Young Forever escrita por Whalien 52


Capítulo 46
Interlude: Wings


Notas iniciais do capítulo

Música: Interlude, Wings (BTS).
Álbum: You Never Walk Alone.

Boa Leitura!
Perdão pelos erros'



“Leve-me ao céu...”.

*

“- Ainda não decidi com quê você parece. – comentava no fim da madrugada com voz mais rouca que a minha, enquanto ar batia contra meus lábios. – Gato ou frágil borboleta, ambos livres como ti.

— Sou apenas eu, Don: não compare-me com animais... – revidei, reabrindo minhas pálpebras, fitando-o acima de mim. – Devia ter descansado.

— Acredite, Yoon: você é meu maior descanso. – sorriu, beirando seus lábios dos meus. – E não preciso de mais nada para meus dias valerem à pena”.

*

Yoongi despertou no sofá no meio da tarde, sentindo o pirulito que degustava quando adormecera, não tão doce quanto os beijos de Dong-Yul. Sentou-se longínquo, avaliando o quarto de Jin: voltaram há dois dias de Ilsan e ele precisava fazer algo, contudo, aprazava sonhos enquanto observava Hoseok, sentado no chão, mexendo no som.

Os outros não estavam e o piano solitário avocou-lhe atenção.

Lembro-me do jovem eu, provavelmente porque não tinha grandes preocupações.

— Tudo bem? – indagou Hoseok sem encará-lo. – Parecia ter um sonho triste.

— É... – tirou o pirulito da boca, fitando a cor amarelada. – Sonhei com Don. – obteve olhos compassivos de Hoseok. – Não importa quanto tempo passe: desejo-o de volta, culpo-me pelo ocorrido. Há momentos... – fechou o olhar e recolocou o pirulito na boca. – Que queria não lembrar, já que não posso voltar no tempo e consertar.

— É como estagnar, certo? – Yoongi assentiu. – Sinto-me assim ao pensar no abandono de minha mãe, no orfanato e na ilusão que criei durante anos... – suspirou. – No final, não temos culpa, mas culpamo-nos como se quiséssemos dar sentido aos ocorridos.

— Respostas às dúvidas... – concordou Yoongi, checando mensagens, vendo que tinha dos pais e um convite de Yuna para visitá-la. – De qualquer forma... – respondeu afirmativo, encarando-o. – O que está fazendo?

— Procurando uma música que combine comigo e Jiminnie. Anseio coreografar ao lado dele: nunca quis tanto isso na vida. O problema é... – fitou-o. – Embora haja músicas que combinem conosco, nenhuma evidencia o que quero ao dançar com ele, que é justamente apenas dançar com ele. – suspirou. – E também preocupo-me em fazê-lo esforçar-se no estado que está.

— Verdade, mas talvez Jiminnie esteja abrindo os olhos e ansiando ajuda. Foi à antiga academia hoje cedo, não? – Hoseok assentiu. – Ele está voltando para lá e afastando-se daquele cara?

— Aos poucos sim, o que alivia-me, mas não melhora físico e alimentação. Ademais, não quero-o na Rússia. – Yoongi concordou. – Enfim... – Hoseok levantou-se, sentando-se ao lado e mostrando-lhe papéis. – Comporei uma música para dançarmos. Acha que Jiminnie aceitará?

Essas pequenas penas tornaram-se asas, porque eu era cheio de esperança.

— Claro. – avaliou o conteúdo. – Sobretudo se dedicar-se a mostrá-lo como deseja-o.

Discutiram sobre músicas enquanto a tarde passava.

A bonança reinava gostosa entre eles.

*

Ajudando Jin na cozinha, Jungkook sentia-se tonto com tabaco saturando o ar. Levava as costas da mão ao nariz, tentando amenizar para prosseguir lavando alfaces, não surtindo efeito. Checou os lados: empregados não estavam, a senhora Kim trabalhava e não havia outros na cozinha.

De onde vinha o odor?

— Está sentindo esse cheiro, Jinnie? – indagou Jungkook, vendo-o negar e ater-se ao fogão. – Está forte o tabaco.

— Deve ser Yoon fumando nos fundos. Pedirei para não fazer.

— Yoon estava dormindo lá em cima. – revelou Jungkook, atraindo olhos confusos de Jin. – Não pode ser ele.

— Talvez Mon?

— Moni não fuma mais, apenas bebe.

— Bem... – vergou os lábios. – Se for um dos outros, se verá comigo. – tentou exalar, estranhando. – Mas sinceramente não estou sentindo. Certeza que é tabaco, Kookie?

— É... – franziu o cenho. – Não sei.

— Como assim? – riu Jin. – Ou sente ou não. – desligou o fogo. – Não que isso me ajudará a sentir qualquer odor que não seja da comida, mas—

— Talvez seja meu dom. – revelou Jungkook, secando as mãos e colocando uma sobre o peito. – Estou com mau pressentimento.

— Ah... – Jin ficou sério. – Pensei que seu dom fosse somente visões.

— E é na maioria dos casos, contudo, eventualmente sinto odores, vejo cores. – mordeu o lábio inferior, encarando-o. – Faz sentido eu sentir e você não.

— Preocupou-me. – beirou-se de Jungkook, apoiando-se na pia. – Relaciona-se a algum dos meninos?

— Não... – ponderou incerto. – Não dessa vez.

— Então o que pode ser esse perfume em minha casa se não há ninguém fumando ou relação com um dos garotos?

— Meu pai é fumante... – revelou Jungkook, puxando o celular do bolso. – Ligarei para ele.

— Tá... – Jin avistou-o discar e apoiar a cintura na pia, esperando. – Nada? – o outro negou. – Não está trabalhando?

— Está, mas nunca deixaria de atender-me... – franziu mais o cenho, tirando da orelha antes de terminar os toques. – Precisa de ajuda ou—

— Não, não, vá e ligue a ele ou a sua mãe. Se precisar, levo-te à sua casa, tá? – Jungkook assentiu, retirando-se aos fundos. – Espero que não seja nada... – avaliou ingredientes na pia. – Espero mesmo.

Retomou afazeres com lembranças do pai.

Apesar de todo tempo, ainda sentia saudades...

*

De volta à cidade, Namjoon aproveitara o dia ensolarado e levemente frígido para passear. Pela primeira vez não estava de fones, embora o celular jazesse no bolso para checar horário que deveria estar naquela passarela acima da avenida, esperando alguém.

Ela.

Após a cirurgia, deveria medicar-se e cuidar-se, não podendo fraquejar. Isso teria abalado, se não estivesse confiante que, dessa vez, com apoio dos pais, conseguiria. Mesmo distantes, ainda eram família, diferente do que por tantos anos pensara. Ademais, tinha irmãos, não de sangue, que cuidavam de si – um deles o anjinho, o primeiro que fizera amizade: Taehyung.

Essas asas permitir-me-iam voar como um pássaro com o som de risos.

Sorriu, avaliando a movimentação: estudantes, jovens, crianças e idosos. Puxou o celular e checou a hora, disparando seu coração: se estivesse certo, naquela badalada ela passaria apressada com livros. Colocou um pirulito na boca e esperou, errando uma coisa: embora a garota que sempre via no ônibus estivesse ali, não carregava livros, mas distribuía folhetos que ninguém atentava-se.

Tampouco ele, tão admirado em sua delicadeza e gentileza.

Tão focada e empenhada em algo.

— Obrigada! – curvava-se cada vez recolhiam seu folheto.

Com um vento tempestuoso, a garota de cabelos presos e castanhos deixou panfletos escaparem. Abaixando-se sozinha, tentava recolhê-los e, observando-a, Namjoon rapidamente movimentou-se para socorrê-la, auxiliando-a a angariar antes que voasse. Apanhou inclusive a garrafinha d’água, devolvendo-a.

— Obrigada...! – mesurou tímida, apanhando tudo das mãos dele, sem encará-lo.

Seguiu seu percurso, sendo acompanhada pelos olhos de Namjoon fitando sua nuca e mochila nas costas. Esta virou-se para olhá-lo enquanto caminhava, desviando o olhar assim que encontraram-se. Seguiu um rumo, enquanto Namjoon seguira outro quando sumira de suas vistas.

Não falara com ela como prometera, porém...

Aquele breve incidir já coletara algo quente em seu coração.

*

Vou a lugares que dizem-me para não ir.

— Ainda não perdoo-me. – Taehyung ria apoiado na pia da cozinha de Cho, que rezingava. – Larguei-te naquele dia por causa de meu filho e temi visitar-te na delegacia e não sair de lá, perder a guarda. Se souberem de meus furtos—

— Já conversamos sobre isso, então não entendo porque insiste batendo na mesma tecla. – fê-la suspirar e encará-lo, parando de mexer nas sacolas de compras. – Temo delegacias e estive numa: não quero que esteja também. Quando pedi-te para partir, era porque não queria encrencá-la ou prejudicar seu filho. – sorriu amável. – E estou bem, só uma pena reunirmo-nos agora.

Faço coisas que dizem-me para não fazer.

— Nem fale-me... – sorriu cabisbaixa, retirando o boné. – E sua irmã? Já reviu Yuna após sair da cadeia?

— Algumas vezes e acho que ninguém percebeu: esqueci-me de comentar.

— Quando não esquece, Tae?

— Não diga algo que meus irmãos diriam! – reclamou, fazendo-a rir. – Viu? Essa expressão encaixa melhor em ti.

— Como combina contigo. – cruzou os braços, dando a volta na bancada e parando ao lado. – Sabe... – riu tímida. – É meu anjo e... – encabulou-se. – Yang ama-te: é o pai que ele não tem.

— Considero Yang família, assim como você, Cho, mas não vejo-me como pai, afinal... – engoliu seco, baixando o olhar. – O meu era péssimo.

— Não são a mesma pessoa, tanto que salvou Yuna e só quer o melhor dos outros. – sorriu Cho, extraindo um sorriso de Taehyung. – Seria pai incrível, porque... – apertou-o nas bochechas. – Já é namorado incrível.

Quero coisas que não devia.

Firo-me novamente.

Taehyung alargou o sorriso, buscando pelos lábios dela num beijo sutil, mas apaixonado. Calmamente encaminhou-a ao pequeno aposento, certificando-se que Yang dormia no próprio quarto. Deitou-a na cama, beijando-a e ficando por cima, afastando-se para encará-la e acarinhá-la: sentia falta dela.

Sorriram, selando lábios enquanto mãos trabalhavam para despirem-se.

Não pela primeira ou última vez.

Pode chamar-me de estúpido, então abrirei somente um sorriso.

Em meio a beijos, Taehyung sorria: nunca imaginara que sua vida estaria tão incerta, mas tão boa com uma linda namorada, uma incrível e talentosa irmã e irmãos que agiam como pais na maioria das vezes. Nas costas arranhadas por Cho, Taehyung sentia suas asas figurativas e, pela primeira vez, gostava da liberdade e leveza delas.

Da cor escura que possuíam, mas que não era maligna.

Apenas singular como si.

Não quero ter sucesso num trabalho que não gosto.

*

Yoongi brincava com o isqueiro em cima do piano, movendo um cigarro que colocara na boca. Quando foi acendê-lo, teve o objeto furtado pela garota de cabelos ondulados e sorriso quadradinho, petulante. Com uma caneta, escreveu suas iniciais: “K.Y”. Confiscou e deu as costas a Yoongi, que observou-a como outras vezes que visitara-a naquele pequenino apartamento.

— Devia parar com isso.

— Você também. – sentou-se de costas no chão com seu violão, erguendo um pirulito amarelo. – Doce substitui nicotina.

— Só se acontecer em sua mente.

— Talvez aconteça. – virou-se, sorrindo fofa. – Sonhos começam em nossas mentes. Quanto mais força deposita-se neles, maiores as chances de realizarem-se.

Confio em mim, já que a razão para minhas costas doerem é para que asas possam brotar.

— Hum... – dedilhou as teclas, fazendo-a rir.

— Sem réplica dessa vez?

— Não há sentido retrucá-la quando concordo contigo. – ouviu-a tocar uma melodia conhecida no violão, acompanhando-a com o piano, ambos sorrindo sem encararem-se. – Aliás... – fê-la virar-se. – Ainda toca no hospital?

— Sempre. – afinou as cordas. – Não deixarei de tocar lá por nada. Um dia pretende assistir-me?

— Talvez... – fechou os olhos, recordando-se de Dong-Yul. – Quando todo pesar amenizar, pisarei lá e te apoiarei caso seja boa.

Acredito em mim, em você.

Mesmo que o começo seja humilde, o futuro será promissor.

— “Boa” é relativo. “Jeitosa” é melhor. – encarou-o compondo nova melodia no piano. – E você devia evidenciar suas composições. Verá como seu sonho ficará próximo de suas mãos, como o teclado está agora.

— Talvez. – suspirou rouco, levantando-se e pegando o pirulito que Yuna deixara ao lado, colocando-o na boca e deitando-se no sofá. – Continue tocando: descansarei um pouco.

— “Comporá um pouco”. – corrigiu. – Bom trabalho.

Voar e levá-los ao alto: este é o caminho que escolheu, criança, não acovarde-se.

É apenas o primeiro voo após tudo.

*

Com o trem cruzando, Jin esperava vê-la noutro lado.

Sun Hi estava lá, segurando cadernos e esperando para atravessar quando a portinhola abriu. Era a garota da faculdade, quem Jin gostava e conversavam por mensagens ou num canto da biblioteca. Ainda assim, não estavam tão íntimos devido aos cursos para os quais dedicavam-se.

Ela passou por Jin, cumprimentando-o rapidamente, atrasada. Conversaram naquela manhã e, infelizmente, não almoçariam juntos como combinaram, tampouco conversariam direito. Por ter outros assuntos a resolver, Jin deixou-a seguir adiante, não antes de notar que Sun Hi deixara um caderninho vermelho cair propositalmente.

Leve-me ao céu...

Abaixou-se e apanhou-o, folheando e fitando-a afastar-se, enquanto os longos cabelos moviam-se no ritmo do vento e rápido caminhar. Podia ser pretexto, mas era tudo que Jin precisava para marcar novo encontro, cada vez mais íntimo. Fitou o céu azul, sorriu e pensou na vida: por mais caminhos tortos que tivesse seguido, muitos por coibição, estava tendo seus melhores dias.

E, portanto, sentia-se leve.

Se eu apenas pudesse voar livremente...

*

— E então? – Suk, irritado, movia a colherzinha na xícara, apoiando um braço no encosto. À frente Jimin fitava seu chá morno, indeciso. A bolsa jazia na cadeira ao lado e a cafeteria estava quase vazia. – Voltou àquela velha que humilhava-te?

— Não voltei, só—

— Está frequentando a academia que tirei-te, desfazendo juras e regras que prometemos cumprir a qualquer custo. – riu cínico. – Confiando em quem deseja-te mal e apunhalando-me pelas costas. Entendeu como é ser uma cobra, mas está visando a presa errada, Jimin.

— Não é isso, Suk. – encarou-o. – Fez muito por mim, ainda faz, mas sufoco-me quando estou contigo. É muita pressão—

Se eu apenas pudesse escapar eternamente...

Se minhas asas pudessem voar...

— “Pressão” mira perfeição, não era seu desejo? Não foi o que pediu-me quando juntamo-nos? Escute. – apoiou-se na mesa. – Está no caminho adequado: a Rússia te fará uma estrela, um ídolo, o melhor dançarino. Por que hesita agora que conseguiu essa chance esplêndida?

— Algo em mim... – mordeu o lábio inferior, negando. – Ainda não tem certeza. Por mais que meus pais sejam ausentes, pensar em deixá-los—

— Aqueles garotos fizeram sua cabeça, não foi? – fuzilou-o, fazendo-o engolir seco. – O que aprontaram em Ilsan?

— Nada—

— Mentira. – a palavra fez Jimin baixar o olhar, cerrando punhos: odiava-a. – O que houve lá?

— Mudança. – encarou-o, sentindo olhos marejarem. – Sei lá, Suk, algo em mim está mudando rápido e não consigo acompanhar. Ora estou ótimo, ora péssimo, ora sequer sei onde estou ou quem sou. – bufou, alisando os cabelos. – Rússia, uns meses atrás, seria minha alternativa e, sem pestanejar, sairia daqui e te acompanharia, mas agora... – abraçou-se, tocando seus ombros magros. – Minhas asas querem levar-me a outro lugar.

Penetro através do ar, que fica mais pesado, e voo para longe, mais alto que o céu.

— Tolo. – cruzou os braços. – Decepção, Jimin: tão próximo da perfeição, mas esquecendo tudo por conta de amizades ilusórias.

— Não são—

— Quando menos perceber, estará sozinho: sem família, amigos ou dignidade. – fuzilou-o. – Assassina sua alma ainda, certo? – Jimin desviou o olhar. – Parou de automutilar-se? – sem réplica. – Ótimo. – ironizou. – Esquece sua dor e mira uma utopia, mas quando esse voo acabar, Jimin... – levantou-se. – Perceberá como sou o único em que pode confiar.

— Suk—

— Ainda não desisti de você. – a frase soaria animadora se viesse dos irmãos ou pais, contudo, vindo do mentor, Jimin encolheu-se, sentindo-se ameaçado. Fitou o chá, enquanto Suk acarinhava seus ombros e curvava-se, sussurrando em seu ouvido. – Voaremos juntos e te mostrarei o céu russo, acredite. – beijou-o na bochecha e, quando afastou-se, Jimin rapidamente limpou-se com a manga, com ódio.

Com medo.

Muito medo.

*

— Um, dois, três...! – Myo contou antes de pular a agachar-se frente à Hoseok, que anotava coisas. – Compondo? – viu-o assentir num sorriso. – Dançará?

— Com Jiminnie. – ergueu o rosto, vendo-a desviar o olhar incomodado. – Que foi?

— As idas e vindas dele... – fitou-o novamente. – Onde Jimin realmente está? Conosco ou com aquele cara?

— Não sei dizer, contudo, acredito que nunca deixou de estar conosco. – estranhou a expressão incomodada de Myo. – Por que essa carinha?

— São tão amigos e mesmo assim Jimin não liga para ti como você liga a ele. É muito distante, teme contatos. Não sei até que ponto é recatado ou lobo em pele de cordeiro.

— Hã? – Hoseok vergou a cabeça. – Não entendi...

— Nada. – levantou-se. – Só queria que prestasse atenção no fato de você doar-se a ele e isso não ser recíproco.

— Engana-se, Myo. – suspirou, levantando-se e encarando-a. – Jiminnie tem amplo coração e o modo com que cuida dos outros difere. – sorriu estranho. – Ainda não entendo: o que incomoda-te? Pensei que gostasse de ele estar voltando, afinal, não éramos seus amigos mais próximos?

Nós mais íntimos que amigos, certo? – sorriu com a insinuação, fazendo Hoseok corar e assentir, baixando a cabeça e massageando os cabelos da nuca. No ato, não percebeu-a fechar a expressão antes de dar as costas. – Espero que a volta dele não prejudique-nos.

— Myo—

— Nada. – virou-se e acenou, saindo. – Buscarei água.

— Tá... – analisou as composições no chão, franzindo o cenho. – Ela está escondendo algo...

*

Jungkook pintava, iterando “atende” baixinho.

Estava sozinho no quarto de Jin, porquanto todos saíram a seus afazeres, menos ele, que não continha forças para voltar à casa – até porque os pais trabalhavam. Quase anoitecendo, após diversas tentativas frustradas, enfim a mãe atendeu-o séria, aliviando-o e angustiando-o simultaneamente.

— Finalmente! Por que não atendeu-me antes? Liguei-te diversas vezes, assim como ao pai!

Perdão, Kookie: no hospital não pega sinal. – a frase quase parou o coração dele. – Incidiu algo? Precisa de alguma coisa?

— Mãe... – tartamudeou. – Por que está no hospital?

Seu pai está sentindo fortes dores e veio fazer uns exames

— No pulmão? – relutante, a mãe assentiu. – Acha—

Não é grave, meu anjo. – a voz parecia animada, todavia, Jungkook conhecia-a: mentia para não preocupá-lo. –

— Não sou criança. – calou-a. – O que há com papai?

Não sabemos ainda, mas a suspeita é... – suspirou. – Tumor...

— Por causa do tabaco...? – deduziu Jungkook, deixando o pincel cair quando ela assentiu. – Mãe...

É só suspeita, então não preocupe-se. – riu melancólica. – Mas, se possível, passe em casa depois, sim? Conversaremos caso confirme-se a hipótese, afinal

— Teremos de tratá-lo com altos gastos. – compreendeu Jungkook, estremecendo. – Tudo bem: irei, mãe.

Voo para longe com toda força de minhas asas rosadas.

Obrigada, querido... – riu aliviada, secando o nariz. – Amo-te demais.

— Também amo-te... – fechou os olhos, desligando e sentindo-se mais pesado do que nunca, não conseguindo levantar-se do banquinho.

Abrindo os olhos e fitando sua pintura borrada em tons gris, notou como semelhavam pulmões adoecidos, elucidando o odor de tabaco e as memórias do pai. Alisou os cabelos: talvez devesse desesperar-se, mas algo dizia-o para manter a calma, afinal, desespero não resolveria nada.

— Tudo bem... – segredava. – Ficará tudo bem, Jungkook... – sorriu leve, reabrindo os olhos e endireitando-se. – Não há nada que você não possa fazer, porque impossível é só questão de opinião.

*

“Abro minhas asas, que foram feitas para voar...

Se minhas asas pudessem voar...”.



Notas finais do capítulo

Retomei alguns personagens e novas situações, todos essenciais para o encerramento desta Era e início da Quinta -- Era "Her".

Comentários? *-*

Beijos ♡



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