O Inverno Sem Fim escrita por ThayLOliveira


Capítulo 9
Just Got To Be




 

Após alguns dias, Rias decidira sair de casa um pouco. Não saía desde que havia retornado do hospital e em parte era por causa de seu tratamento. Ainda estava tomando alguns medicamentos, que acabariam naquela semana. Na festa surpresa que ganhara, acabou não ingerindo bebida alcóolica. Mas divertiu-se igualmente. A festa durou o dia todo, e terminou bem tarde da noite. Tiveram vários jogos de tabuleiros, danças, micos, e tudo que uma festa tinha direito. Aproveitou a companhia de sua mãe, Dahan, Wattson, Morgan, Phelipe, Charlie e Samantha, uma amiga de infância que havia recuperado contato há pouco tempo.

Colocou seu casaco, guardou algumas notas de dinheiro no bolso da frente de sua calça jeans preta, e colocou seu celular no bolso de trás. Calçou seu inseparável par de allstar, desceu a escada e saiu de casa. Pegou o ônibus que ia até o centro da cidade e comprou um maço de cigarros. Acendeu o primeiro e deu a primeira tragada depois de tanto tempo. Sentiu falta daquilo, pois a tranquilizava de alguma forma. Começou a andar no centro da cidade sem um rumo certeiro. Queria apenas pensar, sem ter a sensação de que fosse enlouquecer. Conectou o fone de ouvido e deu play no aleatório, surpreendendo-se como tinha acertado. Aumentou o volume até o máximo, guardou o celular de volta no bolso de trás da calça. Apreciou o som de guitarra saindo dos fones, e sentiu-se mais calma.

When it comes to pride, and other sinful matters, you’re gonna be mislead, left feelin’ tattered. I’ve got to go because, something’s on my mind. And it won’t get better, no matter how hard I try.[Quando se trata de orgulho, e outros assuntos pecaminosos, Você vai estar errado, se sentindo esfarrapado. Eu tenho que ir, porque alguma coisa está na minha mente. E não vai ficar melhor, não importa quanto eu tente.]

Jogou no chão a bituca de cigarro e pisou em cima, apagando. Acendeu o segundo cigarro e começou a se perguntar se teria feito certo em ter dado uma segunda chance na sua amizade com Phelipe. Toda vez que o olhava, sentia vontade de beija-lo até não poder mais. O amava tanto que aquilo quase a sufocava. Fechou os olhos, sentindo seus pulmões sendo preenchidos por um ar quente, cheio de nicotina. Precisava sair mais vezes, para evitar pensar tanto em Phelipe. E em Lexi, que não fez questão de tentar falar com ela. Sentia seu estômago embrulhar toda vez que lembrava das fotos.

Evil hides in dark places. But now I find it in familiar faces. I’ve got to go because, something’s on my mind. And it won’t get better, no matter how hard I try. [O mal se esconde em lugares escuros. Mas agora eu o encontrei em rostos familiares. Eu tenho que ir, porque alguma coisa está na minha mente. E não vai ficar melhor, não importa quanto eu tente.]

Terminou de tragar seu segundo cigarro, soltando um longo suspiro. Apagou o que restava do cigarro em um poste metálico e jogou no lixo. Pegou o celular e passou algumas músicas até chegar em uma que queria ouvir. Guardou o celular de volta no bolso da calça, colocou as mãos dentro do bolso do casaco e andou mais um pouco antes de ir até a parada de ônibus.

I’m not listening to you. I am wandering right through existance, with no purpose and no drive. ‘Cause in the end we’re all a lie. [Eu não estou te ouvindo. Estou perambulando até o fim da existência, sem propósito e sem controle. Porque no final somos todos uma mentira.]

Pensou em sua mãe, seu pai, e no que sua vida havia se tornado desde que entrara em depressão. Pensou em algo óbvio, ela poderia ter tentado um suicídio, mas não teve sucesso então alguém deve ter a encontrado com vida ainda e ter levado para o hospital, e assim ter entrado em coma. Mas não quis acreditar nisso. Sua última lembrança fora de quando ela havia comprado duas garrafas de vinho e decidido beber sozinha em casa. Sentiu o medo crescer em seu peito e tentou afastar o pensamento. Ouviu algum carro buzinar e revirou os olhos, pensando que fosse algum cara idiota, pervertido.

Blow the smoke right off the tubes. Kiss my gentle burning brise. I’m lost in time, and to all the people left behind, you are walking dumb. [Sopre a fumaça imediatamente dos canos. Beije suavemente meu ardente machucado. Estou perdida no tempo, e para todas as pessoas deixadas para trás, você está caminhando mudo.]

Ouviu o carro buzinar outra vez, e decidiu olhar para a pessoa que estava fazendo aquilo, irritada. Mas acabou rindo quando viu quem era. Tirou um dos lados do fone de ouvido para falar com ele.

— Vai bancar a difícil mesmo? – Thomas arqueou uma sobrancelha, sorrindo.

— Você sabe que sempre fui. – soltou uma piscadela para ele. – O que está fazendo por aqui? – perguntou enquanto enfiava suas mãos novamente para dentro do bolso do casaco, andando para mais perto do carro de Thomas.

— Eu que pergunto isso para você, mocinha. O que a senhorita está fazendo no centro da cidade a essa hora, sozinha e... fumando? – franziu o cenho. – Voltou a fumar quando? – perguntou ao sentir o cheiro saindo da roupa dela.

— Ah, eu estava pra enlouquecer em casa. – deu de ombros. – Decidi dar uma volta pra pensar um pouco melhor. – sorriu. – E voltei a fumar hoje. Contando junto com o tempo que fiquei em coma, não fumava há quase cinco meses. Me ajuda a ficar mais calma. Algum problema com isso? – franziu o cenho.

— Claro que tem! – olhou sério para ela. – Você não ter me chamado pra fumar junto com você. Afinal, sou uma ótima companhia. – soltou uma piscadela a ela.

— Humilde como sempre. – riu enquanto revirava os olhos.

— Claro, é meu sobrenome. Você sabe muito bem isso. – sorriu maliciosamente. – Entra no carro. Te dou uma carona até a sua casa.

— Tenho opções?

— Não. – abriu um sorriso. Rias revirou os olhos e soltou uma risada.

— Tudo bem, então. – andou até o outro lado do carro e entrou, sentando no banco da frente.

— Agora, pode dividir esse cigarro comigo. – deu a partida no carro, ainda sorrindo para ela. Estendeu a mão direita na direção de Rias. – Anda.

— Sim, senhor. – disse entre risadas. Pegou o maço de cigarro que estava no bolso do casaco, tirou um e colocou na mão de Thomas. Tirou outro e acendeu.

— Soube que fizeram uma festa surpresa pra você, quando saiu do hospital. Aliás, parabéns por isso. – entregou o cigarro a ela como se pedisse para que ela o acendesse. Rias entregou o dela, que já estava aceso e ficou com o dele.

— Valeu. – sorriu. – Foi legal, a festa. Fiquei muito feliz de poder voltar pra casa. Mas por causa dos medicamentos e outros cuidados, minha mãe não queria me deixar sair. E isso já estava sendo chato. – suspirou.

— E como que você fez para sair hoje? Fugiu de casa, como antigamente? – arqueou uma sobrancelha.

— Não. – começou a rir. – Não faço isso há tempos. Só convenci ela de que eu já estava melhor e que eu podia sair de casa sem problemas. – deu de ombros. – Ela ficou meio contrariada mas aceitou. – deu uma longa tragada no cigarro.

— É bom saber que as coisas estão dando certo pra ti. Se comparar a antigamente...

— Verdade. É um grande alívio. Sinto como se eu pudesse respirar com mais facilidade, sabe? – abriu um sorriso, meio triste. – Mas não parece o suficiente. Sinto como se faltasse algo. Que não sei dizer o que é.

— Sei. – ficou meio sério. – Que tal saímos para esquecer um pouco as coisas ruins?

— Seria ótimo. – abriu um sorriso.

— Perfeito. Vou te levar à Rubye Skye. É uma casa noturna que não fica muito longe daqui. Acho que vai gostar. Algum problema de ser hoje à noite?

— Hoje? Acho que não. – olhou as horas no celular, que marcava 13 horas. – Pelo menos tenho tempo de sobra para me arrumar.

— Devo me assustar com isso? Kit-Kath dizendo que vai se arrumar? – olhou rapidamente para ela, enquanto arqueava uma sobrancelha e sorria.

— Cale a boca, Tom. Se ficar zoando, vou desistir de ir, ou irei com uma roupa igual a esta. – apontou para a blusa larga e o casaco que era quase o triplo de seu tamanho. Thomas começou a rir.

— Não está mais aqui quem falou. – disse entre risos. Fez uma curva com o carro, entrando na Hayes St. – Devo aparecer aqui por volta de 22 horas.

— Isso quer dizer que eu não tenho opção, de novo?

— Exatamente, Kit-Kath. – soltou uma piscadela para ela. Estacionou o carro em frente à casa Nº 21 e beijou a bochecha de Rias. – Até mais tarde. Sem atraso.

— Sim, senhor. – soltou uma risada. – Obrigado, pela carona. – abriu a porta do carro e desceu. – Até mais tarde, então. – sorriu, fechando a porta do carro. Thomas sorriu de volta, esperou ela entrar na sua casa e foi embora.

Depois que entrou em casa, falou para sua mãe que iria sair com Thomas à noite. Ela estranhou, visto que havia terminado com ele. Rias disse que não tinha problema, já que Thomas sempre fora um bom amigo. Só o relacionamento que não havia dado certo. Foi para seu quarto, e começou a separar a roupa que usaria. Afinal, iriam à uma casa noturna. Tinha que separar uma roupa bonita e que lhe permitisse dançar sem restrição. Após escolher a roupa, jogou-se em sua cama, deu play no aleatório e começou a ler outro livro. Iria fazer isso até dar o horário certo de começar a se arrumar. Respirou fundo e sorriu. Talvez fosse uma boa ideia, mesmo, sair um pouco, com alguém que lhe queria bem.

 

 

Enquanto Rias estava ansiosa por sua noite, na Rodeo Drive, na casa Nº 19, Phelipe estava inquieto. Precisava pensar algo para se reaproximar dela. Não iria forçar as coisas, claro. Mas nada mudaria se mal conversavam por mensagem. Pensou, então, em chama-la para sair. Ir ao cinema, talvez. Sabia o quanto ela apreciava uma tarde ou uma noite de filmes.

Pegou seu celular e discou o número dela. Não demorou muito para a mesma atender.

— Oi.

— Oi, Kath. Tem algo planejado para hoje?

— Ah, oi, Phelipe. Na verdade, tenho. Vou sair à noite. Por quê?

— Pensei em te chamar pra irmos ao cinema... – suspirou triste.

— Pode ser outro dia. Hoje vou à uma festa, na Rubye Skye.

— Nossa. – ficou surpreso. – Festa? Vai com alguém? – perguntou, curioso. Era, no mínimo, estranho. Rias não costumava ir em festas. E à noite.

— Não. – mentiu. – Pensei em sair pra me divertir um pouco. Esses dias minha cabeça tem estado cheia de pensamentos um tanto negativos. E é chato.

— Entendo. Boa festa, então. – tentou falar com a voz animada, mas falhou. – Marcamos o cinema para outro dia.

— Isso! Até outra hora, Phelipe. Beijos.

— Até. – finalizou a ligação.

Estranhou aquilo, mais uma vez. Não sabia se era um modo dela dizer que ainda não estava preparada para sair com ele, ou se ela realmente iria àquela festa. E se iria, certamente seria acompanhada. Ela nunca iria sozinha para um lugar daqueles. Mas pensou que não devia usar a palavra “nunca” quando se referia a ela. Rias era bastante imprevisível quando queria. Soltou um ar triste e tentou deixar aquela situação para outra hora. Jogou-se em sua cama e decidiu dormir. Não tinha um bom motivo para ficar acordado e se ficasse, iria apenas pensar em Rias, e ficar preocupado em relação à sua saída para a casa noturna.

 

 

 

Depois de um tempo, Rias percebeu que já estava na metade do livro. Olhou para seu celular que marcava 20 horas. Levantou-se da cama, pegou sua toalha e foi ao banheiro. No banho, pensou por um instante na ligação que recebera de Phelipe. E se perguntou porque não tinha falado que iria com Thomas. Ou melhor, porque ainda não havia falado a ele que tinha voltado a falar com Thomas. Deixou a água do chuveiro cair sobre sua cabeça, molhando seu cabelo aos poucos. Pegou o shampoo e esfregou sua cabeça com os dedos levemente, tentando manter sua mente vazia. Não queria pensar muito sobre sua ida à casa noturna e nem nas outras coisas que vinham ocupado sua cabeça mais que o normal. Saiu do banho, enrolou seu corpo com a toalha, torceu de leve seu cabelo, para tirar o excesso de água. Olhou-se no espelho e percebeu que estava ficando enjoada da cor dele. O tão sem graça marrom. Pensou em começar a juntar dinheiro para fazer algo diferente nele. Achou melhor resolver isso outra hora, pois precisava começar a se arrumar.

Pegou a roupa que iria usar e as esticou sobre a cama, deixando uma peça ao lado da outra. Vestiu sua roupa intima e secou o cabelo com o secador. Pegou a camiseta preta justa, bastante decotada e decorada por uma renda preta e a vestiu. Colocou uma meia-calça preta transparente e uma saia vermelho vinho de cintura alta. Parou em frente ao espelho grande que estava pendurado na parede do seu quarto e estava começando a ficar satisfeita com seu visual. Voltou para o banheiro e começou a se maquiar. Fez um delineado nas pálpebras de seus olhos, passou um lápis de olho e caprichou no rímel, realçando bastante seus cílios. Pegou o batom tão vermelho quanto sua saia e passou sobre seus lábios. Olhou seu rosto quando terminou de se maquiar e a achou tão diferente. Não parecia a mesma pessoa. Retornou para seu quarto e olhou seu celular que estava tocando uma música em que estava muito viciada. Toda vez que a ouvia, sentia-se com sua autoestima nos altos.

E é assim. Um dia acordou e aprendeu. Foi enganada por um moleque metido a Romeu. Não adianta tentar, não tem como enganar. Tá blindada, preparada pra pisar.

Viu a mensagem de Thomas dizendo que já estava a caminho. Olhou para o canto superior da tela do celular que marcava 21:55h. Pegou a bota com salto e calçou. Andou até a cama e pegou sua jaqueta de couro. Desceu a escada e andou em direção à cozinha, na intenção de tomar um gole de água. Fechou a geladeira, após tomar a água e foi para a sala de estar, jogando-se no sofá. Não demoraria muito para Thomas chegar. Lembrou-se de sua carteira de cigarro e subiu as escadas até seu quarto, pegando a carteira e guardando no bolso da jaqueta de couro. Aproveitou e pegou as notas de dinheiro que havia sobrado do seu passeio da manhã. Olhou seu celular e viu uma mensagem de Thomas dizendo que ele já estava a esperando na porta de sua casa. Respondeu a mensagem dizendo que já estava indo, bloqueou a tela do celular e o jogou sobre sua cama. Sairia sem ele, para não ligar para alguém caso bebesse demais. Desceu a escada novamente, colocou a jaqueta de couro e andou até a porta. Ao abri-la viu um Thomas esperando por ela, fora do carro, encostado no mesmo. Ele usava uma calça jeans preta, uma blusa, sem estampa, que tinha três botões ligadas a gola e era da mesma cor de sua saia. Por cima, uma jaqueta preta. E um coturno preto, nos pés.

— Uau! – exclamou surpreso, assim que a viu sair de casa. – Isso tudo é pra mim, gatinha? – arqueou uma sobrancelha.

— Ah, tão humilde. – revirou os olhos. – Não vá se acostumando. Só quis testar algo diferente. Vejo que até deu certo. – abriu um sorriso.

— Deu muito mais que certo, gatinha. – sorriu maliciosamente. Abriu a porta do carro, para ela entrar. – Vamos? – Rias apenas sorriu e entrou no carro. Thomas fechou a porta, deu a volta no carro e entrou, ligando o motor e dando a partida.

— Espero não ter errado na vestimenta. Nunca fui a uma casa noturna, antes. – disse meio insegura.

— Você tá brincando, gata? Acertou em cheio! – disse sorrindo para ela. – Me senti até honrado em ser meio que o primeiro a te ver desse jeito.

— Menos, por favor. – revirou os olhos e começou a rir. Cruzou as pernas por força do hábito e esqueceu, naquele momento, de que estava usando uma saia. Thomas a olhou de relance.

— Assim você me quebra, gata. Provocando desse jeito.

— Provocando como? – olhou para a saia e descruzou as pernas na mesma hora. – Desculpa! – ambos começaram a rir.

— Sem problemas. – disse ainda rindo. – Posso me acostumar com isso.

Thomas diminuiu a velocidade do carro e estacionou a uma rua de distância da casa noturna. Era possível ouvir a música abafada do local. Rias observou muitas pessoas chegando e entrando na Robye Skye. Sentiu muitos olhares em cima dela, também. Estava chamando bastante atenção com seu visual. Ela não sabia dizer se era bom ou ruim. Tentou não ficar incomodada com aquela situação. Iria deixar sua versão tímida e insegura guardada por uma noite. Balançou as mãos ao ritmo da música e observou o local. Era bastante espaçoso, logo à frente, no alto, estava o DJ da festa. O local era apenas iluminado por luzes neon de cor azul e roxo. Tinha alguns globos e estrelas penduradas no teto, dando um efeito bonito à pista de dança. Ficou encantada com o local, e não se arrependeu de ter aceitado o convite de Thomas. Como se ela tivesse a opção de recusar.

— Curtiu o ambiente? – perguntou olhando para Rias, tirando-a do transe.

— Amei. É lindo demais. – abriu um grande sorriso.

— Hoje estou levando todas, hein? Ver você mais arrumada que o normal e abrindo um sorriso grande? Se estou sonhando, por favor, não me acorde, gata. – brincou. Rias começou a rir. – Vem, vamos pegar uma bebida. – segurou a mão dela e a conduziu até o bar. – O que você vai querer?

— Martini. – olhou para Thomas e percebeu sua expressão confusa. – Que foi?

— Não esperava você saber o nome de alguma bebida.

— Internet existe pra isso, querido. – soltou uma piscadela para ele. Thomas soltou uma risada.

— Certo. – Thomas virou para o barman e pediu as bebidas e as pagou em seguida.

— Quanto deu? – perguntou enquanto pegava o dinheiro do bolso da jaqueta.

— Relaxa, Kit-Kath. É por minha conta. – pousou sua mão esquerda no ombro de Rias.

— Isso é tão injusto. – revirou os olhos, pegou a taça e deu seu primeiro gole. Sentiu a bebida queimar sua garganta e sorriu. Amava sentir aquilo. Fechou os olhos, permitindo-se sentir melhor a sensação, aproveitar o momento.

— Você está bem diferente do que o de costume, hoje. – pegou uma mecha do cabelo de Rias e colocou atrás de sua orelha. – Aconteceu algo?

— Não. – balançou a cabeça negativamente. Bebeu mais um gole da bebida. – Só quero fazer algo diferente. E tentar ser de um jeito que nunca me permiti. – tentou sorrir.

— Isso é bom. – sorriu de volta. – Fico feliz em poder ajudar. – acariciou a bochecha dela. Rias afastou-se um pouco, e terminou sua bebida. Podia se sentir mais leve e solta. Estava começando a ter vontade de se jogar na pista de dança. E só percebeu isso quando estava balançando um pouco seu corpo em cima do banco perto do bar. – Parece que alguém quer dançar... – arqueou uma sobrancelha.

— Nem pensar, Tom. – balançou a cabeça negativamente. – Só se eu já estiver bem alterada. – começou a rir.

— Sem problemas, gata. – abriu um sorriso. E pediu mais duas bebidas ao barman. Pegou a taça e entregou à Rias.

Continuaram a conversar, sentados em frente ao balcão do bar. Thomas elogiando e brincando com o cabelo de Rias vez ou outra. Quando Rias finalizou sua sexta taça de bebida, não aguentou mais se segurar e se jogou na pista de dança. Jogava seus braços para cima vez ou outra, balançava o seu quadril para os lados e balançava também sua cabeça. Não ligou se sua performance estava boa, se tinha chamado atenção. Queria apenas curtir a música. Jogou o cabelo solto para trás, estava começando a ficar incomodada por ele estar grudando em sua testa e seu pescoço. Percebeu alguns homens se aproximarem e dançarem com ela. Mas ela apenas ignorou, não sentia necessidade de ficar com algum deles.

Guess it’s true what they say, I’m always late. Say you need a little space, that I’m in your way.

De longe, Thomas a observava dançar. Nunca tinha visto ela daquele jeito. Achou divertido ver ela tão solta e sorridente. Deu um último gole em sua bebida e decidiu juntar-se a ela. Começou a dançar na pista, chegando perto de Rias aos poucos. Que continuava a dançar, sem se importar com os olhares que estava recebendo dos homens do lugar.

It hurts but I remember every scar. And I’ve learned, but living is the hardest part. I can’t believe what I did for love.

Quando sentiu alguém se aproximar dela novamente, pensou que seria outro homem, na tentativa de ficar com ela. Continuou a requebrar o quadril e virou-se para quem estava dançando tão colado às costas dela. Apenas sorriu e continuou a dançar com o Thomas. Aproximaram seus corpos lentamente, até não existir espaço entre eles. Dançavam como se fossem um só. Rias levantou seu rosto e olhou no fundo dos olhos castanhos de Thomas. Viu seu rosto iluminado pelas luzes neon da casa noturna, e ele estava sorrindo.

I can’t believe what I did for us. Crash and we burn into flames. Stitch myself up and we do it again.

Thomas levou sua mão até o rosto de Rias, acariciou a bochecha dela, passou a mecha de cabelo, que estava grudado em seu rosto devido ao suor, para trás de sua orelha, segurou seu pescoço de leve, aproximou o rosto do dela e selou seus lábios. Rias arregalou os olhos com aquele ato, mas não quis se afastar. Não quis ir embora, não quis brigar com ele por ter feito isso. A Rias insegura certamente o faria. Levou suas mãos até a jaqueta dele e segurou com força, enquanto aprofundava o beijo. Ele mordeu levemente o lábio inferior dela, segurou sua cintura e a apertou gentilmente. Rias levou uma de suas mãos até a nuca de Thomas e entrelaçou seus dedos nos fios de cabelo dele, puxando-os levemente algumas vezes. Só pararam de se beijar quando já não se tinha ar nos pulmões de ambos. Separaram os rostos e estavam arfando. Encostaram suas testas uma na outra e sorriram. Rias, no fundo, sabia que aquilo não era uma boa ideia. Mas se deixou levar pelo momento. Estava bêbada, e confiava em Thomas, de certa forma. Sem dizer uma palavra para tentar justificar o beijo, apenas voltaram a dançar. Depois de algumas músicas dançadas e beijos, da mesma intensidade, trocados, voltaram para o bar, começando a sentir dor nas pernas de tanto dançarem.

Rias sentou-se no banco e pediu um copo de vodca pura. Thomas olhou para ela, espantado. Afinal, vodca não era uma de suas bebidas favoritas. Rias olhou para ele e deu de ombros. Pegou a bebida e deu um gole.

— Que foi? – perguntou arqueando uma sobrancelha.

— Você não é de gostar de vodca. – pegou sua bebida e deu um gole.

— Tom, eu não sou de gostar de muitas coisas. – terminou a vodca no segundo gole. – Entre elas é me vestir desse jeito – apontou para a roupa que estava usando, com as mãos. – dançar na frente de tanta gente e beber vodca. – deu uma piscadela para ele, sorrindo. Thomas abriu um sorriso, finalizando também sua bebida no segundo gole.

— Se você diz... – sorriu maliciosamente. – E sobre nossos beijos?

— Não vamos pensar nisso agora, tá? Vamos apenas curtir o momento. – aproximou-se dele e acariciou seu rosto, sorrindo. Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos novamente.

— Sim, senhora. – beijou-a em seguida.

— Senhora? Pareço ser tão velha assim? – perguntou, interrompendo o beijo e forçando uma voz triste.

— Muito pelo contrário. – fez um carinho em seu rosto. – Você parece uma jovem igualmente a sua idade, e bastante sexy. – Rias sorriu e foi sua vez de ter a iniciativa de beijar. Aprofundaram o beijo e sentiam uma pequena onda de choque onde suas peles se encostavam. Rias se afastou e o puxou de volta para a pista de dança. Onde continuaram a dançar colados um no outro, no ritmo da música. Rias estava de costa para ele dessa vez. Thomas segurou sua cintura e ela levantou seu braço para o pescoço dele. Ele acompanhava os movimentos dela e apenas curtiram o momento, como ela falou. Thomas virou o corpo de Rias, para ficarem um de frente para o outro, novamente. E assim levaram o resto da noite.

Voltaram para o carro de Thomas, bastante alterados pelo consumo de bebida. Ao entrarem no carro, começaram a rir. Por não conseguirem se manter em pé. Rias ligou o aparelho de música e deu o play.

I’ve gotta say I’m feeling better than I should. Don’t got a lot but I know life is always good. [Eu tenho que dizer que estou me sentindo melhor do que eu deveria. Não tenho muito, mas eu sei que a vida é sempre boa.]

Inclinou seu corpo e beijou uma última vez os lábios de Thomas. O mesmo a segurou pela cintura e a colocou em seu colo. Ela olhou em seus olhos, que estavam com um brilho especial, que não via há tempos. Estavam se olhando com tanta intensidade, que pareciam estar lendo suas almas.

Don’t got a lot but right now I’m feeling fine. [Não tenho muito, mas agora estou me sentindo bem.]

Começaram a se beijar vorazmente, como se necessitassem daquilo para viver. Thomas tirou a jaqueta de couro do corpo de Rias, enquanto a beijava. Rias não protestou e continuou o beijo. Sentiu sua cintura ser apertada pela mão dele e um de seus seios ser coberto pela outra mão dele, que o massageava levemente.

We got tonight. Forever yours, forever mine. I’m feeling good, I’m feeling high. I’m feeling like I’m never coming down. So tell me now, are you in or are you not? [Nós temos essa noite. Para sempre sua, minha para sempre. Estou me sentindo bem, estou me sentindo alto. Estou me sentindo como se eu nunca fosse descer. Então me diga agora, você está dentro ou não?]

Passou sua perna para o outro lado dele e se ajeitou em seu colo. Começou a tirar a jaqueta dele e mordiscou a ponta de sua orelha.

Now everyone’s leaving. It’s only me and you. You leave your clothes and whispered somethin’ in my ear. [Agora todo mundo está indo embora, é só eu e você. Você deixa suas roupas e sussurra algo no meu ouvido.]

Enquanto ele apertava suas coxas e mordia seu ombro de leve. Rias pegou a barra da camisa dele e pediu licença – sem ter dito algo – para tirá-la. Voltaram a se beijar com urgência. Rias arranhou levemente a barriga dele e o viu abrir um sorriso carregado de malícia e desejo.

When I’m with you, my girl, I don’t know any fear. [Quando eu estou com você, minha garota, eu não conheço nenhum medo.]

Ao sentir um aperto em sua coxa e em sua bunda, mordeu o lábio inferior reprimindo um gemido. Interromperam o beijo apenas quando não conseguiam mais respirar. Rias percebeu a situação em que estava e achou melhor parar por ali. Estavam bêbados e certamente iriam se arrepender daquilo quando acordassem na manhã seguinte. Pousou suas mãos no peitoral nu de Thomas e se afastou um pouco. Ele segurava sua costa com uma mão e sustentava no rosto uma expressão confusa.

— É melhor... – tentou falar, com dificuldade. – Pararmos por aqui... podemos nos arrepender amanhã.

Thomas entendeu o que ela quis dizer e apenas balançou a cabeça dizendo que sim. Deixou que ela voltasse para o banco ao seu lado, vestiu sua camisa, ligou o carro e deu a partida. Não iria reclamar, havia conseguido bem mais do que planejava. Estava difícil conter um sorriso de vitória. Iria tentar de tudo para tê-la de volta.





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