Uma Mulher Especial escrita por Valdie Black


Capítulo 1
Uma Mulher Especial


Notas iniciais do capítulo

N/A: Escrevi essa história simples para iniciar o meu projeto de fanfics Starwoman (no Social Spirit) sobre as mulheres de Doctor Who antes da estreia da nova temporada. Queria que a Donna recuperasse as memórias e voltasse a viajar com o Doutor, eu também me perguntava como seria se ela conhecesse o Mestre então fiz a fanfic se passar durante o episódio "The End of Time" mas com algumas modificações. 

Boa leitura!



Donna recobrava a consciência lentamente, sua cabeça ainda doía muito.

— O quê…?

Ela esfregou os olhos com as mãos. Precisava de um calmante. Não, precisava de um drinque. Não, precisava de… de quem? Tinha alguém em mente mas o nome lhe escapava… quem era ele? Quem?

— Ah..! - exclamou. - O Doutor!

Foi como despertar de um longo sono. Assim que disse o nome dele sua memória voltou. O dia do seu casamento em que foi parar na TARDIS, aquela aranha gigante, as Indústrias Adipose, Pompeia, os Ood, Agatha Christie, Davros, Jenny, Martha, Jack, Rose… tudo voltou numa rajada. Lembrou-se principalmente daquela figura branquela e magricela que se chamava de “Doutor” mas que na verdade era um paspalho que ficava perdido sem ela.

— Vovô! - gritou, levantando-se do sofá em que estava deitada. - Vovô!

Não houve resposta. Tentou chamar pela sua mãe e seu noivo mas também não pareciam estar em casa. Donna teve uma sensação ruim, sabia que algo terrível tinha acontecido. Ela saiu de casa às pressas para descobrir que as ruas estavam completamente vazias do lado de fora. Não havia ninguém.

— O que está acontecendo?!

Donna sabia que aquilo só podia ser algo relacionado ao Doutor e gostaria que ele estivesse ali para lhe explicar tudo mas parecia ser um daqueles momentos em que ela precisava surgir para salvar o dia. Como ela faria isso? Estava sozinha!

Então Donna ouviu. Um som familiar. Um som que a deixou aliviada. Ela virou-se para descobrir que não estava sozinha, afinal. Estava com a TARDIS.

— Doutor!

Donna correu até a caixa de polícia azul e abriu as portas.

— Doutor! - repetiu, mas novamente não teve resposta. O Doutor não estava lá.

Donna aproximou-se dos controles. O que fazer agora? Não sabia pilotar aquela coisa e mesmo se soubesse não tinha ideia de onde o Doutor estava. Sua cabeça ainda doía e suas memórias eram muito confusas. Não sabia o que estava acontecendo.

— O que você quer de mim? - perguntou para a TARDIS, como se ela fosse lhe responder. - Sou apenas humana, não sei pilotar você. Eu nem sequer sei direito como vim parar aqui. Eu não sei de nada!

A nave apenas rangeu. Donna suspirou.

— Bem… ele gosta dessas alavancas, não é?

Ela puxou uma alavanca qualquer e esperou. A TARDIS fez o seu barulho esquisito de sempre mas Donna só teve certeza de que estava se mexendo quando ela balançou tanto que quase fez a humana cair no chão.

— Ei! - gritou, irritada.

A TARDIS parou. Donna demorou alguns minutos se recompondo antes de sair para ver onde fora parar. Era uma sala enorme, praticamente vazia exceto por…

— Doutor!

Ela o viu sentado numa cadeira, amarrado e amordaçado, e rapidamente foi até ele.

— O que é isso, homem? Você está dormindo logo agora?!

Sacudiu-o, porém o Doutor estava desmaiado. Donna tentou tranquilizar-se pensando que pelo menos ele estava vivo.

— Vou tirá-lo daqui, Doutor, e então você vai me explicar que palhaçada toda é essa que você fez. - disse, desamarrando-o.

— Alto lá! - gritou uma outra voz. - Quem é você? Como entrou aqui?

Donna ergueu a cabeça e viu um homem estranho entrando na sala.

— Quem sou eu? Ora, quem é você?! Essa é a pergunta certa.

O homem olhou para a TARDIS com espanto.

— Como você trouxe a TARDIS para cá? Como a encontrou?

— Escute aqui, rapaz… - disse, apontando o dedo indicador para ele. - … eu acabei de acordar com a pior ressaca que já tive na vida, minha família inteira sumiu, todo mundo sumiu e o Doutor está preso. Eu exijo uma explicação agora mesmo!

— Não, você não pode ser humana! Todos os humanos deixaram de existir.

Donna ofendeu-se.

— Como se atreve?! Eu não vou deixar um moleque me tratar desse jeito! Meu nome é Donna Noble e eu sou humana. O que diabos você é? Marciano?

— Eu não sou um moleque! Sou o Mestre, e sou um Senhor do Tempo.

— Não seja ridículo. O Doutor é o último dos Senhores do Tempo.

— É, ele gosta de dizer isso…

— E que conversa é essa de que todos os humanos deixaram de existir? O que foi que você fez?!

O Mestre fechou a cara.

— Sou quem faz as perguntas por aqui.

Ele apontou seu revólver para Donna.

— Pensa que eu tenho medo de você? Garoto, você não sabe o que eu já enfrentei na vida. Eu já fiquei de frente com Davros. Já vi o começo do mundo e o final. Já tentei fazer compras com a minha mãe. Um moleque com cara de vocalista de boyband não é capaz de me assustar.

Apesar das suas palavras, Donna estava mesmo assustada. Ela apertava a mão do Doutor com força, querendo que ele acordasse.

— Ah, eu entendi o que está acontecendo. Você é uma das amiguinhas dele. - indicou o Doutor com a cabeça. - Sim, ele está sempre correndo atrás de pessoas que façam o trabalho sujo. Bem, você está perdendo seu tempo se acha que pode salvá-lo. Eu eletrocutei o Doutor numa potência suficientemente forte para inutilizar a mente dele. Agora o Doutor não é mais eficiente que uma ameba.

— Você está muito enganado, Justin, porque o Doutor já era uma ameba antes e isso nunca o impediu de salvar as pessoas.

— Mestre! - corrigiu. - E tenho que concordar, o Doutor sempre foi uma ameba, mas agora ele não vai salvar mais ninguém.

— Sabe o que você é, Justin? Você é apenas um vilão de desenho animado que só pensa em conquistar o mundo mas nunca dá certo!

— Basta! Já cansei dessa sua gritaria toda. Não sei como você sobreviveu e não me importo, não vai ficar viva por muito tempo.

O Mestre atirou e Donna fechou olhos. Porém, ela não sentiu nada.

— Que diabos…? - ele perguntou.

Donna abriu os olhos novamente. A bala que tinha saído do seu revólver estava parada no ar. O Mestre atirou de novo e segunda bala também ficou parada.

— O que isso? - ele berrou, furioso. - Explique-se!

— Me explicar? Justin, o revólver é seu!

Ele jogou a arma fora.

— Certo, então vou ter que matá-la com minhas próprias mãos.

Donna afastou-se quando o Mestre caminhou até ela com as mãos erguidas

— Eu já vi o suficiente. - disse a voz do Doutor. - Vá dormir, Mestre.

Antes que o Mestre compreendesse o que estava acontecendo, o Doutor encostou seus dedos na cabeça dele e o fez desmaiar.

— Não devia ter me eletrocutado. Você sabe como meu corpo absorve tudo. - disse, soprando os dedos como se fossem armas.

— Doutor! - Donna gritou, aliviada. Ela deu um abraço nele e depois um tapa em seu rosto. - Quanto tempo faz que você está acordado? Que brincadeira foi essa? Quase me matou do coração!

— Eu acordei naquela conversa sobre ameba. - o Doutor respondeu, massageando o lado do rosto que recebeu a tapa. - Não fiquei ofendido, aliás. Amebas são seres interessantes.

— Justin disse que sua mente estava inutilizada.

— Ah, foi só um blefe. Ele queria te assustar, mas você agiu muito bem. Estou orgulhoso.

O Doutor olhou para ela emocionado. Donna não soube como responder.

— Certo, então… espera, os humanos! Onde eles estão?!

— O Mestre queria transformá-los em outra raça, mas algo deu errado. Uma falha. Todos desapareceram de repente porque a transformação não foi completa.

— Por que? O que aconteceu?

— Você, Donna! Você não se transformou e acabou virando uma espécie de bug no sistema. Por isso as balas não funcionaram. Você é um objeto estranho, que contradiz a realidade.

— Do que foi que você me chamou?!

O Doutor riu.

— Calma! Só estou dizendo que você é uma mulher especial. Não se lembra, Donna? Você é metade Senhor do Tempo, metade humana. Ele tentou mudar você, mas você não é completamente humana.

Donna lembrou-se. “Metade Doutor, metade Donna. O DoutorDonna”.

— Eu me lembro disso… mas… é uma lembrança estranha, como se estivesse opaca.

— A metade “Senhor do Tempo” parece estar adormecida em você agora. Donna, quando eu apaguei sua memória acabei alterando seu cérebro deixando essa parte “guardada”, digamos assim. Pensei que se você recuperasse suas lembranças de mim essa parte voltaria, mas parece que…

— Você estava errado?

— Eu ia dizer: parece que apenas isso não é o suficiente.

— Você estava errado. - ela concluiu. - Então, e os humanos? Como vamos trazê-los de volta?

— Ah, bem… temos que reverter o que o Mestre fez e eu não posso fazer isso sozinho. Donna, eu preciso da ajuda dos meus amigos.

— Os Beatles?

— Não, os Senhores do Tempo. Preciso ir a Gallifrey e pedir que alterem o que o Mestre fez.

— Mas, Doutor, eu pensei que Gallifrey…

— Sim, ela… foi destruída. - parou. - Mas acredito que existe uma forma de ir até lá num momento em que o planeta ainda não passou pela Guerra do Tempo.

— Isso está me dando dor de cabeça de novo.

— Donna, não vou mentir pra você, essa vai ser uma viagem longa e perigosa. Se quiser pode me esperar aqui, quando eu voltar só terá passado alguns poucos minutos pra você de modo que não fará diferença alguma.

— Você já quer me largar de novo?! Escute aqui, Garoto do Espaço, esse é o meu planeta e se eu sou a última humana que existe então eu vou lutar por ele custe o que custar!

O Doutor sorriu.

— Essa é minha Donna! A mulher mais importante do universo!

— E o Mestre? O que faremos com ele?

Eles olharam para baixo.

— Será que está dormindo de verdade ou apenas fingindo? - o Doutor teorizou.

— Deixe-me ver.

Donna pisou com força no rosto do Mestre.

— Dormindo. - concluiu.

— Certo, então vamos amarrá-lo e levá-lo conosco. Não podemos deixá-lo livre. - acrescentou quando viu o rosto irritado da outra.

— Está bem… mas se ele falar alguma coisa eu vou chutar a cara dele.

— Tem minha permissão.

— Não tinha pedido por ela!

Os dois amarraram e amordaçaram o Mestre, trazendo-o para a TARDIS junto com eles.

— Eu só não entendo uma coisa. - disse Donna. - Por que a TARDIS veio até mim sozinha?

— Ela fez isso? Hum… bem, sempre estivemos destinados a nos encontrar, Donna.

— Parece que nada vai nos separar.

— Sim.

— Nem mesmo você.

— Certo.

— Apagando minha memória…

— Desculpe…

— Ainda estou com raiva disso.

— Eu percebi.

Donna deu um sorrisinho. O Doutor mexeu nas alavancas e começaram mais uma aventura. O Doutor e a Donna na TARDIS. Para sempre.



Notas finais do capítulo

N/A: Donna Noble foi minha primeira personagem favorita da série, e foi ela que não me fez abandoná-la, por isso resolvi escrevê-la. 

Se eu queria escrever mais da aventura do Doutor e a Donna? Queria muito. Porém, a vida interrompe minhas ambições às vezes... bem, eu gosto de pensar que foi um final aberto interessante. É o que os dois merecem, um futuro. 

Caso tenham se interessado pelo projeto visitem meu perfil no Social Spirit para ler mais sobre ele!

=***



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Uma Mulher Especial" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.