Série Tempo e Amor - Parte V - Felizes Para Sempre escrita por Valdie Black


Capítulo 4
Christopher - Meio Caminho Certo


Notas iniciais do capítulo

N/A: Eu não ia postar esse capítulo agora, mas o fato é que fiquei muito deprimida hoje e queria fazer algo que me animasse. Não que esse capítulo seja exatamente "alegre", mas eu gosto de compartilhar meus escritos com as pessoas. 

A primeira parte é um flashback de uma época da vida desses personagens que eu sempre quis escrever mas não tinha um bom motivo pra fazê-lo antes. O título do capítulo foi inspirado numa música dos Linkin Park chamada "Halfway Right". Não sei, acho que eles combinam com o Chris. 

Espero que gostem do capítulo!



Abri a porta de casa tentando não fazer barulho. Com certeza meu pai já estava dormindo, pensei, mas logo descobri que estava enganado quando entrei na sala e lá estava ele sentado na poltrona.

— Você sabe que horas são?! - ele perguntou, quase cuspindo as palavras na minha cara.

— Muito tarde pra ficar acordado, não é? Você já devia estar na cama, pai.

— Não me venha com gracinhas. Já estava quase ligando para a polícia, só não fiz isso porque sabia que você ia ser preso quando te achassem.

— Quanta consideração…

Papai levantou-se e veio até mim. Estava furioso. Gostei disso.

— Tínhamos um acordo, Christopher. Eu disse que você podia fazer o que quisesse com seus amigos lá fora desde que voltasse antes da meia-noite.

— Desculpe, pai, eu perdi a noção do tempo.

— Pela quarta vez, Christopher! Já é a quarta vez essa semana que você “perde a noção do tempo”.

— Acontece quando nos divertimos…

Ele obviamente não gostou do que eu disse. Inspirou fundo antes de me responder.

— Já chega. Eu fui muito paciente com você, Christopher. Permiti que fizesse tudo que queria porque… mas está na hora de seguir em frente. Você não é mais criança.

— Engraçado, porque você me trata feito uma.

Encarei-o direto em seus olhos. Não tinha medo dele.

— Somente porque você age feito uma. Seus irmãos não são assim.

Dei uma risada sarcástica.

— Estava me perguntando quando é que você ia chegar na parte do “David é o filho perfeito que você nunca será”.

— David é responsável. Ele está indo bem na faculdade e, sim, você deveria ser mais como ele.

— Matt também está aqui ocupando seu espaço, por que você nunca tortura ele como faz comigo? - perguntei, apontando para o quarto onde Matt dormia.

— Matthew não me deixa preocupado tarde da noite sem saber onde ele está. Toda vez que você desaparece assim, Christopher, eu penso que está morto.

— Que alívio seria isso pra você, não é?

— Basta! - berrou. - Cansei dos seus chiliques e da sua rebeldia. Você vai dar um jeito na sua vida agora mesmo, rapaz, ou eu faço isso por você.

— E o que vai fazer, pai? Me deixar trancado no quarto como fazia quando eu era criança?

— Acredite se quiser, Christopher, mas eu era exatamente como você quando tinha sua idade. Selvagem, estúpido, inconsequente… mas a vida logo me ensinou umas boas lições. Você vai parar de sair com esses seus amigos delinquentes e vai arrumar um emprego. Funcionou para mim e vai funcionar para você também.

— Você e eu não somos iguais! Eu não sou um monstro egoísta como você.

— Me xingar não vai mudar nada. Já me acostumei com a sua falta de educação.

— Você não pode fazer nada comigo. Sou maior de idade.

— Eu sou seu pai! Sou responsável por você.

— Você não se importa conosco. Nem com o seu precioso David. Somos um peso na sua vida.

— No momento, Christopher, só você é um peso.

Senti como se ele tivesse arrancado meu coração do peito e pisado em cima dele. Claro que eu sabia que todo mundo naquela família me odiava, mas ouvi-lo dizer isso era diferente.

— Tem razão, pai, eu sou mesmo um estorvo.

— Não foi isso que eu quis dizer…

— Não, tudo bem. Eu não sou mais criança, então você não precisa mais conviver comigo… nem eu com você.

Dei as costas para ele e andei depressa até a porta.

— Onde você pensa que vai?! - papai gritou, me seguindo.

— Vou embora. Para sempre.

— Você enlouqueceu de vez?

— Não, papai, eu só estou fazendo o que todos que entram em contato com você fazem. - respondi, já com a mão na maçaneta da porta. - Mamãe morreu, David está com a Rose e logo o Matt vai sair daqui também. Ninguém quer ficar perto de você porque ninguém te ama.

— Seu…!

Ele agarrou meu braço com força. Pensei que fosse me bater. Queria que me batesse.

— Vá em frente. Prove que eu tenho razão. - provoquei.

Papai me encarou por alguns segundos, absolutamente furioso, mas se recompôs e me soltou.

— Suma dessa casa, então, já que é tão esperto. - ele disse. - Mas não volte aqui quando tudo na sua vida der errado.

— Fique tranquilo, não pretendo voltar.

Dito isso, abri a porta e sai. Sabia que papai estava me observando enquanto eu andava pela calçada. Mas não me impediu ou me seguiu. Eu não sabia dizer se queria que ele fizesse isso ou não.

Pensava muito no dia que saí de casa. Às vezes parecia que eu estava prestes a perdoar meu pai, influência da Clara Oswald, mas então essas lembranças voltavam com toda força. Era fácil para o David esquecer, ele sempre tentou agradar nosso pai e por consequência não recebeu o mesmo tratamento que eu recebi.

— Olá, Christopher! - dizia a voz da Clara na mensagem que não apaguei. - Como você sabe, eu e seu pai vamos nos casar neste sábado e entendemos se você não quiser comparecer, mas gostaríamos muito de revê-lo! Será no Castelo de Troughton às nove da manhã. Você pode pedir carona a qualquer um de nós, se quiser. Aguardamos sua resposta!

Não cheguei a responder, mas gostava de reproduzir a mensagem às vezes. Sentia falta da Clara, sim, mas era muito doloroso vê-la com aquele homem que era meu pai. Obviamente que ele precisa de alguém com bom senso, mas ela merecia coisa melhor. Era tão otimista, alegre e bonita. Papai arrancaria aquilo tudo dela.

Decidi que não iria ao casamento. Não. Não podia. Já vi aquele show de horrores uma vez, meu pai fazendo uma mulher maravilhosa sofrer, e não aguentava ver de novo. No entanto, eu sabia que ela ficaria chateada se eu não fosse. Acreditava que eu ainda podia perdoar minha família algum dia, e não estava totalmente errada. Eu perdoei o David, mas papai era outra história.

“Que se dane!”, pensei no último segundo. Clara fez muita coisa por mim e o mínimo que eu podia fazer para retribuir o favor era ir até esse casamento estúpido e fingir que estava tudo bem. Então vesti minha melhor jaqueta e o kilt e aluguei um carro. Tentei me fazer apresentável. Até banho tomei.

Assim que cheguei nos jardins do lugar encontrei meu pai conversando com Bill Potts. Ele me encarou quando notou minha presença.

— Olá, pai. - eu disse.

Bill me olhou surpresa, e papai tinha uma expressão interessante. Seria alívio?

— Bill. É bom vê-la, como vai?

— Bem. Você parece… ótimo.

— Esperava me encontrar magricela e desnutrido?

— Pra ser sincera, sim.

Sorri com a resposta dela.

— A comida fora da prisão é melhor.

— Faz tempo que não nos vemos, filho.

Olhei para ele brevemente e depois voltei para Bill.

— É, faz. Pensei que estava atrasado mas me parece que vocês nem começaram ainda.

— Esperávamos por você. - meu pai disse.

— Ah, desculpem. Não quis ser um empecilho.

— Não é.

— Com licença. - Bill falou. - Vou levar esse presente para dentro.

— Ah, merda! - exclamei. - Esqueci que se deve dar presentes nessas coisas. Agora não posso mais usar aquela desculpa esfarrapada de que eu estava na prisão e lá não tem muitas lojas.

— Não me importo de você não ter trazido um presente. - papai disse, Bill já tinha saído. - Saber que você está bem já me deixa contente, Clara também vai ficar.

— Sim, eu sei. Christopher, o encrenqueiro. Será que ele está morto? Será que ele matou alguém? Quem sabe o que este irresponsável anda fazendo agora? Acho que esse é o lado bom de ninguém confiar em você, não precisar dar presentes.

— Não quis dizer isso… é só que você esteve num mau momento e é bom saber que se recuperou.

— “Um mau momento” é o jeito educado de chamar aquilo. Obrigado, pai.

Ele suspirou de cansaço.

— Você distorce tudo que eu digo, Christopher.

— Então vamos logo começar esse casamento, não é? - mudei de assunto, não podia brigar com o noivo por mais que ele merecesse. - Acho que já atrasei vocês demais, não foi?

— Ainda podemos conversar. - ele olhou em volta. - Faz tempo que não ficamos a sós desse jeito.

— Você veio me visitar na prisão.

— Os guardas estavam lá.

Calei-me. Sim, de fato. A última vez em que conversamos sozinhos foi quando eu saí de casa. Sabia que ele estava pensando nisso também.

— Entendo que você não me diz onde está morando porque não gostaria de receber visitas, mas pode me dizer se é um bom lugar?

— Tem um banheiro. Um quarto. Já está de bom tamanho pra mim. Não sou muito exigente depois da prisão.

Ele assentiu.

— Estou trabalhando agora, pai. - falei, com um sorrisinho irônico. - Que tal isso?

— Imaginei que você estivesse.

— Pensei que ia ter que pagar pelas minhas dívidas, mas olha o que eu descobri… você já tinha pago!

Papai arqueou as sobrancelhas.

— Você não parece muito satisfeito com isso.

— O quê? Só por que eu queria encerrar esse capítulo da minha vida e seguir em frente mas meu pai não permitiu? Bobagem…

— Você nunca ia conseguir pagar aquelas dívidas, Christopher.

— Isso era prolema meu! - gritei, minha determinação de não brigar com o noivo foi jogada fora. - Nada daquilo lhe dizia respeito.

— Christopher, pelo amor de Deus, eu estava protegendo você. Algumas daquelas pessoas queriam lhe matar e eu sabia que você não tinha o dinheiro.

— Você não conhecia aquelas pessoas, pai, você não sabia nada sobre meu relacionamento com elas. Como sabia que iam me deixar em paz só porque você pagou a conta? Foi muito estúpido da sua parte!

— Talvez, sim. Mas eu queria que você saísse da prisão sem pendência alguma. Começar do zero. Eu queria que você fosse livre, Christopher.

— E o que eu queria, pai? Você chegou a pensar nisso? Em algum momento da sua vida você chegou a cogitar a hipótese de que talvez eu poderia querer algo diferente do que você espera?

Papai me encarou sem dizer nada. Balancei a cabeça.

— Clara vive dizendo que você mudou, mas eu não vejo diferença alguma. Talvez os cabelos brancos.

— Tudo que eu fiz por você, Christopher, é porque eu te amo.

— Você não sabe o que é amar alguém! Você só quer controlar as pessoas, fazê-las agirem de acordo com a sua vontade.

— Desculpe, Christopher. Eu… realmente não percebi…

— Não, você nunca percebe.

Ele passou um tempo olhando para a grama do jardim, pensando no que dizer.

— Você tem razão, eu sempre acho que sei do que todos precisam. Sou seu pai, Christopher, era meu trabalho cuidar de você e fracassei.

— Tudo bem, pai. Você nunca quis ter filhos, então não posso culpá-lo por ter raiva de nós.

— Também não queria me casar outra vez e aqui estou, apaixonado pela Clara. É verdade que eu não queria ter filhos, mas não tive raiva de vocês depois que chegaram.

— Sei…

— Falo sério! Sim, alguns momentos foram difíceis. Mas você só se lembra desses momentos, eu me lembro dos bons momentos também.

— Que bons momentos?!

— Quando vocês chegaram em casa pela primeira vez, recém-nascidos. Sua mãe estava muito feliz, e eu os segurei em meus braços… cada um de vocês era diferente e eu senti um senso de responsabilidade e uma alegria imensa.

Cruzei os braços.

— E o que mais?

— Eu me lembro quando você falou “papai” pela primeira vez e eu me lembro de todas as vezes que você riu de uma piada que eu fiz. Ah, sim, houve piadas! Não se lembra?

— Na verdade, não. Só me lembro de você gritando comigo porque eu não era tão comportado quanto o David.

— Por que você prefere sentir raiva de mim do que me perdoar?

Arregalei os olhos.

— Sério?! Você acha que eu prefiro isso? Eu odeio isso, pai. Odeio ficar pensando nisso e até ter pesadelos. Odeio que toda vez que olho pra você eu sinto essa raiva… esse… medo…

Afastei-me dele, involuntariamente.

— Sinto muito por fazê-lo se sentir assim. Se servir de consolo… eu também tenho muita raiva de mim.

— Ah, é? Mas aposto que deve ser fácil de lidar com essa vida maravilhosa que você tem. Uma mulher que te ama e coisa e tal. Adivinha o que eu tenho? Nada!

— Não, Christopher, não é fácil. Na verdade, ter muitas coisas só deixa tudo mais difícil. Não posso sentir luto, tristeza, raiva… não posso me deixar levar como você faz. Muitas pessoas dependem de mim. Clara depende de mim. Bill depende de mim. David depende de mim. Até você depende de mim, mesmo que não goste de admitir.

— Do que está falando? Não somos crianças.

— Ano passado eu fui parar no hospital e olha só o pânico que aquilo causou. Eu não tenho um substituto. Quando eu saio, ninguém pode cuidar das coisas por mim. Ninguém pode fazer o que eu faço. Nem a sua mãe podia.

Olhei para baixo. Não estava com vontade de falar sobre ela, mas papai continuou.

— Quando sua mãe morreu, vocês choraram mas eu tive que sair para cuidar do funeral. A herança. A imprensa. Quando isso acabou e eu pensei que teria tempo para chorar descobri que agora tinha de tomar conta de você e dos seus irmãos. Sempre foi assim. Eu sempre tive coisas que dependiam de mim. Christopher, eu tenho quase sessenta anos de idade e eu nunca tive tempo para o luxo da indignação.

— Bem, vamos ser sinceros, pai. Você não era louco de amores pela mamãe. Só casou com ela porque ela estava grávida.

— E daí? Ela era minha companheira. Nós trocamos votos. Eu quebrei alguns deles, verdade, mas eu também cuidei dela quando ela ficou doente e ficamos juntos até o fim. Eu a vi morrer e isso me traumatizou também. Você não é o único que sentiu a falta dela.

— Desculpe, mas acho difícil de acreditar. Eu vi como você era com ela, papai. Vocês brigavam constantemente, mamãe tinha depressão e você foi cruel com ela.

Senti meus olhos arderem. Papai se aproximou de mim e eu dei mais dois passos para trás.

— Sei que é mais fácil para você pensar que sua mãe foi um anjo que nunca fez nada errado e que eu sou o demônio que estragou a vida dela, mas eu conhecia sua mãe há muito mais tempo que você. Ela sempre teve problemas com vícios, ela era rude com os outros e sabia ser egoísta. Eu sei que isso é difícil de ouvir, mas você sabe que é verdade.

— Não justifica o que você fez com ela.

— Nem o que ela fez comigo. A depressão dela não era um passe livre para todas as chantagens emocionais que ela fazia. Nós dois cometemos erros, só que ela era uma mãe maravilhosa e por isso você não percebeu seus defeitos.

Eu percebia sim. Claro que eu sabia que minha mãe não era uma santa.

— Ela sempre gostou mais do Matt. - eu disse. Minha voz saiu estranha, cortada.

— Matthew era uma criança alegre, estava sempre sorrindo. Ela precisava disso na época, mas amava todos vocês.

— Meu Deus, os dois estão mortos!

Quando percebi isso dei as costas para o meu pai. Não queria que ele me visse daquele jeito.

— Sim, infelizmente seu irmão se juntou a ela por causa de um erro estúpido. Eu também não tive tempo de sentir indignação.

— Ah, mas aposto que não foi uma época difícil, seu… - fechei as mãos em punhos, estava tremendo de raiva. - … você estava com a Clara…

— Já discutimos muito sobre isso. Tivemos um julgamento inteiro discutindo isso, Christopher, e eu não vou admitir que infernizem a Clara com esse assunto de novo. Mesmo que ela não esteja aqui.

— Não é disso que estou falando. É só que tudo deu certo pra você e isso é tão injusto. Não digo que esse devia ser o casamento do Matt porque ele mentiu pra Clara e não a merece também… mas… Jesus Cristo, ele morreu! Ele morreu e você ganhou o final feliz! Isso é tão injusto.

— Christopher, não sei o que lhe dizer. Você pensa que sou um monstro que não a merece e talvez seja verdade, mas para o bem ou para o mal a Clara escolheu se casar comigo. Sim, eu tentei conquistá-la mas ela não é uma garota estúpida que veio até mim porque eu chamei seu nome e estalei os dedos. Ela é uma mulher inteligente que sabe o que faz. Já disse “não” para mim várias vezes e eu me esforcei para ser um homem melhor por causa dela. Você deve saber do que estou falando porque também se apaixonou por ela.

— O quê?!

Virei-me para ele de novo. Papai parecia abalado.

— Eu suspeitava disso, mas agora tenho certeza.

— Do que está falando?!

— Você estava sozinho e abandonado. Ela apareceu e o fez sentir-se como uma pessoa de novo. Eu conheço muito bem o efeito que a Clara Oswald tem em homens assim.

— Eu gosto dela, mas não…

— Você não gosta de me ver com ela porque sente inveja e ciúmes. “Por que meu pai foi um babaca sua vida inteira e ganhou a garota dos sonhos dele enquanto eu fico aqui sem nada?”, é isso que você sente. Você quer o seu final feliz e projeta seus sentimentos no Matthew.

— Você está delirando!

— Não estou com raiva de você, filho. Eu senti a mesma coisa quando David casou-se com a Rose de novo. “Por que ele teve a família de volta mas todos me rejeitam?”.

— EU NÃO SOU COMO VOCÊ! - urrei. - EU NUNCA FUI COMO VOCÊ E NUNCA SEREI!

— Não. Você é um homem melhor. Nunca admitiria que sente isso. Nunca tentaria roubar a Clara de mim.

— Claro que não! Ela não é um relógio ou algo assim pra eu “roubar” de você. Ela é só… a Clara.

Não aguentei mais e sentei no chão. Comecei a chorar feito uma criança. Papai ajoelhou-se ao meu lado.

— Você está livre agora. - ele disse. - Livre da prisão e até da sua família, se quiser. Vai encontrar alguém que vai te dar tudo você precisa como eu encontrei.

— Por que é tão difícil?! Por que eles tiveram de morrer?!

— Eu não sei, filho. Acho que às vezes precisamos nos lembrar de que a vida é curta e não podemos desperdiçá-la.

Eu o encarei, ainda tremia de raiva quando disse:

— Se você fizer a Clara sofrer eu vou lhe dar um tiro e dessa vez não vai ser pra aleijar. Estou falando sério. Dê tudo que a Clara quiser e nunca reclame de nada. Você o homem mais sortudo desse mundo, seu filho da mãe.

— Se ela sofrer por minha causa, então eu mesmo lhe entrego o revólver.

— Então estamos entendidos?

Ele concordou e abriu os braços para mim.

— Você acha mesmo que eu quero um abraço seu agora?

— Acho.

Eu olhei para ele e finalmente dei-lhe um abraço. Papai me segurou até que eu me acalmasse, o que demorou bastante. Fiquei surpreso quando ninguém apareceu para nos procurar.

— Você acha que perderam a paciência e encontraram qualquer cara de cabelos brancos pra substituir você no altar? - perguntei, limpando as lágrimas do rosto.

Ele riu. Nós nos levantamos do chão e fizemos o que minha família sabe fazer de melhor, fingir que nada aconteceu. Só que era um pouco diferente dessa vez. Eu não senti mais tanta raiva olhando para o meu pai.

— Vamos, a Clara vai gostar de vê-lo. - ele falou, segurando meu braço.

Caminhamos juntos pelos jardins até chegarmos ao castelo. Pensei que todos iam me saudar com aquele choque inicial de “não acredito que você ainda está vivo” mas ninguém se importou porque estavam preocupados com outra coisa.

— Peter, finalmente! Venha rápido! - disse Amy Pond, agitada. - É a Clara. Algo aconteceu com ela.



Notas finais do capítulo

N/A: Não sei dizer quando vou postar o último capítulo porque ainda não terminei de escrevê-lo e acho que vai ser maior que esse, mas não vou deixar vocês nesse suspense por muito tempo. 

=***



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