Black Magic escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
I let you ease my pain


Notas iniciais do capítulo

Parte II da trilogia. Mas que pode muito bem ser lida separadamente ;)

Título por causa da música: Black Magic - Jaymes Young.



 

“I let you in my brain
I used to doubt, now I believe
I let you ease my pain
Using your black magic on me
I don't know how you do what you do
But you do it so good to me”

 

A dose da bebida de coloração âmbar sumia aos poucos, a cada gole dado por Tony enquanto os olhos perdiam-se em observar o nada. Sentado naquele sofá enorme, luzes apagadas e sem ninguém para lhe fazer companhia, como de costume. A música ecoava baixa pelos alto falantes dispostos por todo o recinto, as pernas cruzadas, facilitando para que o pé batesse ritmadamente ao piso.

Recostou-se no sofá, apoiando a cabeça ali, olhando o teto enquanto o último gole daquela dose descia por sua gargante de forma rascante. Fechou então os olhos, deixando a mente livre para seguir os rumos que ele já sabia bem. Nem a bebida conseguia desanuviá-lo daquilo. Sabia que sua mente cansada seguiria para os acontecimentos de certa noite, de como havia dormido tão confortável, mesmo com o peso de braços e pernas sobre si.

Suspirou cansado, sabendo que embora o cansaço batesse à porta, não teria uma tranquila noite de sono. Era costumeiro que não as tivesse. Abriu os olhos, a visão embaçada por questão de segundos, bastou piscar mais duas vezes para que então se colocasse de pé, levando a destra às têmporas, massageando-as para um conforto superficial do pandemônio que estava ali dentro.

Os passos curtos e sem a menor pressa de chegar a lugar nenhum, guiaram-no até a bancada de seu bar na sala de estar. Servindo-se de mais uma generosa dose de whisky. Apreciou o sabor com um gole longo, fechando os olhos enquanto o whisky descia por sua garganta, deixando já a saudade na língua.

—  Ligação de Peter Parker —  a IA informou-o, fazendo abrir os olhos e buscar o visor mais próximo. Podendo ele mesmo rejeitar a ligação.

Voltou com as falanges às têmporas, massageando-as para livrar-se de uma dor de cabeça causada não pela bebedeira, mas pelo motivo de recorrer ao álcool. Não era certo, ao seu ver, que um “pivete” tomasse tanto a sua mente como Peter estava fazendo. Desde a fatídica noite de sua recorrência ao TEPT não parava de pensar nele. Acordava olhando para o lado da cama, em busca de companhia… ia dormir já exausto pelas horas de insônia… almejando que ao chegar na cama… certa pessoa lá estivesse. Ao tempo, claro, que não queria que estivesse em sua cama. Conhecia seus desejos, sabia seus limites (muito embora não os admitisse), sabia que com ele ali… não resistiria.

Então bebeu mais um longo gole, sorvendo o sabor rascante do álcool, inebriando os sentidos, e infelizmente aguçando os desejos. Desde quando álcool servia para aplacar o fogo? Servia apenas para inflamar.

Fora o que o levou ao quarto, buscando desanuviar a mente, um dos primeiros passos ao erro. O quarto já não tinha só o costumeiro aroma de seu perfume amadeirado. Havia o cheiro jovial de Peter, havia as recordações que pareciam bailar em câmera lenta à sua frente.

Um banho!

A ideia surgiu à mente como uma boia em alto mar, dando-lhe a escapatória. Ao menos ele achou. Desabotoou então a camisa Mantendo-a ao corpo enquanto caminhava de um lado ao outro, ponderando sobre ceder ao desejo antes do banho. Sendo interrompido pelo aviso da IA, uma nova chamada de Peter Parker. O moleque era insistente quando preciso, para azar de Tony, aparentemente. A contragosto, atendeu buscando manter o rosto impassível, ao contrário do restante do corpo que pareceu em júbilo, pelo simples fato de ver o jovem no visor.

—  Peter, o que quer? —  não queria parecer grosseiro, mas precisava desligar antes que acabasse se entregando. Não era a solução mais esperta.

—  Não é nada tão tão importante assim, senhor Stark, é só que-

—  Se o assunto não tem urgência, pode ser tratado com o Happy.

E desligou, tão no rompante quanto havia atendido. Deixando um Peter indignado do outro lado, com toda a grosseria. O que ele havia feito para merecer tudo aquilo, afinal?

Tony respirou fundo, deixando que o ar escapasse ruidoso por entre os lábios, sentando-se na cama, para então deixar que as costas fossem de encontro ao colchão macio, o que fez levantar o cheiro de Peter, não de fato aos lençóis, mas em sua mente saudosa. Fora inevitável então, levar a mão a percorrer o torso parcialmente desnudo, com a suavidade que achava que outra pessoa o tocaria; como achava que ele o tocaria.

As pontas dos dedos resvalaram suaves a cicatriz onde outrora havia um reator, descendo trilhando caminhos enquanto os olhos se mantinham fechados, para que a imaginação tomasse conta dos atos que ali faria. Deitado sobre o colchão, com as pernas dispostas, deixando os pés alcançarem o chão. A braguilha fora tateada por uma mão afoita, buscando avidamente liberar o pênis já ereto que ali se escondia. E fora quando a boxer deslizou pelas coxas levemente bronzeadas que pode sentir o quão excitado realmente estava. Deixar a mente livre para imaginar que não era sua mão ali tocando-o, e sim a de Peter, fazia-o pulsar. E involuntariamente gemer quando passava pela glande, de forma a colocar uma pressão satisfatória. O gemido que rompeu por seus lábios fora contido, mas não menos revelador do prazer que sentia ao se tocar. A mão era firme, pelos trabalhos feitos ao longo de sua vida, mas empregava uma maior delicadeza, sabendo que as mãos de Peter sequer calos tinham. Eram a pureza em forma de sedosidade.

A mão começava um vaivém, para seu total descontrole. Respirava pesado, tentando em vão conter as emoções e o desejo que parecia bombardeá-lo. O ar escapava por seus lábios entreabertos, logo precisando morder o lábio inferior, no intento de controlar os sons que sabia bem, romperiam por sua garganta. Ainda assim, os sons saiam, singelos enquanto os dentes marcavam o lábio com força. Aumentando a pressão conforme sua própria mão subia e descia de forma ávida em seu membro rijo. Sua mente, estava longe de imaginar que pressionando seu pênis era uma singela mão, pensava por vezes em lábios finos, outras pensava que acometia-se num interior quente e apertado…

Desceu a canhota, passando-a por seu corpo, tendo em mente Peter em seu colo, movendo o quadril enquanto alisava-o. A canhota seguiu diretamente até os testículos, apertando-os de forma suave, sentindo o característico arrepio tomar-lhe o corpo, fazendo sensações quentes e de certa forma eletrizantes irradiarem de seu baixo ventre, enquanto o quadril já não mais se mantinha inerte. Subindo conforme a destra descia no pênis, e assim repetidas vezes, sentindo o avassalador orgasmo tomá-lo como vítima dos atos que ali consumava; o seu maior desejo.

Estava ofegante, suado e sua mente o bombardeava com imagens que, sabia bem, se abrisse os olhos não as teria. Então assim permaneceu por mais um tempo. Os cílios de encontro, superiores e inferiores quase abraçados enquanto o portador de tal beleza continuava a imaginar Peter Parker ainda em seu colo, tão ou mais ofegante, os fios bagunçados e as maçãs rubras pelo árduo exercício. Imaginava também uma das mãos apoiadas em seu peitoril, enquanto a outra colocava certa ordem aos fios desregrados, jogando-os pra trás, fazendo arquear as costas.

Não era sua vontade, mas abriu os olhos encarando o teto, para só então sentar-se e notar a sujeira em seu abdômen e cama. Mordeu o lábio para evitar qualquer praguejo. O banho deveria ser o primordial ao momento, então seguiu para o banheiro, optando por uma ducha absurdamente fria ao invés de um longo banho de banheira. Temia que se o fizesse, acabasse por se tocar ali também, no “calor” do momento. Afinal, a mente ainda era bombardeada imaginando o corpo de Peter, corpo cujo só lhe foi permitida a visão por um vidro resistente e de baixíssima visibilidade, para sua infelicidade.

Após o merecido banho, para tentar colocar certo juízo em sua mente, Tony vestiu-se de modo mais descontraído, suas famosas camisetas de banda lhes serviu como traje, assim como uma calça qualquer. Tomando o aparelho celular em mãos, passando a mão aos fios acastanhados para ligar para Peter, uma forma sutil de um pedido de desculpas que ele não faria. Demorou alguns toques para que o rapaz atendesse a video-call, para o inferno pessoal de Tony Stark.

—  Senhor Stark! —  ele parecia tão animado.

Via-o falar como se de alguma maneira tivesse esquecido as poucas vestes que trajava, enrolado em nada mais que uma toalha esverdeada, enquanto os fios molhados faziam pingar por seu tórax, desconcentrando certo bilionário naquela video-call.

—  Retorno mais tarde —  ditou simplista, pela segunda vez na noite desligando na cara de Peter. —  Mas que porra! — o palavrão rompeu pelos lábios, já sabendo a noite que teria. Longa e dura, em todos os sentidos da palavra.

A manhã seguinte havia nascido num esplendoroso sol. Não que isso influenciasse no bom humor de certo milionário que havia passado, não apenas a noite em claro, mas ocupando a mente com tudo o que não deveria; Peter. E assim repetia o ato naquela manhã, tocava-se, já com a nova troca de roupas, camisa social, em pouco teria uma reunião, mas a vontade de aliviar o pênis intumescido era maior. Se ele soubesse que Friday havia permitido a entrada de certo alguém, talvez evitasse gemer o nome alheio enquanto masturbava-se no banheiro de sua suíte.

O jovem o olhava, como quem no deserto mira um oásis. O peito subia e descia, notando como lhe caia bem a camisa social aberta. Havia, claro, a cicatriz onde outrora ostentava um reator que lhe garantia a vida. Peter não conseguia deixar de mirá-lo, pensando que, talvez, e só talvez estivesse indo longe demais. Friday não o havia entregado, não o via como ameaça ao residente daquela torre, mas… observá-lo num momento tão… íntimo. Ao seu ver, era apenas uma troca de roupa habitual, pelo menos ele ludibriou-se com isso, fingindo não ter ouvido os gemidos de pouco antes. E mais que isso… podia jurar que ouvira um “Peter” sendo sussurrado em mais completo êxtase. Fazendo arder algo em seu íntimo, tão íntimo que despertava o calor em seu baixo ventre. E de pensar que havia ido até ali apenas para buscar algo que lhe pertencia; a mochila. Aquela que havia esquecido noites antes… muitas noites antes.

Por onde Peter havia caminhado, tratou de refazer os passos, no caminho inverso, afastando-se do quarto de Tony, onde jazia ao canto sua mochila esquecida.

—  Peter! —  a voz da ruiva o fez sobressaltar, num terrível susto, algo que seu sentido aranha sequer fez o favor de anunciar. Tão perdido havia ficado com a cena que presenciara. —  E então?

—  E então? —  perdido, completamente perdido.

—  Sua mochila. Você disse que a esqueceu aqui, mas não fazia a ideia de onde. Recuperou? —  Pepper olhava-o, realmente disposta a ajudá-lo caso necessário.

—  Ah.. é… eu acho que deve ter ficado na oficina. —  A destra fora ao pescoço, apertando os músculos tensionados pelo nervoso. Era um péssimo mentiroso no fim das contas.

—  Peter… —  a voz de Tony o fez arrepiar, e corar em níveis raros. —  O que faz aqui?

—  Mochila… eu esqueci a minha. Acho que… em algum lugar por aqui. Mas, sabe… não é nada urgente, posso procurar outro dia, parecem apressados. —  Aproveitou-se de Pepper verificando a hora em seu relógio de pulso, para fugir de tudo aquilo. Vendo como a camisa social caia bem à Tony, e o terno… Sabendo que se continuasse ali, a mente o trairia em alto grau! —  Eu… é. Sabe, vou indo. Tchau senhorita Potts, tchau senhor Stark! — a canhota ergueu-se entusiasmadamente num aceno, despedindo-se do milionário e sua fiel assistente.

—  Parece que ele flagrou algo. Nunca vi ele tão vermelho. Ou será que você acabou brigando com o garoto por algum motivo? —  o olhar incisivo de Potts sobre ele, o fez pensar que… será? Não, não tinha chances do moleque tê-lo visto num momento tão íntimo.

—  Não, Pepper. Tenho me comportado feito um anjo. —  Ele só não disse qual.



Notas finais do capítulo

That's all folks!



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