inúmeros pergaminhos durante o dia, ou com presentes e mimos fora de hora, ele sempre está comigo, sempre renovando suas juras de amor e me provando a cada dia como suas promessas são verdadeiras.

— Você quer ganhar um soco vadia?! — ouço Sakura falando completamente alterada — Não ouse falar assim com a minha amiga, você acha que é o que? Sabe quem ela é?! Ela é a noiva do próximo Hokage da vila, então lave a boca para falar dela!

— Sakura-chan, se acalme! — peço assustada com sua reação — Não perca tempo com gente insignificante, eu não perco! Sei muito bem que o meu Naruto me ama e não dou razão para esses disparates!

— Mas Hina... — ela começa, mas não tem tempo de terminar.

— Você já anda arrumando confusão irritante? — a voz pastosa e tediosa de Sasuke se faz presente — Como vai Hyuuga?

— Bem Uchiha. —respondo e rio um pouco, desde que ele voltou a vila nos tratamos assim, não é que nos demos mal, apenas é nosso jeito de ser amigos.

— Sasuke-kun, essas cobras mal formadas estavam debochando da Hina. — Sakura responde fazendo manha e me surpreende, agora pouco estava falando grosso, e no momento seguinte está toda doce.

— Tsc! E você ainda dá atenção? Sabe muito bem que é isso que elas querem. — Sasuke retruca, no típico estilo Uchiha mal humorado — E de mais a mais, sabe tão bem quanto eu que aquele verme é maluco por essa Hyuuga!

Coro com seu comentário, Sasuke sabe ser tão indiscreto quanto Sai as vezes, ele quase nunca fala esse tipo de coisa na frente dos outros, mas quando fala, é como se lesse a alma das pessoas. Como se fosse para confirmar o que ele disse às "damas" que ainda se riam de mim, ouço o conhecido som de quando Gamachan se materializa onde estou para me entregar mais um pergaminho; um pequeno sorriso de satisfação brota em meus lábios.

— Hinata-sama! — a voz esganiçada dele se faz presente e alguns gritos de susto também — Entrega especial do mestre, ele pediu que lesse o pergaminho primeiro.

— Chegamos muito atrasados? — Ouço a voz do meu irmão atrás de nós — Como vai irmãzinha?

— Bem irmão, e papai e Hana? — pergunto e me viro na direção do som.

— Estou aqui irmã, mas o que foi que fez aos seus olhos? — ouço Hanabi questionar espantada.

— Não é nada demais, só usei muito meu Byakugan, mas já estou tratando disso. —explico calmamente.

Um a um, nossos amigos se juntam a nós, eles vão chegando em grupos e se assentando a mesa, Ino, Chouji, Kiba, Shino, Lee, Tenten, Hanabi, Konohamaru, até Temari está aqui; eles conversam animados, cotam piadas e riem alto, até uma vozinha aguda coaxar em seus ouvidos, eu tinha me esquecido dele e me desculpo por isso.

— Gamachan, você entrega o pergaminho a Sakura-chan por favor? Eu não vou poder lê-lo agora. — explico sentida por não poder ler o que meu amado escreveu.

— Mas Hinata-sama, o mestre aguarda uma resposta. — o sapinho protesta.

— Deixa que eu te leio em voz alta Hina, assim você me diz o que responder e logo o mandamos a Naruto. — Sakura se oferece quando vou abrir a boca para dizer que não poderei responder hoje.

— Não é necessário Sakura-chan, amanhã respondo. — protesto.

— Deixa disso Hina, amiga é para essas horas, dá cá o pergaminho Gamachan. — ela pede e logo se escuta o barulho de papel a ser aberto — Então vamos a leitura: " Minha amada Hinata, como passou a noite meu amor? Espero que não tenha ficado a treinar até tarde, sabe que isso não te faz bem e te deixa muito fatigada, não quero que adoeça pequena! Hoje estamos passando por um dos últimos vilarejos amor, o que significa que logo estarei em casa, contigo em meus braços. Não sabe como estou com saudades de ti, dos teus beijos, dos teus carinhos, do teu amor; nunca mais quero me apartar de ti minha vida, nem mesmo quando partirmos deste mundo, onde você for, eu te seguirei. Sabe que já fiz até mesmo um itinerário pequena? Planejo fazer uma viagem dessas contigo, já sei até mesmo os lugares que você adoraria conhecer; amor os meus pergaminhos acabaram, então talvez eu fique sem te escrever por hoje, mas não tem problema, calculo que em no máximo uma semana estarei de volta a vila. Já que o nosso aniversário está perto, resolvi antecipar um dos teus presentes, espero que goste e que o use para mim no festival da primavera desse ano..." Oh Kami!

— O que foi Sakura-chan? Por que parou de ler? — pergunto confusa.

— Não sei se é uma boa ideia ler em voz alta Hina. — Sakura conta e eu não entendo.

— Deixa disso Sakura-chan, pode ler. — incentivo curiosa — Não há problema algum.

— Se você diz, depois não reclama. — ela retruca e ouço nossos amigos rindo — Continuando: "...espero que goste e que o use para mim no festival da primavera desse ano, e tenha certeza Hinata, quando eu retornar a vila, vou te sequestrar e me trancar em um quarto com você hime, e te amarei tanto, que não teremos forças para mais nada! Te amo eternamente Sra. Uzumaki." Eu sempre soube que ele tinha se tornado um pervertido igual ao seu mestre, mas não imaginava que era muito pior que Jiraya-sama.

Meu rosto arde de vergonha, meu coração se descompassa e tenho certeza que nunca mais olharei para os meus amigos, sem lembrar desse episódio; eles riem muito e fazem comentários jocosos, fazem a maior festa dizendo que Naruto deve estar subindo pelas paredes. Só que mesmo que tenha sido algo constrangedor, essa promessa dele, me fez ficar quente e tenho que me controlar muito para não me entregar; é como ele escreveu, estou com tanta saudade, que nem sei do que sou capaz. Suspiro baixinho, tentando me recompor e parecer calma, enquanto um terremoto acontece dentro de mim.

— Você tem o presente Gamachan? — pergunto.

— Aqui está, Hinata-sama. — sinto um pequeno embrulho ser depositado em meu colo.

Apalpo o pacote com mãos trêmulas, é leve e não é muito grande, nem muito pequeno; muito curiosa do que seja, abro o embrulho com todo cuidado, receosa de que possa rasgar ou danificar o presente. Toco um tecido leve, muito delicado, parece ser seda, sinto a linha fina de pequenos bordados em toda sua extensão, mas não consigo adivinhar o que é, belo dia para meus olhos terem problemas. Retiro o tecido do embrulho, e pelo comprimento, posso arriscar que é uma vestimenta, mas resta saber que vestimenta. Ouço as exclamações de admiração das garotas, e minha curiosidade aumenta.

— O que é? Não consigo adivinhar. — digo afoita.

— Hina, é tão lindo. — ouço Ino falar — É uma yukata toda florida, é de seda azul com estampas de lindas flores em tons de rosa diferentes. Kami-sama, parece ter sido feito para uma princesa de tão lindo!

— Veja, tem um par de leques junto. — Tenten se pronuncia e a sinto por as mãos no embrulho — Sente só Hina, ah e olha só os ornamentos para o cabelo, que pedrarias mais lindas!

— Vocês estão fazendo de propósito né? Só por que não posso ver! — reclamo e elas riem.

— Calma irmãzinha, amanhã você poderá ver. — Neji brinca e me viro para sua voz.

— Você só está falando assim para defender Tenten irmão, por que não assume logo o que sente e para de enrolar?! — digo maldosa, se eles querem rir de mim, eu também vou rir deles.

Todo mundo ri do que disse, imagino que os dois devam estar muito vermelhos agora.

— Credo irmã, você já pegou as manias daquele idiota! — Neji retruca e até o imagino emburrado.

O pessoal cai na gargalhada, e eu também, fazia muito tempo que eu não ria assim, no final das contas foi bom sair de casa um pouco; ultimamente minha vida se resume em treinar e ir para casa exausta, ir ao clã resolver todo tipo de assunto e voltar para casa, as vezes saio em missões com meu antigo time, mas nesses tempos de paz as missões fora da vila não duram mais que três dias. Acho que me perdi tanto em minha dor, me concentrei tanto em superar e ficar mais forte, que esqueci que as vezes, tudo que precisamos para nos sentirmos melhor, é estar entre os amigos; nem sei como as garotas aguentaram ficar indo me ver no apartamento, elas nunca reclamaram, mas acho que poderíamos ter saído algumas vezes, e a nossa vila está tão bonita que é até pecado não admirar. De repente todas as risadas param inesperadamente, ouço Sakura dar um risinho debochado, típico de quando ela sabe algo que os demais não sabem; há várias exclamações de surpresa e uma enorme comoção se instala a nossa volta, não estou entendendo mais nada, o que será que está acontecendo? Sinto alguém se aproximar de mim, mas não identifico nenhum Chakra dessa pessoa, é como se o estivesse ocultando; inesperadamente meu coração acelera, minhas mãos suam descontroladas e um friozinho gostoso revira meu estômago. O que está acontecendo comigo? Meus amigos ficam muito quietos, sinto a pessoa parada as minhas costas, muito próxima a mim, quase me tocando; o calor que emana do seu corpo faz minhas pernas ficarem bambas, então a sua respiração chega ao meu pescoço, e cada pelo do meu corpo se arrepia. Kami-sama, eu devo estar maluca! Preciso me afastar dessa pessoa, como posso ficar assim com alguém que nem conheço? Eu sou do meu amado, não posso ter essas sensações por outra pessoa.

— Você ainda não me disse se gostou do presente amor! — aquela voz grave e rouca chega aos meus ouvidos.

Meu cérebro entra em colapso, eu devo estar sonhando só pode! Solto um grito de exclamação, não posso acreditar, devo estar realmente maluca. Seus braços passam ao redor dos meus ombros e sou virada para ficar de frente para ele, agora consigo sentir seu Chakra nitidamente, tão quente e aconchegante quanto ele, meus olhos ficam marejados e sei que vou me desfazer em lágrimas, toco incerta nos seus braços, ainda não acredito que ele é real.

— Na-Naruto! Kami, é você não é? — digo entre os soluços — Eu não estou maluca, estou? Você está aqui, está aqui comigo!

— Estou aqui amor, e nunca mais saio do seu lado! — ele responde e me abraça tão apertado, que é possível me fundir a ele.

O abraço de volta chorando, minhas mãos tateiam por seus braços, até chegar ao seu rosto; sinto a aspereza da sua barba, toco a fina linha dos seus lábios, chego aos seus cabelos, que estão tão grandes como jamais vi. Outro detalhe que me chama atenção, é que para poder alcançar seu rosto, preciso ficar na ponta dos pés, quando foi que ele ficou tão alto assim? E seus ombros, como estão largos, os braços rijos quase esmagados por baixo da roupa; lembro que Naruto tinha mudado um pouco na ultima vez que veio me ver, mas não era tanto assim, ele está tão mais másculo agora, chego a me arrepiar inteira só de pensar.

— O que há com seus olhos Hina? Por que ainda está de venda? — ele questiona sério e noto que sua voz também engrossou mais. Mas espera, como assim 'ainda'?

— O que você acha que foi Naruto? — a voz de Neji se faz presente, agora que me lembrei que estamos em um lugar público — Essa teimosa têm treinado em excesso até tarde, levou seus olhos a exaustão e agora vai ficar sem ver por um tempo!

— Dedo duro! — xingo Neji e os outros gargalham, ele está se vingando pelo meu comentário mais cedo.

— Você não tem jeito mesmo pequena, acho que vou ter que te sequestrar mesmo! Vamos resolver isso. — quando Naruto fala isso, eu arfo e me derreto inteira lembrando do que ele me escreveu — Ah, tem mais alguém querendo falar com você.

— Hyuuga! — escuto a voz rosnenta de Kurama enquanto as mãos de Naruto tocam meu rosto.

— Kurama, que bom ouvir você! — digo contente, no fim das contas acabei me apegando a ele também.

— Eu também não via a hora de voltar, não aguentava mais o mal humor desse idiota. — Kurama responde e gargalha alto — Pronto, agora seus olhos estão curados, vê se não pega tão pesado Hyuuga.

— Obrigada Kurama! — agradeço já retirando a venda dos olhos.

Quando os abro, é bem a tempo de ver os olhos vermelhos de Kurama bem destacados no rosto do meu amado, o seu sorriso de lado e o nariz enrugado, ele me faz uma graça e então cedo o lugar de Naruto; os olhos voltam a ficar azuis, os olhos mais lindos do mundo para mim, meu próprio oceano. Ele me olha tão carinhoso, é um olhar cheio de saudade, cheio de palavras mudas, minhas mãos voltam a tocar seu rosto, preciso sentir que ele é real, que não vai desaparecer assim que eu fechar os olhos; já não me controlo mais e deixo as lágrimas rolarem por meu rosto, deixo toda emoção que estava sentindo vir a tona, o abraço e afundo em seus braços, choro toda a minha saudade, deixo seu uniforme molhado de tanto que choro.

— Está tudo bem amor, estou aqui agora, nunca mais vou te deixar minha vida! — ele fala carinhoso, me afasto e fico admirando seu rosto.

Naruto está tão lindo, e fica tão diferente usando o uniforme padrão de Konoha, os seus cabelos rebeldes estão muito grandes, o deixando idêntico ao seu pai, se não fosse pelos três risquinhos em suas bochechas, poderíamos dizer que estamos vendo o Yondaime a nossa frente; Naruto está tão lindo, não sei explicar, ele parece mais atraente do que já era, ele com certeza é um homem muito bonito e por onde anda chama atenção, agora mesmo há um grupinho de garotas, todas sorridentes e fazendo de tudo para chamar sua atenção. Fecho a cara para elas e aperto mais os meus braços a sua volta, é bom que vejam que ele é meu. Só agora que noto Sai e Shikamaru também estão aqui, os dois parecem muito abatidos, Shikamaru senta esparramado na mesa, a sua costumeira expressão sonolenta mais acentuada em seu rosto.

— Sai, Shikamaru, como vão? — pergunto aos dois.

— Acho que meus pés vão cair, mas estou bem. — Sai comenta.

— Eu não sei como ainda não fui parar no hospital. — Shikamaru afirma.

— O que aconteceu com vocês? — pergunto e sinto minha cintura ser abraçada por Naruto.

— Esse idiota nos fez caminhar por quatro dias e três noites sem parar! — Shikamaru conta bravo — A gente não quis usar o Jutsu de teletransporte dele, não gostamos e sempre passamos mal quando ele usa conosco, então ele teve a brilhante ideia de não parar para descansar!

Shikamaru conta muito bravo, o que é raro de acontecer, olho para Naruto e o encontro com as bochechas muito vermelhas.

— Eu já pedi desculpas pessoal, vocês sabem que eu queria vir para casa logo! — ele se justifica.

— A gente sabe, mas o que você se esquece, é que não temos um Chakra absurdo para dar e vender. — Sai rebate.

— Ei, não seja injusto, eu doei Chakra para vocês continuarem, até parece que você não queria voltar logo para ver a Ino, seu cara cínica. — Naruto debocha e Ino dá um gritinho de surpresa — E você seu pilantra, ficou o tempo todo me importunando para passarmos na Vila da Areia antes, não foi Shikamaru?

Ele que estava bebendo bons goles do suco de Kiba, se afogou imediatamente; todos caem na gargalhada, vejo as garotas ficarem muito vermelhas e envergonhadas, pelo visto a alegria contagiante de Naruto, já tomou conta de todos os nossos amigos, e agora sentindo seus braços me acolhendo, recebendo os seus carinhos, sinto que minha vida finalmente vai entrar nos eixos, e nosso amor só se tornou mais forte durante todo esse tempo, amor que nem o tempo apaga!





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