WSU's Raiju escrita por Lex Luthor, WSUniverse


Capítulo 9
Fogo




Subestação de metrô de Primavera, terminal F

 

Raiju olhou para o casal com total reprovação, tirar a vida de uma pessoa por decisões políticas era algo totalmente injusto para si. Na verdade, embora tivesse seus desvios comportamentais patológicos, matar sempre foi algo fora de questão para ele.

Arthur, isso está fora de questão — disse Aarseth, do comunicador. — Prende esses dois, entrega para a ANIC e acaba com isso.

Azar se aproximou com ternura.

— Sei que nunca me verá como sua mãe, eu falhei com você por isso — disse a mulher, mostrando as mãos em sinal de confiança. — Eu vi todas as possibilidades com você do meu lado e nunca foram boas, mas o que sei é que o seu pai nunca imaginou um futuro em que você é caçado e jogado num campo de concentração.

— Não coloca meu pai, nessa! — esbravejou o herói, fechando o punho.

Faíscas de eletricidade brotaram do Gladiador Azul, intimidando os ladrões e, por impulso defensivo, Zero-K estendeu a mão lançando uma rajada congelante em direção ao rapaz.

O velocista viu o plasma branco, um tiro preciso que se aproximou lentamente, mas sua velocidade tornou fácil a esquiva e o deixou a ver o disparo atingir o disjuntor da plataforma, desligando a energia elétrica e apagando todas as luzes.

— Essa merda de novo! — gritou desesperado, sem ver um palmo à sua frente.

Ele podia ouvir os disparos e sentir a proximidade dos projéteis raspando o seu corpo, quando veio a resposta de seu comunicador.

Tomei alguns cuidados quanto a isso — disse Aarseth. — Regula a lente dos seus óculos pra ativar a visão noturna.

O herói tocou ambas as lentes com os indicadores, fazendo um movimento circular no sentido horário, o que fez com ambas ganhassem um tom azul luminoso. Ele podia ver as assinaturas de calor de Azar com um objeto nas mãos, no formato de uma escopeta e seu parceiro de mãos estendidas e seu companheiro logo ao lado.

— Essa Frozen não vai atingir o zero Kelvin e me ferrar de novo — disse o Gladiador acelerando em direção ao ladrão grisalho.

Sprint!

Um toque no peito e o criminoso decolou, estourando as vidraças empoeiradas da bilheteria. A loira, que procurava pelo velocista, fechou os olhos. Estava diante de um adversário com uma velocidade sobrenatural.

As muitas possibilidades que ela enxergava terminavam sendo neutralizadas em dois segundos.

Corria, era pega.

Atirava, ele desviava e a desarmava facilmente.

Ao abrir os olhos, virou-se em direção ao caminhão pipa nos trilhos e atirou no tanque de gasolina, causando uma explosão que estraçalhou o reservatório d’água e uma gigantesca onda invadiu a plataforma.

Um impacto suicida contra ela, era o que ela queria que fosse. Até contava com isso, pois sabia que havia ali um homem para salvá-la. Não qualquer deles, mas seu filho.

Raiju observava as águas revoltas a se aproximar da criminosa, quando foi até a mulher. Segurando-a pela cintura e a nuca, correu dando uma volta de uma parede, passando pelo teto e chegando à outra, sem cair ou machucá-la.

Ao pisar no solo, a inundação estava controlada já que a água escorrera pelos trilhos e estava na altura de joelhos. Com sua mãe nos braços, agarrada em seu peito, perguntou:

— Preferia morrer do que se entregar? — franziu o cenho, decepcionado.

A loura passou sua mão no queixo no queixo do herói.

 — Não, meu filho — respondeu com um tom de voz acalentador e materno, enquanto um estalo foi ouvido.

Olhando para baixo, percebeu toda a água da plataforma congelada. Virou-se e não muito longe deles, viu que Zero-K tinha suas mãos no gelo recém-formado e um sorriso malicioso no rosto.

— Eu jogo para as próximas jogadas — disse a loura, descendo dos braços do Gladiador Azul.

Arthur, se move! — gritou o irmão, no comunicador.

Duas rajadas congelantes atingiram o herói em ambos os braços, o fazendo gemer de dor. Azar se aproximou, com cuidado no piso escorregadio e retirou o capacete de seu filho, o deixando sem comunicação e na escuridão novamente.

A luz de uma lanterna penetrou intensamente em seus olhos e um soco o atingiu forte no queixo, o fazendo cair sentado na camada espessa de gelo do solo. Percebeu que suas pernas, fixas no chão, e seus braços estavam congelados.

Arthur, sai daí! — Aarseth continuou berrando, desesperadamente.

— Foi um soco bonito. — O feixe iluminou o punho de Zero-K na frente do herói, revestido de gelo e sangue verde. — Se não for ajudar é melhor se preparar para morrer.

Raiju tomou impulso e se levantou, passando a língua no lábio cortado.

Faz alguma coisa cara! — gritou, com um nó preso em sua garganta. — Reage!

Para Aarseth, que assistia tudo das lentes do capacete na mão da loira, era como ver um boxeador sem punhos: desesperador.

Mais um golpe de direita foi desferido na lateral de seu rosto, caiu mais uma vez.

Logo, se colocou de pé novamente.

— Só um toque não é? — O indicador esquerdo de Zero-K parecia congelado e sem vida. — Não é assim que você faz, moleque?

Tocou o peito do herói, espalhando a baixíssima temperatura por todo o corpo dele. Estava novamente a cair, agonizando e gritando desesperado.

Parem! — O choro de desespero no comunicador foi percebido ladra corrompida.

Ela via a cena de tortura protagonizada por seu filho com o cenho franzido, quando, de repente, levou a mão à boca.

— Pare! — Segurou o ombro de seu companheiro, preocupada. — Isso não vai funcionar!

— Ele não é seu filho — esbravejou o companheiro —, você não o criou!

Eles viram o herói com hematomas no rosto e sangue esverdeado se erguer novamente.

— Eu vou levantar uma vez para cada uma que me derrubar — rebateu ofegante. — Eu não tenho medo de morrer.

O homem grisalho riu ironicamente. Azar segurou o capacete em frente ao seu rosto.

— Sei que está me vendo aí! — disse a mulher. — Pode começar o plano “B”, Farol.

No quarto do motel, Aarseth, operando o notebook, sentado em sua cama, sentiu o cano frio de uma arma tocando o seu pescoço por trás.

— Desculpa, Aars — pediu a Catarina, preocupada com o que acabara de fazer.

Boquiaberto, ele parece não acreditar no que estava a se passar.

— Sai daí, Arthur! — gritou, revoltado. — Não liga pra mim!

A ruiva apertou dois botões no teclado, o que fez com que, na subestação, Arthur desabasse.

— É uma overdose não letal — disse a ruiva, com culpa nos olhos —, ele se recupera rápido.

Aarseth a olhou furioso e sem poder reagir, impotente, com aquele cano em seu rosto.

 

 

 

Base da ANIC, Rio de Janeiro

 

Na enfermaria, Carol massageava seu pescoço, escorada em uma das macas e o girou para o lado, estalando.  Um homem negro de barba por fazer e um terno caro entrou no local.

Paguece que deu sorte de não morrer de novo — falou com sua língua presa, ostentando as medalhas em seu peito.

— Qual é, Beltrame? — disse, inconformada. — Ela não me queria morta por algum motivo.

O senhor balançou a cabeça negativamente.

— Ela quem? — indagou descontente.

— A vagabunda ladra de banco — respondeu com ignorância —, seu pica murcha!

Espantado, ele olhou de um lado ao outro, fechou a porta da enfermaria e se aproximou.

Ei, baixe o tom — avisou quase sussurrando, apontando o dedo. — Olhe o respeito, sua rapaguiga.

— Foi mal — desculpou-se esfregando os olhos —, só um pouco puta da maneira que foi.

Agoga tem uma opegação intega p-guesa nos escomb-gu daquela rodoviáguia e vai demogá hogas p-gá tigá eles de lá — inconformado, retrucou o superior. — Tem gelo na passagem e eles estão sotegados, explodi é muita buguice.

— É uma subestação — corrigiu Trap. — Mas não precisa demorar pra descongelar a obstrução. — Sorriu, como se tivesse algo em mente. — Igual as suas consultas no fonoaudiólogo.

— Não? — perguntou confuso.

— Não, seu caso é muito urgente — respondeu animada. —  Me consegue o “Ben Ten”, no presídio Jericho II.

A morena pegou o seu blazer em cima da maca e deixou a enfermaria.

— Mas ele vai queguê tudo! — gritou, com a língua atrapalhando a pronúncia. — Guedução de pena, CD de Metallica e até visita da Joelma ex-Calypso!

Ela bateu a porta forte, o deixando sozinho a bufar indignado.

— Puta que paguiu — lamentou, levando a mão à cabeça.

 

 

 

Subestação de metrô de Primavera, terminal F

 

Arthur abriu os seus olhos devagar e deu de cara com uma cratera imensa no meio da plataforma do terminal. Assustado, levantou-se. Estava aéreo, lento, baqueado.  Dentro do buraco, a água congelava e descongelava, constantemente.

— Erosão glacial — disse Azar, ao se aproximar, lhe entregando um copo de café. — Traria chá, mas, pelo que sei, gosta mais de café.

— O que você sabe sobre mim? — perguntou, massageando as têmporas.

— Sei de tudo, Arthur — respondeu a mulher, o olhando seriamente. — Desde o seu nascimento às milhares de probabilidades caso hoje você fosse um simples ladrão de banco como eu. Confesso que essa é a melhor versão de você.

O garoto riu desdenhoso.

— Imagine só a pior — falou, tirando as mãos da cabeça. — Fui a um psicólogo e ele me falou que eu sou um depressivo em potencial, boa notícia pra passar minha última semana de vida.

— Bem, ao menos você não vai saber o que realmente é dor e sofrimento quando o apocalipse chegar para os corrompidos — rebateu a loira, inconsolada. — Máquinas mortais, drogas e coleiras inibidoras de habilidades, campos de trabalho forçado e paredões.

Arthur coçou o queixo, a olhando preocupado.

— Se visitarmos o museu — respondeu suspirando —, quem sabe teremos mais novidades.

— A guerra das espécies está chegando, Raiju. — analisou a criminosa. — Qual é o seu lado na sobrevivência?

Catarina se aproximou dos dois.

— O túnel está quase pronto, estamos perto de chegar ao acelerador — avisou a garota, em seguida olhou para o irmão. — Oi, Arthur.

— Foda-se — xingou desprezando. — Onde é que o Aars ?

— Amarrado na bilheteria — respondeu Azar, tomando a frente. — Eu preciso saber agora, Raiju — disse a loira, atacando o garoto com seu olhar —, você está com a gente, ou não?

— Eu não gostaria de voltar para aquele acelerador — respondeu o herói —, vou me sentir como o rato de laboratório do Jacobo de novo. E, além disso, quem vai operar a máquina se não o Aars?

— Não é só ele quem tem o raciocínio aprimorado e programação avançada no currículo — respondeu a garota ruiva. — Aliás, os arquivos dizem que você não conseguiu romper o tecido do tempo, mas acho que você fez corpo mole pro velho Jacob, ?

Ele abaixou a cabeça no momento em que Zero-K se aproximou, sem camisa e com os pelos brancos do peito à amostra.

— Está tudo pronto para descermos — disse fazendo sinal de positivo.

Catarina pôs algo na mão de seu irmão, ao abrir, viu um dispositivo com entrada USB.

— Você precisa plantar esse bug no controle pra que eu opere o acelerador daqui de cima — alertou a garota, lhe entregando, em seguida, o capacete de seu uniforme. — O resto é com você.

Arthur vestiu a última peça de seu traje, enquanto a via entrar na bilheteria. Olhou para sua mãe através das lentes e viu que ela segurava um dispositivo.

— O detonador vai ser o sinal para a invasão — avisou a criminosa, balançando o objeto com a mão direita. — Preocupe-se apenas em correr, eu e o Kelvin ficaremos com a segurança.

Ele olhou para a cratera circular no meio da plataforma, cuspiu e não ouviu o som do fluído tocar o final da descida. Era tão profunda quanto um poço, mas de raio bem maior. 

— Só uma pergunta — disse o velocista, ao virar-se para mãe. — Eu te vi um dia antes do meu pai desaparecer. — As palavras dele fizeram com que a loira desviasse o olhar. — O que houve com ele?

— Se soubesse, já teria dito — respondeu a ladra. — Havia uma anomalia gravitacional naquela noite e, nessas condições, meus dois olhos são cegos. Coisas estranhas e sem explicação acontecem em casos assim.

O polegar dela tocou o botão único do dispositivo e a implosão foi ouvida por todos. Era o sinal, não havia tempo.

Sprint!

O garoto desceu rapidamente fazendo movimentos circulares ao longo da descida. Logo após, os dois criminosos fizeram o mesmo, suspensos por cordas de rapel. As sirenes do corredor no subterrâneo anunciaram a invasão.

Ao pisar no solo, o Raiju pôde ver os guardas com os uniformes cinzas do Phoenix Labs, estampando no bolso do peito a logomarca da ave imortal homônima. Um por um ele ia desarmando e levando os armamentos consigo.

Passou pela porta circular fechada, era a de acesso ao acelerador de partículas cíclico. Um grande corredor vazio em forma de anel, cortando dois estados, revestido por uma camada de titânio e outra de cobre, para que pudesse suportar o bombardeio de energia atômica. Ele nada podia fazer, por isso, correu mais à frente até a sala de controle e despejou os rifles que tomara dos guardas no chão.

Era mais uma passagem cerrada e a placa de somente pessoal autorizado, não tornava o acesso possível. Pegou uma das armas e tocou no vidro de uma janela.

— Abra — pediu ameaçador, mirando no rosto de um operador com traços asiáticos. — Agora!

Assustado, assim ele o fez. Berrou algo em chinês, mas correu da sala ao se ver na mira do armamento pesado. Foi então, que o Gladiador Azul plantou o bug no computador central e duas luzes verdes se acenderam no dispositivo.

Tô dentro — respondeu Catarina, do comunicador. — Estou abrindo o portão de acesso ao acelerador.

O herói fechou os olhos, se concentrando. Inspirou fundo e exalou lentamente o ar dos pulmões.

Quando estiver fazendo a rota circular na velocidade da luz, vai poder ver as ondas gravitacionais em tudo — alertou a garota. — Quanto menor for a frequência, mais além no tecido do tempo ela estão.

— Eu lembro a teoria, droga — retrucou o velocista. — Por acaso, eu fui o objeto desse estudo.

Sprint!

Em milésimos ele já estava correndo no anel. Seu corpo começou a ser bombardeado por cargas atômicas, que, juntas eletricidade de cada passada dada por ele, arrancando os elétrons do chão, lhe davam um tom luminoso e azulado, como uma áurea.

Vai mais rápido, Arthur! — gritou a ruiva.

Na bilheteria, ela era observada a operar o notebook por Aarseth, que estava indignado e preocupado, injuriado.

— Vocês vão matar ele! — esbravejou. — Ele não vai aguentar.

   Os gritos eram ouvidos do comunicador, a respiração do velocista já vinha com uma dificuldade imensa.

Arthur, seu corpo foi feito para suportar grandes velocidades e isso varia do quanto você está rápido. — Ouviu a garota falar do comunicador, o som ficava cada vez mais lento. — Você vai conseguir.

O sangue verde já descia do nariz dele, suas pernas fraquejaram, bambeando-se.

Vão matá-lo! — gritou Aars, desesperado. — E... — o som da transmissão desacelerou. Estava cada vez mais lento e inaudível — le na...

Foi quando ele percebeu que a cada passo que dava, múltiplas imagens de si, projeções próprias, eram deixadas no caminho. Uma risada alta e histérica tomou conta de sua garganta e foi propagada como um eco. Ele já podia ver aparecerem ondas de energia em trajetórias senoidais ao longo corredor, que agora parecia ser retilíneo e infinito e não mais circular.

— Eu posso! — gritou, animado, enquanto desaparecia naquela imensidão de energia gravitacional.

Sprint!

 

 

 

Entrada para o terminal B da subestação de metrô

Avenida Presidente Vargas

 

Um brutamonte de cabelos longos e bagunçados desceu do furgão algemado e escoltado por dois guardas da ANIC. Ao pisar no chão, que o fez com o pé direito, sorriu.

— O doce ar da caralha da liberdade! — gritou, extasiado. — Olha só essa pica de estação desmoronando, que lindo!

— Vai com calma aí, Ben! — repreendeu Trap, ao descer de uma picape preta da ANIC.

Na ponta dos pés, de cabeça erguida, a agente encarou o barbudo algemado, franzindo o cenho.

— Se tentar alguma gracinha — falou, ameaçadora —, vamos estourar sua cabeça e não é com um chip implantado no cérebro. — Tocou os lábios do homem com o cano de uma .38 cano longo.

Ela bufou, as solas do sapato tocaram o chão novamente e as algemas do prisioneiro foram destravadas. O cabeludo deu um beijinho a arma carinhosamente.

— Excitante, me fez ter uma ereção — respondeu o grandalhão. — Trouxe o que eu pedi?

A morena lhe entregou um isqueiro preto e o criminoso, ao pegá-lo, se aproximou do portão do terminal que dava acesso ao subsolo. Havia quase um iceberg impedindo a passagem.

— Essa droga parece estar muito abaixo de zero, é difícil de ganhar calor — disse Trap, acompanhando-o. — Não vai descongelar fácil e não podemos implodir.

— Relaxa, gata sensual — disse, ao levar o indicador aos lábios da mulher. — Deixa com o papai Hur.

 Ela suspirou, procurando a paciência que havia perdido com poucos segundos diante dele, que acendeu o isqueiro e soprou, fazendo com que uma labareda atingisse o iceberg como um lança-chamas. Atrás dele, um pelotão inteiro com fuzis de grossos calibre apontados e prontos para disparar.

 

 

 

Phoenix Labs

 

Ele entrou no elevador assobiando “Está Chegando a Hora”. De camisa branca, gravata borboleta azul e suspensório, segurava uma metralhadora branca com um rótulo de letras vermelhas, dizendo:

Inabili

Ao seu lado, entrou um segurança com a característica farda cinza do Phoenix, portando uma arma idêntica, caçou o botão que queria e, enfim, achou. O subsolo do vasto prédio era o destino dos dois.

 — Acha que vai dar um jeito neles, senhor? — perguntou o fardado. — Realmente vai desabilitar o poder deles, mesmo que por um instante?

O homem se virou, o olhando por cima dos óculos de grau com ar de superioridade e coçou sua barbicha cinza, tal qual seus cabelos presos por um rabo de cavalo. Olhou para frente, ignorando o companheiro.

— Disseram que o “azul” está lá embaixo — insistiu o guarda.

Ele revirou os olhos, enquanto suspirava e rapidamente efetuou um disparo à queima roupa na testa de seu segurança, esguichando sangue na parede do elevador. Jogou a arma no chão, pegou os seus óculos e os limpou na camisa branca.

 — Eu lhe falei lá em cima — conversou com o cadáver fresco —, que ia conversar com o “azul”. Agora vou ter que ficar com sua arma.

Empunhou a sua metralhadora e pendurou a bandoleira da outra em seu ombro. Continuou o assobio musical e carnavalesco dos anos quarenta, enquanto esperava o ponto final, mas o elevador parou no quinto andar.

Quando as portas se abriram, uma porção de engravatados viu todo o sangue e aquela peculiar figura a observá-los, impaciente.

— Pode ir, senhor Jacobo — disse o jovem rapaz negro, apreensivo apertando o botão para as portas se fecharem. — Desconsidere-nos.

Ele abriu um sorriso de orelha à outra, curvando a cabeça em agradecimento. Satisfeito, a música continuou.





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