Young Forever escrita por Whalien 52


Capítulo 11
Let Me Know


Notas iniciais do capítulo

Penúltimo capítulo da Primeira Era ♡

Música: Let Me Know (BTS).
Álbum: Dark & Wild.

Boa Leitura!
Perdão pelos erros'



 

“Nossa melodia que já terminou...

Estou segurando-me”.

*

— É sério: não fui eu. – frisou Yoongi a Dong-Yul sentados à mesa. – Preocupou-me também, mas não pertence-me.

— Mesmo? – viu-o assentir. – Tá, desculpe-me. Preocupo-me contigo e, sabendo as coisas que passam em sua mente, precisa entender meu lado.

— E entendo, não estou bravo. – suspirou, alocando as mãos nos bolsos e mexendo uma perna. – Mas podia ter sido mais sutil ao abordar-me.

— Por quê? – riu. – Preocupei seus amigos?

— Talvez: devem ter pensado o mesmo que você.

— Por que não esclarece a eles que o recado não pertence-te? – apoiou-se na mesa, alargando o sorriso. – Vamos, Yoon.

— Farei isso, não pressione-me. – desviou o olhar. – E estamos no colégio.

— Mas sozinhos—

— Se ouvirem-te chamando-me assim—

— Direi que sou seu professor mais próximo e, eventualmente, apelido-te. – fê-lo rir. – Levantará mais suspeita, não?

— Óbvio. Desculpe-me preocupar-te tanto.

— Esqueça. E o ombro?

— Continua um lixo.

— Sua cabeça? – Yoongi desfez o sorriso e negou, baixando-a. – Diga-me qualquer coisa que pensar. Somos próximos, certo? – viu-o assentir. – Embora evada de mim algumas vezes. Sabe o que tranquiliza-me? – Yoongi ergueu a cabeça e negou. – Vê-lo com seus amigos.

— Não enciúma-se?

— Deveria, mas vejo como tratam-te e como fica bem com eles. Acalma-me.

— É... – sorriu cansado. – Acalma-me também. Sabe... – ajeitou-se melhor. – Gostaria de assumir-te um dia. É quatro anos mais velho—

— Sou um cara, seu professor... Como acha que reagirão?

— Só... – negou. – Apoiarão.

— Então esperarei quando estiver preparado, ok? E, aliás, nada de forçar seu ombro.

— Tá, Don... – levantou-se com as mãos nos bolsos. – Voltarei—

— Prometa-me que conversará com o psicólogo. – viu-o hesitar. – Por favor.

— Pensarei no caso e, se decidir por sim... – deu as costas. – Vá comigo.

— Claro... – a porta fechou. – Sempre te apoiarei, Yoon.

Diga-me se isso terminou: deixe-me saber.

*

De cabeça baixa, aproveitando a nula movimentação nos corredores, Yoongi chutava poeira e sentia-se péssimo cada vez que pensava em desistir de tudo, maiormente quando tinha amigos e um relacionamento estável, mesmo com altos e baixos. Não queria ser assim, mas não conseguia mudar, mesmo tentando diariamente. Parou frente à escadaria e assustou-se quando Jimin, descendo correndo, cambaleou no último degrau.

Num ótimo reflexo, segurou-o com o braço esquerdo, cerrando pálpebras e recuando dois passos, gemendo por ser o lado lesionado. Ao reabrir os olhos por ouvir mais passos, encarou os orbes preocupados de Jimin.

— Cuidado—

— Você está bem? Desculpe! – agitou-se. – Não foi proposital—

— Tudo bem—

— Não está—

— Não gritem! – solicitou Namjoon, tapando a boca quando percebeu ser ele gritando. – Mal. – suspirou. – Que houve?

— Tropecei e Yoon segurou-me com o braço do ombro lesado! – viram-no segurar o local e fazer expressão dolente. – Perdão—

— Jiminnie, chega. Estou bem. Machucou-se? – Jimin negou. – Ótimo.

— Não machucaram-se mesmo? – indagou Taehyung.

— Eu não, mas Yoon—

— Está tão leve, que realmente não foi nada. – deu um peteleco na testa de Jimin. – Precisa alimentar-se ou virará pena.

O sorriso simples de Yoongi fez Jimin aliviar-se, assentindo.

— Por sinal, procurávamos-te. – Jin sorriu doce. – Recorda-se da música que não apresentamos no festival? – engolindo seco, Yoongi assentiu. – Que tal cantarmo-la no rádio do Moni?

— Detalhemos! – sorriu Hoseok. – Seguinte: após as aulas, quando não tiver aluno. No estúdio, sem plateia. Cantaremos para gravarmos, que tal?

— Como recordação... – Jungkook sorriu solitário. – Topa?

Percorrendo os olhos em cada semblante, Yoongi baixou-os, insultando a ansiedade.

— Sem pressão: só se quiser. – sorriu Namjoon, ainda vendo-o segurar o ombro lesado. – Que tal?

— “Sem pressão” você diz? – riu cansado, erguendo a cabeça num sorriso tão doce, que surpreendeu-os: há tempos não tinha aquela expressão leve. – Tá.

— Juro que achei que falaria “passo”! – abismou-se Taehyung, fazendo-o rir. –Hoje à tarde?

— Depois sairemos para comer! – apoiou Hoseok.

— Lanche com batata e refrigerante! – gritou Jungkook.

— Sorvete com calda de chocolate! – riu Jin.

— Desde que... – Jimin tartamudeou, deixando a leveza contagiá-lo. – A calda tenha granulado. Não tomo sorvete sem granulado.

— Feito! – gritou Namjoon, alegre por ouvir que Jimin comeria. – Saída marcada!

— Não temos dinheiro! – anunciou Yoongi ao erguer o braço saudável.

— Eu pago! – Jin tirou um cartão do bolso.

— Mãe, amo-te! – abraçou Taehyung.

— Calem a boca e voltem à aula! – gritou um dos professores, batendo a porta e calando-os. Entreolharam-se, tentando engolir o riso.

— Falando sério: gravaremos a música e sairemos, sim? – Namjoon viu-os assentir. – Legal.

Quando viraram-se, Yoongi fechou pálpebras e sorriu, encorajando-se.

— Pessoal... – viraram-se para encará-lo. – O recado de hoje cedo na aula... – respirou fundo. – Não fui eu que escrevi.

Jin, sério, aproximou-se de Yoongi e pousou a mão no ombro saudável, atendo as testas e sorrindo doce.

— Obrigado por avisar-nos, Yoon. Se sentir-se daquele jeito, conte-nos, tá? Não esconda. – afastou-se e Yoongi viu como sorriam aliviados. – Estamos contigo.

Sendo puxado ao meio, entendeu que, mesmo quando sentia-se, a verdade é que nunca estava sozinho.

*

No fim da tarde, dispostos em roda, cada um de fone e microfone, ajeitavam o instrumental que gravaram dias antes. Jin ajeitou o aparelho auditivo também. Letra bem decorada, compasso suave e perfeita distribuição das linhas e colocação das vozes faziam da composição perfeita.

Inseguros, mas com sorrisos divertidos, esperavam Namjoon apertar play, a melodia começar e Taehyung inaugurar. Distraídos, não perceberam que o líder pôs o áudio para repercutir nos autofalantes da escola, a qual ainda tinha aluno por causa dos clubes. Alguns professores também ficavam e certamente ouviriam. Se daria confusão, Namjoon não importava-se: era a última chance de fazerem suas vozes serem ouvidas.

De fazer aquele ano de irmandade valer à pena antes de separarem-se e cada um tomar seu rumo.

Taehyung:

‘Nessa melodia que já terminou,

estou segurando-me...

Diga-me agora se isso terminou, deixe-me saber...’

Yoongi:

‘Num instante, a chuva começa a cair

(pingando) dos meus olhos (você começa a aparecer)

Você começa a aparecer.

Mesmo que eu tome um momento só para respirar, o amor, como as flores de cerejeira, parece perder-se fácil como um sonho. Como fogos de artifício, incendiamo-nos e todas as memórias viraram cinzas.

Eu sei: você egoistamente chegou a uma conclusão por si só.

Suas mãos e seu corpo, que eram mais quentes que o Equador... Mesmo esse calor, tudo desapareceu… Como sempre.

No mesmo lugar, em repetição: estou repetindo-me assim como essas partituras’.

Jin, Taehyung, Jimin, Jungkook:

‘Garota, deixe-me saber.

Já sei que tudo acabou, mas não tenhamos nenhum arrependimento.

Garota, deixe-me saber

Diga alguma coisa,

só quero saber.

Os sentimentos que restaram ainda permanecem desde aquele dia, então não importa-me o que seja, apenas diga-me algo.

Garota, deixe-me saber’.

Hoseok:

‘Onde as promessas que fizemos pararam?

Desapareceram junto com o tempo que passamos como dominós, que desabaram com a força dessa separação, assim como Romeu e Julieta.

Gostei tanto de você, tão apaixonante assim?

Protegido pelo calor entre nós, lembro-me disso: nosso filme juntos.

Oh, tudo que preciso é de seus pensamentos.

Levou contigo as estrelas da noite e o sol do dia: a única coisa que restou-me é o céu nebuloso e a escuridão.

Diz que se tem começo tem que ter fim: que regra é essa? Quero quebrá-la, negá-la e convencer-te, droga’.

Namjoon:

‘Talvez sejamos idiotas, tolos, afinal todo mundo já perdeu pelo menos um amor e continuou vivendo.

Não, não sinto-me assim.

Sim, sei muito bem que não pode continuar, mas às vezes parece que estou bêbado: sinto como se meu coração fosse queimar.

Por que as lágrimas continuam caindo? Fazendo-me querer vomitar, chorar alto...

Imagino-nos brigando, fazendo tudo isso e entendo-te: o movimento de suas mãos, seu olhar, tornaram-se fracos, mas por que não desaparecem?

Por que não desaparecem, por quê?

Por que não desaparecem…?’

Jin, Taehyung, Jimin, Jungkook:

‘Garota, deixe-me saber.

Já sei que tudo acabou, mas não tenhamos nenhum arrependimento.

Garota, deixe-me saber

Diga alguma coisa,

só quero saber.

Os sentimentos que restaram ainda permanecem desde aquele dia, então não importo-me o que seja, apenas diga-me algo.

Garota, deixe-me saber’.

Entreolharam-se satisfeitos, batendo na mão um do outro. Inclusive Yoongi sentiu-se bem ao apresentar-se, conquanto somente a eles. Quando Namjoon desligou o gravador e o autofalante, ajudou-os a reorganizar a sala e abriu a porta, encarando o diretor junto a Dong-Yul.

Engoliu seco.

— Muito bom. Parabéns pela composição. – enalteceu o diretor, ainda de cara fechada. Quando os olhos percorreram os meninos, notou algo bom de cada um. – Continuem esforçando-se.

E saíram, não antes de Dong-Yul encarar Yoongi, que desviou o olhar e sorriu à janela.

— Nossa... – riu Hoseok. – Celebração por não ferrarmo-nos pela primeira vez! Valeu, Mon!

*

Na velha estação de trem, Taehyung pegava a bandeja de lanches, batatas e sorvetes, voltando à mesa e sentando-se com os meninos, que faziam mais barulho que as locomotivas nos trilhos. Comiam e arremessavam batatas uns nos outros, enquanto Jin utilizava sua câmera para fotografá-los em posições engraçadas.

— Jiminnie! – provocou Taehyung com uma batata, enquanto Jimin ria e recuava. – Abra a boca, vai!

— Coloque ketchup primeiro! – recusou, vendo-o colocar e estender novamente. – Agora sim!

— Não coloca-se ketchup na batata! – rezingou Jungkook, enchendo as dele de maionese. – Fica ruim!

— Olhe o que você está fazendo para falar da gente! – Jimin apontou incrédulo, mastigando as batatas sem qualquer culpa.

— Os molhos eram para os lanches! – gargalhou Hoseok. – Ei, o sorvete derreterá se não comermos logo!

— Opa! – Namjoon derrubou seu refrigerante no chão. – Droga!

— De novo? – gargalhou Jin. – Sempre quebra tudo que toca!

— Fique longe de meu ombro saudável, Mon. – provocou Yoongi, tendo seu refrigerante roubado. – Ah, devolva-me!

— Precisa de legumes para recuperar o osso! Refrigerante faz mal: faço-te um favor! – mostrou a língua, sendo atingido por batatas.

— Ah, minhas batatinhas! – rezingou Jimin. – Não jogue-as fora!

— Chamou Moni de lixo, hein! – incendiou Hoseok, enquanto Jimin tartamudeava e fazia-os rir. – Eu não deixava!

— Você não tem que deixar nada, Hobi. – devolveu Jungkook e gritos incentivadores de confusão começaram.

— É agora que veremos briga? – levantou-se Taehyung. – Façam suas apostas! Esperança ou Maknae De Ouro: quem vence?

— Aposto o sorvete deles que, enquanto resolvem-se, nós terminamos os lanches, as sobremesas e ainda pedimos segunda rodada! – divulgou Jin, fazendo-os gargalhar.

— “Aposto o sorvete deles”! – iterou Yoongi, colocando a mão no estômago. – Boa, Jinnie!

— Kookie, melhor unirmo-nos antes que acabem conosco! – Hoseok fingiu seriedade e Jungkook assentiu.

— De acordo!

O selo fora um aperto de mãos, o qual Jin registrou com sua câmera, bem como Jimin e Namjoon debruçando-se para trocarem comidas, enquanto Taehyung e Yoongi disputavam quem tomava sorvete mais rápido, congelando os cérebros, fazendo-os gemer e rir. Igualmente registrou os incentivos a Taehyung dançar na mesa quando subiu em cima. Cada clique era um arrependimento a Jin: o terceiro ano do médio acabava e o que mais fizera fora estudar, não aproveitar aqueles momentos.

Algo dentro de si estava solitário, vazio.

Ria a cada piada, cada troca de comida, cada falta de palavras que expusessem dor: naquela mesa, só havia alegrias. Mesmo quando saíram para fotografarem-se em máquinas, ajeitarem os cabelos em espelhos nos corredores da estação e acenderem uma fogueira debaixo da ponte, nada mudara. Jin só gostaria que aqueles momentos tivessem sido recorrentes, que ele pudesse voltar no tempo e não estudar tanto, impedir que sofressem de solidão.

Queria que o tempo estagnasse como acontecia com sorrisos em fotografias. Erguendo olhos e vendo-os andar à frente, sentiu-os arderem: amizades verdadeiras não acabavam, tampouco distanciavam-se e aquele restrito grupo era sua mais eterna prova. Mesmo assim, não explicava por que os olhos ardiam em saudades do tempo presente.

Como se aqueles dias azulados de adolescentes fossem prosseguir em dores, solitários...

Sem alegrias.

*

Na manhã seguinte, na escura casa, Hoseok terminava de amarrar seus cadarços e erguia-se com a mochila nas costas. Com um largo sorriso, virou-se à escuridão do corredor e gritou.

— Até mais tarde, mãe! – e, novamente, mesmo esperando minutos, não obteve resposta. Baixou o olhar e prosseguiu sorrindo, partindo. – Amo-te, mãe...

*

— Aqui, Soonshim: Jinnie comprou sua ração. – sorria Taehyung, alimentando o cachorrinho após levar a irmã mais cedo à escola. – Estamos devendo uma graninha, não?

— Ei, moleque. – a voz bêbada e hostil do pai arrepiou Taehyung, que, engolindo seco, virou-se para encará-lo apoiando-se no batente, virando a garrafa de vodca e cerrando olhos quando a bebida desceu quente. – Saindo?

— Sim—

— Traga-me mais bebida.

— Não tenho dinheiro—

— Mande seu amiguinho rico comprar. – encrespou o cenho. – Alimenta esse vira-lata nojento e não seu pai? Diga a ele que preciso viver.

— Não gosto de pedir nada emprestado, sobretudo dinheiro. – o homem beirou-se calmo de Taehyung, que encostou-se à pia. – Por favor, será melhor se parar de beber—

Fora socado no rosto, caindo no chão e cuspindo sangue, enquanto Soonshim latia para protegê-lo, também apanhando e chorando.

— Pare! Não bata nele! – abraçou Soonshim, enquanto o pai pisava em suas costas, amassando-o contra o plano. – Por favor—

— Dê seu jeito, moleque! – virou a garrafa novamente. – Está aqui para sustentar-me! Coloquei-te no mundo e posso tirar-te dele, como tirei sua mãe!

Saindo, fora fuzilado pelos olhos lacrimosos de Taehyung, que levou seus dedos à boca ensanguentada, percebendo o olho inchado.

— Tudo bem, Soonshim... – ouviu-o chorar. – Estou bem...

*

Caminhando perto da escola, Namjoon olhava um folheto: cursos possíveis. Arquitetura? Engenharia? Medicina? Qual orgulharia os pais? O que daria honra à nação e mérito pessoal? Baixando olhos e guardando o folheto, parou. Ergueu a cabeça ao céu, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— Se futuro não existir, o que me restará...?

*

Terminando o desjejum na grandiosa mesa, Jin analisava o calendário no celular: a graduação chegava, bem como os vestibulares. Estudara tanto, mas sentia que não sabia nada e, por causa desse “nada”, perdeu toda juventude.

Era tão dolorido.

— Seokjin. – avocou o pai na ponta da mesa, sério. – Não atrase-se: precisa preparar-se para fazer boas provas.

— Pai, não sei se quero Administração. – ajeitou o aparelho auditivo. – Não vejo-me—

— Também não via-me e agora sou empresário. Assumirá minha empresa, terá futuro repleto de regalias e será grato por esses dias que tanto esforçou-se. – fê-lo baixar olhos e desviar inclusive do olhar da mãe. – Não quero que desonre-nos e seja fracassado como seus amigos.

— “Fracassado”? – ergueu o olhar incrédulo. – Mãe!

— Jin, por favor, no café não—

— A senhora nunca fica do meu lado! – levantou-se irritado com olhos marejados. – Saibam que, diferente de vocês, esses “fracassados” cuidaram de mim e viram quem sou realmente! Eles conhecem-me, vocês não! – pegou a mochila. – Estou indo. Não busquem-me na saída.

Secou olhos e partiu, sabendo que a parte mais difícil seria deixar de conviver diariamente com seus únicos amigos.

Sua verdadeira família.

*

— Por que está com essa carinha, Kookie? – sorria a mãe, servindo-lhe achocolatado, sentando-se ao lado do marido, que tomava café e partia um pedaço de queijo para colocar no pão. – Cansado?

— Também... – suspirou, brincando com a bebida. – Meus únicos amigos se graduarão semana que vem. – baixou olhos. – Próximo ano estarei sozinho.

— Faça amizades com os garotos de sua sala. – incentivou o pai. – Também são divertidos, não?

— Não sei...

— Não descobrirá se não socializar. – a mãe colocou a mão sobre a de Jungkook, sorrindo meiga. – Além disso, não é porque partirão que deixarão de ser seus amigos, certo?

— É, mas não será a mesma coisa. São meus irmãos e queria cuidar deles como cuidam de mim, que esses dias divertidos não terminassem...

Tomou o achocolatado, descendo agro pela garganta.

Sorriu com o apoio dos pais: pelo menos aquilo ele tinha.

*

Após tanto tempo, enfim Jimin ansiou comer novamente, não importando-se se o pão com queijo e salame era demais à primeira refeição. Passava margarina, roubava torrões de açúcar e fazia sua mãe rir mais alegre que dias anteriores. A alegria, porém, dispersou-se quando o pai sentou-se raivoso, estalando os dedos à esposa para servir-lhe café, porquanto estava atrasado.

— Odeio gravatas. – encarou o prato de Jimin. – Ah, enfim voltou a comer. Estava na hora de parar com tentativas de chamar atenção.

— Pare com isso. – exigiu a mulher, socando o bule na mesa. – Briga logo cedo? Novamente?

— É só verdade. Se bem que, na situação financeira que estamos, seria melhor se apertássemos o cinto e parássemos de comer salame: está caro. – a fome de Jimin foi atenuando e ele repousando o lanche no prato. – Coma. Não quero sua escola ligando novamente para advertir-nos de suas idas e vindas à enfermaria. Se não queria estudar, dissesse logo, assim não pagaríamos à toa.

— É seu filho: educação—

— Defende muito, sabia? – apontou Jimin, cujos olhos marejavam. – É por isso que ele é assim: para de comer, silencia, aparece com marcas estranhas. Já pensou se a escola acusa-nos de maus tratos? Hoje é moda usar desculpa de transtornos psicológicos para qualquer coisa que acontece com os jovens. Geração mole. – bufou. – Se eu tivesse te educado como fui, não seria tão vaidoso ou se importaria com tolices. Se fizer algo mais sério para chamar atenção, apanhará, entendeu?

— Sim, pai—

— Dobre a língua para falar de meu filho!

— É seu filho mesmo! Meu é que não é! – levantou-se irritado, virando a mesa ao lado, quebrando tudo. – Do meu gene esse não veio! É ruim em tudo o que faz, tudo que é! Não adianta esforçar-se: não mudará! Casamento horrível que arranjei! Tomara que o divórcio esteja correndo bem!

Pegou a pasta e saiu, batendo a porta. Jimin virou-se a mãe, que engolia o choro e abaixava-se para recolher os cacos. O pai era incrível, contudo, após meses desempregado, mudou completamente, tornando-se aquele homem. Jimin abaixou-se para ajudá-la, vendo-a forçar um sorriso.

— Não ligue, ok? Você é perfeito e nós amamos-te. – engoliu o choro. – Agora vá antes que atrase-se, sim?

Jimin levantou-se e, trêmulo, pegou sua mochila, amarrando os cadarços na entrada. Quando fitou-se no espelho, respirou pesado: toda felicidade que os amigos trouxeram fora destruída em três minutos de brigas entre os pais, cujo divórcio estava quase pronto. A fome esvaeceu novamente...

Se Jimin fosse prefeito, quem sabe o pai voltasse a ser gentil...

*

“Nossa melodia que já terminou...

Estou segurando-me...

Diga-me agora se isso acabou...

Deixe-me saber”.



Notas finais do capítulo

O próximo será o último capítulo desta Era e, em seguida, começaremos a Segunda Era.

Comentários? *-*

Beijos ♡



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