Nunca é tarde... escrita por Tah Madeira


Capítulo 10
Eu Te Amo


Notas iniciais do capítulo

E chegamos ao fim da nossa história.



— Para a fazenda Nascente o mais rápido. – diz entrando antes mesmo do homem abrir a porta.
— Senhora a chuva…. – ele tenta, mas ela o impede.
— Eu só preciso chegar o mais rápido que puder, por favor.
Ele quem nem é bobo nem nada, segue e faz o que pode naquelas estradas enlameadas, rezando pelo seu próprio pescoço para que chegasse a tempo, Julieta vai o caminho rezando, não só para chegar, mas para que Aurélio esteja lá e a receba.
Ao estacionar o carro, novamente ela não espera pelo motorista e sai correndo na chuva, se molhando toda, fazendo seu cabelo se desmanchar e sua roupa ficar encharcada.
— Aurélio...– ela grita ao bater na porta sem se preocupar se na casa há mais pessoas. – Aurélio – tenta soar mais alto que a chuva, chamando diversas vezes pelo nome dele.. Pelo que pareceu uma eternidade a porta foi aberta, mas uma moça assustada foi quem lhe recebeu, dando passagem para entrar – Por favor o Aurélio, por favor.
— Ele…
— Me diga que ele está – lágrimas já começam a nublar a vista e a se misturar com a água que escorre por seu rosto, mas a moça não consegue responder pois ela ouviu a voz que mais desejava ouvir, a voz que poderia reconhecer entre mil vozes.
— Mas o que está acontecendo... – ele diz vindo de um corredor, então ele a percebe ali e caminha mais rápido – Julieta? Você aqui, nessa chuva, o que aconteceu? – ele se aproxima a passos rápidos dela, faz perguntas, mas não espera respostas. – Você está molhada, vem – ela sorri, mesmo ali, mesmo assim ele cuida dela antes qualquer outra coisa, eles refazem o caminho que Aurélio tinha feito,entram em um escritório, onde a lareira está acesa há uma bandeja de café sobre a mesa cheia de papéis, ele deveria estar trabalhando – Lurdes traga toalhas e cobertores, rápido, por favor. – ele fala apressado, ela nem tinha visto que a moça estava junto deles, ela logo sai, Aurélio a coloca sentada em frente a lareira, e alisa suas mãos querendo passar calor – Você está fria, gelada, não deveria ter saído com esse tempo.
— Eu precisava vir – Julieta consegue encontrar as palavras e usar, pois era tanta a coisa dizer que tinha travado – Aurélio eu... – não consegue terminar pois a moça retorna, com tudo que ele pediu.
— Obrigada Lurdes, veja se o motorista de dona Julieta não precisa de nada, e de um abrigo ao homem, eles não vão voltar com essa chuva. – a mulher apenas assente e sai fechando a porta. Aurélio volta sua atenção a ela, ele pega uma toalha e a enrola – Você tem que tirar essas roupas molhadas antes que fique doente – ela olha surpresa para ele. – Você sabe que tenho razão, vou ver se tem alguma roupa da filha do senhor Ferreira, só um minuto – ele sai a deixando ali, sem pensar muito no que estava acontecendo, só agindo por impulso, vai correndo ao quarto da filha do patrão e sem muitas opções pega qualquer um, não tarda muito a voltar com um vestido vermelho escuro em mãos, era mais simples dos que ela vestia, mas estava seco, no escritório Julieta encontra-se na mesma posição que a deixou, olha inerte para o fogo, ele a chama para ter sua atenção. – Julieta? Não tinha nada mais escuro e acho que deve servir em você vou deixá-la se trocar – diz entregando a ela peça de roupa– Vou pegar um café quente para você, esse aqui já deve estar frio – ele quer dar não só a ela, mas a si mesmo alguns minutos, agora passado o susto inicial ficou preocupado pelo que ela foi fazer lá, embaixo daquela chuva toda da última vez que a tinha visto ela estava deitada após desmaiar em seus braços em São Paulo, agora estava ali a poucos passos dele, mais assusta do que ele jamais viu.

Chegando a cozinha encontra Lurdes e o motorista dela, um mais confuso que outro, não tanto quanto ele.
— Lurdes leva um café quente para a senhora Julieta e recolha as roupas molhadas dela, por favor.
— Não seria melhor levar um chá para ela?
— Não tenho certeza que ela vai preferir um café bem forte.– a moça apenas assente, prepara rápido a bebida e sai, então ele se dirige ao homem– Por que saíram nessa tempestade?
— Não sei, somente a patroa pode responder ao senhor, nada impede dona Julieta de fazer o que quer, o senhor sabe– ele divaga.
— Entendo, Lurdes vai preparar uma acomodação para você, não vão sair com o tempo neste estado.–ele sai no momento que a mulher entra com as roupas de Julieta em mãos.
No escritório por um momento ele vacila com a mão na maçaneta, mas foi breve, pois logo entra, e a encontra sentada no chão de frente para o fogo, enrolada em um cobertor uma xícara nas mãos, o cabelo preso em um coque bagunçado, as bochechas já tem um pouco de cor, sinal que não estava mais tão gelada, ele se aproxima pouco a pouco, incerto sobre o que fazer se fica de pé, senta ao lado dela ou em uma cadeira perto, prefere a última opção e aproxima uma cadeira dela, pega uma xícara de café para si.

Ela percebe os movimentos dele, essa delicadeza que ele tem com ela, de se aproximar pouco a pouco, faz seu coração pular mais rápido, ele sentou tão perto que é só ela esticar a mão que poderá tocar nele, mas ao mesmo tempo respeitando o espaço dela, eles permanecem em silêncio, apenas o barulho das xícaras de café e o da chuva se fazem presente.

Julieta tem tanto a dizer que nem sabe por onde começar, mas sabe que deve dar o primeiro passo, afinal ela o procurou.
— Você está bem? – ele pergunta, sabe que é uma forma de ajudá-la, sem que ela veja estica a mão e deixa a centímetros das costas dela, mas não a toca.
— Sim estou. – ela ainda sentada no chão se vira para ele, Aurélio pelo pouco que consegue ver se encanta por como aquela nova cor a deixou mais bonita, consegue ver pouco, mas o suficiente para guardar na memória, ele é puxado de seus pensamentos pela voz firme e tensa dela. – Eu vim até o Vale com o propósito de acabar de vez o que nem começou, eu vim para dizer que você não crie mais expectativas e ilusões sobre minha pessoa – ela fala aquilo olhando em seus olhos sem pestanejar, Aurélio não podia acreditar no que ouvia, estava pronto a levantar e revidar, mas Julieta prossegue.– Eu vim disposta a isso, a dizer que você deve seguir seu rumo e encontrar uma moça que o faça feliz, que o ame como você merece, que não deve se prender a uma pessoa como eu, presa a um passado escuro e que tem medo de amar.– ela o vê balançar a cabeça e seus olhos ficarem úmidos, talvez como os dela– Eu sou essa mulher, eu era a essa mulher, se eu viesse aqui assim que cheguei ao Vale, eu teria dito tudo isso para você, eu estaria mentindo, estaria sufocando o que sinto, o que eu venho aprendo a sentir, ou melhor reaprendo a sentir e a dar, estaria deixando mais uma vez Osório vencer e matar mais um pouco do que fui e do que você, senhor Aurélio Cavalcante, resgatou – ela fica mais perto, se pondo de joelhos para ficar com o rosto mais perto do dele, deixando o cobertor cair em suas pernas, ele consegue contemplar melhor ela com outra cor, e se tivesse escolhido não teria achado um vestido mais perfeito para ela vestir, seus braços totalmentes exposto, por ser uma peça sem mangas, um decote discreto, mas um pouco mais que ela costuma usar, aquele vermelho escuro fazia um belo par com a pele branca dela, ele se perde admirando o quanto ela está bonita, dessa vez ela o tirou de seus pensamentos ao colocar aquelas mãos pequenas e quentes fazendo carinho em sua face e retoma a fala– Você com sua paciência, seu carinho, sua petulância – eles sorriem juntos, ele vê uns fios soltos do cabelo dela e se permite tocar e os ajeitou atrás da orelha dela, deixando os seus dedos ficar mais tempo que o necessário em contato. – Você me amou, apesar de tudo, da forma como fui e sou, você me amou sem eu mesmo querer ou pensar, abrindo espaço para que eu viesse a querer amar também mesmo não admitindo, me recusando e lutando, ainda assim você me amou.– Julieta se aproxima mais dele, ficando com o rosto perto demais do dele– Eu vim aqui disposta a dizer tudo aquilo, todas aquelas mentiras, mas não posso mais, não devo mais mentir para mim mesma, não preciso mais enganar, não preciso mais fugir.
— O que você está querendo dizer Julieta – ele não queria interromper ela, mas precisava, queria ter total certeza, queria que ela tivesse segurança de falar o que quer que fosse, ela encosta a testa na dele, uma de sua mão sai do rosto dele e vai na nuca, fazer um doce carinho o qual faz ele fechar os olhos– Por favor, diga– ele pede em um sussurro, Aurélio já apoia uma mão na cintura dela.
— Eu te amo, te amo– ela enfim fala, ele abre os olhos a tempo de ver um sorriso iluminar aquele rosto, um sorriso tão sincero, tão grandioso, como ele jamais viu na face dela e o mais impressionante era o brilho naqueles olhos escuros.
— Repete – ele suplica.
— Eu te amo– ela diz em seu ouvido, salpicando um beijo, vai do outro lado e repete a fala e os gestos, e olhando em seus olhos fala mais uma vez– Digo quantas e quantas vezes você quiser, eu te amo – o beija no rosto de novo e de novo, até fechar seus delicados braços em seus pescoço e deitar sua cabeça em seu ombro, sempre dizendo que o amava, era como se ao dizer aquelas palavras a quem se ama de fato, estava livre das sombras e da monstruosidade de Osório, continua a dizer em sussurros, Aurélio não podia ser mais feliz naquele momento, a tendo em seus braços.– Me beija– ela pede com uma voz suave.

Julieta não precisa repetir, pois ele a puxou delicadamente para olhá-la, como sempre toca em seus rosto, fazendo um leve carinho, ela fecha os olhos nem sem antes derramar uma lágrima, que ele beija o caminho molhado que ela fez, ele segue beijando até sua boca encontrar a dela, que solta um pequeno suspiro ao sentir os lábios dele no seu, Aurélio a puxa mais de encontro a ele, quase a colocando em seu colo, explorando cada canto da sua boca, deixando a língua dela explorar a sua, fazendo a sua própria descoberta, era a primeira vez que ela o beijava assim, o beijo suave do princípio não está mais ali, e sim um beijo mais urgente, quase selvagem, em pouco tempo está no chão junto dela, quando o ar é necessário, ele não a deixa de beijar, beija seu pescoço, deixa um beijo suave em seu ombro, e mais ousado beija seu colo, mas ela o puxa querendo seus lábios junto aos dela, Julieta enreda seus dedos nos cabelos dele, mas não demora muito o beijo se desfaz pois é ela quem beija o pescoço dele, deixando uma pequena marca ali, e o surpreende sentado em seu colo, e o beija, parecia que solta das amarras que ela mesmo tinha imposto a si, queria mais, queria sentir o amor dele em sua carne, e pela primeira vez amar no ato e não teria momento melhor que aquele em que se via livre e não teria pessoa melhor que Aurélio para fazer isso, naquela noite se entregaria a ele com todo o seu ser e de todas as formas que podia, o amava– Me ame– ela fala baixo, mas o suficiente para ele ouvir e querer olhar em seus olhos como quem busca a certeza para o que ouviu– Me ame.– ela repete.
— Eu não quero que você se sinta....– ela corta a fala dele, pousando um dedo em sua boca, ele persiste. –Julieta eu...– ele quer que ela tenha plena certeza de suas escolhas, a olha fortemente e sorri quando ela repete.
— Eu te amo, já sou sua, acho que sempre fui, me ame Aurélio.

Ele toma a boca dela, Julieta desce suas mãos na camisa dele e sem deixar de beijá-lo, lentamente desabotoou botão por botão, ao abrir os botões das mangas, deixa um beijo em cada palma da mão dele, e tira a camisa com uma lentidão deslizando as mãos sobre o corpo dele, Aurélio se deixa a mercê dela, sabe o que ela passou e preferia morrer ao sentir que ela venha sofrer com esse momento, então deixa ela prosseguir como quer, ela o olha não sabendo como agir, então vagarosamente toca o peito dele, subindo as mãos até o seu rosto dele e também o beij, Aurélio se deixa tocar, Julieta vira de costa para que ele abra seu vestido, com os dedos trêmulos, ele abre e desliza para baixo o tecido, e toca as costas nua dela, não pode deixar de pensar em pétalas de rosa ao tocá-la, a beijou do meio das costas até nuca, ela geme baixinho ao sentir os lábios dele, Aurélio desmancha aquele coque, e vê os cabelos dela cair suavemente cobrindo-lhe as costas, ele a virou com receio do que iria ver no rosto dela, mas só vê um tímido sorriso, um leve rubor, mas nada de arrependimentos, ele a toca, o rosto, pescoço, e seus seios, ela suspira, e o puxa para beijá-lo, então suas mão ganham vida e abre as calças dele não sabendo mais o que fazer, sem cessar o beijo ela vai deitando no chão o puxando para cima dela, no último minuto, Aurélio puxa almofada da cadeira e coloca embaixo da cabeça dela, a beija novamente, descendo os seus lábios, pelo pescoço, colo, beija um seio, ela novamente suspirou, começa a sentir um prazer que nunca sonhou ser possível, Julieta perde um pouco a timidez e se permite tocar os cabelos dele, Aurélio de um seio vai para o outro, tentando sugar com delicadeza, quer que ela sinta prazer, e tem a certeza quando mais uma vez ela gemeu baixinho, Julieta prende o fôlego, quando ele desce mais seus lábios, e termina de tirar se vestido, ela fecha os olhos quando ele não faz nenhum movimento, Aurélio apenas observa o quanto ela é linda e delicada, desliza o tecido pelas pernas dela dando um beijo aqui e outro ali, ele tira o que resta de suas roupas, e fica sob ela, beija o seu rosto, e faz um carinho, aproxima sua boca do ouvido dela.
—Abra os olhos– novamente um beijo, sentiu as mãos dela em suas costas– Olha para mim, vamos fazer juntos– ela o olha, ele a beija, ela abre um pouco as pernas, Aurélio se encaixa melhor entre ela, beijando o pescoço e o colo, ele quem geme quando sente as unhas dele roçar de leve em sua pele– Eu te amo – ele diz quando devagar e a penetra, ela sente um leve incômodo, Aurélio fica parado para que ela se acostume, deixa sua testa na dela, por um breve momento só respiram, então ela se abre um pouco mais, ele começa a se movimentar devagarinho, ela arranha mais forte suas costa e geme um pouco mais alto quando ele a penetra mais fundo– Me desculpa – ele sussurra e para por um segundo.
— Mais– ela consegue dizer, estava sentindo algo indescritível, era assim que era amar? não podia deixar de se perguntar, ele acelera um pouco mais, ela precisa da boca dele e vai em busca, ela arriscar passar uma perna sobre ele e ganha mais prazer ao fazer então súplica – Aurélio mais, mais– assim ele faz, suas costas arqueiam para acompanhar o ritmo dele então algo dentro dela se quebra e se solta, ela consegue ver cores e sentir vibrar algo dentro de si, queria gritar de felicidade mas não faz, morde o ombro dele, despejando ali aquela onda, aquela sensação que jamais experimentou, Aurélio sabendo o que estava acontecendo continua com os movimentos querendo prolongar o prazer que sabia que ela estava sentindo, em um movimento dela em mexer o quadril para ele, Aurélio não pode se segurar mais e logo a acompanha sentindo um prazer que jamais sentiu, ele deita sobre ela que o acolhe em seus braços, alisando suas costas, há apenas o som da respiração ofegante deles, a chuva nem lembravam que ela existia, o fogo ainda estava vivo, mas se tivesse apagado eles nem iriam notar, pois os dois estão quentes e suado, Aurélio com calma sai de dentro dela, a fazendo gemer e sentir um leve prazer de novo, ele a beija assim que a respiração dela volta ao normal, ou quase, deita de costas, pega um cobertor a puxa para seus braços e os cobre, Julieta deita sobre o peito dele, nunca sentiu o corpo tão relaxado, mesmo por ter estado boa parte em cima de um cobertor e um tapete, os seus olhos pesam, estava cansada, não só pelo ato de minutos atrás, mas por ter parado de lutar, e por enfim achar e aceitar o amor, ouve ele ressonar, mas precisava dizer, afirmando o que sentia era se ver mais e mais livre só foi.
— Aurélio, você dormiu?– ela olha para cima, para ele.
—Não meu amor, estou aqui.– ele diz baixando o olhar para ela e a aperta um pouco mais.
— Eu te amo.

Fim



Notas finais do capítulo

Obrigada a todos que leram, comentaram, acompanharam cada pedaço dessa pequena história, espero que gostem.



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