Seven Deadly Sins escrita por Bird


Capítulo 4
Sloth


Notas iniciais do capítulo

Hey! Demorei mais do que gostaria, mas essa semana foi uma loucura
Espero que gostem ♥



SLOTH, Percy Jackson 

Eu caminhava sob o céu nublado e sobre as pedras de concreto do cemitério, não tão triste quanto minha última visita, mas ainda assim para baixo. E o que incomodava era a certa loira, que havia ficado brava com alguma besteira que não lembro de ter dito. 

Depois que ela foi embora, liguei e mandei mensagens que ela não retornou ou respondeu. Mesmo assim, continuava pensando sobre o assunto, sobre a obsessão que confessei quando nos conhecemos alguns anos atrás, e no quanto a objetifiquei. Thalia me deu um belo de sermão depois que Annie saiu, e só me fez ficar mais pra baixo ainda. 

Chegando perto do majestoso túmulo de Poseidon, sentei em uma das pedras que circulavam o mesmo, apoiando os cotovelos nos joelhos e abaixando a cabeça, aspirando o ar úmido. Não costumo conversar com ele quando faço minhas visitas, apenas sento e tento me sentir confortável, como se ainda restasse um resquício de sua presença. 

Pensei em minha mãe, em toda rejeição que ela tinha em visitar cemitérios, mas não por maldade, e sim por simplesmente não querer aceitar que aquele homem caloroso e vivo havia desaparecido. Pensei também na relação vivaz dos dois, viajando juntos e saindo para jantares românticos, como se nada tivesse mudado desde quando eram adolescentes bobos apaixonados. 

Senti meu celular vibrando no bolso e atendi o nome brilhante de Thalia na tela. 

— Oi Thals. 

— Percy. — Sua voz estava estranha, mas eu ignorei. — Só queria avisar que não vou estar em casa hoje, então... Deixa a visita pra amanhã. 

Eu havia perguntado se poderia ir na casa dela hoje, para conversar sobre as coisas com Annabeth, e como eu poderia reverter a situação. Ainda gostaria de ir até sua casa, mesmo sem sua presença lá, apenas para ficar um pouco só, já que ainda não havia falado com Reyna e ela ainda morava em minha casa. 

Thalia tem a chave do meu apartamento e vice-versa, sei que ela não se incomodaria se eu passasse algum tempo em seu sofá com meus pensamentos, então não me preocupei em avisá-la, mesmo planejando executar uma visita mesmo assim.

— Tudo bem, Thals. — Ela sussurrou um tchau e desligou em seguida. 

Guardei o celular no bolso novamente e continuei parado por um tempo, sentindo a brisa mórbida e encarando algum ponto aleatório que parecia interessante somente em minha cabeça.  

Antes de levantar e ir embora, olhei novamente para seu túmulo, como seu nome e a data de nascimento e falecimento.  

— Tchau, pai. — Sussurrei e voltei a caminhar pelo mesmo caminho de ida, sentindo um pouco de cansaço graças ao longo percurso até o estacionamento, onde entrei em meu carro e dirigi até a parte suburbana da cidade, parando o carro em frente ao apartamento de Thalia. 

Cumprimentei o porteiro e subi as escadas até sua porta, que ao abrir, encarei minha prima encolhida no sofá, com os ombros subindo e descendo muito rápido e lágrimas molhando suas bochechas. 

— Thals? — Ela me olhou assustada. 

— Não ouvi você entrando. — Ela se ergueu um pouco para me observar melhor, mas foi o suficiente para ver o sangue escorrendo de seu nariz e o roxo em sua costela descoberta pelo top, que a curvatura de seu corpo me impediu de ver antes. — Eu avisei para não vir. 

Eu me aproximei, com um misto em fúria e preocupação dentro de mim. 

— O que aconteceu? — Aumentei a voz. — Thalia, quem fez isso com você?! 

Ela se encolheu mais, se assustando com minha voz. Eu tentei respirar fundo, mas minha garganta estava trancada. Eu queria gritar e socar alguém, mas me obriguei a ficar calmo. 

— Thalia. — Recomecei. — Quem fez isso com você? 

— Não posso falar, Percy. — Ela tentou levantar e se impor, cansada de ser enxergada como a vítima, mas acabou desfalecendo, e caindo sobre meu ombro. — Me leve até o banheiro, por favor. 

Fiz o que ela disse, empurrando alguma bagunça encontrada pelo caminho e levando ela até o banheiro, onde examinou o roxo em sua costela. 

— Quem fez isso? 

Ela me olhou pelo reflexo, como quem pedisse compaixão e compreensão. 

— Thalia... 

— Por que você quer tanto saber hein? — Ela abaixou a cabeça, mas logo a levantou novamente, junto com seu tom de voz. — Você e Jason nunca se importaram de verdade, eu nunca tive alguém que se importasse de verdade, então me diga Jackson: Por que diabos você quer tanto saber quem fez isso, quando eu sei que não moveria essa sua bunda magra para fazer nada? 

Depois de desabafar ela arfou, segurando o hematoma, que pedia por cuidados. Ela abriu o armário de remédios, tirando álcool e soro. 

— Pouco importa que eu esteja grávida ou que meu namorado me bata, não é mesmo? — Ela fez uma careta, e eu não soube se foi pelo produto que passava ou pelo o que havia dito. — Você é lerdo demais para perceber ou tomar atitude sobre qualquer coisa. 

Eu peguei o algodão de sua mão e comecei a cuidar de sua costela, passando o antisséptico e tirando o pouco de sangue que restou. Depois de suas últimas revelações, ambos ficaram calados enquanto eu trabalhava, limpando o sangue de seu nariz e abraçando-a quando ela começou a chorar. 

— Por que não me contou? Sobre tudo. 

— Você não está nem aí, Jackson. Sempre negligencia tudo, e Jason... Ele não olha para nada que não lhe dê dinheiro. Eu estou sozinha nessa, ainda mais depois que deixei Luke de lado. 

— Não está mais sozinha, Thalia. Eu prometo que serei mais atento com você agora, mas por favor, me deixe por dentro das coisas a partir de agora. 

Ela sorriu, talvez grata e desacreditada de minha promessa, mas eu faria o possível para ser mais cuidadoso com ela. 

— Annabeth já sabe? — Eu perguntei e ela negou. 

— Só quem sabe é você, Luke e Nico.  

— Ele te bateu por causa da gravidez? 

— Não. — Ela negou, como se fosse um absurdo eu supor isso, mas não era. — Ele ficou bravo porque eu dormi com Luke ontem. Mas só dormir mesmo, não pense outra coisa. 

— Você precisa contar para sua amiga, e precisa também criar forças para terminar com esse otário. — Eu disse. — Antes que eu mesmo crie forças para deslocar aquele maxilar.



Notas finais do capítulo

Perseu sendo curado de seu pecado capital, o que tem a me dizer sobre isso?



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