Tourner dans la Vie [Concluído] escrita por Ursula Lieselotte


Capítulo 2
Carta 1: Da Vida à Amorte


Notas iniciais do capítulo

➡️[Boa leitura, espero mesmo que vocês gostem! Se se sentirem à vontade, deixem suas críticas e opiniões :)]
Ps: Se lhe parecer agradável, leia escutando: Tourner Dans Le Vide https://www.youtube.com/watch?v=vtNJMAyeP0s



Dia 01 do mês de Saturn - Segundo o Calendário de Erme

Querido Amorte,

Há de se dizer que eu nunca saberia que tinha fobia de ser bailarina, que por vezes acreditava ser meu sonho de menina, até que tu me obrigastes a dançar. Diziam teus lábios que para cada bailado existem apenas três passos: as notas de 1 à 7, os passos de 1 à 3 e dois corações unidos como um só. Disse Mr.Universo que tu era um enviado para me ensinar e conversar... Mas tem medo de comigo valsar, por que?

Se ousasse valsar comigo, compreenderia a agonia em meu coração e em nossos corações unidos, mas tu não me deu ouvidos. Ainda assim, senti como se fossemos conhecidos.

Ontem à meia-noite, apesar de minhas insistentes reclamações, levaste me para bailar. Não contigo, mas com as pessoas que despertam-me paixão e ódio em igual intensidade. Pegaste em minha mão e me levaste para o salão.
Que a verdade não se oculte por essas tintas, Meu Amorte, acredito em primeira vista de paixão, tu não?

É certo dizer que sempre me expressei com claras palavras, independente de estar munida com brancas vestes dadas pelo Mr.Universo e mover me pelo salão. Sei que não cabe a alguém como eu, repetir tais palavras, mas não me parece justa sua colocação na retirada de qualquer ser que esteja bailando comigo. Soa paradoxal, não é mesmo? Um pedido de permanência, daqueles que tu sabes que eu desejo retirada. Mas antes que fosse somente uma saída.

Talvez pergunte-se, se eu não aprecio o seu trabalho, e não mereça carregar meu nome de nascença. Mas é que você é novato por aqui...
Prometo que não me alongarei em argumentos que expliquem minha indignação, isto não é de suma importante, repito brevemente o que disseste ontem a mim: não há um ser com quem eu dançaria, mas isto é história para outrora.

Se o bem conheço, partindo dos boatos que dizem sobre tu "Sr.Esqueleto" sei que nunca mentes, afinal como dizem tais frágeis criaturas com quais bailo, eu sou uma bela mentira e tu uma triste e dolorosa verdade, então por que mentes para mim? Crê que nossa ordinária história deva permanecer em um antigo baú? Que não devas dançar comigo? Então porque bailas com os outros? Será que esta ciente de que também esta sendo hipócrita para com os outros? Ou esta cego por sua própria mentira e acabe, talvez, divagando assim... caindo em pranta e densa agonia.

Confesso que meu coração se envolveria e entrelaçaria de alegria com tua resposta, mas sei que tu nunca serias capaz de me provocar tais sentimentos, afinal parece-me que anos de silêncio fluem entre nós, mesmo tendo nos conhecido ontem, penso que há palavras apenas da minha parte. Alguém pediu que quando estivesse comigo, você não fale? Ou será, afinal, que não pode se conversar com alguém cujo o coração já não bate?

Nestas linhas finais friso novamente que aguardo por uma resposta tua, ainda que simplória tanto quanto parece ser a sua alma: nua e crua.

De sua amiga e ordinária Vida.