In a Heartbeat escrita por Lady Libertine


Capítulo 5
Chapter 5 - Love


Notas iniciais do capítulo

Definitivamente eu não poderia ter me debatido tanto ao escrever um capítulo, sinceramente eu fiquei maluca por não conseguir progredir em um tão especial quanto esse.
Segundo o desafio o quinto e último capítulo, o tema é: a primeira vez que dissemos "eu te amo".
É algo fofo e o sentimento aqui não poderia ser outro senão Amor.

Para completar, temos uma lista de musicas para esse capítulo:

Baby, it's okay - DAY6, que remete a todo o capítulo.
All my loving - The Beatles, referente ao Wonsik no começo do capítulo. (mas eu prefiro a versão para o filme Across the Universe.)
Where are u now - Jack U feat. Justin Bieber, que condiz ao sentimento do Hakyeon. (Chase Atlantic cantando é melhor que a original.)

As duas últimas faz referência a mim e a minha fonte de inspiração eterna:

Ilusm - Gnash e Vivre a en crever - Mozart L'Opera Rock.

Eu espero que apreciem e desculpe-me tanto a demora quanto qualquer coisa errada até então.

See u later, fantasminhas ♥



Winter | Love

Indefinable

 

A paisagem através da janela do trem parecia apenas um enorme borrão escuro com alguns poucos pontos brilhantes dispersos pelo caminho que se misturavam as estrelas do céu, passavam diante dos olhos de Wonsik em uma velocidade baixa e em outras circunstâncias estaria a ponto de adormecer com tais imagens, mas naquela madrugada invernal e fria a insônia era sua única companhia.

Os headphones se encontravam ao redor de seu pescoço e nenhuma música ecoava deles, o livro sobre a mesa não o chamava qualquer atenção, o caderno que tinha em mãos não o inspirava e não precisava olhar em qualquer relógio que fosse para saber que logo amanheceria. As estrelas não mentiam. E ao mesmo tempo em que se sentia a pessoa mais feliz, sentia-se também a mais infeliz, pois a cidade se distanciava de si em uma lentidão torturante e a única coisa – ou melhor, a única pessoa— que não queria deixar para trás ainda estava lá, provavelmente adormecida em sua cama, confortável sob as cobertas e protegido daquele frio.

Wonsik suspirou alto pela milésima vez naquela última uma hora, jogando o caderno ao seu lado no assento e logo apoiou os cotovelos sobre a mesa, agarrando e puxando os cabelos com ambas as mãos enquanto a cabeça pendia cada vez mais para baixo, não demorando a bater a testa sobre a mesa, ficando assim por longos minutos. Sentia-se imensamente frustrado por estar indo para outra cidade, o pensamento de passar aquele final de ano com a família o desanimava, sentia-se culpado por preferir rejeitar o convite e ficar em sua cidade, com os amigos e o namorado de companhia.

O cansaço físico o abatia, mas o sono não. Wonsik conseguia encontrar graça na própria situação, agitado no banco do pequeno café daquele vagão, estava dividido entre beber um café e acabar de vez com qualquer chance de dormir, ou apenas se levantar e ir para sua cabine na tentativa de descansar. Mas nenhuma dessas opções o fazia sentir-se menos impotente, a vontade de transcrever qualquer coisa para o papel era imensa, mas a mente estava nublada o suficiente para que nenhuma frase viesse espontaneamente. Alguns minutos a mais naquela desconfortável posição o renderam uma leve dor de cabeça, definitivamente pensar não estava nos planos do universo para si naquele começo de manhã.

Ao levantar o rosto cansado se viu refletido no vidro a frente – a aparência não sendo das melhores, o céu mudava seu tom escuro e já se misturava com alguns feixes amarelados. A paisagem agora se tornando mais bonita e agradável aos olhos, mas o que realmente olhava era os poucos pontos de cor que tinha naquele trecho do caminho e quando se aproximou mais da janela a fim de observar com mais clareza, notou se tratar de pétalas de flores e folhas de cores vivas espalhadas pelo chão e dançando ao vento. Seu conhecimento sobre plantas mais invernais era quase zero, sabendo apenas que algumas sobreviviam por um tempo a mais do que outras no frio.

O aroma do café dominou o ar ao seu redor, não resistindo ao instinto de fechar os olhos, ele respirou fundo, no entanto os olhos se abriram rapidamente, arregalados e inquietos olhando para todos os lados, a testa franzida enquanto uma onda de palavras inundava sua mente. A única coisa que permanecia constante em sua mente era a imagem de Hakyeon sorrindo para si, sorriso esse que ao mesmo tempo em que o destruía, o reconstruía ainda mais forte. E depois de horas imerso no vazio da própria mente, ousou pegar o celular, era pouco mais que 6h e logo estaria na primeira parada de sua viagem, o que significava que teria pouco tempo para escrever.

O caderno que estava jogado sobre o assento logo foi tomado dali e aberto sobre a mesa, na página destacada tinha algumas das muitas fotografias que haviam tirado naquela tarde no parque – em especial a que permaneceram apenas se olhando, ela dizia tanto em tão pouco. Com um sorriso nos lábios, Wonsik tratou logo de pedir por um café, não se importava mais em estar acordado e não se importava em estar sentindo os primeiros indícios de cansaço, a mente borbulhava tantas palavras que precisava passar para aquele papel imediatamente.

 

~~

 

Naquela tarde fria nada parecia estar em seu devido lugar e ao mesmo tempo estava; nada parecia estar certo, as cores acompanhavam a temperatura em sua gélida composição, o vento soprava fazendo a cortina dançar e a música que tocava poderia ser a mais melancólica do dia, mas não era. Hakyeon nem mesmo em casa estava, mas ele sabia que algo estava fora de lugar, talvez ele próprio fosse o que não estava em seu devido lugar, talvez fosse seu coração, inquieto demais para caber em seu peito.

Já havia se passado pouco mais de uma semana desde que Wonsik viajara e que não tivera contato algum com ele, a noticia da viagem o pegou completamente de surpresa e por mais que o quisesse consigo, não o impediria de ver a família, afinal, estava na vida do garoto a menos tempo do que realmente gostaria, ainda teria muito tempo com ele, mas por que sentia que algo estava errado naquilo tudo? Faltava algo, algo definitivamente estava fora de lugar.

Abraçado a um travesseiro, os olhos vagavam sem rumo pelo cômodo, o aperto no peito – incomodo o suficiente – o consumia em pensamentos e mais pensamentos desconexos, ao mesmo tempo em que desejava colocar tudo para fora, a pouca vontade de se mover o mantinha estático. Do amigo ao piano até o chão, observava os inúmeros papéis espalhados ali, rascunhados com letras de músicas – assim como o quarto de Wonsik. Mesmo entristecido por estar ali se lembrando de tal coisa, não pode evitar que um sorriso surgisse, a menor menção ao garoto em sua mente o fazia bem, mas os suspiros que deixava escapar dos lábios eram mais altos e frequentes que aquele singelo e silencioso sorriso.

Os olhos de Taekwoon se reviraram ao ouvir aquele som mais uma vez só naquela uma hora, conhecia o amigo bem o suficiente para saber que ele passaria a semana inteira daquele jeito se algo não o tirasse daquele ciclo vicioso de melancolia. Infelizmente não era ele que seria capaz de mudar aquilo, a fonte de toda a estranheza do amigo estava longe demais para mudar algo.

— Suspirar assim não vai trazê-lo de volta mais rápido. — Taekwoon disse enquanto arrumava alguma nota em sua partitura e ouvia mais um suspiro do mais velho.

— Eu sei... — murmurou de forma quase inaudível, abraçando o travesseiro com mais força, buscando algo que já sabia que não estaria ali, por esse fato preferiu se levantar mesmo sentindo o corpo pesar mais que o normal e o puxar de volta a cama. — Eu vou pra casa, Daeguni...

Apenas uma confirmação foi necessária, Taekwoon estava concentrado demais em compor para falar, mas essa era uma das coisas em que mais gostava no amigo: não precisavam falar muito para se entenderem. Com isso Hakyeon sorriu de lado enquanto ajeitava os fones, saindo do quarto tão silenciosamente que bastaram apenas alguns passos para se perder em pensamentos outra vez. Não realmente notando quando já estava do lado de fora da casa e o vento frio batia contra seu rosto, cortando sua boca apenas por respirar com os lábios entreabertos, as mãos escondidas no casaco não conseguiam o aquecer e suas pernas não faziam seu trabalho adequadamente e tudo que desejava naquele momento enquanto caminhava era o conforto e calor de sua cama.

Onde está você agora que eu preciso de você?— cantarolou a letra que combinava perfeitamente com seu estado de espírito naquele momento. Os pensamentos vagavam meio que sem rumo, mas inevitavelmente terminavam por se encontrar em Wonsik. — Onde está você agora?

Não havia recebido qualquer mensagem ou notícia o mantendo naquele estado de constante espera, a mente divagando tanto ao ponto de imaginá-lo das mais diversas formas, não queria e nem poderia acreditar em tais pensamentos, mas sua mente adorava lhe pregar peças, sendo capaz de visualizar o garoto com outra pessoa e mais feliz do que quando estava consigo. E por mais que aquilo não fosse verdade, a distância e falta de contato daquela interminável semana o prendia ali na tristeza.

Ao se aproximar – finalmente, depois do que pareceu uma era – de sua casa a passos apresados, atrapalhou-se ao tentar abrir a porta o mais rápido possível por conta das mãos trêmulas e deparou-se com vários envelopes espalhados pelo chão. Estranhou a principio a quantidade, mas logo se lembrou de que as cartas chegavam para si apenas em um dia na semana. Ao se abaixar notou que cada envelope continha números no canto superior, observou as informações escritas ali que o arrancaram um sorriso bobo ao reconhecer o nome do remetente.

Segurou todos os envelopes e caminhou até a sala, deixando tudo sobre o sofá ao seu lado enquanto segurava a primeira das oito cartas. Aquela era a mais fina delas, enquanto outras provavelmente houve certo esforço para conseguir fecha-las, mas aquilo de fato não era tão importante.

Porque minha vida é temporária, ela almeja amor eterno... — leu em um sussurro a anotação no centro do envelope, o que curiosamente tinha em todos. E com certo receio em abrir, ficou olhando o pedaço de papel que tinha em mãos por longos minutos, observou a caligrafia meio desajeitada de Wonsik, rindo baixo ao imaginá-lo debruçado a mesa enquanto escrevia tudo aquilo, no entanto, não fazia sentido ficar apenas olhando quando o intuito era justamente abri-la e lê-la.

 

“Yeonnie hyung,

Há algumas horas – muitas pra quem preferia continuar perto – eu parti para esta viagem da qual eu não gostaria de ter que participar. Está amanhecendo finalmente, após essa interminável madrugada a qual passei acordado pensando unicamente em você e em como eu gostaria de estar contigo.

Quando me despedia de ti, dizia a mim em pensamento que “amanhã eu sentirei saudades de você”, mas a verdade é que eu estou apenas poucas horas longe e já sinto saudades. Não é como me despedir para ir para minha casa, onde sei que no dia seguinte poderei vê-lo novamente, a situação é diferente, estou cada segundo mais longe de ti, e a tecnologia não será minha aliada e esse aperto em meu peito não me deixa descansar.

Prometi a mim que enquanto eu estiver longe, irei escrever para casa todos os dias e vou mandar todo meu amor para você, para que assim a saudade diminua. Vou fingir que estou beijando os lábios que sinto falta a cada palavra que será escrita, e espero que sinta-os como eu os sinto.

(...) Hakyeon me espere voltar pra casa.

Com saudades,
de seu clichê escritor, Wonsik.”

 

O sorriso bobo permaneceu apesar das poucas lágrimas que percorriam o rosto levemente rubro e caíam sobre a folha entre os dedos trêmulos, manchando o branco do papel com o azul da tinta. “Vou mandar todo meu amor para você”, murmurou o trecho novamente e novamente e outra vez mais, as palavras percorriam sua mente tantas vezes que não sabia que era possível tal coisa. Ao olhar para frente, avistou as demais cartas, o coração batia forte ao ponto do peito doer, a confusão que seus sentidos estavam não o permitia saber se era ansiedade ou curiosidade que o movia a procurar a segunda carta.

E tal como a anterior, as palavras de Wonsik o faziam sorrir e derramar lágrimas ao mesmo tempo, felizmente não era por tristeza. A segunda carta – mais extensa e escrita no mesmo dia – o fez rir mais do que achou possível.

 

(...) Hyung, sério, encontrei meu pai sentado na cozinha roncando como se estivesse tendo o melhor dos sonos. Não consegui vê-lo daquele jeito e precisei acorda-lo, mas ele se assustou e eu não consegui parar de rir! Juro que tive boa intenção, mas não é como se isso fosse incomum aqui.

Apesar das típicas piadas e comentários sem graça que são regra nesse tipo de encontro em família, devo dizer que está sendo melhor do que eu imaginava. Mas eu adoraria que você estivesse aqui comigo, sim eu sei, muito cedo para conhecer a família do seu namorado, não é? Mesmo que eles não sejam lá tão diferentes de mim, são boas pessoas, eu prometo. (...)”

 

Hakyeon passo aquela tarde e inicio de noite entretido nas palavras do mais novo, a cada nova carta seus sentimentos ficavam ainda mais confusos em seu peito, mas saber que o garoto dedicou um tempo para lhe escrever era reconfortante o suficiente para aplacar aquela sensação estranha. O cansaço que o abatia por conta das noites mal dormidas, não foi capaz de tirar o sorriso dos lábios do rapaz e ali mesmo, deitado no sofá ele adormeceu, com o último envelope daquela semana em mãos.

 

~~

 

(...) Eu quero dizer, há coisas que eu realmente não entendo como funcionam, talvez o que me faça ficar pensando tanto ao ponto de não saber nem mesmo o que escrever, seja essa curiosidade que me impulsiona pra frente ou talvez o mistério de querer desvendar todos os segredos do universo. Teve momentos, Yoennie hyung, em que eu me peguei pensando tanto que passou horas comigo olhando fixamente para o nada; outras vezes criei textos e músicas e até mesmo alguns desenhos enquanto ficava imerso em meus pensamentos.

Durante anos eu fiquei procurando aquilo que significava tudo o que eu sentia e tudo o que eu escrevia. Não foi fácil, eu admito, gosto de observar e escrever o que sinto naquele momento, talvez por isso algumas vezes eu pareça travado, algumas vezes é por conta do vazio que sinto, outras por conta de um amontoado de sentimentos e ideias misturadas e desconexas, que provavelmente fazem sentido só na minha cabeça.

Mas sabe, Hakyeonnie, eu não preciso mais procurar por essa força que me atrai e me inspira. Não! Eu realmente não preciso mais procurar, porque há alguns meses eu finalmente encontrei aquilo que tanto procurava. E para minha sorte, tal coisa é incrível, na verdade, bem mais do que eu imaginei que seria.

Você provavelmente deve estar se perguntando o que eu encontrei, a única coisa que eu poderia te pedir para fazer para que também encontre é: olhe-se no espelho. Sim Hakyeon, olhe-se no espelho e vera a pessoa que me encanta e resume meus mais sinceros sonhos.

Sim, é você. (...)”

 

Hakyeon parou de ler e abaixou o papel, a visão completamente embaçada pelas lágrimas não o permitia ler mais. Então ele olhou para o horizonte com a carta nas mãos, procurando ali uma forma de respirar e se acalmar devidamente, os pés enterrados na areia quentinha enquanto seus pensamentos transitavam entre as palavras ditas naquele pedaço de papel e questões do porquê estar ali – mesmo que a pedido do garoto no começo daquela carta – em meio à incerteza que não gostaria de ter e a imensa saudade que sentia do mais novo.

Já tinha se passado duas semanas desde que Wonsik saiu da cidade, a incerteza se – e quando – ele voltaria o consumia de forma aterradora. E mesmo que as cartas realmente aliviassem a saudade, apenas pelo fato de o garoto dedicar aquele tempo pensando no mais velho, a vontade de tê-lo consigo era maior.

O sol estava prestes a se pôr e o rapaz dava seu último suspiro de coragem, reabrindo a carta para continuar a lê-la.

 

“(...) Sim é você, Hakyeon.

Desde muito antes de nos encontrarmos eu já sonhava contigo. A silhueta gentil que me mantinha são quando minha cabeça estava prestes a explodir, a voz doce e melodiosa que falava comigo e me dava forças para continuar.

Pode parecer – e talvez seja, mas eu não ligo – um exagero de minha parte quando digo que você é bem mais do que eu sempre quis e procurei. Sim, você é verdadeiramente alguém que eu admiro em todos os aspectos e circunstâncias; é aquela sensação boa de porto seguro após uma intensa tempestade, a calmaria para meu caos interior. E ainda sim, é a força da natureza que derruba barreiras e construções firmes, apenas para criar sobre isso algo ainda mais belo e colorido, um verdadeiro artista sem qualquer pincel.

Sabe Hakyeon ainda há algo, mesmo com todas estas cartas e palavras bonitas, algumas com significados complexos e outras incrivelmente simples, ainda há uma coisa que eu preciso te contar. Mas isso não está aqui, está guardado dentro daquele envelopezinho azul que estava junto destas folhas.

Eu peço que após ler isso aqui, pegue-o. Assim saberá definitivamente tudo que você é para mim.

Com amor,
de seu clichê escritor, Wonsik.”

 

Um suspiro alto precedeu o riso quase incontrolável, tinha o tal envelopezinho azul em suas mãos trêmulas, apesar de sua curiosidade misturada com a ansiedade e ao medo do que poderia ler, o pensamento de que, mesmo tão longe de si o garoto era capaz de provocar nele as mais variadas sensações, era sem duvida, algo que nenhum outro ser que passou em sua vida foi capaz de fazer. Wonsik era único, também irritante e lento demais para seu gosto, coisas que odiava na maioria das pessoas, mas que nele faziam sentido e o deixava ainda mais encantador do que já era; o garoto conseguia vê-lo debaixo de todas suas barreiras mesmo tão longe e ainda sim, permaneceu ao seu lado.

— Você só pode ter algum problema, Wonsik... — murmurou ao deixar os papéis sobre o colo para que pudesse secar o rosto enquanto praguejava o garoto por não estar ali, assim poderia descontar seus sentimentos da forma que realmente deveria: primeiro batendo nele, depois o enchendo de beijos.

E estava tão perdido em pensamentos que não notou o garoto que tanto sentia falta se aproximar sorrateiramente. O sorriso que estampou o rosto – apenas por não ser notado – quase o delatou, precisando cobrir a boca com a mão no intuito de abafar o som do riso. Mesmo que fosse pego eventualmente, tomou o cuidado de ser o mais silencioso possível naquele momento, enquanto esperava Hakyeon abrir o último – e talvez mais importante – envelope que o enviara naquelas semanas.

A espera não foi grande, após um longo e profundo suspiro Hakyeon tomou coragem para abrir o pequeno envelope, encontrando ali um cartão dobrado e algo mais, sentia e ouvia que tinha algo metálico ali e ao puxar tal papel, encontrou um par de cordões cujos pingentes se completavam e havia uma pequena frase gravada neles.

Já o papel havia apenas uma pequena frase escrita.

Meu sol e estrelas, lua da minha vida... Pouco me importa que tudo queime por uma carícia... Eu amo você. — o rapaz leu em voz alta, soando falhada no final com aquela pequena frase.

O sorriso que estampou seu rosto era maior do que Wonsik poderia imaginar, o riso nervoso e as lágrimas completavam toda a reação do mais velho, e apenas aquela visão o fazia sorrir bobamente para o rapaz. O viu se levantar e deixar os papéis sobre o banco, andando de um lado para o outro enquanto respirava fundo várias vezes, foi impossível não rir mais alto por achar tal cena adorável e isso acabou por chamar a atenção do mais velho, que se virou no mesmo instante na direção do som, avistando um Wonsik sorridente se aproximando.

— Wonsik...? — ele murmurou paralisado enquanto o olhava, o garoto parou de andar a poucos metros abrindo os abraços num claro convite para um abraço e Hakyeon não poderia – nem ao menos queria – recusar tal convite. O mais velho então se jogou nos braços do garoto, sendo girado no ar, seu corpo tremia e o medo de cair era grande, mas a firmeza com a qual era abraçado pelo mais novo o mantinha alto.

O garoto suspirou pesadamente com o rosto afundado na curva do pescoço do mais velho, apertando-o contra si e sentindo novamente toda a sensação reconfortante que aquele contato provocava em si. O calor de seus corpos juntos aplacando a brisa gélida que os atingia naquele inicio de noite, deixou que o mais velho tocasse o chão novamente e Wonsik sentiu o rosto ser segurado por ambas às mãos do mais velho e os lábios sendo pressionados em seguida. Singelo, porém cheio de saudade, beijou o mais velho como se aquela fosse a última vez que teria essa oportunidade, sendo correspondido com a mesma intensidade.

O mais novo sorria ladino entre o beijo, levantando a mão até o rosto rubro do mais velho, secou suas bochechas com a ponta dos dedos ao mesmo tempo em que contornava suas feições, como se estivesse decorando como cada traço de seu rosto se comportava. A distância entre eles não durava, os lábios mantinham aquela típica tensão que os puxava para ainda mais perto, como se fosse a primeira vez que estavam se beijando. Mas o novo contato foi mais terno, Wonsik beijou os lábios do rapaz com calma, suspirando unicamente por tê-lo nos braços novamente.

Wonsik... — chamou baixo, contornando os lábios do garoto com a ponta dos dedos. — É sério?

On tient, on étreint... La vie comme une maîtresse… — cantarolou a letra em meio a um sorriso encantado com a visão que tinha do mais velho à frente, sentindo os lábios se chocarem contra os dedos ainda muito próximos. — On se fout de tou brûler pour une caresse... Je vous aime... Je vous aime, Hakyeon.

— Eu odeio tanto quando você canta em francês... — explicou enquanto ria mais de si mesmo por ainda estar choroso do que pela frase dita, até porque entendia perfeitamente o que tinha sido cantado. Mas o riso foi sumindo devagar de seu rosto e lábios presos em dentes tomaram seu lugar, suspirou pesadamente antes de cantar em um sussurro para o garoto. — I just want to hold you, for just long enough... So you don’t get tired of me telling you... I love you so much…

Wonsik sorriu, mas abaixou a cabeça, suspirando alto antes de voltar a olhar para o mais velho, os olhos inundados por lágrimas. Ao notar isso, Hakyeon levou os dedos dos lábios até o rosto levemente rubro, secando as primeiras lágrimas do garoto instantes antes de selar seus lábios uma vez mais.

Eu te amo ecoando na mente de ambos.

 

 





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