O Despertar dos Sentimentos escrita por Luana de Mello


Capítulo 10
Criminoso


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulo, espero de coração que estejam gostando. Muito obrigada a quem está lendo, a quem está acompanhando. Beijos e até o próximo!



Um dia nublado e sem indícios de que o sol de ontem viesse a aparecer, uma previsão do que seria e do que me esperava. Acordei antes do dia amanhecer, sabia o que estava por vir, e tentava a todo custo bolar um novo plano, mas sabia que seria aquele mesmo, e apesar de todo meu desagrado, a missão tinha que ser concluída. Olho o rosto sereno de Hinata ao meu lado, dormindo tranquila em meus braços; essa foi sem dúvidas, a melhor noite de sono da minha vida. Sinto seu corpo se remexer, mas não acorda, apenas se aconchega mais em meu peito; por vezes a ouvi sussurrar meu nome enquanto dormia, e isso foi tão prazeroso quanto beijar seus lábios, ou vislumbrar seu belo corpo. Olhar para ela é tão fascinante, que me perco no tempo, esqueço da vida e de todo o resto. Vejo seus lindos olhos se abrindo, lacrimosos e sonolentos, se acostumando ao ambiente e se fixarem em mim. Ela sorri delicada, e como sempre meu coração palpita, errando uma batida.

— Bom dia Naruto-kun, está acordado faz tempo? - ouço sua voz de anjo.

— Bom dia pequena, acordei um pouco mais cedo. - respondo acariciando seus cabelos.

— E por que não me acordou? Temos que por o plano em prática. - diz se pondo em pé.

— Eu sei, mas ainda temos tempo, na verdade o dia nem amanheceu ainda. Eu que acordei mais cedo que o normal. - falo a puxando para meus braços, lhe beijando a testa, inalando seu perfume.

Como pode em tão pouco tempo, estar tão viciado nela?

— Sei que te desagrada, mas vai dar tudo certo, eu confio em você! - ela tenta me acalmar.

— Minha garota corajosa! Sei que é o único jeito, mas ainda tenho esperança que o Shikamaru pense em outra estratégia.

E como se fosse requisitada sua presença, ouvimos sua voz do lado de fora da barraca.

— Naruto, Hinata? Já estão acordados? - Shikamaru sussurra.

— Falando no diabo! Já estamos saindo. -  respondo antes que ele fique estressado.

Hinata ri da minha expressão e mesmo sem nenhum humor eu a acompanho, só ela para me dar forças, caso contrário já teria feito tudo do meu jeito. Saímos da barraca e encontramos Shikamaru e Sakura nos esperando, mais perto das árvores.

— Bom dia! - falamos baixinho quando nos aproximamos.

— Bom dia! - eles respondem.

— Sei que você é contra Naruto, e eu te juro que pensei em várias outras maneiras, mas nenhuma vai funcionar - ele começa - o cara está obcecado, você viu isso ontem, e suas atitudes protetoras só contribuíram, tornaram um grande desafio. É realmente difícil e eu sinto muito colocar vocês nessa situação, mas nós somos Shinobis da Folha, temos que agir como tal.

— Mas que droga Shikamaru, como o cara mais inteligente não consegue ver outra opção? - me exalto um pouco.

— Naruto, seja um pouco racional, nós vamos estar perto o tempo todo, não pense que nos agrada fazer as coisas desse modo, e se pudesse eu trocava de lugar, mas é como o Shikamaru disse, ele está obcecado! - Sakura intervem.

— Você não quer levar isso até a vila, quer? Pense o quanto vai ser dificil quando estivermos lá, as instruções da Shizune foram bem claras. - Shikamaru pede meio cansado da nossa discussão.

— Está tudo bem Naruto-kun, vai dar tudo certo! Também não posso deixar que ele veja minha irmã, ou as outras garotas da vila, e se eu posso ajudar eu vou. - Hinata fala decidida, sei que perdi no momento que ela apoiou o plano.

— Eu sei, eu sei, ah mas que droga! - digo colocando as mãos na cabeça, eles me colocaram contra parede, fico nervoso com tudo isso.

Ando de um lado para o outro, exasperado, buscando uma saída. Também não quero que esse problema chega a vila. Hanabi, Moegi, todas elas, todas aquelas crianças estão em perigo, todas as minhas amigas. Mas que droga de vida, penso e soco a árvore mais próxima, a deixando em pedaços, tamanha é minha raiva. Vejo Hinata esperando paciente minha resposta e meu olhar se suaviza, sei o quanto ela é forte e que pode dar conta da tarefa, mas não posso evitar me sentir assim, eu jurei protege-la e agora tenho que atira-la aos leões.

— Se alguma coisa sair um centímetro sequer da linha, eu acabo com tudo do meu jeito! E não me interessa quem é o capitão da equipe, eu entro e acabo com o plano. - aviso e concordo, mesmo com meu coração me dizendo que não devo.

— É justo! - Shikamaru diz e faz o sinal para chamar os ninjas da AMBU, que prontamente aparecem.

Ele explica o plano para eles, e feito isto, se dispersam tão rápido quanto chegaram.

— Pronto, agora vamos para as barracas e esperamos para por o plano em prática.

 

Assim o fizemos, voltamos para as barracas e esperamos. Hinata e eu ficamos abraçados e conversamos, na verdade ela está bem falante hoje, e sei que é para me distrair. Apesar de o dia estar nublado, o calor ainda se faz presente. Quando a claridade já anuncia o novo dia, saímos e nos cumprimentamos como se fosse a primeira vez hoje. E como previsto Sakura não sai, e Shikamaru dá inicio a tudo.

— Sinto informar senhor Hiroshi-sama, mas teremos que ficar aqui um tempo, Sakura não está passando bem e não tem condições de seguir em frente. - ele fala.

— Oh, entendo, mas não seria nada grave? - o velhote pergunta.

— Mas ela não é uma médica ninja? Como pode estar mal? - aquele bastardo pergunta cínico.

— Não é nada grave, e sim ela é uma médica ninja, e exatamente por isso vamos esperar. Ela está se curando nesse momento, e precisamos dela bem para nos curar caso algo nos aconteça. - Shikamaru responde cuidadosamente.

Nos sentamos ao redor da fogueira e esquentamos algumas latas de cozido para comermos. As provocações desse idiota estão ficando piores, tenho que usar todo meu controle para não avançar nele. Depois de Pain, achei que não sentiria mais vontade de matar ninguém, mas me enganei, não só tenho vontade de mata-lo, como de tortura-lo também.

Quando é dado o momento Sakura sai da barraca cambaleando e se apoiando nas árvores. As coisas estavam indo bem, tudo como planejado. Vejo Hinata se levantar e sei que vai começar.

— Naruto-kun, vou buscar água fresca para a Sakura-chan. - ela fala.

— Eu vou junto! - digo me levantando também.

— Não precisa meu amor, fica aqui, Shikamaru-kun pode precisar de você! Eu prometo que não demoro. - me dá um beijo rápido e vai.

Me controlo para não ir correndo atrás dela. Antes de sumir da minha vista, ela olha para trás e me deixa ver que está com o byakugan ativado.

— Naruto, me ajuda aqui! - Shikamaru grita enquanto segura uma Sakura desfalecida.

Corro para ajudar, pego Sakura e juntos a levamos até uma sombra, com Hiroshi em nosso encalço. Olho para os lados e concluo que está na hora.

— Pronto Sakura, já vamos começar. - digo e a vejo abrir os olhos e se por em pé.

— Hiroshi-sama você precisa vir conosco! - Shikamaru anuncia.

 

—_________________________________________________________

 

Pov. Hinata.

Assim que sai do acampamento, as coisas começaram a funcionar. Deixei Naruto saber que estava precavida e continuei indo em direção ao rio. Caminhava devagar e fingindo estar desatenta, tinha que dar tempo deles se colocarem em movimento. Sabia que ele não estava bem com tudo isso, mas as coisas poderiam ficar piores se chegarmos a vila sem tudo concluído. E estou certa de que tudo dará certo.

Chego ao rio, coloco o cantil dentro d'água e fico cantarolando. Meu byakugan não me engana, está tudo correndo como planejado. Retiro minhas sandálias e mergulho os pés na água. Vejo um movimento atrás de mim e sei que o plano começou. Deixo meus olhos voltarem ao normal e espero concentrada no que tenho que fazer.

— Então a princesinha decidiu sair debaixo da asa do namoradinho. - diz com escarnio.

Viro, com a cara assustada e me ponho em pé. Então começo a por minha parte em ação.

— Sabe como esperei por uma oportunidade de ficar sozinho contigo? Achei que ontem a noite poderíamos nos divertir, mas seu querido Naruto-kun estragou tudo. - continua debochando.

— D-do que e-e-está falando? O-o que está fazendo aqui? - digo abraçando meu próprio corpo, preciso parecer o mais frágil possível.

— Ah, sempre as mesmas perguntas! Sempre o mesmo modo de agir. Que saco, vocês donzelas nunca mudam. Mas você princesinha, achei que fosse diferente, achei que fosse experiente. - ele diz, e seus olhos brilham de malícia.

— Eu não sei do que está falando, preciso voltar e ver como está Sakura-chan! - falo enquanto calço as sandálias.

— Nada disso, você vai ficar aqui e vamos nos divertir! - vem se aproximando, seu rosto uma mascara de maldade, anunciando suas intenções.

— Não chegue perto! - aviso me pondo em posição de batalha e ativando novamente meu byakugan.

— Uou, você vai resistir, que legal, assim as coisas ficam mais interessantes. Sabe princesinha, das outras vezes foi tudo muito chato e entediante, aquelas meninas só gritavam e pediam por socorro, eu nem me lembro dos nomes. Mas em toda vila era a mesma coisa, quando achava que tinha encontrado uma garota que gostasse de se divertir, elas davam para trás na hora H e me negavam o que vinham me oferecendo, então eu tomava a força. Claro que depois tinha que apressar nossa saída do lugar, mas aquele velho nem desconfia de nada. Mas com você princesinha, é diferente, você me foi negada desde o começo. Isso é muito excitante sabe. E eu vou fazer você me querer também, até vai gemer o meu nome. Me diz, seu namoradinho te dá prazer? Ele faz você gemer? Te garanto que você vai ficar querendo mais. - Ken diz e vai tirando a blusa.

Sinto vontade de vomitar, nunca senti tanto asco de uma pessoa. Sinto dor ao ouvir sua confirmação, dor por todas essas garotas, é revoltante demais. Dou alguns passos para trás me mantendo focada.

— Eu disse para não se aproximar! - eu grito.

Ele ri debochado, passa a língua nos lábios como um felino que vai atacar, faz o selo esperado, mas não pode concluir. Num instante ele vai ao chão.

— Eu avisei para não chegar perto dela! - ouço Naruto gritar enquanto o soca ainda no chão.

 

 

—_______________________________________________________________________________

Estou com tanta raiva, tando ódio que sinto meu corpo tremer descontrolado. Os outros ao meu lado estão pasmos, sem reação. Olho para o Shikamaru, mas ele está imóvel. Então não espero nenhum sinal e parto para cima do desgraçado. O derrubo no chão, e o meu clone o segura no lugar.

— Eu avisei para não chegar perto dela! - grito e soco seu rosto - eu te disse o que te faria seu bastardo infeliz!

Outro soco, e mais outro, e mais outro, continuo socando, quero deformar o rosto dele. Ouvir as coisas que ele disse para minha Hina, confirmar as coisas que ele fez, isso é asqueroso demais. Ouvi-lo dizer que a faria gemer e querer mais foi a gota d'água para mim. Já estávamos prontos para atacar, meu modo Sennin ativado, Shikamaru com sua possessão da sombra o pararia antes de agir, mas eu não aguentei, os outros estavam parados demais., inertes demais diante de tudo que ouvimos. Não existe possibilidade de manter a calma, nem de ter piedade, e eu não terei.

— Maldito! Quantas foram? - soco mais uma vez, sinto minhas mãos arderem, cheias de sangue.

Ele ri, ri tanto que chega balançar no lugar. Isso me revolta, sei que estou no meu limite.

— Faz alguma diferença? - debocha mais - foram 23, uma em cada vila! E você não pode mudar isso. - confessa cheio de maldade.

Sinto o manto da Kyuubi se espalhar e vejo medo em seu olhar. Pela primeira vez o vejo vacilar em sua postura.

— Sim, faz sim! Por que eu sou o Jinchuuriki da Kyuubi, e você mexeu com a minha garota! - minha voz sai mais como um rosnado gutural, como o próprio Bijuu que carrego, sinto a raposa se agitar novamente ansiosa para matar, e dessa vez eu partilho do mesmo desejo.

Os outros se aproximam receosos. Os AMBUS se apresentam também, mas ninguém tem coragem de chegar perto de mim. Até que sinto duas mãos pequeninas me tocarem. Olho para trás e vejo Hinata me sorrindo docemente. Sinto meus nervos irem se acalmando, minha raiva sumindo, e gradativamente o manto da nove caudas se esvai. Os AMBUS algemam Ken, seu avô só faz chorar, enquanto o maldito ainda está com pavor estampado no rosto. Sinto vergonha por me descontrolar de novo, mas não me arrependo, não desta vez. Abraço Hinata o mais forte possível. Só de imaginar o que teria acontecido com ela, meu corpo treme.

— Desculpe, eu não queria me descontrolar, me perdoa! - peço com o rosto em seu pescoço, enquanto deixo algumas lágrimas caírem.

— Está tudo bem, eu disse que confiava em você! - ela fala acariciando meus cabelos - você está aqui comigo e estamos bem, concluímos o plano perfeitamente.

— Como? Como vocês sabiam? - Ouvimos aquele bastardo falar incerto.

Eu não me reconheço, rosno alto, como um animal novamente, avisando. Só preciso de um motivo para lhe cortar a garganta. Sinto minhas unhas grandes como garras e meus dentes se transformando em presas, saindo para fora dos lábios. Todos se afastam instintivamente, menos Hinata, que continua me acariciando tranquilamente enquanto me abraça, ela sabe que não vou machucá-la, e eu também, pela primeira vez consigo ficar nesse estado e controlar meu corpo. Olho para o rio e vejo meus olhos refletidos na água, de azuis se transformaram em vermelho sangue. Ouço Shikamaru responder.

— Que problemático, eu sempre tenho que explicar tudo. Não confiamos em você desde o começo! Desconfiamos de suas ações, então mandamos uma mensagem a nossa Hokage com suas descrições, e elas bateram com um procurado por diversos estupros, desde a vila da Grama até a vila dos Bambus, antes do porto. Então armamos um plano para você confessar e te pegamos nele, te seguimos desde quando saiu atrás de Hinata e junto aos AMBUS, ouvimos sua confissão e agora você vai apodrecer na cadeia! - ele dá uma risada baixa, visivelmente satisfeito com essa última parte.

— Vocês não podem me prender, somente ninjas da minha aldeia podem me prender! Diz alguma coisa vovô. - implora.

— Eu não tenho neto, ele morreu a muito tempo! - declara o velhote, deixando o desgraçado perplexo.

— Bom sobre sua prisão, podemos sim, afinal estamos na presença de ninjas da vila da Grama aqui, que presenciaram sua confissão. - Sakura fala debochadamente e quando menos se espera lhe dá um belo soco, seguido de um chute nos seus "documentos".

Enquanto o desgraçado ainda uiva de dor, os AMBUS desaparecem o levando. Depois que Sakura e Shikamaru consolam o velhote, nós levantamos acampamento e vamos para casa. Eu passei o caminho todo calado, com vergonha, mas quando paramos para descansar, minha pequena vem para perto de mim e me dá um abraço apertado.

— Você não precisa ficar assim sabia? Eu também fiquei horrorizada a ponto de perder a cabeça, se você não tivesse chegado eu mesma teria matado ele. - ela confessa.

Sei que teria feito com facilidade, não tenho dúvidas, como Lee me disse uma vez, os Hyuugas são os guerreiros mais formidáveis da Folha.

— Mas só de pensar no que ele teria feito com você, as coisas que aquele maldito disse... - não consigo nem terminar, já me sinto irado novamente.

— Eu sabia que ouviria coisas desagradáveis quando armamos o plano, não se preocupe com isso! E eu estou aqui, bem, você me protegeu e agiu na hora certa meu amor!

Ouvir essas palavras de Hinata me acalmou um pouco, mesmo não estando de todo bem, eu me aquietei. Pelo menos ele não tocou nela, se isso valia de algum consolo. Deixei que minhas angustias acumuladas viessem a tona e chorei, chorei pelo medo, pela incerteza, pela raiva, mas principalmente pela alegria de ter essa mulher maravilhosa do meu lado, de poder amá-la e ser correspondido. Quando estou mais calmo, me desfaço um pouco de seu abraço, e a beijo com todo meu amor, com todo meu carinho, quero transmitir nesse beijo tão calmo, todo meu sentimento por ela. 

Quando enfim nos separamos, sinto todo aquele peso sair dos meus ombros, me sinto leve. Hinata tem esse dom de me curar, de curar minhas dores, de fazer prevalecer o melhor de mim. Agora podemos finalmente ir para casa.





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