Young Forever escrita por Whalien 52


Capítulo 24
Fire


Notas iniciais do capítulo

Sugestão: parte final do capítulo, se quiserem, coloquem a música "Tattooed In Reverse", do Marilyn Manson para ouvirem.

Música: Fire (BTS).
Álbum: Young Forever.

Boa Leitura!
Perdão pelos erros'



“Está pegando fogo”.

*

— Jiminnie? – avocou a mãe logo cedo ao voltar para casa.

Deixou os sapatos na entrada, junto à bolsa e uma pasta com documentos, bufando e retirando o elástico que prendia os cabelos um tanto grisalhos, já que há tempos não viam tinta. Caminhou descalça pelo chão frio, porquanto os chinelos jaziam dispersos no corredor com algumas roupas.

Uma gatinha de guizo avocou atenção.

Correu à cozinha e a mãe seguiu-a.

— Curry? – ao apoiar-se no batente, observou o filho agachado e com uma expressão longínqua, colocando ração na tigela. Sorriu. – Jiminnie. – encarou-a. – Voltei.

— Bem-vinda... – desviou o olhar a Curry, acarinhando a cabeça dela enquanto via-a comer. – Lembrou-se de voltar para casa, é?

— Por favor... – suspirou, cruzando os braços. – Sei que a conjuntura não agrada-te—

— Papai não queria-me e você parece não querer também. – quando levantou-se, a mãe percebeu que as roupas novas estavam largas. – Não liga para mim.

— Claro que ligo, não diga uma coisa dessas! – ofendeu-se, beirando-se de braços cruzados. – Estou trabalhando dobrado para pagar nossas contas. É difícil, eu sei, também queria passar mais tempo em casa e fazer planos contigo, mas—

— Está saindo com um cara do seu trabalho. – virou-se irritado. – Para ele tem tempo, não?

— Ei—

— Meu pai ainda é o mesmo, saiba disso.

— Ninguém substituirá seu pai! Caramba, por que está insinuando tanta coisa errada, Jimin? Sou sua mãe!

— Ainda? – os olhos de ambos arderam e encararam-se por bom tempo, que fez inclusive Curry parar de comer e fitá-los. – Não sei mais se tenho família.

— Amo você. – engoliu o pranto, limpando o canto dos olhos. – Sempre será meu filho, Jiminnie, então, por favor, entenda meu lado: estou solitária após o divórcio e mereço ser feliz, abrir-me a outros relacionamentos. Ninguém tomará o lugar de seu pai, querido.

— Acha que não fico solitário? Mesmo com os meninos, sinto-me sozinho aqui! – bateu no peito. – Bem aqui, mãe! E não passa, não melhora! – deixou as lágrimas rolarem. – Por que sou um erro, falhei em nascer e viver...!

Quando acordo no meu quarto, sou ninguém.

— Querido, não—

— Não ligam: papai, tios, avós, você... – encostou-se na pia, enquanto Curry arranhava preocupada sua perna. – Não é frescura, não quero chamar atenção: preciso de atenção, mãe... Não sinto-me vivo mais...

— Jiminnie...! – puxou-o e abraçou-o, beijando-o no rosto e chorando junto, acarinhando seus cabelos e não tendo a cintura envolvida. Conforme apertava-o, pensava que quebrá-lo-ia. – Está tão—

Gordo... – soltou-se do abraço, gritando e limpando as lágrimas velozmente. – A culpa é minha: perdão ter nascido, mãe!

— Jimin! – tentou puxá-lo quando passou correndo por si, mas a mão ficou solta no ar, que trouxe o som da porta batendo. Caiu no chão, enquanto Curry, também assustada, encarava a porta da cozinha. – Amo-te tanto, Jiminnie, e estou vendo o que há contigo...

“Então ajude-o, senhora Park”...

Suplicou Curry, roçando-se nela e tentando secar as lágrimas.

Algo que, naquela casa, já tinha demais diariamente.

*

Após o sol pôr-se, ando tropeçando.

Jimin, no breu da academia de dança, iterava os passos da gravação de Hoseok e Myo. Girava, erguia os braços e inclusive encenava diante do espelho, pulando e deslizando pelo chão. Não importava como ou quantas vezes mudasse a técnica, ainda dançava como Park Jimin e caía pesado em cada salto, demonstrando como estava obeso, precisando emagrecer.

Girou e gemeu com a dor que as pernas esfoladas acarretavam, percebendo a visão enegrecer mais que o local, além de turvar e a respiração falhar. Não comera há tempos e era boa notícia, contudo, seu corpo discordava: sem nutriente, não tinha como funcionar. A música deteve e Jimin percebeu que a cabeça estava rápida iterando movimentos, mas seu corpo não acompanhava.

Estava mais da metade fora de compasso.

Mordeu o lábio inferior e a luz acendeu subitamente.

Fechou as pálpebras.

— Jiminnie! – conforme o corpo desfaleceu, braços apanharam-no instantaneamente, os quais Jimin não reconheceu por não entender o que acontecia. – Ei! – percebeu que sentou e as costas eram sustentadas pelo amigo, então deixou a cabeça pender no peito dele para ouvir o coração acelerado, tão diferente do seu que mal batia. – Jimin, ei! Reaja! Fale comigo!

— Jiminnie! – a voz feminina tão amada e odiada não permitiu que Jimin reabrisse os olhos, sentindo-a abaná-lo. – Acorde!

— Chega. – exigiu a tutora, acompanhada de outros passos. Dificultosamente, Jimin reabriu as pálpebras: estava nos braços de Hoseok, com Myo abanando-o e a tutora rude encarando-o, enquanto murmúrios de outros dançarinos repercutiam. – Precisa retomar massa, caso contrário não volte.

Torno-me uma destruição total.

Estou bêbado: só xingo nas ruas.

— Professora—

— Sem mais, Hoseok. – interrompeu. – Venho avisando-o há tempos, então não está mais em minhas mãos tentar ajudar quem não deseja ajuda.

— Nem sabemos o que Jiminnie precisa, tampouco pelo quê está passando! – defendeu Myo, incrédula com a postura da mulher. – Precisamos—

— Já fiz minha parte. – deu as costas. – Lavo minhas mãos.

Perdi minha cabeça como um cara maluco.

Todo mundo está uma bagunça vivendo como bipe-bipe.

Hoseok fuzilou-a, bem como Myo, ambos pegando Jimin pelos braços magros e colocando-o de pé, porquanto agora parecia mais lúcido que segundos antes. Retiraram-no do salão e levaram-no à sala de espera, onde Hoseok agachou-se frente à Jimin sentado no banco, vendo-o piscar duro e respirar lento, semelhando que desmaiaria.

Myo voltou com um copo e sentou-se ao lado de Jimin.

— Tome. – pegou, tendo as costas acarinhadas por ela e a perna apertada por Hoseok. – Água com açúcar.

Antes de levar à boca, arregalou os olhos e estremeceu, devolvendo.

— Jiminnie, por favor—

— Não quero. – curvou-se e escondeu o rosto nas mãos. – Ensaiem. Voltarei para casa.

— Se é assim, iremos contigo—

— Não! Deixem-me sozinho! – levantou-se rápido ao interromper Myo. Levou a mão à cabeça e quase caiu novamente, se não fosse Hoseok. – Deixem-me...

Viva seu próprio caminho: é seu de qualquer jeito.

— Não, Jimin. – Hoseok franziu o cenho. – Iremos levá-lo para casa: chega de fugir de nós. – Myo assentiu, ajudando a mantê-lo de pé. – Somos seus amigos, então dependa de nós.

Pare de tentar: está tudo bem perder.

Sem argumentar, deixou que carregassem-no.

De um inferno ao outro.

*

Jimin soltou-se de Hoseok e Myo assim que entrou em sua casa. Retirou os sapatos e atravessou o corredor, puxando a cordinha que tinha no teto: seu quarto no sótão. Curry miou alto e arranhou a perna de Jimin ao vê-lo ter dificuldades em abrir uma portinha que nunca dera problema.

— Querido! – a mãe apareceu no momento que Jimin tentou subir, contudo, fraco, caiu. Agachou-se no chão. – Ei, olhe para mim! – ele negou, enquanto Myo e Hoseok explicavam rapidamente o que incidira, fazendo-a arregalar os olhos. – Vamos ao hospital—

— Não! – levantou-se e cobriu o rosto com as mãos. – Chega de fingir que importam-se! Levar-me ao hospital não resolverá nenhum de meus problemas! Deixem-me em paz, droga! – impulsionou-se para subir novamente, quase caindo. Ralando o joelho ao rasgar a calça, fechou a portinha e trancou-a.

— Jiminnie! – avocou Myo. – Por favor—

Vão embora!— gritou abafado.

— Tá, nós vamos. – Hoseok silenciou-o. – Quando precisar chame-nos, ok? – sem réplica, murmurou. – Ficarei aqui: Jiminnie está nervoso e não é a primeira vez que surta.

— Não posso sair para trabalhar com ele nesse estado! – choramingou a mãe. – Não sei mais o que fazer...!

— Só não desista dele, como não desistirei. – firmou Hoseok, virando-se a Myo. – Volte à academia. Darei notícias.

— Jiminnie não gosta de mim... – baixou o olhar. – Por isso não quer-me aqui, não é?

— Claro que não: ele adora-te. – sorriu compassivo. – Mas é muito fechado, então... – Myo, relutante, assentiu. – Obrigado.

— Avise-nos, ok? – com mais alguns argumentos, a mãe fora levada junto.

Na casa escura e funérea, apenas Curry e Hoseok permaneceram.

E esperavam que Jimin só estivesse chorando.

*

Ei, queime: ateie fogo como se fôssemos queimar tudo.

Yoongi voltara para casa completamente ébrio, caindo pelos cantos.

Ainda era cedo, mas saíra com Hoseok noite anterior quando soube que este desmaiara. Nenhum deles era aberto com relação à vida que viviam, contudo, eram próximos e não pensavam duas vezes na hora de socorrerem-se. Hoseok chamara-o e não comentara nada sobre o desmaio: apenas queria a companhia de Yoongi.

Picharam muros e divertiram-se para espairecer.

Diferença é que enquanto Hoseok voltou para casa, Yoongi foi beber e fumar.

— Ah, inferno... – apoiou-se no batente, cambaleando à pia da cozinha e colocando a cabeça embaixo da torneira, molhando os cabelos com água fria. – Enjoo maldito...

Saíra à noite e voltara apenas naquela hora.

Anime-se até o amanhecer passar completamente.

Bateu a cabeça na torneira e quebrou-a, esguichando água pelos cantos. Injuriou, pegando uma toalha e secando seus fios, virando-se ao apartamento turvo: onde estava Jungkook? Preferencialmente dormindo para não vê-lo ébrio daquela maneira. Torto, caminhou pela sala, banheiro e varanda: nada.

Na área de serviço, ao lado da cozinha, Jungkook também não encontrava-se, então restava somente seu quarto. Ao apoiar-se no batente do cômodo, obteve os olhos arregalados de Jungkook: este segurava fotografias, as quais Yoongi demorou a reconhecer e, quando fez, pareceu que toda embriaguez curou-se, dando lugar à ira.

Podemos apenas viver: somos jovens.

— Que porra está fazendo mexendo nas minhas coisas? – gritou, marchando impetuosamente à Jungkook e arrancando as fotos. – Não permiti—

— Desculpe—

— Foda-se sua desculpa! Não dá-te direito de mexer em nada! – chutou a cômoda, arremessando as fotografias, quebrando coisas ao correr pelo apartamento. – Desgraça!

Cautelosamente, Jungkook seguiu-o e suas suspeitas com relação às fotos confirmaram-se: Yoongi namorava Dong-Yul, o antigo professor do ensino médio. Os beijos registrados e sorrisos delineados nos lábios não mentiam.

— Yoon, desculpe, não foi proposital... – viu-o agachar-se e gritar. – Você namorava nosso professor...?

— E daí? Ele morreu! – o coração de Jungkook falhou, fazendo-o arregalar os olhos e tartamudear, estremecendo. – Já era! Foi acidente, mas devo ter causado isso! – quebrou um jarro na parede. – Satisfeito?

— Não deve ter sido sua culpa... – murmurou. – Não culpe-se...

Sabia que palavras não adiantariam, então correu e abraçou Yoongi fortemente, ouvindo-o gargalhar cínico e empurrá-lo, chamando-o para briga. Trincando os dentes, desferiu um soco no mais velho para fazê-lo acordar, mas só conseguiu recuá-lo e apanhar, vendo-o arremessar a cadeira na parede.

Novamente testemunhava o surto de Yoongi, remetendo-o às suas visões.

— Suga... – apelidou, vendo-o socar a parede. – Ei—

— Saia daqui! – gritou, cerrando os olhos e batendo forte a cabeça no batente, deslizando-a junto ao corpo. Lágrimas desceram contíguas aos soluços, enquanto arranhava a parede descascada. – Saia antes que eu mate-te também, Kookie...

Sair ou ficar? Jungkook fitou as próprias mãos, sentindo o rosto formigar: pensava ter amadurecido, mas ainda era a mesma criança que estagnava quando um amigo surtava. Não sabia se era melhor deixar Yoongi sozinho para acalmar ou se vigiar era mais sensato. Confuso, saiu do apartamento, tendo os soluços de Yoongi ecoando em sua mente.

Alisou os cabelos: deveria pedir ajuda?

Ou só amadurecer?

*

Mãos para cima: faça barulho!

Queime!

Após quase cinco horas, Hoseok bateu novamente na portinha de Jimin, chamando-o. O silêncio já estava insuportável e temia o que o menor pudesse ter feito além de chorar, bem como Curry demonstrava temer também. Numa nova insistência, já prestes a arrombar, ouviu o trinco desfazer-se. Deu tempo de ouvir Jimin voltar à cama, então subiu levando Curry, que pareceu aliviar-se ao ver o dono sentado debaixo de cobertas, fitando os próprios dedos.

Encarou o teto: a antiga janela em cima do leito estava fechada com uma placa de madeira, sinal que algo não ia nada bem com Jimin, que sempre admirara e interessara-se pelo firmamento, estrelas e universo.

Compassivo, cauteloso, aproximou-se e sentou-se na cama.

Colocou suas mãos sobre as pequenas de Jimin.

— Yoon... – murmurou. – Quero falar com Yoon...

— Ah... – Hoseok tentou sorrir. – Claro... – baixou o olhar. – Ligarei para ele se só quiser conversar—

— Deixe... – encostou a cabeça no peito de Hoseok, que segurou seus ombros. – Desculpe-me, Hobi...

— O que está acontecendo, Jiminnie? Fale-me qualquer coisa, por favor. – resgatou os olhos do pequeno, que estavam inchados. – Sua mãe e Myo preocuparam-se... – Curry pulou na cama, fazendo-os sorrir pequeno. – Ela também.

— Não sei o que há comigo: não entendo-me. – acarinhou Curry, encarando Hoseok. – Sinto-me cada vez mais vazio, pior a cada instante. Nunca serei bom em algo...

— Não te consolarei, porque, de alguma forma, compreendo como sente-se: sinto-me igual. – viu-o arregalar os olhos. – Desculpe-me nunca abrir-me, mas não preocupe sua mãe, sim? Por mais ausente, ela ama-te e não abandona-te... – baixou os olhos. – Diferente da minha...

Covardes venham aqui.

— Sua mãe realmente abandonou-te? – Jimin engoliu seco, vendo-o assentir e retirar um frasco de ansiolítico do bolso da jaqueta. – O quê—

— Tomo regularmente: dosagem maior do que devia. Não conte aos outros, ok? Mas desmaiei por causa disso. – encarou-o. – Só fujo do fato, não encaro-o como pensam que faço. Sou covarde, Jiminnie, mas você e os outros são minha força. Não afaste-nos quando sentir-se assim, porque só piorará.

— Desculpe—

— Não desculpe-se. – sorriu, apertando a bochecha magra de Jimin, fazendo-o rir. – Somos irmãos, amo-te: farei tudo para ver-te sorrir, ok? Então deixe-me ficar contigo hoje.

— Fique comigo eternamente, se possível... – baixou os olhos, desfazendo o sorriso. – Porque sozinho não durarei.

Angustiados venham aqui.

*

Andando cabisbaixo com as mãos no bolso do agasalho, Jungkook olhava os próprios pés, contando quantos passos além do apartamento de Yoongi estava.

O quanto afastava-se do momento crítico entre amadurecer e ser eterna criança.

Teve o ombro trombado num dos traficantes da região, murmurando desculpa sem atentar-se aos chamados hostis que recebera dele e do comparsa. Acordou de seus devaneios quando fora pego pelo ombro e virado, auferindo outro soco no rosto e sendo jogado contra a parede da loja.

Os olhos reconheceram os agressores, mas a mente divagava entre eles e o céu, o qual sabia que Yoongi sempre olhava quando precisava pensar – e aquele que vira estrelas com os amigos. Sorriu pequeno ao pensar que cada um dos meninos era uma estrela em seu firmamento e, portanto, não poderia deixá-los apagar e desfazer sua constelação. Desencostou-se da parede e cambaleou, não entendo nada do que o cara dizia, quase perdendo os sentidos quando auferiu novo soco e empurrão.

Com seus punhos nus levantados a noite inteira.

— Reage, pivete! – exigiu o agressor, dono da área. – Cadê seu namoradinho? Chutou-te de casa?

— Ou suicidou-se? Porque aquele cara é o maior suicida drogado da área! – gargalhou o comparsa, empurrando Jungkook e fazendo-o deslizar na parede, sentando-se. – Vamos, diga algo!

— Yoon... – tartamudeou enrolado pela boca ensanguentada e rosto levemente inchado. – Jamais faria isso...

— Não conhece o cara com quem sai. – riu cínico o primeiro, que abaixou-se e pegou a carteira de Jungkook, sorrindo satisfeito com as notas. – Provavelmente já sofre demais na mão daquele cretino. – chutou o ombro de Jungkook, gargalhando. – Até a próxima surra, pivete.

Arfante, olhou-os afastarem-se, semicerrando o olhar e recordando cenas de seus pesadelos e pinturas relacionadas à Yoongi: fogo, além de um acidente de carro. Ao recordar-se das vezes que Yoongi fitara o isqueiro aceso e do surto de mais cedo, reabriu as pálpebras até arregalá-las, colocando-se de pé num salto dolente.

Não queria pensar, mas talvez Yoongi não aguentasse sozinho.

Quiçá, novamente, suas visões estivessem certas.

Precisava impedir.

Com passos de marcha, tente correr.

*

Conforme corria, o corpo curava, mas o coração acelerava mais que o normal: se algo acontecesse, seria sua culpa. Avistando fumaça quando virou a esquina, além de pessoas paradas chamando bombeiros, Jungkook correu mais célere e furou a multidão, que não tentara impedi-lo de entrar no prédio em chamas.

Estava quente e abafado, difícil de respirar pela fumaça tóxica. A escada de madeira ajudava a queimar tudo mais rapidamente, quebrando-se fácil. O que piorava Jungkook eram suas tosses e a certeza de que as chamas originaram-se de dentro do apartamento de Yoongi, não só devido à aglomeração delas, mas às suas visões infalíveis. Arrombou a porta e olhou de um lado ao outro, quase não enxergando.

— Suga! – gritou, tossindo e defendendo-se quando parte do teto caiu. – Ei, cadê você?

Queime tudo, completamente.

Atravessou as chamas e correu ao quarto de Yoongi, cuja porta estava aberta: avistou-o deitado inconsciente na cama, sendo que o isqueiro estava no chão, provavelmente tendo caído da mão quando ele desfaleceu. Tirando força de onde não sabia existir, puxou-o, arrastando-o pelo chão e tentando erguê-lo para tirá-lo dali sem queimá-lo.

Defendeu-se de mais um pequeno desabamento, apoiando Yoongi em seus ombros e puxando-o escadaria abaixo, tirando-o do prédio em meio à fumaça tóxica. Assim que saiu, por sorte, fora acolhido por bombeiros, que rapidamente encaminharam-nos ao hospital mais próximo, enquanto o fogo era controlado e apagado.

Se tivesse ficado, talvez Yoongi não tivesse incendiado tudo.

Mas, pelo menos, estava com ele.

*

— Cidade caótica. – comentou Namjoon a Jin após sair do banho secando os cabelos. – Bombeiro e ambulância...

— Imagino o que houve. – suspirou Jin. – E já anoiteceu: quem diria que o dia passa rápido quando divertimo-nos.

— Verdade. – riu Namjoon, caminhando ao celular quando este tocou com a música do The Gazette, que colocara para homenagear Taehyung, grande fã. – Tae? – colocou no viva voz. – Que barulho é esse?

Mon, vem buscar-me...?— o som da música eletrônica e sinistra atrás abafava a voz torta de Taehyung. – Estou com medo...

— Está bêbado? – estranhou Namjoon, entreolhando-se com Jin.

— Onde está? – indagou o mais velho, preocupado. – Tae, está ouvindo?

Silly Night... – resmungou, parecendo trombar em alguém. – Não estou bem...

— É balada? – insistiu Namjoon nervoso. – Taehyung, onde fica isso?

Estou com medo, mãe...

E a ligação caiu, o que fê-los entreolhar-se assustados.

— Tae não frequenta balada...! – Namjoon engoliu seco, vendo Jin pegar seu celular e jogar o nome do local no GPS, encontrando. – É perto?

— Não muito. – pegou as chaves do carro e Namjoon jogou a toalha na cama. – Tae não é disso, então precisamos buscá-lo.

*

Taehyung bebera, dançara e inclusive pulara do palco e caíra na plateia: agora sentia-se pior que quando chegara naquele inferno. Trombava nas pessoas e quase fora agredido quando encarou uma menina, namorada de um dos homens – só saindo ileso quando este percebeu que Taehyung estava fora de si, não enxergando nada ao redor.

Cambaleou ao sanitário, passando por casais namorando, e entrou onde dois caras comerciavam drogas. Apoiou-se na pia e arfou: desde a ligação, quanto tempo passara-se? Parecia eternidade. Resmungou, encarando a dupla de traficantes tatuados ao lado, que fitaram-no curiosos.

— Cara, quer um nocaute? – ofereceu o mais forte. – Acabo com sua agonia.

— Não... – fechou os olhos e alisou os cabelos. – Valeu...

Retiraram-se quando o negócio ilegal findou, ficando Taehyung sozinho. Colocou-se em postura e retrocedeu passos, a visão turva e colorida como as luzes da balada, que tocava Tattooed In Reverse, do Marilyn Manson. Ouviu a porta quase ser arrombada e, nisso, bateu as costas num dos boxes, deslizando ao ter os ombros pegos por vozes confusas, mas carinhosas e preocupadas.

Sentou-se e seu rosto fora acarinhado, bem como a nuca.

Os olhos já quase não abriam-se.

— Tae, o que tomou? – negou, tombando a cabeça de um lado ao outro, ficando firme somente quando Namjoon chacoalhava-o para impedi-lo de desfalecer. – Usou alguma droga?

— Está acompanhado? – negou a Jin. – Mon, vamos. Ele não está entendendo.

— Droga, Tae! – junto a Jin, Namjoon ergueu Taehyung e cada um apoiou-o num ombro, arrastando-o para fora e pela multidão, que confundia-os contíguo às luzes piscando no ritmo violento.

Jogaram-no dentro da caminhonete, sendo Namjoon a apoiar a cabeça de Taehyung em seu colo, enquanto Jin dirigia de volta à casa.

Não sabiam o motivo da atitude do mais novo...

Mas entendiam que algo grave acontecia.

*

“Perdoar-te-ei”.



Notas finais do capítulo

A Segunda Era está chegando ao fim...

Comentários? *-*

Beijos ♡



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