Ametista escrita por Karina A de Souza


Capítulo 2
Nós salvamos os Smurfs e eu nem pude pegar o ouro


Notas iniciais do capítulo

Olá.
E a onda de títulos doidos continuam.
Como puderam ver no primeiro capítulo, não há muita informação sobre Ametista. Aos poucos vocês vão sabendo mais sobre ela, e acho que esse capítulo vai dar uma ajudinha.



Eu estava bem acostumada com o século 21. Sempre me adaptei rapidamente, o que é ótimo para uma Agente do Tempo. Não que eu ainda fosse uma. Fazia alguns anos que “taquei o dane-se” no meu emprego e estava correndo por aí, com apenas um Manipulador de Vórtex e um objetivo.
Dois anos atrás decidi me instalar definitivamente em Cardiff. Não tinha sido uma escolha aleatória, mas foi bem precipitada. Pessoas como eu não criam raízes, mas algumas estavam se estendendo além de mim, por mais que eu ainda saltasse entre os anos, correndo atrás do que precisava fazer.
Enquanto tentava limpar o maldito rímel dos meus olhos (endurecido por ser do dia anterior), meu celular estava na bancada da pia, completando uma ligação.
—Tis! Não é um pouco... Cedo?
—Olá, Jack. É muito bom falar com você também. Como tem passado?-Riu. Encarei o celular como se pudesse vê-lo, e voltei para minha tarefa de tirar a maquiagem.
Jack Harkness era o motivo de eu ter escolhido Cardiff. O reencontrei por acaso e decidi ficar por perto. Nós nos conhecíamos da Agência do Tempo. Fomos da mesma equipe e quando ele partiu, sem explicação, percebi que podia fazer o mesmo e dei no pé, sem nem pensar duas vezes.
—Você nunca vai adivinhar quem conheci ontem. -Avisei.
—Okay, joguinhos... Hum... A Rainha da Inglaterra?
—Você é patético.
—Eu acabei de acordar. -Som de algumas coisas batendo. -Desisto. Quem você conheceu?
—O Doutor. -Pelo som que veio a seguir, ele deve ter derrubado o celular. -Jack?
—Você tem certeza?
—Lógico. Senhor do Tempo numa cabine azul? Conheci o seu Doutor.
—Você não o ameaçou, ameaçou?-Fiquei em silêncio, ele entendeu. -Tis, você é terrível.
—Eu sei. Você sempre diz isso. -Riu de novo. -Alguma chance de passar aqui antes do trabalho?
—Hã... Não. Não dessa vez.
—Então a Torchwood é mais importante do que eu?
—Quanto você bebeu antes de me ligar?
—Uns... Três, quatro copos... Isso antes que eu perdesse a conta.
—Ametista, vá dormir. -Revirei os olhos.
—Eu sei que você está com alguém, Jack. Conheço esse tom de voz.
—Que tom de voz?
—“Estou acompanhado no momento, mas te vejo mais tarde”. Tenho que desligar... Preciso tomar um banho. Caí na cama sem nem me trocar ontem.
—Pensando bem... Acho que posso passar aí.
—Vá para o inferno. -Desliguei.
***
Enquanto a água quente caia, esfreguei os restos da noite anterior da minha pele: o perfume que eu sempre usava quando tentava parecer uma dama da alta sociedade, o cheiro dos cigarros caros de homens como o governador, a derrota por não encontrar o que estava procurando.
Minha missão não tinha acabado, parecia bem longe do fim, para ser sincera. Desistir não fazia parte dos meus planos, nunca foi uma opção. Sempre vi desistência como uma coisa sombria e errada, então me recusava a desistir.
Em breve haveria outra oportunidade. Outra festa, outra pista, outra loja de antiguidades em algum lugar, outra dica de uma vidente, outro templo para invadir, outra chance de conseguir o que eu queria. Era só uma questão de tempo.
Desliguei o chuveiro, franzindo a testa para o som estranho que vinha da minha sala. Saí do banheiro, me enrolando na toalha, pegando a arma no criado mudo ao lado da cama e parei na porta. Uma caixa azul se materializava na minha sala. A TARDIS. O Doutor abriu a porta e saiu, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo marrom.
—Você sempre está armada?-Perguntou, me fazendo sorrir.
—Você ficaria surpreso se soubesse. O que faz aqui? Não roubei nada seu, caso esteja pensando em me acusar de algo.
—Não vim te acusar de nada. Acabei pensando e... Será que você não pode se vestir?
—Estou confortável só de toalha. Anda logo. Você andou pensando e...?
—E... Bom... Pensei... Pelo que disse... Talvez... Você queira vir comigo. Como acompanhante, sabe.
—Ah. -Ergui uma sobrancelha. -Achei que você tinha dito algo sobre ladrões e trapaceiros... Ou foi só uma impressão?
—Sabe de uma coisa? Deixa pra lá... -Se virou para entrar na TARDIS.
—Não. Espera. Acho que posso aceitar... Eu normalmente não viajo com companhia.
—Você viaja muito?
—Com certeza. Você viu meu MV. -Franziu a testa. -Manipulador de Vórtex. Ele teve uma pane semana passada, sobrecarregou. Mas eu já consertei. Okay, eu falo muito quando estou bêbada, apenas esqueça.
—Você está bêbada?
—Só um pouco. Bem... Vou me vestir e te encontro na TARDIS em cinco minutos... -Comecei a ir para o quarto, mas parei. -Nem pense em sair sem mim.
Entrei no quarto, tendo a impressão de ouvir o Doutor murmurar algo como “isso foi uma péssima ideia”.
Me vesti em tempo recorde, coloquei o Manipulador de Vórtex de volta no pulso e corri para a nave, onde o Senhor do Tempo me esperava, com a expressão de quem não sabia se tinha tomado uma decisão inteligente. As pessoas normalmente tinham essa cara quando me davam uma chance, enquanto eu praticamente podia ouvi-las pensar se era uma boa ideia ficar por perto de uma encrenqueira, trapaceira e que quase foi expulsa da Agência do Tempo (o que só não aconteceu por que eu saí antes). Mas não é como se as pessoas me dessem muitas chances. Sinceramente, eu sou um pouco problemática, e não ser é como se... Como se o Sol não brilhasse. Nas palavras de um dos meus ex-colegas: “Ametista é terrível e incontrolável”. Yep, essa sou eu.
—Algum destino em mente, Doutor?-Perguntei.
—Não sei onde poderia levá-la, onde você já não tenha ido. Só há um jeito de fazer isso... -Se moveu pelos controles. -Vamos deixar a TARDIS decidir. -Olhou pra mim. -É melhor se segurar.
—Achei que não ia me avisar. -Me agarrei ao console. O Doutor sorriu.
—Acho que já me vinguei o suficiente.
***
As pessoas eram azuis. Foi a primeira coisa que eu notei. Todos azuis, de diversos tons.
O céu era rosado, com duas luas em diferentes fases (cheia e minguante). Prédios altos eram espelhados, e refletiam a luz do enorme alaranjado sol. Era uma vista incrível.
—Já esteve aqui?-O Doutor perguntou, caminhando ao meu lado.
—Não.
—Tem certeza?
—Tenho memória fotográfica. Me lembro de cada lugar em que estive e quantas vezes. Nunca vim aqui antes.
—Memória fotográfica? Surpreendente. -Sorri.
—E você achando que eu era só uma bêbada trapaceira.
—Ninguém é uma coisa só. Nem tudo é preto e branco. Há cinza também.
—Hum, e ele filosofa. -Murmurei. -Esse lugar é estranho.
—Só por que é diferente?
—Não. Olhe atentamente. -Paramos de andar. -Ninguém está conversando ou se divertindo. E repare como estão nos olhando... É como se estivessem...
—Com medo. Você é uma boa observadora.
—Fazia parte do meu trabalho.
Me aproximei de um grupo de mulheres que estavam diante de um poço, tirando água. Elas se assustaram quando nos viram, e se inclinaram, o rosto voltado para o chão.
—Desculpe, senhores. -Uma delas disse. -Nós não os vimos. -Troquei um olhar confuso com o Doutor.
—Acho que estão nos confundindo com alguém...
—Não, senhora. Vocês são humanos... Nós os servimos.
—Vocês são escravas?-O Doutor perguntou, ainda confuso. Olhou para cada uma das mulheres. -São?
—Todos somos, senhor. Nós servimos os humanos.
—Sua espécie é escrava de humanos?
—Sim, senhor.
—Não. Não me chame de senhor. Eu sou o Doutor. Podem parar de encarar o chão. -Elas se esticaram, erguendo o olhar timidamente. -Quantos humanos residem aqui atualmente?
—Acredito que uns vinte. São poucos. Estão chegando agora. E dizem que mais virão.
—Se há apenas vinte deles, por que raios vocês não vão pra cima deles?-Perguntei. As mulheres pareceram espantadas.
—Eles disseram que tem uma arma capaz de explodir todo nosso planeta. Não podemos arriscar.
—Que arma é essa?-Deram de ombros. -Doutor, está pensando no que eu estou pensando?
—Não estou pensando em sair daqui e beber. -Avisou. Revirei os olhos.
—Eu não estava pensando nisso. Acho que temos uma missão aqui. É o que você faz, não é? Sai por aí salvando os fracos e oprimidos como um super herói.
—Quem te falou sobre mim?
—Falamos disso mais tarde. Senhoras... Onde estão os humanos que escravizaram vocês?
***
O Doutor e eu nos movemos silenciosamente entre os becos formados pelos prédios. Eles estavam sendo construídos para os humanos que viriam na semana seguinte. O sol estava começando a apagar (ele apagava e acendia sozinho, em vez de se por), criando sombras escuras e fazendo a temperatura cair. Em algumas horas ele apagaria de vez, e as luas se tornariam mais brilhantes e quentes, tomando conta do céu até o sol se acender de novo.
O Doutor estava teorizando sobre a arma misteriosa. Eu nem estava ouvindo, apenas fazendo sons de concordância quando ele fazia uma pausa para respirar (o que quase não acontecia, o cara tinha um fôlego assustador). Eu tinha minhas teorias sobre a arma, inclusive que era uma bomba. E não devia ser uma pequena. A potência era máxima, para explodir um planeta daquele, e certamente não era tecnologia humana. Acredite em mim, de armas e bombas eu entendo.
Desacelerei o passo, sentindo que estávamos sendo observados, e agarrei o Doutor pela gola do sobretudo, pois ele continuava caminhando, alheio ao que se passava ao seu redor.
—O que foi?-Sussurrou.
—Acho que temos companhia. -Peguei a arma. O Senhor do Tempo fez cara feia.
—Não acredito que você trouxe essa coisa.
—Eu sempre ando armada, vá se acostumando.
Figuras altas saíram da escuridão. Eram todos azuis. Os Smurfs escravos. Todos estavam com pedras e pedaços de madeira em mãos. Ergui a arma. O Doutor segurou meu braço.
—Não queremos machucar ninguém. -Avisou. -Viemos ajudar.
—Vocês são humanos. -Um dos homens disse.
—Eu não sou humano. Sou um Senhor do Tempo.
—E ela?-Apontou pra mim.
—Humana. Mas não é tão ruim. -Acertei uma cotovelada nele. -Nós só queremos ajudar.
—Então venham com a gente.
Seguimos o grupo para o lado contrário. Eu não tinha certeza de que eles confiavam na gente, nem se devíamos confiar neles, mas o Doutor parecia bem tranquilo. Principalmente depois que guardei minha arma.
Ninguém disse nada. Chegamos até um beco escuro, então um bueiro foi aberto.
—Eu não vou entrar aí. -Avisei, cruzando os braços.
—Está limpo. -O homem mais perto de mim disse. -Ainda não é usado. Essa parte da cidade não é habitada ainda.
—Então lá vamos nós -O Doutor brincou, se aproximando da beirada e pulando. -Pode vir, Ametista. Tudo limpo.
—Depois de vocês, cavalheiros. -Disse. Dois dos homens pularam, e os que ficaram fizeram um gesto me pedindo pra pular.
Suspirei, me aproximando do bueiro. Estava escuro lá embaixo.
—Quer saber? Acho que vou esperar aqui em ci...
Alguém me empurrou. Caí pelo buraco desajeitadamente. Resmungando uns xingamentos, acionei a luz no meu MV, iluminando a escuridão à nossa volta.
—Eu odeio espaços subterrâneos. -Murmurei. O Doutor sorriu quando coloquei a luz na cara dele.
—Podia ter pulado sozinha.
—Aposto que queria ter me empurrado.
—Com certeza. -Os outros homens pularam para dentro. -Senhores, por onde agora?
Lanternas foram acesas, então começamos a andar. Uns dez minutos de caminhada depois, os túneis foram clareando por causa de tochas nas paredes.
—Vocês moram aqui?-Perguntei.
—É o único lugar seguro para os rebeldes.
Havia tanta gente que era impossível contar. Todos espalhados pela maior parte dos túneis, conversando, fazendo planos, entregando armas (pedras e madeira). O silêncio baixou assim que nos viram.
—Está tudo bem. -O homem atrás de mim disse, indo para frente. -Eles não representam perigo. -As conversas recomeçaram.- Sou Adilon. -Disse, virando para o Doutor e eu. -Líder dos rebeldes.
—Vocês são muitos. -O Doutor comentou, o olhar percorrendo os outros azulzinhos.
—Há cada dia há mais irmãos se juntando à nossa causa, mas ainda há muitos lá em cima.
—Okay, Smurf, vocês estão planejando uma revolta ou só ficam escondidos aqui falando mal dos humanos?-Perguntei, esfregando os olhos.
—É claro que vamos fazer alguma coisa... Mas não temos certeza... Do que. Não temos armas.
—É, eu vi a situação de vocês. Paus e pedras não são tão ruins, mas não tem muito valor perto de armas de fogo. Acredito que os caras lá em cima estejam bem armados.
—Eles estão.
—E também acredito que haja algum lugar onde eles guardam armas que não usam.
—Fica do outro lado da cidade. -Assenti.
—Perfeito. Vamos roubar esse lugar para pegar as armas.
—De roubos você entende. -O Doutor comentou. -Você está no comando agora?
—Parece que sim. Você tem algum plano?
—Resolver tudo sem que ninguém se machuque. -Me virei pra ele.
—Às vezes é necessário que algumas pessoas saiam feridas, Doutor. Você devia saber disso.
—Eu gostei da ideia de roubar as armas. -Adilon comentou. -A humana está certa. Meu irmão foi um dos que construiu o armazém de armas. Ele pode ser útil.- Sumiu na multidão azul. Uma menina cutucou meu braço.
—Sim?
—Você é mesmo humana?-Perguntou. Assenti. -Ouvi histórias assustadoras sobre vocês.
***
Jack tinha me contado que o Doutor não era fã de violência. Eu podia entender isso, mas não era adepta a esse tipo de pensamento. Se a única saída de uma situação era a violência... O que eu ia fazer? Desistir?
Tentei fazer o Doutor entender, mas ele não parecia muito impressionado. Na verdade, acho que só aumentei os pensamentos dele sobre mim de um modo negativo.
Todo mundo capaz de votar no clã dos rebeldes concordou que o roubo devia acontecer durante a noite. As duas luas não eram tão brilhantes quanto o sol, e a escuridão podia ser uma vantagem. Essas pessoas estavam acostumadas com o escuro.
Depois de chegar nessa conclusão, eles decidiram quem entre eles estaria na revolta e quem iria roubar o armazém. Um grupo foi selecionado para o roubo.
E eles seriam liderados por mim.
—Por que eu?-Perguntei, confusa.
—Você deu a ideia e você parece entender sobre o assunto. -Adilon respondeu. -Você é a mulher que nos guiará nessa missão. -Olhei para o Doutor. Ele tinha uma cara de “Eu sabia que isso ia acontecer”.
—Okay. Vocês querem uma especialista... Vocês vão ter uma especialista. Vamos falar mais sobre o plano...
***
Com as mãos erguidas acima da cabeça, o Doutor e eu fomos escoltados até uma enorme sala branca, onde todos os outros humanos estavam reunidos. Os rebeldes os chamavam de Colonizadores. Os outros nomes que eu conseguia pensar pra eles fariam com que minha fala fosse censurada.
—Isso devia ser uma invasão?-O homem perguntou. Era alto, careca e usava um terno preto que o fazia parecer um enviado do inferno. -Dois de vocês: um homem e uma garota?
Mulher. -Corrigi. -Eu já passei dos vinte. -Deu um sorriso debochado.
—Como quiser. Vocês pertencem a que organização?
—Organização?-O Doutor perguntou.
—Sim. Muitas organizações vieram até aqui, falando dos direitos desses imbecis azuis. São tão irritantes quanto os Amigos dos Oods.
—Estamos com os rebeldes.
—Mas vocês são humanos.
—Eu não sou humano. Sou um Senhor do Tempo. -O homem pareceu surpreso, então disfarçou.
—Impossível. Estão todos mortos. Houve uma guerra...
—Eu sou o último.
—Que seja. Mande um recado aos seus amigos azuis: “O diretor Steffano não vai permitir revoltas”.
—Ou o que?-Perguntei.
—Ou vou explodir todo esse planeta. -Sorri.
—Ah, vai? Com o que?
—O que você acha?-Dei um passo para frente, mais armas foram apontadas pra mim.
—Mostre-me. -O sorriso dele sumiu.
—O que?
—Mostre-me sua... Arma secreta. Vamos lá, Steffano. Está com medo de que?-Silêncio. -Para explodir um planeta dessa tamanho é necessário uma bomba extremamente potente. E por mais que os humanos sejam bons em destruir coisas, esse tipo de armamento levará pelo menos uns dez séculos para serem criados na Terra. Vocês não tem uma bomba para explodir esse planeta.
—É claro que temos. Ela está abaixo desse prédio. Exatamente no centro do planeta. Não sobrará nada se for ativada.
—Interessante. Mas é mentira.
—Como ousa...
—Você está mentindo. Não tem bomba nenhuma. E sabe como eu sei? Você não quer mostrá-la. Homens como você adoram demonstrar poder. Você exibiria sua droga de bomba assim que eu pedi ou até antes. Você tem uma bomba tanto quanto eu tenho. -Passou alguns segundos em silêncio, apenas me encarando. Se olhares matassem... Adeus Ametista.
—Você é uma garota esperta. Não há bomba. Mas eu ainda posso explodir algo. -Pegou uma arma, apontando pra mim. -Posso explodir sua cabeça.
—Wou, wou, calma aí. -O Doutor pediu, ficando ao meu lado. -Ninguém precisa se machucar. E nós não viemos sozinhos. -Steffano moveu seu olhar para o Doutor. -Tem cem rebeldes esperando para invadir.
—Com paus e pedras?
—Você não foi avisado da invasão no seu armazém de armas?-Perguntei. -Ah, então os guardas ainda não conseguiram se soltar. Temos todas as suas armas.
—Mas ninguém precisa se machucar. -O Doutor repetiu. -Se vocês forem embora, e deixarem esse planeta em paz, ninguém se fere.
—Isso já funcionou alguma vez?-Sussurrei.
—Sempre tenha uma opção que não envolve mortes, Ametista.
—Como posso ter certeza de que estão falando a verdade?-Steffano perguntou.
—Olhe pela janela. -Alguns homens e algumas mulheres correram para as janelas, então recuaram, espantados.
—Há muitos deles!-Uma mulher gritou. -E estão com armas!
—E há muito mais em outro lugar, apenas esperando. Vocês tem sua chance: ir embora, ou encarar a revolta. Podem escolher.
O Doutor mal tinha terminado, e todo mundo, menos Steffano, saiu correndo da sala. Cruzei os braços, apenas observando a situação.
Sozinho, o diretor abaixou a arma lentamente, parecendo confuso.
—Como vocês fazem isso?-Perguntou.
—Com muita inteligência e nada de bombas. -Provoquei. Ele olhou de mim para o Doutor, então saiu correndo. -No fim, todos correm.
—Você sabia desde o começo que não havia uma bomba?-O Doutor perguntou. Dei um sorriso travesso.
—Não. Só depois que invadimos. Ele ficou em pânico quando falei que queria ver a bomba. -Sorriu e começou a sair da sala, as mãos nos bolsos do sobretudo.
—Sabe, Ametista... Você é até boa nisso.
—Ah, eu sou sim. -Comecei a segui-lo. -É só uma das minhas inúmeras habilidades. Fique por perto e vai descobrir as outras.
***
Os Smurfs, digo, os Luza, povo azul que salvamos, ficaram extremamente agradecidos e imediatamente começaram a preparar uma comemoração. As crianças dos rebeldes, que antes se escondiam quando me viam agora ficavam correndo atrás de mim, fazendo perguntas e perguntando se podiam me tocar.
—Eu sou praticamente um museu vivo. -Comentei, me encostando ao lado do Doutor num muro.
—Nunca aconteceu antes?
—Só quando visitei uma tribo indígena.
—Você viaja muito, ao que parece. Interfere em algo?
—Normalmente não. Não saio por aí salvando o dia, como certas pessoas. -Olhou pra mim.
—Mas você foi ótima hoje.
—É, fui. Acho que posso me acostumar com isso. -Alguns Luza se aproximaram, segurando caixas e embrulhos. -Que isso?
—Ouro. -Uma garota respondeu. -Vocês nos salvaram, queremos retribuir.
—Agora vocês estão falando a minha língua. -Estiquei o braço para pegar uma das caixas, mas o Doutor segurou meu pulso. -Que?
—Nós não vamos nos aceitar. -Avisou. -Não fizemos isso esperando recompensas.
—Mas eu quero ser recompensada.
—Mas não vai. -Se virou para os Luza. -Nós agradecemos, mas não podemos aceitar. Agora precisamos ir. -Começou a se afastar. Tentei pegar a caixa de novo. -Ametista!-Bufei, cruzando os braços e indo atrás dele.
—Você é um pé no saco, sabia?



Notas finais do capítulo

Eu sinceramente amei escrever a interação entre o Doutor e Ametista. Ele ainda não tem certeza de que fez uma boa escolha, mas vai mantê-la por perto até descobrir. E enquanto isso, Tis vai continuar pegando no pé dele.
No próximo capítulo... Algumas revelações serão feitas...
Até mais!

P.S.: Com Cristina Scabbia representando Ametista, é difícil não pensar na personagem ao ver os clipes/shows de Lacuna Coil kkkk Cristina é como eu imagino a Tis ♥



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