PS: talvez eu seja diferente escrita por Maga Clari


Capítulo 3
Retratos


Notas iniciais do capítulo

Oi, oi!
Sumi sim, mas foi por causa do TCC. Agora já sou um elfo livre! hahahaha
Espero que gostem deste capítulo =)
Bjinhos



Gilbert Blythe está perdidamente apaixonado por Anne Shirley.

Ele não consegue perceber, mas eu percebo. Avonlea inteira percebe. Por Deus, Gilbert deixou Anne ganhar o concurso de soletração de propósito! Meu queixo caiu, nesse dia. Mal pude acreditar que Gilbert Blythe escolheu perder para que seu grande amor vencesse. Isso é tão bonito!

Mas não é apenas o lance do amor que anda acontecendo com meu velho amigo. Descobri, por fontes confiáveis, que o Senhor Blythe pegou um resfriado sério, algo com os pulmões, talvez. Eu queria muito poder ajudá-lo. Se Gilbert deixasse, eu poderia esquentar sopa. Afofar travesseiros. Ir até a cidade comprar remédio. Ou fazer um desenho para alegrá-lo. Qualquer coisa, sabe?

Outro dia, peguei-me desenhando um retrato dos dois. O Senhor Blythe deitado em seu leito terminal, absorto no livro que Gilbert estaria lendo para ele. E Gilbert, por sua vez, com um olhar sereno, por cima do livro, exibindo suas duas bolotas verde-esmeralda, transbordando amor e cumplicidade com seu querido pai.

Engraçado. Eu nunca perguntei o que houve com a mãe dele. Nunca tive coragem, na verdade. Não faço a menor ideia se é uma mãe morta ou se ela foi embora desde que Gilbert era um bebê. Só sei que nunca a vi em Avonlea, nem quando éramos crianças. E se eu perguntasse? Será que levaria um grande desaforo por ser desrespeitoso e inconveniente?

― O que está fazendo aí? ― foi a garota nova, vulgo grande amor de Gilbert, que sentou ao meu lado enquanto eu desenhava o retrato da família Blythe ― Ei, deixa eu ver!

― Não ― respondi, apressado, enquanto o guardava na minha bolsa ― É pessoal. Desculpe.

Notei a tristeza se espalhar pelas sardas no rosto dela. Entendi que meu desconforto poderia ter soado rude, quase como uma tempestade no meio de um campo florido, que era toda a existência de Anne Shirley. Então, quase como um consenso silencioso, hesitei antes de abrir novamente a bolsa, para tirar outro desenho de lá.

Com as mãos trêmulas, corri pelas páginas do bloco e arranquei o retrato que eu havia feito dela mesma, antes de me levantar para dar logo o fora da sala. Não queria ficar para ver sua reação. Ou o que ela teria para dizer. Eu queria ser amigo de Anne, porque ela é incrível, e bonita, e engraçada, e interessante e educada, mas não me parecia certo, visto que ela havia se tornado o grande amor de Gilbert.

Então eu fui embora, deixando apenas meu rastro em seu colo, e, antes que eu me desse conta, estava lançando olhares furtivos pela janelinha da escola, já do lado de fora, só para certificar-me de que Anne havia de fato gostado daquilo.

E adivinha? O sorriso dela poderia iluminar todo o continente.

Por favor, Anne, ensine-me a sorrir.

PS: No desenho, Anne tem borboletas coloridas levantando mechas de seu cabelo laranja, tão vibrante quanto a primavera e tão aconchegante quanto o pôr do sol.





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