Requiem Aeternam escrita por AnaBonagamba


Capítulo 10
Pax Animi


Notas iniciais do capítulo

Hey amigos, tudo bem?
Eu sei que ando sumida e nem vou pedir desculpas, porque provavelmente estarei fora por mais um tempo.
Meu trabalho exige que eu viaje bastante, o que me impede de manter a frequência de postagens. Tem MUITOS capítulos já escritos, pois que peço, por favor, não abandonem. Eu faço o melhor que posso.



— Sua condição aqui é delicada, entretanto. - analisou Tom, enquanto caminhávamos pelo vilarejo. - Alguns de nossos colegas já estão filiados a Grindelwald por intermédio da família.

— Não estou desprotegida. - justifiquei. - Posso contar comigo mesma, você sabe.

— Teoricamente, sei. Mas não deixará de se aprimorar por conta disso.

Ri devido à sua preocupação.

— Esteja certo que frequento nossos encontros para explorá-lo, Sr. Ridde, não apenas para me deleitar com a sua presença.

Tom entrelaçou seus dedos longos nos meus.

— Você me magoa muito dizendo isso. - falou sério, irrompendo num sorriso aberto belíssimo de quem espera que outro caia em sua falácia.

— Seu humor está particularmente aflorado hoje, Tom.

— É bom estar aqui...com você. - respondeu ele com sinceridade. - Há muito busco companhia, Valery, mas a vida insistiu para que eu ficasse sempre sozinho.

— Talvez seu padrão seja alto demais? - arrisquei, brincando. - Ou estava esperando por mim?

— Diz isso apenas por dizer, mas não deixa de ser verdade. - ele olhou para mim, parando no meio de uma das alamedas. - Meu interesse por alguém não se limita a beleza, inteligência, sagacidade... eu preciso sentir algo a mais, e até hoje nunca provei nada assim.

— Ficarei consternada se me disser que jamais tentou, pelo menos.

— Pode ser que sim. - ele recomeçou a andar, olhando as vitrines das lojinhas que passavam por nós. - Faria alguma diferença para você?

— Não. - respondi prontamente. - Também nunca fui correlata a relacionamentos. Estive com outras preocupações em mente até chegar aqui. - olhei-o profundamente. - Depois de tantos enfrentamentos, sinto-me no direito de aproveitar a oportunidade que me foi dada.

— E qual seria?

Parei, imediatamente, apertando-o contra mim.

— Estar aqui, agora, com você.

— Entre, Srta. Westwood.

Eu não me acostumara a adentrar o escritório de Dumbledore, enquanto Armando ocupava o gabinete da direção. Os móveis de madeira clara e estofados azuis combinavam em perfeita harmonia com as cortinas creme, que balançavam delicadamente com o vento a soprar do lado de fora. Não havia muito luxo, além do próprio professor, que nesta época investia em belos conjuntos de terno e gravata, moldados ao corpo como se feitos sob medida, o que arrisquei palpitar que fossem.

O sorriso gentil de Alvo Dumbledore, porém, continuaria o mesmo após tantos anos. Muito de seu rosto seria desgastado pelas neuroses e afrontas de Grindelwald, o qual em breve seria derrotado. A partir deste incidente, as coisas mudariam, e aquele homem moderno e um tanto altruísta tornar-se-ia uma pessoa solene, desprendida e mais solitária. Jamais questionaria o motivo de sua brusca alternância de personalidade, ou de estilo de vestuário: me contentaria a observá-lo assim e contemplar enquanto durasse.

— Boa noite, Sr. - disse, passando pela grande porta de madeira maciça da sala, enquanto o mesmo mantinha-se entretido em um livro aberto, com a varinha em punho, flutuando uma pena para cima e para baixo displicentemente.

— Espero que tenha passado bem esses últimos dias. - olhou para mim. - Fiquei sabendo de algumas novidades, se me perdoar o imperdoável de insinuar algo baseado em conversas paralelas...

— A depender do que for, Professor, já estamos entendidos. - sorri para ele, entendendo sua confusão. - Sim, eu e o Sr. Riddle nos envolvemos em um relacionamento romântico. Felizmente, Tom é um rapaz muito organizado e em nada afetará seu desempenho como aluno.

Dumbledore franziu o cenho.

— Não tenho dúvidas. - disse ele, descendo da borda da mesa e depositando o livro sobre ela. O estrondo assustou-me, ressoando pela sala vazia. - Não é isso que me preocupa, minha querida, é sobre...

Interrompi-o prontamente.

— Deveria confiar mais em si mesmo, Dumbledore. - falei séria, abandonando minha conduta de estudante para assumir a de Auror. - Você me deu todos os recursos possíveis para chegar onde estou, não deve pensar que ajo por instinto, estou certa de que essa carcaça que carrega minha mente deve ter lhe confundido.

— Temo por Tom. - Alvo aproximou-se de mim, olhando-me por cima, calculista. - Não posso saber mais do que já sei, isso é uma regra. Mas também não posso ignorar como me sinto. - ele inspirou profundamente cansado. - Se Tom Riddle tem algo a ver com isso, eu imploro que seja muito cuidadosa, ele é só um menino. Um menino com problemas.

— Tom é só uma parte do todo. - afirmei. - As razões pelas quais minha presença se fez necessária não se limitam a magoar o coração de um jovem adolescente. Ele está seguro, e ouso afirmar que até um tanto feliz.

Dumbledore sorriu.

— Que seja pelo bem, então. Conte comigo sempre que precisar.

— Algum problema?

Tom estava me aguardando na entrada do Salão Comunal. Vestia sua roupa de dormir, um pijama negro que o deixava com parte dos tornozelos e punhos à mostra, provavelmente tendo pertencido a Abraxas. Os cabelos, antes imaculados na arrumação lateral que tanto lhe favorecia, estavam molhados e dispostos para trás, deixando os olhos ainda mais brilhantes com o contraste da pele pálida. Sorri para ele naturalmente.

— Dumbledore queria assegurar-se de meu conforto. - falei, passando por ele até o corredor de entrada das masmorras. - Aproveitei para perguntar por notícias... - menti, sentando numa das poltronas próximas à lareira.

— Você está bem?

A pergunta foi repentina. Eu esperava despertar sua curiosidade sobre o paradeiro de minha família, ou que questionasse subitamente todo o conteúdo tratado por mim e Alvo Dumbledore. Da sua natureza, pelo que eu sabia, Tom Riddle nunca engolira meias verdades, e não tolerava estar aparte das coisas. Mas ali, ele me fitava profundamente, perguntando-me se eu estava realmente bem. Apesar de confortável e satisfeita com meu progresso, será que aos poucos evidenciava-se que não, eu não poderia estar bem?

— Acho que sim.

Tom ergueu a mão para mim. Os dedos frios e compridos num pedido sutil que eu o seguisse. Não havia resistência nenhuma de minha parte, porém, por alguma razão não conseguia me mover. Estava estática, absorvendo o calor do fogo a crepitar, o escudo mental tão erguido como nunca e eu, ali, mergulhada em meus próprios pensamentos, afogando-me neles o máximo que podia.

Algumas coisas não eram muito claras, de fato. Ao ser escalada para enfrentar o passado atrás de informações sobre o paradeiro das horcruxes eu sabia de todos os perigos que iria enfrentar. Uma época de horror, de desconstrução para todos, trouxas e bruxos. E o tempo urgindo contra mim na imprecisão de quando e como as coisas iriam ser corrigidas. Estar ali, um erro fatal para o universo, enquanto as coisas como eram nunca seriam as mesmas. Eu sabia que meu tempo era contado, ou repentinamente seria expurgada para fora como um engasgo, atropelada, amordaçada, morta de alguma forma horrível que só os bruxos que mexeram com tempo podiam entender. Relatos históricos tão tenebrosos que mesmo os mais poderosos dos mágicos não ousariam arriscar.

E lá estava eu, correndo o risco.

Havia um agravante, contudo, que Dumbledore não devia crer possível. Que Tom, no fim, se apaixonaria por mim. Não a paixão adolescente que eu achava que sentia, mas despertar o amor naquele rapaz, o único modo de salvá-lo por completo. Ah! Quanta coisa seria diferente! Mas senão, por que não haviam de tentar antes? Recursos... o passado é tão manipulável! Fendas abertas de todos os lados, mas quanto ao presente, lá está ele, nada mudou. Mil universos paralelos construídos, mas aquele que você conhece, lá está ele, nada mudou. A não ser que alguém volte do passado para recontar a história.

E ao voltar, eu partiria o coração dele. Tom Riddle, desolado por ter perdido a única pessoa no mundo em quem confiara, e até chegara a amar. Finalmente, após tantos minutos e a mão insistente do mesmo ainda erguida para mim, agarrei-a com uma força descomunal, não pretendendo soltá-la. Colocar a integridade da missão em risco não era uma opção.

Mas piorar as coisas para o futuro, também não.

Tom me abraçou. Sentia seus braços ao meu redor, encaixando-me no seu peito fraternalmente. Repousei meus braços em suas costas, aconchegando-me, um carinho totalmente novo para mim, muito mais significativo que os beijos ou outras insinuações de afeto.

— Melhor? - perguntou ele ao pé do meu ouvido.

— Hm... - foi o que pude responder, não queria que me soltasse, tinha receio que o fizesse.

Era muito fácil esquecer a pessoa e o fato. Quando submetido a um trauma, o ser humano pode atingir outro padrão de comportamento ou, ainda, bloquear suas sensações. Num instante não havia Lord Voldemort ou todas as coisas terríveis que havia feito, e ao encontrar os olhos azuis de Tom Riddle sobre a sombra de meu próprio olhar, não conseguia achá-lo ali. Se existia, estava bem escondido. Escondido, mas estava ali.

  - Estou preocupada com as provas. - menti, tentando me desvencilhar. Tom apertou-me com mais força.

— Não pense nisso.

— Não me sinto totalmente preparada.

— Você está.

— Diz isso para me encorajar. - ri, esperando pela reação dele. Tom pareceu sério.

— Ao contrário do que pensa, você se sairá melhor do que qualquer outro estudante com o dobro do tempo de estudo. Eu arriscaria dizer, inclusive, que fora treinada previamente. Consegue ser mais rápida que eu, Valery.

Franzi o cenho.

— Observação interessante.

Tom sorriu, desfazendo o abraço.

— Não cante vitória tão cedo, eu ainda domino o jogo até perder a batalha final.

— Ah, bom, nunca disse que aceitei participar da guerra. - levantei as mãos em defesa, vendo seu sorriso abrir ainda mais.

— Mas já está nela, ou não?





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