Meu nome não é Demi escrita por Caique Morningstar


Capítulo 3
3 — O mistério Castlebury


Notas iniciais do capítulo

Muito obrigado MeireMRL pelo comentário! ♥♥♥ Espero que goste do capítulo!

E vocês, fantasminhas, podem comentar também, ok? Eu respondo a todos os comentários!



 

“Expecto Patronum!”

 

A monitora da Sonserina, Emily Ackerley, guiou os primeiranistas até as masmorras. Demi estava encantada com o lugar: os archotes, os quadros murmurando e se movendo, as centenas de escadas, portas e detalhes magníficos na construção. Por fim, Emily chegou a uma parede lisa.

— Serpensortia — disse, e a parede se abriu. — Não se esqueçam da senha, garotos.

Todos entraram. Demi logo percebeu que as janelas davam para as profundezas do lago. Estranhas criaturas aquáticas perambulavam por ali, lhe passando a sensação de estar dentro de um navio naufragado. Várias tapeçarias medievais cobriam as paredes, e lanternas de prata pendiam do teto. Ela se identificou muito com o local, sentindo que aquele lugar era o mais próximo que teve de um lar nos últimos anos.

Os primeiranistas se acomodaram numa cadeira para ouvir o discurso de início de ano, enquanto os outros alunos chegavam e observavam os novatos com franca curiosidade.

— Encarando para tentar adivinhar nossos sobrenomes — sussurrou Scorpius ao seu lado.

Demi se lembrou do livro que lera no trem. A Sonserina era conhecida pelo alto número de famílias antigas e puro sangue, além da tendência para as artes das trevas. Ela imaginou se Castlebury era um sobrenome conhecido entre eles.

A monitora começou a discursar; pouco tempo depois, outro monitor se juntou a ela, ganhando um olhar assassino de Emily pelo atraso.

Demi não ouviu muita coisa; sua cabeça pesava de sono. Apesar de não parecer, aquele dia tinha sido cansativo e cheio de novidades para absorver. Apenas algumas palavras penetraram sua mente: Merlin, honra e tradição, elite, bruxo famoso… Até que uma palavra específica despertou sua mente.

— ...medo, por causa de nossa reputação sombria, mas quer saber? Pode ser divertido ter a reputação de andar do lado errado. Dê algumas dicas de que você tem acesso a uma biblioteca inteira de maldições, e veja se alguém vai querer roubar o seu estojo.

Demi sorriu. Estava na casa certa.

 

 

 

Depois do discurso, os alunos se dispersaram. Demi estava indo para o dormitório, bocejando, mas seu caminho foi barrado por duas garotas mais velhas.

— Castlebury, hm? Não conheço seu sobrenome — disse uma delas. Ela tinha uma pele morena e cabelo curtos e negros, e seus braços eram mais musculosos do que se esperaria de uma garota. Não parecia ter mais de 15 anos.

— E? — disse Demi.

— A Mary conhece todas as famílias bruxas na Europa — disse a outra, uma loira alta e esguia, com um tom de voz professoral e monótono. — Se ela não conhece o seu, isso só pode significar que você é nascida trouxa. — O nariz dela se torceu em desprezo.

— Maria — corrigiu a morena. — Você nunca vai aprender a falar meu nome?

— Mary é mais fácil — a loira deu de ombros, e então voltou a encarar Demi. — Então? Vai nos falar de onde você é?

— Sou sangue puro — respondeu, agradecendo mentalmente a informação do Chapéu Seletor, e se voltou de novo para o dormitório.

Maria segurou seu braço, impedindo-a de continuar. Demi a encarou, sentindo cheiro de desafio.

— Pois não, Mary? — perguntou, errando o nome de propósito. Os olhos dela se estreitaram.

— Como você pode ser puro sangue se eu não conheço seu sobrenome, sua bastardinha?

— A culpa não é minha se sua pesquisa não foi completa — retrucou Demi, começando a ficar irritada. O que ela tinha a ver com aquilo? Que obsessão estranha com sobrenomes. Os outros alunos da Sonserina não pareciam tão obcecados.

Uma risada se espalhou pelo salão comunal como fogo de rastilho depois da resposta de Demi. O rosto de Maria ruborizou, e ela deu um pequeno empurrão em Demi, soltando-a.

— Tome cuidado. Não vai querer virar inimiga de uma serpente.

Demi deu um pequeno e inocente sorriso, cuidadosamente calculado.

— Querida, a serpente aqui sou eu.

Eles ainda não sabiam quem ela era. Mas iriam.

 

 

 

Ao entrar no dormitório das meninas, seu malão já estava ao lado da cama. Um pequeno armário embutido na parede lhe permitia guardar seus pertences, e lá dentro ela encontrou seu quadro de horários. As aulas começariam amanhã - num sábado! Naquele fim de semana, eles seguiriam o horário de quinta e sexta. Aparentemente os professores não queriam que os alunos começassem o ano de folga.

Enquanto as outras primeiranistas fofocavam sobre a escola e o que fariam dali pra frente, Demi preferiu ficar sozinha, pendurando as longas vestes de Hogwarts, dobrando blusas e saias e arrumando livros.

— Então, Catslebury — disse Alissa Zabini, retirando-a bruscamente de seus pensamentos. — Você não é uma total inútil como eu pensava, se veio parar na Sonserina.

Demi a olhou. O sorriso de Alissa não chegava aos olhos. Abriu a boca para argumentar e, de repente, se deu conta da diferença de idade entre as duas. Alissa realmente tinha 11 anos, enquanto Demi, mentalmente, já tinha 21.

Não sabia dizer se argumentos racionais e lógicos funcionariam com alguém tão jovem, praticamente uma criança. Talvez estivesse julgando Zabini muito precipitadamente, mas e daí? Seu tempo era muito precioso para perder com a garota.

Na dúvida, apenas sorriu e voltou a arrumar suas coisas.

— Você é retardada, garota? Vai ficar calada o tempo todo que estiver aqui?

— É assim que você trata suas companheiras de casa, Alissa? - perguntou uma outra garota. Demi a olhou. Era uma indiana bonita, de olhos escuros e inteligentes.

— Ué, o que mais eu pensaria de uma garota muda?

— Desculpe, Alissa. Mas é que eu não gosto de perder tempo com coisas inúteis — disse Demi, e as outras garotas gargalharam. O rosto de Alissa inchou de fúria.

— Você vai se arrepender disso, Castlebury.

Demi apenas deu de ombros, indiferente às inimizades que conquistara. Não se importava realmente com o que os outros pudessem pensar sobre ela, pois sua vida não dependia daquilo. Só queria que a deixassem em paz, e se precisasse usar de suas habilidades para isso, iria. Caso contrário, teria prazer em seguir uma vida tranquila.

Quando terminou sua arrumação, enfiou o malão vazio debaixo da cama e pegou o livro sobre Hogwarts para continuar a leitura. Sentia-se atrasada em relação aos seus colegas naquele mundo novo, então queria buscar o máximo de informação possível.

 

 

 

Sentiu uma sacudidela suave no ombro.

— Demetria?

Ela abriu os olhos, se sentindo ainda sonolenta. O rosto da indiana entrou em foco lentamente.

— Oh — disse, se sentindo confusa. Não se lembrava de ter pegado no sono. Ao se ajeitar na cama, um livro caiu no chão.

— Está na hora do café. A propósito, não me apresentei, não é? Meu nome é Morgana Patil.

Olhou para a indiana, tentando se lembrar do que estava acontecendo. Lentamente, ela se situou. Ainda estava no mundo de Demetria, em Hogwarts. Não havia voltado para sua vida. Não sabia se sentia alívio ou pânico.

— Demetria Castlebury, mas pode me chamar de Demi.

Levantou-se, tomou um banho rápido no banheiro adjacente, vestiu o uniforme e deu uma olhada no espelho.

Que uniforme horroroso. Usava meias ¾, uma saia plissada cinza, um suéter da mesma cor sobre uma camisa branca e uma gravata verde e prata. Também tinha uma capa longa para os dias mais frios, mas não a pegou. Demi sabia que este corpo já possuía algumas curvas da adolescência, então puxou a saia um pouco mais para cima, colocando-a sobre o suéter e amarrando os laços atrás com firmeza. Sua cintura ficou um pouca mais demarcada, e sentiu uma certa diferença no comprimento da saia, destacando mais suas pernas. Isso a fez se sentir melhor, mas o cabelo ainda a incomodava.

Quando era Delilah, tinha o cabelo tão curto quanto o de um homem. Agora, naquele corpo, seu cabelo era comprido até a bunda, pesado e extremamente liso, do tipo que não parava em nenhum penteado. Imaginou se Demetria se incomodaria se ela mudasse um pouco o corte. Talvez até o ombro…

Não, não deveria fazer aquilo. Não sabia que relação a garota tinha com o cabelo, não podia sair modificando o corpo dela a torto e a direito.

Mas, por outro lado, estava num mundo de magia. Magia de verdade, com direito a castelo mágico e tudo mais. Se Demetria voltasse, ela podia muito bem fazer um feitiço para o cabelo crescer. Diferentemente de Delilah, que jamais recuperaria as finanças se Demetria por acaso as gastasse.

Sua sobrancelha se franziu. Fora atirada num mundo desconhecido, forçada a aprender a lidar com magia sem demonstrar nenhum estranhamento e corria o risco de perder todo o dinheiro que acumulara durante anos na outra vida. Além disso, sua situação estava à mercê do destino: num dia podia ser Demi e no outro acordar Delilah. Não tinha controle sobre o que aconteceria. E não podia mudar um corte de cabelo?

Movida por um sentimento de rancor contra a situação que se encontrava, ela se decidiu.

— Morgana, você sabe de alguém aqui que possa me ajudar a cortar meu cabelo?

— Talvez a monitora, não? Mas ela já deve estar no salão principal, podemos perguntar.

— Ok. Você sabe onde fica? — perguntou, na dúvida se essa pergunta era incomum ou não.

— Não, mas podemos procurar juntas.

As duas caminharam pelos corredores do castelo, procurando. Felizmente, sempre havia um ou outro estudante passando para que elas pudessem se orientar.

Quando finalmente chegaram ao salão principal, a primeira coisa que Demi fez foi procurar a monitora.

— Emily — disse Demi, quando a encontrou. — Posso te pedir ajuda em uma coisa?

— Claro, Demetria. O que você precisa?

— Eu queria mudar meu corte de cabelo, mas não sei como fazer isso. Você sabe algum feitiço pra me ajudar?

— Ooh, eu adoraria te ajudar com essa mudança de visual! Primeiro, me deixe terminar o café, temos um tempinho antes das aulas começarem, e eu te ajudo com isso.

Demi deu um largo sorriso.

— Obrigada. E pode me chamar de Demi.

Ela e Morgana sentaram-se à mesa. Era estranho, mas Demi se sentiu mais próxima de Morgana do que de Rose. Talvez fosse porque a primeira não sentia necessidade de preencher o silêncio com tagarelice. Ou porque ela a havia defendido de Zabini, a acordado para não se atrasar, e ainda a ajudado a encontrar alguém para cortar seu cabelo.

Demi começou a se perguntar se isso era a verdadeira amizade, ou se era o fraco elo que tinha com Rose, ou ambos, ou nenhum.

A fartura do banquete do dia anterior se repetia no café da manhã. Havia pilhas de frutas da estação, gelatina, waffles, pães, mel, geléia, manteiga, bolo de chocolate, dois tipos de queijo, leite, suco de abóbora, ovos mexidos e pêssego em calda. Faminta, decidiu pegar um pouco de tudo. A comida parecia inesgotável.

— Quais aulas temos agora de manhã? — perguntou Morgana. Demi pegou o quadro de horários do bolso da saia para conferir.

— Hmm… Defesa Contra as Artes das Trevas, aulas duplas com a Grifinória. — Morgana franziu os lábios com a resposta, de repente voltando a atenção para o próprio prato.

— Algum problema?

Ela negou com a cabeça, mas não a convenceu.

Depois de comerem, as duas se levantaram para aguardar por Emily, que logo as levou até o banheiro feminino daquele andar. Demi não soube porque Morgana a acompanhara até ali também. Supôs que isso fizesse parte do processo de amizade. Parecia exaustivo.

— Como você quer o corte, Demi?

Ergueu a mão para mostrar a altura que gostaria. Morgana arfou.

— Tanto assim? Nossa! Você é corajosa.

— Tem certeza, Demi? Cortar o cabelo é fácil, mas eu não sei fazer crescer!

Por um momento sua intenção vacilou, mas o rancor a fez se decidir.

— Tenho sim!

— Ok. — Emily pegou a varinha e começou o feitiço de corte lentamente, tomando cuidado para não tremer a mão. Em poucos minutos o corte joãozinho estava pronto, e uma franja desalinhada cobria parte da testa de Demi. A monitora gastou ainda alguns minutos para dar os toques finais com um repicado.

Quando se voltou para o espelho para ver o resultado final, Demi gostou imensamente. O visual novo era bem mais prático que o anterior, e Emily tinha uma mão boa para o corte. O repicado nas pontas dava uma aparência moderna.

— Se você pretendia se destacar em Hogwarts, parabéns, acabou de conseguir. Você é a única da escola inteira com esse corte.

Morgana a olhava com uma expressão curiosa no rosto. Demi a olhou.

— O que foi?

— Vamos para a aula logo, antes que me dê vontade de cortar também! — respondeu, e as três riram.

 

Elas chegaram na aula em cima da hora, e Demi acenou para Rose à distância antes que o professor entrasse.

— Bom dia, alunos. Eu sou o professor Ted Lupin e ensinarei Defesa Contra as Artes das Trevas.

Demi olhou para o professor e se surpreendeu. O cabelo dele era azul-céu e parecia muito jovem, talvez até mais jovem que Delilah. Não sabia que a escola contratava professores nessa faixa etária.

— Que gato — sussurrou Morgana ao seu lado. — Nunca imaginei que essa escola tivesse um professor desses! — continuou, fazendo Demi rir. Aquele lado de Morgana era novo. Albus, que estava sentado com Scorpius uma cadeira à frente das duas, se voltou para encará-las.

— Será que dá pra parar de flertar com meu primo?

— Ele é seu primo? Me apresenta, Albus! — sussurrou Morgana.

O Prof. Lupin começou a chamada. Ao chegar no nome de Demi, ela viu o mesmo olhar de preocupação e medo em seu rosto. Parecia que todos os adultos ali conheciam seu sobrenome. Era realmente curioso o fato dos alunos não a reconheceram, mas os professores sim. Lupin a encarou de forma nada sutil, fazendo-a enrusbecer.

— Bem, ele não é exatamente meu primo, mas é como se fosse da família, ainda mais agora que namora minha prima Victoire…

— Ah, que pena que é comprometido, mas eu não tenho ciúmes.

Albus rolou os olhos e voltou a olhar para frente.

— Garotas — murmurou.

— Garota — corrigiu Demi. — Não me inclua!

Scorpius riu, balançando a cabeça em descrença.

Ted terminou a chamada e encarou a turma.

— Houve recentes modificações na grade curricular de Hogwarts. A diretora McGonagall dividiu o ensino de feitiços entre as disciplinas, permitindo que o professor Flitwick se foque em ensinar feitiços mais comuns, enquanto aqui na minha aula vocês aprenderão feitiços de defesa pessoal. Esse ano vocês também aprenderão a identificar perigo nas redondezas e os animais perigosos mais comuns que vocês podem precisar lidar. Hoje vamos aprender o feitiço Pericullum. É um feitiço bem simples, mas serve como um pedido de ajuda. Por favor, peguem suas varinhas.

Demi pegou sua varinha, sentindo aquele familiar formigamento nos dedos. Não era uma sensação ruim, mas ela sentia que algo não estava certo. Como se a varinha tivesse consciência de que não estava na presença de sua dona original, mas cedesse à vontade dela mesmo assim.

— O feitiço Pericullum irá lançar centelhas vermelhas sobre sua cabeça, marcando o local onde você está por alguns momentos, podendo variar entre alguns minutos e algumas horas, dependendo da força da sua intenção. É um ótimo feitiço para alertar as pessoas de que algo de errado está acontecendo, marcar um local específico, e também é uma forma de pedir ajuda. Vamos treinar o encantamento. Repitam comigo: Pericullum!

— Pericullum! — disse toda a classe, e faíscas vermelhas apareceram repentinamente sobre a cabeça de Rose. Ted se voltou para ela, parecendo surpreso.

— Srta. Weasley, estávamos apenas treinando o encantamento, não a magia em si.

A sala inteira gargalhou, deixando Rose escarlate.

— Mas, pela execução perfeita do feitiço… Cinco pontos para a Grifinória.

As risadas morreram e Rose abriu um sorriso tímido.

— Sabe-tudo — Demi ouviu Albus cochichando com Scorpius, mas seu tom de voz era fraternal.

O Prof. Lupin demonstrou o movimento exato a ser feito com a varinha e, após alguns minutos de prática, ele indicou que os alunos já poderiam tentar o feitiço. Seguiu-se uma salva de “pericullum!” por toda a sala, mas apenas Demi e Rose fizeram o feitiço corretamente desta vez. Albus e Scorpius precisaram de duas tentativas para entender o feitiço, enquanto Morgana precisou tentar quatro vezes. Por fim, havia centelhas vermelhas na cabeça de cada um dos alunos na sala, e o Prof. Lupin bateu palmas para chamar a atenção de todos.

— Muito bem, muito bem! Parabéns, todos conseguiram. Como temos aulas duplas hoje, acredito que teremos tempo para começar a aprender uma segunda magia: Expelliarmus. É uma magia bem mais complexa do que a primeira, então não se decepcionem se não conseguirem executá-la hoje.

Todos abaixaram suas cabeças para ler o capítulo sobre a magia de desarmar. O Prof. Lupin os fez recitar o encantamento várias vezes, sempre citando a importância de dizer corretamente as palavras. Eles treinaram o movimento com a varinha exaustivamente, e Ted corria de aluno em aluno corrigindo a posição. Antes que pudessem efetivamente testar a magia, o grande relógio de sala soou o fim da aula. Eram 10:30 da manhã, e eles tinham trinta minutos para comer algo antes que a próxima aula começasse.

— Dever de casa: pratiquem expelliarmus. De acordo com o horário de vocês, neste sábado estamos seguindo o horário de quinta, então amanhã teremos uma nova aula, onde vamos executar esta magia. Dispensados!

Demi rapidamente juntou suas coisas e saiu da sala, mas não foi tão rápida quanto Morgana, que já estava descendo as escadas para o salão principal enquanto ela ainda passava pela porta.

— Demi! — A voz de Rose soou por detrás dela.

— Oi, Rose!

— Vamos descer para o lanche juntas? Estou com saudade de você, por que foi parar numa casa diferente? — Rose fez uma encenação de beicinho de tristeza, fazendo Demi rir. Não se lembrava de ter rido tanto assim em sua outra vida. Hogwarts parecia encher sua mente de vitalidade, como se estivesse… Demi não conseguia definir a sensação.

Rose também sorriu.

— Amei seu cabelo! — exclamou.

As duas se atualizaram em relação aos acontecimentos, citando as coisas bonitas de suas salas comunais. Demi decidiu não comentar sobre o que acontecera antes, com Maria. Seu sobrenome estava causando muito alvoroço, e não quis chamar ainda mais atenção sobre o caso. Ao invés disso, contou o que acontecera no dormitório, com Zabini.

— Desde a primeira vez que a vi eu sabia que ela não prestava — disse Rose. Demi lembrou-se de que a ruiva havia ficado inchada de orgulho com a menção que Alissa havia feito de sua mãe, mas preferiu não discordar.

Chegaram ao salão principal.

— Vamos visitar o Hagrid hoje? — perguntou Rose, antes de ir para a própria mesa. —  Talvez ele nos dê alguma pista sobre essa coisa da sua família.

Demi assentiu, lembrando-se do olhar do Prof. Lupin. Despediu-se de Rose e foi se sentar ao lado de Morgana, que já devorava uma torrada com geleia.

— Por que saiu da sala daquele jeito, como o diabo fugindo da cruz?

A indiana terminou a torrada e deu um breve suspiro.

— Bom, não faz sentido esconder… É que meus primos são da Grifinória.

— Seus primos? — perguntou Demi, vasculhando a mesa da Grifinória. Logo notou uma garota e um garoto bem parecidos com Morgana, sentados a uma cabeça de Rose.

— É. Filhos gêmeos da minha tia, Parvati. Eu nunca me dei bem com eles, e agora eles devem me odiar mais ainda por ter ido pra Sonserina. Não preciso conviver com esse tipo de gente tóxica, mesmo sendo da minha família, então prefiro evitar ficar perto.

Demi entendia perfeitamente a posição de Morgana, e se sentiu feliz por ela ter conseguido se livrar tão rápido. Demi não teve a mesma sorte.

— Entendi. Mas se eles te maltratarem, pode contar comigo pra te defender! — Era isso que amigos faziam, não era? Aliás, elas eram amigas? Demi não conseguia entender.

Morgana sorriu.

— Obrigada, Demi. Bem que o chapéu mencionou a força da amizade aqui na Sonserina…

Com esse comentário, Demi pensou pela primeira vez que talvez sua seleção para a Sonserina não estivesse tão certa assim.

 



Notas finais do capítulo

O que acharam? Vale um reviewzinho do amor? ♥



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