Calisto escrita por Odd Ellie


Capítulo 4
Capítulo 3 - Procedimentos de Socorro (Newt, Meera)




Newt

Uma vez quando ele era uma criança Newt e seus pais foram para a lua. A lua da terra, a única que o planeta que era a origem da humanidade tinha. Não como aquela que ele se encontrava agora que era uma entre setenta e nove.  

Tinha sido apenas uma parada de apenas três horas esperando pelo próximo transporte para a Terra, eles ficaram duas semanas lá, e ele se lembra de antes de entrar na câmara de hibernação da nave em Marte ele se lembra da animação de seus pais com relação a primeira viagem de Newt ao berço da humanidade, e foi divertido ele viu muitas coisas interessantes nessa viagem, mas foram aquelas três horas na lua da Terra que brilharam em sua memória nos anos que seguiram, havia um lugar na estação lunar para apenas recreação em baixa gravidade e ele e seus pais foram e ficaram brincando dando cambalhotas no ar, usando esses bastões enormes de espuma pra se jogarem contra as paredes acolchoadas. Foi realmente divertido. Ele estava flutuando novamente agora, mas ele não estava se divertindo.

Ele estava vivo. Mas ele não estava bem.

Tinha tudo acontecido bem rápido, ele e a garota que tinha se apresentado a ele como Amala tinham sentado na cabine ao lado da porta do vagão restaurante. Duas cabines atrás deles estava Mae Choi, ele se sentou de costas para ela.

“Ela estranhou quando ela me viu ?” ele disse em um sussurro para Amala que se sentou do outro lado da mesa.

“Eu acho que ela nem notou a gente entrar” Amala sussurrou de volta.

Uma moça usando um avental com o logo do trem celestial veio até eles sorrindo.

“Bom dia meu nome é Joana, vocês já sabem o que vocês vão querer ?”

“Café com um pouco de leite pra mim por favor” Newt disse.

“Café também pra mim, puro” Amala disse.

“Certo. Já trago”

O minuto que seguiu foi um tanto estranho, Newt não era muito do tipo que aleatoriamente pedia garotas que ele tinha acabado de conhecer para tomar café com ele. Lhe ocorreu talvez perguntar a ela o que ela estava indo fazer em Valhalla, mas junto com esse pensamento veio outro que ela interpretaria isso como ele estar querendo saber essa informação para seguir ela depois.

Antes dele decidir se esse era um medo racional ou não Amala se inclinou sobre a mesa e disse :

“Você não vai ir pedir a sua selfie ?”

“Eu acho que eu vou esperar estar eu estar mais perto do meu ponto, assim eu só vou até lá peço e se ela disser sim eu tiro e logo vou embora. Menos chance de me dar tempo de fazer algo embaraçoso na frente dela”

Amala sorriu para ele como se ela soubesse muito bem que esse era um risco grave, e considerando como as interações deles tinham ido desde que eles tinham se conhecido Newt não podia culpá-la por isso.

“Você sempre se mete nessas situações ?” ela perguntou.

“As vezes, mas hoje parece estar pior do que o normal”

“Talvez eu te traga má sorte. No lugar que eu cresci tinha essa sala de jogos onde os outros jovens que moravam por lá iam jogar cartas e jogos de tabuleiro e etc, e eu tinha esse amigo que passava basicamente dois terços das horas acordadas lá jogando e ficando de bobeira com os outros garotos, e ele disse que sempre que eu ia pra lá ele começava a perder, como seu amuleto pessoal de má sorte. Talvez eu tenha o mesmo efeito em você”

“Ou talvez não fosse uma questão de sorte, talvez ele apenas não conseguisse se concentrar no jogo porque você estava no cômodo e por tanto ele perdia”

Ele só percebeu que o que ele disse poderia ser considerado como um leve flerte após as palavras já estarem fora de sua boca. Ele procurou sinais no rosto de Amala para ver se ela tinha interpretado dessa maneira, mas ela não parecia ter notado, ela parecia um tanto perdida em pensamentos por um momento, provavelmente pensando sobre o rapaz da história que ela tinha lhe contado.

“Eu nunca tinha considerado isso, eu vou ter que comentar isso com ele da próxima vez que a gente se encontrar...nosso café está chegando”

Mas antes que chegasse houve um barulho ensurdecedor, e quando Newton se deu por si ele estava de ponta cabeça,  sua perna tinha prendido num dos pés da mesa que era fundida com a estrutura do trem, todos os outros caíram também, alguns como Amala caíram de encontro a parede logo atrás, e alguns como Joana continuaram caindo, não para o outro vagão mas sim para o chão mais de cinquenta metros do chão, e já lá embaixo todos os outros vagões do trem.. Nunca antes em toda a sua vida Newt teve tanta certeza de que ele estava prestes para morrer.

Mas ele estava errado.

Ele não tinha idéia como Amala conseguiu tirar suas botas tão rápido, mas ela o fez. E aí tirou as dele, e enquanto ele estava se agarrando no ferro da mesa tentando não cair ela começou a fazer o mesmo para as outras pessoas que também não tinham caído. Ele teve um pensamento bem tolo naquele momento que ela parecia como fada flutuando pelo ar, encantando aqueles a sua volta fazendo eles flutuar também. Ou um anjo talvez.

Os minutos que seguiram passaram como um borrão, ele não sabia ao certo se era apenas o choque ou se talvez ele tinha batido a cabeça. Havia além dele dez pessoas no vagão. Havia uma moça grávida, ele pensou na sua mãe quando ela estava grávida com sua irmã. Ele nunca ia ver nenhuma delas de novo e pela primeira vez ele parecia estar completamente ciente disso. As pessoas a sua volta estavam falando mas por algum motivo ele não conseguia prestar atenção nas palavras. Ele não sabia se cinco minutos haviam se passado desde o acidente ou meia hora, ambas opções pareciam igualmente prováveis.

Ele só foi puxado de volta quando uma garota morena cuja testa estava sangrando disse :

“A gente não devia sair ? Tentar ir ao chão talvez”

“ Eu não acho que isso seja uma boa idéia, olha os cabos lá fora” Mae disse.

Newt olhou e viu o que ela estava apontando. Os cabos pareciam dançar no ar cheios de eletricidade.

“Newt você é um mecânico certo? Você acha que a gente deveria ?” Amala perguntou.

“Eu não tenho certeza. A estrutura em cima parece estar nos segurando mas eu não sei quanto dano houve”

“Nós deveríamos esperar aqui, a federação tem aquelas asas de transporte, eles vão vir nos resgatar” Mae disse, a respiração dela estava pesada e ela parecia estar suando. De alguma maneira ela parecia até pior do que a garota que estava sangrando.

“Eu não tenho certeza que isso vai acontecer senhorita Choi. Uma pessoa teria que ser basicamente insana para se arriscar passar por aqueles fios cheios de eletricidade correndo entre eles” Newt disse.

“Eu não posso sair ok ? É alto demais eu  vou ter um ataque cardíaco antes de chegar ao chão” Mae disse.

“Nós não temos outra escolha” a garota sangrando disse.

“Eu acho que tem alguém vindo !” Amala disse.

E havia, Newt viu pela janela dois vultos trajando asas se aproximando, mas as asas não eram as típicas da federação, eram as coloridas e incrementadas que usavam para corridas. Ele só reconheceu as asas quando ela chegou.

Newt, Gabriel e Blake se olharam incrédulos por cerca de cinco segundos. Aí ela riu e disse :

“Bem ao menos você tem uma boa desculpa para estar atrasado”

“Oi chefe”

“Nós podemos conversar depois gente” Gabriel disse para eles, aí ele se virou e disse para a moça grávida “Se segure na minha cintura e vou te levar pro chão okay ?”

A moça assentiu com a cabeça e fez o instruído.

“Você também Newt” Blake disse.

 

Escolha para Bob Lazuli :

A - “Você devia levar Amala (Kaylane) primeiro”

B - “Eu acho melhor você levar Srta Choi (Mae), eu acho que ela está tendo um ataque de pânico” *Escolhida

C - “Essa garota (Astrid) está sangrando você devia levar ela primeiro”







Meera

Quando Howard Hume e o rapaz que estava servindo de babá para ele naquele dia entraram na ambulância Meera estava revisando procedimentos de triagem na sua cabeça. Ela nunca tinha estado numa real antes, só as simulações na faculdade em Marte que apesar de valerem nota sentiam muito como um tipo de jogo, com alguns dos estudantes servindo de socorristas, outros de vítimas com tinta vermelha em seus corpos para representar ferimentos, todo mundo tentando não rir. Parecia outra vida agora.

Havia apenas eles três e o motorista da ambulância quando eles partiram.

“Você deveria estar aqui ?” Meera disse.

Howard ignorou ela. Então ela se voltou para o rapaz.

“Emergência ou não ele não é permitido sair do hospital, eu tenho certeza que os agentes da federação te explicaram isso”

“Sim eles explicaram” o rapaz disse.

“Eu quero que fique registrado para qualquer agente da federação que ouça a gravação dessa ambulância que eu apontei a quebra das regras para meus colegas de trabalho e não há nada mais que eu possa fazer nessa situação”

Ela disse e voltou a revisar mentalmente os processos de triagem. Ela achava que aquilo tinha sido o suficiente para cobrir as suas bases quanto a culpabilidade caso houvesse um inquérito sobre aquilo.

“Tem vidas em jogo Meera, eles não fizeram você fazer o juramento de Hipócrates ?” Howard disse.

“Nenhum de nós tem qualquer moral para falar do juramento de hipócrates Howard”

“É Doutor Hume para você”

“Costumava ser Doutor Chomsky”

“Vai se foder Meera”

“É Doutora Wither para você”

Doutor Chomsky era o pseudônimo que Howard Hume usava quando eles se conheceram. Ela era cirurgiã agora, e ela era uma cirurgiã antes. Cerca de duas a três vezes por mês ela recebia uma mensagem com um endereço e um local para ela ir. Ela ia ao local onde geralmente já esperando por ela havia um paciente e um centro cirúrgico montado, ela aí fazia simples cirurgias de remoções de implantes realçadores, ela nunca perdeu um paciente em uma dessas cirurgias ou no seu acompanhamento pós-operatório, ela tinha orgulho disso um pouco. Após isso os implantes eram vendidos, assim como os corpos das pessoas de quem ela tinha os tirado, Howard Hume foi um dos compradores de corpos. Ele sempre olhava para as fichas dos pacientes como se ele estivesse procurando alguma coisa, ela nunca descobriu exatamente o que, só que alguns ele considerava adequados e outros não.

Ela só foi descobrir o nome dele quando ela já estava presa e ela reconheceu o rosto dele, assim como o de alguns outros e ela e seu advogado negociaram cada rosto por anos reduzidos da sua sentença em Calisto. Não foi requerido para ela depor em pessoa no julgamento dele já que quando o pegaram havia evidência o suficiente para incriminá-lo então eles só se reencontraram quando eles estavam trabalhando em Valhalla. E ele sempre olhava para ela daquele jeito, o que irritava ela para dizer o mínimo. Era da sua opinião que alguém que comprava corpos no mercado negro não tinha o direito de agir como uma vítima injustiçada por ter sido pego. Ela não achava que essa era uma opinião particularmente radical de se ter.

Quando eles chegaram no local do acidente as lonas já estavam abertas e alguns dos outros paramédicos já haviam colocado um número razoável de pessoas lá. Ela foi para a vermelha onde estavam aqueles que precisavam de cuidados imediatos. Mas antes de chegar ela seu olhar se voltou para a lona preta, onde colocavam ou os corpos sem vida ou aqueles que haviam sido julgados como casos perdidos , e lá ela viu um rosto que ela reconheceria em qualquer lugar. O rosto do homem que havia a colocado naquele lugar. A pessoa que era para ela o que ela era para Hume. E ele ainda estava respirando.

 

Escolha para Víbora Vermelha :

A - Ignorar e continuar a caminho da lona vermelha

B - Ir para a lona preta e administrar cuidados médicos para salvar Everett - *Escolhida 

C - Ir para a lona preta e matar Everett

(Também mais uma coisa : o cast do Everett, quem você imaginou pro papel ?) 



Notas finais do capítulo

Obrigada por ler, comentários são sempre apreciados.

Então para ser honesta eu não fiquei super satisfeita com a minha escrita nesse capítulo, especialmente as cenas de ação que são um ponto fraco enorme meu, no entanto se eu ficasse postergando mais eu ia acabar não escrevendo então eu decidi postar mesmo assim.



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