Young Forever escrita por Whalien 52


Capítulo 19
Run


Notas iniciais do capítulo

Essa música tem um peso para mim...

Música: Run (BTS).
Álbum: The Most Beautiful Moment in Life, Part 2.

Boa Leitura!
Perdão pelos erros'



 

“Você é meu único sol, único mundo: floresci em sua direção, mas continuo sedento.

Já ficou tarde demais: não consigo viver sem você”.

*

Era como cair num poço profundo, afogando-se em pecados, nas próprias lágrimas.

Eis a sensação de Taehyung, conquanto tivesse passado duas semanas desde o assassinato de Soonshim. No tempo, ficara na casa de Jin e auferiu apoio dele e dos outros, ainda assim, nenhuma reza traria seu fiel escudeiro de volta. No quintal em que Yoongi enterrara Soonshim, Taehyung acarinhava a grama, agachado, enquanto Jin aguardava-o atrás, em pé.

— Foi mal, amigão... – segredou pela milésima vez, engolindo o pranto e levantando-se. – Obrigado por tudo. – deu as costas, caminhando de cabeça baixa. – Vamos...

— Certeza? – Taehyung passou e Jin seguiu-o. – Os meninos pediram para que encontrássemo-nos na praça aqui perto. Tudo bem?

— É a única coisa que quero. – estagnou de cabeça baixa. – Estar com vocês.

— Estaremos sempre e faremos valer. – apoiou a mão no ombro de Taehyung, auferindo seus olhos. Sorriu doce. – Acredite.

Conquanto meus galhos sequem, estendo minha mão mais fortemente.

Num meio sorriso, Taehyung acreditou.

Os amigos eram seus maiores anjos.

*

Deitados uns sobre os outros, encaravam o céu meio azul, meio branco.

Música da cidade: trens e carros compunham instrumentais, falas em celulares e chicletes mascados faziam o vocal. Pensavam em si e vigiavam-se: após o que incidira com Taehyung, ninguém gostaria de prosseguir escondendo assuntos, contudo, ainda não arranjaram meios de expor.

— Preciso... – começou Taehyung respirando fundo, deitado sobre Namjoon. – Extravasar.

— “Extravasar”? – iterou Jimin, único sentado. – O quê?

— Sei lá, preciso sair de mim. Socar uma parede, quem sabe.

— Será irônico eu dizer, mas não gaste tempo socando paredes na esperança de transformá-las numa porta. – comentou Yoongi. – Mas se deseja, extravase.

Conquanto estenda minha mão, o sonho despedaça-se.

— Concordo. – Hoseok levantou-se da perna de Jimin e ficou em pé, colocando as mãos nos bolsos. – Vamos correr, fazer um monte de nada, pichar uns muros.

— Vamos. – levantou-se Jungkook, estendendo a mão a Taehyung. – Qualquer coisa.

Taehyung elevou o olhar a Namjoon, que sorrira e ajudara-o a sentar-se. Virou-se à mão estendida de Jungkook e, sorrindo, apanhou-a, erguendo-se. Jimin deitou-se, enquanto Yoongi punha-se de pé e observava-o de cima, também estendendo a mão e ajudando-o a erguer-se. Jin observou a caminhonete e os amigos: por mais interessante que fosse dirigir, nunca era melhor que locomover-se com eles.

Mesmo correndo como louco, permaneço no mesmo lugar.

Num ímpeto, tomaram direção e correram em bando, quase na mesma velocidade: não havia quem fosse muito à frente, tampouco quem permanecesse atrás. De alguma forma, para Jin era uma explicação: havia os mais atléticos e os menos no grupo, contudo, numa amizade como a deles, sempre caminhavam ou corriam juntos. Seguindo-os e sentindo o vento no rosto, pulando muros e infiltrando-se em ruas, indagava-se se todas as amizades eram daquela maneira ou se apenas eles eram loucos.

Não mediram esforços em atazanar a vida de outros ou em amassarem-se em cabines fotográficas de estações de metrô, fazendo caretas e várias poses nos diferentes flashes. Repartiam fotografias, cada uma mais bizarra e bela que a outra. Taehyung, correndo, percebeu como todos estavam mais sorridentes do que no ensino médio, inclusive Yoongi, sempre tão fechado.

Apanhe-me, empurre-me mais para o lado: essa é a corrida de alguém que enlouqueceu por amor.

A única parada que fizeram fora para lancharem, sendo que Jimin recusou-se a comer tanto quanto os demais, alegando não estar faminto. Ocupou-se em brincar com uma bola, chutando-a e fazendo-os gritar pela lonjura que alcançou, sendo impossível reavê-la da água. Não havia motivos para correrem, como se tentassem chegar a tempo num compromisso: queriam extravasar a dor que sentiam, ajudando Taehyung a livrar-se da dele.

Faça-me correr mais...

Conquanto meus pés estejam cheios de feridas, sorrio apenas por ver seu rosto.

— Casa do Hobi! – gritou Namjoon, vendo-o pular e exigir para que seguissem-no. Jimin tomou a frente, correndo ao lado de Hoseok. – Ah, agora tomou velocidade? Volte aqui, Jiminnie!

— Pegue-nos se puder! – provocou, obrigando Jungkook a aceitar o desafio, não ultrapassando-os por não ter certeza de onde Hoseok morava.

Namjoon puxou Jin e Taehyung, percebendo como inclusive Yoongi esforçava-se para tomar a frente, como numa amigável competição sem sentido. Hoseok morava pertinho de Jimin e, portanto, aquela região ficava cada vez mais conhecida e não mais perder-se-iam pela vizinhança se tivessem de visitá-los sozinhos. Hoseok quase arrombou a porta ao entrar, seguido por todos, menos Namjoon.

Corra, corra, corra: não consigo parar, não tenho escolha.

Este parou e encarou: Hoseok sempre fora sozinho e agora tê-los-ia ali.

Não era à toa que sorria mais largo que o usual.

Jimin voltou à porta e sinalizou, mandando Namjoon entrar. Assim que fez, observou como Hoseok enfeitava a casa como se preparasse-a para uma festa – na verdade, talvez tivesse feito mesmo, sabendo que seria bom para descontrai-los. Tudo fora de lugar, paredes rabiscadas, objetos espalhados, luzes penduradas e discos de vinis tocando Nirvana. Namjoon queria saber se sempre era bagunçado daquela maneira, mas na folia esqueceu-se de pensar.

Sendo como for, não posso fazer nada além disso.

Dançou, pulou para tentar quebrar o chão, assoprou buzinas enquanto Yoongi arremessava bebidas e os demais espalhavam confetes. Taehyung e Jimin jogaram Jin contra uma das paredes que Hoseok pichara na sala, cortando-o com um X de spray preto, manchando a blusa branca e fazendo-o rir.

Hoseok, num carrinho de supermercado, fora trazido por Jungkook e Jimin, e empurrado em Taehyung, que tentara sentar-se no sofá, tendo uma pilha de copos vermelhos caído em cima. Rindo, não atentaram-se que Yoongi e Jin traziam travesseiros, os quais utilizaram para atacarem-se. Penas voaram e isso originou uma guerra: um batia no outro fortemente, enfeitando-os de branco, bem como o chão quando as penas declinaram.

Corra: conquanto caia, está tudo bem.

Jimin deitou-se no plano, tendo Hoseok deitado em seu braço direito, encarando-o por baixo: ainda eram os mesmos moleques do ensino médio e de dois anos de convivência, entretanto, Jimin engolia seco ao recordá-lo com Myo, a garota que amava e não olhava para si.

Conquanto machuque-me, que eu não possa ter-te, estou bem.

O destino bobo amaldiçoa-me.

— O que acham de pegarmos o carro e fecharmos um túnel? – gritou Jin.

— Acho que, se fizermos isso, nos superaremos! – gargalhou Namjoon. – Dentro!

— Precisa perguntar? – Jungkook levantou-se num pulo. – Fecharemos tudo!

— Isso aí! – gritou Hoseok.

Não diga adeus...

Você faz-me chorar.

*

Num horário pouco movimentado, após reaver a caminhonete que deixara estacionada noutro ponto da cidade, Jin paralisou-a lateralmente, impedindo que carros seguissem. Atrás estavam Hoseok, Namjoon e Yoongi, enquanto Jimin e Taehyung, sentados na parte externa, mexiam nas mochilas e retiravam sprays, bebendo refrigerante e dividindo salgadinho. Meneando as pernas no teto da caminhonete estava Jungkook, de costas à entrada do túnel.

Quando buzinas começaram, ele virou-se.

Amor é uma mentira.

Conforme mais de uma dúzia de carros estagnara pelo bloqueio, desembarcaram da caminhonete e pararam lado a lado. Jin fora o único a permanecer no volante, admirando-os. Numa contagem nada programada, gritaram concomitantemente: Yoongi num funil, enquanto os demais com a força dos pulmões, segurando copos de milk-shakes e sprays. Com o grito de guerra, avançaram nos carros.

Cuspindo em vidros, chutando latarias, apertando buzinas, pulando em capôs, derramando refrigerante, arremessando salgadinhos dentro dos veículos, pichando partes de automóveis e revidando insultos: eis a festa mais errada e livre que tiveram, coisa que Taehyung pedira horas antes. Gargalhavam, contudo, ao ouvirem sirenes abordando o local, Yoongi arremessou o copo no carro que provocara-o e correra aos amigos que desciam dos carros, quase atropelando uns aos outros.

Dizem que tudo acabou, mas não consigo parar.

Não sei mais se é suor ou lágrimas.

Passaram pela caminhonete correndo, enquanto rapidamente Jin manobrava e saía da posição de bloqueio, apanhando-os mais à frente, sem sequer parar: pularam na traseira e, numa última provocação, gritaram aos carros que vandalizaram, sentindo-se os melhores e mais livres cidadãos do mundo.

— Cara...! – gargalhava Jimin. – Estou bem demais! – alisava os cabelos, não sentindo sequer dores nas coxas.

O grito dera origem à gargalhada, que contagiou-os.

— Não importa o que digam: são mesmo os caras mais pirados que conheço e orgulho-me de ser parte disso! – anunciou Taehyung. – Corre aí, mãe!

Jin acenou afora do vidro, levando-os a um local mais pacato.

— Anoiteceu... – analisou Hoseok. – As estrelas estão escondidas.

— Por causa das luzes da cidade. – concordou Jungkook. – Queria vê-las nitidamente num céu limpo.

— Combinaremos e vamos. – pensou Namjoon, erguendo ombros. – Ou só vamos.

— “Só vamos” é melhor. – Yoongi sentou-se na traseira, ajeitando-se desleixadamente. – Qualquer lugar em que possamos correr. – sorriu de canto. – Bando de imbecis.

— Aprendemos com nosso pai. – sentaram-se ao lado, batendo na mão de Yoongi. Taehyung encarou o céu novamente. – Obrigado, pessoal...

Meu amor nu e os ventos do furacão apenas fazem-me correr mais com meu coração.

*

Ainda naquela noite, Namjoon observava Taehyung agitar um spray e pichar a porta de uma loja. Cada um tomou rumo ao entardecer, contudo, sabiam que ninguém voltaria para casa imediatamente, tanto que ambos estavam ali com a mochila repleta de sprays, desenhando um bichinho qualquer. Degustando um pirulito, Namjoon sorria a cada traço de Taehyung.

— Ver-te assim anima-me. – viu-o sorrir. – Acha que a praia tem céu limpo?

— Acho, mas nunca fui. – encarou-o. – Como é?

— Bonita, não importando a estação. – alargou o sorriso. – Sugeriremos aos outros, que tal? Conhecerá o mar, Tae.

— Ótimo, mas... – tombou a cabeça. – Jinnie estuda e você trabalha, não?

Trabalhava. Demiti-me há pouco, mas não tive tempo de contar-te e, quanto ao Jinnie, ele leva os dois simultaneamente. É gênio.

— Está perdendo sua posição de gênio ou abdicando-a, Mon? – brincou, fazendo-o rir enquanto prosseguia a pichação. Ao ver uma luz nas costas de Taehyung, Namjoon direcionou o olhar à frente, assustando-se e batendo fraco no braço dele. – Que foi?

— Vamos! Vamos! – apontou e, quando percebeu ser polícia, Taehyung disparou, sendo Namjoon a apanhar a mochila. – Corre! Corre!

— Parados aí! – gritaram os oficiais, fazendo-os gargalhar.

Não satisfeitos em somente correr, viravam e faziam gracinhas, crentes que os policiais não pegá-los-ia. Passaram por ruas desertas e esbarraram em postes, pulando obstáculos que surgiam à frente, porém, deram azar e cruzaram com uma viatura de passagem, que interrompera caminho e apanharam-nos como ratos, socando-os contra o carro, chacoalhando a mochila para revelar todos os sprays.

Namjoon sorriu a Taehyung, que retribuiu olhar e sorriso, perdendo-se na cena ao perceber o que tanto temera na juventude acontecendo: ser pego pela polícia e, talvez, levado à delegacia. Sempre fora pobre e isso era pretexto aos oficiais acusarem-no de qualquer crime, portanto, temia-os. Agora que era enquadrado com Namjoon, não estava nervoso ou temeroso: apenas olhava-o nos olhos e sorria.

— Um... – segredou Namjoon e Taehyung alargou o sorriso. – Dois...

— O que está contando, moleque? – rugiu o policial.

— Três! – fortemente empurraram-nos para trás e ajudaram-se a soltar-se, correndo novamente e abandonando a mochila, agora realmente adotando atalhos para esconderem-se e sustarem as risadas sem fôlego. – Cara...! – ria. – Somos demais!

— Perfeitos! – bateu na mão de Namjoon. – Só assim para sentir-me bem!

— Onde ficará esta noite?

— Voltarei para casa: minha irmã regressou de viagem, então preciso vê-la.

— Mas... – Namjoon ficou sério. – E seu pai?

— Bem... – baixou olhar, franzindo o cenho. – Certamente está lá, sendo outro motivo para ir. – encarou-o. – Vou tirá-la de lá definitivamente e—

— Venha a mim, ao Jinnie ou a qualquer outro. Te acolheremos. – suspirou sério. – Mas irei contigo. Estou com mau pressentimento.

— Melhor não—

— Pediu nossa ajuda e agora nega? – cruzou braços. – Taetae—

— É perigoso: não pelo meu pai, mas pelo bairro. Se de manhã já há problemas com rostinhos novos que aparecem, imagine à noite? – sorriu. – Obrigado, mas dessa vez irei sozinho, ok?

— Não está “ok”... Esperarei notícias, entendeu?

Taehyung assentiu e meneou, tomando curso oposto de Namjoon, que ficou parado vendo as costas dele afastando-se e sendo iluminadas pelo trem que passava ao lado. Talvez pela intensa corrida, Taehyung secava a testa e Namjoon colocava a mão no peito: o coração disparado não parecia ser pela adrenalina, mas pelo mau agouro.

— Cuidado, Tae... – mordeu o lábio inferior, não sabendo se seguia-o ou não.

*

Como uma flor cujas memórias estão secas, quebradas em pedaços...

Também num mau presságio, Taehyung apressou passos e subiu as escadas do prédio. Desejava que tudo estivesse quieto, contudo, ouviu gritos de seu apartamento, 1004. Marchou ao local e entreabriu a porta, franzindo odiosamente o cenho: o pai pegava a filha bruscamente, que exigia para soltá-la aos berros. Socou-a forte e, nesse instante, Taehyung perdeu qualquer fio de sanidade.

Adquiriu uma garrafa da mesinha de bebidas, entrando rápido e violentamente, avançando no pai. Num ímpeto, acertou-o no rosto, quebrando a garrafa, enquanto a irmã gritava e tapava a boca. O homem, desnorteado, não conseguiu reagir quando Taehyung gritou e extravasou sua ira uma, duas, três... Sete vezes com a garrafa em seu estômago, perfurando-o até as mãos ensanguentarem-se.

Soltou o vidro, vendo o pai deslizar na parede e cair. Respirou ofegoso, deixando o silêncio mortis levar a alma do homem embora e a irmã, chocada, alternar olhares entre ele e o pai – herói e monstro respectivamente. Bateu as costas na parede oposta e resvalou até sentar-se, analisando o sangue nas mãos e permitindo que o pânico estremecesse-as.

— O que foi que fiz...? – levou-as ao rosto, gritando. – Droga!

Lágrimas escorrerem dolentes, enquanto a irmã agachava-se, acarinhando-o.

— Tae—

— Saia, Yuna... – solicitou em meio a soluços contidos. – Vá para casa de alguma amiga—

— Não posso deixar-te aqui! – encarou o pai morto noutro lado. – Tae, como ficará quando a polícia descobrir?

— Maldição! – gritou. – Perdão, maninha... Perdão... – encolheu-se. – Deixe seu celular e vá embora, por favor... Não precisa ser parte disso...

— Mas sou—

— Deixe-me proteger-te, Yuna! – encarou-a, ambos lagrimando copiosamente. – Por favor, não detone sua vida como fiz com a minha, tá? – tentou sorrir. – Vá logo... Pegue suas coisas e vá...

— Tae—

— Vá, Yuna...

Desnorteada e com as pernas bambas, Yuna amparou-se nas paredes e apanhou sua mala que ainda não fora desfeita. Deixou o celular na mesa e, trêmula, abandonou o irmão com o cadáver ensanguentado do pai, amaldiçoando-se por tê-lo obrigado a protegê-la daquela maneira. Assim como no começo, Taehyung curvou-se e escondeu o rosto nas mãos: novamente caindo num poço profundo, afogando-se em pecados e lágrimas.

Será que havia tempo de correr e fugir de seu parricídio?

Da ponta dos meus dedos, debaixo dos meus pés, por trás de minhas costas...

*

Voltando para casa, Hoseok e Jimin riam ao recordarem-se do dia: nunca enlouqueceram tanto num pequeno período de tempo.

— Até Yoon superou-se! – ria Jimin. – Caramba, que coisa!

Correndo como se estivesse perseguindo uma borboleta...

— Não é? – gargalhava Hoseok, trazendo o ombro de Jimin para si. – Ah, estou tão feliz de termos voltado a amizade! Melhores dias novamente!

— Concordo—

— Bonito, hein? – uma voz feminina fê-los parar e virar. Arregalaram olhos e corações dispararam ao avistarem uma menina de cabelos curtos. – Aonde vão nesse horário, belezinhas? E por que não aparecem mais nos ensaios?

— Myo! – sorriu Hoseok, largando Jimin e beirando-se dela. – Eu que pergunto-te! O que faz aqui a essa hora?

— Remédio para cólica. – ergueu uma sacolinha. – Um inferno. – encarou Jimin estático e com olhos arregalados, respiração ofegosa. Acenou fofa. – Ei, Jiminnie, não me cumprimentará? Nem fala mais comigo.

— Desculpe... – tentou sorrir, mas falhou quando Hoseok ajeitou o cabelo dela atrás da orelha, recebendo um leve tapinha. Tartamudeou. – Ah, voltarei para casa. Não sinto-me bem.

— Hã? Espere! – pediu Hoseok. – Irei contigo então—

— Não, minha casa já é aqui. – apontou, sorrindo rápido e fazendo-os encararem-no preocupados. – Leve Myo, sim? Vemo-nos na academia.

— Tá... – meneou Myo, entreolhando-se com Hoseok quando Jimin partiu. – Jiminnie não gosta de mim, não é?

— Gosta, só... – semicerrou olhos ao caminho escuro. – Não entendo porque corre...

*

Jimin quase arrombou a porta de casa quando entrou alvoroçado, largando os sapatos na entrada e andando de um lado ao outro, chorando, soluçando, curvando-se. Alisava os cabelos e gritava, atraindo a única moradora: Curry, sua gata.

“Qual o problema, Chimchim?”

Encarou-a no corredor e limpou olhos, passando por ela e entrando no banheiro, despindo-se rapidamente enquanto chutava paredes e socava batentes, esbofeteando-se. Abriu o espelho e retirou sua fiel companheira: uma pequenina lâmina. Ofegando, deslizou na parede e sentou-se no chão, estremecendo e cerrando olhos quando beirou o objeto da pele ferida da perna. Gritando, cortou perto da virilha e na parte externa das coxas, arrancando o vermelho que tão bem conhecia.

— Lixo! Lixo! Lixo! – iterava simultaneamente que incisava-se. – Ela jamais olhará para ti, jamais! Lixo! Nojento! Aborto! – curvou-se, largando a lâmina e encarando o sangue pingar. – Park Jimin: você é ridículo, imbecil, gordo e nojento... Morre logo, infeliz...!

“Chimchim... Por que machuca-se novamente?”

— Desculpe, Curry... Não olhe-me agora, tá? Nunca revelarei essas marcas ou mentirei dizendo que foi você. Só deixe-me sozinho, por favor...

Ignorando-o, Curry permaneceu, única testemunha do verdadeiro Park Jimin debaixo de todos os sorrisos fofos e delicadezas: agressivo contra si e deprimido, prestes a exterminar-se.

“Chimchim...”

*

Vagando por um sonho, seguindo seus rastros...

Yoongi acordou sobressaltado. Levou a mão aos cabelos e bagunçou-os, amaldiçoando-se: gastara tanta energia e enfim adormecera, entretanto, aquela cena voltara a atormentá-lo em pesadelos. Insultando-se, levantou-se da cama e caminhou à sala, checando Jungkook desmaiado de cansaço no sofá. Retirou o isqueiro do bolso e apoiou-se na grade da varanda aberta, apanhando um cigarro e acendendo-o, checando as últimas mensagens.

— Droga, Don... – cerrou olhos, tragando fumo. – Não é justo ter somente seus versos salvos. Não é justo morar sozinho em minha mente. Por que ainda quero acabar comigo...?

*

“Por favor, diga-me qual caminho, pare-me...

Por favor, deixe-me respirar”.



Notas finais do capítulo

É complicado falar algo decente sobre essa Era, mas espero que estejam gostando.

Comentários? *-*

Beijos ♡



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