Rebirth | NamJin escrita por Pauline


Capítulo 1
Prologue


Notas iniciais do capítulo

Sejam bem vindas(os) a Rebirth! Espero que ame essa história tanto quanto eu a amo!

Música do capítulo: Light - Sleeping at Last



 

Renascer: nascer de novo, verdadeiramente ou na aparência.

 

Pela primeira vez desde que voltara para casa, Kim Namjoon ficou sozinho com a filha. Os últimos três dias da sua vida tinham sido enlouquecedores, desde que recebera uma ligação em seu trabalho até sua mãe se despedir de si, dando um último beijo em sua testa e enfim deixando o apartamento.

Em três dias, Namjoon viu seu mundo virar de cabeça para baixo. Considerava-se um homem forte por ter passado por tantos altos e baixos, porém nada o preparou para aqueles três dias. Antes de tudo acontecer, era um homem casado que passara as últimas semanas pintando o quarto da filha ao lado do marido. Lembrava-se de ter acidentalmente pintado o cabelo dele, e de isso ter causado uma pequena guerra de tinta entre sorrisos.

Lembrava-se da ligação que recebera no meio do expediente – era professor de matemática – e da emoção ao saber que sua menininha estava chegando. Lembrava-se de dirigir empolgado, ligando para toda sua família.

Lembrou-se que seu marido recusou a carona, dizendo que chegaria logo depois de Namjoon no hospital.

Lembrou-se da segunda ligação, nada feliz, avisando que seu marido viera a falecer. Crime de ódio por ser gay e, em breve pai. Tinham aproveitado a ausência de Namjoon que sempre o buscava, para tirar a vida do homem. Kim Jun-Ho nunca fizera mal a ninguém, era um ser bom. Claro que cometia seus erros, era humano afinal, mas seu coração era tão puro quanto o de uma criança, tão bom quanto seu status de imperfeito o permitia ser. Morrera por amar sem medo.

Namjoon chorou pelas doze horas em que ficou nas cadeiras desconfortáveis do hospital. Sua filha nasceu quase que exatamente um dia depois de seu marido partir, com as bochechas gordinhas e as mãozinhas inquietas. Kim não teve tempo de ficar em luto e talvez isso tenha salvado sua vida.

Jun-Ho foi enterrado um dia depois do nascimento de sua filha. Namjoon viu seu apartamento ficar cheio com seus sogros e seus pais, todos tentando se reerguer por meio da menininha. Despediu-se dos pais de Jun-Ho na mesma tarde em que trouxera a filha para casa, prometendo os encher de fotos da neta. Seus pais foram mais tarde, tendo ficado para ajudar o pai de primeira viagem que era.

Quando se despediu de sua mãe e deitou-se no sofá com a filha adormecida sobre si, se permitiu chorar mais um pouco. Tinha em seus braços o maior sonho de sua vida, porém não podia dividi-lo com quem mais amava. A ferida recém-aberta pela morte do marido pulsava no peito, mas seu coração era acalentado pela presença pequena em seu colo. O bebê abriu os olhinhos por alguns segundos, logo os fechando novamente, mas foi o necessário para Namjoon sorrir, com covinhas e tudo.

—Você é tão linda, minha pequena – sussurrou baixinho para não perturbar o sono da filha – Tão frágil que eu tenho medo de te pegar no colo e quebrar. Seu papai me chamava de Deus da Destruição, sabia? – uma risada trêmula escapou dos lábios do homem – Eu sou desastrado demais, minha pequena, mas juro que vou fazer de tudo para cuidar de você. Vou fazer seu papai ter orgulho da filha dele. Ter orgulho de nós dois.

Ele acariciou o cabelo fino do neném antes de se levantar lentamente, tentando não acordá-la. Encaminhou-se para a cozinha, olhando ao redor a procura de algo para comer, alegre por sua mãe ter pensado na mesma coisa e ter deixado a janta preparada. Precisava aprender a cozinhar urgentemente.

Ele suspirou, olhando para o bebê em seus braços. Agora tinha uma vida totalmente dependente apenas de si, tinha que aprender tanto, sobreviver a tanto...

—Sabe, meu amor, seu pai tinha razão quanto ao seu nome – falou baixinho – Chae-Won significa renascimento, uma nova chance, coisas assim... Você vai ser o meu renascimento, pequena, disso eu tenho certeza.

Kim Chae-Won abriu os olhos mais uma vez antes de provar que puxara os pulmões de ferro do pai e Namjoon tentou não se desesperar, apenas pôs-se a acalmá-la.

A paternidade não era um trabalho fácil, definitivamente.

Quando Chae-Won completou uma semana de vida, Namjoon a levou para conhecer o padrinho: Min Yoongi, mundialmente conhecido como Suga. Ainda estava pegando a manha de ser pai solo, mas tinha aprendido a usar o canguru e ter ambas as mãos livres e ainda ter sua pequena perto de si. Andava calmamente pelo prédio gigantesco da Big Hit Entertainment, cumprimentando rostos conhecidos. Chae-Won era calma o suficiente para não se incomodar com o barulho, mas mesmo assim o homem se mantinha quieto apenas para ter certeza. Equipado com a bolsa rosa da menina, entrou no estúdio de seu melhor amigo.

—Rap Monster na área – avisou quando finalmente encontrou Yoongi no meio das camadas de roupa que usava. – Isso tudo é frio ou você está doente?

—Calado, eu posso ser mais baixo, mas ainda sou seu hyung – Suga revirou os olhos – Jiminie está crente que eu vou ficar doente e prometeu me matar se isso acontecesse antes do nosso casamento.

—Deixa o carinha em paz, ele provavelmente vai enlouquecer com tanto planejamento – Namjoon revirou os olhos, se ajeitando no sofá que ficava em um canto do estúdio.

—Eu sei! É só que... Pra mim não precisava ser tudo isso, sabe? – o músico suspirou cansado – Eu acabei de voltar da turnê e logo depois da nossa lua de mel vou começar outra. Sei lá, só queria um tempo com ele.

—Fala isso pra ele – o mais novo disse simples – Vocês são, tipo, o OTP da nação. Nada separa o Jimin de você.

—Eu sei. – Yoongi revirou os olhos estudando seu dongsaeng – Sabe que não precisa fingir que está tudo bem, não pra mim, não é?

—Mas está – o olhar sério do mais velho fez Namjoon rir – Talvez não tudo, afinal.

—Explique.

—Eu não sei hyung. Eu sinceramente não sei o que sentir – desabafou, retirando a filha do canguru. Agora a nenê estava acordada e um pouquinho mais agitada – Jun-Ho se foi, isso é um fato, e eu como professor de matemática lido com fatos todos os dias, mas não quero lidar com esse...

Ele observou o rostinho da filha, que claramente ainda estava com muito, muito sono.

—Eu tenho medo. Muito medo, de verdade. – Namjoon a ajeitou nos braços – Ontem à noite fiquei quinze minutos tentando decifrar porque ela estava chorando, foi desesperador...

—Tem medo de não ser um bom pai? – Yoongi se aproximou de seu saeng, sentando-se ao lado do melhor amigo – Porque se for isso, pode relaxar. Você aprendeu em uma semana o que alguns levam uma vida pra aprender, Namjoon-ah. Jun-Ho estaria orgulhoso de você.

—Acha mesmo?

—Eu conhecia aquele homem como a palma da minha mão – Min revirou os olhos – Posso te dizer isso com toda a certeza do mundo. E se você realmente duvida de si como pai, tenho um amigo que pode te ajudar.

—Você é o melhor, hyung – o mais novo riu.

—Eu sei, eu sei. Agora, me deixe segurar a minha afilhada! Você veio aqui pra isso, não foi?

A cena de Min Yoongi todo atrapalhado tentando não derrubar Chae-Won ao mesmo tempo em que conversava com ela usando uma vozinha de bebê trouxe mais um riso para Kim. Ele tinha o melhor amigo do mundo, e Chae teria o melhor padrinho.

 



Notas finais do capítulo

E cá estamos! Eu sei que esse começo foi um pouco angst e tudo mais, mas eu juro que vai melhorar! Não sou capaz de deixar o Namjoon sofrer tanto haha.

Com amor, Pauline ♥



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